{"id":16974,"date":"2012-12-28T17:00:49","date_gmt":"2012-12-28T20:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=16974"},"modified":"2019-02-14T02:05:50","modified_gmt":"2019-02-14T04:05:50","slug":"cinema-holy-motors-de-leos-carax","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/28\/cinema-holy-motors-de-leos-carax\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;Holy Motors&#8221;, de Leos Carax"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16975\" title=\"holy1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/holy1.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/holy1.jpg 270w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/holy1-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/cemcruzeiros\" target=\"_blank\">Lucas Guarni\u00e9ri<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alex Oscar Dupont iniciou sua jornada cinematogr\u00e1fica prematuramente. Preferindo ser chamado pelo anagrama composto pelos seus dois primeiros nomes, Leos Carax dirigiu seu primeiro trabalho aos 19 anos, e quatro anos depois j\u00e1 fincou a estaca na posi\u00e7\u00e3o de um dos jovens cineastas mais promissores. Treze anos ap\u00f3s lan\u00e7ar seu \u00faltimo longa, \u201cPola X\u201d (1999), Carax retorna \u00e0 ativa em \u00f3tima forma com seu enigm\u00e1tico \u201cHoly Motors\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um personagem conhecido como Le Dormeur, representado pelo pr\u00f3prio Leos Carax, acorda em um quarto que cont\u00e9m uma pequena porta secreta que d\u00e1 para a sala de um cinema onde o p\u00fablico dorme enquanto \u201cThe Crowd\u201d, cl\u00e1ssico de King Vidor\u2019s (cujo anivers\u00e1rio de morte completou 30 anos em 2012) \u00e9 reproduzido. As aten\u00e7\u00f5es se voltam para a brilhante atua\u00e7\u00e3o de Denis Lavant, como Sr. Oscar. A partir da\u00ed, as indaga\u00e7\u00f5es come\u00e7am para n\u00e3o cessar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O misterioso trabalho de Oscar, que inicia um filme como um milion\u00e1rio, traz a chave para tentar entender tamanha amplitude de sentidos que o filme estabelece no espectador. Mediocremente, Oscar pode ser descrito como algu\u00e9m que viaja por v\u00e1rias vidas representando pap\u00e9is diversos. Em sua limusine, numa esp\u00e9cie de camarim ambulante, o homem sem facetas recebe suas miss\u00f5es em pastas enviadas por C\u00e9line (\u00c9dith Scob), sua motorista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dentro da pr\u00f3pria limusine que ele se caracteriza dispondo de tudo que precisa; perucas, peles falsas, lentes de contato, figurino e etc&#8230; Por personagens que permeiam desde uma idosa corcunda que mendiga \u00e0 margem do rio Senna, um pai rigoroso, um dubl\u00ea de motion capture, at\u00e9 o emblem\u00e1tico Monsieur Merde, um ser estranho que habita os esgotos de Paris e que protagoniza uma das cenas mais curiosas do filme em um cemit\u00e9rio com a atriz Eva Mendes no papel de uma modelo a ser fotografada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que coloca os figurinos, Oscar incorpora seus personagens de forma t\u00e3o coesa, que a pergunta paira no ar: Onde est\u00e3o as c\u00e2meras? Ou at\u00e9 mesmo a plateia? Um exemplo claro surge quando Monsieur Merde, antes de chegar em um cemit\u00e9rio, passa por uma parte in\u00f3spita do f\u00e9tido esgoto. N\u00e3o existe ningu\u00e9m olhando, mas ainda assim, Oscar insiste em representar. Seria essa uma cr\u00edtica aos diversos pap\u00e9is que representamos diariamente? As identidades se perdem diante do emaranhado das m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es, diluindo-se ao ponto de n\u00e3o sabermos qual \u00e9 realmente a face do Sr. Oscar. Dizem que s\u00f3 somos n\u00f3s mesmos quando estamos sozinhos, ser\u00e1 essa a raz\u00e3o do personagem atuar mesmo com a aus\u00eancia de espectadores? O seu eu na verdade n\u00e3o existe? Ou s\u00e3o todos?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16976\" title=\"1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/1-300x215.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos di\u00e1logos do filme nos arrebata ainda mais com essa d\u00favida:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Voc\u00ea fez um bom trabalho essa noite.<br \/>\n&#8211; Mas? Se voc\u00ea est\u00e1 aqui, tem um &#8220;mas&#8221;.<br \/>\n&#8211; Diga-me. Voc\u00ea ainda gosta do seu trabalho? Estou perguntando porque alguns de n\u00f3s achamos que voc\u00ea est\u00e1 cansado ultimamente. Algumas pessoas n\u00e3o acreditam mais no que est\u00e3o assistindo.<br \/>\n&#8211; Sinto falta das c\u00e2meras. Elas costumavam ser mais pesadas que n\u00f3s. Ent\u00e3o elas se tornaram menores que nossas cabe\u00e7as. Agora n\u00e3o se consegue v\u00ea-las. As vezes eu acho dif\u00edcil acreditar nisso tudo.<br \/>\n&#8211; Essa nostalgia \u00e9 um pouco sentimental, n\u00e3o?<br \/>\n&#8211; Sentimental&#8230;<br \/>\n&#8211; Bandidos n\u00e3o precisam ver as c\u00e2meras de seguran\u00e7a para acreditar nelas.<br \/>\n&#8211; Est\u00e1 tentando deixar todos n\u00f3s paran\u00f3icos?<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o \u00e9? Eu sou sim, muito. Eu por exemplo estive sempre certo de que irei morrer um dia.<br \/>\n&#8211; O que \u00e9 que voc\u00ea quer?<br \/>\n&#8211; Nada, voc\u00ea sabe que gosto muito do seu trabalho. Mas algum de n\u00f3s&#8230;<br \/>\n&#8211; Mas que merda voc\u00ea est\u00e1 falando?<br \/>\n&#8211; Deixe-me fazer as perguntas. O que te faz seguir em frente, Oscar?<br \/>\n&#8211; O que me fez come\u00e7ar: a beleza do ato.<br \/>\n&#8211; A beleza? Dizem que est\u00e1 no olhar, no olhar do espectador.<br \/>\n&#8211; E se n\u00e3o houver mais espectador?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16977\" title=\"2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/2.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interlocutor \u00e9 mut\u00e1vel, assim como o tema que \u00e9 proposto. Do que tanto fala? Do cinema? Da representa\u00e7\u00e3o? Da vida? O filme aponta para um sutil cunho metalingu\u00edstico se tratando de tantas atua\u00e7\u00f5es, o que pode ser relacionado \u00e0 cena inicial no cinema. Todos dormem. Os espectadores n\u00e3o enxergam as atua\u00e7\u00f5es dos atores, impasse vivido pelo Sr. Oscar, que insiste em fazer seu trabalho pela \u201cbeleza do ato\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A repeti\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is cessa ao contar a hist\u00f3ria de uma antiga paix\u00e3o do personagem principal. Com o mesmo trabalho que o seu, Jean, representada por Kylie Minogue, se reencontra com seu velho afeto num choque de pap\u00e9is. Enquanto ele representa um velho gentil \u00e0 beira da morte, ela representa Eva, sua sobrinha preocupada. Jean se encontra com Oscar mais tarde para emplacar uma das mais belas cenas do filme, onde ainda representando Eva, a personagem canta a m\u00fasica tema do filme, \u201cWho Were We\u201d, que conta com a colabora\u00e7\u00e3o de Carax juntamente com Neil Hannon (Divine Comedy), dando a cena, um teor de g\u00eanero musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio seguinte, quando Jean retira a peruca utilizada no papel de Eva, \u00e9 extremamente pessoal. Katerina Galubeva, esposa de Carax, a quem \u201cHoly Motors\u201d \u00e9 dedicado em sua homenagem e mem\u00f3ria, se suicidou em um tr\u00e1gico epis\u00f3dio que \u00e9 retratado nessa cena. As sequ\u00eancias finais s\u00e3o indiscutivelmente arrebatadoras. Depois de seu triste \u00faltimo compromisso, a expectativa em conhecer a verdadeira vida do homem que representa, \u00e9 gigante. O toque pessoal do diretor \u00e9 dado mais uma vez, ele que odeia limusines por achar uma m\u00e1quina antiquada, realiza uma das cenas mais surreais do ano fechando o filme de maneira certeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, ao final do filme, n\u00e3o espere uma conclus\u00e3o clara e fechada. A beleza da obra est\u00e1 justamente na abertura dada ao p\u00fablico para poder formar seus pr\u00f3prios conceitos. A proposta de reflex\u00e3o \u00e9 feita da melhor forma poss\u00edvel e os dez minutos de aplausos incessantes no Festival de Cannes s\u00e3o extremamente merecidos para esse que encabe\u00e7a a lista de melhores filmes do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dVRBesM45TY\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dVRBesM45TY\"><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Lucas Guarni\u00e9ri (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/cemcruzeiros\" target=\"_blank\">@cemcruzeiro<\/a>s), 20 e mineiro. Estudante de publicidade e apreciador da boa arte<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Lucas Guarni\u00e9ri\nDez minutos de aplausos incessantes em Cannes s\u00e3o extremamente merecidos para um dos melhores filmes do ano\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/28\/cinema-holy-motors-de-leos-carax\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":64,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16974"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16974"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16974\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50422,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16974\/revisions\/50422"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}