{"id":18148,"date":"2013-05-13T02:06:54","date_gmt":"2013-05-13T05:06:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18148"},"modified":"2013-07-15T02:15:52","modified_gmt":"2013-07-15T05:15:52","slug":"palma-violets-ao-vivo-em-nova-york","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/13\/palma-violets-ao-vivo-em-nova-york\/","title":{"rendered":"Palma Violets ao vivo em Nova York"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19247\" title=\"palma1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor banda dos \u00faltimos tempos da \u00faltima semana do seman\u00e1rio ingl\u00eas New Music Express chegou \u00e0 Nova York para sua segunda turn\u00ea cercada por um misto de descr\u00e9dito. A primeira passagem, em janeiro, antes mesmo do lan\u00e7amento de \u201c180\u201d, o primeiro \u00e1lbum, foi um t\u00edpico reconhecimento de terreno, com a banda inglesa tocando em lugares min\u00fasculos (de 150 pessoas) para um p\u00fablico curioso em conhecer a \u201cbanda que significa a morte de um modelo, um prego no caix\u00e3o da imprensa brit\u00e2nica como criadora de produtos capazes de produzir histeria em massa\u201d, segundo <a href=\"http:\/\/cultura.elpais.com\/cultura\/2013\/02\/25\/tentaciones\/1361819762_720383.html\" target=\"_blank\">resenha violenta e venenosa<\/a> do grande jornal espanhol El Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 a primeira vez e n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima, mas a Am\u00e9rica continua sendo um territ\u00f3rio complicado, sedutor e necess\u00e1rio para as bandas da terra da Rainha Elizabeth que pensam no futuro, e com o Palma Violets n\u00e3o poderia ser diferente. Das suas duas datas em Nova York em maio, a primeira (09\/05), no pequeno e sensacionalmente barulhento Music Hall of Williamsburg, no Brooklyn, com lota\u00e7\u00e3o de 550 pessoas, os ingressos s\u00f3 foram esgotar na tarde do dia do show. J\u00e1 para o show no dia seguinte, no Bowery Ballroom (795 pessoas), ainda havia ingressos na hora do show (enquanto gente como Lights, Ms Mr, !!! e Laura Mvula, que tocam na semana que vem, j\u00e1 est\u00e3o sold out).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19248\" title=\"palma4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"439\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A molecada do The Orwells, de Chicago, abriu a noitada diante de um bom p\u00fablico com um som interessante e barulhento, nerd at\u00e9 a medula, remetendo a um Weezer desengon\u00e7ado (e s\u00f3 fui descobrir que o vocalista se chama Mario Cuomo quando fui conversar com a banda na banquinha p\u00f3s-show &#8211; nenhum parentesco). O single \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iNZpBOme8GI\" target=\"_blank\">Mallrats (La La La)<\/a>\u201d soou perfeito ao vivo. J\u00e1 o Guards, banda do Brooklyn tocando em casa e lan\u00e7ando seu primeiro disco, \u201cIn Guards We Trust\u201d, fez um show eficiente, absolutamente profissional, mas um tiquinho \u00f3bvio, com um p\u00e9 atolado no indie e outro no hippie viajand\u00e3o do come\u00e7o dos 70. Ainda assim, bom show \u2013 o som potente da casa ajuda, e muito, as bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um Malcolm McLaren canastr\u00e3o (o cabelo ruivo enrolado e a postura egoc\u00eantrica ajudam na compara\u00e7\u00e3o), o amigo meio roadie, meio faz tudo Harry Violent subiu ao palco para anunciar a atra\u00e7\u00e3o principal avisando que, entre outras coisas, \u201cnesta noite, todos os seus sonhos ser\u00e3o realizados: de Londres, Palma Violets\u201d. Dif\u00edcil explicar o que aconteceu nos 50 minutos seguintes. Como uma banda respons\u00e1vel por um disquinho t\u00e3o vagabundo quanto \u201c180\u201d (\u201cmarcado por uma dolorosa falta de can\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis\u201d, <a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/music\/2013\/feb\/24\/palma-violets-180-review-rough\" target=\"_blank\">segundo resenha certeira do Observer<\/a>) pode soar t\u00e3o urgente, violenta e apaixonadamente festeira ao vivo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19249\" title=\"palma3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se algu\u00e9m me contasse, afundado no ceticismo de meus 40 anos, eu duvidaria, mas o que o Palma Violets fez numa noite de quinta-feira primaveril no Brooklyn, em Nova York, foi uma apresenta\u00e7\u00e3o memor\u00e1vel que condensava alguns dos melhores momentos do (punk) rock sujo e mal tocado brit\u00e2nico das quatro \u00faltimas d\u00e9cadas. De Clash e Sex Pistols at\u00e9 Libertines e Vaccines, os quatro moleques ingleses fizeram mais de 500 pessoas pularem insanamente num daqueles shows que parecem validar o exagero da palavra hist\u00f3rico. Nada como ter menos de 20 anos e se entregar no palco como se este fosse o \u00faltimo show da vida (ou o primeiro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o primeiro instante em que pisou no palco, o baixista com jeit\u00e3o de psicopata \u201cChilli\u201d Jesson provocou e instigou a audi\u00eancia. \u201c\u00c9 assim que funciona um show sold out nos Estados Unidos?\u201d, disse a certo momento, com os bra\u00e7os abertos simulando algo como \u201cmuita gente duvidou, mas aqui estamos n\u00f3s. Olhem isso!\u201d. E se \u201c180\u201d, o disco, n\u00e3o passa confian\u00e7a devido ao excesso de regurgita\u00e7\u00e3o de chicles sem carisma, ao vivo a coisa muda de figura. Mas n\u00e3o espere originalidade. O que o Palma Violets faz no palco \u00e9 apenas uma releitura desajeitada e explosiva do mais desajeitado e explosivo rock brit\u00e2nico. E funciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19250\" title=\"palma2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"401\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trio de can\u00e7\u00f5es inicial &#8211; \u201cJohnny Bagga Donuts\u201d, \u201cRattlesnake Highway\u201d e \u201cAll the Garden Birds\u201d &#8211; serviu para visualizar a postura da banda no palco. \u201cChilli\u201d Jesson \u00e9 o delinquente. N\u00e3o para um minuto e bate nas cordas do baixo muito mais pelo instrumento estar pendurado em seu pesco\u00e7o do que por t\u00e9cnica al\u00e9m de gritar como se estivesse cantando. O guitarrista e vocalista Samuel Thomas Fryer \u00e9 o contraste: inseguro, calculado, estudando cada mil\u00edmetro da loucura que est\u00e1 tomando o palco. Mayhew, o tecladista, alheio a confus\u00e3o, parece estar em um universo paralelo enquanto Doyle, o baterista, faz o b\u00e1sico sem frescura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show empolga e o n\u00edvel de adrenalina sobe consideravelmente conforme as can\u00e7\u00f5es s\u00e3o tocadas atingindo o \u00e1pice no meio do show, com \u201cBest of Friends\u201d, a melhor m\u00fasica de 2012, segundo a NME, claro. Neste momento \u00e9 poss\u00edvel visualizar perfeitamente tudo aquilo que faz algu\u00e9m amar a m\u00fasica, ama-la cada vez mais: centenas de pessoas pulando abra\u00e7adas e cantando uma can\u00e7\u00e3o que diz muito mais a elas, aqui e agora, do que qualquer outra can\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi feita (imediato x atemporalidade). Porque \u00e9 fresca. Porque fala de um mundo em que o sexo, quem diria, est\u00e1 sendo deixado de lado, e o pessoal do Music Hall parece entender isso melhor do que eu, que admiro a festa (embora n\u00e3o seja partid\u00e1rio da op\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19251\" title=\"palma5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s pouco mais de 40 minutos vibrantes que passam voando, o quarteto deixa o palco tendo tocado 10 m\u00fasicas, praticamente tudo que eles compuseram at\u00e9 agora. O p\u00fablico pede, e eles n\u00e3o demoram para voltar e exibem a j\u00e1 tradicional cover de \u201cInvasion of the Tribbles\u201d, can\u00e7\u00e3o de 1980 do grupo punk canadense The Hot Nasties, com Harry Violent no palco berrando a letra inintelig\u00edvel e incentivando o pogo. Em alguns momentos parece que todo o Music Hall foi parar num trecho de \u201cA Festa Nunca Termina\u201d, de Michael Winterbottom, com algum maluco assumindo o microfone e cantando qualquer coisa para del\u00edrio geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequencia, integrantes do Guards entram com um bolo para o baixista delinquente \u201cChilli\u201d Jesson, que est\u00e1 completando 21 anos nesta quinta-feira, dando in\u00edcio a uma guerra com peda\u00e7os de bolo e cerveja voando para todo lado e todo mundo pulando abra\u00e7ado, festejando e comemorando o prov\u00e1vel primeiro show vitorioso do Palma Violets na Am\u00e9rica, um momento de certa inoc\u00eancia rock and roll de quem ainda n\u00e3o sabe direito o que est\u00e1 acontecendo, mas quer aproveitar ao m\u00e1ximo. Que eles consigam manter a chama acesa por mais alguns meses. Por esta noite valeu a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19252\" title=\"palma6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma6.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"724\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Marcelo Costa (<\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a><span>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nA melhor banda dos \u00faltimos tempos da \u00faltima semana do seman\u00e1rio ingl\u00eas NME chegou \u00e0 Nova York no descr\u00e9dito&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/13\/palma-violets-ao-vivo-em-nova-york\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18148"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18148"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18148\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18551,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18148\/revisions\/18551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}