{"id":1758,"date":"2009-06-23T00:06:42","date_gmt":"2009-06-23T03:06:42","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=1758"},"modified":"2023-08-06T23:42:48","modified_gmt":"2023-08-07T02:42:48","slug":"entrevista-com-o-pullovers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/06\/23\/entrevista-com-o-pullovers\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; Pullovers: &#8220;O que importa \u00e9 tocar a m\u00fasica que gostamos. O que vier \u00e9 lucro&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Murilo Basso<br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m disse certa vez que a melhor coisa que pode acontecer para uma pessoa \u00e9 envelhecer. A via contr\u00e1ria, por\u00e9m, \u00e9 um engarrafamento s\u00f3, pois existem milhares de teorias por ai sobre o quanto o passar dos anos bagun\u00e7a a vida de uma pessoa. Antigamente era crise dos 30, crise dos 40. Agora j\u00e1 inventaram a crise dos 25 anos. Em ingl\u00eas fica bonito: the quarterlife crisis (A crise de um quarto de vida). J\u00e1 tem at\u00e9 livro lan\u00e7ado sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crises passam \u2013 assim como a tempestade, a derrota do seu time do cora\u00e7\u00e3o e a ressaca da noitada anterior \u2013 e tudo que sobra \u00e9 a lembran\u00e7a de como voc\u00ea era, como se voc\u00ea olhasse um espelho cuja imagem \u00e9 voc\u00ea&#8230; um dia antes. Para o Pullovers, banda paulistana que nasceu no finalzinho da d\u00e9cada de 90, o tal espelho mostra um \u00e1lbum estr\u00e9ia que, visto (e ouvido) hoje, \u00e9 definido por Luiz Ven\u00e2ncio (\u00fanico membro da forma\u00e7\u00e3o original) como \u201cuma brincadeira de crian\u00e7a\u201c.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1 se passaram 10 anos, e se antes o Pullovers era um grupo com guitarras sujas e barulhentas, que tocava r\u00e1pido e desafinado, \u201cmurmurando\u201d can\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas, hoje surpreende em portugu\u00eas com can\u00e7\u00f5es influenciadas pela MPB, mais doces e leves. \u201cO que h\u00e1 de mais caracter\u00edstico na banda \u00e9 fazer can\u00e7\u00f5es propriamente ditas, daquelas que funcionam se tocadas com viol\u00e3o, com banda ou o que for\u201d, procura definir Luiz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi atrav\u00e9s desta revis\u00e3o pessoal e musical, da simples id\u00e9ia de brincar com possibilidades e relacionar experi\u00eancias que ainda se fazem presentes que o Pullovers chegou a um dos grandes discos de 2009. \u201cTudo Que Eu Sempre Sonhei\u201d \u00e9 marcado por contrastes. Algumas can\u00e7\u00f5es chegam ao pop extremo, aquelas em que ap\u00f3s a primeira audi\u00e7\u00e3o voc\u00ea j\u00e1 saiu cantarolando o refr\u00e3o, como \u201cO Amor Verdadeiro N\u00e3o Tem Vista Para o Mar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras, como &#8220;Li\u00e7\u00e3o de Casa&#8221;, lembram os bons momentos daquele Pullovers cheio de espinhas adolescentes de 1999. H\u00e1 ainda aquelas que soam mais elaboradas, caso da faixa de abertura e que d\u00e1 nome ao disco, capaz de \u201cse perder\u201d em meio a sua poesia, parecendo n\u00e3o encontrar seu lugar. \u00c9 como escancarar a porta e gritar: \u201cEsperem. Voc\u00ea vai se surpreender!\u201d. E, acredite, voc\u00ea vai se surpreender mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confundindo a si pr\u00f3prio quando confrontado todos os seus detalhes. \u201cTudo Que Eu Sempre Sonhei\u201d nasceu da mistura de uma certa urbanidade paulista, de leves flertes com o Rio de Janeiro e da sensibilidade que s\u00f3 se adquire ao perceber o passado no espelho, e crescer, e envelhecer, aquela sensibilidade que nos torna capazes de mesclar, na dose certa, experi\u00eancia vivida com imagina\u00e7\u00e3o. M\u00fasica pop que s\u00f3 poderia existir no Brasil. E para o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, Luiz Ven\u00e2ncio demonstra satisfa\u00e7\u00e3o com o resultado de seu \u00faltimo trabalho, confiante com a nova proposta adotada e pronto para levar o grupo a um pr\u00f3ximo n\u00edvel. Ele n\u00e3o renega a adolesc\u00eancia \u2013 e nem o Pavement \u2013, mas j\u00e1 se sente \u00e0 vontade para citar Chico Buarque, cantar Jards Macal\u00e9 e abrir o cora\u00e7\u00e3o sem vergonha de soar ing\u00eanuo e profundo. Afinal, l\u00e1 no fundo, todas as can\u00e7\u00f5es s\u00e3o de amor. O Pullovers nunca esteve t\u00e3o atual.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tudo Que Eu Sempre Sonhei\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kQK8l29HESkJ9vfQRy4UXbpWsSE-aP-eE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Pullovers esteve para acabar no ano passado, certo? O que fez com que isso n\u00e3o acontecesse?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Nunca esteve para acabar. Passamos pelo que chamam de &#8220;hiato&#8221; e ficamos sem tocar bastante tempo. Esperando o lan\u00e7amento do disco, que acabou atrasando. Enquanto isto entrou o Gustavo Beber pra tocar bateria e o Habacuque pra tocar guitarra. Mas nunca pensamos em &#8220;acabar&#8221;, quer\u00edamos muito lan\u00e7ar esse trabalho e come\u00e7ar a trabalhar em coisas novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que representou a entrada do Habacuque Lima (guitarrista do Ludov)?<\/strong><br \/>\nSinceramente e sem nenhuma rasga\u00e7\u00e3o de seda desnecess\u00e1ria: um ganho imenso. Pela sensibilidade, pela intelig\u00eancia, pela vis\u00e3o de mundo e de m\u00fasica&#8230; \u00c9 a diferen\u00e7a que faltava, \u00e9 o Ronaldo no Cur\u00edntia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao vivo voc\u00eas est\u00e3o melhores?<\/strong><br \/>\nCara, acho que sim! Mas posso responder principalmente pela parte musical. Quanto \u00e0 parte &#8220;perform\u00e1tica&#8221; eu realmente n\u00e3o sei responder. Melhor porque era ruim e melhorou ou porque era bom e ficou melhor? Depende do par\u00e2metro do qual se parte&#8230; Porque eu, minha m\u00e3e, a av\u00f3 da minha tia, todo mundo sabe que n\u00e3o somos uma banda de &#8220;festa&#8221;, uma banda que pula no palco e grita: &#8220;a\u00ea galera, sai do ch\u00e3o!&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, somos de uma timidez imensa, paulistan\u00edssima, incomensur\u00e1vel. Eu, por exemplo, de maneira nenhuma me considero um performer no sentido &#8220;Broadway&#8221; da palavra. Me emociono e, sem medo de soar brega, coloco todo o meu sentimento nos shows. Mas sou um compositor que canta, um cara que ama mostrar suas m\u00fasicas pro p\u00fablico, n\u00e3o um animador de torcida. Se f\u00f4ssemos uma banda de baile, todos n\u00f3s morrer\u00edamos de fome. Isso n\u00e3o significa uma postura blas\u00e9 ou n\u00e3o se importar, pelo contr\u00e1rio: \u00e9 ser &#8220;de verdade&#8221;, come as you are. \u00c9 o nosso jeito. Por isso a pecha de banda nerd, banda de t\u00edmidos, pegou tanto conosco: \u00e9 a pura realidade. Usando a cita\u00e7\u00e3o do &#8220;Tudo que eu sempre sonhei&#8221;: sem obviamente compara\u00e7\u00f5es de g\u00eanero musical ou de talento, por que quando Chico Buarque de Hollanda fica completamente im\u00f3vel sobre o palco durante um samba, \u00e9 a \u201ctimidez charmosa do Chico\u201d; e quando \u00e9 Pullovers, uma banda que ningu\u00e9m conhece, temos que agir como se estiv\u00e9ssemos tocando m\u00fasica de carnaval na Bahia em cima de um trio el\u00e9trico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora voc\u00ea espera maior reconhecimento cantando em portugu\u00eas ou reconhecimento n\u00e3o quer dizer muita coisa, o que importa \u00e9 tocar a musica que voc\u00ea gosta e dane-se o resto?<\/strong><br \/>\nO que importa \u00e9 tocar a m\u00fasica que gostamos. O que vier \u00e9 lucro, mas de maneira nenhuma dane-se o resto. A gente deseja \u201csexualmente\u201d que nos ou\u00e7am o m\u00e1ximo poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que forma o contexto em que o Pullovers nasceu se faz presente na m\u00fasica da banda por tanto tempo?<\/strong><br \/>\nBom, primeiro na forma com carne, osso, enchimento e costeletas deste que vos fala, porque fundei a banda e sou o remanescente do in\u00edcio. Mas principalmente por causa da paix\u00e3o pela can\u00e7\u00e3o e pelo tipo de lirismo. Desde o come\u00e7o o que h\u00e1 de mais caracter\u00edstico na banda \u00e9 fazer can\u00e7\u00f5es propriamente ditas (daquelas que funcionam se tocadas com viol\u00e3o, com banda ou o que for) em que mais do que o g\u00eanero ou mesmo o idioma em que se canta, o que importa \u00e9 uma maneira caracter\u00edstica de unir letra e m\u00fasica. Isto est\u00e1 presente desde o in\u00edcio. Agora de uma maneira muito mais rica e lapidada, mas com a mesma raiz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTudo que eu sempre sonhei\u201d \u00e9 marcado por v\u00e1rios contrastes. H\u00e1 tanto can\u00e7\u00f5es ing\u00eanuas quanto profundas. H\u00e1 can\u00e7\u00f5es simples assim como h\u00e1 outras mais \u201celaboradas\u201d. Existiu uma inten\u00e7\u00e3o ou ocorreu tudo naturalmente?<\/strong><br \/>\nMas ing\u00eanuo e profundo s\u00e3o ant\u00f4nimos? \u00c9 exatamente por achar que uma m\u00fasica aparentemente doce e pueril \u00e9 \u00e0s vezes t\u00e3o \u201cprofunda\u201d quanto outra verborr\u00e1gica e neur\u00f3tica que a gente as coloca lado a lado. Na real n\u00e3o \u00e9 porque uma \u00e9 mais profunda do que outra, mas porque falam das coisas de jeitos diferentes. Agora, quanto a ser calculado ou n\u00e3o&#8230; \u00c9. Tudo nesse disco \u00e9 paranoicamente calculado, colocamos a nossa m\u00e3o em todas as variantes em que pod\u00edamos intervir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o a trabalhos anteriores, o que mudou pra voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nPuxa, tanta coisa&#8230; Fica imposs\u00edvel de dizer&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma marca forte de S\u00e3o Paulo nas letras; \u00e9 algo como uma \u2018bandeira\u2019 da banda falar da cidade?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se uma &#8220;bandeira&#8221;&#8230; Porque n\u00e3o rola muito o intuito de falar de S\u00e3o Paulo como um plano pr\u00e9-estabelecido para composi\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es. O que rola \u00e9 que acaba sendo inevit\u00e1vel falar do que \u00e9 mais nosso, do nosso cotidiano, da nossa rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o em que vivemos e, principalmente, de um jeito &#8220;paulistano&#8221; de ver o mundo, se \u00e9 que isso de &#8220;jeito paulistano&#8221; \u00e9 uma coisa defin\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas assumimos que, a posteriori, o discurso de auto-defini\u00e7\u00e3o como banda paulista rola sim. \u00c9 uma simples quest\u00e3o de afirma\u00e7\u00e3o de identidade. E \u00e9 inclusive uma birra. Porque sentimos que muitas das bandas paulistanas (pra n\u00e3o dizer a maioria) t\u00eam vergonha com V mai\u00fasculo de se assumirem paulistanas. Parece que fica bonito dizer &#8220;sou carioca da gema&#8221;, &#8220;sou baiano&#8221;, &#8220;sou do Recife&#8221; ou at\u00e9 &#8220;b\u00e1, sou do Rio Grande&#8221;. Mas ningu\u00e9m diz &#8220;sou de S\u00e3o Paulo&#8221; com verdadeira propriedade. Talvez porque aqui esteja o poder econ\u00f4mico e role um certo pudor, como se assumir a &#8220;paulistanidade&#8221; fosse parecer uma atitude burguesa e prepotente em rela\u00e7\u00e3o ao resto do Brasil. Rid\u00edculo, n\u00e3o \u00e9 nada disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o vejo porque eu n\u00e3o possa afirmar a minha identidade com tanto &#8220;orgulho&#8221; quanto se faz em outros lugares. \u00c9 o famoso &#8220;s\u00f3 falando da sua pr\u00f3pria aldeia \u00e9 que se atinge o universal&#8221;. S\u00f3 preciso deixar claro que isso n\u00e3o \u00e9 um fator limitador. Como eu disse n\u00e3o h\u00e1 uma regra pr\u00e9via: falar s\u00f3 de S\u00e3o Paulo, com o jeito de S\u00e3o Paulo. Mesmo porque temos um baterista (Gustavo) do interior do estado e um guitarrista &#8211; Habacuque (tamb\u00e9m compositor, cujas composi\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o fazendo parte do repert\u00f3rio) &#8211; brasiliense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o s\u00f3 musical, mas culturalmente a cidade parece ser uma refer\u00eancia. Como \u00e9 que viver em S\u00e3o Paulo influencia a m\u00fasica de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, na pr\u00f3pria maneira como o som sai da boca. N\u00e3o sei se voc\u00ea sabe, mas h\u00e1 uma esp\u00e9cie de &#8220;acordo t\u00e1cito&#8221; entre professores de canto de que o &#8220;certo&#8221; pra se cantar em portugu\u00eas do Brasil \u00e9 dizer o S de paulista e o R de carioca. (risos) Eu juro, pode acreditar e pode comprovar ouvindo m\u00fasica: a grande maioria dos cantores e &#8211; principalmente &#8211; cantoras da MPB seguem essa \u201cregra\u201d. Mesmo se tiver nascido na Mo\u00f3ca e sido criado no Br\u00e1s. Acho isso meio rid\u00edculo, n\u00e3o vou deixar de dizer o MEU R, por mais pesado e \u201citalianado\u201d que pare\u00e7a. Fa\u00e7o como fazem e faziam artistas que eu admiro: por exemplo, o saudoso Itamar Assump\u00e7\u00e3o e, hoje em dia, cantoras de personalidade como a C\u00e9u e a Andr\u00e9ia Dias. O resto \u00e9 tudo: influencia na medida em que a gente vive na cidade e vive a cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas e o Rio de Janeiro&#8230; \u00c9 uma merda mesmo?<\/strong><br \/>\nPorra, NUNCA na sua vida, pelo amor de deus, repita um neg\u00f3cio desses! (risos) O Rio de Janeiro \u00e9 a cidade mais linda do mundo. \u00c9 uma esp\u00e9cie de ant\u00edtese de S\u00e3o Paulo: \u00e9 como se uma cidade n\u00e3o pudesse existir sem a outra. Tipo casal que briga o tempo todo, mas se ama. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o uma mulher \u00e9 capaz de acabar com qualquer tipo de rivalidade, como em \u201c1932&#8243;?<\/strong><br \/>\nMais do que isso: a mulher encarna a &#8220;rivalidade&#8221; (ou o que chamam de rivalidade) e a admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Tipo uma carioca dizendo pra um paulista de quem gosta: &#8220;voc\u00ea \u00e9 um neur\u00f3tico feio e mal arrumado, mas eu gosto de voc\u00ea&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a rela\u00e7\u00e3o de &#8220;Todas as can\u00e7\u00f5es s\u00e3o de amor&#8221; com a abertura do Alta Fidelidade*?<\/strong><br \/>\nSe h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o, surgiu inconscientemente. Agora, quanto \u00e0 mistura de sofrimento e m\u00fasica pop, tipo Tostines \u00e9 fresquinho porque vende mais ou vende mais porque \u00e9 fresquinho&#8230; N\u00e3o sei, porque acho que n\u00e3o d\u00e1 pra saber onde acaba uma coisa e come\u00e7a outra. N\u00e3o d\u00e1 pra saber at\u00e9 que ponto um sujeito escreve uma m\u00fasica \u201cdor de cotovelo\u201d porque est\u00e1 com dor de cotovelo e depois passa a ter seu pr\u00f3prio comportamento influenciado por ela&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigo, a dor de cotovelo na m\u00fasica pop \u00e9 assunto pra milh\u00f5es de teses de mestrado e pra outros milh\u00f5es de can\u00e7\u00f5es de&#8230; dor de cotovelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*\u201cO que surgiu primeiro: a m\u00fasica ou o sofrimento? Ningu\u00e9m se importa que as pessoas ou\u00e7am, literalmente, milhares de can\u00e7\u00f5es sobre desilus\u00f5es amorosas, rejei\u00e7\u00e3o, dor, sofrimento e perda. Eu ouvia m\u00fasica pop porque me sentia terrivelmente infeliz? Ou sentia-me terrivelmente infeliz porque ouvia m\u00fasica pop?\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com o passar do tempo \u00e0s refer\u00eancias ao underground foram sendo \u201csubstitu\u00eddas\u201d. E ent\u00e3o voc\u00ea come\u00e7ou a compor em portugu\u00eas. Trata-se de amadurecimento musical, ficar mais velho ou finalmente perceber que Pavement era mesmo muito ruim?<\/strong><br \/>\nPavement n\u00e3o \u00e9 ruim!!! S\u00f3 que eu admito que \u00e9 tremendamente chato. (risos) Coisa de nerd mesmo. O sujeito tem que ser esquisito pra gostar tanto daquele vocal torto, aquelas viagens um pouco longas e toscas demais nas partes instrumentais. Por isso \u00e9 que \u00e9 uma banda que muita gente acha chique citar, mas pouca gente tem realmente paci\u00eancia de ouvir. (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"M\u00fasica de Bolso - Pullovers - Tudo que eu sempre sonhei\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qcd7EmYkrG4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cTudo Que Eu Sempre Sonhei\u201d, do Pullovers, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/06\/08\/polexia-pullovers-e-romulo-froes\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Pullovers ao vivo no Sesc Pomp\u00e9ia, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/05\/26\/ao-vivo-pullovers-moveis-ludov-e-edgard-scandurra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Algu\u00e9m disse certa vez que a melhor coisa que pode acontecer para uma pessoa \u00e9 envelhecer. 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