{"id":1820,"date":"2009-08-11T00:03:55","date_gmt":"2009-08-11T03:03:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=1820"},"modified":"2023-03-29T00:24:03","modified_gmt":"2023-03-29T03:24:03","slug":"entrevista-god-is-an-astronaut","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/08\/11\/entrevista-god-is-an-astronaut\/","title":{"rendered":"Entrevista: God is an Astronaut"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"605\" height=\"366\" class=\"alignnone size-full wp-image-1821\" title=\"God is an Astronaut \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/god1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/god1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/god1-300x181.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Danilo Corci<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Irlanda \u00e9 mesmo uma ilha extremamente peculiar. Terra de grandes literatos, nos \u00faltimos trinta anos tornou-se tamb\u00e9m terra da m\u00fasica, basta citar o U2 como se n\u00e3o o maior, um dos maiores expoentes musicais das \u00faltimas d\u00e9cadas. Al\u00e9m disso, a Irlanda tamb\u00e9m tem um cen\u00e1rio fervilhantes de novas bandas, dos mais variados estilo, que vai do farofa dos Corrs, ao indie populacho do Cranberries ao synthpop do Dark Room Notes. Um caldeir\u00e3o de estilos que sempre resulta em hits ou em boas can\u00e7\u00f5es. Mas na terra de James Joyce tamb\u00e9m h\u00e1 um caso peculiar: o God is an Astronaut.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado h\u00e1 sete anos pelos irm\u00e3os Torsten e Niels Kinsella, o God is an Astronaut \u00e9 uma banda totalmente instrumental, mas n\u00e3o imagine rock progressivo ou devaneios de guitarra. A banda faz um instrumental de melancolia pura. A m\u00fasica do God is an Astronaut \u00e9 pura poesia para quem se atreve a mergulhar nos acordes de qualquer um dos quatro discos j\u00e1 lan\u00e7ados: &#8220;The End of The Beginning&#8221; (2002), &#8220;All Is Violent, All Is Bright&#8221; (2005, a obra-prima), &#8220;Far From Refuge&#8221; (2007) e &#8220;God is an Astronaut&#8221; (2008). Can\u00e7\u00f5es como \u201cSuicide By Star\u201d, de &#8220;All is violent\u2026&#8221;, por exemplo, \u00e9 uma amostra de como um sentimentalismo barato pode ser transposto para a m\u00fasica de maneira inteligente e tocante. Para os poucos que conhecem a banda aqui no Brasil, mergulhar nesta discografia \u00e9 quase a descoberta de um pote de ouro \u2013 e falar disso de uma banda de rock essencialmente instrumental \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tentar entender um pouco mais a banda, conversamos via email com Niels. O resultado voc\u00ea l\u00ea abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sete anos de carreira e quatro \u00e1lbuns depois. O que mudou na banda durante este tempo?<\/strong><br \/>\nPara ser sincero, s\u00e3o oito anos tocando juntos, mas cada um fazia isso h\u00e1 muito tempo. Eu e o Torsten desde 1994. Em 2002 quando lan\u00e7amos &#8220;The End of The Beginning&#8221;, n\u00f3s entend\u00edamos que aquele era nosso ato final no mundo da m\u00fasica, o nosso adeus. Quer\u00edamos apenas terminar com um lan\u00e7amento que est\u00e1vamos orgulhosos, sem expectativa alguma. Mas funcionou\u2026 Hoje a banda continua a mesma, com a mesma prioridade de lan\u00e7ar m\u00fasicas que amamos e a \u00fanica coisa que mudou foi que ficamos mais espertos com alguns c\u00edrculos deste mundo da m\u00fasica.<br \/>\n<strong><br \/>\nVoc\u00eas tem uma obra-prima em sua opini\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPra ser sincero, n\u00e3o temos um disco favorito, gostamos de todos eles. Algo no processo de fazer m\u00fasica mudou com &#8220;All Is Violent, All Is Bright&#8221; quando introduzimos um componente ao vivo que n\u00e3o estava no primeiro disco, foi tamb\u00e9m a primeira vez que trabalhamos com performances ao vivo completas e n\u00e3o somente loops, algo que deu o tom para todos os discos subsequentes, um h\u00edbrido de eletr\u00f4nica com instrumenta\u00e7\u00e3o ao vivo.<br \/>\n<strong><br \/>\nLi uma entrevista que voc\u00ea dizia que a maior influ\u00eancia do GIAA \u00e9 o heavy metal, bandas como Metallica. Como este tipo de influ\u00eancia age na m\u00fasica da banda, que \u00e9 bem distante deste g\u00eanero?<\/strong><br \/>\nCrescemos ouvindo muito heavy metal\/heavy rock e ainda ouvimos muito. Acho que, na verdade, \u00e9 porque nunca tentamos emular as m\u00fasicas que ouvimos. No final dos anos 90 fizemos dance\/eletronic music. O estilo do GIAA tem mais a ver com os estilos que tocamos em diversas bandas, que incluiu de tudo, do jazz ao rock passando pela eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em outra entrevista, voc\u00ea disse que o filme &#8220;Ra\u00e7a da Noite&#8221; (&#8220;Nightbreed&#8221;) \u00e9 uma refer\u00eancia para o nome da banda. De certa maneira, o clima do filme, a hist\u00f3ria de terror \u00e9 transposta para a m\u00fasica da banda? \u00c9 ineg\u00e1vel que h\u00e1 um clima de opress\u00e3o e melancolia na m\u00fasica do GIAA\u2026<\/strong><br \/>\nN\u00f3s apenas gostamos do nome, servia para o som apocal\u00edptico e melanc\u00f3lico que t\u00ednhamos e os conceitos visuais apocal\u00edpticos que t\u00ednhamos em mente. Nada mais do que isto.<br \/>\n<strong><br \/>\nUma coisa que chamou minha aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato que o som do GIAA \u00e9 bem diferente do que tenho ouvido e que vem da Irlanda.<\/strong><br \/>\nAqui na Irlanda at\u00e9 que h\u00e1 algumas bandas instrumentais, mas acho que somos a primeira a ter relativo sucesso fora do pa\u00eds. Mas, sendo sincero, at\u00e9 hoje somos ignorados pela cena musical irlandesa. Muita coisa boa \u00e9 feita aqui, mas muito do que a m\u00eddia divulga \u00e9 lixo irrelevante, que muita gente fora da ilha n\u00e3o engoliria nem a for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o processo de composi\u00e7\u00e3o? Algu\u00e9m chega com uma ideia e o barco segue?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, a maior parte das ideias come\u00e7am com uma melodia na guitarra ou no piano e ent\u00e3o trabalhamos o completo no est\u00fadio. Nunca escrevemos m\u00fasica fazendo uma jam como acontece com v\u00e1rias bandas. Como temos background em dance\/eletronic, somos um projeto de est\u00fadio, de verdade. Para os shows levamos um engenheiro de som e reinterpretamos as m\u00fasicas para funcionar num ambiente ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A hist\u00f3ria do rock est\u00e1 repleta de hist\u00f3ria de bandas com irm\u00e3os que se estapeiam e brigam o tempo todo. No GIAA, como isto funciona?<\/strong><br \/>\nAgora est\u00e1 perfeito, mas quando \u00e9ramos mais jovens a coisa pegava feio. Mas agora estamos felizes com a m\u00fasica que fazemos e, de maneira geral, temos a mesma vis\u00e3o de como as m\u00fasicas devem soar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O GIAA \u00e9 pouco conhecida no Brasil. Como voc\u00ea descreveria a banda para os brasileiros?<\/strong><br \/>\nAmbient, eletronic e rock com melodias emotivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitas pessoas dizem que as letras no rock s\u00e3o um aux\u00edlio e tanto. Voc\u00ea coloca um \u201cyeah\u201d aqui, um \u201cyeah\u201d ali e todo mundo canta junto. Como voc\u00eas n\u00e3o usam letras, qual \u00e9 o grande \u201cclique\u201d que voc\u00ea usam para agitar a plateia durante um show?<\/strong><br \/>\nNossa m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 para todos. O f\u00e3 m\u00e9dio de m\u00fasica n\u00e3o vai entender o que fazemos. N\u00e3o temos nada a ver com com \u201cyeahs\u201d durante shows, isso \u00e9 para idiotas. Ao vivo temos um show bem visual com o objetivo principal de envolver as pessoas emocionalmente, tanto espiritualmente quando visualmente. Nosso show n\u00e3o \u00e9 programado e especializado como os das maiorias das bandas do nosso estilo. Nosso show tende a agradar aos f\u00e3s que n\u00e3o se ligam no g\u00eanero post-rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi alguns v\u00eddeos do GIAA na internet e percebi mesmo que voc\u00eas os usam para \u201cilustrar\u201d as can\u00e7\u00f5es durante os shows. Como isto funciona? Qual \u00e9 a conex\u00e3o que voc\u00eas criam?<\/strong><br \/>\nO prop\u00f3sito do visual \u00e9 aumentar a emo\u00e7\u00e3o e a estrutura de nossas m\u00fasicas ao vivo. Apesar das m\u00fasicas n\u00e3o necessitarem de apelo visual, eu acho que num ambiente ao vivo algumas nuan\u00e7as s\u00e3o perdidas se comparado com nossos discos, por exemplo. O visual adiciona uma dimens\u00e3o extra e d\u00e1, de maneira simples, um senso de entretenimento \u00e0 performance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O GIAA \u00e9 uma banda independente com f\u00e3s leais. Nesta era digital, como os downloads tem atingido voc\u00eas? D\u00e1 pra viver da banda?<\/strong><br \/>\nSomos uma banda de internet (<a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/godisanastronaut\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.myspace.com\/godisanastronaut<\/a>) porque a maioria de nossos f\u00e3s nos descobriram ali. N\u00e3o conseguimos muita m\u00eddia da maneira tradicional, tudo \u00e9 na base do boca-a-boca e pirataria. Fazemos tudo isso porque gostamos e at\u00e9 d\u00e1 para tirar uma graninha com a banda, mas \u00e9 imposs\u00edvel viver dela. Mas estou otimista, as coisas est\u00e3o melhorando a cada ano. Nos shows vendemos bastante material. Para sobreviver voc\u00ea tem de pensar um pouco diferente e se virar n\u00e3o apenas vendendo CDs ou MP3, mas vendendo camisetas, vinis, bottons, etc\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se voc\u00ea fosse me indicar uma banda irlandesa para ouvir, qual seria?<\/strong><br \/>\nButterfly Explosion! Torsten est\u00e1 produzindo o primeiro disco deles que deve sair em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea tem ouvido?<\/strong><br \/>\nDJ Shadow, Fear Factory, Nicker Hill Orchestra, Parhelia, Leech (da Su\u00ed\u00e7a) e Metallica, como sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E planos? Disco novo, turn\u00ea?<\/strong><br \/>\nAgora em setembro vamos fazer um giro pela Europa e na Finl\u00e2ndia em novembro. Se tudo der certo, esticamos at\u00e9 a R\u00fassia tamb\u00e9m. Em fevereiro de 2010 devemos lan\u00e7ar novas m\u00fasicas, mas n\u00e3o sei se um \u00e1lbum completo ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Danilo Corci \u00e9 jornalista e editor dos sites <a href=\"http:\/\/www.speculum.art.br\/\">Speculum<\/a> e <a href=\"http:\/\/mojobooks.com.br\/\">Mojo Books<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Danilo Corci\nA Irlanda \u00e9 mesmo uma ilha extremamente peculiar. Terra de grandes literatos, nos \u00faltimos trinta anos tornou-se tamb\u00e9m&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/08\/11\/entrevista-god-is-an-astronaut\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":120,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1820"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/120"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1820"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73554,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1820\/revisions\/73554"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}