{"id":18131,"date":"2013-05-13T18:41:05","date_gmt":"2013-05-13T21:41:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18131"},"modified":"2016-08-31T03:46:14","modified_gmt":"2016-08-31T06:46:14","slug":"deolinda-ao-vivo-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/13\/deolinda-ao-vivo-em-lisboa\/","title":{"rendered":"Deolinda ao vivo em Lisboa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19229\" title=\"deolinda1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/deolinda1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fotos, v\u00eddeos e texto <\/strong><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer um show inesquec\u00edvel \u00e9, por vezes, dan\u00e7ar sobre a corda bamba das coincid\u00eancias. N\u00e3o basta apenas uma meia d\u00fazia de boas m\u00fasicas com refr\u00e3o agitado. \u00c9 preciso um dia inspirado dos m\u00fasicos que estejam no palco, um lugar com condi\u00e7\u00f5es decentes de visibilidade e conforto, um bom sistema de som, um repert\u00f3rio encaixado e um p\u00fablico desejoso de que, \u00e0 sua frente, se fa\u00e7a um momento especial. Aos olhos de um matem\u00e1tico, tal somat\u00f3ria parece imposs\u00edvel, mas, dia ap\u00f3s dia, sempre h\u00e1 um artista capaz de realizar a conta com perfei\u00e7\u00e3o. Na primeira sexta-feira de maio (03), as cinco mil pessoas que lotavam o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, viram uma execu\u00e7\u00e3o primorosa dessa opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o aritm\u00e9tica, realizada pelas m\u00e3os, instrumentos e vozes do grupo portugu\u00eas Deolinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19230\" title=\"deolinda2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/deolinda2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apresenta\u00e7\u00e3o em Lisboa foi a primeira do grupo na capital portuguesa ap\u00f3s o lan\u00e7amento de seu terceiro disco, \u201cMundo Pequenino\u201d. Um passo \u00e0 frente promovido com o incentivo do produtor Jerry Boys (engenheiro de som de R.E.M., Rolling Stones e Pink Floyd), o \u00e1lbum vai al\u00e9m da dualidade fado-pop promovida nos dois primeiros discos da banda, o arrasador \u201cCan\u00e7\u00e3o ao Lado\u201d (2008) e o l\u00edrico \u201cDois Selos e um Carimbo\u201d (2010), em busca de uma sonoridade ampla. Trocando em mi\u00fados: para al\u00e9m das guitarras lusas e dos agudos t\u00edpicos do g\u00eanero consagrado mundialmente por Am\u00e1lia Rodrigues, em seu novo trabalho, o Deolinda arrisca brincar com pianos, percuss\u00f5es africanas e arranjos de sopros. E, seguindo bem o ditado, quem n\u00e3o arrisca n\u00e3o petisca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6SQOZjX3ywo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6SQOZjX3ywo\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao abrir a noite com tr\u00eas can\u00e7\u00f5es de \u201cMundo\u201d (executado na \u00edntegra ao longo daquela noite), o grupo de Ana Bacalhau (voz), Lu\u00eds Jos\u00e9 Martins (viol\u00e3o, ukelele, cavaco, viola braguesa) Pedro da Silva Martins (viol\u00e3o) e Jos\u00e9 Pedro Leit\u00e3o (contrabaixo) mostra a que veio. J\u00e1 nos primeiros minutos, a banda evita o caminho \u00f3bvio de iniciar os trabalhos com um hit, como quem est\u00e1 a fim de tornar as coisas mais dif\u00edceis, por\u00e9m deliciosas, para o p\u00fablico. A inova\u00e7\u00e3o ao vivo \u00e9 sens\u00edvel: se antes os arranjos da banda eram muito bem tramados encontros de cordas, agora eles t\u00eam todo um colorido especial, gra\u00e7as aos novos instrumentos, criando uma bela base para que a frontwoman do Deolinda possa brilhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9jfxukCm2UA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9jfxukCm2UA\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fique avisado o leitor: em palco, Ana Bacalhau reluz como poucas cantoras conseguem fazer no mundo hoje. Int\u00e9rprete de m\u00e3o cheia, a linda lisboeta \u00e9 capaz de tirar de sua garganta as emo\u00e7\u00f5es que quiser. A voz que d\u00e1 vida \u00e0s belas can\u00e7\u00f5es de Pedro da Silva Martins salta em poucos minutos da introspec\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica (\u201dN\u00e3o Ouviste Nada\u201d, em belo dueto com o fadista Antonio Zambujo) \u00e0 verdadeira festa de circo (\u201dDoidos\u201d), da ironia sutilmente feminina (\u201dPois Foi\u201d) \u00e0 dor de um mundo em cacos (\u201dMedo de Mim\u201d), para n\u00e3o falar no riso solto pelo estranho caso de amor entre uma mulher e uma tuba (\u201cFon Fon Fon\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/QDjwrmfUmBQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/QDjwrmfUmBQ\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vers\u00e1til, Ana encaixa sua voz de maneira cativante em tudo o que canta, seja em um pop ac\u00fastico da melhor qualidade (\u201dSeja Agora\u201d, que fica entre a can\u00e7\u00e3o de amor e a palavra de ordem no refr\u00e3o \u201cSe \u00e9 pra acontecer, pois que seja agora!\u201d) ou num fado autoral que n\u00e3o desagradaria os puristas (\u201dFado Toninho\u201d, \u201cFiscal do Fado\u201d). A vocalista do Deolinda demora pouco para ter o p\u00fablico todo do Coliseu dos Recreios nas m\u00e3os, extraindo dele palmas, gritos de \u201clinda!\u201d e coros gigantescos \u2013 como os de \u201cMovimento Perp\u00e9tuo Associativo\u201d (que o Do Amor regravou em EP divulgado por este mesmo site), \u201cMal Por Mal\u201d e \u201cUm Contra o Outro\u201d, tr\u00eas triunfos para ningu\u00e9m presente botar defeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19234\" title=\"deolinda3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/deolinda3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bem da verdade, \u00e9 dif\u00edcil botar algum reparo no repert\u00f3rio atual do Deolinda. Sempre \u00e9 de se temer quando um grupo inclui novas can\u00e7\u00f5es em um setlist j\u00e1 bem ajeitado (como mostra bem o DVD \u201cDeolinda ao Vivo no Coliseu dos Recreios\u201d, lan\u00e7ado em 2011), mas esse n\u00e3o \u00e9 o caso aqui. O espet\u00e1culo do grupo portugu\u00eas s\u00f3 tem a ganhar com as adi\u00e7\u00f5es de \u201cMundo Pequenino\u201d, um disco recheado de can\u00e7\u00f5es que, apesar de bastante pessoais, s\u00e3o extremamente atuais (e universais). Tr\u00eas bons exemplos, recebidos com bastante apre\u00e7o em Lisboa, s\u00e3o o culto ao corpo (\u201cDoidos\u201d), o cotidiano invadido por estrangeirismos (o boy-meets-girl de \u201cSem\u00e1foro da Jo\u00e3o XXI\u201d) ou a aula de gram\u00e1tica e de relacionamentos contempor\u00e2neos (\u201cConcord\u00e2ncia\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Mqmzvg5IRKA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Mqmzvg5IRKA\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso para n\u00e3o falar na porrada na cara que \u00e9 \u201cMusiquinha\u201d, do refr\u00e3o preciso \u201cJ\u00e1 que a ningu\u00e9m espanta ver que isto j\u00e1 n\u00e3o anda, ouve a musiquinha e abana essa anca\u201d). Ponto mais alto do novo disco da banda, a can\u00e7\u00e3o foi executada no final do primeiro ato com grande sucesso (e bela coreografia de Ana Bacalhau). Como se fosse pouco, ela ainda foi repetida no terceiro (!) bis (espont\u00e2neo!) do espet\u00e1culo, pedido ensandecidamente pelo p\u00fablico lisboeta que n\u00e3o arredava p\u00e9 do Coliseu dos Recreios e n\u00e3o se fartava de aplaudir aquela que \u00e9, seguramente, a maior banda de Portugal hoje em dia \u2013 e que, mesmo assim, passa longe de ser minimamente conhecida na Terra de Santa Cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/b2fpQZ-58G0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/b2fpQZ-58G0\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 complicado lidar com essa perspectiva. Afinal, desde que D. Pedro I (ou seria IV?) gritou no Ipiranga, parece que a rota de troca de informa\u00e7\u00f5es culturais entre o Oceano Atl\u00e2ntico se tornou uma via quase de m\u00e3o \u00fanica da Am\u00e9rica para a Europa, alargada pelas telenovelas da Globo e suas trilhas sonoras. O que chega da terrinha ao Brasil \u00e9 muito pouco, e quase sempre uma imagem desfocada e estereotipada da cultura portuguesa \u2013 Roberto Leal que o diga. H\u00e1 muito para ser apreciado na obra do Deolinda, uma banda que fala o mesmo idioma musical (aquele que mescla o pop com a tradi\u00e7\u00e3o do seu lugar) de Tulipa Ruiz, Nevilton, Wado e Marcelo Camelo. O sotaque e milhares de quil\u00f4metros de \u00e1gua salgada n\u00e3o podem ser barreira para tal descoberta al\u00e9m-mar. O momento n\u00e3o poderia ser mais prop\u00edcio, quando a banda portuguesa busca reduzir dist\u00e2ncias no globo terrestre ao cantar sobre um mundo pequenino. Se \u00e9 pra acontecer, pois que seja agora!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19237\" title=\"deolinda4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/deolinda4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde 2010 e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Pergunte ao Pop<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista &#8211; Deolinda (2013): \u201cA individualidade \u00e9 uma coisa muito rara hoje em dia\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/23\/entrevista-deolinda\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Lisboetas falando sobre seus problemas falam mais sobre o Brasil que os brasileiros&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/30\/deolinda-ao-vivo-no-sesc-santana\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Pedro Salgado em Lisboa: Deolinda ao vivo em 2011 e o triunfo do fado pop (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/30\/deolinda-o-triunfo-do-fado-pop\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Download: Do Amor regrava m\u00fasica do Deolinda. Baixe o EP \u201cProjeto Visto\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/03\/download-projeto-visto\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fazer um show inesquec\u00edvel \u00e9, por vezes, dan\u00e7ar sobre a corda bamba das coincid\u00eancias. N\u00e3o basta apenas uma&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/13\/deolinda-ao-vivo-em-lisboa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18131"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18131"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18131\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39662,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18131\/revisions\/39662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}