{"id":1784,"date":"2009-08-04T18:38:16","date_gmt":"2009-08-04T21:38:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=1784"},"modified":"2023-03-28T23:55:13","modified_gmt":"2023-03-29T02:55:13","slug":"os-mil-sons-de-lucas-santtana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/08\/04\/os-mil-sons-de-lucas-santtana\/","title":{"rendered":"Os mil sons de Lucas Santtana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/lucas_santana.jpg\"><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1785\" title=\"Lucas Santtana\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/lucas_santana.jpg\" alt=\"\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Manuela Colla<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sem conhec\u00ea-lo ao vivo, pode-se dizer que o m\u00fasico baiano Lucas Santtana \u00e9 um homem livre. Pelo menos livre de preconceitos e de amarras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua m\u00fasica. Explica-se: al\u00e9m de disponibilizar os arquivos de suas m\u00fasicas para download em seu <a href=\"http:\/\/www.diginois.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site oficial<\/a>, ele ainda permite que as pessoas fa\u00e7am remixes delas e os enviem para que ele tamb\u00e9m os disponibilize em seu site, usando os princ\u00edpios de licen\u00e7a creative commons.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de jovem, Lucas tem muita estrada debaixo dos p\u00e9s: j\u00e1 foi m\u00fasico da banda de Gilberto Gil, lan\u00e7ou discos por gravadoras (EletroBenDod\u00f4), teve m\u00fasica como trilha sonora de novela das oito e hoje se dedica a fazer as coisas acontecerem na internet. Seu primeiro disco independente, \u201c3 sessions in a Greenhouse\u201d foi lan\u00e7ado em CD, mas tamb\u00e9m pode ser baixado no seu site oficial \u2013 assim tamb\u00e9m como seu novo disco, \u201cSem Nostalgia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Seu novo disco, &#8220;Sem Nostalgia&#8221;, foi lan\u00e7ado nesse ano. Conte um pouco sobre o conceito dele e o porqu\u00ea desse nome.<\/strong><br \/>\nFiz esse disco porque queria brincar com esse formato de voz e viol\u00e3o. Outros formatos cl\u00e1ssicos foram se trasnformando ao longo do tempo. Como o quarteto de cordas ou o Power trio (guitarra, baixo e bateria). O voz e viol\u00e3o passou os \u00faltimos 50 anos no banquinho e viol\u00e3o. Da\u00ed achei que poderia me divertir em mexer com ele. O nome \u00e9 tirado da letra de uma m\u00fasica do disco: &#8221;sem ilus\u00e3o, sem nostalgia, s\u00f3 o querer que acende! queima o trono, come a semente, sem vacilar segue em frente\u201d. E tamb\u00e9m \u00e9 uma brincadeira com \u201cChega de Saudade\u201d, apesar do disco n\u00e3o ter nada de bossa nova.<\/p>\n<p><strong>No \u00e1lbum voc\u00ea alterna letras cantadas em ingl\u00eas e em portugu\u00eas. Isso foi proposital, ou elas simplesmente nasceram assim?<\/strong><br \/>\nAs tr\u00eas m\u00fasicas em ingl\u00eas que fiz nasceram assim: fiz com o Arto Lindsay porque ele \u00e9 um escreve muito bem em ingl\u00eas. J\u00e1 temos v\u00e1rias parcerias que foram gravadas em seus discos lan\u00e7ados no exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acha que isso contribui para que sua m\u00fasica tenha apelo tanto no cen\u00e1rio nacional quanto no internacional? Voc\u00ea pensa nisso ao escrever?<\/strong><br \/>\nClaro que n\u00e3o. Quando fa\u00e7o e produzo uma m\u00fasica s\u00f3 penso na m\u00fasica. Composi\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, mixagem, masteriza\u00e7\u00e3o. O resto \u00e9 consequ\u00eancia disso.<\/p>\n<p><strong>As m\u00fasicas do disco foram gravadas em uma por\u00e7\u00e3o de est\u00fadios diferentes. Tem at\u00e9 uma que foi gravada ao ar livre, no Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. Como voc\u00ea acha que isso influi na obra como um todo? H\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de descontinuidade?<\/strong><br \/>\nCada disco \u00e9 uma hist\u00f3ria. Nesse eu quis fazer com v\u00e1rios produtores diferentes porque j\u00e1 tinha um tema e uma limita\u00e7\u00e3o que dava amarra ao disco, ent\u00e3o quanto mais colaboradores tivesse, mais possibilidades de atingir o desejo final, que era esticar o formato voz e viol\u00e3o, fazer ele n\u00e3o soar como um disco de voz e viol\u00e3o entende? Outro pilar do disco \u00e9 a quest\u00e3o do ambiente. Estou h\u00e1 muito tempo fascinado com ambient music. Com essa m\u00fasica que est\u00e1 o tempo todo ao nosso redor. O som das salas. Gravamos a voz e o viol\u00e3o com os microfones bem abertos para justamente captar o ambiente de cada sala de grava\u00e7\u00e3o. A batucada de amor em jacum\u00e3 gravamos na casa de um amigo meu, se voc\u00ea solar os canais ouve at\u00e9 buzina de carro ao fundo (risos).<br \/>\n<strong><br \/>\nOs seus \u00e1lbuns s\u00e3o disponibilizados gratuitamente na Internet sob a licen\u00e7a conhecida como Creative Commons, ou \u201calguns direitos reservados\u201d. Como ela funciona, e por que a op\u00e7\u00e3o de oferecer suas grava\u00e7\u00f5es sem cobrar?<\/strong><br \/>\nEsse disco n\u00e3o tem licen\u00e7a creative commons. Mas est\u00e1 liberado na internet porque acredito que sistema de vendas de disco n\u00e3o contemple a nossa extens\u00e3o territorial. Sei que \u00e9 um tema vasto e compicado para resumir numa resposta. Mas a minha experi\u00eancia com o disco anterior &#8221;3 sessions in a Greenhouse\u201d foi muito positiva no sentido de fazer minha m\u00fasica chegar para mais gente. No blog <a href=\"http:\/\/br.wrs.yahoo.com\/_ylt=A0oG744upnhKPTwBTj3z6Qt.;_ylu=X3oDMTBybnZlZnRlBHNlYwNzcgRwb3MDMQRjb2xvA2FjMgR2dGlkAw--\/SIG=11jjvsddv\/EXP=1249507246\/**http%3a\/\/www.oesquema.com.br\/urbe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">URBe<\/a> o Bruno Natal colocou o disco para download e nos coment\u00e1rios um rapaz de Sete Lagoas agradecia e dizia que se dependesse dele aquilo iria reverberar na sua cidade com os seus amigos. Pois bem, o disco ter\u00e1 uma grande distribui\u00e7\u00e3o nacional em lojas de cd, mas n\u00e3o chegaria em Sete Lagoas se n\u00e3o fosse o URBe. Eu compartilho muita informa\u00e7\u00e3o de gra\u00e7a todos os dias na internet. Seria hip\u00f3crita se n\u00e3o colaborasse tamb\u00e9m. Tenho meu blog <a href=\"http:\/\/www.diginois.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diginois<\/a>, quem conhece sabe que isso j\u00e1 faz parte da minha hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Isso interfere negativamente nas vendas da vers\u00e3o em CD?<\/strong><br \/>\nNo \u00faltimo disco ajudou bastante. Vendemos os CDs mais r\u00e1pido que os 2 primeiros. Tem muitas pessoas que gostam tanto do disco que querem ter aquilo em casa, como uma lembran\u00e7a, um sourvenir. E tem gente que vai ler no jornal, na revista e vai comprar na loja pois n\u00e3o tem a cultura do download. O importante nesse momento que vivemos \u00e9 ele est\u00e1 em todo lugar.<\/p>\n<p><strong>E essa hist\u00f3ria de incluir samples de insetos no disco, como surgiu? Eles tamb\u00e9m trabalham sob o Creative Commons? \ud83d\ude42<\/strong><br \/>\nHahahaha, espero que nenhum inseto me processe&#8230;<\/p>\n<p><strong>Em &#8221;Parada de Lucas&#8221; (lan\u00e7ado em 2003) voc\u00ea trabalhou com elementos da m\u00fasica que toca nos bailes funk, um g\u00eanero musical que muitos cr\u00edticos \u2013 se n\u00e3o todos \u2013 consideram \u201cde mau gosto\u201d. Voc\u00ea sofreu algum preconceito por causa disso? Como foi a recep\u00e7\u00e3o do disco com ao p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o recebi nenhuma critica negativa por causa disso. Na \u00e9poca de fato o funk ainda n\u00e3o era moda hype como hoje. Se bem que at\u00e9 hoje ainda ou\u00e7o neguinho reclamar que \u00e9 de mau gosto. Eu sempre gostei, desde LP &#8220;Funk Brasil volume 1&#8221;, do DJ Marlboro.<\/p>\n<p><strong>Conte um pouco sobre a experi\u00eancia de ter tocado na banda de Gilberto Gil.<\/strong><br \/>\nFoi um grande aprendizado musical e de estrada. Viajamos por v\u00e1rias cidades da Am\u00e9rica do norte, sul e central e Europa. V\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es diferentes, foi incr\u00edvel. Ele \u00e9 um grande m\u00fasico.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem uma boa visibilidade no exterior. Seu disco de estr\u00e9ia, &#8220;Eletro Bem Dod\u00f4&#8221;, entrou na lista dos dez melhores \u00e1lbuns independentes de 2000 publicada no jornal New York Times. No Brasil, por\u00e9m, voc\u00ea tem menos espa\u00e7o na m\u00eddia. Por que voc\u00ea acha que isso acontece?<\/strong><br \/>\nEspa\u00e7o em m\u00eddia significa ter uma assessoria de imprensa constante. Ter uma m\u00fasica conhecida na r\u00e1dio atrav\u00e9s de pagamento de jab\u00e1. Enfim, \u00e9 um outro universo. Precisa de dinheiro para manter isso. De fato n\u00e3o estou nessa ind\u00fastria. Mas quando passo por cidades que nunca havia tocado, percebo que os lugares est\u00e3o cheios e as pessoas conhecem as m\u00fasicas, ou seja, outro universo est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o. Apare\u00e7o na m\u00eddia quando fa\u00e7o um disco, um show, n\u00e3o quando vou ao shopping.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea avalia a cena musical de hoje, tanto no Brasil quanto no resto do mundo? Quais as vantagens e quais as desvantagens de ser um artista independente?<\/strong><br \/>\nAcho que s\u00e3o parecidas. Existe o mainstream, que \u00e9 como a Champion leagues. Todo mundo praticando pre\u00e7os exorbitantes totalmente descolados da realidade. E existe essa gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 fazendo sua hist\u00f3ria de maneira independente. L\u00e1 fora \u00e9 mais f\u00e1cil o tramite entre esse universos. No Brasil \u00e9 muito dif\u00edcil, por circular menos dinheiro e porque a cultura como um todo \u00e9 mais conservadora. A cena musical no Brasil hoje \u00e9 uma das mais ricas da hist\u00f3ria. Curumin, Cidad\u00e3o Instigado, C\u00e9u, Na\u00e7\u00e3o Zumbi, Hurtmold, Wado, Siba, R\u00f4mulo Fr\u00f3es, Jo\u00e3o Brasil, Ronei Jorge, porra, tanta gente boa e fazendo um som autoral. Fiz a can\u00e7\u00e3o &#8220;C\u00e1 pra N\u00f3s&#8221; inspirado nessas pessoas.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 fundamental pra se fazer boa m\u00fasica? E o que deve ficar de fora?<\/strong><br \/>\nAmar o som! E todas as coisas boas que ele provoca na gente. Seja o som da palavra ou das freq\u00fc\u00eancias. O ego e o galmour eu procuro deixar de fora, porque eles sempre atrapalharam na hist\u00f3ria da m\u00fasica. Tem quem adore isso. Para mim \u00e9 som sempre!<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os discos que voc\u00ea mais escuta neste momento?<\/strong><br \/>\nEu escuto mp3. Baixo m\u00fasicas quase todo dia. As vezes baixo disco, mas ultimamente tenho baixado mais faixas. Estou muito ligado em global ghettotech. Que \u00e9 essa cultura de m\u00fasicas feitas em computador, produzidas para sound system com bastante grave e batidas eletr\u00f4nicas. Cumbia digital, balkan beats, reggaton, dub, dance hall, grime, new funk, enfim, essas coisas. N\u00e3o confundir com world music ok? \u00c9 som urbano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuela Colla \u00e9 jornalista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colaborou <span style=\"font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;;\"><span>Bruno Cobalchini Mattos<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Manuela Colla\nMesmo sem conhec\u00ea-lo ao vivo, pode-se dizer que o m\u00fasico baiano \u00e9 um homem livre. Pelo menos livre de preconceitos e&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/08\/04\/os-mil-sons-de-lucas-santtana\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1784"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1784"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73573,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1784\/revisions\/73573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}