{"id":17213,"date":"2013-01-18T12:25:02","date_gmt":"2013-01-18T15:25:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=17213"},"modified":"2024-11-28T17:03:27","modified_gmt":"2024-11-28T20:03:27","slug":"cinema-amor-michael-haneke","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/01\/18\/cinema-amor-michael-haneke\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;Amor&#8221;, Michael Haneke"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17214\" title=\"amor\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/amor.jpg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/amor.jpg 285w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/amor-213x300.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um casal de professores de piano &#8211; j\u00e1 na casa dos 80 anos &#8211; estrela \u201cAmor\u201d (Amour, 2012), nova f\u00e1bula dolorida do cineasta austr\u00edaco especialista em f\u00e1bulas doloridas Michael Haneke. O homem atende pelo nome de George (Jean-Louis Trintignant, de \u201cUm Homem, Uma Mulher\u201d, 1966) e ela se chama Anne (Emmanuelle Riva, de \u201cHiroshima, Mon Amour\u201d, 1959), e em uma das primeiras cenas do filme \u00e9 vista cumprimentando um ex-aluno, agora m\u00fasico famoso, ap\u00f3s um concerto de sucesso em Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse ponto em diante, agravado pela sensa\u00e7\u00e3o estranha da primeira bonita e impactante cena do filme, \u201cAmor\u201d seguir\u00e1 uma estrada reta cujas alegorias cinematogr\u00e1ficas colocadas de cada lado do caminho s\u00e3o dominadas com excel\u00eancia por Michael Haneke. Desde uma torneira aberta (que provoca a aten\u00e7\u00e3o do espectador) at\u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os (muitas vezes delimitada pelo som da voz em uma conversa), o ambiente \u00e9 um personagem bastante presente em \u201cAmor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, n\u00e3o espere met\u00e1foras visuais (embora elas existam, claro). \u201cAmor\u201d \u00e9 o filme mais direto de Michael Haneke. E um dos mais tristes, melanc\u00f3licos e doloridos. Se muitas de suas obras assustam o espectador pela maneira violenta da narrativa (mesmo quando n\u00e3o era visualmente violento, caso de \u201cCach\u00ea\u201d e \u201cFita Branca\u201d), \u201cAmor\u201d n\u00e3o traz a viol\u00eancia em primeiro plano, embora ela esteja ali, presente, fitando os personagens \u2013 e, por conseguinte, o pr\u00f3prio espectador \u2013 no olho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certo dia de manh\u00e3, no meio do caf\u00e9, Anne perde a consci\u00eancia e fica parada, est\u00e1tica, enquanto George, sem saber o que fazer, tenta reanima-la. \u00c9 o primeiro passo em dire\u00e7\u00e3o ao abismo da finitude, e Haneke filma a decad\u00eancia humana de forma surpreendentemente delicada. A viol\u00eancia em \u201cAmor\u201d decorre dos dogmas e leis presentes em C\u00f3digos Civis e livros religiosos que a pr\u00f3pria sociedade impinge aos seres-humanos, imperfeitos e finitos. Como diria Woody Allen, a vida \u00e9 uma porcaria, e passa r\u00e1pido demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17218\" title=\"amor2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/amor2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/amor2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/amor2-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 a toa que \u201cAmor\u201d que Haneke escolheu ambientar sua hist\u00f3ria em Paris (o filme \u00e9 uma coprodu\u00e7\u00e3o \u00c1ustria, Alemanha e Fran\u00e7a, e filmado e falado na l\u00edngua deste \u00faltimo). A culpa cat\u00f3lica carregada nos ombros por s\u00e9culos n\u00e3o tornaria veross\u00edmil a tem\u00e1tica do filme em diversos outros pa\u00edses, e Haneke (novamente de forma delicada) ainda consegue uma brecha no roteiro para apresentar a origem judia de George e Anne. O cineasta explora alguns tabus em \u201cAmor\u201d, e s\u00f3 deixa no filme o sentimento verdadeiro de cumplicidade que une duas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma \u00e9 poss\u00edvel dizer que existe beleza dentro de toda dor de \u201cAmor\u201d. Embora o cen\u00e1rio do filme seja semelhante ao pintar de um quadro, que sufoca o espectador conforme cada pincelada vai atingindo a tela, o cineasta consegue fechar seu drama realista de forma po\u00e9tica enquanto deixa para o espectador uma por\u00e7\u00e3o de temas caros \u2013 sendo que os principais s\u00e3o amor, doen\u00e7a, fam\u00edlia e morte \u2013 a serem discutidos na mesa do bar, no sof\u00e1 da sala ou debaixo do cobertor com seu par em casa. E rende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se era praticamente imposs\u00edvel sair feliz de um filme de Haneke (\u201cO S\u00e9timo Continente\u201d, \u201c71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso\u201d, \u201cViol\u00eancia Gratuita\u201d e \u201cA Professora de Piano\u201d s\u00e3o sufocantes), \u201cAmor\u201d ao menos deixa p\u00e9talas de rosas pelo caminho. N\u00e3o se iluda: voc\u00ea vai sofrer assim mesmo, mas, de vez em quando, \u00e9 necess\u00e1rio, pois a maior parte das pessoas parece especialista em negar o fim, o que talvez seja o mais correto a fazer, embora encara-lo vez em quando alimente a humildade (ou algo assim).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um mundo perfeito, Michael Haneke n\u00e3o existiria. Ou, olhando por outro lado: o cinema de Haneke s\u00f3 existe porque vivemos em um mundo corro\u00eddo por imperfei\u00e7\u00f5es. \u201cAmor\u201d \u00e9 mais um exemplo focado do caminho tortuoso escolhido por Haneke, e rendeu ao cineasta a Palma de Ouro em Cannes, o Globo de Ouro de Melhor Estrangeiro e cinco indica\u00e7\u00f5es ao Oscar (Filme, Atriz, Dire\u00e7\u00e3o, Filme Estrangeiro e Roteiro Original). \u00c9 daqueles filmes obrigat\u00f3rios (e raros hoje em dia) para ver, refletir e seguir em frente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"AMOR - Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1A0ErvTz5TY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;A Fita Branca&#8221;: Haneke quer sim ver voc\u00ea sorrir, mas o mundo n\u00e3o deixa, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/21\/cinema-a-fita-branca-de-michael-haneke\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Cach\u00ea&#8221;: Haneke nos tira completamente a seguran\u00e7a, por Marcelo Miranda (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/cache.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Top 20 Filmes entre 2001 e 2010: &#8220;A Fita Branca&#8221; em 9\u00ba e &#8220;Cach\u00e9&#8221; em 10\u00ba (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/12\/20\/top-20-filmes-entre-2001-e-2010\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEm seu filme mais direto, Haneke explora temas caros (amor, doen\u00e7a, fam\u00edlia e morte) e enfeita cenas com p\u00e9talas de rosas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/01\/18\/cinema-amor-michael-haneke\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7511],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17213"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17213"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17213\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85652,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17213\/revisions\/85652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}