{"id":16579,"date":"2012-11-28T16:28:12","date_gmt":"2012-11-28T18:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=16579"},"modified":"2021-08-17T01:19:19","modified_gmt":"2021-08-17T04:19:19","slug":"entrevista-beto-villares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/28\/entrevista-beto-villares\/","title":{"rendered":"Entrevista: Beto Villares"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16593\" title=\"beto1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/beto1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"461\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/pitacosperdidos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Lemos<\/a> e <a href=\"https:\/\/twitter.com\/yuridecastro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yuri de Castro<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que voc\u00ea j\u00e1 teve contato com a obra de Beto Villares, mesmo que n\u00e3o reconhe\u00e7a esse nome \u00e0 primeira audi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o dele as m\u00fasicas que d\u00e3o vida a filmes como &#8220;Cidade Baixa&#8221;, &#8220;Ant\u00f4nia&#8221;, &#8220;O Ano em Que Meus Pais Sa\u00edram de F\u00e9rias&#8221; e do recente &#8220;Xingu&#8221;, e das miniss\u00e9ries &#8220;Cidade dos Homens&#8221; e &#8220;Filhos do Carnaval&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beto tamb\u00e9m \u00e9 um dos mais festejados produtores da m\u00fasica brasileira, tendo como crias alguns \u00e1lbuns de Pato Fu, C\u00e9U, Z\u00e9lia Duncan, Siba e Rodrigo Campos, dentre outros. E \u00e9 dele, por fim, a dire\u00e7\u00e3o musical do espet\u00e1culo que celebrou a passagem da bandeira ol\u00edmpica de Londres para o Rio de Janeiro, nas festas de encerramento das Olimp\u00edadas (agosto) e das Paralimp\u00edadas (setembro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconhecido como um ex\u00edmio produtor de est\u00fadio, foi fora deles que o compositor teve a maior das li\u00e7\u00f5es musicais de sua vida. Entre 1998 e 2007, Villares se juntou ao antrop\u00f3logo Hermano Vianna para visitar 82 munic\u00edpios brasileiros em busca de ritmos e express\u00f5es sonoras pouco ou nunca reconhecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A saga transformou-se no projeto \u201cM\u00fasica do Brasil\u201d, resultando em uma caixa de quatro CDs e quinze epis\u00f3dios para TV, com a participa\u00e7\u00e3o de Gilberto Gil. Tantas viagens fizeram Beto criar respeito pelo improviso e aprender que, quase sempre, um bom trabalho de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 aquele em que n\u00e3o se produz al\u00e9m da conta. \u201cEu tento evitar isso para que n\u00e3o fique com cara de algo estudado na universidade\u201d, diz ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro de uma trajet\u00f3ria t\u00e3o rica, por\u00e9m, h\u00e1 um tesouro escondido: sua estreia autoral com o \u00e1lbum &#8220;Excelentes Lugares Bonitos&#8221;, lan\u00e7ado no Brasil em 2003 pela Ambulante Discos e, nos EUA, pela Six Degrees Records e Urban Jungle Records em 2008, quando recebeu cr\u00edtica elogiosa do New York Times. \u201cEste disco deve ser celebrado mesmo com cinco anos de atraso\u201d, diz a resenha do jornal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Excelentes Lugares Bonitos&#8221; apresenta 15 faixas que misturam diferentes vertentes musicais brasileiras no caldeir\u00e3o de ritmos e texturas origin\u00e1rios do cancioneiro africano. Produzindo a si mesmo, Beto demonstra sua peculiar capacidade de apropriar-se da tecnologia na mesma medida em que faz sua m\u00fasica soar despretensiosa e r\u00fastica. Doze can\u00e7\u00f5es s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias (as exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cRedentor\u201d, \u201cNa\u00e7\u00e3o Postal\u201d e \u201cLume\u201d, cujas letras s\u00e3o de Z\u00e9lia Duncan, C\u00e9U e Siba, respectivamente). Ainda h\u00e1 Fernanda Takai, Z\u00e9lia Duncan, C\u00e9U e Siba contribuindo com suas vozes, al\u00e9m de Ant\u00f4nio Pinto (baixo e viol\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista, Beto Villares analisa o trabalho do produtor na era da internet, revela os planos para um novo \u00e1lbum em 2013 e explica como suas viagens pelo Brasil influenciaram seu modo de se relacionar com a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/iGnNpA2oe1A\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/iGnNpA2oe1A\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Excelentes Lugares Bonitos&#8221; fala muito sobre cidades brasileiras e revela um clima de descoberta do pa\u00eds. Qual o impacto de suas andan\u00e7as pelo Brasil no resultado final do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nJamais teria feito um disco assim se n\u00e3o tivesse feito o \u201cM\u00fasica do Brasil\u201d [projeto de Beto junto ao antrop\u00f3logo Hermano Vianna, em que ambos rodaram o Brasil e registraram manifesta\u00e7\u00f5es musicais em 82 munic\u00edpios]. Aquilo foi um choque positivo e inspirador, que me deu muito assunto, um conhecimento de diversos estilos musicais brasileiros e trouxe um gosto pelo som mais tosco. Tamb\u00e9m me deu muitos exemplos de motiva\u00e7\u00f5es fortes para fazer m\u00fasica, como se ela fosse parte de uma fun\u00e7\u00e3o, de uma festa. Desde ent\u00e3o, o est\u00fadio virou o meu &#8220;terreiro&#8221;, a minha &#8220;festa&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como essas descobertas afetaram sua forma de compor e arranjar as can\u00e7\u00f5es de &#8220;Excelentes Lugares Bonitos&#8221;?<\/strong><br \/>\nMe afetou muito e continua a afetar pela for\u00e7a da simplicidade, pela beleza de melodias fortes em cima de batidas percussivas, pela busca de sons inusitados. Mas \u00e9 algo tamb\u00e9m mais sutil, eu nunca fiz um maracatu, ou um frevo, ou um batuque &#8220;puro&#8221;. Eu sempre tento fazer algo que vem de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O resultado final do \u00e1lbum \u00e9 um brilhante exemplo do uso da tecnologia que se mistura a um certo ar rural, quase amador, das grava\u00e7\u00f5es \u2013 uma marca sua, ali\u00e1s, que vemos tamb\u00e9m nos dois primeiros discos da C\u00e9U, por exemplo. Exclusivamente no \u00e1lbum, como foi o trabalho de equilibrar esses dois lados?<\/strong><br \/>\nEu acho que quando a gente afina e arruma demais os arranjos \u2013 em busca de uma limpeza pop \u2013, a gente acaba perdendo essa sensa\u00e7\u00e3o &#8220;rural&#8221;. Eu tento evitar isso e tento achar o ponto em que algo j\u00e1 est\u00e1 bom, que n\u00e3o precisa mais de corre\u00e7\u00f5es, justamente para que n\u00e3o fique muito certinho, arrumadinho, com cara de algo estudado na universidade (nada contra o estudo, mas quando se estuda muito, \u00e9 bom cair na vida um pouco para esquecer as regras!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea passou pela experi\u00eancia de ir para os palcos defender suas can\u00e7\u00f5es. O que essa experi\u00eancia acrescentou ao seu trabalho como produtor?<\/strong><br \/>\nAcrescentou a no\u00e7\u00e3o de que nem tudo que a gente faz no est\u00fadio a gente pode defender no palco. Est\u00fadio \u00e9 caverna, \u00e9 laborat\u00f3rio. Palco \u00e9 comunh\u00e3o. E a comunh\u00e3o deve come\u00e7ar com algo que vem muito forte, quase espiritual, quase um transe (isso seria o ideal!). Eu agora estou compondo e elaborando mais as novas composi\u00e7\u00f5es, pensando no sentido da minha execu\u00e7\u00e3o ao vivo, do tocar, do cantar. Mais do que do produzir muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco \u00e9 recheado de participa\u00e7\u00f5es femininas (Fernanda Takai, C\u00e9U, An\u00e9lis Assump\u00e7\u00e3o), e dividir vozes com mulheres, normalmente, implica em achar um tom que equilibre as pot\u00eancias vocais dos dois lados. Como foi esta escolha das cantoras e as particularidades de dividir o vocal com mulheres?<\/strong><br \/>\nNunca pensei nisso! Acho que n\u00e3o tem uma raz\u00e3o espec\u00edfica, foi uma coincid\u00eancia. Mas, de qualquer maneira, como gosto de cantar numa regi\u00e3o mais grave, isso d\u00e1 um contraponto bonito, completando o espectro das frequ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/O2vFi3PvFWg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/O2vFi3PvFWg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras abordam temas diversos, desde reflex\u00f5es sobre o futuro (em \u201cIncerteza\u201d) at\u00e9 odes ao Rio de Janeiro (\u201cRedentor\u201d, \u201cRio da Bossa Nova\u201d). Com a maior parte do tempo atuando como produtor e compositor de trilhas sonoras, como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com as palavras e com o exerc\u00edcio de escrever letras?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei nem te explicar como eu fiz um disco de can\u00e7\u00f5es, pois sou primariamente ligado ao som. Mas a import\u00e2ncia das letras e das palavras, e, consequentemente, da mensagem, \u00e9 algo que eu estou me ligando cada vez mais, embora continue sempre ligado ao som e ao impacto sonoro que algo tem sobre mim e sobre os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Excelentes Lugares Bonitos&#8221; foi lan\u00e7ado em 2003, per\u00edodo em que o formato CD ia perdendo suas \u00faltimas for\u00e7as para o download gratuito na internet. Muitos diziam que ali come\u00e7ava a tomar forma um processo de democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, onde artistas teriam mais ferramentas para trabalhar e o p\u00fablico, mais acesso a esses artistas. Nesses quase dez anos que nos separam de l\u00e1, voc\u00ea acha que a m\u00fasica tornou-se mais democr\u00e1tica?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei. Estamos no meio da mudan\u00e7a ainda, no meio do redemoinho, mas sem d\u00favida h\u00e1 uma abund\u00e2ncia de artistas, de discos e sites de compartilhamento de m\u00fasica. Existe uma mudan\u00e7a radical tamb\u00e9m no comportamento do p\u00fablico. A grande maioria das pessoas abaixo dos 30 anos de idade nunca vai comprar m\u00fasica, e n\u00e3o v\u00ea nenhuma raz\u00e3o para pagar para ter uma can\u00e7\u00e3o. \u00c9 simples assim, cada um que se vire nesse novo mundo ainda sem modelo. Particularmente, acho que, ao contr\u00e1rio do que se poderia esperar e pelo excesso de discos produzidos, est\u00e1 dif\u00edcil peneirar o que vale a pena e o que n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea planeja o sucessor de &#8220;Excelentes Lugares Bonitos&#8221;?<\/strong><br \/>\nSim! Ele ser\u00e1 mais ligado ao tocar. Eu tenho m\u00fasicas que existem h\u00e1 dois anos e nunca foram gravadas, est\u00e3o aqui no meu &#8220;hard disk&#8221; entre as orelhas. N\u00e3o que n\u00e3o v\u00e1 haver edi\u00e7\u00f5es, samples e remixagens, mas a for\u00e7a da m\u00fasica, a conex\u00e3o dela comigo e com meu interior, espero, ser\u00e3o maiores!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje temos um n\u00famero impressionante de artistas lan\u00e7ando discos e fazendo shows, mas poucos dominam a programa\u00e7\u00e3o das r\u00e1dios, mesmo as daquelas que s\u00e3o dedicadas \u00e0 MPB. A que voc\u00ea atribui esse distanciamento?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para come\u00e7ar, acho que MPB tem sido um t\u00edtulo\/r\u00f3tulo que j\u00e1 n\u00e3o ajuda muito, porque a nova m\u00fasica &#8220;pop&#8221; brasileira inclui de rock experimental a bai\u00e3o, passando pelo brega e pelo samba. Eu acho que h\u00e1 alguns anos temos poucos programas \u2013 e algumas poucas r\u00e1dios \u2013 que ainda t\u00eam uma programa\u00e7\u00e3o que inclui novas m\u00fasicas brasileiras, populares. Isso j\u00e1 \u00e9 melhor que nada! Tem a Patr\u00edcia Palumbo [jornalista da r\u00e1dio Estad\u00e3o], a Roberta Martinelli [apresentadora do programa Cultura Livre, da R\u00e1dio Cultura] e outros. O distanciamento com o que faz grande sucesso \u00e9 natural, porque o grande sucesso s\u00f3 acontece com muito investimento de dinheiro, estrat\u00e9gia, marketing e por a\u00ed afora. E isso, geralmente, n\u00e3o \u00e9 o caso da m\u00fasica \u201calternativa\u201d, nova, ou da &#8220;nova MPB&#8221;. \u00c9 at\u00e9 curioso, porque muito do melhor da boa e velha MPB foi feito com investimento de gravadoras, mas de uma outra maneira, num outro mundo, que n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/k_XbA8DwQdI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/k_XbA8DwQdI\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu disco \u00e9 filho de uma pesquisa. E a m\u00fasica que surge de uma pesquisa traduz-se quase sempre como algo muito diferente do que o ambiente vem produzindo. A m\u00fasica brasileira tem uma cultura de compositores-pesquisadores (de ritmos, linguagens, varia\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas). Voc\u00ea consegue enxergar algu\u00e9m novo com esse esp\u00edrito?<\/strong><br \/>\nAcho que sim, tem muita gente diferente, alguns surgindo agora. Tem muita gente pesquisando linguagens musicais, estilos, maneiras de produzir e gravar. Nunca se pensou e se gravou tanto no Brasil. A quest\u00e3o \u00e9 como vamos conhecer essas m\u00fasicas e pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Brasil vive um momento musical diversificado. Na sua vis\u00e3o, quais s\u00e3o os diferenciais mais interessantes de um produtor musical? E quais os desafios que ele encontra atualmente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que o maior diferencial \u00e9 o ouvido do p\u00fablico. Grandes produtores fazem discos que soam bem! Eu n\u00e3o me canso de admitir que tenho muito o que aprender com eles. Ent\u00e3o, no mundo contempor\u00e2neo, o produtor tem de ter cultura musical e cultura da arte da produ\u00e7\u00e3o musical. E isso \u00e9 muito mais f\u00e1cil hoje em dia, pela quantidade de document\u00e1rios, discos e de material did\u00e1tico, de livros, biografias&#8230; Temos um passado de v\u00e1rias d\u00e9cadas maravilhosas de cultura pop e um presente de muitas possibilidades t\u00e9cnicas, de autodifus\u00e3o pela internet. Nesse contexto, acho que o maior desafio do produtor \u00e9 fugir do puro experimentalismo e, ao mesmo tempo, n\u00e3o ser apenas um \u201cretroman\u00edaco\u201d. Vejo um desafio tamb\u00e9m para o p\u00fablico: como peneirar, conhecer e ainda ouvir tamb\u00e9m os &#8220;cl\u00e1ssicos&#8221; brasileiros e estrangeiros de toda m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, voc\u00ea foi diretor musical dos espet\u00e1culos de apresenta\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro no encerramento das Olimp\u00edadas de Londres. Como foi essa experi\u00eancia? J\u00e1 tinha participado de algo assim?<\/strong><br \/>\nFoi uma experi\u00eancia muito boa! \u00c9 um evento muito grande, muito significativo, o som \u00e9 enorme, a difus\u00e3o na TV \u00e9 gigante&#8230; \u00c9 uma responsabilidade diferente. Eu aprendi muito sobre esse tipo de espet\u00e1culo, sobre o som em lugares gigantes como um est\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viajando quatro anos \u00e0 frente e desembarcando no encerramento das Olimp\u00edadas de 2016, no Rio: se voc\u00ea pudesse escolher um artista brasileiro, como os ingleses escolheram Paul McCartney como representante m\u00e1ximo da cultura deles, quem seria?<\/strong><br \/>\nDif\u00edcil demais! Sinceramente, falando em Rio de Janeiro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque tem samba, funk das antigas, funk atual, velhas guardas, \u2018novos baianos\u2019 que l\u00e1 foram morar&#8230; E tem o legado do Tom Jobim, do Jo\u00e3o Gilberto. Tem o Jorge Ben, Escola de Samba e seus mestres geniais. Agora, se abrirmos para falar de cultura brasileira, piorou, n\u00e9? A\u00ed tem artistas do Norte, do Nordeste, do Sul e do Centro Oeste tamb\u00e9m&#8230; Com todo respeito, acho que \u00e9 mais f\u00e1cil para os ingleses. O lance deles \u00e9 pop e rock, e tem os Beatles!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, ouvi de um professor de Cinema que Produ\u00e7\u00e3o de Trilhas Sonoras \u00e9 a \u00e1rea que mais se ressente de pessoas qualificadas e especializadas. Quais os principais atributos para quem quer seguir e se consolidar nesse ramo? O que te motiva a compor para cinema?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No sentido de produ\u00e7\u00e3o, trilha sonora \u00e9 algo bem diferente. O m\u00fasico e a m\u00fasica s\u00e3o partes da trilha sonora, assim como o diretor do filme, o montador, o editor de m\u00fasica, o som do filme e a mixagem. \u00c9 um trabalho \u00e1rduo e longo, que s\u00f3 passa a existir quando o filme est\u00e1 pronto! Ent\u00e3o, o principal atributo \u00e9 conhecer o processo, conhecer as trilhas de grandes filmes, entender as diferen\u00e7as estil\u00edsticas e os diferentes efeitos que uma m\u00fasica tem dentro da narrativa cinematogr\u00e1fica. Eu adoro cinema e adoro m\u00fasica de cinema. \u00c9 uma m\u00fasica que conta com outros elementos, o que, na verdade, poderia se aplicar ao nosso dia a dia. Ela daria espa\u00e7o para as nossas conversas, para os sons da rua, de casa&#8230; Cada trilha sonora tem que ter uma identidade sonora que tenha a ver com o filme. Eu gosto muito desse trabalho de criar uma palheta de sons pra m\u00fasica do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/N6IGSGQ4BXc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/N6IGSGQ4BXc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zOGLRfy0Clg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zOGLRfy0Clg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FuZDf91yE9g\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FuZDf91yE9g\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kIC7LwtjQRA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kIC7LwtjQRA\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Entrevista publicada pelos jornalistas Eduardo Lemos (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/pitacosperdidos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@pitacosperdido<\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/pitacosperdidos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s<\/a>) e Yuri de Castro (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/yuridecastro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@yuridecastro<\/a>) originalmente no site da <a href=\"http:\/\/www.saraivaconteudo.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saraiva Conte\u00fado<\/a>, e liberada para republica\u00e7\u00e3o aqui pelos autores<a href=\"http:\/\/www.saraivaconteudo.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista: C\u00e9u -&gt; &#8220;N\u00f3s somos uma gera\u00e7\u00e3o transacional&#8221;, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/24\/entrevista-ceu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista: John Ulhoa, do Pato Fu -&gt; &#8220;Como essa porra deu certo?&#8221;, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/25\/entrevista-john-ulhoa-pato-fu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Eduardo Lemos e Yuri de Castro\n\u00c9 certo que voc\u00ea j\u00e1 teve contato com a obra de Beto Villares, mesmo que n\u00e3o reconhe\u00e7a esse nome \u00e0 primeira audi\u00e7\u00e3o&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/28\/entrevista-beto-villares\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16579"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16579"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16579\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62008,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16579\/revisions\/62008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}