{"id":16187,"date":"2012-10-23T23:57:01","date_gmt":"2012-10-24T01:57:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=16187"},"modified":"2019-04-06T17:58:51","modified_gmt":"2019-04-06T20:58:51","slug":"robert-plant-ao-vivo-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/23\/robert-plant-ao-vivo-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Robert Plant ao vivo em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16188\" title=\"robertplant\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/robertplant.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/robertplant.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/robertplant-300x206.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que as d\u00e9cadas passam, \u00e9 comum ver artistas pop de renome dividirem suas apresenta\u00e7\u00f5es em dois tipos de experi\u00eancia. H\u00e1 o grupo de m\u00fasicos que fazem tudo o que o p\u00fablico quer \u2013 algo que pode gerar tanto um espet\u00e1culo alucinante, como um show de Paul McCartney, quanto um exerc\u00edcio sobre o t\u00e9dio, no caso de uma banda como o Deep Purple. E existem aqueles rockstars que parecem se negar a fazer tudo exatamente dentro do combinado, uma escolha que pode tanto levar uma plat\u00e9ia ao \u00eaxtase quando decepcion\u00e1-la profundamente \u2013 como Bob Dylan. Quando Robert Plant, o ex-vocalista do Led Zeppelin, subiu ao palco do Espa\u00e7o das Am\u00e9ricas, em S\u00e3o Paulo, nessa segunda-feira (22), foi f\u00e1cil perceber que ele \u00e9 um exemplar \u2013 cada vez mais raro \u2013 do segundo grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhado de sua nova banda, a Sensational Space Shifters, Plant fez um show que \u00e9 coerente com sua idade e seu espa\u00e7o na m\u00fasica pop atual. H\u00e1 33 anos, ele era parte de uma das maiores bandas de todos os tempos, uma rara combina\u00e7\u00e3o de energia contagiante que estava sempre prestes a explodir \u2013 e de fato explodia \u2013, um am\u00e1lgama de quatro m\u00fasicos que poucas vezes ser\u00e1 visto de novo no mundo. Mas as coisas mudaram: a voz de Plant n\u00e3o \u00e9 mais a mesma, nem ele tem mais a mesma vitalidade de quando era a cara da Wanderl\u00e9a \u2013 e, a se julgar pela apresenta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, o homem das madeixas loiras sabe muito bem disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo assim, Plant e sua banda investem em um show viajante, cheio de passagens instrumentais intrincadas, repleto de influ\u00eancias da m\u00fasica indiana, africana, celta e espanhola \u2013 que lembra o que o Led Zeppelin fazia no palco, mas acaba tendo resultado muito diverso. No lugar da energia irradiante de Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John \u2018Bonzo\u2019 Bonham, surge um grupo que ama a tens\u00e3o, em um jogo de ataque e defesa, entrega e recusa, um vai-n\u00e3o-vai que cria um espa\u00e7o absurdo de for\u00e7a dentro da apresenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que acontece, por exemplo, na vers\u00e3o \u2018cachorro louco sem rumo\u2019 de \u201cBlack Dog\u201d, para a qual os f\u00e3s do Led Zeppelin torceram o nariz por seu clima hipn\u00f3tico e psicod\u00e9lico, distante do balan\u00e7o intrincado da vers\u00e3o de est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como a antiga banda de Plant, a Sensational Space Shifters tamb\u00e9m parece prestes a decolar \u2013 mas nunca o faz, dando fim \u00e0s suas m\u00fasicas antes que esse momento m\u00e1gico aconte\u00e7a. Parte desse m\u00e9rito cabe ao multinstrumentista Juldeh Camara, vindo da G\u00e2mbia, que divide os vocais com Plant em bons momentos do show, e se dedica tamb\u00e9m a explorar sonoridades de percuss\u00f5es africanas e do ritti, um violino de apenas uma corda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16189\" title=\"robertplant2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/robertplant2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, quando a combust\u00e3o finalmente acontece, na \u00faltima m\u00fasica do show, \u201cRock\u2019n\u2019Roll\u201d, \u00e9 de maneira avalassadora. Com poucos segundos, a can\u00e7\u00e3o conquista a plat\u00e9ia que pedia \u201cmais rock\u201d e se sentia entediada durante boa parte do show. Tal t\u00e9dio, vale dizer, resultava em conversas altas, que atrapalharam alguns dos momentos mais sens\u00edveis e tocantes da apresenta\u00e7\u00e3o, como \u201cSong to the Siren\u201d, uma cover de Tim Buckley que o cantor havia registrado em 2002, no \u00e1lbum \u201cDreamland\u201d, e retomou para essa turn\u00ea; e a el\u00e9trica releitura para \u201cSpoonful\u201d, de Howlin\u2019 Wolf.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando vai colocar a sua voz para dentro do ambiente sonoro fornecido por sua banda, Plant a utiliza de maneira correta dentro daquele espa\u00e7o, e tamb\u00e9m de forma coerente com o que pode demonstrar em palco. Ele quase j\u00e1 n\u00e3o tem mais os agudos que o tornaram um dos vocalistas mais imitados de todos os tempos, mas compensa isso com uma entrega fascinante durante quase todo o show, esfor\u00e7ando-se para fazer a plat\u00e9ia embarcar em uma viagem por seu pr\u00f3prio mundo musical. Al\u00e9m disso, espertamente, ele guarda a garganta para os momentos finais da apresenta\u00e7\u00e3o, quando, em um arranjo fidel\u00edssimo ao original, arrepia at\u00e9 o \u00faltimo fio de cabelo com \u201cGoing to California\u201d, do m\u00edtico ainda \u201cIV\u201d, do Led Zeppelin, e composta para Joni Mitchell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-se necess\u00e1rio dizer, por\u00e9m, que talvez tenha existido um desencontro entre a proposta do show e o tipo de ambiente que o recebeu. Como j\u00e1 ficou evidente em outras apresenta\u00e7\u00f5es realizadas neste mesmo recinto em 2012 (Morrissey, Noel Gallagher, Los Hermanos), o Espa\u00e7o das Am\u00e9ricas n\u00e3o prima exatamente pela qualidade sonora, nem oferece a seus visitantes condi\u00e7\u00f5es ideais para que eles entrem no clima do show, especialmente pela grande quantidade de luzes no meio da pista. Em um local menor, mais aconchegante, com cadeiras no lugar de uma pista repleta de m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas e bra\u00e7os estendidos, e com uma ac\u00fastica bem tratada, talvez a for\u00e7a do show de Robert Plant e da Sensational Space Shifters tivesse sido melhor compreendida pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, ap\u00f3s noventa minutos de show, com direito a bis e vers\u00f5es fi\u00e9is \u00e0s originais de \u201cGallows Pole\u201d, \u201cRamble On\u201d e \u201cBron-Y-Aur\u201d, o que fica na cabe\u00e7a \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de que Plant recusa-se a ser um mascate do rock, tocando suas antigas can\u00e7\u00f5es como se novas fossem, com diferentes arranjos e significados. Algo muito mais nobre do que apenas repetir o que est\u00e1 nos sulcos de seus antigos \u00e1lbuns e foi gasto at\u00e9 a \u00faltima passada de agulha das vitrolas. Ele n\u00e3o deixa de agradar aos f\u00e3s do Led Zeppelin que se dispuserem a abrir seus ouvidos. Para quem se deixar levar e flutuar pelos sons da Sensational Space Shifters, meus amigos, vale dizer: a viagem vai para al\u00e9m das montanhas e muito mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ZphXffgI_aY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ZphXffgI_aY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Bruno Capelas (<\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a><span>) \u00e9 jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde 2010\u00a0 e assina o blog <\/span><a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pergunte ao Pop<\/a><span>. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Robert Plant e a Sensational Space Shifters tocam ainda em S\u00e3o Paulo  (23, no Espa\u00e7o das Am\u00e9ricas), Bras\u00edlia no dia 25 de outubro (Gin\u00e1sio  Nilson Nelson), Curitiba no dia 27 de outubro (Teatro Gua\u00edra) e Porto  Alegre no dia 29 de outubro (Gigantinho).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; O mito Bob Dylan renasce todas as noites em algum palco do mundo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/04\/22\/bob-dylan-em-noite-inspirada-em-sp\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Paul McCartney ao vivo em Porto Alegre: mito, hist\u00f3ria, sentimentos, rock (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/14\/paul-mccartney-em-porto-alegre\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Capelas\nAcompanhado de sua nova banda, Robert Plant fez um show que \u00e9 coerente com sua idade e seu espa\u00e7o na m\u00fasica pop atual\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/23\/robert-plant-ao-vivo-em-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16187"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16187"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16187\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51057,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16187\/revisions\/51057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}