{"id":18293,"date":"2013-04-16T14:00:01","date_gmt":"2013-04-16T17:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18293"},"modified":"2018-04-16T11:48:05","modified_gmt":"2018-04-16T14:48:05","slug":"turismo-bem-vindo-ao-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/16\/turismo-bem-vindo-ao-oriente-medio\/","title":{"rendered":"Turismo: Bem-Vindo ao Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18920\" title=\"jordania1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"797\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>BENVINDO AO ORIENTE M\u00c9DIO<br \/>\n(ou: S&amp;Y NA JORD\u00c2NIA)<br \/>\nTexto por Leonardo Vinhas<br \/>\nFotos por Leonardo Vinhas e Renata Ara\u00fajo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convite do Jordan Tourism Board (JTB), \u00f3rg\u00e3o oficial de turismo do governo da Jord\u00e2nia, eu e outros quatro profissionais de comunica\u00e7\u00e3o fizemos uma trip de dez dias pelo pa\u00eds mais tranquilo do Oriente M\u00e9dio, cen\u00e1rio de diversas hist\u00f3rias b\u00edblicas e lar da rainha mais sexy do planeta. Relatar jornalisticamente qualquer viagem j\u00e1 \u00e9 uma miss\u00e3o na qual diversas vari\u00e1veis se misturam, muitas vezes de forma conflitante. A objetividade necess\u00e1ria para o texto convive com a inevit\u00e1vel intensidade da experi\u00eancia pessoal (positiva ou negativa). No caso espec\u00edfico desse tour, esses conflitos se intensificam. Ao jornalista observador mistura-se o garoto do interior que ressuscita s\u00f3 para n\u00e3o acreditar que finalmente chegou ao Oriente M\u00e9dio. O seminarista e professor de catecismo anda lado a lado com o agn\u00f3stico. O turista deslumbrado desparece por vezes para dar lugar ao mochileiro experiente em viajar de forma prec\u00e1ria. Desse embaralhamento \u00e9 feito esse texto, um resumo de uma jornada \u00e0 qual voc\u00ea \u00e9 convidado a acompanhar agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18921\" title=\"jordania2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"401\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 1 (18\/07\/2013) \u2013 Am\u00e3 \u2013 Aonde se chega a um lugar, mas ainda n\u00e3o se faz o destino<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco mais de 11 horas de voo S\u00e3o Paulo-Paris, duas horas no aeroporto Charles de Gaulle e mais quase cinco horas Paris-Am\u00e3, e enfim os p\u00e9s aterrissam em territ\u00f3rio jordaniano. N\u00f3s seis \u2013 eu, Flavia Perin (assessora de imprensa do <a href=\"http:\/\/www.visitjordan.com\/\" target=\"_blank\">Jordan Tourism Board<\/a> no Brasil), Lucio Ribeiro (<a href=\"http:\/\/popload.blogosfera.uol.com.br\/\" target=\"_blank\">Popload<\/a>), Gabriel Britto (do blog <a href=\"http:\/\/gabrielquerviajar.com.br\/\" target=\"_blank\">Gabriel Quer Viajar<\/a>), Renata Ara\u00fajo (freela de v\u00e1rias emissoras de TV e autora do blog <a href=\"http:\/\/youmustgo.com.br\/\" target=\"_blank\">You Must Go!<\/a>) e a autora de livros de turismo Cris Berger \u2013 aproveitamos este tempo transcorrido para trocar as informa\u00e7\u00f5es pesquisadas sobre aquele que ser\u00e1 nosso territ\u00f3rio pelos pr\u00f3ximos dias, e tamb\u00e9m para apreciar o decadente espet\u00e1culo de ver um cidad\u00e3o cambaleante se esgueirar pela fila de imigra\u00e7\u00e3o ostentando os mais agudos sintomas de bebedeira que eu j\u00e1 vi algu\u00e9m manifestar em um aeroporto. O tipo f\u00edsico \u2013 um ruiv\u00e3o corpulento e ros\u00e1ceo \u2013 nos faz intuir que deve ser alguma esp\u00e9cie de comemora\u00e7\u00e3o de St. Patrick\u2019s Day potencializada pela altitude. Seria o \u00fanico b\u00eabado que ver\u00edamos pelos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o jantar no Landmark Hotel, um estabelecimento executivo de alto padr\u00e3o, nos dedicamos a entender o c\u00e2mbio: um Real vale aproximadamente 36 centavos de Dinar Jordaniano (JD) \u2013 sim, a moeda local \u00e9 mais forte que o Euro. Simplificadamente, temos que multiplicar os pre\u00e7os por 3, o que faz presumir que o vinho jordaniano que pedimos no hotel nos custar\u00e1 75 reais (25 JD). Com a conta, vem outra li\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica: hot\u00e9is e bares cobram, al\u00e9m da taxa de servi\u00e7o (habitualmente 10% do valor da conta), uma taxa de impostos que pode variar de 7 a 15%. Ou seja, o tal vinho sair\u00e1 por mais de 90 caramingu\u00e1s brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18922\" title=\"jordania3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"432\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1lcool \u00e9 um cap\u00edtulo \u00e0 parte na Jord\u00e2nia. Como o Cor\u00e3o desestimula seu consumo, praticamente n\u00e3o existem bares. Bebe-se em alguns restaurantes (muitos n\u00e3o oferecem essa op\u00e7\u00e3o), nos hot\u00e9is ou comprando nas liquor stores para consumo dom\u00e9stico. Beber em p\u00fablico \u00e9 crime \u2013 como em v\u00e1rios pa\u00edses ocidentais, diga-se. Em termos de cerveja, a Amstel (produzida localmente) e a Heineken su\u00ed\u00e7a s\u00e3o as mais comuns, mas encontra-se tamb\u00e9m Beck\u2019s, Corona e Budweiser, al\u00e9m de algumas marcas sem \u00e1lcool. Para o vinho, a Jord\u00e2nia tem poucos, por\u00e9m respeit\u00e1veis, produtores locais, como Saint George, Machareus e Mount Nebo, com os brancos se destacando em rela\u00e7\u00e3o aos tintos. Vinhos libaneses, franceses, australianos e sul-africanos aparecem com relativa facilidade, e por alguma raz\u00e3o que n\u00e3o consegui descobrir, os chilenos s\u00e3o altamente valorizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As seis horas a mais no fuso hor\u00e1rio dificultam a chegada do sono, mas ele se faz necess\u00e1rio, pois amanh\u00e3 chegaremos de fato \u00e0 Jord\u00e2nia, com tempo para ver o que queremos. Ou quase isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18923\" title=\"jordania4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 2 \u2013 19\/03\/2013 \u2013 Em Am\u00e3, a diferen\u00e7a entre o turista e o viajante se faz evidente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o lauto caf\u00e9 da manh\u00e3 t\u00edpico de bons hot\u00e9is, seguimos de van para o centro de Am\u00e3, capital da Jord\u00e2nia. Pelo tr\u00e2nsito, percebe-se que os jordanianos n\u00e3o acreditam em preferencial tampouco em sem\u00e1foro \u2013 h\u00e1 poucos deste \u00faltimo. A l\u00f3gica de deslocamento parece seguir o princ\u00edpio do \u201cprimeiro eu!\u201d, e os carros se acumulam nas vias. Mas de alguma maneira, o caos se organiza (ou se sustenta sem maiores consequ\u00eancias) e o tr\u00e2nsito flui melhor que o de S\u00e3o Paulo ou do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora das vias tur\u00edsticas, passamos por lojas de especiarias, onde descobrimos que quase todo o caf\u00e9 que tomaremos ser\u00e1 sempre fresco, com gr\u00e3os rec\u00e9m-mo\u00eddos, n\u00e3o raramente misturados a cardamomo tamb\u00e9m mo\u00eddo. Caf\u00e9 em p\u00f3 felizmente n\u00e3o faz sucesso por aqui. Outro \u00edcone gastron\u00f4mico \u00e1rabe, as frutas secas locais s\u00e3o mais suculentas que as encontramos em terra brasilis, com um frescor que faz voc\u00ea questionar se o termo \u201cseca\u201d \u00e9 adequado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18924\" title=\"jordania5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A saliva\u00e7\u00e3o do nosso bem alimentado grupo continua na Sufara, uma das maiores padarias da cidade. As panificadoras, em sua enorme maioria, funcionam 24 horas por dia, e oferecem muito mais que o p\u00e3o que conhecemos como \u00e1rabe. A variedade de tipos de p\u00e3es e doces \u00e9 maior do que o mais empolgado glut\u00e3o consegue provar. Pra n\u00e3o falar das esfihas, de massa fina e di\u00e2metro generoso. Sa\u00edmos de l\u00e1 com a certeza (jamais tra\u00edda) de que comer\u00edamos muito bem nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1, seguimos para Swifieh, um bairro com uma pegada mais tur\u00edstica. Ap\u00f3s um almo\u00e7o criminosamente farto no restaurante Sufran, seguimos pela Rainbow Street, via urbana plena de lojas de todos os tipos. N\u00e3o fosse pelos caf\u00e9s nos quais o narguil\u00e9 d\u00e1 o tom das conversas entre amigos, poderia ser uma rua em qualquer cidade do mundo. Ainda que bem apresentada, \u00e9 um daqueles lugares t\u00e3o comerciais que voc\u00ea mal percebe que saiu do seu eixo habitual. Afinal, sa\u00edmos de casa em busca do inusitado. Onde fica o exotismo que o turista busca no Oriente M\u00e9dio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18925\" title=\"jordania6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o fica. Por isso encerramos a tarde em uma casa de banho turco. Quando me dou conta de que algo \u201cturco\u201d pouco tem a ver com a Jord\u00e2nia, j\u00e1 estou vestido apenas com uma toalha na cintura, sendo massageado com \u00f3leo e esfoliado por garotos s\u00edrios em meios a grisalhos e barbados homens jordanianos. Ao lado do Lucio Ribeiro. E, sim, curti a experi\u00eancia. Mas n\u00e3o espere fotos. Voc\u00ea n\u00e3o precisa ver a mim ou ao Lucio de toalhinha na cintura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um jantar r\u00e1pido numa cadeia local de restaurantes familiares e de volta para o bar do hotel, onde, acompanhado por uma ta\u00e7a de Saint George Chardonnay, descubro a atipicidade que procurava na vista noturna de Am\u00e3, com seus pequenos pr\u00e9dios brancos (todas as constru\u00e7\u00f5es da cidade s\u00e3o feitas com pedras calc\u00e1rias) iluminados sem a profus\u00e3o de luzes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18927\" title=\"jordania8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania8.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 3 \u2013 20\/03\/2013 \u2013 \u201cAgora chegamos na Jord\u00e2nia\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caminho do castelo de Aijun (ou Aijoun \u2013 a grafia de muitas palavras em \u00e1rabe sofre pequenas varia\u00e7\u00f5es quando escrita no nosso alfabeto), passamos por casas simples (brancas, como de praxe) em meio a uma profus\u00e3o de oliveiras e p\u00e9s de avel\u00e3. No castelo \u2013 uma fortifica\u00e7\u00e3o constru\u00edda no ano 1142 para proteger os peregrinos de eventuais ataques de cruzados \u2013 a imers\u00e3o ao passado \u00e9 impedida pelo vai-e-vem de grandes grupos de pr\u00e9-adolescentes naquela algazarra t\u00edpica das excurs\u00f5es escolares. Tanto barulho pode fazer qualquer um reconsiderar se Herodes deve de fato ser considerado um vil\u00e3o, mas a simpatia das crian\u00e7as logo vence a ranhetice. O ingl\u00eas \u00e9 praticamente um segundo idioma na Jord\u00e2nia, assim eles n\u00e3o t\u00eam nenhuma dificuldade em se comunicar conosco. As meninas, em especial, parecem ver nas mulheres do nosso grupo o exotismo que n\u00f3s, turistas, vemos nelas, e pedem para ser fotografadas ao lado delas. A Flavia, loira e de pele muito clara, e a Cris, com reluzentes olhos verdes, atraem aten\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18926\" title=\"jordania7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ru\u00ednas passaram por v\u00e1rias restaura\u00e7\u00f5es, mas mesmo assim h\u00e1 sinais de vandalismo. Como quase todas as atra\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas na Jord\u00e2nia, n\u00e3o h\u00e1 muitas barreiras entre os visitantes e as edifica\u00e7\u00f5es, e o ser humano nem sempre \u00e9 um bicho zeloso ou consciente de preserva\u00e7\u00e3o. Pena, porque o local impressiona.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18957\" title=\"jordania41\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania41.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, o impacto maior acontece de tarde, quando visitamos Jerash, a \u201ccidade romana\u201d. As aspas se justificam pelo fato de que, al\u00e9m dos romanos, bizantinos e isl\u00e2micos deixaram sua marca na cidade que come\u00e7ou a ser constru\u00edda em 65 a.C.. Situada a cerca de 40 km da S\u00edria, Jerash tem templos dedicados a Zeus e Artemis, um amplo f\u00f3rum, dois not\u00e1veis anfiteatros, um hip\u00f3dromo e outras instala\u00e7\u00f5es, todas bastante preservadas. S\u00f3 a experi\u00eancia ac\u00fastica do anfiteatro, onde podemos testar com nossas vozes as potencialidades de amplifica\u00e7\u00e3o garantidas apenas pela arquitetura (os organizadores do Lollapalooza teriam muito a aprender com uma visita aqui), j\u00e1 valeria a viagem por si s\u00f3. Mas quando aparecem dois ex-m\u00fasicos da corte do Rei Hussein, tocando uma esp\u00e9cie de gaita-de-foles e um instrumento percussivo\u2026 \u00c9 dif\u00edcil explicar. Uma esp\u00e9cie de transe se instala e, quando me dei conta, havia subido todos os degraus do anfiteatro e olhava Jerash de cima, embasbacado. E isso porque eles estavam tocando \u201cFr\u00e8res Jacques\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tarde se revela insuficiente. Alguns de n\u00f3s emudecem, outros limitam a conversa a interjei\u00e7\u00f5es e express\u00f5es eloquentes como \u201cdo caralho\u201d e \u201ccacete\u201d. As ambi\u00e7\u00f5es e expectativas s\u00e3o superadas. \u201cAgora chegamos \u00e0 Jord\u00e2nia\u201d, \u00e9 o consenso entre o grupo. Programe um dia inteiro para Jerash quando estiver por l\u00e1. N\u00e3o h\u00e1 de se arrepender.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18958\" title=\"jordania31\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania31.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"443\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 noite, encaramos o mais pr\u00f3ximo de uma balada que viver\u00edamos nesses dias. O restaurante Shaman tem decora\u00e7\u00e3o modernosa, boa trilha sonora e card\u00e1pio internacional \u2013 sa\u00edmos de nossa apraz\u00edvel dieta de hommus, babaganush, kebabs e afins para ficar com steak e salada (apenas corretos \u2013 deu certa saudade das iguarias locais). Mas o narguil\u00e9 e as tr\u00eas garrafas do tinto Masaya, um vinho de corte liban\u00eas que foi de longe a estrela et\u00edlica da viagem, roubam o protagonismo da comida. Nas mesas ao redor, o cen\u00e1rio \u00e9 mais \u201cocidentalizado\u201d: a eleg\u00e2ncia cobre os corpos de homens e mulheres, e n\u00e3o h\u00e1 sinal de v\u00e9us, kuffiehs ou outros trajes locais. Por\u00e9m, homens e mulheres s\u00f3 se sentam \u00e0 mesa juntos se forem casais. No piso inferior, se h\u00e1 qualquer tipo azara\u00e7\u00e3o, acontece discretamente. No superior, a coisa parece mais interessante, mas se eu tivesse ido \u201capurar\u201d pessoalmente, estou certo de que a leitura desse texto terminaria com minha esposa defendendo a necessidade de que eu fosse urgentemente circuncidado. Com uma faca cega. Melhor me apaixonar pelo vinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00edmos de l\u00e1 levemente risonhos e, se \u00e9 verdade que o \u00e1lcool mata os neur\u00f4nios, mais burros. E mais felizes. Bem que dizem que a ignor\u00e2ncia \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18928\" title=\"jordania9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania9.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 4 \u2013 21\/03\/2013 \u2013 De olho na Terra Prometida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hora de fazer check out no Landmark e rumar para o Monte Nebo, \u201clocal sagrado crist\u00e3o\u201d, como enfatiza a placa na entrada. Ali Mois\u00e9s teria avistado a Terra Prometida por seu deus, na qual foi proibido de entrar porque o teria desobedecido. Na entrada, uma placa pede: \u201cDress Modestly\u201d, com um sinal de proibido cortando o desenho de um shorts e um top. Vai ver, Mois\u00e9s pode ver a Terra Prometida, mas n\u00e3o pode ver decotes. Quem vai saber? A vontade de Deus \u00e9 insond\u00e1vel\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18929\" title=\"jordania10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania10.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a absurda hist\u00f3ria que consagra o local \u2013 uma prova de que o deus b\u00edblico tem apre\u00e7o pelo sofrimento, pelo infantic\u00eddio e por seus pr\u00f3prios caprichos \u2013 e a presen\u00e7a de Israel logo \u00e0 frente, que traz consigo a mui question\u00e1vel hist\u00f3ria de sua forma\u00e7\u00e3o como pa\u00eds, me causam mais desconforto que qualquer outra coisa. Me afasto do grupo e prefiro ficar com a  vista do Vale do Rio Jord\u00e3o, um local \u00e1rido, por\u00e9m (ou por causa disso) belo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descemos o Monte rumo \u00e0 Madaba e paramos no que, de in\u00edcio, aparenta ser um ca\u00e7a-n\u00edqueis tur\u00edstico. Por\u00e9m, em meio a produtos do Mar Morto e quinquilharias outras, a loja exibe mosaicos impressionantemente confeccionados em diversos tipos de madeira. M\u00f3veis feitos segundo a t\u00e9cnica tradicional podem demorar at\u00e9 dois anos para serem confeccionados. Quanto mais temos contato com o detalhismo e o senso est\u00e9tico empregados, maior o encantamento pela t\u00e9cnica e pelo resultado final. Hillal, um dos artes\u00e3os, pega seu oud (instrumento de cordas de caba\u00e7a grande e arredondada) e, com uma voz profunda, destila uma can\u00e7\u00e3o comovente. Sem nos cobrar nada, pelo puro prazer de tocar. Sabe aquele papo de \u201cexotismo tur\u00edstico\u201d de uns par\u00e1grafos atr\u00e1s? Esquece. Fomos pegos por \u201cthe real thing\u201d e nem tivemos tempo de nos preparar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18930\" title=\"jordania11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania11.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois disso, nossa pr\u00f3xima parada, a Igreja Grega Ortodoxa de S\u00e3o Jorge, empalidece. Se \u00e9 verdade que o mapa em mosaico bizantino no piso \u00e9 um tesouro de ineg\u00e1vel valor hist\u00f3rico, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que meu estado an\u00edmico j\u00e1 havia sido suficientemente tocado pela for\u00e7a musical de Hillal. Almo\u00e7amos, e seguimos por tr\u00eas horas e meia de viagem rumo \u00e0 Petra, vendo a paisagem se tornar cada vez mais \u00e1rida no caminho, alternando buc\u00f3licos cen\u00e1rios de jovens pastores com seus rebanhos para trechos em que o lixo se acumula \u00e0s margens da via.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de um r\u00e1pido check in r\u00e1pido no M\u00f6venpick Hotel, uma parada na \u201cnascente de Mois\u00e9s\u201d, supostamente o veio da \u00e1gua que teria nascido quando ele \u201cferiu a pedra\u201d. \u00c9 um local t\u00e3o desprovido de pompa e circunst\u00e2ncia que chega a ser comovente. Por\u00e9m, cansado de tanto entra-e-sai da van, me concentro mais em brincar com os gatos ao redor e em tentar entender como nosso guia conseguiu perder um \u00fanico p\u00e9 de t\u00eanis no trajeto. Contudo, seguindo o esp\u00edrito b\u00edblico de f\u00e9 cega, aceito que alguns mist\u00e9rios jamais ter\u00e3o explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18932\" title=\"jordania12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania12.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"762\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda no dia 4 \u2013 Petra by Night<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O M\u00f6venpick fica bem na frente da entrada de Petra, assim que basta atravessar a rua e estamos na cidade esculpida entre as pedras pelos nabateus, que ali se estabeleceram no final do s\u00e9culo IV a.C. Nos tr\u00eas s\u00e9culos seguintes, a cidade prosperou, mas a presen\u00e7a romana no in\u00edcio da era crist\u00e3 minou o poder dos nabateus, e a cidade foi perdendo sua import\u00e2ncia at\u00e9 que, em 661 d.C., j\u00e1 sob o dom\u00ednio de uma dinastia mu\u00e7ulmana, foi atingida por uma s\u00e9rie de terremotos e chegou ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem tudo do que se sabe sobre Petra \u00e9 definitivo. Os nabateus n\u00e3o eram dados a registrar seu tempo, e h\u00e1 mais teorias que fatos. Por\u00e9m, \u00e9 bem verdade que entrar em Petra \u00e0 noite, iluminada apenas por esparsas luzes no caminho, \u00e9 algo que n\u00e3o pode ser descrito de forma objetiva. O passeio, conhecido como Petra by Night, consiste em dois quil\u00f4metros de caminhada at\u00e9 o tesouro de Petra, onde\u2026 Pensando bem, \u00e9 melhor n\u00e3o contar. Seria um spoiler emocional. O que pode ser dito \u00e9: se voc\u00ea for para Petra, programe-se para visit\u00e1-la primeiro de noite, depois durante o dia. S\u00e3o duas experi\u00eancias totalmente diferentes, e nada pode te preparar para o que \u00e9 caminhar por aquelas rochas contando basicamente com a ilumina\u00e7\u00e3o das estrelas. E seja sensato: n\u00e3o fique tirando fotos com flash como alguns idiotas insistem em fazer, mesmo com a administra\u00e7\u00e3o local pedindo o contr\u00e1rio. Quanto menos luz, melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18934\" title=\"jordania13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania13.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 5 \u2013 22\/03\/2013 \u2013 Petra \u201cby Day\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria de se esperar que o passeio diurno perdesse para o noturno, mas n\u00e3o. De dia, o tour vai al\u00e9m do tesouro e s\u00e3o tantos os detalhes que a primeira constata\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que um dia \u00e9 pouco para explorar a riqueza de Petra. Enquanto o passeio noturno vai apenas at\u00e9 o Tesouro, a luz do sol permite que voc\u00ea visite todas as instala\u00e7\u00f5es, entrando nas casas e edif\u00edcios esculpidos entre as rochas. A UNESCO decidiu que colocar redes ou grades poderia preservar melhor o local, mas estragaria muito do prazer de aprecia\u00e7\u00e3o e estudo que o local oferece, ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel caminhar por l\u00e1 de um modo que n\u00e3o seria poss\u00edvel em muitos s\u00edtios hist\u00f3ricos da Europa ou mesmo da Am\u00e9rica Latina. Ent\u00e3o seja consciente e respeite. Todo turismo \u00e9 predat\u00f3rio, mas tente s\u00ea-lo o m\u00ednimo poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A movimenta\u00e7\u00e3o constante de um grande n\u00famero de pessoas, burros e camelos em meio \u00e0quela arquitetura peculiar me transporta para o passado, imaginando de forma t\u00e3o v\u00edvida quanto minha mente permite como seria a vida em Petra quando a cidade estava em seu auge. Tremo em pensar em como seria uma trip ancestral embalada por \u00e1cido ali. Acho que n\u00e3o voltaria nunca, ou n\u00e3o voltaria o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18935\" title=\"jordania14\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania14.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, o com\u00e9rcio em Petra n\u00e3o parece deslocado, embora seja sempre triste ver crian\u00e7as vendendo badulaques (n\u00e3o falta isso por l\u00e1). Como a cidade era um forte posto comercial, as tendas estrategicamente espalhadas de modo a n\u00e3o prejudicar demais a paisagem parecem se integrar ao ambiente, e uma verdadeira experi\u00eancia sensorial se apodera de mim quando, j\u00e1 coberto de p\u00f3 e fisicamente exausto, experimento os aromas de mirra, alm\u00edscar, s\u00e2ndalo e \u00e2mbar de uma tenda local. O propriet\u00e1rio mostra destreza em v\u00e1rios idiomas (inclusive o portugu\u00eas) e acabamos entabulando um longo papo em espanhol (nem eu sei porqu\u00ea) sobre Obama (que, em visita \u00e0 Jord\u00e2nia, no dia seguinte estaria na loja dele), ch\u00e1s e viver para desfrutar do que nos d\u00e1 prazer (\u201cde noite n\u00e3o trabalho, meu amigo. De noite vou ficar com a minha mulher, fumar narguil\u00e9, comer bem e dar risada. \u00c9 para isso que a gente vive\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recomendo pelo menos dois em Petra, isso se voc\u00ea for do tipo apressadinho \u2013 ou o t\u00edpico turista japon\u00eas, que viaja para bater fotos e filmar e s\u00f3 curte a viagem quando chega em casa. Vivenciar Petra requer tempo. E desapego ao registro: a certa altura, j\u00e1 havia desistido de tirar fotos, decidindo apenas pela contempla\u00e7\u00e3o do lugar. Melhor assim.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18936\" title=\"jordania15\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania15.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" \/><\/p>\n<p>Ainda na cidade antiga, experimentei tamb\u00e9m uma tempestade de areia, e a\u00ed volta o deslumbramento do turista. Para quem n\u00e3o vive isso todo dia, \u00e9 sensacional ser fustigado pelo vento arenoso. Para quem vive, o inc\u00f4modo era vis\u00edvel no rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mo\u00eddo, volto ao hotel, mas a programa\u00e7\u00e3o do JTB ainda contemplava o Petra Kitchen, um programa de imers\u00e3o r\u00e1pida na culin\u00e1ria local.  \u00c9 a t\u00edpica oferta \u201cpara gringo ver\u201d, mas como ali os \u201cgringos\u201d \u00e9ramos n\u00f3s, fomos l\u00e1. Seria \u00f3timo poder dizer que n\u00f3s e nossos companheiros de curso \u2013 um simpatic\u00edssimo grupo de ingleses, mais alguns irlandeses e alem\u00e3es \u2013 preparamos um \u00f3timo jantar \u00e1rabe com o aux\u00edlio dos chefs locais, mas a realidade \u00e9 que a m\u00e3o pesada dos brit\u00e2nicos tirou a delicadeza que poderia ter dado sabor \u00e0s esfihas, e os brasileiros (n\u00f3s) n\u00e3o fizeram muito mais do que cortar (mal) salsinha para o tabule. Por\u00e9m, a camaradagem transnacional e as bebidas mais em conta da viagem renderam uma boa farra. O que dispensa pondera\u00e7\u00f5es sobre o inomin\u00e1vel kebab que preparamos todos juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anedota pop desnecess\u00e1ria: conversando com um dos irlandeses, menciono os Pogues. Ele sorri e, apontando a denti\u00e7\u00e3o irregular, diz: \u201ctemos todos os mesmos dentes\u201d. Hora de ir dormir \u2013 mas antes, eu e Gabriel sa\u00edmos cantando \u201cAmigo Punk\u201d, da Graforr\u00e9ia Xilarm\u00f4nica, pela rua principal de Petra. Porque sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18938\" title=\"jordania16\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania16.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 6 \u2013 23\/03\/2013 \u2013 Quando \u00e9 melhor emudecer<\/strong><br \/>\nNo check out, me dou conta que praticamente n\u00e3o conheci o hotel \u2013 n\u00e3o que tenha feito falta. Antes de partir, e tamb\u00e9m durante nossa sa\u00edda, ficamos de olho no imenso aparato log\u00edstico-militar instalado para receber o presidente norte-americano. Uma vista panor\u00e2mica da cidade \u2013 \u201cescoltada\u201d pelo poderio b\u00e9lico dos EUA \u2013 finaliza nossa visita em Petra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o muito depois, damos entrada no ostensivo Tala Bay Resort, em Aqaba. Com acesso privativo a um trecho de praia do Mar Vermelho e muitas piscinas, o nababesco local oferece uma sensa\u00e7\u00e3o de irrealidade \u2013 ou de realidade id\u00edlica demais para ser cr\u00edvel. A estranheza s\u00f3 aumenta quando somos recebidos por uma bela germano-jordaniana vestida com uma regata justa e saia curta. Sa\u00edmos do Oriente M\u00e9dio para entrar no mundo do turismo de luxo, onde o impessoal se disfar\u00e7a de exclusivo. Tenho tempo para adentrar rapidamente \u00e0s l\u00edmpidas \u00e1guas do Mar Vermelho, e o viajante embasbacado volta a pilotar meu c\u00e9rebro. \u201cCaralho, eu morava na Vila das Gra\u00e7as, em Taubat\u00e9. S\u00e9rio que eu estou no Mar Vermelho?\u201d Esse tipo de coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18939\" title=\"jordania17\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania17.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos esses questionamentos, picuinhas e pobrezas de esp\u00edrito desaparecem quando chegamos ao deserto de Wadi Rum. Se voc\u00ea j\u00e1 esteve em qualquer deserto, sabe que o sil\u00eancio \u00e9 um dos componentes mais fortes da experi\u00eancia. Por\u00e9m, a geografia peculiar e o c\u00e9u azul que abriga uma lua quase cheia e o sol radiante ao mesmo tempo causam um arrebatamento que provocam outro tipo de sil\u00eancio, esse mais \u00edntimo e pessoal. Na ca\u00e7amba de uma picape velha, somos conduzidos, parando vez ou outra, por um caminho que, de alguma forma, me conduz para dentro de mim mesmo. N\u00e3o \u00e0 toa os desertos constam em tantas par\u00e1bolas de prop\u00f3sito espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sol se pondo convida a demorar mais, e pe\u00e7o para voltar a p\u00e9 ao Captain, o acampamento bedu\u00edno de onde sa\u00edmos. No caminho, um local me convida a montar no camelo. \u00c9 quando uma crian\u00e7a toda feliz substitui o trint\u00e3o barbudo e introspectivo que at\u00e9 ent\u00e3o habitava meu corpo. O balan\u00e7o do animal se equilibrando sobre a areia enquanto a noite chega traz uma sensa\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa que quase perco a fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18940\" title=\"jordania18\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania18.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente n\u00e3o a perdi: jantamos com os bedu\u00ednos uma not\u00e1vel refei\u00e7\u00e3o, coroada por um sensacional cordeiro preparado sob a terra \u2013 cujo desterramento \u00e9 uma honra reservada apenas a n\u00f3s, brasileiros. Fica claro o quanto nossa nacionalidade \u00e9 querida por l\u00e1 (e n\u00e3o apenas porque somos consumistas ensandecidos quando viajamos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De m\u00fasica ambiente, uma dupla com oud e percuss\u00e3o (o \u201cBlack Keys da Jord\u00e2nia\u201d, diz algu\u00e9m). As estrelas e a hospitalidade bedu\u00edna garantem o resto. Volto para o hotel empoeirado e num estado que n\u00e3o \u00e9 exatamente felicidade, mas \u00e9 melhor que isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18942\" title=\"jordania19\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania19.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 7 \u2013 24\/03\/2013 \u2013 Sobre \u00e1guas, milagres e m\u00fasica pop<\/strong><br \/>\nAinda comigo, leitor? Obrigado pela companhia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do sil\u00eancio, o dia come\u00e7a com a gritaria de crian\u00e7as que levantam com o nascer do sol para brincar nas piscinas em frente ao meu quarto. Volto a pensar em Herodes, e somo mais um argumento em justificativa da minha decis\u00e3o de n\u00e3o ter filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela manh\u00e3, entramos em um barco reservado exclusivamente para n\u00f3s e singramos um trecho do Mar Vermelho que nos coloca frente a frente com os litorais de Egito e Israel. Uso meu bin\u00f3culo para perscrutar os pa\u00edses que n\u00e3o poderei visitar nessa viagem enquanto a brisa mar\u00edtima traz certo frio, apesar do sol forte. De olho nas extens\u00f5es, penso em voz alta que nem a pau Mois\u00e9s \u2013 ou Jeov\u00e1, ou quem seja \u2013 fez os hebreus atravessarem esse mar a p\u00e9 enxuto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18943\" title=\"jordania20\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania20.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com snrokels, mergulhamos nas \u00e1guas mais claras e agrad\u00e1veis que j\u00e1 entrei. No fundo do mar, a rica vida marinha se mistura a mergulhadores russos que se divertem com seus aqualungs. Evitamos os corais \u2013 para preservar a eles e a n\u00f3s mesmos, j\u00e1 que eles podem ser habitados por peixes venenosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei que o equil\u00edbrio pol\u00edtico do mundo depende de muito do que acontece nessa regi\u00e3o, mas no clima em que est\u00e1vamos, toda discuss\u00e3o parecia tola. O bom humor da tripula\u00e7\u00e3o, o sol e a simples e sensacional comida preparada numa humilde churrasqueira no barco trazem uma placidez que n\u00e3o havia sido poss\u00edvel devido \u00e0 t\u00e3o atribulada agenda. Talvez embalado por isso, nosso guia, que morou no Brasil e \u00e9 apaixonado por \u201cOs Normais\u201d e novelas da Rede Globo, acha uma boa colocar Bruno e Marrone. Desestimulado pelo Lucio, ele segue com \u201cFernando\u201d, do Abba. \u201cComo voc\u00ea \u00e9 rom\u00e2ntico\u201d, diz a sorumb\u00e1tica voz do homem do Popload, com sinceridade. \u201cHunting High and Low\u201d, do A-ha, d\u00e1 sequencia e eu decido que o som do vento no andar de baixo do barco \u00e9 uma m\u00fasica que n\u00e3o pode ficar sem ouvinte, e rumo pra l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18951\" title=\"jordania26\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania26.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De tarde, volto para a piscina do hotel, e entre uma Beck\u2019s e outra, fico com outra presen\u00e7a musical inusitada: o Motley Cr\u00fce, um companheiro de viagem que n\u00e3o havia sido mencionado at\u00e9 aqui. Levei a biografia deles, \u201cThe Dirt\u201d, escrita por Neil Strauss, para ler na viagem. Os excessos \u2013 emocionais, qu\u00edmicos, musicais \u2013 da banda quase combinam com a opul\u00eancia do Tala Bay.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De noite, o ideal seria me recolher para aproveitar a modorra trazida pelo que fora o dia mais tranquilo at\u00e9 ent\u00e3o, mas havia programa\u00e7\u00e3o a ser cumprida. M\u00e1 ideia. A falta de sono dos \u00faltimos dias, somada ao sono interrompido da manh\u00e3 e o esfor\u00e7o para permanecer acordado, come\u00e7am a me deixar de mau humor. A noite em Aqaba, um balne\u00e1rio comum com um centro comercial movimentado e estressado, n\u00e3o ajuda. O pitoresco parece ter chegado ao fim, e a realidade se instala. O dia seguinte prometia um humor dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18949\" title=\"jordania25\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania25.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 8 \u2013 25\/03\/2013 \u2013 Literalmente caindo na real<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temperamento de homem-bomba ao despertar. Acostumado a viajar sozinho, come\u00e7o a me sentir deslocado no grupo, apesar de todos serem boas companhias. O brilho peculiar do Mar Morto no trajeto ajuda a acalmar os \u00e2nimos, e o vinho no almo\u00e7o no restaurante do Dead Sea Panoramic Complex completa o servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caminho de volta \u00e0 Am\u00e3, uma paisagem plena de belezas naturais vai se instalando na minha mem\u00f3ria para compor um road movie pessoal que seria reprisado muitas vezes em introspec\u00e7\u00f5es nos dias que viriam. Chegamos a Am\u00e3 em meio a um tr\u00e1fego intenso, mas antes de nos instalarmos no quarto hotel da viagem, decidimos voltar \u00e0 Jo-Bedu, uma loja de camisetas, posters e CDs que hav\u00edamos visitado no Dia 2. As estampas pop da loja nos conquistaram, assim como o universo de m\u00fasica desconhecida que t\u00ednhamos \u00e0 frente. J\u00e1 havia ficado com o bom rap ac\u00fastico do El Far3i e o indie-grunge (existe isso?) bobinho do Akher Zapheer, mas o sorriso matador de uma das vendedoras me convence a fu\u00e7ar atr\u00e1s de mais coisas. Chego ao \u00e1lbum \u201cLeka@Eka3\u201d, um compilado com tr\u00eas bandas \u00e1rabes tocando ao vivo \u2013 Mashrou\u2019 Leila (L\u00edbano), Ressala (Egito) e Aziz Maraka &amp;Razz (Jord\u00e2nia). Grooves matadores, uma pegada acid jazz em tons mais pop e com escalas de m\u00fasica oriental. Acabo descobrindo que existe uma cena under forte na regi\u00e3o, com bandas com letras politizadas e uma busca musical intensa. Saio de l\u00e1 pensando se o S&amp;Y vai ganhar um colunista de m\u00fasica oriental. Vamos ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18953\" title=\"jordania28\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania28.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando ao hotel Le Royal Amman, por\u00e9m, o inc\u00f4modo volta a se instalar. O lugar parece ser um templo ao fake, ao exagero e ao tolamente sup\u00e9rfluo. Poderia servir de cen\u00e1rio tanto para um clipe do Barry Manilow como para um apote\u00f3tico casamento de novela da Globo. Ali\u00e1s, um matrim\u00f4nio estava em curso ali, com senhores de turbante com pose nobre descendo de carros vistosos em companhia de mulheres idem. Decido me refugiar no quarto com a ta\u00e7a de vinho mais cara que j\u00e1 paguei na vida e terminar o pouco que resta do livro do Motley Cr\u00fce. Finda a leitura, decido sair pelos arredores. Tr\u00e2nsito ca\u00f3tico, cal\u00e7adas idem e quando vejo, estou no ch\u00e3o, literalmente. Um tombo cinematogr\u00e1fico me faz cair de quatro, esfolando joelhos e provocando dores nos punhos e cotovelos que seguiriam mesmo depois de voltar ao Brasil. Dolorido, entro em um supermercado s\u00f3 para descobrir que a Procter &amp; Gamble e a Unilever dominar\u00e3o o mundo \u2013 quase todos os produtos s\u00e3o iguais aos que encontramos aqui. Ando pela noite \u00e0 procura de qualquer coisa que me reconecte com o esp\u00edrito da viagem, mas o que encontro \u00e9 a mesma opress\u00e3o e polui\u00e7\u00e3o de qualquer cidade grande. De volta ao hotel, o c\u00e9u do \u00e1trio, com l\u00e2mpadas se fingindo de estrelas, e as chamas falsas na entrada do cafon\u00e9rrimo restaurante n\u00e3o ajudam em nada meu humor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18952\" title=\"jordania27\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania27.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"882\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 9 \u2013 Enfie seus preconceitos sobre o luxo no lixo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordo no mesmo pique em que fui dormir. Check out, felizmente, e vamos para a Cidadela, outro ponto tur\u00edstico forte de Am\u00e3, com um museu acachapante, que traz f\u00f3sseis em pedra, esqueletos preservados e objetos milenares. Japoneses com a camisa da sele\u00e7\u00e3o de futebol do seu pa\u00eds invadem o local (era o dia de Jord\u00e2nia X Jap\u00e3o pelas eliminat\u00f3rias para a Copa de 2014), e adolescentes t\u00edmidas de v\u00e9u tentam puxar papo comigo e com o Gabriel sem muito sucesso (a timidez era muita). Mesmo adorando o museu e a paisagem humana, ainda me  sinto fora do clima da viagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pegamos uma estrada rumo ao circuito que chamam de \u201ccastelos do deserto\u201d. Paramos em dois deles, Amra e Harana (este com indecifr\u00e1veis afrescos psicod\u00e9licos), e deduzo que valha muito a pena alugar um carro (algo relativamente barato na Jord\u00e2nia) e explorar com calma esse circuito. A estrada com tra\u00e7ado que sugere o infinito e o c\u00e9u atipicamente cinzento mant\u00e9m \u00e0 minha cabe\u00e7a a frase de uma can\u00e7\u00e3o do Midnight Oil: \u201cthere is no end to the world that I see\u201d. Percebo que recuperei o bom humor, mas ainda n\u00e3o a disposi\u00e7\u00e3o. Come\u00e7o a entender porque m\u00fasicos reclamam do desgaste das turn\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18954\" title=\"jordania29\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania29.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hora de nos estabelecermos no Mar Morto. Um melanc\u00f3lico piano tocado ao vivo nos recebe no sagu\u00e3o do Kempinski Hotel e minhas teorias-ojerizas sobre a hospedagem de luxo voltam\u2026 at\u00e9 o momento em que entro no quarto. Um espa\u00e7o maior que meu apartamento, amplo, confort\u00e1vel, com direito a uma sacada de frente para o Mar, como uma pequena cama e espa\u00e7o suficiente para fazer uma festa. Pequenos detalhes do atendimento fazem a diferen\u00e7a para sentir uma real personaliza\u00e7\u00e3o da estadia, e descubro, mais uma vez, que n\u00e3o sei nada sobre porra nenhuma, e que conceitos fixos s\u00e3o o maior desperd\u00edcio de energia que um ser humano pode empreender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passo quase tr\u00eas horas no quarto desfrutando de Amstels na banheira, com banhos terap\u00eauticos e o som do \u201cLeka@Eka3\u201d. O sorriso amea\u00e7a engolir as orelhas. Pela programa\u00e7\u00e3o, temos que jantar em um hotel vizinho, mas juro que teria ficado muito feliz com um sandu\u00edche, desde que degustado naquele ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18955\" title=\"jordania30\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania30.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"430\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O turista busca uma experi\u00eancia irreal? J\u00e1 n\u00e3o sabia mais. Estava embevecido demais para me preocupar com a resposta. Na verdade, com tudo aquilo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, filosofar pra que? E o cansa\u00e7o que se danasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 10 \u2013 This is (not) the end, beautiful friend<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queria muito ter despertado mais cedo para aproveitar o m\u00e1ximo poss\u00edvel do \u00faltimo dia, mas o encanto e a mudan\u00e7a de \u00e2nimos me deixaram relaxado o suficiente para dormir at\u00e9 \u00e0s 9h. No caminho para o caf\u00e9 da manh\u00e3 (com direito a champanhe, e de frente para o mar), encontro um norte-americano que morou no Brasil, no mesmo pr\u00e9dio que um colega de trabalho. O mundo, definitivamente, \u00e9 um ovo. De codorna.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18947\" title=\"jordania24\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania24.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo o que voc\u00ea ouviu sobre o Mar Morto \u00e9 verdade: \u00e9 praticamente imposs\u00edvel afundar l\u00e1, o sal esfolia sua pele, que logo envolvida pela lama do mesmo mar, fica propensa a uma nova esfolia\u00e7\u00e3o salgada. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fanica e, provavelmente, inigual\u00e1vel. Meus companheiros de viagem me dizem que pare\u00e7o uma crian\u00e7a brincando com barro. Nem penso que no conselho que me deram ainda no Brasil, \u201caproveite enquanto existe\u201d (uma represa amea\u00e7a seriamente secar o Mar Morto). \u00c0s vezes, s\u00f3 curtir basta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre duas se\u00e7\u00f5es de lama e sal, o \u00faltimo passeio, dessa vez pelas margens do Rio Jord\u00e3o, pelo local onde Jesus teria sido batizado. A visita de peregrinos \u00e9 intensa: pentecostais, cat\u00f3licos romanos, cat\u00f3licos ortodoxos e meros curiosos passam em meio \u00e0s \u00e1rvores de galhos finos e flores diversas para chegar ao Rio, que divide Jord\u00e2nia e Israel. A proximidade geogr\u00e1fica com o Estado judeu \u00e9 menor que a dist\u00e2ncia que separa uma cal\u00e7ada da Avenida Paulista da outra. Cren\u00e7as religiosas e disputas pol\u00edticas \u00e0 parte, h\u00e1 uma ineg\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de paz no local. O cinismo fica de lado, e o passeio \u00e9 bem aproveitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18946\" title=\"jordania23\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania23.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo que sobra no hotel, me vejo fumando narguil\u00e9 \u00e0 beira da piscina de borda infinita, de roup\u00e3o branco, enquanto russas em roupa de banho passeiam pelo ambiente e os alto-falantes tocam um pop oitentista. Me sinto num filme porn\u00f4, dos cl\u00e1ssicos, como se o Rocco Sifredi fosse aparecer a qualquer momento. Segundo o Gabriel, somos \u201cos donos do puteiro, como o baterista do Iron Maiden\u201d. Eu s\u00f3 rio. Que mais fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo jantar, variado e farto, acontece sob a luz da lua cheia. A linha reserva do Saint George Chardonnay d\u00e1 o acompanhamento necess\u00e1rio, e o entorpecimento bem-vindo para n\u00e3o sentir a tristeza do fim da viagem nem a melancolia de saber que, dentro em pouco, voltaria \u00e0 realidade das obriga\u00e7\u00f5es profissionais, das necessidades burocr\u00e1ticas, dos problemas dom\u00e9sticos e urbanos. Antes disso, por\u00e9m, uma escala de um dia em Paris e tr\u00eas dias do Lollapalooza me esperavam. Mas isso \u00e9 outro assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18945\" title=\"jordania22\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania22.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>QUANDO NA JORD\u00c2NIA, O Scream &amp; Yell RECOMENDA:<\/strong><br \/>\n\u2022\tpechinchar. O pessoal nas lojas est\u00e1 disposto a isso, e voc\u00ea pode conseguir descontos significativos. Por\u00e9m, n\u00e3o negocie se n\u00e3o estiver disposto a comprar;<br \/>\n\u2022\tlevar bin\u00f3culos. Em lugares como Petra e Jerash, eles permitem observar detalhes arquitet\u00f4nicos das edifica\u00e7\u00f5es mais altas. No Mar Vermelho, ajudam a perscrutar a costa do Egito e de Israel;<br \/>\n\u2022\tse hidratar. \u00c1gua \u00e9 cortesia em praticamente todos os restaurantes, mas ainda assim, com o clima seco do local, nunca \u00e9 demais. Soro fisiol\u00f3gico para hidratar as vias nasais e col\u00edrio tamb\u00e9m s\u00e3o de boa ajuda;<br \/>\n\u2022\tlevar euros para trocar por dinares. O c\u00e2mbio sai mais favor\u00e1vel que em d\u00f3lares (e real nem entra);<br \/>\n\u2022\taprender express\u00f5es b\u00e1sicas do idioma local. Os jordanianos s\u00e3o simp\u00e1ticos e receptivos, al\u00e9m de habilidosos no ingl\u00eas. Mas qualquer tentativa de falar \u00e1rabe rende boa vontade ainda maior;<br \/>\n\u2022\tpesquisar bem os destinos. O pa\u00eds tem mais a oferecer do que o que foi listado aqui (d\u00ea uma olhada em www.visitjordan.com). A reserva natural de Dana, por exemplo, parecia muito promissora, mas n\u00e3o houve como encaix\u00e1-la aqui. Mas eu teria facilmente trocado um dia em Am\u00e3 por uma estendida nessa reserva. Ou por mais tempo em Jerash. Ou\u2026 ok, voc\u00ea j\u00e1 entendeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Agradecimentos ao Jordan Tourism Board pelo convite, ao guia Hisham Saleh pelo acompanhamento, \u00e0 Sama Shahrouri pelas preciosas dicas musicais, e aos excelentes companheiros jornalistas que tornaram essa viagem ainda mais intensa: Cris Berger, Gabriel Britto, Lucio Ribeiro, Renata Ara\u00fajo e, em especial, Fl\u00e1via Perin. Shukram!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18944\" title=\"jordania21\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/jordania21.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p>&#8211; <span>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Di\u00e1rio de Viagem: Europa <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/turismo\/europa-2008\/\">2008<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/turismo\/europa-2009\/\">2009<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/turismo\/europa-2010\/\">2010<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/europa-2011\/\">2011<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/europa-2012\/\">2012<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/europa-2013\/\">2013<\/a> por Marcelo Costa<br \/>\n&#8211; Di\u00e1rio da Viagem: Estados Unidos: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/eua-2011\/\">2011<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/eua-2013\/\">2013<\/a>, por Marcelo Costa<br \/>\n&#8211; Hist\u00f3rias de Viagem: Um hotel em Paris e Cherry Coke, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/04\/15\/historias-de-viagem-um-hotel-e-cherry-coke\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Hist\u00f3rias de Viagem: D\u2019akujem, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/02\/23\/historias-de-viagem-dakujem\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Di\u00e1rio de Viagem: Foz do Igua\u00e7u, 36 graus (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/fozdoigua%C3%A7u\">aqui<\/a>) e tr\u00eas dias e meio em Salvador (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/01\/03\/tres-dias-e-meio-em-salvador\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Turismo: Buenos Aires e Deserto do Atacama (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/05\/07\/turismo-buenos-aires-e-deserto-do-atacama\/\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/turismobuenosaires.html\">aqui<\/a>) e Minas Gerais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/turismo\/minas-gerais\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"BENVINDO AO ORIENTE M\u00c9DIO (ou: S&amp;Y NA JORD\u00c2NIA) Texto por Leonardo Vinhas Fotos por Leonardo Vinhas e Renata Ara\u00fajo A convite do Jordan \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/16\/turismo-bem-vindo-ao-oriente-medio\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[36],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18293"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18293"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18293\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19044,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18293\/revisions\/19044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}