{"id":16745,"date":"2012-12-08T23:28:33","date_gmt":"2012-12-09T02:28:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=16745"},"modified":"2013-01-11T11:38:43","modified_gmt":"2013-01-11T14:38:43","slug":"o-simpatico-jesse-harris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/08\/o-simpatico-jesse-harris\/","title":{"rendered":"O simp\u00e1tico Jesse Harris"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16746\" title=\"jesse_harris\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/jesse_harris.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/jesse_harris.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/jesse_harris-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/pitacosperdidos\" target=\"_blank\">Eduardo Lemos<\/a> e <a href=\"https:\/\/twitter.com\/yuridecastro\" target=\"_blank\">Yuri de Castro<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez tenha sido dif\u00edcil para Marcelo Camelo e Mallu Magalh\u00e3es reconhecerem Jesse Harris, o rapaz por tr\u00e1s de simp\u00e1ticos e efusivos gestos e gritos com que cumprimentava o casal ent\u00e3o em visita \u00e0 Broadway. Mal sabem os brasileiros, mas esse homem atento a qualquer palavra sua que escape em portugu\u00eas (\u201cTchudo Beim, Tchudo Baum\u201d) admite n\u00e3o ser f\u00e3 apenas do hermano carioca, mas tamb\u00e9m de toda a discografia setentista da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcho que \u00e9 tudo. A vibe, a forma de se compor. Eu amo as harmonias, os arranjos, o jeito como foram gravadas\u201d, diz o cantor e compositor enquanto andamos pelo Museu do Futebol, em S\u00e3o Paulo (\u201cAcompanho o futebol, mas n\u00e3o tenho time. Voc\u00ea sabe como \u00e9 o soccer nos EUA\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesse \u00e9 de uma simpatia \u00edmpar, que ganha contornos t\u00edmidos por tr\u00e1s das arma\u00e7\u00f5es grossas dos \u00f3culos. Sua mais recente estadia no pa\u00eds foi motivada pela grava\u00e7\u00e3o de &#8220;Sub Rosa&#8221; (Som Livre\/slap), disco em que persegue a sonoridade vintage presente nos discos brasileiros de que tanto gosta. Para isso, cercou-se de amigos e m\u00fasicos brasileiros no est\u00fadio Monoaural, de Berna Ceppas e Kassin. \u201cE eu achei muito bom. Me tornei amigo do Dadi (renomado contrabaixista) e depois do Maycon Ananias (tecladista). O Guilherme (Monteiro, guitarrista) mora em Nova Iorque e tocou em meu \u00faltimo \u00e1lbum\u201d, detalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que acolhido no Rio de Janeiro, Jesse mergulhou na produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea da m\u00fasica brasileira e, al\u00e9m de Marcelo Camelo (\u201c\u2018Toque Dela\u2019 \u00e9 incr\u00edvel\u201d, n\u00e3o se cansa de repetir), est\u00e1 a par das \u00faltimas reviravoltas que Caetano Veloso provocou na pr\u00f3pria discografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDadi me apresentou Daniel Carvalho, seu filho. Eu adorei a forma como ele manipula o som e como trabalhou nos discos recentes de Caetano\u201d. Isso sem contar a hospedagem que recebeu do botafoguense Vinicius Cantu\u00e1ria e a j\u00e1 antiga amizade com Maria Gad\u00fa. \u201cGrande cantora e violonista. Faz tudo com uma paix\u00e3o incr\u00edvel. \u00c9 forte e pop ao mesmo tempo\u201d, afirma ao informar os atributos da mo\u00e7a quando lhe digo que a cr\u00edtica especializada a considera superestimada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VG6oUOl8WaA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VG6oUOl8WaA\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acostumado a ser tratado como o compositor que ganhou um Grammy por \u201cDon\u2019t Know Why\u201d, famosa na voz de sua amiga Norah Jones, Harris lida bem com o tema ainda recorrente quase dez anos depois. \u201cClaro, passei a ter mais oportunidades para trabalhar depois disso [do pr\u00eamio]. Mas qualquer carreira nessa ind\u00fastria est\u00e1 longe ser s\u00f3lida. N\u00e3o importa quem voc\u00ea \u00e9. Ser\u00e1 s\u00f3lida o tanto quanto voc\u00ea trabalha\u201d, crava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A naturalidade com que fala de m\u00fasica transforma o que era pra ser um \u201csenhor\u201d clich\u00ea em um tra\u00e7o de personalidade em Harris. Do sorriso ao jeito \u201ccurta-metragem\u201d que imprime em suas letras, Jesse \u00e9 soft.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCada m\u00fasica minha tem sua pr\u00f3pria personalidade. Como compositor, voc\u00ea d\u00e1 um nascimento \u00e0s letras, deixa que sigam seu pr\u00f3prio instinto e, assim, venham \u00e0 vida. Eu tento fazer isso em cada can\u00e7\u00e3o\u201d. A essa altura da conversa (e sacando como o cantor encara a m\u00fasica), ficaria f\u00e1cil entender o porqu\u00ea de &#8220;Sub Rosa&#8221; conter tantos refr\u00e3es f\u00e1ceis (de se assobiar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu tento! Crio sempre de forma muito r\u00e1pida, sem pensar muito nesse processo. Penso que o que \u00e9 composto bem r\u00e1pido combina mais com o que est\u00e1 em seu cora\u00e7\u00e3o e, consequentemente, pode ser uma coisa catchy. Ent\u00e3o, eu tento criar o que pode soar bem, sentir bem\u201d, explica quem s\u00f3 n\u00e3o se tornou escritor por temer uma solid\u00e3o necess\u00e1ria aos autores liter\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcho que foi uma escolha que me permitiu mais interatividade. O compositor toca para todos ou para uma plateia, ao menos. Pode parecer \u00f3bvio, mas isso me fascina. Quando eu era mais jovem, j\u00e1 me imaginava nesse lugar, nesses c\u00edrculos sociais, conhecendo pessoas. Se voc\u00ea \u00e9 um escritor mesmo, acaba gastando dias solit\u00e1rios consigo mesmo, dentro de um quarto com os personagens da sua mente. Me parece que, como m\u00fasico, eu posso passar mais tempo com as outras pessoas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/slgb9X1wBqc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/slgb9X1wBqc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Harris nasceu em 1970 (lembra-se bem do New York Cosmos) e come\u00e7ou sua carreira em 1995, no Once Blue, ao lado de Rebecca Martin (\u201cMinhas prioridades mudaram. Ali, eu era um guitarrista que compunha\u201d, ele diz). Com o fim do duo, lan\u00e7ou-se sob a alcunha \u201cJesse Harris and the Ferdinandos\u201d e tornou-se compositor da Sony Music at\u00e9 o pr\u00eamio maior da ind\u00fastria entrar em sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Jesse pr\u00e9-Grammy n\u00e3o era um tanto aleat\u00f3rio artisticamente? \u201cN\u00e3o acho. Acredito que criei minhas pr\u00f3prias oportunidades, inclusive ap\u00f3s o Grammy. M\u00fasica \u00e9 algo muito ligado \u00e0 criatividade e tamb\u00e9m ao exerc\u00edcio de manter esse processo de cria\u00e7\u00e3o. Deve-se criar algo. E isso \u00e9 pra todos, n\u00e3o importa muito o que voc\u00ea \u00e9 ou o que ganhou\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com o lan\u00e7amento de &#8220;Sub Rosa&#8221;, Harris ousa falar do pr\u00f3ximo CD quando questionado sobre sua proximidade com temas menos soft da m\u00fasica contempor\u00e2nea de seu pa\u00eds. O hip-hop rascante dos californianos do coletivo Odd Future, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o ou\u00e7o. Costumava ouvir a Tribe Called Quest. Mas n\u00e3o hoje. Muita raiva, viol\u00eancia e vulgaridade. Eu gosto de artes diversas, mas hoje n\u00e3o consigo mais\u201d. E o contempor\u00e2neo daqui? O funk? O tecnobrega? \u201cSe eu estiver em uma festa, OK\u201d. E o contempor\u00e2neo de outros lugares? James Blake e a rela\u00e7\u00e3o da m\u00fasica com o sil\u00eancio, talvez?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSim, concordo! Gosto dele. Ali\u00e1s, meu pr\u00f3ximo \u00e1lbum ser\u00e1 quase quieto\u201d. Esse poderia ser mais um clich\u00ea. Mas ao compartilhar com o baterista Bill Dobrow sua fascina\u00e7\u00e3o com a possibilidade de tocar nas pe\u00e7as do museu, Harris est\u00e1 confirmando que seu contato com o passado vai se tornando desculpa para desconstruir sua carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/RzAe-5YBD_Q\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/RzAe-5YBD_Q\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Entrevista publicada pelos jornalistas Eduardo Lemos (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/pitacosperdidos\" target=\"_blank\">@pitacosperdido<\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/pitacosperdidos\" target=\"_blank\">s<\/a>) e Yuri de Castro (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/yuridecastro\" target=\"_blank\">@yuridecastro<\/a>) originalmente no site da <a href=\"http:\/\/www.saraivaconteudo.com.br\/\" target=\"_blank\">Saraiva Conte\u00fado<\/a>, e liberada para republica\u00e7\u00e3o aqui pelos autores<a href=\"http:\/\/www.saraivaconteudo.com.br\/\" target=\"_blank\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Eduardo Lemos e Yuri de Castro\nJesse gravou seu trabalho mais recente, &#8220;Sub Rosa&#8221;, no Brasil, e mergulhou na produ\u00e7\u00e3o brasileira contempor\u00e2nea\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/08\/o-simpatico-jesse-harris\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16745"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16745"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16754,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16745\/revisions\/16754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}