{"id":15563,"date":"2012-08-25T09:37:44","date_gmt":"2012-08-25T12:37:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=15563"},"modified":"2017-02-08T17:00:25","modified_gmt":"2017-02-08T19:00:25","slug":"entrevista-electric-six","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/25\/entrevista-electric-six\/","title":{"rendered":"Entrevista: Electric Six"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15564\" title=\"eletricxis\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/eletricxis.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve uma \u00e9poca em que a ind\u00fastria do hype era menos irritante e menos voraz, voc\u00ea tinha tempo para conhecer a \u201csalva\u00e7\u00e3o do rock\u201d do momento e, se bobear, at\u00e9 vir a gostar dela de verdade. Nessa \u00e9poca \u2013 podemos dizer que \u00e9 2003, para efeitos de texto \u2013, surgiu o Electric Six com seu \u00e1lbum de estreia, \u201cFire\u201d, uma obra de heavy disco satanista, dedicada a exacerbar todos os clich\u00eas da discoteca e do rock pesado com uma sensualidade sacana e algo grotesca. Pense no Blue Oyster Cult se lan\u00e7ando em um revival da disco em plena era grunge e voc\u00ea vai ter uma boa no\u00e7\u00e3o do que se tratava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda de Detroit foi ent\u00e3o ajudada pelo boato que dizia que os vocais que soavam em dueto com o vocalista Tyler Spencer no hit \u201cDanger! High Voltage\u201d eram do conterr\u00e2neo Jack White \u2013 o que nunca se confirmou oficialmente, mas ficou aceito como verdade gra\u00e7as a pequenos ind\u00edcios dados aqui e ali por membros da banda. \u201cGay Bar\u201d foi outro sucesso do disco, que ainda teve hits menores como \u201cSynthesizer\u201d e \u201cDance Commander\u201d. Mas depois do fogo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, depois de \u201cFire\u201d vieram outros sete discos de est\u00fadio, um ao vivo, uma compila\u00e7\u00e3o de lados B, demos e sobras de est\u00fadio, e in\u00fameras mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o. S\u00f3 Spencer permaneceria sempre na banda, e sua for\u00e7a e suas obsess\u00f5es ajudaram o Electric Six a se manter como uma banda cult, seguida por f\u00e3s ardorosos, id\u00f3latras dos exageros da banda, que segue explorando variantes de sua proposta inicial sem perder o g\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria justo dizer que a banda poderia ser massiva, que Spencer poderia ser um compositor de hits para artistas t\u00e3o d\u00edspares como Britney Spears ou Metallica, n\u00e3o fosse sua absoluta incorre\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nas letras, \u201cevil\u201d e \u201cdemon\u201d aparecem na mesma propor\u00e7\u00e3o que \u201cdance floor\u201d. Versos como \u201cgarotas infectadas transam melhor\u201d, \u201ctenho algo para enfiar em voc\u00ea no bar gay\u201d, e \u201cposso gostar mais de voc\u00ea se fodermos juntos\u201d aparecem sem constrangimento, valorizados pela interpreta\u00e7\u00e3o grandiloquente do vocalista \u2013 que tamb\u00e9m adora jogar imagens como \u201cestou morrendo pelos seus pecados na pista de dan\u00e7a\u201d nas composi\u00e7\u00f5es. Um primor, mas n\u00e3o \u00e9 o tipo de coisa que cai bem nas casas de fam\u00edlia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Spencer \u2013 que sempre assina como Dick Valentine (\u201cBr\u00e1ulio Querido\u201d, numa tradu\u00e7\u00e3o livre) \u2013 ainda encontra tempo para se dedicar a projetos como o combo de hard rock Bang Camaro, a banda The Dirty Shame, o duo dan\u00e7ante Evil Cowards e sua carreira-solo, rec\u00e9m-lan\u00e7ada com o \u00e1lbum \u201cDestroy the Children\u201d. E uma informa\u00e7\u00e3o totalmente desimportante: o cidad\u00e3o parece um John C. Reilly menos acabado, ou um Jack Black menos adiposo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Foi na persona de Dick Valentine que ele respondeu as perguntas do Scream&amp;Yell. Ou n\u00e3o: vai ver ele \u00e9 assim mesmo.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/of2WzZx9AhA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O humor \u00e9 uma das principais caracter\u00edsticas da banda. Um humor bem politicamente incorreto, a prop\u00f3sito. Voc\u00ea j\u00e1 teve problemas com pessoas interpretando mal o que voc\u00ea escreve?<\/strong><\/span><br \/>\nNada s\u00e9rio, mas ao longo dos anos houve alguns pequenos desentendimentos. N\u00e3o tanto com as letras das can\u00e7\u00f5es, mas talvez com coisas que eu postei em nosso website ou coisas que eu disse no palco. Nada demais. Foda-se. Vamos em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar nisso, \u201cevil\u201d \u00e9 provavelmente o voc\u00e1bulo mais encontrado nas suas letras. Tem a ver com alguma obsess\u00e3o em n\u00e3o ser \u201cbom\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o existe obsess\u00e3o com nada. Eu s\u00f3 uso palavras como \u201cevil\u201d porque faz com que letras pare\u00e7am mais empolgantes do que realmente s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O tempo passa, e tenho certeza que muitos brasileiros ignoram o que houve com a banda depois de \u201cFire\u201d, porque nenhum dos \u00e1lbuns seguintes foi lan\u00e7ado por aqui (voc\u00ea sabe, algumas pessoas s\u00f3 seguem os hypes\u2026). Ent\u00e3o como voc\u00ea apresentaria o Electric Six para esses pregui\u00e7osos que se esqueceram de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nEu os sacudiria \u00e0 for\u00e7a e perguntaria \u201cpor que voc\u00eas s\u00e3o t\u00e3o pregui\u00e7osos????\u201d Ent\u00e3o eu prenderia cada um de nossos CDs com fita aos corpos deles e os for\u00e7aria a vagar na contram\u00e3o em meio ao tr\u00e2nsito vestindo uma placa que diz \u201cn\u00e3o quero morrer.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sinto que \u201cHeartbeats and Brainwaves\u201d (2011) tem um tom meio europeu, algo mais sombrio que os anteriores, e ao mesmo tempo, tem reminisc\u00eancias do tecnopop oitentista. Sei que essas influ\u00eancias sempre estiveram por perto, mas onde foi parar o rock com guitarras altas?<\/strong><br \/>\nO rock com guitarras altas continua ali. Acho que deduzimos que quando cheg\u00e1ssemos ao nosso oitavo \u00e1lbum depois de sete discos de rock, ter\u00edamos permiss\u00e3o para ir em diferentes dire\u00e7\u00f5es sem que nos perguntassem sobre isso. Acho que nos enganamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Ei, sem cobran\u00e7as, \u00e9 s\u00f3 curiosidade. Entre as coisas que voc\u00ea gravou, quais voc\u00ea valorize mais?<\/span><\/strong><br \/>\nO que quer que tenhamos gravado mais recentemente. Porque isso significa que temos mais um ano fazendo isso profissionalmente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KET11SOC5YA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sucesso mainstream n\u00e3o deu as caras novamente, mas tenho a impress\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 disso que voc\u00eas est\u00e3o atr\u00e1s. Se rolassem outros sucessos como \u201cDanger! High Voltage\u201d ou \u201cGay Bar\u201d novamente, o que seria diferente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Electric Six parece viver uma turn\u00ea sem fim. Estar no palco ainda \u00e9 emocionante depois de todos esses anos?<\/strong><br \/>\nEmocionante, n\u00e3o. Divertido, sim. Na verdade, n\u00e3o estamos atr\u00e1s de aten\u00e7\u00e3o. Se houvesse um jeito de conseguir dinheiro sem estar no palco, n\u00f3s o far\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda nunca tocou em nosso pa\u00eds. Tocou na vizinha Argentina, mas aqui n\u00e3o. A culpa \u00e9 dos nossos produtores?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 muita gente a quem culpar. Eu come\u00e7aria com os produtores locais, e ent\u00e3o me faria a pergunta: \u201cquem est\u00e1 puxando as cordinhas dos produtores locais?\u201d A resposta est\u00e1 l\u00e1 fora\u2026 Depende apenas de qu\u00e3o longe voc\u00ea est\u00e1 disposto a ir\u2026 \u2026.e o quanto voc\u00ea est\u00e1 disposto a arriscar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Evil Cowards, Bang Camaro e discos solo\u2026 Voc\u00ea certamente n\u00e3o \u00e9 do tipo que fica confort\u00e1vel fazendo uma coisa s\u00f3. Mas com a exce\u00e7\u00e3o do Bang Camaro, que parece ser um projeto de hard rock bem calcado em um esfor\u00e7o coletivo, vejo muitos pontos em comum no seu estilo de compor para o Electric Six, o Evil Cowards e sua carreira solo. Ent\u00e3o qual \u00e9 o lance? Qual \u00e9 a de manter esses projetos todos?<\/span><\/strong><br \/>\nVoc\u00ea \u00e9 muito perceptivo em notar que o Bang Camaro \u00e9 diferente dos outros. Este \u00e9 o meu projeto no qual eu intencionalmente tento dar a impress\u00e3o de que n\u00e3o estou envolvido. Quanto a ter todos esses projetos, o lance \u00e9 que \u00e9 uma idiossincrasia americana ter tr\u00eas empregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A forma\u00e7\u00e3o da banda mudou bastante. Voc\u00ea, por outro lado, continua no g\u00e1s. O que me leva a perguntar: a) voc\u00ea se v\u00ea fazendo algo que n\u00e3o m\u00fasica; b) o quanto do Electric Six \u00e9 Tyler Spencer, no sentido de voc\u00ea ser respons\u00e1vel pela m\u00fasica, imagem e tudo o mais.<\/strong><br \/>\nSe eu fosse fazer qualquer coisa que n\u00e3o fosse estar na banda, eu provavelmente estaria batendo em portas aleatoriamente e entregando \u00e0s pessoas uma sacola misteriosa. E sobre a b), eu realmente n\u00e3o penso sobre a imagem da banda nem nada do tipo. Eu realmente n\u00e3o penso sobre coisa alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu meio que tentei usar um pouco de humor at\u00e9 agora (mal a\u00ed se n\u00e3o consegui), mas deixe-me tentar ser um pouco mais s\u00e9rio. Eu n\u00e3o vejo muitas bandas combinando esse senso de melodrama, humor e tantos elementos musicais diferentes \u2013 e o Electric Six \u00e9 muito \u00fanico e longevo ao faz\u00ea-lo. O que te mant\u00e9m inspirado?<\/strong><br \/>\nSomos man\u00edacos por esses estilos de vida. Ele nos chama. N\u00f3s continuamos fazer m\u00fasica para que possamos continuar a fazer shows. Por dinheiro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VJ1JhlO2j-g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Fire&#8221; &#8211; Electric Six: \u00c9 colocar o CD no som e armar a festa, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/electricsix_resenha.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;N\u00f3s continuamos fazer m\u00fasica para que possamos continuar a fazer shows. 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