{"id":18245,"date":"2013-03-07T13:01:59","date_gmt":"2013-03-07T16:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18245"},"modified":"2016-08-31T03:18:08","modified_gmt":"2016-08-31T06:18:08","slug":"entrevista-manuel-furia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/07\/entrevista-manuel-furia\/","title":{"rendered":"Entrevista: Manuel F\u00faria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18243\" title=\"manuel1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/manuel1.jpg\" alt=\"\" \/><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel F\u00faria est\u00e1 intimamente ligado ao advento da moderna m\u00fasica portuguesa. Sendo um dos fundadores do selo Amor F\u00faria (<a href=\"http:\/\/amorfuria.pt\" target=\"_blank\">http:\/\/amorfuria.pt<\/a>), logo cedo desenvolveu um gosto pelas ra\u00edzes sonoras de Portugal. O seu \u00e1lbum de estreia, \u201cAs Aventuras Do Homem Arranha\u201d, de 2008, evidenciou essa preocupa\u00e7\u00e3o. F\u00faria tamb\u00e9m liderou a banda rock lisboeta Os Golpes, que encerraria suas atividades em 2011, marcada por uma simbologia de regresso \u00e0s origens e possibilitando um \u00eaxito radiof\u00f4nico com a can\u00e7\u00e3o \u201cV\u00e1 L\u00e1 Senhora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o primeiro disco solo traduzia um conceito de pertencimento a uma terra pequena e \u00e0 perman\u00eancia numa cidade grande como Lisboa, o novo disco, \u201cManuel F\u00faria Contempla Os L\u00edrios Do Campo\u201d, revela o cansa\u00e7o do narrador da can\u00e7\u00e3o com o ru\u00eddo urbano e o desejo de encontrar o sil\u00eancio. \u201cQuero ver Lisboa a arder\u201d \u00e9 uma estrofe recorrente no novo trabalho. A inspira\u00e7\u00e3o veio da can\u00e7\u00e3o \u201cHeartland\u201d, do The Sound. Segundo o m\u00fasico, \u201cReflete o lado destruidor da vontade de querer procurar uma terra do cora\u00e7\u00e3o, onde possa estar inteiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e1lbum, com a participa\u00e7\u00e3o d\u00b4Os N\u00e1ufragos, banda onde se incluem Silas Ferreira (d\u2019Os Pontos Negros, no obo\u00e9 e sintetizador), e Pedro Lucas (bateria e percuss\u00f5es), entre outros, F\u00faria apresenta um conjunto de m\u00fasicas com uma forte carga \u00e9pica, mas que n\u00e3o inibem o seu tradicional gosto pelo pop. A rom\u00e2ntica \u201cQue Haja Festa N\u00e3o Sei Onde\u201d (primeiro single do disco) e, particularmente, \u201cProcuro A Claridade\u201d, uma disco funk contagiante, inserem-se em propostas mais imediatas e n\u00e3o menos interessantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da apresenta\u00e7\u00e3o do disco, no passado dia 22 de Fevereiro, no Ritz Clube, em Lisboa, recorda-se um espet\u00e1culo festivo com a participa\u00e7\u00e3o de nomes como Tiago Cavaco e Samuel \u00daria. Em pouco mais de uma hora, F\u00faria, com o aux\u00edlio de cordas e metais, tamb\u00e9m revisitou a portugalidade latente de \u201cTarde Livre, Parte III\u201d, d\u00b4Os Golpes. E o car\u00e1ter dan\u00e7ante da sua m\u00fasica, uma constante do show, foi refor\u00e7ado na interpreta\u00e7\u00e3o vibrante do tema \u201cCan\u00e7\u00e3o Para Casar Contigo\u201d, ao estilo dos Her\u00f3is do Mar (grande refer\u00eancia do cantor).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A familiaridade do seu mais recente trabalho (segunda parte de um tr\u00edptico iniciado com \u201cAs Aventuras Do Homem Arranha\u201d), embora seja uma cria\u00e7\u00e3o fantasiosa e que parte dos aspetos que o motivam, procura reconciliar as pessoas com a hist\u00f3ria. E \u00e9 na alma portuguesa dos amores, conflitos, evoca\u00e7\u00e3o de um tempo perdido e na tradi\u00e7\u00e3o religiosa que encontramos a mais pura express\u00e3o art\u00edstica do autor de \u201cOs L\u00edrios Do Campo\u201d. De Lisboa para o Brasil, Manuel F\u00faria conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/C5mO_pqLlIo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/C5mO_pqLlIo\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cManuel F\u00faria Contempla os L\u00edrios Do Campo\u201d teve um parto longo. Foi uma tentativa sua de aperfei\u00e7oar as m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o! Infelizmente foram mais as conting\u00eancias do que propriamente uma vontade minha. Fui pensando este \u00e1lbum desde que terminei o meu primeiro disco solo. Houve can\u00e7\u00f5es que sobraram, Os Golpes estavam num momento de pausa e apresentei o \u00e1lbum em alguns lugares. \u201cAs Aventuras Do Homem Arranha\u201d era curto (tem apenas cinco can\u00e7\u00f5es), e eu compus mais m\u00fasicas. Com as faixas que sobraram, comecei a pensar se as poderia me envolver num outro trabalho ou se faria parte d\u00b4Os Golpes e tamb\u00e9m pensei em inclui-las num projeto com o meu nome. \u201cAs Aventuras Do Homem Arranha\u201d foi editado em 2008 e nos dois anos seguintes fui madurando o que seria o novo \u00e1lbum. O processo culminou no ver\u00e3o de 2010 com as primeiras sess\u00f5es, em Regilde (no norte de Portugal), com m\u00fasicos meus amigos que apareceram e gravaram can\u00e7\u00f5es comigo. A minha inten\u00e7\u00e3o era que o disco sa\u00edsse nesse momento, mas o trabalho com Os Golpes n\u00e3o o permitiu (felizmente na altura), e um ano depois empenhei-me definitivamente para lan\u00e7ar o trabalho em 2011 ou 2012. \u201cManuel F\u00faria Contempla os L\u00edrios Do Campo\u201d acabou por ser gravado em Outubro e Novembro de 2011, sendo que o processo de mixagem foi muito demorado e assim se explica a sua edi\u00e7\u00e3o em Janeiro de 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum tem um car\u00e1ter \u00e9pico evidente. Por que adotou esta sonoridade?<\/strong><br \/>\n\u00c9 algo que se liga \u00e0s minhas tend\u00eancias megal\u00f3manas e melodram\u00e1ticas e o gosto por elementos que n\u00e3o sejam meios-termos. Aprecio coisas que s\u00e3o ou n\u00e3o s\u00e3o, isso \u00e9 o oposto dos brandos costumes, que abomino, e estou mais pr\u00f3ximo de aspetos que revelem vontade e determina\u00e7\u00e3o. A minha m\u00fasica evidencia um lado mais celebrat\u00f3rio, \u00e9pico, em crescendo e, de alguma forma, isso tamb\u00e9m marcava o som d\u00b4Os Golpes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na banda que o acompanha, Os N\u00e1ufragos, encontram-se v\u00e1rios talentos da nova gera\u00e7\u00e3o portuguesa. A jun\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos foi expont\u00e2nea ou obedeceu a algum crit\u00e9rio?<\/strong><br \/>\nFoi expont\u00e2nea e obedeceu a crit\u00e9rios na mesma medida. N\u00e3o procurei selecionar os m\u00fasicos por serem emergentes, uma vez que eles fazem parte dos c\u00edrculos por onde me movo. Alguns s\u00e3o meus amigos e ultrapassam o mero contexto art\u00edstico e outros apareceram por via das circunst\u00e2ncias musicais. Acima de tudo, s\u00e3o pessoas talentosas, dispon\u00edveis e com vontade de fazer coisas. Foi esse o objetivo da escolha. No entanto, eu sabia que o Tom\u00e1s Cruz, do Asterisco Cardinal Bomba Caveira, tocava bandolim el\u00e9trico. Interessava-me essa sonoridade e solicitei a sua presen\u00e7a no disco. O mesmo aconteceu com o Tom\u00e1s Wallenstein, do Capit\u00e3o Fausto, e a Francisca Aires Mateus que tocaram violino. Procurei uma determinada sonoridade, uma ideia de banda e estes m\u00fasicos reuniam essas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/r5l58Ddd_3o\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/r5l58Ddd_3o\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li numa entrevista sua que na vers\u00e3o de \u201c\u00c0 Minha Alma\u201d, d\u00b4Os Velhos, voc\u00ea se encontra \u201cmais exposto e aparece mais despido\u201d. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nRepresenta um lado paradoxal, porque \u00e9 a \u00fanica can\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum que n\u00e3o \u00e9 minha e \u00e9 de fato aquela onde mais me exponho. As constru\u00e7\u00f5es musicais que fa\u00e7o s\u00e3o apenas isso. A c\u00e9lula original sou eu, a minha alma, o meu tom, e o que fa\u00e7o \u00e9 acrescentar camadas de artif\u00edcios que me protegem e escondem, quase como os coletes que visto. Nessa can\u00e7\u00e3o, o arranjo \u00e9 minimalista. Sou apenas eu com uma guitarra (trombone no final) e evidencia o despojamento. Depois, a can\u00e7\u00e3o tem muito a ver comigo e, nesse sentido, \u00e9 o momento do disco em que todas as constru\u00e7\u00f5es caiem por terra e tens a\u00ed uma pessoa muito pr\u00f3xima daquilo que represento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que comp\u00f4s v\u00e1rias faixas para o seu pr\u00f3ximo trabalho. As can\u00e7\u00f5es que j\u00e1 fez obedecem a alguma orienta\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim! O pr\u00f3ximo \u00e1lbum ser\u00e1 a conclus\u00e3o do tr\u00edptico iniciado com \u201cAs Aventuras Do Homem Arranha\u201d. N\u00e3o vou falar do crit\u00e9rio do disco nem o explicarei, porque julgo n\u00e3o ser ainda a altura apropriada para abord\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que ambiciona para a sua carreira?<\/strong><br \/>\nAmbiciono crescer, tornar-me maior, ser conhecido por muitas pessoas, ultrapassar a esfera das elites mais esclarecidas das cidades de Lisboa e Porto. Pretendo ser mais popular, um pouco como os cantores Tony Carreira ou Toy que chegam tamb\u00e9m ao p\u00fablico das aldeias. Isso interessa-me bastante, uma vez que o meu trabalho est\u00e1 ligado \u00e0s diferentes dimens\u00f5es de Portugal (ruralidade, can\u00e7\u00e3o popular e experimental). Para que esse crescimento e maior conhecimento ocorram est\u00e3o planeados muitos concertos e, obviamente, os pr\u00f3ximos discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18248\" title=\"manuel2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/manuel2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"608\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pedro Salgado (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Download: Projeto Visto -&gt; Reaproximando Brasil e Portugal com m\u00fasica (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/03\/download-projeto-visto\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A nova cena portuguesa: Salto (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/21\/a-nova-cena-portuguesa-salto\/\">aqui<\/a>), Os Pontos Negros (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/06\/19\/entrevista-os-pontos-negros-2\/\">aqui<\/a>), A M\u00eduda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/06\/entrevista-a-miuda\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Manuel F\u00faria est\u00e1 intimamente ligado ao advento da moderna m\u00fasica portuguesa. 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