{"id":16709,"date":"2012-12-05T09:25:43","date_gmt":"2012-12-05T12:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=16709"},"modified":"2018-10-30T08:55:41","modified_gmt":"2018-10-30T11:55:41","slug":"um-tributo-para-woody-guthrie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/05\/um-tributo-para-woody-guthrie\/","title":{"rendered":"Um tributo para Woody Guthrie"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16710\" title=\"woody\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/woody.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adriano Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1995, o cantor e compositor ingl\u00eas Billy Bragg recebeu um convite tentador: musicar poemas in\u00e9ditos do cantor folk Woody Guthrie, falecido em 3 de outubro de 1967. Guthrie, um \u00edcone da m\u00fasica de protesto nos Estados Unidos, influenciou nomes como Bob Dylan, Bruce Springsteen, Joe Strummer (The Clash) e o pr\u00f3prio Billy Bragg, que aceitou o pedido feito pela filha de Woody, Nora Guthrie. Bragg dividiu o trabalho com o Wilco, que serviu como banda de apoio, e 46 can\u00e7\u00f5es foram gravadas em 1998 (soma-se &#8220;The Jolly Bunker&#8221;, \u00fanica recente, de 2009) resultando em tr\u00eas volumes: \u201cMermaid Avenue\u201d (1998), \u201cVol. II\u201d (2000) e \u201cVol. III\u201d (2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, antes do projeto ser oferecido a Billy Bragg, foi feito o mesmo convite para Jay Farrar e o seu Son Volt. \u00c9 bom lembrar que Jay Farrar e Jeff Tweedy, do Wilco, faziam parte da mesma banda, a \u00f3tima Uncle Tupelo, que durou at\u00e9 1994. Quando o trio Uncle Tupelo (que ainda contava com o baterista Mike Heidorn) encerrou as atividades, Tweedy montou o Wilco (cujo primeiro \u00e1lbum, \u201cA.M.\u201d, seria lan\u00e7ado em 1995) e Farrar formou a Son Volt, que estreou com \u201cTrace\u201d, tamb\u00e9m de 1995, ano em que Nora procurava nomes de relev\u00e2ncia do cen\u00e1rio musical para colocar melodia nos velhos poemas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fBRtXVyESQ0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Billy Bragg e Wilco acabaram fazendo um grande sucesso com o projeto \u201cMermaid Avenue\u201d, que foi nomeado ao Grammy de melhor \u00e1lbum folk contempor\u00e2neo, rendeu um document\u00e1rio (\u201cMan In The Sand\u201d, 1999), uma turn\u00ea conjunta e at\u00e9 uma reedi\u00e7\u00e3o caprichada neste ano, com os dois \u00e1lbuns originais mais um disco b\u00f4nus de sobras das sess\u00f5es e um DVD &#8211; chamada \u201cMermaid Avenue &#8211; The Complete Sessions\u201d. E, em 2012, Jay Farrar (que ainda mant\u00e9m o Son Volt e lan\u00e7a seus pr\u00f3prios discos solo) teve novamente a chance de visitar o ba\u00fa do \u00eddolo, e dessa vez n\u00e3o vacilou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convidado por Nora Lee Guthrie, que al\u00e9m de filha de Woody \u00e9 irm\u00e3 do tamb\u00e9m cantor e compositor Arlo Guthrie, Jay Farrar se p\u00f4s a fu\u00e7ar os arquivos para organizar esse projeto, com o intuito de comemorar o centen\u00e1rio de nascimento do homenageado. Assim come\u00e7ou a nascer o \u00e1lbum \u201cNew Multitudes\u201d, lan\u00e7ado pela Rounder Records no come\u00e7o do ano e feito em parceira com os velhos amigos Will Johnson (Centro-matic), Anders Parker (Varnaline e Gob Iron) e Yim Yames (My Morning Jacket e Monsters Of Folk).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_0s9kuUVsm4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNew Multitudes\u201d oferece 12 can\u00e7\u00f5es na sua vers\u00e3o comum (existe tamb\u00e9m uma vers\u00e3o deluxe), forjadas tanto individualmente quanto em conjunto pelos envolvidos. Jay Farrar pesquisou mais de 3 mil textos de Woody e como inspira\u00e7\u00e3o usou de cadernos at\u00e9 revistas, desenhos e pinturas. Com produ\u00e7\u00e3o de John Agnello (Sonic Youth, Dinosaur Jr.), temos um \u00e1lbum que trilha estradas bem distantes do que poderia ser oportunismo e se consolida al\u00e9m da homenagem como um registro particular e independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jay Farrar abre com \u201cHoping Machine\u201d, uma can\u00e7\u00e3o sobre ser convicto e forte nos seus desejos e que tem o belo verso: \u201cA m\u00fasica \u00e9 a linguagem da mente que viaja\u201d. Em \u201cMy Revolutionary Mind\u201d, Jim James evoca os protestos de Guthrie e correlaciona isso com o desejo por uma \u201cmulher progressista\u201d. \u201cNo Fear\u201d traz Will Johnson cantando sobre medo e morte, enquanto \u201cAngel\u2019s Blues\u201d vem pesada, com guitarras densas e Anders Parker misturando saudade, orgulho e promessas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/otHd4PsNMIE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo disco que aparece na vers\u00e3o deluxe mostra 11 composi\u00e7\u00f5es (uma 24\u00aa m\u00fasica, &#8220;Let&#8217;s Multiply\u201d, foi lan\u00e7ada como single em vinil apenas no Record Store Day), dessa vez somente com Jay Farrar e Anders Parker, mant\u00e9m o n\u00edvel elevado, se mostrando t\u00e3o obrigat\u00f3rio quanto o primeiro. Nele, os temas explorados v\u00e3o de guerra nuclear em \u201cWord\u2019s On Fire\u201d at\u00e9 prostitui\u00e7\u00e3o em \u201cSan Antone Meat House\u201d. A sonoridade das faixas habita o mesmo universo explorado pelos criadores, indo do folk ao alt-country, com um p\u00e9 no blues e no rock \u2013 sem medo de soar pop aqui ou acol\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNew Multitudes\u201d \u00e9 o tipo de \u00e1lbum que prende a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte por completo. Seja pelo encanto das melodias ou pelas letras bem constru\u00eddas. Uma elegante homenagem a Woody Guthrie que est\u00e1 no mesmo n\u00edvel da j\u00e1 citada s\u00e9rie \u201cMermaid Avenue\u201d, s\u00f3 que com lados um pouco mais escuros. Com isso, o legado fundamental daquele que dizia que seu viol\u00e3o era \u201cuma m\u00e1quina de matar fascistas\u201d, se prolonga e tamb\u00e9m se amplia para novos p\u00fablicos, novas terras prometidas, novas multid\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16711\" title=\"woody1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/woody1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"432\" \/><\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&#8211; Adriano Mello Costa (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@coisapop<\/a> no Twitter) e assina o blog de cultura <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coisa Pop<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cMr. Love and Justice\u201d, de Billy Bragg: mais amor do que pol\u00edtica (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/03\/09\/mr-love-and-justice-billy-bragg\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;The Whole Love\u201d tira o Wilco da monotonia dos discos anteriores (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/15\/cds-the-whole-love-wilco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jay Farrar, Will Johnson, Anders Parker e Yim Yames invadem o ba\u00fa de Woody Guthrie e saem com um disco inesquec\u00edvel\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/05\/um-tributo-para-woody-guthrie\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1190],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16709"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16709"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16709\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49097,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16709\/revisions\/49097"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}