{"id":15861,"date":"2012-09-19T12:40:34","date_gmt":"2012-09-19T15:40:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=15861"},"modified":"2024-03-26T05:20:50","modified_gmt":"2024-03-26T08:20:50","slug":"scream-yell-recomenda-jair-naves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/19\/scream-yell-recomenda-jair-naves\/","title":{"rendered":"Scream &#038; Yell recomenda: Jair Naves"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15863\" title=\"jair_naves_liliane_callegari\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/jair_naves_liliane_callegari.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/elson\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Elson Barbosa<\/a><br \/>\nfotos por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Liliane Callegari<\/a><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Jair Naves \u00e9 um artista inquieto. Da primeira metade de sua carreira \u00e0 frente da extinta Ludovic &#8211; respons\u00e1veis por alguns dos shows mais intensos e violentos do underground paulista &#8211; at\u00e9 a fase atual, mais l\u00edrica e intimista, muita coisa mudou. &#8220;Araguari&#8221;, seu elogiado EP solo de 2010, j\u00e1 dava as pistas, com suas letras de amor e desilus\u00f5es ao viol\u00e3o. Agora o m\u00fasico paulista lan\u00e7a seu primeiro \u00e1lbum completo e de t\u00edtulo quilom\u00e9trico &#8211; &#8220;E voc\u00ea se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o ch\u00e3o com as pr\u00f3prias unhas&#8221;. Apesar do nome forte, Jair diz que \u00e9 o disco mais leve e otimista que j\u00e1 fez. Baladas como &#8220;Poucas Palavras Bastam&#8221;, &#8220;Maria L\u00facia, Santa Cec\u00edlia e Eu&#8221; e &#8220;A Meu Ver&#8221; atestam a opini\u00e3o do compositor, enquanto &#8220;Pronto Para Morrer&#8221; &#8211; o primeiro single tirado do \u00e1lbum &#8211; traz uma batida mais forte, lembrando sua extinta banda. &#8220;Apesar da sonoridade leve, ele \u00e9 um anti-pop-rock&#8221;, define. As mudan\u00e7as s\u00f3 fazem enriquecer seu trabalho: &#8220;Eu percebo que as pessoas ficam meio sem saber o que pensar. Eu acho muito massa isso&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas letras continuam tendo uma for\u00e7a incomum no cen\u00e1rio brasileiro. N\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o diretas como na \u00e9poca do Ludovic, mas ainda soam complexas. &#8220;Continua sendo tudo muito pessoal, mas talvez n\u00e3o t\u00e3o expl\u00edcito mesmo&#8221;, ele comenta, e completa: &#8220;Busquei nas letras fazer a mesma coisa que a gente faz musicalmente, que \u00e9 abrir o leque o m\u00e1ximo poss\u00edvel, e n\u00e3o fazer sempre a mesma abordagem&#8221;. E mesmo com o tom leve do disco, o m\u00fasico n\u00e3o facilita: &#8220;Na hora de fazer m\u00fasica ou escolher algum clipe eu n\u00e3o escolho qual tem o refr\u00e3o mais assobi\u00e1vel. Eu posso estar muito errado fazendo isso, mas \u00e9 como eu acho que tem que ser&#8221;, assume, dando o tom do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrevista abaixo foi gravada no apartamento do m\u00fasico, em um feriado ensolarado em S\u00e3o Paulo. Conversar sobre m\u00fasica com ele \u00e9 um praze, pois Jair Naves \u00e9 um artista que pesquisa, ouve de tudo, l\u00ea de tudo, frequenta shows de outras bandas. A decora\u00e7\u00e3o do apartamento entrega &#8211; uma mesinha de canto guarda diversos livros e revistas importadas de m\u00fasica. Ainda com o gravador desligado, conversamos sobre Patti Smith, Om, Ringo Deathstarr [banda obscura que havia tocado em SP alguns dias antes], e outros nomes do cen\u00e1rio independente atual. Com o gravador ligado, falamos sobre as grava\u00e7\u00f5es do disco novo, letras e t\u00edtulos de m\u00fasica inusitados, dificuldades na carreira art\u00edstica, e a prepara\u00e7\u00e3o para uma s\u00e9rie de shows s\u00f3 com voz e viol\u00e3o &#8211; &#8220;pra mim o preceito b\u00e1sico do punk rock, fa\u00e7a voc\u00ea mesmo com o m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis&#8221;. Com voc\u00eas, Jair Naves:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"E Voc\u00ea Se Sente numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Ch\u00e3o Com as Pr\u00f3prias Unhas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kIUwmnrINL65ofQbwOdCFW7DLXd-agdvY\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos come\u00e7ar falando do disco novo. At\u00e9 anotei o t\u00edtulo porque n\u00e3o consegui decorar (risos): &#8220;E voc\u00ea se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o ch\u00e3o com as pr\u00f3prias unhas&#8221;. Ouvindo o disco at\u00e9 procurei esse trecho em alguma letra e n\u00e3o achei&#8230;<\/strong><br \/>\nO t\u00edtulo veio de uma frase de uma das m\u00fasicas que a gente chegou a gravar, mas n\u00e3o entrou no disco. Mesmo n\u00e3o tendo entrado, achei que resumia muito bem o esp\u00edrito do disco. E \u00e9 um t\u00edtulo que as pessoas t\u00eam interpretado de uma forma meio m\u00f3rbida, como se fosse uma esp\u00e9cie de niilismo. Na verdade \u00e9 o oposto. Acho que esse \u00e9 o disco mais leve e otimista que eu j\u00e1 fiz \u2013 claro que tendo em vista que meu passado n\u00e3o \u00e9 muita coisa (risos). Mas \u00e9 um disco mais leve mesmo. E a ideia que esse t\u00edtulo me passa \u00e9 de um inconformismo e inquieta\u00e7\u00e3o muito grandes. De voc\u00ea n\u00e3o estar satisfeito com a sua vida, com o seu cotidiano, com o seu emprego, com o seu rumo profissional ou afetivo, e voc\u00ea querer mudar isso de qualquer forma e apelar para o \u00faltimo dos recursos, que \u00e9 o equivalente a cavar o ch\u00e3o com as pr\u00f3prias unhas. Eu queria ter conseguido me expressar melhor para as pessoas captarem isso, mas ainda assim eu gosto dessa imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma imagem forte mesmo.<\/strong><br \/>\n\u00c9. E eu ainda gosto do fato de ser longo. Eu sempre compus m\u00fasicas muito longas. O Ludovic tinha uma m\u00fasica chamada &#8220;Teoria e Pr\u00e1tica na Voz de um Veterano Ofegante&#8221;, e eu tenho outra chamada &#8220;Minha C\u00famplice, Minha Irm\u00e3, Minha Amante&#8221; [j\u00e1 da carreira solo], e pensei que um nome de disco longo assim seria interessante. N\u00e3o acontece muito. At\u00e9 procurei uns paralelos. Um recente que foi bem-sucedido \u00e9 o da Fiona Apple [&#8220;The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do&#8221;]. Tem o do Emicida tamb\u00e9m [&#8220;Pra quem j\u00e1 Mordeu um Cachorro por Comida, at\u00e9 que eu Cheguei Longe&#8230;&#8221;], outros do Bright Eyes, Bruce Springsteen&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Smiths tinham v\u00e1rios t\u00edtulos longos.<\/strong><br \/>\nSim, v\u00e1rios. Discos nem tanto, mas tinham &#8220;Please Please Please Let Me Get What I Want&#8221;, e outras. E eu gosto assim, acho que instiga a curiosidade das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que observei sobre as letras \u00e9 que voc\u00ea normalmente n\u00e3o escolhe o t\u00edtulo mais f\u00e1cil de lembrar, tirado do refr\u00e3o. Voc\u00ea pega uma frase tirada l\u00e1 do meio da m\u00fasica ou at\u00e9 inventa outro t\u00edtulo, algo que n\u00e3o \u00e9 muito comum no pop rock.<\/strong><br \/>\n\u00c9, mas a grande coisa desse novo projeto \u00e9 que apesar da sonoridade leve, ele \u00e9 um anti-pop-rock. Uma coisa que me influenciou muito, pode at\u00e9 soar meio pedante dizer, \u00e9 que gosto de nome de pinturas e fotografias. Porque geralmente eles pegam o sentimento da coisa, e n\u00e3o tem um racioc\u00ednio reducionista tipo &#8220;quais as duas ou tr\u00eas \u00faltimas palavras do refr\u00e3o&#8221; e colocam como t\u00edtulo. Normalmente \u00e9 um t\u00edtulo que d\u00e1 uma ideia geral. Foi o que pensei para o disco e para algumas das m\u00fasicas. Quando pensei no t\u00edtulo da &#8220;Pronto Para Morrer&#8221; fiquei pensando: &#8220;Putz, mas n\u00e3o \u00e9 bem isso&#8221;. Ent\u00e3o peguei uma outra frase pra completar o racioc\u00ednio [obs: o t\u00edtulo completo \u00e9 &#8220;Pronto Para Morrer (O Poder De Uma Mentira Dita Mil Vezes)&#8221;].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas ao mesmo tempo, essa &#8220;Poucas Palavras Bastam&#8221;, que foi a que mais gostei do disco, \u00e9 bem redondinha, bem pop rock.<\/strong><br \/>\nSim, acho que a sonoridade \u00e9 bem mais leve. Mas \u00e9 mais o racioc\u00ednio de quem vai pra essa \u00e1rea de banda pop, de ter uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande em fazer coisas que se encaixem. Eu acho justamente que \u00e9 mais divertido voc\u00ea fazer coisas que n\u00e3o s\u00e3o comuns, porque isso acaba sendo mais chamativo. E essa &#8220;Poucas Palavras Bastam&#8221;, quando eu batizei, foi at\u00e9 um pouco ir\u00f4nico, porque \u00e9 tudo t\u00e3o quilom\u00e9trico, pensei em colocar uma m\u00fasica com esse nome pra dar um quebrada (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jair Naves - No fim da ladeira, entre vielas tortuosas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4i4Omc0RmcA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fazendo hoje uma compara\u00e7\u00e3o com o Ludovic, suas letras antes eram bem mais diretas, bem mais primeira-pessoa, e hoje s\u00e3o muito mais l\u00edricas e metaf\u00f3ricas. O que mudou? Foi uma evolu\u00e7\u00e3o na hora de se expressar?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. Continua sendo tudo muito pessoal, mas talvez n\u00e3o t\u00e3o expl\u00edcito mesmo. Gosto de trabalhar com imagens, pequenas hist\u00f3rias. No Ludovic de fato era mais direto, mas a musicalidade tamb\u00e9m era mais direta, com m\u00fasicas de dois ou tr\u00eas minutos. E agora peguei gosto pelas m\u00fasicas maiores. Pra mim foi um susto ver que no disco novo tem quatro m\u00fasicas com mais de seis minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Notei isso tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nE pra mim n\u00e3o aparentava. S\u00f3 quando gravei que notei: &#8220;Caralho essa m\u00fasica tem quase sete minutos, como \u00e9 que pode&#8221;. E uma coisa que busquei tamb\u00e9m nas letras \u00e9 fazer a mesma coisa que a gente faz musicalmente que \u00e9 abrir o leque o m\u00e1ximo poss\u00edvel, e n\u00e3o fazer sempre a mesma abordagem. Continua tendo muitas coisas diretas, tem versos que s\u00e3o at\u00e9 dif\u00edceis de cantar de t\u00e3o pessoais. Mas outras coisas eu tento maquiar, tento colocar na terceira pessoa, ou alguma met\u00e1fora que seja um pouco mais dif\u00edcil de entender. Fica menos entediante pra quem ouve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Peguei pra ler algumas entrevistas antigas em que as pessoas perguntavam sobre interpreta\u00e7\u00f5es de algumas letras, e notei que as respostas eram sempre algo como: &#8220;Olha eu prefiro n\u00e3o falar sobre isso&#8221;. Voc\u00ea n\u00e3o gosta muito de interpretar as letras?<\/strong><br \/>\nAcho que tira a gra\u00e7a. \u00c9 como voc\u00ea explicar a piada. N\u00e3o sei, \u00e9 legal a pessoa dar a sua pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes ela se identifica com aquilo por dar uma interpreta\u00e7\u00e3o pessoal. Se voc\u00ea fala o que foi que voc\u00ea pensou na hora de escrever pode deixar de ter a gra\u00e7a. Tentando pensar em algum exemplo&#8230; Ah &#8220;Brown Sugar&#8221; [dos Rolling Stones]. Sempre achei que era sobre hero\u00edna, e na verdade era alguma hist\u00f3ria sobre a escravid\u00e3o dos EUA, em que o &#8220;brown sugar&#8221; na verdade eram as mulheres negras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rio? Eu achava que era hero\u00edna mesmo.<\/strong><br \/>\nEu sempre achei tamb\u00e9m. Ou isso era uma outra interpreta\u00e7\u00e3o que inventaram. Mas parece que o Mick Jagger falava que era uma hist\u00f3ria bem mais suja do que parece. E quando eu soube disso pensei: &#8220;Ah, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o legal&#8221;. Ent\u00e3o prefiro ficar na minha e n\u00e3o estragar a interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi a grava\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nFoi \u00f3tima. Foi o disco mais tranquilo de gravar. A gente chegou com uma ideia de ser muito org\u00e2nico e revelador, mesmo que n\u00e3o fosse muito positivo. Ent\u00e3o n\u00e3o teve p\u00f3s-edi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teve autotune, n\u00e3o teve nada. Teve uma ou outra coisa s\u00f3 que a gente fez, mas era mais fade-out, essas coisas assim, ent\u00e3o foi um disco muito org\u00e2nico mesmo. Eu estava muito bem cercado, os m\u00fasicos que tocam comigo s\u00e3o muito bons. O Babalu na bateria, o Renato Ribeiro na guitarra, o Molinari (que era o baixista da The Name) e o Alexandre Xavier \u2013 que tocava piano comigo. Todos muito bons. Ent\u00e3o foi bem r\u00e1pido e bem tranquilo. E o Fernando Sanches conduziu muito bem, foi muito bom gravar com ele. Nunca tinha gravado com algu\u00e9m que entendesse de rock de fato. Quase tudo que gravei na vida, com o Ludovic e solo, foi com pessoas que n\u00e3o dominavam a linguagem de rock. Ent\u00e3o a gente ficava quebrando a cabe\u00e7a pra descobrir as coisas por conta pr\u00f3pria. E nesse eu falava: &#8220;Ah, eu quero uma sujeira de guitarra tipo das baladas do Replacements no &#8216;Let It Be'&#8221;, e ele sabia o que era e no ato fazia. Isso muda tudo, o cara ter a mesma refer\u00eancia. Foi \u00f3timo. Eu sinto falta dessa transpar\u00eancia. \u00c9 tudo muito ilusoriamente perfeito hoje em dia. As bandas chegam e ficam editando tanto, parece que est\u00e1 tudo super afinado, n\u00e3o tem uma notinha fora do lugar, n\u00e3o tem um barulho sobrando de voz, nada. E eu acho que o legal de rock \u00e9 que seja um pouco imperfeito, \u00e9 o g\u00eanero musical que d\u00e1 mais liberdade pra isso. Voc\u00ea pega os primeiros discos do Led Zeppelin e voc\u00ea ouve o barulho do pedal de bumbo do John Bonham. Eu acho isso muito bom. Ent\u00e3o a ideia \u00e9 que acontecesse isso, e por isso que foi tudo t\u00e3o r\u00e1pido e desencanado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15867\" title=\"jairnaves2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/jairnaves2.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a previs\u00e3o do disco era pra 2010&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9&#8230; primeiro que eu fui muito otimista achando que ia sair em 2010 (risos). E em 2010 a gente tocou muito. A gente adotou uma pol\u00edtica de shows que era tocar em qualquer buraco que chamasse. L\u00f3gico que isso dificultava o nosso tempo em est\u00fadio. E saiu o &#8220;Araguari&#8221; [EP lan\u00e7ado em 2010], um disco que falou muito bem por si, muito melhor do que eu esperava at\u00e9, teve uma repercuss\u00e3o enorme. E era natural que deixasse ele respirar um pouco. Foi at\u00e9 melhor que s\u00f3 sa\u00edsse dois anos depois porque acabaria saindo alguma coisa parecida. Se eu for gravar um disco daqui a um m\u00eas vou dizer as mesmas coisas que eu disse nesse. N\u00e3o vivi muita coisa desde ent\u00e3o. Ent\u00e3o foi at\u00e9 melhor que demorasse. E n\u00e3o adianta querer lan\u00e7ar um disco por ano, eu acho que perde muito a qualidade. O ideal \u00e9 gravar de dois em dois anos. Mesmo um cineasta que lan\u00e7a um filme por ano \u2013 Voc\u00ea pega as coisas do Woody Allen, um dos melhores de todos os tempos, acaba sendo muito oscilante de qualidade. Eu nem sei se tem muitos m\u00fasicos que lan\u00e7am um disco por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que as bandas mais lo-fi conseguem. O Guided By Voices sempre lan\u00e7a um disco atr\u00e1s do outro.<\/strong><br \/>\nE \u00e9 outra \u00e9poca tamb\u00e9m. Voc\u00ea pensa que os Beatles fizeram tudo aquilo em sete anos, \u00e9 muito assustador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles lan\u00e7avam dois ou tr\u00eas discos por ano, e o compacto que lan\u00e7avam n\u00e3o entrava no disco.<\/strong><br \/>\n\u00c9 demais. Mas era outro tipo de mercado fonogr\u00e1fico tamb\u00e9m. Mas n\u00e3o sou t\u00e3o produtivo assim, por isso que demorou um pouquinho mais. &#8220;Um Passo Por Vez&#8221; e &#8220;Minha C\u00famplice, Minha Irm\u00e3, Minha Amante&#8221; [single lan\u00e7ado em 2011] sa\u00edram dessa tentativa de fazer um disco logo em sequ\u00eancia, mas a sonoridade era parecida, ent\u00e3o acabou sendo melhor que demorasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em mercado: Como \u00e9 a sua situa\u00e7\u00e3o hoje, voc\u00ea consegue viver de m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nEstou tentando chegar l\u00e1, mas ainda n\u00e3o consigo. Sou muito desorganizado, n\u00e3o sou associado \u00e0 Abramus, essas coisas, at\u00e9 hoje. Mas acho que \u00e9 bem dif\u00edcil. Eu quero chegar l\u00e1, mas ao mesmo tempo \u00e9 um pouco libertador voc\u00ea n\u00e3o colocar toda a expectativa de seu sustento na m\u00fasica. Cai naquele neg\u00f3cio de pop rock que a gente estava falando. Eu tenho amigos talentos\u00edssimos que foram tocar em banda cover porque querem fazer s\u00f3 m\u00fasica, mas da\u00ed perde o sentido pra mim. M\u00fasica \u00e9 um meio de express\u00e3o, n\u00e3o uma finalidade em si. Cada um faz a sua escolha e n\u00e3o h\u00e1 nada de errado em tocar cover, claro \u2013 s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 pra mim, mesmo porque eu n\u00e3o sei se conseguiria tocar com perfei\u00e7\u00e3o m\u00fasicas de outras pessoas (risos). Eu prefiro ter outro emprego, r musicalmente fazer alguma coisa que eu me sinta verdadeiro e honesto comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e1 pra citar umas aspas aqui. Eu li o &#8220;Our Band Could Be Your Life&#8221;, do Michael Azerrad, e anotei uma frase do Santiago Durango, ex-guitarrista do Big Black: &#8220;Quando voc\u00ea come\u00e7a a fazer m\u00fasica pensando em ganhar dinheiro, voc\u00ea passa a fazer m\u00fasica pelas raz\u00f5es erradas&#8221;.<\/strong><br \/>\nE n\u00e3o parece nem muito inteligente. Eu vejo as pessoas que se sustentam com m\u00fasica, elas fazem o que gostam mesmo. Putz, me lembro quando surgiu o CPM22 assinando com uma grande gravadora, um monte de roqueiro velho foi tocar hardcore mel\u00f3dico em portugu\u00eas, &#8220;n\u00e3o, a gente vai tentar virar e&#8230;&#8221;. As pessoas sentem isso. Acho que o grande segredo \u00e9 voc\u00ea nunca subestimar a intelig\u00eancia das pessoas. Voc\u00ea querer vender alguma coisa que n\u00e3o \u00e9 honesta. Foi a mesma coisa quando o Cansei de Ser Sexy estourou, o Bonde do Rol\u00ea&#8230;  Agora tem a Nova MPB que tem uma visibilidade, e muita gente tenta ir por esse caminho meio for\u00e7ando a barra. N\u00e3o sei, eu vejo as coisas que d\u00e3o certo, as pessoas que vivem disso no meio independente apostando em coisas completamente invi\u00e1veis do ponto de vista comercial&#8230; as pessoas precisam aprender que n\u00e3o existe s\u00f3 o modelo de gest\u00e3o dos grandes figur\u00f5es tipo Rick Bonadio.<\/p>\n<p>https:\/\/youtube.com\/watch?v=9UVIWvD5hBw<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas ele tamb\u00e9m est\u00e1 formatando um produto n\u00e9. N\u00e3o \u00e9 propriamente arte. Eu consigo comparar com sei l\u00e1, um sab\u00e3o em p\u00f3. Voc\u00ea tem que definir qual a embalagem, qual o p\u00fablico alvo&#8230;<\/strong><br \/>\nEu acho totalmente v\u00e1lido. N\u00e3o acho tamb\u00e9m que seja nenhum dem\u00e9rito tocar em banda cover como a gente estava falando. Se o cara gosta de fazer isso, se sente bem, se sente melhor do que ter um emprego convencional, est\u00e1 \u00f3timo pra ele. \u00c9 que eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o meio rom\u00e2ntica, eu cresci lendo biografias das bandas que gosto, tipo o &#8220;Our Band Could Be Your Life&#8221; romantizando a cena punk rock. Pego as bandas que gosto e quase todas eram mal sucedidas comercialmente. Tipo Velvet Underground, que quase n\u00e3o vendia discos. Mission of Burma, ou Replacements que foi um fiasco e tinha tudo para ser a maior banda. Das bandas brasileiras eu gosto de coisas tipo Vzyadoq Moe&#8230; Eu j\u00e1 comecei errado na escolha de par\u00e2metros (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu estava lendo a hist\u00f3ria do Slint, e diz que eles fizeram trinta shows at\u00e9 acabar a banda. Depois voltaram para uma turn\u00ea e tal, mas fazer trinta shows no auge da banda n\u00e3o \u00e9 nada.<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito pouco mesmo. Tem uma s\u00e9rie de casos. O Mark Sandman s\u00f3 foi ter algum reconhecimento depois dos quarenta. N\u00e3o sei, voc\u00ea tem acesso a m\u00fasica, eu tenho, a maioria das pessoas com quem eu convivo mais de perto tem, e n\u00e3o temos aquela preocupa\u00e7\u00e3o com nicho ou tend\u00eancia ou o que as pessoas v\u00e3o querer ouvir. Na hora de fazer m\u00fasica ou escolher algum clipe eu n\u00e3o escolho qual tem o refr\u00e3o mais assobi\u00e1vel. Eu posso estar muito errado fazendo isso, mas \u00e9 como eu acho que tem que ser. Espero que algum dia d\u00ea algum resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa que observei reouvindo os discos do Ludovic: No encarte do &#8220;Idioma Morto&#8221; tem agradecimentos pra diversas bandas, e a grande maioria delas j\u00e1 acabou.<\/strong><br \/>\n\u00c9 super dif\u00edcil. Banda de rock normalmente t\u00eam pouqu\u00edssimo tempo de vida. Tem bandas que se mant\u00eam heroicamente. Aquele show que a gente foi ver s\u00e1bado passado [Ringo Deathstarr no Lega It\u00e1lica, em SP] tinha o The Concept, que deve ter uns quinze anos, e \u00e9 algo raro. Mas \u00e9 muito dif\u00edcil a pessoa se manter nesse meio. Ludovic teve tantas forma\u00e7\u00f5es, eu nem consigo pensar&#8230; Um cara tem filho e desencana, outro cansa de ficar viajando naquele esquema que a gente sabe qual \u00e9. \u00c9 um dado alarmante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estava conversando esses dias com o Fernando Lopes, do Floga-se, e a gente chegou \u00e0 conclus\u00e3o que bandas hoje muito provavelmente s\u00e3o de pessoas que t\u00eam empregos pra se manter. Porque normalmente as coisas j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o muito certo pra bandas pequenas, e se voc\u00ea tentar dedicar a sua vida nisso&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 a quest\u00e3o de muitas bandas que v\u00eam para S\u00e3o Paulo. Os caras v\u00eam pra tentar viver de banda, ent\u00e3o no primeiro m\u00eas tem tipo tr\u00eas shows, mas no segundo, terceiro ou quarto m\u00eas j\u00e1 n\u00e3o tem show nenhum, e os caras ficam o m\u00eas inteiro olhando um pra cara do outro num apartamento, j\u00e1 come\u00e7a a paranoia de todo tipo&#8230; As bandas acabam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E at\u00e9 sair em turn\u00ea, sei l\u00e1, ir pro Nordeste tocar em lugares pequenos com pouco p\u00fablico, o tanto que vale a pena.<\/strong><br \/>\nAcho que vale a pena se voc\u00ea tiver consci\u00eancia do que voc\u00ea vai passar e do que voc\u00ea vai tirar disso. O Macaco Bong \u00e9 um dos maiores exemplos de persist\u00eancia no processo de constru\u00e7\u00e3o de p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles s\u00e3o um puta exemplo. Na verdade sempre falo que eles s\u00e3o um contra-exemplo: Qualquer teoria que voc\u00ea come\u00e7a a montar sobre &#8220;p\u00fablico n\u00e3o ouve m\u00fasica instrumental&#8221; ou &#8220;n\u00e3o tem lugar pra tocar&#8221; voc\u00ea sempre chega neles pensando &#8220;pera\u00ed tem o Macaco Bong que fez diferente e deu certo&#8221;.<\/strong><br \/>\nExatamente, \u00e9 um exemplo de caras que acreditam no que fazem e vivem disso. O engra\u00e7ado \u00e9 que os primeiros shows deles em S\u00e3o Paulo eram pra tipo dez pessoas no antigo Sattva e os caras dormiam na sala da minha casa. Mas eles tinham consci\u00eancia, n\u00e3o era aquela coisa de &#8220;putz, t\u00e1 vazio, que deprimente, t\u00f4 com saudade da minha namorada e da comida da minha m\u00e3e&#8221;. E voc\u00ea pega o &#8220;Our Band Could Be Your Life&#8221; e as hist\u00f3rias s\u00e3o todas assim. As turn\u00eas do Black Flag, que o Henry Rollins conta no &#8220;Get In The Van&#8221; [audiobook sobre as turn\u00eas da banda], era enlouquecedor, inacredit\u00e1vel que os caras passavam por aquelas coisas. \u00c9 um prop\u00f3sito de vida. A prioridade da minha vida \u00e9 a m\u00fasica, e tudo gira em torno disso. Se tiver alguma coisa que vai me impossibilitar de tocar eu j\u00e1 descarto. \u00c9 um projeto bem a longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Peguei pra rever o document\u00e1rio &#8220;Araguari, O Que Foi Que Aconteceu?&#8221; e tamb\u00e9m um resumo do &#8220;Caso dos Irm\u00e3os Naves&#8221; que tem no YouTube. J\u00e1 est\u00e1 provado se eles eram da sua fam\u00edlia?<\/strong><br \/>\nSim, eles eram primos da minha av\u00f3. S\u00e3o todos da mesma cidade, todos os Naves de Araguari tem alguma rela\u00e7\u00e3o consangu\u00ednea. Mas \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o distante, a minha av\u00f3 mesmo eu vi pouqu\u00edssimas vezes. Eu soube conversando com as pessoas quando a gente foi l\u00e1 pra esse show que ficou registrado no document\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu n\u00e3o conhecia a hist\u00f3ria, comecei a pesquisar e vi o quanto a hist\u00f3ria \u00e9 forte.<\/strong><br \/>\n\u00c9 bem forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 pra voc\u00ea pensar que eles eram da sua fam\u00edlia? Eu vi as cenas de tortura, eram cenas violentas.<\/strong><br \/>\nSim, e no filme o cara at\u00e9 suavizou. Tem um livro do advogado de defesa que descreve com detalhes. As cenas de tortura se fossem filmadas ia ficar uma coisa grotesca. O Lu\u00eds S\u00e9rgio Person [diretor do filme] falou que teve que dar uma suavizada na hist\u00f3ria. Coisas de violentarem a m\u00e3e na frente deles, e as coisas cl\u00e1ssicas de tortura na \u00e9poca da ditadura, de choque na genit\u00e1lia e tudo o mais. Mas cara, eu n\u00e3o consigo enxergar muito eles como parentes porque eu n\u00e3o os conheci, nem conheci algum filho ou irm\u00e3o, mas eu acho que \u00e9 uma met\u00e1fora muito boa para muitas coisas. E essas coisas acontecem hoje em dia n\u00e9. Se parar pra pensar, o que aconteceu no Pinheirinho foi uma coisa t\u00e3o monstruosa quanto, ou at\u00e9 pior. Ou quantos policiais-Rambo que tem por a\u00ed&#8230; \u00c9 importante falar. O que me fez fazer o &#8220;Araguari&#8221; foi quando eu vi esse filme. \u00c9 uma hist\u00f3ria muito forte, e me senti meio na obriga\u00e7\u00e3o de mencionar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como est\u00e1 sua agenda? J\u00e1 tem algum show marcado?<\/strong><br \/>\nTem um show de lan\u00e7amento no dia 14 de outubro no CCJ. Vai ser com todos os m\u00fasicos que gravaram o disco, algo bem especial. E j\u00e1 tem outras coisas fechadas \u2013 o Festival LAB em Macei\u00f3, outras datas em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro. Alguns deles v\u00e3o ser com banda completa, e outros vou fazer sozinho. Foi uma coisa que eu experimentei uma vez h\u00e1 bem pouco tempo, e funcionou muito bem, pelo menos naquela ocasi\u00e3o. Eu pretendo fazer mais, porque d\u00e1 uma liberdade de marcar mais coisas. Alguns m\u00fasicos que tocam comigo tocam com outras pessoas tamb\u00e9m, e ficar tocando com substitutos \u00e9 dif\u00edcil, acho que perde muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 fazer show voz e viol\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u00c9 bem dif\u00edcil. Esse show que eu fiz foi numa loja, metade do tamanho dessa sala, bem pequeno. Voc\u00ea n\u00e3o se esconde atr\u00e1s de massa sonora nenhuma, \u00e9 s\u00f3 voc\u00ea e o viol\u00e3o. Mas teve uma conex\u00e3o muito grande com as pessoas, foi bem legal. Sempre gostei de coisas de voz e viol\u00e3o. Um dos discos que eu mais gosto do Bob Dylan \u00e9 aquele ao vivo no Royal Albert Hall, de 66 [&#8220;The Bootleg Series Vol. 4&#8221;]. Acho que realmente cria uma conex\u00e3o muito forte com a plateia. E para mim \u00e9 o preceito b\u00e1sico do punk rock, fa\u00e7a voc\u00ea mesmo com o m\u00ednimo de condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Estou bem ansioso com esse Festival LAB, vai ser num teatro. E vou fazer aqui em S\u00e3o Paulo, na Livraria da Vila, nesse esquema tamb\u00e9m. \u00c9 legal porque \u00e9 uma outra leitura pras m\u00fasicas, e um show completamente diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estou bem curioso pra ver. At\u00e9 porque, fazendo um par\u00eantese, eu nunca tive a oportunidade de ver um show do Ludovic. Comecei a acompanhar mais o seu trabalho j\u00e1 na carreira solo. Eu vejo v\u00eddeos daquela \u00e9poca e imagino como \u00e9 fazer o outro extremo, que \u00e9 tocar s\u00f3 com voz e viol\u00e3o.<\/strong><br \/>\nMe interesso muito em tentar coisas diferentes. N\u00e3o \u00e9 aquela coisa diferente-pelo-diferente, n\u00e3o vou lan\u00e7ar um disco de m\u00fasica elet\u00f4nica que \u00e9 uma coisa que eu n\u00e3o ou\u00e7o. N\u00e3o sei, muitos artistas que eu gosto e que eu admiro foram mudando bastante durante a carreira. David Bowie, mesmo o Black Flag, eles mudaram demais, e eu acho isso muito saud\u00e1vel. Tudo bem que tiveram grandes bandas que tiveram uma linearidade maior no decorrer da carreira. Mas Bowie, os Beatles, o Radiohead pra citar um caso mais recente, o quanto eles mudaram. E percebo que agora que estou pra lan\u00e7ar esse disco as pessoas ficam meio sem saber o que pensar. Acho muito massa isso. Quando comprei o &#8220;OK Computer&#8221;, eu j\u00e1 achava o &#8220;The Bends&#8221; muito diferente do &#8220;Pablo Honey&#8221;. E era naquela \u00e9poca que a gente n\u00e3o tinha acesso pr\u00e9vio \u00e0s m\u00fasicas. A primeira informa\u00e7\u00e3o que tive do disco foi no \u00f4nibus de volta pra casa, lendo as letras e achando tudo muito estranho, o encarte, todo o projeto gr\u00e1fico era muito diferente. E eu ficava tentando imaginar que tipo de m\u00fasica era aquilo. J\u00e1 era claro que n\u00e3o era nada tipo o &#8220;The Bends&#8221;. Isso \u00e9 uma coisa engra\u00e7ada, \u00e9 uma das poucas coisas que eu sinto falta dessa \u00e9poca mais rom\u00e2ntica, de consumidor de m\u00fasica. O intervalo entre eu ler uma mat\u00e9ria dos Sex Pistols e ouvir uma grava\u00e7\u00e3o deles foi tipo de alguns anos, mas na minha cabe\u00e7a eu j\u00e1 tinha uma ideia pr\u00e9-concebida da sonoridade. E eu lembro que quando eu ouvi o disco foi bem decepcionante, porque eu esperava uma coisa muito mais violenta. E isso \u00e9 uma coisa que eu acho massa. Com o meu trabalho eu gosto de tentar despertar isso de uma forma ou outra. Hoje em dia o cara vai lan\u00e7ar um disco e voc\u00ea j\u00e1 sabe como vai ser o primeiro single, j\u00e1 sabe a capa. \u00c9 legal dar essa imagina\u00e7\u00e3o. Mas acho que me perdi completamente na resposta (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o vamos voltar ao disco novo: Como ser\u00e1 o lan\u00e7amento? Voc\u00ea comentou que vai ter uma vers\u00e3o em vinil?<\/strong><br \/>\nO show de lan\u00e7amento do CD acontece no dia 14\/10 no CCJ, em S\u00e3o Paulo. O vinil ser\u00e1 lan\u00e7ado no come\u00e7o do ano que vem, tamb\u00e9m via Travolta Discos e Popfuzz Records, possivelmente com material extra \u2013 provavelmente o single &#8220;Um passo por vez&#8221; [lan\u00e7ado em 2011] ser\u00e1 inclu\u00eddo. A primeira faixa de trabalho \u00e9 a &#8220;Pronto Para Morrer&#8221;. Apesar de ser uma das mais dif\u00edceis do disco, resume bem os sentimentos explorados nas faixas restantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea comentou que duas m\u00fasicas n\u00e3o entraram no disco, pretende lan\u00e7\u00e1-las no futuro?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil dizer. Pode ser que elas venham a p\u00fablico, mas tamb\u00e9m pode ser que fiquem engavetadas definitivamente. Vamos ver como tudo correr\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jair Naves - &quot;Maria Lucia, Santa Cecilia e Eu&quot; no Sesc Belenzinho\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TN-9iHmbBn8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Jair Naves: &quot;Silenciosa&quot;, no Sesc Belenzinho\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wVEJTLhPB_U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Apanhador S\u00f3 e Jair Naves - Pronto Pra Morrer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TJ3FloVCeNg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n&#8211; Elson Barbosa toca baixo no&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/herodlayne\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Herod Layne<\/a> e \u00e9 um dos capos do selo virtual&nbsp;<a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sinewave<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Elson Barbosa\nRespons\u00e1vel por um dos grandes \u00e1lbuns nacionais lan\u00e7ados em 2012, Jair Naves recebeu o Scream &#038; Yell em sua casa&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/19\/scream-yell-recomenda-jair-naves\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":94,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15861"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/94"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15861"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15861\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80642,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15861\/revisions\/80642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}