{"id":181,"date":"2008-05-19T08:00:00","date_gmt":"2008-05-19T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2008\/05\/19\/falsas-baladas-e-outras-cancoes-de-estrada-oaeoz\/"},"modified":"2024-03-27T17:34:07","modified_gmt":"2024-03-27T20:34:07","slug":"falsas-baladas-e-outras-cancoes-de-estrada-oaeoz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/05\/19\/falsas-baladas-e-outras-cancoes-de-estrada-oaeoz\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Falsas Baladas e Outras Can\u00e7\u00f5es de Estrada&#8221;, OAEOZ"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-80693 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/05\/oaeoz1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/05\/oaeoz1.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/05\/oaeoz1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2008\/05\/oaeoz1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>textos de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2008\/05\/oaeoz_falsas.jpg\" alt=\"\" \/>&#8220;A carne \u00e9 triste, e eu li todos os livros&#8221;, escreveu certa vez um poeta simbolista. \u00c9 uma imagem forte, um s\u00edmbolo forte. Ele leu todos os livros e descobriu que a carne, infelizmente, \u00e9 triste. N\u00e3o lhe resta muita coisa. \u00c9 hora de fugir. Ou de crescer, mas a sociedade teme tanto a maturidade que os adolescentes se transformaram em adultescentes. Crescer, mais do que qualquer coisa, \u00e9 acumular tristezas enquanto esperamos a morte por bala, v\u00edcio ou susto.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A vida \u00e9 cruel&#8221; \u00e9 uma frase em n\u00e9on despencando da fachada de um hotel de quinta categoria em lugar nenhum. Copo meio vazio. Copo meio cheio, ent\u00e3o: &#8220;A vida \u00e9 uma porcaria, e passa r\u00e1pido demais&#8221;, lembra aquele diretor esquisito. &#8220;<a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/deinverno\/sets\/impossibilidades\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Falsas Baladas e Outras Can\u00e7\u00f5es de Estrada<\/a>&#8220;, segundo \u00e1lbum do OAEOZ (descontando dois CDs independentes), amplifica essa quest\u00e3o ao polarizar os sentimentos que tantas pessoas amontoam em si mesmas jogando nas costas dias e noites de fuga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que falar da vida na estrada, &#8220;Falsas Baladas&#8221; fala da dificuldade da vida em sociedade. &#8220;Impossibilidades&#8221;, o rock majestoso que abre o \u00e1lbum de forma acelerada, ambienta o ouvinte: &#8220;Pode ser s\u00f3 teimosia \/ Pode ser at\u00e9 capricho \/ Eu n\u00e3o quero sua imagem \/ Nem a tua alegoria&#8221;. A letra ainda distribui muitos s\u00edmbolos (destino, rumo, fantasia, inferno, frio) para fechar de forma sublime: &#8220;Me alimento da falta e me cerco do excesso \/ Pra me esconder na aus\u00eancia da vontade e na impossibilidade dos sentidos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;Dist\u00e2ncia&#8221;, uma falsa balada com guitarras espaciais que remetem \u00e0s grandes influ\u00eancias dos curitibanos (Mercury Rev, Tindersticks, Pink Floyd fase 69), uma frase flutua pelo ar at\u00e9 cair solit\u00e1ria no colo: &#8220;A verdade se despede como farsa&#8221;. A beleza que se transforma em ru\u00edna. Viol\u00e3o e efeitos introduzem &#8220;Negativa&#8221;, a pr\u00f3xima can\u00e7\u00e3o, um duelo frente ao espelho cujo cl\u00edmax \u00e9 o solo de trumpete de Igor Ribeiro. Um viol\u00e3o lento, pregui\u00e7oso, apresenta a sonhadora &#8220;Mariane&#8221; enquanto guitarras barulhentas e rancorosas fazem a cama para seu interlocutor: &#8220;A humanidade \u00e9 uma piada sem gra\u00e7a&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu Penso Nisso Todo Dia&#8221; \u00e9 a tentativa da fuga da pris\u00e3o, a narrativa da quebra do encanto, a f\u00e9 e o amor em algo que nem se sabe ao certo o que \u00e9, com baixo a frente e vocais clim\u00e1ticos. &#8220;Uma Can\u00e7\u00e3o Para OAEOZ&#8221;, liberada para download pelo Scream &amp; Yell em outubro passado, \u00e9 uma empolgante declara\u00e7\u00e3o de amor a Curitiba e aos bons momentos da vida (seja passado, presente ou futuro). O barulho volta a dar as caras em &#8220;Ningu\u00e9m Vai Dormir&#8221;, rock que tenta tirar os pesos das costas atrav\u00e9s de toneladas de distor\u00e7\u00e3o. &#8220;Pra Longe&#8221;, balada\u00e7a com violino de Desir\u00e9 Marantes, versa sobre abandono e desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com dez anos de estrada, o quinteto curitibano alcan\u00e7a a maturidade musical em um \u00e1lbum que impressiona pela entrega, pela maneira que despe sentimentos, desejos e sonhos sem soar piegas, emo(cionalmente infantil) ou apelativo. &#8220;Falsas Baladas e Outras Can\u00e7\u00f5es de Estrada&#8221; re\u00fane um apanhado de vis\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es acerca da &#8220;citt\u00e0 pi\u00fa bela&#8221; (n\u00e3o \u00e0 toa, a banda colocou uma vers\u00e3o da can\u00e7\u00e3o do Fellini como lado b do single &#8220;Impossibilidades&#8221;), uma paisagem envolta entre anseios intensos cujas nuvens cinzas impedem a vis\u00e3o de estrelas. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 preciso v\u00ea-las para saber que elas est\u00e3o l\u00e1. Melhor pegar outro copo (cheio de vinho).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea j\u00e1 leu todos os livros, caro leitor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"textos de Marcelo Costa &#8220;A carne \u00e9 triste, e eu li todos os livros&#8221;, escreveu certa vez um poeta simbolista. \u00c9 uma imagem \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/05\/19\/falsas-baladas-e-outras-cancoes-de-estrada-oaeoz\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80694,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181\/revisions\/80694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}