{"id":185,"date":"2008-06-04T09:50:39","date_gmt":"2008-06-04T11:50:39","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2008\/06\/04\/disco-da-semana-weezer-red-album-weezer\/"},"modified":"2025-11-06T00:45:33","modified_gmt":"2025-11-06T03:45:33","slug":"disco-da-semana-weezer-red-album-weezer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/04\/disco-da-semana-weezer-red-album-weezer\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: &#8220;Weezer (Red Album)&#8221;, Weezer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-27628 aligncenter\" title=\"weezer3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/weezer3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existem f\u00f3rmulas de sucesso. Se existissem, calhordas (esses existem aos montes no showbusiness) ficariam recriando a mesma m\u00fasica por anos e anos consagrando a f\u00f3rmula que os colocou, em seus 15 minutos de fama, no topo em algum momento de suas vidas. Felizmente, n\u00e3o \u00e9 assim. Recriar e\/ou reinventar-se \u00e9 para poucos, mais precisamente para aqueles que realmente tem alguma coisa a dizer. \u00c9 isso que coloca bandas que sempre fazem\/fizeram &#8220;o mesmo tipo de som&#8221; &#8211; como Ramones e Motorhead &#8211; de um lado e os meros recicladores de outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que entra o riff de &#8220;Troublemaker&#8221;, faixa que abre o sexto \u00e1lbum do Weezer, a lembran\u00e7a de outros riffs &#8211; alguns cl\u00e1ssicos &#8211; do pr\u00f3prio grupo entorpece a mem\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. A pr\u00f3pria capa sugere um d\u00e9j\u00e0 vu: o nome da banda sobre a cabe\u00e7a dos quatro m\u00fasicos que posam a frente de um fundo em cor lisa, sem contraste. Eles j\u00e1 tinham feito a mesma brincadeira via &#8220;Blue Album&#8221; em 2001, quando lan\u00e7aram o &#8220;\u00c1lbum Verde&#8221;, e agora, novamente sete anos depois, reprisam o expediente usando o vermelho. Mais um cap\u00edtulo da novela &#8220;n\u00f3s vamos fazer a mesma coisa o resto de nossas vidas&#8221;? Quase isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com dezesseis anos nas costas, o Weezer poderia muito bem ter se transformado em um dinossauro do rock (tal qual o Oasis), mas Rivers Cuomo parece se divertir quando se veste de roqueiro, o que parece ser para ele um passatempo antropol\u00f3gico. N\u00e3o \u00e0 toa, um dos motivos do sil\u00eancio de tr\u00eas anos entre &#8220;Make Believe&#8221; (2005) e &#8220;Red Album&#8221; foi o retorno de Rivers Cuomo \u00e0 Universidade de Harvard para completar seus estudos, algo t\u00e3o antirockandroll que poderia funcionar contra a reputa\u00e7\u00e3o da banda, mas \u00e9 bom lembrar que Cuomo n\u00e3o \u00e9 um rock star comum (um rock star comum nunca escreveria &#8220;Tired of Sex&#8221; no auge do sucesso de sua banda).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ser um rock star comum concede a Rivers Cuomo a liberdade criativa que atesta aquilo que muitos chamam de insanidade (outros, eu incluso, preferem um termo mais ousado: maturidade): lan\u00e7ar um disco que \u00e9 Weezer sem ser Weezer. Na pr\u00e1tica \u00e9 isso. Na teoria \u00e9 o seguinte: &#8220;Red Album&#8221; \u00e9 sobre envelhecer em uma banda de rock e continuar fazendo o que der na telha. Id\u00e9ia grandiosa que a pluralidade do repert\u00f3rio sugere, mas que esbarra na execu\u00e7\u00e3o\/produ\u00e7\u00e3o. O tal riff de &#8220;Troublemaker&#8221; que abre o disquinho assim como seu primeiro single, a power pop chiclete &#8220;Pork and Beans&#8221;, tem uma fun\u00e7\u00e3o enorme no lan\u00e7amento: dizer aos f\u00e3s que apesar das outras oito can\u00e7\u00f5es que comp\u00f5e o lan\u00e7amento, este \u00e9 um disco do Weezer sim (a capa ajuda a refor\u00e7ar isso).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas can\u00e7\u00f5es conseguem seu intento com louvor. Apesar do clima power pop, &#8220;Troublemaker&#8221; soa rancorosa e ir\u00f4nica. Fala de moleques que odeiam livros, abandonam a escola, montam bandas de heavy metal, levam as meninas pra cama, e posam de agitadores. &#8220;Pork and Beans&#8221; \u00e9 um dos hits do ano. Nela, o personagem desiste de fazer parte do clube dos politicamente corretos, de seguir aqueles que ditam o que est\u00e1 na moda. Na melhor parte da letra, Rivers sacaneia: &#8220;Todo mundo gosta de dan\u00e7ar uma m\u00fasica feliz \/ Com um refr\u00e3o e uma batida pegajosa \/ Timbaland conhece o jeitinho \/ para chegar ao topo das paradas \/ Talvez se eu trabalhar com ele \/ Possa aperfei\u00e7oar a arte&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das outras oito can\u00e7\u00f5es, tr\u00eas s\u00e3o escritas e cantadas pelos outros membros da banda. O guitarrista Brian Bell comparece com &#8220;Thought I Knew&#8221;, um power pop menor, de produ\u00e7\u00e3o descuidada e pouca empolga\u00e7\u00e3o. Estranha, &#8220;Cold Dark World&#8221; \u00e9 cantada\/rapeada pelo baixista Scott Shriner. J\u00e1 &#8220;Automatic&#8221; traz o baterista Patrick Wilson para o microfone, e faz lembrar a aproxima\u00e7\u00e3o do grupo com o rock farofa em &#8220;Maladroit&#8221;. Nenhuma das tr\u00eas can\u00e7\u00f5es tem brilho pr\u00f3prio, e est\u00e3o ali muito mais para preencher espa\u00e7o do que para dar unidade ao disco, que por elas e, principalmente pelos quatro b-sides da edi\u00e7\u00e3o de luxo, sugere um relaxamento na produ\u00e7\u00e3o, transformando em lan\u00e7amento oficial um punhado de can\u00e7\u00f5es inacabadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do descuido com boa parte do repert\u00f3rio, salvam-se algumas outras can\u00e7\u00f5es da safra de Rivers Cuomo, faixas malucas que ouvidas isoladamente podem confundir a cabe\u00e7a da audi\u00eancia. \u00c9 o caso da \u00e9pica &#8220;The Greatest Man That Ever Lived (Variations On A Shaker Hymn)&#8221;, seus quase seis minutos de dura\u00e7\u00e3o e suas dez varia\u00e7\u00f5es de ritmo (isso mesmo). &#8220;The Greatest&#8221; come\u00e7a suave com piano, tem bateria de fanfarra no meio, vira rap, hardcore, progressiva e o escambau. Rivers at\u00e9 &#8220;canta&#8221; em falsete, e quer saber: o resultado \u00e9 divertido. &#8220;Dreamin'&#8221; come\u00e7a Weezer puro e segue assim at\u00e9 seu break, no meio, onde recebe passarinhos e a visita espiritual de Brian Wilson. Bacana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Heart Songs&#8221; surge como uma (deliciosa) baladinha ac\u00fastica que vai num crescendo contagiante enquanto Rivers vai listando os artistas que o influenciaram, de Cat Stevens, Joan Baez e Bruce Springsteen, passando por Slayer, Quiet Riot, Iron Maiden e Debbie Gibson at\u00e9 chegar em &#8220;Nevermind&#8221;, o disco que fez com que ele e seus amigos fossem para a garagem compor suas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es, que tempos depois iriam tocar nas r\u00e1dios. Completam o \u00e1lbum &#8220;Everybody Get Dangerous&#8221; (outra com vocal de rap) e a rock ballad &#8220;The Angel And The One&#8221;. Os quatro lados b da edi\u00e7\u00e3o especial (&#8220;Miss Sweeney&#8221;, &#8220;Pig&#8221;, &#8220;The Spider&#8221; e &#8220;King&#8221;) ou mesmo a cover do The Band (&#8220;The Weight&#8221;) funcionam mais como curiosidade e\/ou completismo do que por qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ok, numa conta tola daria para dizer que metade do disco \u00e9 boa e a outra metade nem tanto (esque\u00e7a os b-sides). Na verdade, e em apenas um adjetivo, &#8220;Red Album&#8221; soa pregui\u00e7oso (n\u00e3o confunda com simplicidade). Mesmo assim \u00e9 superior tanto a &#8220;Maladroit&#8221; quanto a &#8220;Make Believe&#8221;, e s\u00f3 fica devendo ao disco verde (os dois primeiros est\u00e3o em outra escala, a dos cl\u00e1ssicos). Se pensarmos que o &#8220;Green Album&#8221; j\u00e1 era inferior ao &#8220;Blue Album&#8221; (apesar das quatro can\u00e7\u00f5es matadoras que abrem o disco), a expectativa para o &#8220;Orange&#8221; (escolha a cor que voc\u00ea quiser, caro leitor) n\u00e3o \u00e9 das melhores, mas se a cada tr\u00eas anos eles aparecerem com uma &#8220;Pork and Beans&#8221; j\u00e1 est\u00e1 valendo. N\u00e3o existem f\u00f3rmulas de sucesso, mas o Weezer &#8211; e Rivers Cuomo &#8211; est\u00e1 do nosso lado da for\u00e7a. Ainda bem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Weezer (Deluxe Edition)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lt_7u8Viqdym-dO47vnMgaLxJncUQyowI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<\/strong>-\u201dPoucas bandas me decepcionaram tanto quanto o Weezer nos \u00faltimos 10 anos\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/14\/no-final-tudo-vai-dar-certo-rivers\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cHurley\u201d, do Weezer: Ainda n\u00e3o foi dessa vez que eles voltaram a ser geniais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/16\/cds-brandon-flowers-weezer-e-manics\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista: Brian Bell: \u201cNossas m\u00fasicas deixam as pessoas felizes\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/10\/12\/entrevista-brian-bell-weezer\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cRaditude\u201d, do Weezer: Rivers Cuomo prefere bancar o dif\u00edcil (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/30\/ben-kweller-weezer-e-lemonheads\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cMake Believe\u201d, do Weezer: a banda enfim reencontrou sua melhor forma (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/05\/28\/make-believe-do-weezer\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Weezer em Curitiba: Dezenas de cl\u00e1ssicos cantados em coro pelo p\u00fablico (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/crf_tim.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa N\u00e3o existem f\u00f3rmulas de sucesso. 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