{"id":15771,"date":"2012-09-16T00:34:20","date_gmt":"2012-09-16T03:34:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=15771"},"modified":"2019-11-28T12:01:49","modified_gmt":"2019-11-28T15:01:49","slug":"de-curitiba-conheca-a-imof","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/16\/de-curitiba-conheca-a-imof\/","title":{"rendered":"De Curitiba: conhe\u00e7a a imof"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15772\" title=\"imof\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/imof.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>po<strong>r <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro Barulho, sobre a cena independente dos EUA do come\u00e7o dos anos 1990, Andr\u00e9 Barcinski aproveita a entrevista com Jello Biafra para apresentar Pippen, a gata de estima\u00e7\u00e3o do ex-Dead Kennedys. \u201cEla \u00e9 praticamente um museu do rock underground norte-americano\u201d, diz Biafra no livro. \u201cDe Subhumans a H\u00fcsker D\u00fc, todo mundo usou Pippen como travesseiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guardadas as propor\u00e7\u00f5es, d\u00e1 para dizer que D\u00f3gui, o pastor alem\u00e3o de Ivan Santos, tinha um status semelhante para o cen\u00e1rio independente nacional (n\u00e3o s\u00f3 de rock). Ivan e sua esposa Adriane Perin s\u00e3o propriet\u00e1rios do selo <a href=\"http:\/\/deinverno.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">De Inverno<\/a>, que h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada organiza shows em Curitiba, incluindo o festival Rock de Inverno, que equilibrava bandas locais com atra\u00e7\u00f5es de outros estados e at\u00e9 de outros pa\u00edses. No esquema de \u201credu\u00e7\u00e3o de custos\u201d, muitas vezes cediam sua pr\u00f3pria casa, cheia de animais de estima\u00e7\u00e3o, para hospedar as bandas. Embora n\u00e3o se tenha not\u00edcia de algu\u00e9m usando D\u00f3gui como travesseiro, o fato \u00e9 que ele presenciou (e ao seu modo, participou) de mais ensaios, jams, festas e discuss\u00f5es sobre m\u00fasica e outros assuntos que muito b\u00edpede dotado de consci\u00eancia por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia deste personagem canino \u00e9 o tema de \u201cUm Sil\u00eancio Novo na Casa\u201d, uma das can\u00e7\u00f5es mais pungentes de 2012, que d\u00e1 t\u00edtulo ao primeiro single da imof, banda nova de Ivan (dispon\u00edvel para download <a href=\"http:\/\/deinverno.blogspot.com.br\/2012\/07\/imof-um-silencio-novo-na-casa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>). \u201cA casa agora ficou t\u00e3o deserta de repente \/ T\u00e1 faltando algo no ch\u00e3o, t\u00e1 faltando o ch\u00e3o \/ olho pro lado \/ e vejo esse grande nada \/ um imenso vazio \/ um sil\u00eancio novo na casa\u201d, canta Ivan sobre uma base mais roqueira e com mais pendor pop de que as que costumavam dar o tom de suas bandas anteriores, notadamente OAEOZ e Hotel Avenida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A can\u00e7\u00e3o foi a primeira composta pela banda tal qual ela se consolidou \u2013 antes, Ivan (voz, viol\u00e3o e guitarra) e Osm\u00e1rio Jr. (bateria) contavam com a companhia de Jansen Nunes no baixo e Juliano Sarza na guitarra, quando ainda usavam o nome Retic\u00eanciaz. Essa forma\u00e7\u00e3o recebeu o acr\u00e9scimo de Martinuci (piano e guitarra), mas logo Jansen e Juliano abandonaram o barco. Quando entrou o baixista Fernando Lobo, ficou claro que era uma nova banda, e da\u00ed o novo nome, simplesmente composto pelas iniciais de seus integrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A din\u00e2mica entre os quatro ajudou na tal \u201cleveza musical\u201d mencionada h\u00e1 pouco. \u201cExiste sim, uma preocupa\u00e7\u00e3o minha de fazer m\u00fasicas mais simples, objetivas e arejadas\u201d, diz Ivan. \u201cCansei um pouco daquela coisa arrastada que vinha desde minhas composi\u00e7\u00f5es com o OAEOZ. Hoje vejo que posso falar de coisas mais pesadas, com um ritmo, uma levada ou uma melodia mais leve, at\u00e9 para contrabalan\u00e7ar esse lado mais melanc\u00f3lico. Como dizia o Ira! em seus \u00e1ureos tempos, a vida \u00e0s vezes pede \u2018outros sons, outras batidas, outras pulsa\u00e7\u00f5es\u2019.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 percept\u00edvel o prazer dos m\u00fasicos em executar seu repert\u00f3rio, e esse era o coment\u00e1rio predominante entre o p\u00fablico que viu a banda em sua estreia nos palcos, no dia 3 de agosto de 2012, no Wonka Bar (Curitiba). Mas como ningu\u00e9m ali \u00e9 moleque, os shows j\u00e1 s\u00e3o pensados de uma maneira diferente. \u201cA gente quer tocar ao vivo o m\u00e1ximo poss\u00edvel, e quanto mais, melhor. Mas \u00e9 claro que, a essa altura, procuramos evitar certas roubadas, at\u00e9 por uma quest\u00e3o de n\u00e3o se desgastar inutilmente. Procuramos na medida do poss\u00edvel privilegiar shows em espa\u00e7os diferentes que n\u00e3o necessariamente bares e casas noturnas, como a Bicicletaria Cultural, onde tocamos no dia 15 de setembro, e onde o show \u00e9 em um s\u00e1bado a tarde, em um espa\u00e7o alternativo, sem a pretens\u00e3o de ser uma \u2018casa de shows\u2019 onde voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 para \u2018animar\u2019 uma balada, e sim para tocar em um espa\u00e7o cultural onde as pessoas est\u00e3o mais abertas a conhecer coisas diferentes. Mas \u00e9 claro que cada caso \u00e9 um caso e estamos abertos a convites (risos).\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 curioso notar que, no repert\u00f3rio da banda, folk, rock e pop convivem em doses iguais e em propor\u00e7\u00f5es indistingu\u00edveis. Mas existe uma identidade muito bem amarrada, em termos de m\u00fasica e letra, que evita compara\u00e7\u00f5es derivativas. Talvez porque a imof seja um caso raro de agremia\u00e7\u00e3o que foge da eterna juventude do rock\u2019n\u2019roll. Seria justo dizer que a banda faz rock para quem j\u00e1 deixou a adolesc\u00eancia para tr\u00e1s? \u201cAcho que \u00e9 inevit\u00e1vel. N\u00e3o teria sentido a gente querer fazer m\u00fasica adolescente, seria rid\u00edculo\u201d, diz Ivan. \u201cEnt\u00e3o \u00e9 natural que a tem\u00e1tica das nossas can\u00e7\u00f5es tenha a ver com o momento em que a gente est\u00e1 vivendo, e aborde quest\u00f5es como as que a gente enfrenta na vida adulta, da necessidade de lidar com as perdas, de encontrar motiva\u00e7\u00e3o para continuar, se reinventar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como exemplares de \u201crock adulto\u201d, ele cita exemplos como Nick Cave and The Bad Seeds, Tindersticks, Spiritualized, Gutter Twins e The Sand Band, definindo-os como artistas que n\u00e3o se preocupam em encaixar-se na est\u00e9tica da vez. \u201cAcho que existe espa\u00e7o pra isso no Brasil, tamb\u00e9m, apesar de muitos duvidarem (risos).\u201d Essa \u201cadultesc\u00eancia\u201d \u00e9 o que faz com que as tr\u00eas can\u00e7\u00f5es do single se destaquem em meio aos (bons) lan\u00e7amentos nacionais deste ano. Mas n\u00e3o s\u00f3 \u2013 faz muita diferen\u00e7a o cuidado instrumental, principalmente a preserva\u00e7\u00e3o do timbre do viol\u00e3o de Ivan ou as belas frases de Martinuci ao piano (especialmente em \u201cImperfei\u00e7\u00e3o\u201d). O fato do disco ter sido quase inteiramente gravado na casa do vocalista (apenas os vocais foram registrados em um est\u00fadio \u201cprofissional\u201d) garante a naturalidade dessa proposta sonora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A julgar pelo clima entre os integrantes, e pela velocidade com que surgem novas composi\u00e7\u00f5es, a imof veio, se n\u00e3o para ficar, pelo menos para durar por muito tempo. O que \u00e9 \u00f3timo \u2013 a vida adulta precisa de uma trilha sonora em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-8raKzKOu-I\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-8raKzKOu-I\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/AwO858v7aaE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/AwO858v7aaE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/xybtW5YQaOU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/xybtW5YQaOU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; <\/span><span>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\n\u00c9 curioso notar que, no repert\u00f3rio da imof, folk, rock e pop convivem em doses iguais e em propor\u00e7\u00f5es indistingu\u00edveis.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/16\/de-curitiba-conheca-a-imof\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15771"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15771"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15771\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53862,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15771\/revisions\/53862"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}