{"id":16647,"date":"2012-12-03T00:40:45","date_gmt":"2012-12-03T03:40:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=16647"},"modified":"2017-12-03T00:15:51","modified_gmt":"2017-12-03T02:15:51","slug":"cinema-as-vantagens-de-ser-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/03\/cinema-as-vantagens-de-ser-invisivel\/","title":{"rendered":"Cinema: As Vantagens de Ser Invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16648\" title=\"vantagens\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantagens.jpg\" alt=\"\" width=\"308\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantagens.jpg 308w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantagens-231x300.jpg 231w\" sizes=\"(max-width: 308px) 100vw, 308px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme indie da temporada: tem um roteiro brilhante (adaptado e dirigido pelo pr\u00f3prio autor), trilha sonora esperta (que flagra alguns cl\u00e1ssicos, mas centra sua for\u00e7a no pop rock e no pior dos 40 mais da virada dos anos 80 para os 90) e excelentes atua\u00e7\u00f5es de um grupo \u201cnovato\u201d de atores. Ok, voc\u00ea j\u00e1 leu\/viu isso antes&#8230; v\u00e1rias vezes. Desta forma, \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d (&#8220;The Perks of Being a Wallflower&#8221;, 2012) merece melhor defini\u00e7\u00e3o: \u00e9 um cl\u00e1ssico moderno sobre os traumas do amadurecimento (T\u00e1, isso voc\u00ea tamb\u00e9m j\u00e1 leu, mas sigamos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor Stephen Chbosky lan\u00e7ou \u201cThe Perks of Being a Wallflower\u201d em 1999, e o livro virou um best seller. Com os direitos vendidos para Hollywood, os produtores Lianne Halfon, Russell Smith e John Malkovich (ele mesmo) decidiram convidar o pr\u00f3prio escritor, que j\u00e1 havia dirigido um filme independente em 1995, para dirigir a adapta\u00e7\u00e3o para o cinema, e a escolha n\u00e3o poderia ter sido mais acertada. Com m\u00e3o cuidadosa e um respeito raro aos personagens, Chbosky fez um filme delicado, s\u00e9rio e extremamente profundo sobre o come\u00e7o da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo no in\u00edcio da trama somos apresentados a Charlie (Logan Lerman), um jovem depressivo que anuncia ter problemas: no momento em que o filme come\u00e7a ele est\u00e1 escrevendo uma carta para seu melhor amigo&#8230; que se suicidou. Charlie est\u00e1 naquela fase complicada da adolesc\u00eancia (principalmente nos Estados Unidos), em que voc\u00ea deixa o primeiro grau da escola e parte para o colegial. Ele n\u00e3o tem amigos, n\u00e3o \u00e9 de falar muito, e entra no col\u00e9gio contando quantos dias faltam para a tortura terminar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, com um olhar esperto (e interessante sentimento de classe), Charlie se aproxima dos veteranos losers, e cria um la\u00e7o de amizade forte com dois deles: Patrick (Ezra Miller, excelente) e Sam (Emma Watson, surpreendente). Chbosky explora muito bem a sensa\u00e7\u00e3o de estar em uma turma, e cria divertidos incidentes para seu personagem principal, como a primeira viagem de drogas, que decorre de uma cena t\u00e3o comum, mas filmada de forma interessante e sem invencionices, que chega a comover (e, claro, faz rir&#8230; muito).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16652\" title=\"vantanges1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantanges1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantanges1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantanges1-300x175.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa parte de \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d lembra o adolescente nos anos 80 descrito por Andr\u00e9 Takeda na s\u00e9rie de contos publicada no Scream &amp; Yell (leia, depois, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/pms_cnts\/tkum.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>). \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento misturada com a for\u00e7a inconteste da primeira paix\u00e3o, algo que move inocentemente Charlie ao amadurecimento (um dia voc\u00ea est\u00e1 jogando bolinha de gude, no outro, apaixonado perdidamente por uma garota que tem namorado, e que muitas vezes n\u00e3o quer nada com voc\u00ea al\u00e9m de&#8230; amizade. Algu\u00e9m falou em <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/03\/29\/remexendo-textos-antigos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alison<\/a>?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chbosky busca valorizar os personagens, e a maneira como Sam surge na tela \u00e9 inesquec\u00edvel \u2013 mesmo que a cena tenha sido feita centenas de vezes no cinema. Funciona maravilhosamente bem. O mesmo acontece com os diversos n\u00facleos narrativos da hist\u00f3ria. H\u00e1 um personagem principal, mas Chbosky leva sua narrativa al\u00e9m, aprofundando tem\u00e1ticas (rejei\u00e7\u00e3o, homossexualidade, bullying) e conseguindo brilhantemente abrir e fechar passagens num roteiro complicado com tantos personagens &#8211; sem torna-los caricatos e piegas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se fosse apenas isso, \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d seria mais um filme indie em que a genialidade do roteirista iria compensar a pouca grana da produ\u00e7\u00e3o construindo uma grande hist\u00f3ria. Chbosky vai al\u00e9m. Ele faz o espectador acreditar por um longo tempo que est\u00e1 assistindo a mais um \u201c500 Dias Com Ela\u201d, \u201cJuno\u201d ou \u201cPequena Miss Sunshine\u201d, quando, de repente, cria um ambiente digno de \u201cO Sexto Sentido\u201d, e abre uma nova perspectiva para a hist\u00f3ria, amplificando a discuss\u00e3o sobre amadurecimento de forma inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 tudo muito s\u00fatil, e perspicazmente \u00f3bvio. Assim como em \u201cO Sexto Sentido\u201d, as migalhas de p\u00e3o foram deixadas pelo caminho. O que Chbosky prop\u00f5e com \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d \u00e9 algo que muita pouca gente conseguiu fazer sem parecer carola ou assustador demais. Com uma leveza surpreendente, Chbosky coloca em pauta um dos (prov\u00e1veis) assuntos mais delicados do mundo moderno, e faz isso sem parecer rid\u00edculo ou piegas. \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d usa uma hist\u00f3ria cl\u00e1ssica de amadurecimento para discutir&#8230; respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16654\" title=\"vantanges2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantanges2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantanges2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/vantanges2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizendo assim pode parecer bobagem \u2013 acredite, n\u00e3o \u00e9. Boa parte dos traumas do mundo moderno, por diversos motivos, acontecem no n\u00facleo familiar, o microcosmo da sociedade, o primeiro passo que o ser-humano d\u00e1 sem saber que ainda est\u00e1 andando. Chbosky discursa com sobriedade sobre este per\u00edodo, e, no panorama atual, \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d \u00e9 um dos filmes mais interessantes que surge em muito, muito tempo. Merece ser indicado ao Oscar (no m\u00ednimo) nas categorias filme, diretor, roteiro e ator coadjuvante (Ezra Miller).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tudo sem falar na trilha sonora. \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d flagra um per\u00edodo long\u00ednquo, em que o Google n\u00e3o existia, e uma m\u00fasica tocada no r\u00e1dio ficava na lembran\u00e7a do ouvinte por meses e meses e meses (e ele n\u00e3o tinha como procurar e descobrir). Era uma \u00e9poca sem telefones celulares, com m\u00e1quinas de escrever e livros impressos em papel. E, tamb\u00e9m, uma \u00e9poca de The Smiths, Sonic Youth, Pavement, Galaxie 500, Love and Rockets, XTC, New Order, L7, Cocteau Twins e Throwing Muses, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah, claro, e David Bowie. Desde a dobradinha \u201cDogville&#8221; e &#8220;Manderlay\u201d, de Lars Von Trier, uma can\u00e7\u00e3o de Bowie (talvez a sua melhor can\u00e7\u00e3o, e uma das can\u00e7\u00f5es mais lindas j\u00e1 escritas) n\u00e3o era t\u00e3o bem usada no cinema \u2013 isso sem contar no n\u00famero de livros citados durante a proje\u00e7\u00e3o, e que merecem (devem) serem lidos. Junto a tudo isso, o escritor, roteirista e diretor Stephen Chbosky crava uma frase meio Beatles no hemisf\u00e9rio direito do c\u00e9rebro do espectador: &#8220;N\u00f3s aceitamos o amor que pensamos merecer&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu primeiro grande filme, Chbosky conseguiu realizar um cl\u00e1ssico moderno sobre adapta\u00e7\u00e3o, maturidade e adolesc\u00eancia. \u201cAs Vantagens de Ser Invis\u00edvel\u201d \u00e9 tamb\u00e9m, desde j\u00e1, um dos melhores (e mais profundos) filmes dos \u00faltimos anos sobre&#8230; fam\u00edlia. Merece aplausos na sess\u00e3o, mesmo sem que o diretor\/escritor (muito provavelmente) esteja presente, afinal estamos aplaudindo a n\u00f3s mesmos, e ao nosso crescimento. Por fim, n\u00e3o \u00e9 todo dia que um f\u00e3 de Taylor Swift e Paula Fernandes pode sair do cinema ouvindo uma can\u00e7\u00e3o pop de alta qualidade. Chbosky prova que n\u00f3s podemos ser her\u00f3is por um dia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mZyNG6O7apg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Juno&#8221;: precocemente madura e exageradamente espirituosa, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/02\/10\/juno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;500 Dias Com Ela&#8221;: o mundo n\u00e3o acaba quando um relacionamento acaba, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/11\/09\/500-dias-com-ela-de-mark-webb\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Manderlay&#8221;: Lars Von Trier continua sendo o c\u00ednico de sempre, por Danilo Corci (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/manderlay.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Um Adolescente nos anos 80&#8221;, s\u00e9rie de 10 textos por Andr\u00e9 Takeda (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/pms_cnts\/tkum.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Teoria de Alison e Relfex\u00f5es Alis\u00f4nicas, por Miguel F. Luna (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/03\/29\/remexendo-textos-antigos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEm seu primeiro grande filme, Stephen Chbosky cria um cl\u00e1ssico moderno sobre adapta\u00e7\u00e3o, maturidade e adolesc\u00eancia\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/03\/cinema-as-vantagens-de-ser-invisivel\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":45272,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16647"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16647"}],"version-history":[{"count":36,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16647\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45273,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16647\/revisions\/45273"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}