{"id":18425,"date":"2013-06-03T17:17:47","date_gmt":"2013-06-03T20:17:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18425"},"modified":"2022-07-18T00:58:02","modified_gmt":"2022-07-18T03:58:02","slug":"cinema-o-grande-gatsby-baz-luhrmann","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/06\/03\/cinema-o-grande-gatsby-baz-luhrmann\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;O Grande Gatsby&#8221;, Baz Luhrmann, um grande exerc\u00edcio visual oco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18426\" title=\"gatsby\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/gatsby.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/gatsby.jpg 231w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/gatsby-189x300.jpg 189w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Grande Gatsby\u201d \u00e9 um dos maiores romances liter\u00e1rios dos Estados Unidos. Tal t\u00edtulo se deve n\u00e3o apenas \u00e0 prosa elegante (alguns diriam esnobe) de F. Scott Fitzgerald, mas principalmente \u00e0 met\u00e1fora de encanto e desilus\u00e3o com o sonho americano que o livro proporciona. A quinta adapta\u00e7\u00e3o do livro para as telas, por\u00e9m, falha tanto em ser elegante como em cuidar bem de qualquer leitura mais profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eleg\u00e2ncia, ali\u00e1s, nunca foi o forte do diretor Baz Luhrmann. O australiano, que ganhou fama com o fren\u00e9tico \u201cRomeu + Julieta\u201d (1996), sempre gostou de grandiloqu\u00eancia, e a usou com bons resultados na adapta\u00e7\u00e3o shakespeareana e em \u201cMoulin Rouge\u201d (2001). Por\u00e9m, em \u201cO Grande Gatsby\u201d (2013), a f\u00f3rmula \u2013 can\u00e7\u00f5es pop, traveling acelerado, tomadas a\u00e9reas, edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo clipe, cores berrantes \u2013 \u00e9 t\u00e3o deslocada da hist\u00f3ria, t\u00e3o desprovida de raz\u00e3o de ser, que ela cansa antes que o filme complete seus primeiros vinte minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luhrmann ama o exagero, mas aqui esse seu amor chegou a um ponto t\u00e3o forte que ele parece ter esquecido que havia uma hist\u00f3ria a ser contada e, principalmente, atores a serem dirigidos. O elenco todo padece de falta de ritmo, e parece estar se esfor\u00e7ando n\u00e3o para atuar, mas para atender rigorosamente aos estere\u00f3tipos imaginados pelo diretor. Mesmo atores que j\u00e1 demonstraram ter talento de sobra \u2013 como Tobey Maguire e Leonardo DiCaprio \u2013 n\u00e3o se encontram e d\u00e3o a impress\u00e3o de estarem perdidos em cena. O que dizer, ent\u00e3o, de int\u00e9rpretes menos dotados, como Carey Mulligan e Joel Edgerton? Mulligan, em particular, tem presen\u00e7a med\u00edocre, e qualquer caracteriza\u00e7\u00e3o pertinente de sua personagem se deve mais \u00e0 for\u00e7a do texto de Fitzgerald do que \u00e0 sua capacidade de compor uma figura cr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18427\" title=\"gatsby2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/gatsby2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por falar em texto, eis a\u00ed o segundo grande problema do filme: na concep\u00e7\u00e3o do diretor, a jornada de Nick Carraway (Maguire), um jovem seduzido pelos encantos mais promissores e atrativos do sonho americano que se v\u00ea, muito tardiamente, envolvido por decad\u00eancia, dissolu\u00e7\u00e3o moral e viol\u00eancia, depende demais da locu\u00e7\u00e3o em off para ser contada. O recurso usado sem parcim\u00f4nia cansa \u2013 chega um momento em que o espectador n\u00e3o aguenta mais ouvir a voz de Maguire \u2013 e subestima a intelig\u00eancia do p\u00fablico, adicionando rubricas e observa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o constam no texto original, como que para assegurar que a &#8220;mensagem&#8221; tenha sido perfeitamente compreendida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O triste \u00e9 que tudo o que o filme quer escancarar de maneira \u00f3bvia e repetitiva j\u00e1 estava bem inserido nas nuances da obra original. Mas na tela \u00e9 dif\u00edcil ver em Tom Buchanan (Joel Edgerton) o hip\u00f3crita cheio de si e auto iludido que Fitzgerald imaginou. Aqui ele \u00e9 apenas &#8220;o vil\u00e3o&#8221;, figura que simplesmente inexiste no mundo cinza retratado por Fitzgerald. Tampouco Gatsby (DiCaprio) \u00e9 um her\u00f3i, mas \u00e9 isso que o filme faz dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adapta\u00e7\u00f5es de cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias podem tomar liberdades, sem d\u00favida. Nem tudo o que funciona no papel d\u00e1 certo na tela. Por\u00e9m, tais liberdades s\u00f3 fazem sentido se usadas em prol de manter ou rediscutir a ess\u00eancia da obra original. \u201cO Grande Gatsby\u201d de Luhrmann \u00e9 uma f\u00e1bula moralista, que reduz uma trama complexa e pass\u00edvel de v\u00e1rias leituras a um romancezinho exagerado e manique\u00edsta, com Gatsby e Carraway deixando de ser dois seres complexos e contradit\u00f3rios para serem apresentados como bons meninos, iludidos e arrastados pelo sonho americano, mas &#8220;puros&#8221; at\u00e9 o fim. Ali\u00e1s, em meio a tantos pecados narrativos, nenhum \u00e9 maior que o esquecimento de Luhrmann em trazer a lenta derrocada de Nick Carraway rumo \u00e0 amoralidade e \u00e0 decad\u00eancia. Em meio \u00e0 tanta obviedade, o personagem central passa a ser apenas um narrador bobo alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando tudo termina, voc\u00ea fica com a sensa\u00e7\u00e3o que foi gasto muito dinheiro (105 milh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo informa\u00e7\u00f5es oficiais) para fazer um grande exerc\u00edcio visual oco, cujo legado ser\u00e1, no m\u00e1ximo, inspirar festas de travestismo por um tempo. E olhe l\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Grande Gatsby - Trailer 1 (leg) [HD] | 7 de junho nos cinemas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9KQt2OMOty8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Moulin Rouge&#8221;: a \u00f3pera pop cafona e apaixonada de Baz Luhrmann, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/05\/24\/cinema-moulin-rouge-a-opera-pop-cafona-e-apaixonada-de-baz-luhrmann\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quinta adapta\u00e7\u00e3o do livro falha tanto em ser elegante como em cuidar bem de qualquer leitura mais profunda da obra\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/06\/03\/cinema-o-grande-gatsby-baz-luhrmann\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5928],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18425"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18425"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18425\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67840,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18425\/revisions\/67840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}