{"id":18318,"date":"2013-05-31T10:01:34","date_gmt":"2013-05-31T13:01:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18318"},"modified":"2023-03-29T00:21:11","modified_gmt":"2023-03-29T03:21:11","slug":"random-acess-memories-daft-pun","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/31\/random-acess-memories-daft-pun\/","title":{"rendered":"Random Access Memories, Daft Punk"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18319\" title=\"random1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/random1.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mpadrao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00e1rcio Padr\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Goste ou n\u00e3o do Daft Punk, o fato \u00e9 que a dupla francesa \u00e9 um dos raros exemplos atuais de artistas que se equilibram com habilidade entre a independ\u00eancia criativa do cen\u00e1rio indie e a vontade do mainstream de criar um discurso universal, sem se afundar nos v\u00edcios desses dois ambientes. Ao revigorar a m\u00fasica eletr\u00f4nica e lev\u00e1-la para fora dos nichos novamente, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo constru\u00edram uma s\u00f3lida base de f\u00e3s desde o primeiro disco, \u201cHomework\u201d (1997) e angariaram muitos outros pelo caminho. Gra\u00e7as a eles, nem os oito anos entre \u201cHuman After All\u201d (2005) e \u201cRandom Access Memories\u201d (2013) foram capazes de deixar o grupo no ostracismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bem verdade que nestes mesmos oito anos eles nunca sa\u00edram totalmente do radar, pois afiaram dois de seus maiores talentos extramusicais: a onipresen\u00e7a e a autopromo\u00e7\u00e3o. Aqui e ali apareceram em comercial de TV, game, trilha sonora + filme \u201cTron: o Legado\u201d e por a\u00ed foi, preparando na surdina o seu quarto e mais ambicioso \u00e1lbum. A poderosa e eficiente campanha publicit\u00e1ria \u2013 que se confiava na for\u00e7a do single \u201cGet Lucky\u201d e da reputa\u00e7\u00e3o dos colaboradores da faixa, Pharrell Williams e Nile Rodgers \u2013 j\u00e1 esbo\u00e7ava isso, mas na primeira audi\u00e7\u00e3o o plano fica evidente: o Daft Punk tentou aqui chegar ao \u201cThriller\u201d do in\u00edcio deste mil\u00eanio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estranhamento inicial pode ter resultado em desapontamento para muita gente porque \u201cRandom Access Memories\u201d marca uma guinada no estilo da dupla, que come\u00e7ou revitalizando o house em \u201cHomework\u201d, chegou ao neo-disco em \u201cDiscovery\u201d e dividiu a cr\u00edtica e os f\u00e3s com o mal-compreendido \u201cHuman After All\u201d, que trouxe o peso do rock e o groove do funk para um arriscado revival do techno. Em \u201cRandom Access Mem\u201d a dupla parece ter encontrado a \u201cbatida perfeita\u201d que tanto procurava, dando a entender que os rob\u00f4s conclu\u00edram sua crise existencial. Tal batida n\u00e3o parecia estar nos sintetizadores que lhe trouxeram fama, mas sim no ser humano, essa ra\u00e7a que teoricamente est\u00e1 cada vez mais ultrapassada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cRandom Access Memories\u201d o Daft Punk soa humano como nunca soou antes, com sonoridade \u201cde banda\u201d, org\u00e2nica, em uma caprichad\u00edssima combina\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, arranjos e reuni\u00e3o de talentos individuais poucas vezes vistas desde o cl\u00e1ssico marco de Michael Jackson. Por\u00e9m, muita gente esperava encontrar mais \u201cGet Luckys\u201d no disco, isto \u00e9, mais hits instant\u00e2neos para a pista de dan\u00e7a, e nisso o novo disco da dupla sai perdendo em compara\u00e7\u00e3o com o \u201cThriller\u201d. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso de desistir do \u00e1lbum, pois aqui h\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o de estilos e refer\u00eancias \u2013 pop oitentista, indie rock, soft rock, synthpop, rock progressivo, R&amp;B e o house de sempre \u2013 que geram uma infinidade de climas e texturas que se revelam mais atraentes a cada nova ouvida. Esque\u00e7a o hype e foque-se na m\u00fasica; voc\u00ea perceber\u00e1 que estamos diante de uma obra que se n\u00e3o vai suplantar \u201cThriller\u201d (algu\u00e9m ir\u00e1 um dia?), mant\u00e9m-se firme no p\u00e1reo de melhores discos de 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGive Life Back to Music\u201d, a primeira faixa, tem uma levada suave e chique que mesmo com a sonoridade de banda, deixa claro que \u00e9 um disco do Daft Punk pelo uso do vocoder, uma das marcas registradas deles desde sempre. O vocoder continua em \u201cThe Game of Love\u201d, que parece ter sa\u00eddo de um disco de Sade, com uma pegada Antena 1 no talo, servindo como ponte para uma das melhores faixas, \u201cGiorgio by Moroder\u201d, com Giorgio Moroder em pessoa falando na introdu\u00e7\u00e3o em como surgiu seu interesse por m\u00fasica, para depois entrar o kraftwerkiano-moroderiano riff principal, que vai evoluindo bonito ao longo de seus nove minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cWithin\u201d \u00e9 outra pe\u00e7a mel\u00f3dica oitentista cool com a participa\u00e7\u00e3o do pianista Chilly Gonzales, que baixa a bola para depois \u201cInstant Crush\u201d subi-la novamente, com Julian Casablancas \u00e0 frente do vocal, em uma m\u00fasica que caminha bem no limite entre o som dos Strokes e os sintetizadores. \u201cLose Yourself to Dance\u201d \u00e9 uma irm\u00e3 mais nova de \u201cGet Lucky\u201d, com os mesmos Pharrell e Nile Rodgers conduzindo a can\u00e7\u00e3o com o refr\u00e3o-t\u00edtulo ganchudo e palminhas boas pra momentos ao vivo. Paul Williams \u00e9 o colaborador da vez em \u201cTouch\u201d, com intro prog que depois traz Williams cantando empostadamente em um arranjo disco que depois desliza devagarinho de novo pro progressivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGet Lucky\u201d chega em uma vers\u00e3o mais longa que seu single para as r\u00e1dios; a qualidade da m\u00fasica \u00e9 ineg\u00e1vel, mas sua vers\u00e3o para \u00e1lbum perde um pouco em cad\u00eancia, como um filme que poderia ter acabado na pen\u00faltima ou antepen\u00faltima cena. Paul Williams volta em \u201cBeyond\u201d, uma das faixas menos interessantes de \u201cRAM\u201d, com ideias j\u00e1 bem executadas nas m\u00fasicas anteriores. A instrumental \u201cMotherboard\u201d \u00e9 uma das que lembra de leve o Daft Punk da \u201cvelha guarda\u201d, norteada por uma sequ\u00eancia mel\u00f3dica no sintetizador que vai puxando outras camadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua reta final, o disco ainda traz as participa\u00e7\u00f5es de Todd Edwards em \u201cFragments of Time\u201d, que lembra um pouco Phoenix; e de Panda Bear, que em \u201cDoin\u2019 it Right\u201d volta com o vocoder da dupla \u00e0 frente, mas ladeado pelo vocal do integrante do Animal Collective. A grande surpresa vem na \u00faltima can\u00e7\u00e3o: \u201cContact\u201d meio que nega o conceito do disco, deixando as participa\u00e7\u00f5es e os arranjos humanos de lado e trazendo o Daft Punk desta vez em um pequeno revival de si pr\u00f3prio, com um refr\u00e3o mel\u00f3dico constante, \u201cvideogam\u00edstico\u201d, que sugere que as novidades de \u201cRandom Access Memories\u201d talvez n\u00e3o sejam definitivas no estilo de Bangalter e Homem-Christo. Os rob\u00f4s ali se despedem com um \u201cwe\u2019ll be back\u201d e mostram que a jornada deles pela hist\u00f3ria do pop est\u00e1 longe de acabar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18320\" title=\"random2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/random2.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <span>M\u00e1rcio Padr\u00e3o (siga <\/span><a href=\"http:\/\/twitter.com\/mpadrao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@mpadrao<\/a><span>) \u00e9 jornalista e assina o blog <\/span><a href=\"http:\/\/quadrisonico.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quadris\u00f4nico<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por M\u00e1rcio Padr\u00e3o\nNovo \u00e1lbum marca uma guinada no estilo da dupla de rob\u00f4s que tentou chegar ao \u201cThriller\u201d do in\u00edcio deste mil\u00eanio. 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