{"id":1580,"date":"2009-06-01T23:03:08","date_gmt":"2009-06-02T02:03:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=1580"},"modified":"2023-03-29T00:23:56","modified_gmt":"2023-03-29T03:23:56","slug":"entrevista-trisomie-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/06\/01\/entrevista-trisomie-21\/","title":{"rendered":"Entrevista: Trisomie 21"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1581\" title=\"Trisomie 21 \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/trisomie21.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Danilo Corci<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar no Trisomie 21? Talvez sim, talvez n\u00e3o, mas o que importa de verdade \u00e9 que a banda chega aos seus trinta anos de carreira sendo ainda uma influ\u00eancia gigantesca para bandas da nova gera\u00e7\u00e3o. Pensar no som do She Wants Revenge, por exemplo, \u00e9 ver que, muito antes desta nova onda dark eletr\u00f4nica que vem recrudescendo, j\u00e1 havia um basti\u00e3o criando pequenos cl\u00e1ssicos, como \u201cDjakarta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso o lan\u00e7amento de &#8220;Black Label&#8221;, o 14\u00ba \u00e1lbum da carreira do grupo \u00e9 important\u00edssimo. Oficialmente formado em 1980 pelos irm\u00e3os Herve e Phillipe Lomprez, ent\u00e3o com dezoito e vinte anos, respectivamente, o Trisomie 21 sempre foi o rei do underground. Enquanto as massas ignoravam completamente a exist\u00eancia da banda, aqui no Brasil, por exemplo, o T21 era uma das presen\u00e7as obrigat\u00f3rias nas festas do Madame Sat\u00e3 e cong\u00eaneres. Obviamente, n\u00e3o tardou para que a banda fosse rotulada de \u201cg\u00f3tica\u201d. Mas longe do g\u00f3tico tradicional, o Trisomie 21 pode ser visto do jeito correto: fazem m\u00fasica do jeito deles &#8211; Phillipe \u00e9 engenheiro de som e professor de m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E &#8220;Black Label&#8221; desponta como uma das grandes surpresas dos lan\u00e7amentos de 2009. Enquanto bandas veteranas como Depeche Mode e U2, por exemplo, entregam um feij\u00e3o com arroz amanhecido, o Trisomie 21 n\u00e3o renegou sua hist\u00f3ria, mas criou um disco completamente atual, um rock Trisomie 21. \u201cIsso \u00e9 fruto de uma coes\u00e3o. O T21 s\u00e3o dois irm\u00e3os, \u00e9 uma f\u00f3rmula boa, temos uma coes\u00e3o perfeita, cumplicidade. E t\u00ednhamos em mente de criar algo mais do que simplesmente m\u00fasica. N\u00f3s quer\u00edamos um estilo Trisomie 21, uma vis\u00e3o do mundo. N\u00f3s precis\u00e1vamos disto.\u201d, explica Phillipe em uma conversa via e-mail.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a decis\u00e3o parece ser realmente s\u00e9ria, afinal eles se juntaram \u00e0 Chrome Music, selo que tem bandas do naipe de Front 242, depois de anos de independ\u00eancia. \u201cT\u00ednhamos de ficar concentrados no disco, n\u00e3o somos vendedores, precis\u00e1vamos de ajuda.\u201d, diz Phillipe justificando o contrato que caiu como uma bomba para os f\u00e3s. \u201c\u00c9 uma honra pra gente quando as pessoas nos falam sobre influ\u00eancias e sobre serem f\u00e3s, mas n\u00e3o deixamos isso nos influenciar. A \u00fanica press\u00e3o que existe, de fato, \u00e9 a nossa.\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, a chegada de &#8220;Black Label&#8221; mostra que a decis\u00e3o foi acertada. \u201cThe Camp\u201d, can\u00e7\u00e3o que abre o disco j\u00e1 d\u00e1 uma amostra do que est\u00e1 por vir. Rock calcado em baixo, com a peculiar voz de Phillipe entrecortando os acordes, criando uma mistura que antigamente faziam usando bases sintetizadas. \u201cDe certa maneira, o baixo pra gente \u00e9 bem importante. Em &#8220;Million Lights&#8221; n\u00e3o usamos, mas para o &#8220;Black Label&#8221; o som do baixo e da guitarra \u00e9 espetacular, meio triste. Foi complicad\u00edssimo, fizemos uma engenharia e tanto para criar sons espec\u00edficos, um trabalho duro de est\u00fadio.\u201d, diz Phillipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGlistering Like Gold\u201d, a segunda can\u00e7\u00e3o, \u00e9 ainda mais pungente. E repleta de tristeza, dolorida at\u00e9, que faz a voz de Phillipe soar, de certa maneira, embargada enquanto o baixo se sobrep\u00f5e. \u201cTalvez a tristeza seja bela sim, mas em &#8220;Black Label&#8221; isso n\u00e3o acontece o tempo todo.\u201d, diz um duvidoso Phillipe quando o assunto \u00e9 melancolia, algo que sempre marcou a carreira da banda. \u201c\u2018Glistering Like Gold\u2019 \u00e9 sobre que nem tudo o que reluz \u00e9 ouro, \u00e9 uma mensagem sobre pol\u00edticos, especialmente aqui na Fran\u00e7a, onde alguns fazem miragens, n\u00e3o milagres.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso fica ainda mais evidente em \u201cShakespeare\u201d, quarta can\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de simulacro do rock do Sisters of Mercy dos tempos \u00e1ureos com pitadas cr\u00edticas. \u201cN\u00e3o tem nada de gothic rock na can\u00e7\u00e3o. Fizemos do nosso jeito, como sempre. \u00c9 apenas uma declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do nosso estilo, com pequenas fra\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias.\u201d, diz secamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As onze can\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em &#8220;Black Label&#8221; s\u00e3o m\u00e1gicas, do tipo de unidade que sempre foi caracter\u00edstica da banda. \u201c\u00c9 dif\u00edcil explicar porque n\u00e3o \u00e9 simples. Sentimos a atmosfera que nos cerca, processamos isto com nossos sentimentos e usamos isso para criar m\u00fasica. Isso nos leva a usar guitarras, baixo, bateria ou samplers. Tudo depende do momento. Expressamos nossos sonhos\u201d, explica Phillipe sobre a unidade do disco e tamb\u00e9m da carreira da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, \u00e9 um processo \u00fanico. Se nos tr\u00eas primeiros discos da banda existiam sempre uma seguran\u00e7a de saber o que viria, isso mudou nos discos seguintes e est\u00e1 muito presente em &#8220;Black Label&#8221;. \u201cOne Minute In The Dream World\u201d, \u201cOutside The Door\u201d, \u201cAngels of Rain\u201d e \u201cShadows Army\u201d mostram isto. Continua sendo um rock, mas \u00e9 outro tipo de rock. Os elementos est\u00e3o ali, mas foram processados por Herve e Phillipe Lomprez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornando aos f\u00e3s, &#8220;Black Label&#8221; tem ainda mais um componente: talvez seja o disco mais acess\u00edvel do Trisomie 21. \u201cSim, talvez seja nosso disco \u2018mais f\u00e1cil\u2019, mas como digo, sempre h\u00e1 maneiras diferentes de se ouvir o disco.\u201d, responde. Esta enigm\u00e1tica resposta n\u00e3o mostra necessariamente concess\u00f5es, mas aponta, sim, que o Trisomie 21 est\u00e1 de olho no que acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO jeito de faze arte tem um pouco a ver com isso. A vis\u00e3o art\u00edstica das coisas est\u00e1 por a\u00ed, \u00e9 um poder sem fronteiras, foge do controle do artista, o processo criativo \u00e9 um renascimento, um novo come\u00e7o. O mundo est\u00e1 mudando, n\u00f3s precisamos mudar, mas nossos valores devem permanecer.\u201d, explica em tom de justificativa. Isso significa que Phillipe est\u00e1 ouvindo v\u00e1rias coisas novas? N\u00e3o necessariamente. \u201cEu e o Herve n\u00e3o ouvimos muita m\u00fasica. \u00c9 o de sempre. Alguns DJs como Jack, de Marselha, Caretta, DJ Mini, Timo\u2026 E bandas como Adult, Convenant, Front 242 sempre caem bem.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez este passado seja encontrado em can\u00e7\u00f5es como \u201cHear Me Now\u201d, \u201cSadness Forces\u201d, \u201cHalf a Drop\u201d e \u201cThe Lined Hands of Afternoon\u201d, as que mais flertam com toda a hist\u00f3ria do grupo. &#8220;Black Label&#8221; \u00e9 emblem\u00e1tico. \u00c9 um fino exemplar de que quando se deixa a pregui\u00e7a de lado, bandas das antigas podem soar revigorantes e espertas, com algo novo a dizer. E tudo isso sem planejar o futuro. \u201cO futuro \u00e9 agora, o futuro \u00e9 Black label.\u201c, encerra Phillipe numa tentativa de frase de efeito. Mas no fundo, ele est\u00e1 mesmo certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1582 aligncenter\" title=\"Black Label, Trisomie 21\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/trisomie21_black.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>*******<\/p>\n<p>Danilo Corci \u00e9 jornalista e editor dos sites <a href=\"http:\/\/www.speculum.art.br\/\">Speculum<\/a> e <a href=\"http:\/\/mojobooks.com.br\/\">Mojo Books<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Danilo Corci\nVoc\u00ea j\u00e1 ouviu falar no Trisomie 21? 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