{"id":160,"date":"2008-02-27T11:14:33","date_gmt":"2008-02-27T13:14:33","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2008\/02\/27\/disco-da-semana-2-tom-bloch\/"},"modified":"2017-12-12T14:23:20","modified_gmt":"2017-12-12T16:23:20","slug":"disco-da-semana-2-tom-bloch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/02\/27\/disco-da-semana-2-tom-bloch\/","title":{"rendered":"O segundo (grande) \u00e1lbum da Tom Bloch"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33641\" title=\"tombloch2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/tombloch2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/tombloch2.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/tombloch2-300x269.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro Ver\u00edssimo \u00e9 filho do Luis Fernando e neto do \u00c9rico. Sei que \u00e9 meio foda come\u00e7ar um texto estudando a genealogia do cara, e que as artes exibem aos montes exemplos contr\u00e1rios do ditado popular que diz que &#8220;filho de peixe, peixinho \u00e9&#8221;, mas \u00e9 importante falar dos Ver\u00edssimo agora, pois em &#8220;2&#8221;, dito segundo \u00e1lbum da Tom Bloch, Pedro dissipa a nuvem de sons e barulhos na qual ele se escondia nos primeiros lan\u00e7amentos do grupo e, parafraseando uma das can\u00e7\u00f5es emblem\u00e1ticas deste &#8220;2&#8221;, se joga com letras e voz \u00e0 frente de guitarras poderosas e batidas sincopadas como se estivesse dan\u00e7ando em um campo minado. O resultado \u00e9 um disco sensacional, que pega na veia, cospe na cara, bate no peito e, por fim, acalenta o ouvinte em um abra\u00e7o mudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crescer sobre o brilho da luz de duas lendas da literatura nacional tem seu lado bom e, consequentemente, seu lado ruim. Se h\u00e1 um aprendizado, uma viv\u00eancia liter\u00e1ria inerente ao meio, tamb\u00e9m h\u00e1 um cobran\u00e7a explicita que visa descobrir (muitas vezes de forma cruel) se h\u00e1 algo gen\u00e9tico que perpetue a tradi\u00e7\u00e3o familiar. No caso de Pedro, isso se amplificou quando ele optou por assumir a frente de uma banda de rock, quando ele arriscou-se a escrever letras. Essa op\u00e7\u00e3o, no entanto, surgiu velada e pode ser simbolizada a perfei\u00e7\u00e3o pelo rapaz com um saco de papel\u00e3o sobre a cabe\u00e7a, uma imagem que acompanha o trabalho da banda desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa estrat\u00e9gia de desfocar-se funcionou bem nos dois primeiros trabalhos do grupo &#8211; o EP &#8220;Demo Deluxe&#8221; (2000) e o \u00e1lbum &#8220;Tom Bloch&#8221; (2002) &#8211; principalmente pela presen\u00e7a forte de Gustavo Mini Bittencourt (Walverdes) no embri\u00e3o da banda, compondo e dividindo aten\u00e7\u00f5es (e can\u00e7\u00f5es) com Pedro. Essa divis\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o marcou imensamente a estr\u00e9ia da banda, mesmo com o fato de Mini n\u00e3o estar na Tom Bloch desde o EP anterior, j\u00e1 que a est\u00e9tica proposta pela imagem do rapaz com um saco de papel\u00e3o sobre a cabe\u00e7a permanecia ganhando forma de \u00e1lbum. \u00d3timo na teoria, confuso na pr\u00e1tica. &#8220;Tom Bloch&#8221;, a estr\u00e9ia, traz a voz de Pedro escondida entre os instrumentos, \u00e1s vezes acariciada por efeitos que a descaracterizam, como algu\u00e9m que observa aos outros dan\u00e7arem enquanto afoga dentro de si o desejo indecente de mover o corpo, e o faz mexendo os p\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;2&#8221;, segundo \u00e1lbum da Tom Bloch, apresenta uma nova banda. Primeiro, a forma\u00e7\u00e3o de sexteto que gravou a estr\u00e9ia foi desfeita. O n\u00facleo permanece: Pedro Ver\u00edssimo na voz (e, agora, assumindo todas as letras) e o mago dos est\u00fadios sulistas Iuri Freiberger na bateria, programa\u00e7\u00f5es, teclados, produ\u00e7\u00e3o e mixagem, al\u00e9m de guitarras eventuais. No baixo, o experiente Patrick Laplan (cujo curr\u00edculo inclui servi\u00e7os prestados ao Biqu\u00edni Cavad\u00e3o, Los Hermanos e Rodox, entre outros); na guitarra, J\u00fanior Tost\u00f3i (da banda carioca Vulgue Tost\u00f3i). Com a forma\u00e7\u00e3o reduzida, Pedro Ver\u00edssimo sai detr\u00e1s da nuvem em que se escondia nos primeiros \u00e1lbuns da Tom Bloch e apresenta um repert\u00f3rio de letras inspiradas que encontram complemento perfeito na musicalidade apurada de Iuri Freiberger.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_QKmYWiGb-M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sob a Influ\u00eancia&#8221; abre o disco de forma singular: um arranjo de cordas circular, pregui\u00e7oso, faz a cama para que a voz de Pedro &#8211; forte e clara &#8211; mostre que algumas coisas mudaram no som da banda. Acompanhado de guitarras (ambientadas de forma precisa na mixagem) e alfinetas de eletr\u00f4nica, o vocalista convida n\u00e1ufragos, desesperados e desalojados a participarem da &#8220;primeira conven\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es partidos&#8221;. Em &#8220;A D\u00favida&#8221;, a segunda faixa, um rock poderoso com melodia vocal que remete a algo da jovem guarda, a quest\u00e3o central \u00e9 como se desfazer da foto da ex pessoa amada, um gesto doloroso que causa um cruel embate entre cora\u00e7\u00e3o e mente: &#8220;\u00c9 ou eu rasgo a tua foto ou atiro no que pra mim ainda vem pela frente \/ \u00c9 ou eu rasgo a tua foto ou retiro a carta que sustenta todo o castelo \/ Se eu n\u00e3o quero mais viver no presente melhor ent\u00e3o me desfazer do passado \/ \u00c9 ou rasgo a tua foto e me viro, ou ent\u00e3o n\u00e3o rasgo a tua foto e me mato&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Entre N\u00f3s Dois&#8221;, primeira m\u00fasica de trabalho do \u00e1lbum, que j\u00e1 ganhou clipe e marcar\u00e1 presen\u00e7a no pr\u00f3ximo curta-metragem do cineasta Jorge Furtado, \u00e9 uma porrada que traduz a diferen\u00e7a entre amor e sexo com mais precis\u00e3o do que Arnaldo Jabor: &#8220;Ningu\u00e9m aqui presta, mas no momento atual voc\u00ea e eu \u00e9 s\u00f3 o que resta (&#8230;) \/ E j\u00e1 n\u00e3o tem por que ir devagar, a gente sabe bem onde isso vai terminar&#8221;. A pr\u00f3xima, &#8220;A Inven\u00e7\u00e3o&#8221;, continua brincando com o tema no \u00f3timo refr\u00e3o: &#8220;O amor eu inventei pra justificar o prazer que me d\u00e1 quando voc\u00ea vem&#8221;. Na mesma toada ainda se segue &#8220;Vendetta (Frase Feita)&#8221;, que conta com o vocal feminino de Alessandra Verney repetindo: &#8220;O que eu fiz foi por vingan\u00e7a&#8221;. A banda pisa no freio nas duas faixas que encerram o \u00e1lbum. A tem\u00e1tica da balada de guitarras &#8220;O Ref\u00e9m&#8221; lembra algo da Legi\u00e3o Urbana do \u00e1lbum &#8220;A Tempestade&#8221;, assim como a pr\u00f3xima, &#8220;Por Favor, Mente&#8221;, uma das grandes can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum, que abre versando de forma bela e fudidamente dolorida sobre piano e guitarras afundadas na mixagem: &#8220;Hoje eu sou seu pra sempre \/ Se eu perguntar, por favor, mente&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resumo desta nova fase da Tom Bloch se encontra em &#8220;Situa\u00e7\u00e3o de Dan\u00e7a&#8221;, can\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica que rememora toda uma gera\u00e7\u00e3o de pessoas que, em festinhas na adolesc\u00eancia (as lend\u00e1rias reuni\u00f5es dan\u00e7antes), n\u00e3o sabia o que fazer em situa\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a, jogando luzes sobre aquele grupo de pessoas que preferia ficar em p\u00e9 no canto da festa a arriscar uns passos na pista. Diz a letra: &#8220;As minhas juntas n\u00e3o movem separado de um plano inicial pr\u00e9-determinado \/ Se eu tentar pode ficar evidente, eu dan\u00e7o como eu nado sincronizado \/ Mesmo versado no controle da mente, mover um corpo exige bem mais cuidado \/ Posso tentar, mas n\u00e3o vai ser diferente: eu dan\u00e7o como eu ando em campo minado&#8221;. Metaf\u00f3rica, a can\u00e7\u00e3o joga Pedro Ver\u00edssimo desajeitadamente para a frente da Tom Bloch, uma situa\u00e7\u00e3o que o vocalista parecia evitar nas grava\u00e7\u00f5es anteriores, mas que parece ultrapassada neste excelente segundo \u00e1lbum, que soa &#8211; na verdade &#8211; como a estr\u00e9ia da banda. Agora s\u00f3 falta Pedro e Iuri tirarem o saco de papel\u00e3o da cabe\u00e7a do rapaz que simbolizava a Tom Bloch: aquele rapaz cresceu e est\u00e1 pronto para enfrentar o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;2&#8221;, Tom Bloch<\/strong> (Som Livre Apresenta)<br \/>\nNota: 9,5<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_QKmYWiGb-M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a Calmantes com Champagne<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\n\u201c2?, segundo \u00e1lbum da Tom Bloch, apresenta uma nova banda. 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