{"id":18137,"date":"2013-05-16T18:48:24","date_gmt":"2013-05-16T21:48:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18137"},"modified":"2020-10-05T15:33:14","modified_gmt":"2020-10-05T18:33:14","slug":"o-hype-e-a-estreia-do-savages","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/16\/o-hype-e-a-estreia-do-savages\/","title":{"rendered":"O Hype e a estreia do Savages"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19303\" title=\"savages\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/savages.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"615\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Os tabl\u00f3ides, o Hype e a estreia do Savages<br \/>\npor <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Leonel<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nova York, 2001 \u2013 Um banda de rock, formada por jovens de classe alta da cidade, come\u00e7ava a atrair grande aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia especializada. A banda supostamente mostrava uma roupagem de renova\u00e7\u00e3o com um verniz que atualizava estilos como o garage rock de nomes como o velvet Underground pra um contexto mais pr\u00f3ximo dos anos 2000. N\u00e3o tardou muito algumas vozes passaram a chamar a banda de novos \u201csalvadores do rock\u201d \u2013 t\u00edtulo pat\u00e9tico esse que j\u00e1 implicava alguma injusta condi\u00e7\u00e3o de risco iminente, considerando, de fato, que algo em perigo precisava ser salvo. Surgia uma das grandes antecipa\u00e7\u00f5es dos anos 2000, o alarde sobre os Strokes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 pra c\u00e1 v\u00e1rios outros \u201chypes\u201d ocorreram (e, claro, antes tamb\u00e9m). Por\u00e9m, se o alarde em cima dos novaiorquinos fez muita gente torcer o nariz e jogou nas costas deles uma quantidade perigosa de expectativa, muito tempo depois a hist\u00f3ria foi capaz de absolv\u00ea-los. Se, de fato, eles n\u00e3o foram \u201csalvadores do rock\u201d pra muita gente, ao menos conseguiram construir uma discografia de qualidade e se estabelecer como refer\u00eancia para uma serie de outras bandas respons\u00e1veis pelo \u201crevisionismo\u201d do rock de garagem dos anos 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo passou e v\u00e1rias outras promessas vieram sobre a mesma ditadura da repercuss\u00e3o, antes mesmo que o pr\u00f3prio som da banda fosse ouvido pelas massas. O que em certos casos pode gerar um \u201cboom\u201d interessante pra divulga\u00e7\u00e3o, mas que em outros (na maioria deles ali\u00e1s) pode acabar fazendo com que certos grupos acabem desmoronando antes de ter uma base s\u00f3lida, e de ter tempo para estabelecer um conjunto de sua obra. Muitas \u201cfebres\u201d depois, eis que em 2013 surge um nome cercado pelo mesmo alarde. De Londres para o mundo, surge o quarteto ingl\u00eas Savages.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/GKI16lYE5rA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/GKI16lYE5rA\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De climas soturnos e uma urg\u00eancia absurda no som, a banda formada inteiramente por mulheres \u00e9 tida por muitos como o grande nome do momento. O grupo bebe de refer\u00eancias como Suede e PJ Harvey al\u00e9m do p\u00f3s-punk de grupos como Siouxsie and the Banshees, e apresenta uma sonoridade dark e carregada de enxurradas de guitarras. Liricamente as letras esbanjam um peculiar olhar feminino sobre temas como conflitos, relacionamentos e dramas existenciais. \u00c9 v\u00e1lido notar que o som do Savages n\u00e3o \u00e9 algo exatamente novo, embora explore de um jeito bastante criativo certos elementos j\u00e1 conhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que a banda das garotas londrinas demonstra \u00e9 um apanhado de refer\u00eancias j\u00e1 estabelecidas na mem\u00f3ria dos ouvintes de rock, refeito sobre um olhar renovado. Isso aliado a um visual peculiar e a compet\u00eancia musical das integrantes \u2013 sem d\u00favida, m\u00e9rito das pr\u00f3prias \u2013 bastou para a imprensa come\u00e7ar o inc\u00eandio. Em 2012, o EP \u201cI Am Here\u201d antecipou o estardalha\u00e7o que o grupo causaria. O trabalho habilidoso da guitarrista Gemma Thompson \u00e9 um caso a parte. Com riffs dissonantes e texturas et\u00e9reas, Gemma \u00e9 descendente direta de Will Sergeant, John McGeoch e toda uma escola do p\u00f3s-punk ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trajet\u00f3ria segue a cartilha do hype a risca: a banda formou-se em 2011, e chamou aten\u00e7\u00e3o devido a shows pequenos no circuito independente. Logo, veio um burburinho maior seguido de cr\u00edticas entusiasmadas em sites \u201crefer\u00eancia\u201d \u2013 pra quem ainda acredita nisso, ok \u2013 como o NME e o at\u00e9 o cabe\u00e7udo Pitchfork (que definitivamente n\u00e3o pode ser chamado de publica\u00e7\u00e3o musical saud\u00e1vel). Esse \u00faltimo, ali\u00e1s, semeou uma demanda sem tamanhos sobre o nome do jovem quarteto. O disco de estreia, \u201cSilent Yourself\u201d, lan\u00e7ado em Maio, foi colocado para audi\u00e7\u00e3o inteiro no site, alcan\u00e7ando um grande n\u00famero de pessoas al\u00e9m de uma curiosidade em muita gente que sequer havia ouvido falar do grupo. Verdade seja dita: o disco \u00e9 \u00f3timo \u2013 com produ\u00e7\u00e3o caprichada assinada pelos pouco conhecidos Johnny Hostile e Rodaidh McDonald. H\u00e1 excelentes melodias como as boas \u201cNo Face\u201d e \u201cStrife\u201d (digna da melhor fase dos Banshees), interpreta\u00e7\u00f5es nervosas da vocalista Jehnny Beth como em \u201cShe Will\u201d, \u201cHit me\u201d e\u2026 s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um grande apanhado de can\u00e7\u00f5es, sem d\u00favida, mas ao ouvi-lo constata-se que n\u00e3o h\u00e1, de fato, nada nele que justifique o tamanho au\u00ea. S\u00e3o sintomas de um momento em que, cada vez mais, buscar \u201condas\u201d novas se tornou mais importante do que conhecer sons em si. Voc\u00ea j\u00e1 (ou)viu essa hist\u00f3ria antes, e ela ir\u00e1 durar o tempo que for preciso desde que continue mantendo a rede aquecida e adequada para continuar vendendo tabl\u00f3ides, discos e gerando repercuss\u00e3o. A grande verdade \u00e9 que o pr\u00f3prio conjunto de publica\u00e7\u00f5es e canais cria uma demanda para que eles mesmos possam continuar sendo refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tabl\u00f3ides n\u00e3o divulgam artistas, divulgam apenas a eles mesmos, e uma vez que tais nomes n\u00e3o s\u00e3o mais interessantes, tratam de gerar mais repercuss\u00e3o destrutiva sobre a \u201cdecad\u00eancia\u201d ou decep\u00e7\u00e3o (como costumam falar) que as mesmas \u201cgrandes bandas\u201d fizeram ap\u00f3s lan\u00e7arem algum disco considerado abaixo da m\u00e9dia ou desapontarem com um passo equivocado (na vis\u00e3o deles) na discografia. Citando novamente a banda do come\u00e7o do texto, vamos pensar\u2026 Voc\u00ea deve ter ouvido bastante gente detonando o \u00faltimo disco do Strokes, \u201cComedown Machine\u201d, certo? A regra parece clara. Onde est\u00e1 seu Deus agora, quando voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais novidade, e por consequ\u00eancia, o \u201csalvador\u201d de nada?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/xUqDckQuqcg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/xUqDckQuqcg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publica\u00e7\u00f5es, como o jornal The Guardian, chegaram a citar que ouvir o single de estreia da banda (no caso \u201cHusbands\u201d) provoca algo parecido com o que sentiram pessoas que ouviram P.I.L., Magazine e Joy Division na \u00e9poca da estreia destas bandas. De fato, esse tipo de compara\u00e7\u00e3o, embora estabele\u00e7a um campo comum de sons para situar ouvintes, acaba por al\u00e7ar a banda \u00e0 uma pesada condi\u00e7\u00e3o de percursores de algo. Clima dif\u00edcil, especialmente porque \u00e9 cedo ainda para considera-las percursores de alguma coisa. At\u00e9 o momento apenas existem a tempo o suficiente para serem herdeiros. Ainda assim, a banda parece passar por uma fase \u00f3tima, mas vale pensar com ser\u00e1 a trajet\u00f3ria das Savages daqui pra frente. \u00c9 parte daquele velho esquema, carne nova que alimenta o mesmo moedor industrial de procurar \u201cnovas tend\u00eancias\u201de gera todo esse caos fren\u00e9tico de buscar incessantemente por algo de bom que pode estar sendo feito em algum por\u00e3o fora do \u201cmainstream\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que o Savages fez foi lan\u00e7ar um grande disco. Entretanto, \u00e9 bom duvidar do estardalha\u00e7o que certos ve\u00edculos provocam. Embora possa empolgar os mais \u00e1vidos por novidades, tal tipo de expectativa pode ser nocivo para o amadurecimento de uma banda promissora. Essa coisa de antecipar e de achar a pr\u00f3xima tend\u00eancia pode prejudicar o pr\u00f3prio grupo e rachar com degraus importantes de uma escalada, pela qual uma banda precisa passar para se estabelecer como nome relevante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa hist\u00f3ria toda acaba derivando numa gera\u00e7\u00e3o de pessoas que n\u00e3o parece como f\u00e3s de m\u00fasica, mas, sim, de especula\u00e7\u00e3o sobre a pr\u00f3xima grande febre ou o eventual \u201csalvador\u201d de algo. Efetivamente s\u00e3o pessoas que se esquecem de que, em arte, n\u00e3o h\u00e1 vencedores e no fim das contas o que importa mesmo s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es que uma determinada obra provoca em um individuo (catarse, lembra dela?) e n\u00e3o os gostos moldados por tabl\u00f3ides, publica\u00e7\u00f5es e outros canais, que cada vez menos est\u00e3o preocupados com arte em si. \u00c0s vezes o novo \u00e9 apenas novo e ok, sem ser salva\u00e7\u00e3o de nada, especialmente, porque n\u00e3o precisa ser\u2026 E isso \u00e9 \u00f3timo. Tente ouvir \u201cSilent Yourself\u201d sem expectativas. A surpresa pode ser boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FuIB8HEmnoY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FuIB8HEmnoY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dy8a_on3dbw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dy8a_on3dbw\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kebq-cENNn0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kebq-cENNn0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Bruno Leonel \u00e9 colaborador da webradio <a href=\"http:\/\/www.almalondrina.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alma Londrina<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211;  \u201cIs This It\u201d, a estreia dos Strokes, \u00e9 realmente importante?, por William Alves (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/14\/is-this-it-e-realmente-importante\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Tentando entender os comportados anos 00 (e o mundo), por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/16\/analise-quem-fica-parado-e-poste\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Leonel\nO que o Savages fez foi lan\u00e7ar um grande disco. 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