{"id":16552,"date":"2012-11-26T08:52:14","date_gmt":"2012-11-26T11:52:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=16552"},"modified":"2017-11-26T09:43:48","modified_gmt":"2017-11-26T11:43:48","slug":"entrevista-ben-kweller","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/26\/entrevista-ben-kweller\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ben Kweller"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16553\" title=\"benkweller\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/benkweller.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/benkweller.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/benkweller-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da cara de moleque que mostra na capa de seus discos, o norte-americano Ben Kweller j\u00e1 pode ser chamado de um veterano do rock alternativo. Aos 31 anos, ele j\u00e1 foi menino prod\u00edgio do grunge, fez grandes can\u00e7\u00f5es de power pop, flertou com o country e teve nomes como Ben Folds e Nils Lofgren como parceiros musicais, em uma carreira que come\u00e7ou no in\u00edcio dos anos 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c0s vezes me sinto como um veterano, mas ainda tenho aquele amor e aquela chama dentro do meu cora\u00e7\u00e3o toda vez que pego em uma guitarra\u201d, explica o artista, em entrevista exclusiva ao Scream &amp; Yell.\u00a0\u00a0\u201cGo Fly a Kite\u201d, lan\u00e7ado no come\u00e7o de 2012, \u00e9 o sexto disco solo do rapaz, que decidiu ser m\u00fasico aos 8 anos, depois de escutar \u201cAll You Need is Love\u201d, e quatro anos depois montou o Radish, sua primeira banda de rock. Apontado pela imprensa americana como a \u201cthe next big thing\u201d ao lan\u00e7ar seu \u00fanico disco, \u201cRestraining Bolt\u201d, de 1997, o grupo fez Kweller largar o col\u00e9gio para seguir a vida com a banda. Apesar disso, o m\u00fasico n\u00e3o se arrepende da experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o tive educa\u00e7\u00e3o formal, tudo o que sei da vida aprendi na estrada. Aprendi muito sobre a vida, sobre can\u00e7\u00f5es, sobre o amor, e sobre o mercado de m\u00fasica. Tive sorte de entrar nele antes da crise, porque consigo entender de onde as coisas vieram\u201d, explica Ben.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Ben Kweller fala um pouco mais sobre o Radish, nomeia seus her\u00f3is musicais, revela as can\u00e7\u00f5es que mostra para seus dois filhos (Dorian, de 6 anos, e Judah, de 2), tra\u00e7a uma compara\u00e7\u00e3o sobre o mercado de m\u00fasica nos dias de hoje e d\u00e9cadas atr\u00e1s e comenta sobre a situa\u00e7\u00e3o financeira de um artista alternativo nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 dif\u00edcil viver de m\u00fasica hoje em dia, mas eu consigo entender como fazer isso bem. Mesmo assim, isso n\u00e3o importa, porque eu continuaria fazendo as m\u00fasicas que fa\u00e7o mesmo se n\u00e3o ganhasse nada por isso\u201d, explica Kweller, em uma conversa telef\u00f4nica com o Scream &amp; Yell que durou cerca de meia hora e terminou com um cl\u00e1ssico do ax\u00e9 baiano. Quer saber qual? Leia e descubra:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n_x8t9dCQPE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 vindo para o Brasil para fazer quatro shows. Est\u00e1 ansioso pela viagem?<\/strong><br \/>\nEstou muito ansioso. J\u00e1 fui para a Argentina, mas essa ser\u00e1 minha primeira vez no Brasil. Adoro visitar lugares novos. N\u00e3o sei nada de portugu\u00eas, mas sei um pouco de espanhol, e espero que eu consiga me comunicar com os meus f\u00e3s, porque os shows v\u00e3o ser muito divertidos. Se der tempo para dar uma volta, comer coisas legais e conhecer pessoas novas, explorar um pouco as cidades, vai ser sensacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 voc\u00ea vai estar no palco nos shows brasileiros. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nSempre que eu vou a lugares novos, gosto de ir sozinho. Assim, posso tocar todas as m\u00fasicas que meus f\u00e3s queiram ouvir sem precisar de muitos ensaios, tocar por bastante tempo, contar hist\u00f3rias e fazer muito barulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitos f\u00e3s seus ficaram um pouco decepcionados por voc\u00ea vir at\u00e9 aqui sem o acompanhamento de uma banda. Tem algo que voc\u00ea gostaria de dizer sobre isso?<\/strong><br \/>\nEu diria que eles nunca me viram tocar sozinho antes. Muitos dos meus f\u00e3s adoram quando toco sozinho, porque posso fazer mais barulho e tocar mais. \u00c9 um show com muita energia, mais roqueiro do que o show com bateria e outras guitarras. N\u00e3o ser\u00e1 um show ac\u00fastico chato com um cara falando bobagens l\u00e1 na frente, prometo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Rio de Janeiro, seu show foi financiado atrav\u00e9s de um crowdfunding. O que voc\u00ea tem a dizer sobre isso?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o estou sabendo de nada, voc\u00ea pode me explicar melhor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem&#8230; os f\u00e3s se organizaram, juntaram dinheiro e pagaram pelo seu show. Eles compraram o seu show.<\/strong><br \/>\nAaaaaaaah! Eles que organizaram o show? Uau! Isso \u00e9 muito, muito, muito legal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGo Fly a Kite\u201d, seu \u00faltimo disco, saiu em mar\u00e7o. Qual era a principal motiva\u00e7\u00e3o para fazer esse disco?<\/strong><br \/>\nQuis fazer um disco que tivesse um pouco de tudo que eu j\u00e1 fiz, misturando rock\u2019n\u2019roll, baladas com piano, um pouco de folk e de country, mas basicamente pop e rock. Um pouco de tudo que Ben Kweller fez at\u00e9 agora. Estou muito orgulhoso desse disco. As can\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito pessoais, mas tamb\u00e9m s\u00e3o para todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como t\u00eam sido os shows desse disco at\u00e9 agora?<\/strong><br \/>\nOs shows t\u00eam sido incr\u00edveis at\u00e9 agora &#8211; at\u00e9 mesmo os shows solo! (risos). Acho que a parte mais legal \u00e9 que cheguei a um ponto na minha carreira no qual consigo fazer um show mais longo, misturando can\u00e7\u00f5es novas e muitas can\u00e7\u00f5es antigas. Tenho muita coisa para tocar, e toco tudo o que eu puder. \u00c9 muito divertido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4LNv_wh8TwY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na maior parte das vezes, suas m\u00fasicas tem frases divertidas de guitarras, refr\u00f5es cativantes e letras rom\u00e2nticas. \u00c9 uma escolha?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil para mim escolher sobre o que eu escrevo, honestamente. As can\u00e7\u00f5es v\u00eam at\u00e9 mim, eu s\u00f3 tento escrever as melhores can\u00e7\u00f5es que eu consigo e ver o que acontece. \u00c9 natural escrever can\u00e7\u00f5es cativantes, porque eu adoro m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que vai mudar isso algum dia?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei, talvez&#8230; meu \u00faltimo disco antes do \u201cGo Fly a Kite\u201d era um disco country [\u201cChanging Horses\u201d, de 2009]. Eu n\u00e3o sei, n\u00e3o gosto muito de falar sobre o futuro, porque n\u00e3o sei o que vou escrever. As \u00faltimas tr\u00eas m\u00fasicas que eu escrevi s\u00e3o bem depressivas, mas n\u00e3o fa\u00e7o ideia se elas estar\u00e3o no meu pr\u00f3ximo disco. S\u00f3 escrevo can\u00e7\u00f5es, e quando entro no est\u00fadio, vejo o que acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos seus discos, \u00e9 f\u00e1cil identificar quem est\u00e1 tocando ou fazendo aquelas can\u00e7\u00f5es. Entretanto, cada disco tem uma singularidade: \u201cChanging Horses\u201d era um disco country, o \u201cSha Sha\u201d era mais pr\u00f3ximo do grunge e dos Beatles, o \u201cOn My Way\u201d lembra muito o Neil Young. Como voc\u00ea recebe influ\u00eancias e as usa nas can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma quest\u00e3o bem dif\u00edcil, porque h\u00e1 muita m\u00fasica que eu amo. Entretanto, quando eu estou compondo ou gravando, n\u00e3o ou\u00e7o nada. Gosto de me focar apenas no que eu estou fazendo. Sendo assim, \u00e9 natural para mim fazer m\u00fasica que se parece com o que eu gosto de escutar. Quando eu era adolescente, eu queria parecer com o Kurt Cobain e o Nirvana, porque era o que eu amava naquela \u00e9poca. Quando voc\u00ea come\u00e7a a fazer m\u00fasica, voc\u00ea copia as coisas que voc\u00ea ama. Os Beatles copiavam Buddy Holly e Chuck Berry no come\u00e7o, assim como Bob Dylan copiava Woody Guthrie e Hank Williams. Acho que \u00e9 natural fazer isso quando voc\u00ea come\u00e7a, mas depois de um tempo voc\u00ea cria seu pr\u00f3prio som, e \u00e9 o que eu tenho feito nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea mesmo diz em \u201cRun\u201d, voc\u00ea est\u00e1 \u201cdesde os quinze anos correndo para todos os lugares que voc\u00ea pode correr\u201d. \u00c9 metade da sua vida fazendo can\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea acha que j\u00e1 \u00e9 um veterano?<\/strong><br \/>\n\u00c0s vezes eu me sinto assim, sem d\u00favida, mas eu ainda tenho aquele amor e aquela chama dentro do meu cora\u00e7\u00e3o toda vez que eu pego uma guitarra. \u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o estranha: eu me sinto jovem e velho ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quem s\u00e3o os grandes veteranos da m\u00fasica para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nTom Petty, Bob Dylan, Neil Young, Gordon Gayno, do Violent Femmes. Sonic Youth, Jeff Tweedy, do Wilco, e Evan Dando, do Lemonheads. Acho que s\u00e3o esses.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fFEJOHRb_JE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu pai \u00e9 um grande amigo de Nils Lofgren, que trabalhou com Bruce Springsteen, Neil Young e muitos outros artistas. A proximidade com ele te ajudou?<\/strong><br \/>\nLofgren foi minha primeira e \u00fanica liga\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria da m\u00fasica quando eu estava come\u00e7ando. Eu fazia m\u00fasicas e mandava para ele, foi ele quem me ajudou a gravar o disco com o Radish. Devo muito a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o Radish apareceu, todo mundo dizia que ela era a \u201cthe next big thing\u201d. Por que a banda acabou?<\/strong><br \/>\nO Radish foi a minha banda de garagem da \u00e9poca do colegial. Come\u00e7amos muito jovens, e quando fizemos 18 anos resolvemos que quer\u00edamos coisas diferentes da nossa vida. Eu queria me mudar para Nova York, sair do Texas. O baterista queria come\u00e7ar uma banda nova, as m\u00fasicas que eu comecei a escrever eram muito pessoais. Foi um passo normal para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea aprendeu com aquela experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nAprendi muito sobre a vida, o amor, sobre fazer turn\u00eas, sobre compor m\u00fasicas novas e grav\u00e1-las de um jeito legal&#8230; eu poderia passar horas te contando sobre tudo que eu aprendi aqui. Larguei a escola aos 15 anos de idade para sair em turn\u00ea, ent\u00e3o basicamente tudo o que eu sei sobre a vida aprendi na estrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se arrepende?<\/strong><br \/>\nSe eu me arrependo? N\u00e3o me arrependo de nada! Acho at\u00e9 que eu digo isso no meu novo disco. \u201cI don\u2019t regret anything\/always knew where I was coming from\u201d (canta). Voc\u00ea n\u00e3o pode se arrepender de nada, todas as coisas boas e ruins. S\u00e3o essas as coisas que fazem a sua vida. Tudo que eu fiz me fez crescer como ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea come\u00e7ou sua carreira nos anos 1990, e muita coisa mudou no mercado da m\u00fasica desde ent\u00e3o. O que voc\u00ea tem a dizer sobre essas mudan\u00e7as?<\/strong><br \/>\nAcho que tive sorte em entrar nesse mercado antes dele mudar demais. Consegui entender de onde as coisas vieram. Acho que seria muito dif\u00edcil come\u00e7ar uma banda nova hoje, porque h\u00e1 muita competi\u00e7\u00e3o. Eu vi o neg\u00f3cio da m\u00fasica entrar numa crise, porque as pessoas n\u00e3o gastam mais tanto dinheiro com m\u00fasica, de maneira que \u00e9 dif\u00edcil viver s\u00f3 disso, mas n\u00e3o importa, porque eu sou um artista. Faria de gra\u00e7a as mesmas coisas que eu fa\u00e7o hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 dif\u00edcil para voc\u00ea sobreviver da m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nGanho dinheiro o suficiente para poder fazer o que gosto em tempo integral. Me sinto sortudo de ter f\u00e3s no mundo todo e poder ter tempo e capacidade para criar minhas m\u00fasicas com calma. N\u00e3o sou um cara rico, mas tenho uma vida rica. Tenho muitas coisas incr\u00edveis na minha vida al\u00e9m do dinheiro: pago minhas contas, mas tenho tempo para ficar com minha mulher e meus dois filhos e fazer rock\u2019n roll. Essa \u00e9 a riqueza da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de onde vem esse dinheiro?<\/strong><br \/>\nDe muitos lugares diferentes. A maior parte do dinheiro vem de shows e de merchandising. Algumas m\u00fasicas minhas est\u00e3o em filmes e programas de TV, ent\u00e3o ganho um pouco com direitos autorais. Al\u00e9m disso, escrevo m\u00fasicas para outras pessoas e produzo discos de outras bandas. Mas \u00e9 complicado: n\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio simples, mas acho que consigo entend\u00ea-lo bem hoje.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XN7etWcPCAU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente diz que o rock n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande como costumava ser antigamente. Voc\u00ea concorda?<\/strong><br \/>\nSim. Eu gostaria que o rock fosse uma coisa maior hoje em dia, como era nos anos 60, 70, 80 e 90. Hoje, o rock n\u00e3o \u00e9 grande, mas a m\u00fasica passa por diferentes modas, sabe? Mas eu n\u00e3o dou a m\u00ednima para o que \u00e9 legal ou n\u00e3o hoje em dia: eu fa\u00e7o a m\u00fasica que eu gosto, a m\u00fasica do Ben Kweller. O rock \u00e9 o meu estilo de m\u00fasica, e sempre h\u00e1 pessoas por a\u00ed que gostam de rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a sua miss\u00e3o como artista &#8211; se \u00e9 que voc\u00ea tem uma?<\/strong><br \/>\nMinha primeira miss\u00e3o \u00e9 criar m\u00fasica e fazer algo novo. Fazer can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o existiam antes, que possam dizer o que eu penso e o que eu sinto. \u00c9 um tipo de terapia. Depois disso, uma miss\u00e3o menor que tenho \u00e9 a de ajudar outras pessoas. Para mim, m\u00fasica significa esperan\u00e7a, e se eu estou deprimido ou em um dia ruim, eu ou\u00e7o m\u00fasica para me sentir bem. Meus f\u00e3s me disseram que j\u00e1 fizeram o mesmo quando terminaram um namoro, ou quando os pais deles morreram. Isso \u00e9 algo incr\u00edvel para mim. Mas a minha miss\u00e3o n\u00famero 1 \u00e9 fazer arte e ser criativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria te perguntar sobre o The Bens. Como foi aquele projeto (que juntava Ben Kweller, Ben Folds e Ben Lee?<\/strong><br \/>\nFoi incr\u00edvel! N\u00f3s nos juntamos, fizemos grandes can\u00e7\u00f5es e nos divertimos muito. Sempre conversamos em tocar o projeto de novo, mas nunca conseguimos encaixar as agendas em um espa\u00e7o prop\u00edcio. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o, mas \u00e9 algo que eu quero muito fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea descobriu que queria ser um artista?<\/strong><br \/>\nFoi quando eu tinha oito anos de idade. Eu estava ouvindo \u201cAll You Need is Love\u201d, e comecei a chorar. Foi algo que mudou a minha vida &#8211; quis fazer m\u00fasicas incr\u00edveis, que pudessem tocar as pessoas da mesma maneira que eu estava emocionado daquele jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea me disse que tem dois filhos. Que tipo de m\u00fasica eles escutam?<\/strong><br \/>\nEu sempre toquei m\u00fasica boa para eles. Agora, por exemplo, eles s\u00e3o grandes f\u00e3s do Guns\u2019N\u2019Roses e do Kiss. Eles tamb\u00e9m adoram o Queen e o T-Rex. Dorian, o que tem 6 anos de idade, ama Megadeth e Metallica, \u00e9 um metaleiro! Eu costumava faz\u00ea-los ouvir os Beatles, mas agora n\u00e3o \u00e9 \u201cpesado\u201d o suficiente para ele. E eles adoram o Nirvana &#8211; \u201cIn Bloom\u201d \u00e9 uma das m\u00fasicas favoritas da nossa casa. Mas, obviamente, o Nirvana nunca vai afet\u00e1-los da mesma maneira que me afetou. Da mesma maneira, por mais que eu ame os Beatles, eles nunca v\u00e3o ser t\u00e3o importantes para mim como foram para o meu pai, porque quando os Beatles apareceram, meu pai os viu na TV, e isso mudou a sua vida. Assim como o Nirvana foi comigo. Meu pai gosta do Nirvana, mas ele n\u00e3o entende o Nirvana da mesma maneira que eu os entendo. E eu sei que, daqui a alguns anos, v\u00e3o aparecer m\u00fasicas que eu n\u00e3o vou gostar, mas que meus filhos v\u00e3o adorar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como assim?<\/strong><br \/>\nQuero mostrar a eles diferentes tipos de m\u00fasica, mas sei que haver\u00e1 can\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o do tempo deles e v\u00e3o toc\u00e1-los por causa disso. \u00c9 o que acontece com todas as gera\u00e7\u00f5es &#8211; h\u00e1 um momento, entre os seus nove e os treze anos que a m\u00fasica que voc\u00ea ouve molda quem voc\u00ea \u00e9. H\u00e1 sim um conflito de gera\u00e7\u00f5es na m\u00fasica &#8211; mas felizmente, h\u00e1 artistas que conseguem transcender isso, como os Beatles e Nirvana e Bob Dylan e Metallica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E se voc\u00ea tivesse que ir para uma ilha deserta e pudesse levar apenas um \u00fanico disco, que disco seria esse?<\/strong><br \/>\nProvavelmente seria&#8230; (pensa), agora mesmo, seria o primeiro disco de John Prine. Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar dele?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o.<\/strong><br \/>\n\u00c9 um artista country, dos anos 70. \u00c9 um dos meus discos desconhecidos favoritos do country, de todos os tempos. Suas letras s\u00e3o incr\u00edveis. Se eu tivesse de partir hoje, sei que essas can\u00e7\u00f5es me ajudariam, porque elas significam muito para mim. Tudo \u00e9 bom nesse disco: as letras, as melodias, a voz dele. \u00c9 algo que eu sei que quero ouvir muitas e muitas vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ben, voc\u00ea tem mais alguma coisa para falar para os seus f\u00e3s brasileiros?<\/strong><br \/>\nAhm&#8230; (pensa um pouco)&#8230; \u201cOnda onda, olha a onda! BAM BAM! Onda onda, olha a onda\u201d. \u00c9 tudo que eu tenho a dizer. \u00c9 isso, \u201conda onda\u201d, meu amigo! \u201cSha sha, onda onda, sha sha, baby\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TIkCpSyg5oY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5oe84By2hHc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde 2010 e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pergunte ao Pop<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Tudo o que sei da vida aprendi na estrada. Aprendi muito sobre a vida, can\u00e7\u00f5es, o amor e sobre o mercado de m\u00fasica&#8221;&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/26\/entrevista-ben-kweller\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2462],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16552"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16552"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45163,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16552\/revisions\/45163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}