{"id":18107,"date":"2013-05-27T05:40:56","date_gmt":"2013-05-27T08:40:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=18107"},"modified":"2016-08-31T03:54:54","modified_gmt":"2016-08-31T06:54:54","slug":"a-nova-cena-portuguesa-o-martim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/27\/a-nova-cena-portuguesa-o-martim\/","title":{"rendered":"A nova cena portuguesa: O Martim"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19410\" title=\"martim1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/martim1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><strong><strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\">Bruno Capelas<\/a><\/strong>, de Portugal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPop de rua, com um cheiro a roque e vodka de lim\u00e3o\u201d. Parece uma mistura convidativa, n\u00e3o? Pois essa \u00e9 a receita que a banda portuguesa O Martim fornece para os curiosos e intrigados com suas can\u00e7\u00f5es em seu site.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cria\u00e7\u00e3o do m\u00fasico Martim Torres, um baixista que tocou jazz na adolesc\u00eancia, acompanhou B. Fachada em alguns de seus discos e resolveu agora ocupar um lugar \u00e0 frente do palco, o projeto chegou ao formato \u00e1lbum no come\u00e7o de 2013 com \u201cEm Banho Maria\u201d, um retrato da vida jovem lisboeta. Est\u00e3o l\u00e1, de modo bastante descontra\u00eddo, as noites de bebedeira (\u201cCais do Sodr\u00e9\u201d) e os dias de ressaca (\u201cDomingo de Manh\u00e3\u201d), sempre narradas por personagens bo\u00eamios, apaixonados e um tanto quanto azarados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 um disco que tem como tem\u00e1tica principal a derrota, e tamb\u00e9m o querer fazer as pazes com ela, quase como gozar da frustra\u00e7\u00e3o\u201d, disserta Martim em um papo animado com o Scream &amp; Yell. Editado de maneira independente pela gravadora portuguesa Az\u00e1fama, \u201cEm Banho Maria\u201d foi gravado quase todo pelo m\u00fasico, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o das baterias, e j\u00e1 estava pronto em meados de 2012, mas demorou a ver a luz do dia. O cantor explica: \u201cDurante algum tempo estive em conversas com uma major, mas eles queriam limpar o meu som. N\u00e3o aceitei, porque ele \u00e9 assim meio sujinho, de rua mesmo (risos)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o artista, \u201ca m\u00fasica portuguesa vive uma onda boa, e tive sorte de apanh\u00e1-la em seu apogeu e levar um grande empurr\u00e3o com isso. Temos boas editoras, e o povo est\u00e1 atento ao que estamos fazendo\u201d. Portanto, nada de folga. Para os pr\u00f3ximos meses, Martim revela que ir\u00e1 lan\u00e7ar um EP de ver\u00e3o, com quatro ou cinco m\u00fasicas. \u201cA tem\u00e1tica j\u00e1 \u00e9 um bocado menos derrotista, e agora terei uma banda e sopros a me acompanhar\u201d, diz ele, que j\u00e1 pensa tamb\u00e9m no sucessor de \u201cEm Banho Maria\u201d, planejado para ser gravado do outro lado do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSeria um sonho gravar no Brasil\u201d, comenta Torres, que afirma ter Caetano Veloso e Chico Buarque como fontes de inspira\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ter como banda favorita os Los Hermanos. \u201cEm todos os meus shows grandes fa\u00e7o uma vers\u00e3o de uma m\u00fasica do Camelo ou do Amarante, e toda a discografia deles tem um significado important\u00edssimo na minha vida\u201d, comenta o artista, rec\u00e9m-tornado f\u00e3 de C\u00edcero e Wado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa a seguir, o lisboeta fala mais sobre a paix\u00e3o pelo Brasil, a internet, a intransponibilidade da m\u00fasica portuguesa para a antiga col\u00f4nia e conta mais hist\u00f3rias de Lisboa. Com a palavra, O Martim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jMl3wDWIaFU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jMl3wDWIaFU\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de tudo, vamos l\u00e1: quem \u00e9 Martim Torres e como ele se transformou em O Martim?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martim Torres \u00e9 um rapaz lisboeta que estuda m\u00fasica j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, e que sempre quis fazer m\u00fasica em seu pr\u00f3prio nome, mas n\u00e3o sabia bem como. Estudei jazz durante muitos anos, ent\u00e3o achei que ia fazer algo instrumental nessa \u00e1rea, mas recentemente descobri o mundo das can\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s de nomes como o B Fachada e Tiago Guillul, fiquei maravilhado com o cancioneiro portugu\u00eas, o cancioneiro rock, e percebi que o meu caminho era esse. Para o projeto n\u00e3o ter o meu nome todo, escolhi ficar s\u00f3 com o primeiro, e para ningu\u00e9m se enganar, escolhi ser O Martim, um rapaz que lan\u00e7ou j\u00e1 um EP e agora tem o \u201cEm Banho Maria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No teu primeiro EP, as can\u00e7\u00f5es eram recheadas de arranjos eletr\u00f4nicos, mas essa op\u00e7\u00e3o parece ter sido abandonada no teu \u00e1lbum, em prol de uma sonoridade mais org\u00e2nica. Foi proposital essa escolha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi algo que foi acontecendo naturalmente. Quando comecei a fazer m\u00fasica, eu era muito fechado em casa, e por ser um f\u00e3 das caixas de efeitos, acabei por gostar muito de produzir a minha m\u00fasica. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o das baterias, que captei nas salas de ensaios, todo o disco foi gravado l\u00e1 em casa, comigo tocando todos os instrumentos. A minha ideia no in\u00edcio era fazer uma coisa mais sozinho, mas depois fui percebendo que queria uma sonoridade mais org\u00e2nica, como tu disseste bem, e ent\u00e3o escolhi convidar alguns amigos para me acompanhar, e esta se tornou a nossa banda, algo que come\u00e7ou a se desenvolver por si s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que h\u00e1 de diferente em trabalhar nas can\u00e7\u00f5es sozinho em um quarto ou acompanhado de uma banda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei\u2026 estamos agora a falar do \u201cEm Banho Maria\u201d, mas este \u00e9 um disco que para mim j\u00e1 aconteceu h\u00e1 muito tempo. Quando comecei a trabalhar com a banda, achei que queria que O Martim fosse n\u00e3o s\u00f3 um projeto meu, e as composi\u00e7\u00f5es seguissem esse rumo, mas percebi ao longo desses meses que isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Os m\u00fasicos com quem trabalho t\u00eam muitos projetos, e eles n\u00e3o podem se dar ao luxo de se dedicar tanto \u00e0 minha m\u00fasica como eu, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Sendo assim, acabo eu mesmo trabalhando sozinho nas m\u00fasicas, de maneira que h\u00e1 muito de mim nelas. Precisei passar pela banda para voltar \u00e0s origens e perceber que s\u00f3 eu vou me meter nisso, mesmo que goste muito de tocar com a banda. Estamos preparando um disco agora para o ver\u00e3o, um EP com cinco faixas, e ele ser\u00e1 com a banda, mas no pr\u00f3ximo disco j\u00e1 estou a pensar outra vez em ir de volta \u00e0s caixas de efeito e \u00e0s mesas de sintetizadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19412\" title=\"martim2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/martim2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O teu disco est\u00e1 cheio de cita\u00e7\u00f5es e refer\u00eancias, e eu gostaria que voc\u00ea falasse sobre algumas delas. A primeira \u00e9 o Cais do Sodr\u00e9, lugar de Lisboa que era a antiga zona portu\u00e1ria e hoje abriga bares, boates e tamb\u00e9m algumas \u201cgarotas bonitas\u201d e d\u00e1 nome a uma das tuas m\u00fasicas\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cais do Sodr\u00e9 \u00e9 um lugar important\u00edssimo para esse disco. Quando comecei a escrever essas can\u00e7\u00f5es, estava em uma fase meio esquisita na minha vida. Sou de Lisboa, mas vivia no Porto, onde fui estudar tr\u00eas anos, e l\u00e1 eu estava numa rela\u00e7\u00e3o, que depois se tornou uma rela\u00e7\u00e3o \u00e0 longa dist\u00e2ncia. Voltamos para c\u00e1, e eu vinha muito iludido, porque eu queria viver com esta pessoa e levar uma vida a dois e ela n\u00e3o queria, ent\u00e3o se quebrou o meu cora\u00e7\u00e3o, foi um choque muito grande (risos). Resultou que eu ia afogar as minhas m\u00e1goas regularmente no Cais do Sodr\u00e9, e acabou por ser uma esp\u00e9cie de segunda casa para mim, e naturalmente, uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Em uma das can\u00e7\u00f5es eu digo que \u201co Cais do Sodr\u00e9 \u00e9 aonde o homem vai perder a f\u00e9\u201d, porque quando vais para l\u00e1, ainda vais \u00e0 procura de algo, ainda h\u00e1 uma esperan\u00e7a, mas depois perdes mesmo a f\u00e9. Afinal, est\u00e1s no Cais do Sodr\u00e9, que \u00e9 uma coisa meio degradante, e percebes que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda nenhuma. Mas acabou por se tornar algo interessante na tem\u00e1tica do disco, porque, apesar de degradante, \u00e9 um ambiente sempre engra\u00e7ado, e que rende sempre boas hist\u00f3rias. Hoje em dia tenho sa\u00eddo menos \u00e0 noite, estou mais calmo, j\u00e1 fiz as pazes com estar sozinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A segunda \u00e9 o \u201cHonda Blues\u201d, que fala sobre a paix\u00e3o por um carro \u2013 outro s\u00edmbolo jovem bastante comum na m\u00fasica pop. Que carro \u00e9 esse?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Honda foi o meu primeiro carro, \u00e9 o carro que ainda tenho hoje, e, coitado dele, porque j\u00e1 sofreu muito na minha m\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 que eu seja mau motorista, mas, n\u00e3o sei por que, nos acidentes que acontecem comigo, sempre sou eu o culpado. Com n\u00e3o sou propriamente rico e n\u00e3o consigo pagar bons consertos ao carro, tenho sempre uns consertos mais ou menos, que acabam por torn\u00e1-lo uma coisa cheia de car\u00e1ter (risos). N\u00e3o creio que ele seja bonito, mas \u00e9 um carro com muita personalidade. Gosto de acreditar que ele \u00e9 como eu, tem l\u00e1 algumas marcas e \u00e9 vivido, e claro que tinha que ter uma can\u00e7\u00e3o tributo no meu disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A segunda coisa sobre essa m\u00fasica \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 can\u00e7\u00e3o \u201cZ\u00e9\u201d, do B Fachada, um dos m\u00fasicos mais importantes da nova gera\u00e7\u00e3o portuguesa. Qual a raz\u00e3o dessa cita\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 v\u00e1rios motivos. O Fachada tem um papel fundamental em tudo isto [a m\u00fasica que faz O Martim] e continuar\u00e1 a ter. \u00c9 um grande amigo e \u00e9 uma refer\u00eancia como compositor e como m\u00fasico. Pra j\u00e1, foi o Fachada que deu o t\u00edtulo a esta can\u00e7\u00e3o. Eu ia cham\u00e1-la \u201cO Meu Honda\u201d, mas ele \u00e9 que disse: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o, isso \u00e9 um blues, pois deve ser o \u2018Honda Blues\u2019\u201d. E quando pensei numa m\u00fasica sobre um carro, lembrei-me logo do Cadillac do Fachada, uma das primeiras obras dele, e achei uma refer\u00eancia engra\u00e7ada, pois \u201cnem o Cadillac do Fachada tem tanto estilo como o meu carro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2lXA7BzBkEA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2lXA7BzBkEA\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas como outra can\u00e7\u00e3o sua diz, \u201ctu n\u00e3o \u00e9s o B Fachada!\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exatamente! Por sinal, a hist\u00f3ria dessa m\u00fasica [\u201cTu N\u00e3o \u00c9s o B Fachada\u201d] foi precisamente passada no Cais do Sodr\u00e9. \u00c9 claro que ela \u00e9 um tributo ao Bernardo, mas tamb\u00e9m tem uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s dela. N\u00e3o posso entrar em muitos pormenores, mas pois\u2026 Eu estava no Jamaica [uma discoteca de Lisboa] e engracei-me com uma mi\u00fada, e come\u00e7amos a falar, e tal. No fim da noite, a coisa estava quase acontecendo, mas ela, \u00e0s tantas, me diz \u201cepa! N\u00e3o, n\u00e3o pode ser, n\u00e3o pode ser\u201d, e eu tentava entender o que \u00e9 que se passava. Depois de muito custo ela me explica: \u201cP\u00e1, n\u00e3o sei, Martim, \u00e9 que tu n\u00e3o \u00e9s o B Fachada!\u201d. Ent\u00e3o eu fiquei sem perceber se a mi\u00fada achou que eu era a coisa mais pr\u00f3xima do B Fachada que ela conseguiria ter, \u2018t\u00e1s a ver?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aproveitando a deixa de mais uma m\u00fasica tua: se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um poeta, o que voc\u00ea \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei bem o que \u00e9 que eu sou. Gosto de fazer essas can\u00e7\u00f5es e gosto de m\u00fasica, mas n\u00e3o posso pretender ser um poeta s\u00f3 porque agora escrevo m\u00fasica e letras que rimam, n\u00e3o \u00e9? Quando comecei a escrever, achava as coisas que eu fazia horr\u00edveis, pensava comigo: \u201cn\u00e3o sei escrever, isso n\u00e3o \u00e9 bonito\u201d. Tentava escrever como os outros. Em uma conversa, o B Fachada me disse que eu tinha que escrever como eu mesmo: era preciso encontrar a minha linguagem, o meu dialeto, a minha maneira de falar. S\u00f3 quando eu fizesse as pazes com isso eu faria m\u00fasica minha, entende? Acho que \u201cEu Tamb\u00e9m N\u00e3o Sou Poeta\u201d \u00e9 uma maneira de eu sempre lembrar disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No show de lan\u00e7amento do seu disco, em fevereiro, no Ritz Clube, voc\u00ea tocou \u201cL\u00e1grimas Sofridas\u201d, dos Los Hermanos. A partir disso, quero saber como \u00e9 que a m\u00fasica brasileira te influencia, se \u00e9 que isso acontece?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela me influencia demais! Los Hermanos \u00e9 a minha banda preferida. Adoro o Rodrigo Amarante e o Marcelo Camelo, ali\u00e1s, estive com o Camelo h\u00e1 alguns dias, porque ele est\u00e1 gravando em Lisboa o disco novo do Wado, que conheci h\u00e1 pouco tempo e \u00e9 brutal! Toda a discografia dos Los Hermanos tem um significado important\u00edssimo em minha vida, sobretudo o primeiro disco deles. Quando saiu por aqui, eu estava em um relacionamento, e parecia que todas as m\u00fasicas tinham sido escritas para mim, aquela sensa\u00e7\u00e3o que a gente tem sempre, n\u00e3o \u00e9? Sempre que fa\u00e7o um concerto grande, com a banda, toco uma ou duas m\u00fasicas dos Los Hermanos, e tenho a inten\u00e7\u00e3o de, num futuro pr\u00f3ximo, fazer um show-tributo a eles aqui em Lisboa. Mas h\u00e1 mais: Chico Buarque, Caetano Veloso, n\u00e3o passo uma semana sem ouvir um disco deles. \u00c9 essencial, diria que vou beber muito nessa fonte, porque \u00e9 brutal. Vou te confessar que tenho planos de, em janeiro (de 2014), ir ao Brasil gravar o meu disco novo. Ainda \u00e9 uma ideia embrion\u00e1ria, n\u00e3o tenho contatos l\u00e1, mas muitos amigos meus moram no Brasil, e sei que as coisas se arrumam. Por enquanto estou preocupado em estar fisicamente l\u00e1, porque depois tudo dar\u00e1 certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19416\" title=\"martim3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/martim3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a m\u00fasica brasileira chega em voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje em dia com a Internet \u00e9 muito f\u00e1cil ter acesso \u00e0 m\u00fasica que tu procuras. Descobri recentemente uma coisa incr\u00edvel que \u00e9 o Spotify, e atrav\u00e9s dele descubro coisas bem interessantes. Outro dia digitei \u201cMarcelo Camelo\u201d no programa, e atrav\u00e9s disso ele busca artistas parecidos, gente com quem eu me identifico muito agora, coisas do Brasil que eu n\u00e3o fazia ideia que estavam surgindo recentemente. Um do qual eu gostei muito \u00e9 o C\u00edcero. Li recentemente uma entrevista com ele na qual ele dizia que tem muita sorte de viver nesta \u00e9poca, porque \u00e9 f\u00e1cil fazer a m\u00fasica chegar a todo lado, e concordo com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 verdade, mas desde que cheguei a Lisboa, percebo que os portugueses ouvem muito mais m\u00fasica brasileira do que o contr\u00e1rio. Quando eu mando alguma coisa para meus amigos no Brasil, muitos deles estranham o sotaque portugu\u00eas. Voc\u00ea tem alguma explica\u00e7\u00e3o pra isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei, acho que \u00e9 porque \u00e9 uma coisa que n\u00e3o acontece muito. Para n\u00f3s, \u00e9 mais natural, porque h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es n\u00f3s vemos as telenovelas brasileiras e crescemos ouvindo a l\u00edngua brasileira, mas acho muito natural, sinto que faz parte. N\u00e3o consigo explicar, se calhar \u00e9 porque o Brasil \u00e9 maior e tem maior quantidade de coisas a chegar aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acha que as tuas can\u00e7\u00f5es podem atingir o p\u00fablico brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei se podem, mas adoraria se pudessem! Um dos meus sonhos era ir tocar ao Brasil, fazer alguns shows por l\u00e1. Seria \u00f3timo se as pessoas se identificassem com a minha m\u00fasica, \u00f3bvio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma vez, o Caetano Veloso, quando perguntado sobre porque as bandas portuguesas n\u00e3o faziam sucesso no Brasil, sugeriu que era preciso que elas usassem um sotaque \u201cno meio do Atl\u00e2ntico\u201d. O que voc\u00ea acha disso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante, mas h\u00e1 aqui uma perda de identidade: elas deixariam de ser as bandas portuguesas para passarem a ser as Bandas do Atl\u00e2ntico. Mas olha s\u00f3: est\u00e1 a\u00ed um nome giro para uma banda. (risos). Banda do Atl\u00e2ntico! H\u00e1 de ser um projeto paralelo que vou fazer agora (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6WsnxC5eRSw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6WsnxC5eRSw\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A verdade \u00e9 que a gente conhece muito pouco de voc\u00eas. Quando se fala em m\u00fasica portuguesa no Brasil, a maior parte das pessoas conhece apenas de nome a Am\u00e1lia Rodrigues, o Roberto Leal, o Madredeus, um pouco menos, e, quando se fala de rock, os Xutos e Pontap\u00e9s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tanto mais, n\u00e3o \u00e9? Pois, o Roberto Leal (risos). \u00c9 um bocado frustrante, \u00e9 uma pena, mas estou confiante que isso deve mudar em breve. Acho que devia haver algum evento qualquer que nos levasse l\u00e1, para apresentar um pouco essa nova gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 surgindo aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 como voc\u00ea sugerir dois ou tr\u00eas bons nomes portugueses de sempre, para os nossos leitores brasileiros, ent\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hmmm\u2026 Vou come\u00e7ar com os Ornatos Violeta, que est\u00e3o tocando agora aqui de fundo [no bar aonde acontecia a entrevista tocava \u201cPunk Moda Funk\u201d, faixa de abertura do primeiro disco da banda], que s\u00e3o essenciais! Eles fizeram uma fus\u00e3o boa de rock com can\u00e7\u00f5es, um bocado de funk e umas cenas experimentais. N\u00e3o havia muito disso por aqui quando eles apareceram. H\u00e1 bandas antigas muito boas, outro dia me lembrei dos Jafumega, que nem sabia que ainda existia e \u00e9 uma banda muito fixe (bacana). H\u00e1 coisas antigas como os Her\u00f3is do Mar, ou o Rui Veloso, um cl\u00e1ssico, mais puxado para o blues, e tens o S\u00e9rgio Godinho, essa malta toda muito boa. S\u00e3o bons nomes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos n\u00f3s para uma pergunta hipot\u00e9tica, ent\u00e3o: se voc\u00ea fosse gravar um cover no teu pr\u00f3ximo disco, qual seria esse cover?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha evidente seria o Los Hermanos, mas por que n\u00e3o uma can\u00e7\u00e3o de Chico Buarque. Ouvi agora h\u00e1 poucos dias uma coisa que me deixou com muitas ideias e me fez descobrir v\u00e1rias bandas brasileiras que foi o \u201cTributo a Los Hermanos\u201d, da Musicoteca. Gosto muito de \u201cPaquet\u00e1\u201d, \u00e9 uma que a gente toca muito. Sobre press\u00e3o, essa seria uma boa escolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quem voc\u00ea gostaria de ver fazendo uma vers\u00e3o sua, e de qual m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah, essa a\u00ed \u00e9 mais dif\u00edcil! (pensa muito). Essa \u00e9 uma pergunta tramada, \u00ea p\u00e1! Olha, gostava de ver algum artista brasileiro, n\u00e3o sei\u2026 seria um agrado enorme se o C\u00edcero fizesse uma vers\u00e3o minha, qualquer uma, talvez do \u201cDomingo de Manh\u00e3\u201d. (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00daltima pergunta: qual \u00e9 a pergunta que eu n\u00e3o te fiz e voc\u00ea gostaria que eu tivesse feito?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Pensa um pouco). N\u00e3o me perguntaste se eu precisava de dinheiro! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19418\" title=\"martim4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/martim4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde 2010 e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Pergunte ao Pop<\/a>. Leia mais sobre bandas portuguesas no Scream &amp; Yell <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\">aqui<\/a>. As fotos que ilustram o texto s\u00e3o de Lu\u00eds Macedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; B Fachada: \u201cA m\u00fasica no Brasil est\u00e1 num estado muito diferente da portuguesa\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/16\/b-fachada-o-novo-disco-e-o-brasil\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Miguel F\u00faria: \u201cAmbiciono crescer, tornar-me maior, ser conhecido por muitas pessoas\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/07\/entrevista-manuel-furia\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cPop de rua, com um cheiro a roque e vodka de lim\u00e3o\u201d. Conhe\u00e7a o trabalho deste m\u00fasico lisboeta que sonha em gravar no Brasil\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/27\/a-nova-cena-portuguesa-o-martim\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18107"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18107"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18107\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39670,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18107\/revisions\/39670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}