{"id":18286,"date":"2013-04-11T13:54:11","date_gmt":"2013-04-11T16:54:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18286"},"modified":"2013-05-30T13:54:55","modified_gmt":"2013-05-30T16:54:55","slug":"tres-dias-no-aldeia-rock-festival-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/11\/tres-dias-no-aldeia-rock-festival-2013\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas dias no Aldeia Rock Festival 2013"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18832\" title=\"aldeia1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/aldeia1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"401\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"http:\/\/uruguaianamovies.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Jo\u00e3o Carlos Martins<\/a><br \/>\nFotos por Carlos Mafort \/ <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/smileflash.net\" target=\"_blank\">Smile Flash<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se acontecesse em qualquer pa\u00eds menos vitimado pela s\u00edndrome dos caninos sem pedigree, um festival com 12 edi\u00e7\u00f5es, num vilarejo de domin\u00e2ncia protestante, feito na ra\u00e7a e sem \u201capoio\u201d de multinacionais, teria um pouco mais de respaldo e respeito. Mas n\u00e3o, no pa\u00eds dos colonizados via TV a cabo, \u00e9 prefer\u00edvel encarar o abismo de um feriado em S\u00e3o Paulo ou economizar um ano de trabalho viajando <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/13\/festivais-south-by-southwest-2013\/\" target=\"_blank\">at\u00e9 a xar\u00e1 texana da fronteiri\u00e7a de Nova Igua\u00e7u<\/a>, tamb\u00e9m conhecida como Austin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bandas, \u00e9 preciso admitir, s\u00e3o em sua maioria toscas (mas, at\u00e9 a\u00ed\u2026 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/30\/balanco-lollapalooza-brasil-2013\/\" target=\"_blank\">nada difere do line-up do coelhinho adicto da Heineken<\/a>). No entanto, al\u00e9m de muito mais barata, Aldeia Velha e seu festival possuem muito mais atrativos do que SP a quem n\u00e3o quer s\u00f3 ouvir rock; caso de 99% do p\u00fablico de todos festivais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-18833\" title=\"aldeia2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/aldeia2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"401\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casimiro de Abreu, poeta brasileiro do s\u00e9culo XIX, adepto do romantismo, nasceu em Nova Friburgo e herdou um megalatif\u00fandio, que pertencia na \u00e9poca ao que hoje \u00e9 o munic\u00edpio de Silva Jardim. Ao se emancipar, a antiga fazenda recebeu a alcunha do finado poeta e seu ex-propriet\u00e1rio. A cidade de Casimiro de Abreu hoje \u00e9 uma esp\u00e9cie de quintal dos macaenses, onde, nos finais de semana, v\u00e3o ostentar seus t\u00eanis de astronautas, \u00f3culos de ciclope e carros brancos, al\u00e9m de ser a \u00faltima mirada de asfalto antes da pacata Aldeia Velha. A partir dali, \u00e9 s\u00f3 lama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lama, que em \u00e9pocas de seca se atravessa em 20 minutos, e, em \u00e9pocas de quase-seca, dentro de um coletivo, leva 40 \u2014 mais uma eventual hora de atraso, caso o motora  pare para almo\u00e7ar na casa dos pais, como aconteceu (tudo bem, era sexta-feira da bacalhoada). Al\u00e9m do que, o  festival que come\u00e7ara na noite anterior, s\u00f3 teria shows \u00e0s 14h (era meio-dia). Com um pitstop no meio do caminho para a galera tirar \u00e1gua do joelho e o desembarque sendo feito dentro de um bar (onde se serviam as ampolas mais geladas de toda antologia po\u00e9tica de Casimiro de Abreu), tudo estava dentro da normalidade. Sem sobras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18834\" title=\"aldeia3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/aldeia3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois, se faltava meia hora, era o tempo de deixar a bagagem na pousada e chegar na risca para ver a primeira banda do dia. Mas n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio do caminho tinha um tor\u00f3. Depois, j\u00e1 no meio do caminho, outro tor\u00f3, mais um sandu\u00edche de pernil no bar do desembarque, outro tor\u00f3 e, assim, se foram tr\u00eas horas. O que, combinado com a informa\u00e7\u00e3o furada de que de tarde teriam s\u00f3 duas bandas, me levou de volta pra pousada. Para um banho e mais outro tor\u00f3 na hora da sa\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18835\" title=\"aldeia4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/aldeia4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nada foi feito pelo sol<br \/>\n29\/03<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um dia de atraso, chego ao festival. Uma fazenda enorme, dois palcos, tr\u00eas bares, muitos banheiros, v\u00e1rios carros e ainda mais gente. A banda que toca \u00e9 um tro\u00e7o meio poser, uma dessas aberra\u00e7\u00f5es cariocas da linhagem dos metaleiros do Cefet, que insistem no casaco de couro, indiferentes aos 50 graus, e cantam lendas e contos de lugares long\u00ednquos, n\u00e3o tanto como Coelho Neto e Quintino, mas tipo a Escandin\u00e1via e o Arizona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se tivesse que apostar num nome para banda seria algo como coyote \u2013 e acertaria:  Coyotes Valvulados. O instrumental era bom, mas nada de diferente do que fizeram aquelas 526 bandas em Frisco entre 1964 e 1966. Uma homenagem ao rapaz santista, que recentemente morreu de aba reta, derrubou por terra qualquer chance de levar os caras a s\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, quem toca \u00e9 a P\u00e9 da Orelha. Ainda dotados de certa pose, que pode ser interpretada como marra, era uma banda bem melhor que a primeira. Tinha essa coisa meio Matanza, mas o vocalista n\u00e3o era um beb\u00ea falastr\u00e3o do naipe do Jimmy e tinha, portanto, muito a dizer. \u201cNo segundo voc\u00ea t\u00e1 tranquilo, no terceiro fica dif\u00edcil, no quarto \u00e9 uma babinha em cada canto da boca, dizendo que tem que ir ali, fazer aquilo em casa e tal\u201d, descreveu  precisamente Kazan, vocalista da banda, a arte de ficar quatro dias sem dormir. Para completar,  mandou o refr\u00e3o lapidar \u201cSer\u00e1 que Jesus Cristo vai salvar? Vai salvar? Ou vai ser no inferno que a gente vai ter que queimar?\u201d, com gestos esclarecedores para quem n\u00e3o sacava de figura de linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquela que para mim seria a \u00faltima banda da noite era oposto das duas primeiras: Marcenaria, de S\u00e3o Paulo. Um som progressivo sem as chatea\u00e7\u00f5es das bandas que tentam imitar em virtuosismo as gringas, muito bem elaborado, lembra a fina flor do g\u00eanero, mas talvez possa soar enfadonho (que palavra progressiva) se ouvido em casa. Por\u00e9m, ali foi divertido. O problema foi tentar atravessar do whisky para um chope artesanal. No primeiro gole, abriu-se contagem e ap\u00f3s trope\u00e7ar em um temaki, nocaute. Fim de jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18836\" title=\"aldeia5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/aldeia5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Depois da tempestade<br \/>\n30\/03 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordo debilitado. Entupo minhas veias com um caf\u00e9 da manh\u00e3 regado a manteiga caipira e volto pra cama. Acordo \u00e0s 14h, se n\u00e3o bem, pelo menos a tempo de pegar todas as atra\u00e7\u00f5es do dia derradeiro. Mas no meio do caminho, para variar, havia um tor\u00f3. Foi o tempo de fraquejar diante de um ovo frito no forno \u00e0 lenha que se anunciava olfativamente por toda Aldeia Velha, que S\u00e3o Pedro resolveu colocar uma ficha no jukebox.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado o aguaceiro, chego ao festival. 16h. Por minhas contas, uma hora antes da \u00fanica banda que conhecia (mentira, conhecia outras, mas que queria ver, era essa), n\u00e3o contava, como um pato, com o atraso. E com ele, cheguei aos \u00faltimos acordes da primeira banda do dia, Arame Farpado, o que incapacita de dar qualquer pitaco, por mais indevido que seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira banda vista de fato foi O Vazio. Banda boa,  embora o vocalista \u00e0s vezes exagere um pouco e torne tudo um enorme pastel \u00e1 la Massacration (que quando feito sem ser de sacanagem, fica meio\u2026 vazio) e at\u00e9 um pouco fora de tom, mas nada disso se sustenta quando se descobre que a banda \u00e9 de Friburgo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois deles, veio uma banda s\u00f3 de covers, Rock n\u2019 Roll Gang. Inegavelmente competentes e com uma apresenta\u00e7\u00e3o potente, fez um show divertido na base de um repert\u00f3rio todo calcado no Rock Band (sim, o jogo). O vocalista lembrava o cl\u00e1ssico sulista roqueiro napolitano (cabelo branco, pele rosa e camisa preta).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando acabou o show, veio a not\u00edcia que o Padre dos Bal\u00f5es n\u00e3o iria tocar. Algum problema de sa\u00fade envolvendo a m\u00e3e de um dos caras, ou algo assim. O jeito era voltar ao hotel, esperar a chuva que n\u00e3o veio, e saborear uma pizza com massa de aipim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18839\" title=\"aldeia6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/aldeia6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fade In \/ Fade Out<br \/>\n31\/03<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem abriu a noite foi o Cosmo Drah. Macacos velhos de festivais como esse, vide Psicod\u00e1lia, os caras conseguiram a proeza de ter letras cantadas pelo p\u00fablico e at\u00e9 groupies (ou eram namoradas?).  O som \u00e9 uma grande viagem por trocentas coisas, mas que, para mim, lembra Deep Purple, Mutantes e Captain Beefhart.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois deles, rolou uma interven\u00e7\u00e3o de poesia do coletivo Noite na Taverna, que merece nota. Um grupo que faz sarais mensais h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada em S\u00e3o Gon\u00e7alo. Tinha at\u00e9 uma minazinha com umas poesias maneiras, mas afetada por esta chaga chamada ConeCrew e seu estilo vida loka achincalhava com tudo. Marcelo Toledo e Dose Dupla deram sequ\u00eancia a la cancha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor banda do festival, Marcelo Toledo e Dose Dupla tocavam muito parecidos com as tais 526 bandas de Frisco, mas soando aut\u00eanticos e sem for\u00e7ar a barra. O baixista tinha uma capa-bata estilo Arnaldo Batista que tamb\u00e9m vale nota. Ainda mandaram  dois covers do saudoso Celso Blues Boy, com a presen\u00e7a de Kazan, do P\u00e9 da orelha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma passagem de som de 3 horas e um show de outras 3 de pura masturba\u00e7\u00e3o que parecia ser uma \u00fanica m\u00fasica, Jeferson Gon\u00e7alves e Banda recuaram a bola errada para o goleiro, por assim dizer.  Esgotaram a paci\u00eancia antes do whisky. Num dia de ressaca, quando eles voltaram para o bis, a sensa\u00e7\u00e3o de estar ouvindo a mesma mistura cabotina de bai\u00e3o com blues h\u00e1 tr\u00eas dias obrigou a tirar o carro antes que  tudo, de novo, come\u00e7asse a rodar. Botar o sono em dia \u00e9 t\u00e3o importante quanto lambuzar  os dedos com pernil e ouvir bandas novas, admita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizem, que depois disso, o Gran Mostarda fez um show foda e que galera at\u00e9 chorou \u00e1cido durante o cover do Pink Floyd, a cerveja excedente foi doada ao p\u00fablico e virgens fizeram striptease ao som de \u201cBack in Black\u201d. Tudo bem, o striptease foi s\u00f3 uma hip\u00e9rbole casiminiana, mas que ningu\u00e9m teve que aguentar o Eddie Vedder em Aldeia Velha, isso sim \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18841\" title=\"aldeia7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/aldeia7.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"912\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Jo\u00e3o Carlos Martins assina o blog <a href=\"http:\/\/poneimaldito.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Ponei Maldito<\/a> e \u00e9 respons\u00e1vel pela <a href=\"http:\/\/uruguaianamovies.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Uruguaiana Movies<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jo\u00e3o Carlos Martins\nSe acontecesse em qualquer pa\u00eds menos vitimado pela s\u00edndrome dos caninos sem pedigree, um festival com 12 edi\u00e7\u00f5es&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/11\/tres-dias-no-aldeia-rock-festival-2013\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18286"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18286"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18286\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18288,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18286\/revisions\/18288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}