{"id":15985,"date":"2012-10-04T21:46:54","date_gmt":"2012-10-05T00:46:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=15985"},"modified":"2018-10-05T10:10:34","modified_gmt":"2018-10-05T13:10:34","slug":"discografia-comentada-nick-cave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/04\/discografia-comentada-nick-cave\/","title":{"rendered":"Discografia Comentada: Nick Cave"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><br \/>\n<em>Texto publicado originalmente em 2001 no Scream &amp; Yell. Revisto em 2012<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nick Cave costuma ser associado \u00e0 can\u00e7\u00f5es depressivas, momentos l\u00fagubres, narrativas macabras, etc. Se \u00e9 verdade que muitas dessas liga\u00e7\u00f5es sejam procedentes, tamb\u00e9m \u00e9 fato que essa \u00e9 apenas uma das facetas desse compositor australiano. Em muitas ocasi\u00f5es, ele apresenta um humor \u00e1cido e inusitado, alternando as guitarras de suas can\u00e7\u00f5es podem ser discretas camadas ou gritar com velocidade; baixo e bateria desempenham seus pap\u00e9is sem &#8220;prepara\u00e7\u00e3o&#8221; pr\u00e9via ou altera\u00e7\u00e3o de timbres; as cordas e os teclados (\u00f3rg\u00e3o e piano, nada digital) s\u00e3o mais ousados nas harmonias que nos arranjos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comentar a discografia de Nick \u00e9 tarefa capciosa, j\u00e1 que ele possui uma carreira extensa, iniciada em 1976 com a banda The Birthday Party e que se estende at\u00e9 os dias de hoje. Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o j\u00e1 citada, Cave tamb\u00e9m gravou \u00e1lbuns, EPs e participa\u00e7\u00f5es em discos de diversos artistas. Aqui, ser\u00e1 comentada sua discografia com os Bad Seeds, banda que o celebrizou e que tamb\u00e9m responde por sua maior e mais destacada produ\u00e7\u00e3o musical. Tamb\u00e9m est\u00e1 listada a forma\u00e7\u00e3o que gravou cada disco, j\u00e1 que os Bad Seeds mudam de acordo com as necessidades musicais e relacionamentos pessoais de Nick, mas isso n\u00e3o impede que os integrantes deixem suas marcas pessoais aparecerem de maneira percept\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ganhou sua primeira reedi\u00e7\u00e3o em CD, a primeira parte da discografia de Nick Cave (os quatro primeiros \u00e1lbuns) veio acrescida de diversas faixas b\u00f4nus em rela\u00e7\u00e3o aos vinis. Por\u00e9m, toda discografia de Nick Cave passou por um relan\u00e7amento fiel e luxuoso a partir de 2009, com retorno dos tracking lists originais, faixas b\u00f4nus extras (apenas em MP3 numa pasta dentro do DVD) e um document\u00e1rio interessante acerca de cada \u00e1lbum (tr\u00eas destes docs fecham o texto) al\u00e9m de cada \u00e1lbum dispon\u00edvel em 5.1 Surround Sound. Abaixo, tentamos desmembrar o que cada edi\u00e7\u00e3o traz e destacar o melhor do trabalho deste bando de malucos. Eis tudo o que voc\u00ea precisa saber para se aprofundar no mundo de Nick Cave and The Bad Seeds.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15986 aligncenter\" title=\"nick_from\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_from.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_from.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_from-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_from-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>From Her To Eternity (1984)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz), Mick Harvey (bateria), Blixa Bargeld (guitarra), Barry Adamson (baixo), Hugo Race (guitarra), Anita Lane (parceria em algumas letras e na &#8220;concep\u00e7\u00e3o&#8221; do \u00e1lbum).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estr\u00e9ia das &#8220;sementes m\u00e1s&#8221; n\u00e3o ajuda em nada a dirimir a fama de Cave como um artista sombrio. O disco \u00e9 opressivo, pesado, sufocante. Musicalmente \u00e9 monoc\u00f3rdico e obsessivo, com letras que passeiam por ambientes s\u00f3rdidos em companhia de personagens n\u00e3o menos. O \u00fanico refresco mel\u00f3dico \u00e9 a cover de &#8220;In The Ghetto&#8221;, celebrizada por Elvis em sua fase crooner de Las Vegas \u2013 mesmo assim, ela versa sobre uma crian\u00e7a abandonada que se marginaliza e termina assassinada pela pol\u00edcia. N\u00e3o que n\u00e3o existam \u00f3timos momentos: a claustrof\u00f3bica &#8220;Cabin Fever&#8221;, o \u00e9pico sombrio &#8220;Saint Huck&#8221; e a aterrorizante recria\u00e7\u00e3o de &#8220;Avalanche&#8221; (Leonard Cohen) respondem pela qualidade do \u00e1lbum, sem contudo facilitar sua audi\u00e7\u00e3o. O CD traz como b\u00f4nus a muito superior regrava\u00e7\u00e3o da faixa-t\u00edtulo feita em 1987 para o filme &#8220;Asas do Desejo&#8221;, de Wim Wenders.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: O \u00e1lbum original tinha apenas sete can\u00e7\u00f5es e no relan\u00e7amento em CD feito pela Mute Records (e copiado pela Paradoxx no Brasil) foram acrescentadas tr\u00eas faixas b\u00f4nus: &#8220;In The Ghetto&#8221;, &#8220;The Moon Is in the Gutter&#8221; e &#8220;From Here To Eternity&#8221; na vers\u00e3o para o filme &#8220;Asas do Desejo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: a regrava\u00e7\u00e3o posterior de &#8220;From Her To Eternity&#8221;<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Saint Huck&#8221;, &#8220;In The Ghetto&#8221;, &#8220;Cabin Fever&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Saint Huck&#8221;.<br \/>\nNota: 6<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15987 aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"nick_first\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_first.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_first.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_first-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_first-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>The First Born Is Dead (1985)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz e gaita), Mick Harvey (baixo, piano e guitarra), Blixa Bargeld (guitarras), Barry Adamson (bateria e \u00f3rg\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe do clima sinistro do anterior, mas ainda com toques m\u00f3rbidos, esse \u00e9 quase um \u00e1lbum de blues rock pesada\u00e7ol. Nunca a admira\u00e7\u00e3o de Cave pelos Stooges ficou t\u00e3o clara em termos musicais, originando can\u00e7\u00f5es que se resumem a tr\u00eas ou quartos acordes atacados com f\u00faria e intensidade. Dessa receita saem grandes faixas como a violenta &#8220;Train Long-Suffering&#8221; e &#8220;Tupelo&#8221; (baseada na obsess\u00e3o de Nick com a morte do irm\u00e3o g\u00eameo de Elvis Presley logo no parto, relacionando o tema com tradi\u00e7\u00f5es b\u00edblicas). Nessas duas faixas debutam os vocais de apoio que mais tarde seriam marca registrada da banda. Dentre os blues quase ortodoxos, &#8220;Black Crow King&#8221; e &#8220;Knockin&#8217; On Joe&#8221; s\u00e3o boas amostras do que o \u00e1lbum oferece. E h\u00e1 ainda uma vers\u00e3o de Bob Dylan (&#8220;Wanted Man&#8221;) envolvida num crescendo pesado que nunca chega a explodir. Disco foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: O \u00e1lbum original tamb\u00e9m tinha apenas sete can\u00e7\u00f5es e no primeiro relan\u00e7amento foram acrescentadas duas faixas b\u00f4nus: &#8220;The Six Strings That Drew Blood&#8221; e uma vers\u00e3o single de &#8220;Tupelo&#8221;. No relan\u00e7amento de 2009 fica de fora a vers\u00e3o single de &#8220;Tupelo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: nenhum.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Train Long-Suffering&#8221;, &#8220;Tupelo&#8221;, &#8220;Wanted Man&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Train Long-Suffering&#8221;.<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15988 aligncenter\" title=\"nickagainst\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nickagainst.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Kicking Against The Pricks (1986)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, \u00f3rg\u00e3o e piano), Mick Harvey (baixo, piano, viol\u00e3o, guitarra e bateria), Blixa Bargeld (guitarras), Barry Adamson (baixo), Thomas Wydler (bateria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro \u00e1lbum a ser lan\u00e7ado no Brasil e tamb\u00e9m o primeiro a trazer o baterista alem\u00e3o Thomas Wydler (tamb\u00e9m do Die Haut). Um disco de covers, alterna muit\u00edssimo bem os climas, indo do balad\u00e3o deslavado (&#8220;By The Time I Get To Phoenix&#8221;, de Johnny Rivers, e &#8220;Something&#8217;s Gotten Hold of My Heart&#8221;, de Gene Pitney) a can\u00e7\u00f5es tradicionais americanas (&#8220;Long Black Veil&#8221; e &#8220;Sleeping Annaleah&#8221;), incluindo ainda doo-wop magistral (&#8220;Jesus Met The Woman At The Well&#8221;, dos Alabama Singers, sobre o encontro de Jesus Cristo com uma samaritana em um po\u00e7o), blues nervoso (&#8220;\u00cf&#8217;m Gonna Kill That Woman&#8221;, de John Lee Hooker) e recria\u00e7\u00f5es inusitadas e perfeitas para &#8220;All Tomorrow&#8217;s Parties&#8221; (Velvet Underground) e &#8220;Hey Joe&#8221; (aquela).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: A vers\u00e3o em CD acrescentou duas can\u00e7\u00f5es ao tracking list original do vinil (que tinha 12 faixas) -&#8220;Black Betty&#8221; (de Leadbelly) e &#8220;Running Scared&#8221; (Roy Orbison) &#8211; e as duas tamb\u00e9m aparecem no reedi\u00e7\u00e3o de 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: &#8220;The Singer&#8221; (de Johny Cash).<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;I&#8217;m Gonna Kill That Woman&#8221;, &#8220;Jesus Met The Woman At The Well&#8221;, &#8220;Black Betty&#8221;, &#8220;All Tomorrow&#8217;s Parties&#8221;, &#8220;By The Time I Get To Phoenix&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Black Betty&#8221;.<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicktrial.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15989 aligncenter\" title=\"nicktrial\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicktrial.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicktrial.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicktrial-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicktrial-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Your Funeral&#8230; My Trial (1986)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, \u00f3rg\u00e3o, gaita e piano), Mick Harvey (baixo, guitarra e xilofone), Blixa Bargeld (guitarras), Thomas Wydler (bateria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos \u00e1lbuns preferidos de Nick Cave, lan\u00e7ado originalmente como vinil duplo de 45 rpm. Aparentemente um disco muito sombrio, apesar do humor sarc\u00e1stico e da melodia &#8220;pra cima&#8221; de &#8220;Sad Waters&#8221;. Procurando, percebe-se mais. Segue com o rock&#8217;n&#8217;roll furioso de &#8220;The First Born Is Dead&#8221; nas fortes &#8220;Jack&#8217;s Shadow&#8221;, &#8220;Scum&#8221; e &#8220;Hard On For Love&#8221;, mas tamb\u00e9m investe em temas mais f\u00fanebres e perversos \u2013 a contraposi\u00e7\u00e3o de imagens de Santa Ver\u00f4nica e o Santo Sud\u00e1rio com uma prostituta d\u00e1 uma id\u00e9ia do que se apresenta l\u00edrica e musicalmente nessa obra. A faixa-t\u00edtulo e &#8220;Stranger Than Kindness&#8221; s\u00e3o deleite para quem cultiva o baixo astral. Em resumo: as tr\u00eas facetas mais freq\u00fcentes de Nick Cave And The Bad Seeds &#8211; o rock furioso, o blues descarnado e as baladas funestas \u2013 separadas em nove fortes can\u00e7\u00f5es. \u00c9 neste \u00e1lbum que est\u00e1 o \u00e9pico marcial &#8220;The Carny&#8221;, grande letra para uma can\u00e7\u00e3o cansativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: Oito faixas no \u00e1lbum original com &#8220;Scum&#8221; de b\u00f4nus nas reedi\u00e7\u00f5es em CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: nenhum.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Your Funeral&#8230; My Trial&#8221;, &#8220;Sad Waters&#8221;, &#8220;Jack&#8217;s Shadow&#8221;, &#8220;Long Time Man&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Sad Waters&#8221;.<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15991 aligncenter\" title=\"nick_tender\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_tender.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_tender.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_tender-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_tender-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tender Prey (1988)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, \u00f3rg\u00e3o, gaita e piano), Mick Harvey (baixo, guitarras, xilofone e percuss\u00e3o), Blixa Bargeld (guitarras), Thomas Wydler (bateria), Roland Wolf (piano e \u00f3rg\u00e3o), Kid Congo Powers (guitarra).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disco perfeito. Aprendidas todas as li\u00e7\u00f5es de composi\u00e7\u00e3o dos \u00e1lbuns anteriores, Cave e os Bad Seeds fazem seu primeiro disco de banda, com participa\u00e7\u00e3o de todos (principalmente de Harvey), erigindo uma identidade s\u00f3lida e atingindo um padr\u00e3o insuper\u00e1vel de qualidade, igualado apenas por eles mesmos. Os backing vocals fortes, os vocais de Cave desdobrando-se do menestrel canastr\u00e3o ao narrador passional, a riqueza instrumental, a diversidade de id\u00e9ias &#8211; ingredientes de uma concep\u00e7\u00e3o musical sem par (e olha que o Crime And The City Solution, banda liderada por Harvey, bem que tentou copiar). &#8220;The Mercy Seat&#8221;, que narra as impress\u00f5es de um condenado \u00e0 morte, tornou-se a obra-prima deles, secundada por outros cl\u00e1ssicos como &#8220;Deanna&#8221; (um r&amp;b rapidinho com letra assassina inspirada em &#8220;I Don&#8217;t Want Your Money&#8221;, de John Lee Hooker), &#8220;City Of Refuge&#8221; (blues-rock repetitivo e pesado sobre paran\u00f3ia urbana), &#8220;Slowly Goes The Night&#8221; (balada de piano bar com piano cafajeste e vocais cafonas, linda!) e &#8220;Watching Alice&#8221; (depress\u00e3o traduzida em m\u00fasica). &#8220;New Morning&#8221; fechou os shows da banda durante anos, talvez para que os concertos terminem com a ideia que existe a esperan\u00e7a mesmo entre a mais desconcertante desgra\u00e7a, e \u00e9 outro grande momento. Ali\u00e1s, o disco todo \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: Tanto LP quanto a primeira reedi\u00e7\u00e3o de CD tem o mesmo n\u00famero de faixas: 10. Por\u00e9m, a reedi\u00e7\u00e3o de 2009 conta com cinco MP3 extras: vers\u00f5es ac\u00fasticas de &#8220;The Mercy Seat&#8221;, &#8220;Deanna&#8221; e &#8220;City Of Refuge&#8221; mais &#8220;The Mercy Seat &#8211; Video Version&#8221; e o b-side &#8220;Girl at The Bottom of My Glass&#8221;<\/p>\n<p>Sucessos: &#8220;The Mercy Seat&#8221;, &#8220;Deanna&#8221;, &#8220;City Of Refuge&#8221;.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;The Mercy Seat&#8221;, &#8220;Deanna&#8221;, &#8220;New Morning&#8221;, &#8220;Watching Alice&#8221;, &#8220;Slowly Goes The Night&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;The Mercy Seat&#8221;.<br \/>\nNota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15990 aligncenter\" title=\"nickgood\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nickgood.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nickgood.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nickgood-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nickgood-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>The Good Son (1990)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, \u00f3rg\u00e3o, gaita e piano), Mick Harvey (baixo, guitarras, vibrafone e percuss\u00e3o), Blixa Bargeld (guitarras), Thomas Wydler (bateria e percuss\u00e3o), Kid Congo Powers (guitarra).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma bem-sucedida turn\u00ea brasileira em 1989, o artista ficou t\u00e3o fascinado pelo Brasil (ele que j\u00e1 tinha grande interesse pelo pa\u00eds gra\u00e7as ao filme &#8220;Pixote&#8221;, de Hector Babenco) que resolveu gravar o \u00e1lbum inteiro aqui (e casar com uma brasileira que conheceu durante a tour tamb\u00e9m deve ter pesado na decis\u00e3o, claro). Gravado no est\u00fadio Cardan, em S\u00e3o Paulo, e mixado por Flood (U2, Depeche Mode) em Berlim, &#8220;The Good Son&#8221; \u00e9 carregado de melodrama. Repleto de refer\u00eancias b\u00edblicas, as faixas tendem a buscar a placidez musical, mas a faixa t\u00edtulo \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, combinando um refr\u00e3o choroso com um riff grave e pesado, balizado por vocais de inspira\u00e7\u00e3o gospel (cantados pelos pr\u00f3prios Bad Seeds). Inclui ainda a apropria\u00e7\u00e3o do refr\u00e3o de um hino evang\u00e9lico (&#8220;Foi Na Cruz&#8221;, cantado em bom portugu\u00eas), a bela &#8220;The Ship Song&#8221; e uma faixa que se transmutaria com o passar dos anos e ganharia uma outra cara (&#8220;The Weeping Song&#8221;). Isoladamente, tem excelentes faixas; no conjunto, parece faltar algo \u2013 que mais futuramente se descobriria o que era: uma consist\u00eancia maior em um formato (can\u00e7\u00f5es lentas entre esperan\u00e7a e melancolia) no qual a banda superaria seu \u00eddolo Leonard Cohen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: Tr\u00eas faixas b\u00f4nus na reedi\u00e7\u00e3o de 2009: &#8220;The Train Song&#8221;, &#8220;Cocks &#8216;n&#8217; Asses&#8221; e &#8220;Helpless&#8221; (cover de Neil Young)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: &#8220;The Ship Song&#8221;.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;The Ship Song&#8221;, &#8216;The Good Son&#8221;, &#8220;Lament&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Lament&#8221;.<br \/>\nNota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15992 aligncenter\" title=\"nickhenry\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nickhenry.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Henry&#8217;s Dream (1992)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz e \u00f3rg\u00e3o), Mick Harvey (guitarra base, \u00f3rg\u00e3o e vibrafone), Blixa Bargeld (guitarra solo), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ciente que at\u00e9 os f\u00e3s se assustaram com o \u00e1lbum anterior (alguns estrangeiros &#8211; alem\u00e3es, principalmente \u2013 culparam a &#8220;m\u00e1 influ\u00eancia&#8221; do Brasil na suaviza\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica e l\u00edrica), Cave retoma a f\u00faria roqueira de &#8220;The First Born Is Dead&#8221; sem violentar tanto os ouvidos. O resultado \u00e9 excepcional: as quatro primeiras faixas est\u00e3o entre as melhores produ\u00e7\u00f5es do combo. A abertura se d\u00e1 \u00e0s trovoadas de viol\u00e3o, guitarra e \u00f3rg\u00e3o (&#8220;Papa Won&#8217;t Leave You, Henry&#8221;), seguindo-se uma can\u00e7\u00e3o furiosa (&#8220;I Had A Dream, Joe&#8221;), quase punk, distorcendo a tradi\u00e7\u00e3o vocal dos spirituals no refr\u00e3o (o canto das igrejas evang\u00e9licas negras dos EUA). Na sequ\u00eancia, uma das faixas mais pop de sua carreira, &#8220;Straight To You&#8221;, uma balada dilacerante sobre amor incondicional \u00e0 beira do Apocalipse (&#8220;E as carruagens de anjos est\u00e3o colidindo \/ E os santos est\u00e3o todos b\u00eabados e uivando para lua \/ E a ang\u00fastia vem \u00e0 galope \/ Mas eu gritarei, amor, e virei correndo \/ Direto para voc\u00ea&#8221;). Fechando o bloco, &#8220;Brother, My Cup Is Empty&#8221; saracoteia guitarras ac\u00fasticas numa can\u00e7\u00e3o sobre um b\u00eabado de saco cheio com sua esposa, sua cidade e at\u00e9 com o gar\u00e7om que o serve. Encerram o \u00e1lbum outras tr\u00eas fortes can\u00e7\u00f5es repletas de \u00e1lcool, desespero e assassinato, precedidas pela delicadeza de &#8220;When I First Came To Town&#8221; (com curioso dueto entre Cave e o pianista Conway Savage) e pela funesta &#8220;Christina The Astonishing&#8221;, que cont\u00e9m o verso &#8220;o fedor do pecado humano vai al\u00e9m do que consigo suportar&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking list: Sete faixas b\u00f4nus na reedi\u00e7\u00e3o de 2009: o b-side &#8220;Blue Bird&#8221;, a vers\u00e3o ac\u00fastica de &#8220;The Ripper&#8221; mais cinco n\u00fameros ao vivo (&#8220;I Had A Dream, Joe&#8221;, &#8220;The Good Son&#8221;, &#8220;The Mercy Seat&#8221;, &#8220;The Carny&#8221; e &#8220;The Ship Song&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: &#8220;Straight To You&#8221;.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Papa Won&#8217;t Leave You, Henry&#8221;, &#8220;I Had a Dream, Jo&#8221;, &#8220;Straight To You&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Straight To You&#8221;.<br \/>\nNota: 7,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15993 aligncenter\" title=\"nicklet\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicklet.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicklet.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicklet-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicklet-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Let Love In (1994)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz e \u00f3rg\u00e3o), Mick Harvey (guitarra, \u00f3rg\u00e3o e vibrafone), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria e percuss\u00e3o), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1lbum cheio de tes\u00e3o, marcado pelo desespero e desencantamento com o amor em si (Nick estava se separando de sua esposa brasileira, e alguns Bad Seeds tamb\u00e9m n\u00e3o estavam exatamente felizes). \u00c9 o mais rico musicalmente na discografia da banda e s\u00f3 apresenta uma faixa mediana: &#8220;Do You Love Me? (Part 2)&#8221; \u2013 at\u00e9 porque a &#8220;(Part 1)&#8221;, cujo clipe foi gravado num puteiro classe Z em S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma aterrorizante &#8220;chamada na chincha&#8221; para com a pessoa amada, com sinos e backing vocals amea\u00e7adores. &#8220;Thirsty Dog&#8221; e &#8220;Jangling Jock&#8221; s\u00e3o rock\u00f5es barulhentos, r\u00e1pidos e furiosos. &#8220;Loverman&#8221;, gravada pelo Metallica no disco &#8220;Garage Days Re-Revisited&#8221;, \u00e9 c\u00ednica, macabra e mistura o temor e o fasc\u00ednio pelo cramulh\u00e3o ao desejo por uma mulher. O tinhoso reaparece como O Corruptor em &#8220;Red Right Hand&#8221;, um micro-tratado sobre o demo (de deixar te\u00f3logo de queixo ca\u00eddo) em forma de can\u00e7\u00e3o pop, tanto que \u00e9 o maior hit dos Bad Seeds em terras americanas, constando na trilha do primeiro &#8220;P\u00e2nico&#8221; e no disco &#8220;Songs In The Key Of X&#8221; dedicado \u00e0 s\u00e9rie &#8220;Arquivo X&#8221;. Ainda tem uma balada pop com discreta incurs\u00e3o bluesy (&#8220;Nobody&#8217;s Baby Now&#8221;) e uma hil\u00e1ria predi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria morte em &#8220;Lay Me Low&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosidade: um monte de convidados figuram nesse disco (membros dos Triffids e Beasts of Bourbon, o ex-Birthday Party Rowland S. Howard, os violinistas Robin Casinader e o futuro Bad Seed Warren Ellis), mas est\u00e3o quase indedect\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: cinco b-sides engordam a reedi\u00e7\u00e3o de 2009: &#8220;Cassiel&#8217;s Song&#8221;, &#8220;Sail Away&#8221;, &#8220;(I&#8217;ll Love You) Till The End Of The World&#8221;, &#8220;That&#8217;s What Jazz Is To Me&#8221; e &#8220;Where The Action Is&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: &#8220;Red Right Hand&#8221;, &#8220;Do You Love Me? (Part 1)&#8221;.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Nobody&#8217;s Baby Now&#8221;, &#8220;Red Right Hand&#8221;, &#8220;Lay Me Low&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Nobody&#8217;s Baby Now&#8221;.<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15994 aligncenter\" title=\"nick_murder\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_murder.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_murder.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_murder-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_murder-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Murder Ballads (1996)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz e \u00f3rg\u00e3o), Mick Harvey (guitarra, percuss\u00e3o e \u00f3rg\u00e3o), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano), Jim Sclavunos (percuss\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo revela tudo sobre as letras, todas narrativas sobre assassinatos mais ou menos passionais, mas n\u00e3o denota o lado musical. Nem tudo aqui \u00e9 balada \u2013 tem um &#8220;quase-country&#8221; fantasmag\u00f3rico e chato (&#8220;Crow Jane&#8221;), n\u00e9voas harm\u00f4nicas em tons muito graves (&#8220;Song of Joy&#8221;), minimalismo pesado e pervertido (&#8220;Stagger Lee&#8221;) e at\u00e9 tentativas frustradas (ainda que pass\u00e1veis) de revisitar &#8220;Tender Prey&#8221;: &#8220;Lovely Creature&#8221; e &#8220;O&#8217;Malley&#8217;s Bar&#8221;. Das baladas propriamente ditas, foram extra\u00eddos dois hits maci\u00e7os na Austr\u00e1lia que tamb\u00e9m se tornaram populares na Europa: os duetos &#8220;Henry Lee&#8221; (com PJ Harvey, na \u00e9poca esposa rec\u00e9m-casada com Cave) e &#8220;Where The Wild Roses Grow&#8221; (com Kylie Minogue, sobre uma garota inocente assassinada por um namorado perturbado que enlouquece com sua castidade). Os simples e \u00f3timos clips dessas can\u00e7\u00f5es favoreceram bastante seu sucesso, talvez por exibirem mulheres sedutoras em hist\u00f3rias envolventes e surpreendentes. As duas mo\u00e7as se juntam ao bebum Shane McGowan (ex-The Pogues) e \u00e0 poetisa Anita Lane para dividir com Nick os vocais da ir\u00f4nica &#8220;Death Is Not The End&#8221;, que encerra o \u00e1lbum legando uma sensa\u00e7\u00e3o bizarra ao ouvinte, que n\u00e3o consegue decidir se gostou, se achou meio depressivo ou se ficou assustado. E isso porque nem falamos da su\u00edte de choros &#8220;The Kindness of Strangers&#8221;&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: Quatro faixas b\u00f4nus na reedi\u00e7\u00e3o de 2009: &#8220;The Ballad of Robbert Moore and Betty Coltrane&#8221;, &#8220;The Willow Garden&#8221;, &#8220;King Kong Kitchee Kitchee Ki-Mi-o&#8221; e &#8220;Knoxville Girl&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: &#8220;Henry Lee&#8221;, &#8220;Where The Wild Roses Grow&#8221;.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Henry Lee&#8221;, &#8220;The Kindness of Strangers&#8221;, &#8220;Where The Wild Roses Grow&#8221;, &#8220;Death Is Not The The End&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Henry Lee&#8221;.<br \/>\nNota: 6,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15995 aligncenter\" title=\"nick_call\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_call.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_call.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_call-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_call-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>The Boatman&#8217;s Call (1997)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, \u00f3rg\u00e3o e piano), Mick Harvey (guitarra e \u00f3rg\u00e3o), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano), Jim Sclavunos (percuss\u00e3o), Warren Ellis (violino e acorde\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro relacionamento encerrado (com PJ dessa vez), outro grande disco como exerc\u00edcio de terapia e exorcismo interno. Por\u00e9m, se em &#8220;Let Love In&#8221; o desespero dava o tom, aqui a esperan\u00e7a \u00e9 fundamental, e o endeusamento da mulher, superior a Deus e o Diabo (&#8220;Nenhum Deus no mais alto dos C\u00e9us \/ Nem dem\u00f4nio algum sob o mar \/ Poderia conseguir o que voc\u00ea fez \/ Me colocar de joelhos&#8221;, canta Cave em &#8220;Brompton Oratory&#8221;) chega a ponto de menosprezar o ser masculino (em &#8220;Idiot Prayer&#8221;). Musicalmente, o \u00e1lbum \u00e9 composto por can\u00e7\u00f5es conduzidas ao piano (\u00e0s vezes, com o baixo preciso de Casey acompanhando com maestria), recebendo interven\u00e7\u00f5es discretas e certeiras dos outros instrumentos, que sutilmente fazem a can\u00e7\u00e3o acontecer e revelar-se de rara beleza. Assim acontece a guitarra em &#8220;Brompton Oratory&#8221;, com o violino em &#8220;Far From Me&#8221; e com o \u00f3rg\u00e3o em &#8220;(Are You) The One That I&#8217;ve Been Waiting For?&#8221; e &#8220;Lime Tree Arbour&#8221;. Wydler surpreende por saber quando n\u00e3o inventar na bateria e prova que nem todo bom baterista precisa ser uma m\u00e1quina de viradas (coisa que ele tamb\u00e9m faz bem). Completamente composto por Cave (letra e m\u00fasica), esse disc\u00e3o se define a partir da faixa inicial, &#8220;Into My Arms&#8221;, que ganhou o clipe mais angustiante da hist\u00f3ria (apenas closes p&amp;b em faces aos prantos). A letra? F\u00e9 e amor sendo distinguidos para logo ser provado que eles s\u00e3o todos parte de um \u00fanico todo, deixando a esperan\u00e7a de reconcilia\u00e7\u00e3o. Ou\u00e7a e tente ficar alheio &#8211; mesmo que n\u00e3o entenda a letra, o baixo, o piano e a voz de Nick se encarregar\u00e3o de deix\u00e1-lo sem palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: Cinco faixas b\u00f4nus na reedi\u00e7\u00e3o de 2009: &#8220;Little Empty Boat&#8221;, &#8220;Right Now I&#8217;m a Roaming&#8221;, &#8220;Black Hair (Band Version&#8221;, &#8220;Come Into My Sleep&#8221; e &#8220;Babe, I Got You Bad&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: &#8220;Into My Arms&#8221;, &#8220;(Are You) The One That I&#8217;ve Been Waiting For?&#8221;<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Into My Arms&#8221;, &#8220;(Are You) The One That I&#8217;ve Been Waiting For?&#8221;, &#8220;Brompton Oratory&#8221;, &#8220;Far From Me&#8221;, &#8220;Lime Tree Arbour&#8221;.<br \/>\nPreferidas: &#8220;Into My Arms&#8221;, &#8220;Brompton Oratory&#8221;.<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15996 aligncenter\" title=\"nicknomore\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nicknomore.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No More Shall We Part (2001)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, piano e \u00f3rg\u00e3o), Mick Harvey (guitarra, percuss\u00e3o e \u00f3rg\u00e3o), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano), Jim Sclavunos (percuss\u00e3o), Anna McGarringle (vocais), Kate McGarringle (vocais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra obra-prima, quase da mesma cepa de &#8220;Tender Prey&#8221; (um tiquinho inferior). J\u00e1 foi comentado faixa-a-faixa e tamb\u00e9m resenhado por Nick Hornby neste mesmo site (link no final), mas tentemos sumarizar: nas letras, Cave est\u00e1 mais religioso que nunca, e na m\u00fasica, os Bad Seeds est\u00e3o 100% Bad Seeds, ou seja, bateria fazendo harmonia, piano fazendo percuss\u00e3o, violino descendo \u00e0s saraivadas (aqui, Ellis come\u00e7aria a marcar forte presen\u00e7a na sonoridade da banda), guitarras econ\u00f4micos numa for\u00e7a bruta que parece ser contida para n\u00e3o pesar mais que os poderosos vocais (de Cave e das irm\u00e3s Anna e Kate McGarringle, essa \u00faltima m\u00e3e do \u00edcone pop-gay Rufus Wainright). Da delicadeza quase pop de &#8220;Love Letter&#8221; (que letra!) \u00e0 surpreendente &#8220;Fifteen Feet Of Pure White Snow&#8221; (&#8220;Levante suas m\u00e3os ao mais alto dos c\u00e9us \/ \u00c9 de se duvidar? \/ Oh, meu Deus!&#8221;, brada um Cave irado em meio ao caos de uma cidade soterrada pela neve), uma obra que atesta a singularidade e excel\u00eancia da proposta musical da banda. Se acabassem hoje, n\u00e3o teriam deixado nenhum f\u00e3 com a sensa\u00e7\u00e3o de que ainda haveria algo a se cumprir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: Oito faixas b\u00f4nus na reedi\u00e7\u00e3o de 2009: os b-sides &#8220;Goog Good Day&#8221;, &#8220;Little Janey&#8217;s Gone&#8221;, &#8220;Grief Came Riding&#8221; e &#8220;Bless His Ever Loving Heart&#8221; mais quatro faixas gravadas ao vivo para o programa Westside Session: &#8220;Fifteen Feet of Pure White Snow&#8221;, &#8220;God Is In The House&#8221;, &#8220;And No More Shall We Part&#8221; e &#8220;We Came Along This Road&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: &#8220;Fifteen Feet of Pure White Snow&#8221;.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Fifteen Feet of Pure White Snow&#8221;, &#8220;Love Letter&#8221;, &#8220;Oh My Lord&#8221;, &#8220;Hallelujah&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Fifteen Feet of Pure White Snow&#8221;<br \/>\nNota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15998\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"nocturama\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nocturama.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nocturama (2003)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, piano e \u00f3rg\u00e3o), Mick Harvey (guitarra, baixo, percuss\u00e3o e \u00f3rg\u00e3o), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria e percuss\u00e3o), Martyn P. Casey (baixo), Jim Sclavunos (percuss\u00e3o), Conway Savage (teclados), Warren Ellis (violino).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nocturama&#8221; foi gravado apenas em uma semana e nasceu com a miss\u00e3o de resgatar um som mais orientado para a banda e menos para o Cave crooner dos dois \u00faltimos \u00e1lbuns. N\u00e3o cumpriu esse objetivo \u00e0 risca, mas certamente rendeu um belo disco, musicalmente econ\u00f4mico e liricamente rico. A joia que mais brilhava era &#8220;Bring It On&#8221;, um pop intenso e vibrante, cujo clipe ia da sobriedade \u00e0 vulgaridade com insuspeito amor. Tinha o pren\u00fancio da barulheira que viria nos pr\u00f3ximos anos (&#8220;Dead Man In My Bed&#8221; e a intermin\u00e1vel &#8220;Babe, I\u2019m On Fire&#8217;), mas o que dominava as outras faixas era a busca pela sutileza e pelas frases ditas nos sil\u00eancios. Nesse sentido, cabe destacar &#8220;Rock of Gibraltar&#8221;, &#8220;He Wants You&#8221;, &#8216;Wonderful Life&#8221; e &#8220;She Passed By My Window&#8221;. \u00c9 um dos discos em que a contribui\u00e7\u00e3o de Blixa Bargeld foi mais destacada \u2013 e ele abandonou a banda ap\u00f3s seu lan\u00e7amento! H\u00e1 quem ache exagero, mas \u00e9 poss\u00edvel que isso tenha contribu\u00eddo bastante para a mudan\u00e7a sonora que viria nos \u00e1lbuns seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: Cinco faixas b\u00f4nus integram a reedi\u00e7\u00e3o de 2012: &#8220;Shoot Me Down&#8221;, &#8220;Swing Low&#8221;, &#8220;Little Ghost Song&#8221;, &#8220;Everything Must Converge&#8221; e &#8220;Nocturama&#8221;<\/p>\n<p>Sucessos: &#8220;Bring It On&#8221;.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Bring It On&#8221;, &#8220;He Wants You&#8221;, &#8220;Wonderful Life&#8221;, &#8220;She Passed By My Window&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Wonderful Life&#8221;<br \/>\nNota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-15999 aligncenter\" title=\"abbatoir\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/abbatoir.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/abbatoir.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/abbatoir-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/abbatoir-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abattoir Blues \/ The Lyre of Orpheus (2004)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz e piano), Mick Harvey (guitarra), Thomas Wydler (bateria e percuss\u00e3o), Martyn P. Casey (baixo), Jim Sclavunos (bateria e percuss\u00e3o), Conway Savage (teclados), Warren Ellis (violino, bandolim, flauta e bouzouki), James Johnston (\u00f3rg\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um disco duplo gravado em doze dias \u2013 Cave e os Bad Seeds estavam muito a fim de tocar, e queriam se arriscar. Nunca se havia escutado tanta varia\u00e7\u00e3o musical em um disco da banda, que poderia ir desde a soul music (de maneira tranquila em &#8220;Abattoir Blues&#8221; e com energia avassaladora em &#8220;There She Goes, My Beautiful World&#8221;) ao pop (&#8220;Nature Boy&#8221; e &#8220;Let the Bells Ring&#8221;) e ainda caber folk (&#8220;Breathless&#8221;), country (&#8220;Baby You Turn Me On&#8221;) e a t\u00edpica can\u00e7\u00e3o badseediana (&#8220;Messiah Ward&#8221;, &#8220;Easy Money&#8221;, &#8220;Supernaturally&#8221;). Muito pichado na \u00e9poca (imagine, havia rock\u2019n\u2019roll pesado e&#8230; dan\u00e7ante! Vide &#8220;Get Ready for Love&#8221;), \u00e9 na verdade um dos trabalhos mais completes da banda, que recebeu o refor\u00e7o de James Johnson (Gallon Drunk) no lugar de Blixa Bargeld. Curiosidades: a bateria foi assumida por um integrante diferente em cada disco, Wydler em &#8220;The Lyre of Orpheus&#8221; e Sclavunos em &#8220;Abattoir Blues&#8221;; e o disco foi n\u00famero 1 nas paradas&#8230; da Noruega!<\/p>\n<p>Tracking List: Quatro faixas b\u00f4nus aparecem na reedi\u00e7\u00e3o de 2012: &#8220;She&#8217;s Leaving You&#8221;, &#8220;Under This Moon&#8221;, &#8220;Hiding All Away (Live at Maida Vale)&#8221; e &#8220;There She Goes, My Beautiful World (Live at Maida Vale)&#8221;<\/p>\n<p>Sucessos: &#8220;Nature Boy&#8221; e &#8220;Breathless&#8221;.<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;There She Goes\u2026&#8221;, &#8220;Nature Boy&#8221;, &#8220;Messiah Ward&#8221;, &#8220;Abattoir Blues&#8221;, &#8220;Breathless&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;There She Goes\u2026&#8221;<br \/>\nNota: 9,5.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-16000 aligncenter\" title=\"nick_dig\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/nick_dig.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dig, Lazarus, Dig!!! (2008)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, piano, \u00f3rg\u00e3o, percuss\u00e3o e guitarra), Mick Harvey (guitarra, baixo, viol\u00e3o e \u00f3rg\u00e3o), Thomas Wydler (bateria e percuss\u00e3o), Martyn P. Casey (baixo), Jim Sclavunos (bateria e percuss\u00e3o), Conway Savage (teclados), Warren Ellis (viola, guitarra, bateria eletr\u00f4nica, percuss\u00e3o, flauta, bandolim e piano), James Johnston (\u00f3rg\u00e3o e guitarra).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O choque aqui foi muito maior que no \u00e1lbum anterior. Os Bad Seeds haviam se tornado a maior banda de bar\/garagem do mundo! Oito malucos lascivos compondo cr\u00f4nicas urbanas que foram descritas pelo New Musical Express como \u201cum apocalipse g\u00f3tico psicossexual\u201d. O \u00e1lbum mais veloz dos Bad Seeds, &#8220;Dig, Lazarus, Dig!!!&#8221; \u00e9 urgente, safado, alto (e n\u00e3o s\u00f3 nas guitarras, mas tamb\u00e9m nos vocais e nos teclados). At\u00e9 a desacelera\u00e7\u00e3o de &#8220;Night of The Lotus Eaters&#8221; tinha um peso bruto distinto, inaudito at\u00e9 ent\u00e3o. Tem muita influ\u00eancia do Grinderman (o projeto paralelo de rock garageiro que Cave montou com Ellis, Casey e Sclavunos), mas a linguagem \u00e9 outra \u2013 bem mais interessante, ali\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tracking List: Tr\u00eas faixas b\u00f4nus surgem na reedi\u00e7\u00e3o de 2012, &#8220;Accidents Will Happen&#8221;, &#8220;Fleeting Love&#8221; e &#8220;Hey Little Firing Squad&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: &#8220;Dig, Lazarus, Dig!!!&#8221;<br \/>\nMelhores faixas: &#8220;Today\u2019s Lesson&#8221;, &#8220;Albert Goes West&#8221;, &#8220;Dig, Lazarus, Dig!!!&#8221;, &#8220;Jesus of The Moon&#8221;.<br \/>\nPreferida: &#8220;Today\u2019s Lesson&#8221;<br \/>\nNota: 9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/cave.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Push the Sky Away (2013)<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Nick Cave (voz, piano), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Jim Sclavunos (percuss\u00e3o), Conway Savage (vocais), Warren Ellis (violino, viola, guitarra, flauta e sintetizadores)<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dizer se &#8220;Push the Sky Away&#8221; \u00e9 um bom \u00e1lbum. Porque sim, tem muitos m\u00e9ritos, mas empalidece na compara\u00e7\u00e3o com o passado dos Bad Seeds. Ou melhor, parece um bom disco de uma banda que n\u00e3o \u00e9 os Bad Seeds. Se \u201cJubilee Street\u201d pode, por seu lado, estar junto aos melhores momentos da banda, h\u00e1 faixas como \u201cWe Real Cool\u201d e o single \u201cWe No Who U Are\u201d que parecem ser de outra banda \u2013 talvez um Grinderman mais tranquilo e menos alto, j\u00e1 que o n\u00facleo essencial da banda, sem Bargeld e Harvey, parece ter sido reduzido a um Grinderman desprovido do alto volume, reservando destaque principalmente ao multi-instrumentista Warren Ellis. Como um todo, o resultado final n\u00e3o \u00e9 empolgante, mas h\u00e1 momentos em que se percebe que houve vontade maior do a simples comodidade de soar \u201cesquisito\u201d e auto-complacente. Uma vers\u00e3o de luxo foi lan\u00e7ada incluindo um DVD (e outra com um vinil de 7\u2019) com duas faixas b\u00f4nus, \u201cNeedle Boy\u201d e \u201cLightining Bolts\u201d, mas sinceramente, n\u00e3o acrescentam nada.<\/p>\n<p>Sucessos: nenhum<br \/>\nMelhores faixas: \u201cJubilee Street\u201d, \u201cMermaids\u201d, \u201cHiggs Boson Blues\u201d<\/p>\n<p>Preferida: \u201cJubilee Street\u201d<br \/>\nNota: 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16001\" title=\"niccave_live\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/niccave_live.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/niccave_live.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/niccave_live-300x75.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>COLET\u00c2NEAS E REGISTROS AO VIVO<\/strong><br \/>\n&#8220;The Best of Nick Cave And The Bad Seeds&#8221; traz todos os lados A de todos os singles de &#8220;The First Born Is Dead&#8221; a &#8220;The Boatman&#8217;s Call&#8221;, menos os de &#8220;Kicking Against The Pricks&#8221;. Serve aquele lugar-comum: nem tudo que deveria constar est\u00e1 aqui, mas tudo que aqui est\u00e1 \u00e9 obrigat\u00f3rio (\u00e0 poss\u00edvel exce\u00e7\u00e3o de &#8220;The Carny&#8221;, substitu\u00edvel por pelos menos 35 outras faixas mais interessantes). A primeira edi\u00e7\u00e3o trouxe como b\u00f4nus um disco ao vivo da turn\u00ea do \u00e1lbum de 1997. Em 2005, saiu a colet\u00e2nea &#8220;B-Sides &amp; Rarities&#8221;, cujo t\u00edtulo \u00e9 auto-explicativo: tem vers\u00f5es ac\u00fasticas de hits, faixas que s\u00f3 sa\u00edram em singles, participa\u00e7\u00f5es em tributos (a Neil Young e Leonard Cohen) e trilhas sonoras, al\u00e9m de faixas in\u00e9ditas, tudo num CD triplo (e com muita coisa que acabou sendo distribuida na reedi\u00e7\u00e3o de 2009\/2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Live Seeds&#8221; (1993) foi o primeiro ao vivo da banda, e \u00e9 decepcionante. Sem exibir metade da vitalidade habitual, os Bad Seeds acabam deixando as can\u00e7\u00f5es algo frouxas, sem peso \u2013 at\u00e9 &#8220;The Mercy Seat&#8221; perde impacto aqui. S\u00e3o justamente as mais calminhas que t\u00eam valor not\u00e1vel, como &#8220;New Morning&#8221;, &#8220;The Ship Song&#8221; e &#8220;The Good Son&#8221;. Trazia uma in\u00e9dita, &#8220;Plain Gold Ring&#8217;, chata, chata. &#8220;The Abattoir Blues Tour&#8221; (2007) \u00e9 bem melhor: foca, evidentemente, no album da turn\u00ea, mas tem \u00f3timas vers\u00f5es de &#8220;The Weeping Song&#8221;, &#8220;Deanna&#8221;, &#8220;Lay Me Low&#8221; e outras antigas. A vers\u00e3o deluxe vinha com um DVD duplo \u2013 um disco traz uma apresenta\u00e7\u00e3o na Brixton Academy, de Londres, e outro mistura clipes e can\u00e7\u00f5es gravadas no Hammersmith Apollo, tamb\u00e9m de Londres. Por fim, &#8220;Live at the Royal Albert Hall&#8221; \u00e9 a edi\u00e7\u00e3o \u201coficial\u201d do disco que era b\u00f4nus na colet\u00e2nea de 1993 (com quatro m\u00fasicas a mais menos \u201dThe Weeping Song\u201d). Um show correto, focado no repert\u00f3rio mais baladeiro de &#8220;The Boatman\u2019s Call&#8221;, que traz a curiosidade de ter uma rendi\u00e7\u00e3o de &#8220;Where the Wild Roses Grow&#8221; com o vocal de Blixa Bargeld.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16002\" title=\"cave_projetos\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/cave_projetos.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PROJETOS PARALELOS<\/strong><br \/>\nNick Cave \u00e9 muito inquieto. Para ser justo, quase todos os Bad Seeds tamb\u00e9m o s\u00e3o. Ent\u00e3o vamos dar um passeio por um pouco do que esses cidad\u00e3os fizeram por a\u00ed (vai faltar coisa, vou avisando).\u00a0O homem escreveu livros, comp\u00f4s trilhas sonoras (leia a respeito mais pra baixo) e teve in\u00fameras participa\u00e7\u00f5es em discos de outros artistas, de Ute Lemper a Seasick Steve. Tamb\u00e9m gravou faixas solo, como \u201cThere Is a Light\u2019 (da trilha de &#8220;Batman Eternamente&#8221;), e covers dos Beatles como \u201cHere Comes the Sun\u201d e \u201cLet It Be\u201d (presentes na trilha do filme &#8220;Uma Li\u00e7\u00e3o de Amor&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ainda excursionou \u201csolo\u201d com Ellis, Casey e Sclavunos (tocando m\u00fasicas dos Bad Seeds, inclusive) ao longo dos anos 1980. Essa forma\u00e7\u00e3o, que tinha o carinhoso apelido de \u201cMini-Seeds\u201d, acabou virando uma banda de verdade, o Grinderman, que gravou dois discos (&#8220;Grinderman&#8221;, de 2007, e &#8220;Grinderman 2&#8221;, de 2010). Rock garageiro alto e muito barulhento, entupido de efeitos de guitarra e ru\u00eddos. \u00d3timo para quem gosta dessa linguagem musical, dif\u00edcil para quem n\u00e3o est\u00e1 acostumado a ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mick Harvey, por sua vez, tamb\u00e9m teve seu \u201cMini-Seeds\u201d, por assim dizer. Em 2006, sua turn\u00ea solo tinha James Johnston e Thomas Wydler junto \u00e0 baixista Rosie Westbrook como banda de acompanhamento. Tamb\u00e9m excursionou com Wydler, Conway Savage e Martyn P. Casey. Durante quase 40 anos foi parceiro de Nick (a amizade vinha desde os tempos do Birthday Party), e ainda gravou seis \u00e1lbuns solo, produziu discos de amigos como PJ Harvey e Rowland S. Howard, fez parte do Crime and The City Solution entre 1985 e 1990 e lan\u00e7ou um EP com a banda The Wallbangers em 2007. Infelizmente, deixou os Seeds em 2009, alegando que a rela\u00e7\u00e3o com Cave estava desgastada, e tamb\u00e9m que a dire\u00e7\u00e3o musical que a banda vinha tomando n\u00e3o lhe agradava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Bad Seeds vinham de outras bandas, e muitas vezes era dif\u00edcil saber qual era o projeto principal e quais os paralelos: Thomas Wydler com o Die Haut, Kid Congo Powers com o Gun Club e os Cramps, Blixa Bargeld com o Einst\u00fcrzende Neubauten, Warren Ellis com o excelente Dirty Three, James Johnston com o Gallon Drunk, Martyn P. Casey com os Triffids, Jim Sclavunos com o Vanity Set e muitas outras (inclusive os Cramps)&#8230; Al\u00e9m disso, muitos deles t\u00eam longas carreiras solo \u2013 Harvey e Barry Adamson talvez sejam os mais prol\u00edficos, com este \u00faltimo produzindo ou mixando diferentes artistas. Vale checar as grava\u00e7\u00f5es dos dois com calma, h\u00e1 muito material de alta qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16003\" title=\"trilhas\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/trilhas.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/trilhas.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/trilhas-300x75.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>TRILHAS SONORAS<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 outro caminho que muitos dos Bad Seeds tomaram. Blixa Bargeld fez trilhas para pe\u00e7as de teatro que tiveram registro fonogr\u00e1fico, Harvey comp\u00f4s para filmes cult como &#8220;Ghosts&#8230; of the Civil Dead&#8221;, mas Cave e Ellis s\u00e3o os que t\u00eam o conjunto da obra de maior destaque. Juntos, compuseram para oito filmes \u2013 majoritariamente, temas instrumentais para todos eles \u2013 incluindo os \u00f3timos trabalhos de John Hillcoat, como &#8220;A Proposta&#8221; (que tem a espetacular \u201cThe Rider Song\u201d) e &#8220;A Estrada&#8221;. As composi\u00e7\u00f5es dos dois, que foram muitas vezes apresentadas ao vivo, s\u00e3o firmemente baseadas em violino e piano. H\u00e1 uma colet\u00e2nea dupla, &#8220;White Lunar&#8221;, que passa uma boa peneira na carreira musical cinematogr\u00e1fica de Cave e Ellis.<\/p>\n<p><strong>FILMES<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-28896 aligncenter\" title=\"nickcave\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/nickcave.jpg\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/nickcave.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/nickcave-203x300.jpg 203w\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"665\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNick Cave: 20 Mil Dias na Terra\u201d, de Iain Forsyth e Jane Pollard (2014)<br \/>\npor\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><br \/>\nExemplar mistura de document\u00e1rio com fic\u00e7\u00e3o que deixa no ar uma aura de mist\u00e9rio que casa muito bem com o personagem retratado, \u201c20 Mil Dias na Terra\u201d flagra (apenas em teoria) um dia na vida de Nick Cave (o de n\u00famero 20 mil \/ 54 anos), desde quando o despertador toca e ele come\u00e7a a teorizar sobre a vida (\u201cEu acordo, eu escrevo, eu como, eu escrevo, eu assisto TV\u201d), passando por ensaios com os Bad Seeds (flagrados durante as grava\u00e7\u00f5es do que viria a ser o \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/19\/lanegan-garwood-cave-thread\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Push The Sky Away<\/a>\u201d, de 2013), visitas ao grande parceiro Warren Ellis, com quem Nick j\u00e1 dividiu a assinatura da trilha sonora de oito filmes e duas pe\u00e7as de teatro (n\u00e3o \u00e0 toa, Warren diz em certo momento: \u201cAcho que j\u00e1 almocei mais vezes com voc\u00ea do que com minha esposa\u201d) e interessantes conversas em trajetos de carro com o ator brit\u00e2nico Ray Winstone, com o ex-parceiro Blixa Bargeld (com quem Cave acerta contas pessoais) e com a cantora Kylie Minogue (\u201cSua miss\u00e3o \u00e9 aterrorizar a plateia?\u201d, ela questiona divertidamente em certo momento). Num dos melhores trechos do filme, Nick Cave conversa com o psic\u00f3logo Darian Leader, e fala sobre seu pai, sobre um show marcante de Nina Simone, religi\u00e3o, drogas e, principalmente, sobre seu maior medo: perder a mem\u00f3ria. A esposa Susie Cave ganha uma declara\u00e7\u00e3o de amor poderosa e os filhos, g\u00eameos, fazem uma pequena ponta assistindo com o pai ao filme \u201cScarface\u201d (1983), de Brian De Palma. A edi\u00e7\u00e3o de Jonathan Amos (\u201cScott Pilgrim Contra o Mundo\u201d, 2010) \u00e9 engenhosa e brilhante enquanto o roteiro, assinado pela dupla de diretores com Nick Cave, consegue fugir do didatismo, tanto cronol\u00f3gico quanto tem\u00e1tico, e, ainda assim, n\u00e3o soar voltado apenas para f\u00e3s. O mote \u00e9 despir a persona criativa de Nick Cave sem desvendar seu mist\u00e9rio, muito pelo contr\u00e1rio, engrandecendo-o. Entre \u00f3timas passagens musicais, bela fotografia e algumas mem\u00f3rias, \u201cNick Cave: 20 Mil Dias na Terra\u201d se posiciona, ao lado de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/01\/6%C2%BA-in-editbrasil-um-filme-por-dia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pulp: A Film About Life, Death &amp; Supermarkets<\/a>\u201d (2014), com um dos melhores filmes musicais do cinema recente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48897 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/onmore.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/onmore.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/onmore-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cOne More Time with Feeling\u201d, de Andrew Dominik (2016)<\/strong><br \/>\n<strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><br \/>\nEm julho de 2015, Nick Cave perdeu seu filho, ent\u00e3o com 15 anos, que caiu de um penhasco pr\u00f3ximo de sua casa, em Brighton, Inglaterra. Nick estava trabalhando em \u201cSkeleton Tree\u201d, que viria a ser seu 16\u00ba disco de est\u00fadio, e a morte do filho, como era de se esperar, influenciou decididamente o rumo do \u00e1lbum. Abalado e em sil\u00eancio, Nick Cave decidiu convidar o cineasta Andrew Dominik para registrar os \u00faltimos 10 dias de grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, j\u00e1 em fevereiro de 2016, e concordou em falar sobre a perda em entrevistas improvisadas pelo diretor numa atitude que, depois ele explicaria, visava evitar ter que falar mais para toda a imprensa. O resultado, tal qual o \u00e1lbum, \u00e9 doloroso. Filmado lindamente em 3D preto e branco, \u201cOne More Time with Feeling\u201d flagra Nick e a esposa Susie Cave quase despeda\u00e7ando. Em certo momento, o poeta, escritor e pai Nick diz que as palavras perderam o sentido. Mais para frente, se revolta consigo mesmo: \u201cN\u00e3o sei o que estou fazendo aqui, com todas essas c\u00e2meras me filmando\u201d, no que recebe o apoio do diretor: \u201cPra mim tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nada confort\u00e1vel\u201d. Numa analogia perfeita, ele explica que traumas s\u00e3o como el\u00e1sticos: \u201cVoc\u00ea pode tentar esticar, mas ele ir\u00e1 voltar com for\u00e7a em algum momento\u201d. Desta forma, \u201cOne More Time with Feeling\u201d soa como uma terapia p\u00fablica de um casal que perdeu seu filho ainda jovem, e ao inv\u00e9s de fugir do trauma esticando o el\u00e1stico at\u00e9 o limite, decidiu enfrentar a trag\u00e9dia com aquilo que eles tinham nas m\u00e3os: arte, m\u00fasica, dor e sinceridade. Um filme corajoso para ver, respeitar e chorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20172\" title=\"nickcave1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/nickcave1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/nickcave1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/nickcave1-300x193.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cDoce Mis\u00e9ria &#8211; A suaviza\u00e7\u00e3o de Nick Cave\u201d, por Nick Hornby (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/08\/27\/doce-miseria-a-suavizacao-de-nick-cave\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Suede, por Eduardo Palandi (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/15\/discografia-comentada-suede\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Alanis Morissette, por Renata Arruda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/13\/discografia-comentada-alanis-morissette\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Pato Fu, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/26\/discografia-comentada-pato-fu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Mogwai, por Elson Barbosa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/09\/discografia-comentada-mogwai\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Wander Wildner, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/06\/discografia-comentada-wander-wildner\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Foo Fighters, por Tomaz de Alvarenga (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/discografia-comentada-foo-fighters\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Morrissey, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/21\/discografia-comentada-morrissey\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Bob Dylan, por Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Paul McCartney, por Wilson Farina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2011\/06\/22\/discografia-comentada-paul-mccartney\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Echo and The Bunnymen, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2009\/06\/11\/discografia-comentada-echo-the-bunnymen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: The Cure, por Samuel Martins (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2010\/09\/20\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Leonard Cohen, por Julio Costello (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/leonardcohen.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/midnightoil_discografia.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Nick Cave, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/nickacvediscografia.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: The Clash, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/clash_discografia.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Acompanhe \u00e1lbum a \u00e1lbum a carreira de Nick Cave ao lado dos Bad Seeds, a maior banda de bar\/garagem do mundo!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/04\/discografia-comentada-nick-cave\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":48898,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[350],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15985"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15985"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15985\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48899,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15985\/revisions\/48899"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}