{"id":15483,"date":"2012-08-15T03:24:22","date_gmt":"2012-08-15T06:24:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=15483"},"modified":"2024-12-03T13:04:34","modified_gmt":"2024-12-03T16:04:34","slug":"discografia-comentada-suede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/15\/discografia-comentada-suede\/","title":{"rendered":"Discografia Comentada: Suede"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15495\" title=\"suede1111\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede1111.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/milionario\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eduardo Palandi<\/a><\/strong><br \/>\n<em>Texto publicado originalmente em 2002 \/ Atualizado em 2012<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inglaterra, 1989. A m\u00fasica pop da ilha estava passando por um per\u00edodo de transforma\u00e7\u00e3o. Bem menos acentuado que o punk, por n\u00e3o ter tent\u00e1culos em outras esferas al\u00e9m da musical, mas sabia-se que ao menos o gosto musical dos habitantes da Inglaterra n\u00e3o seria mais o mesmo. Os Smiths tinham acabado, o Echo &amp; the Bunnymen perdeu Ian McCulloch pra carreira-solo e Pete DeFreitas para a eternidade, o New Order fazia intervalos cada vez mais longos entre um disco e outro, e a estrela negra do indie-dance subia. Ian Brown e seu Stone Roses levavam os amantes da boa m\u00fasica \u00e0 loucura; era a d\u00e9cada de 90 come\u00e7ando antes, como algu\u00e9m definiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas bandas que conquistariam grandes \u00eaxitos nos anos 90 come\u00e7aram nessa \u00e9poca. Ride (formado em 87), Blur (de 89), Charlatans (88). Todas seguindo a cartilha dos Stone Roses. Mas uma delas, al\u00e9m de beber na fonte dos macaquinhos de Manchester, carregava suas letras e instrumental de androginia, cinismo, sarcasmo e ambig\u00fcidade, com tra\u00e7os do glitter rock de David Bowie e das letras mais c\u00e1usticas do mestre Morrissey. Tamb\u00e9m tinha um nome curto: Suede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Suede surgiu da inquieta\u00e7\u00e3o de dois moleques que, apesar de n\u00e3o terem l\u00e1 uma grande amizade, viram que poderiam criar pequenas obras-primas juntos: Brett Anderson e Bernard Butler. Anderson escrevia letras com interpreta\u00e7\u00f5es d\u00fabias, e Butler tinha um estilo de tocar guitarra rasgante, com ecos de John Squire e Tom Verlaine. Pegaram o nome Suede de um single de Morrissey, &#8220;Suedehead&#8221;, e decidiram por apenas &#8220;suede&#8221; porque a palavra &#8220;suede&#8221; (camur\u00e7a) era uma g\u00edria londrina para &#8220;amb\u00edguo&#8221;. Nada mais perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era hora de procurar outros membros, e n\u00e3o demorou para acharem algu\u00e9m pra assumir a vaga do contrabaixo: Justine Frischmann, amiga de Brett, juntou-se \u00e0 banda tocando o instrumento, mas logo depois encontraram Mat Osman. Justine ent\u00e3o foi deslocada para a segunda guitarra. Para a bateria, chamaram Mike Joyce, o baterista dos lend\u00e1rios Smiths, rec\u00e9m-demitido da banda de apoio de Morrissey.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa forma\u00e7\u00e3o gravaram uma can\u00e7\u00e3o para uma colet\u00e2nea em cassete com v\u00e1rias bandas pequenas de Londres, \u201cWonderful Sometimes\u201d. Os f\u00e3s de Suede hoje disputam essa fita a tapa no mercado de raridades brit\u00e2nico. Em seguida, Justine deixou a banda e come\u00e7ou a namorar Damon Albarn, vocalista do Seymour, que depois viraria Blur. \u00c9 dessa \u00e9poca a rixa entre Damon e Brett, que namorou a garota e a viu debandar para os bra\u00e7os do rival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Suede ent\u00e3o decidiu que apenas Butler seria respons\u00e1vel pelas guitarras, e gravou um single de 12 polegadas com as m\u00fasicas \u201cArt\u201d, \u201cBe My God\u201d e novamente \u201cWonderful Sometimes\u201d, mas o single nunca saiu. Algumas c\u00f3pias chegaram a ser prensadas, e hoje valem uma grana violenta. Mike Joyce ent\u00e3o deixou da banda, sendo substitu\u00eddo pelo baterista que permanece at\u00e9 hoje, Simon Gilbert.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com o single abortado, a banda atraiu a aten\u00e7\u00e3o de Morrissey, que incluiu em v\u00e1rios de seus shows na turn\u00ea do disco &#8220;Kill Uncle&#8221;, entre 1991 e 1992, a can\u00e7\u00e3o \u201cMy Insatiable One\u201d, de autoria de Anderson e Butler. Com uma proje\u00e7\u00e3o maior, o Suede assinou contrato com o pequeno selo Nude, e um contrato de distribui\u00e7\u00e3o com a Sony Music. Nascia, assim, a discografia que voc\u00ea acompanha abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15489\" title=\"suede11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede11.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Suede (1993)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio de 1992, finalmente sa\u00eda o primeiro single: \u201cThe Drowners\u201d, com \u201cMy Insatiable One\u201d e uma nova can\u00e7\u00e3o, \u201cTo The Birds\u201d, acompanhando. Se n\u00e3o vendeu tanto, foi unanimidade de cr\u00edtica e abriu o caminho para, ainda em 92, \u201cMetal Mickey\u201d aumentar a curiosidade. Em abril de 1993 sa\u00eda o primeiro disco, \u201cSuede\u201d; com 11 faixas que fizeram do \u00e1lbum o disco de estreia com venda mais r\u00e1pida no Reino Unido desde &#8220;Welcome to the Pleasuredome&#8221;, de Frankie Goes to Hollywood, lan\u00e7ado em 1984 (o Suede sustentou o cintur\u00e3o at\u00e9 1999, quando o primeiro trabalho do Muse tomou seu posto) e \u00e9, at\u00e9 hoje, o \u00e1lbum mais vendido do grupo nos Estados Unidos (alcan\u00e7ando o n\u00famero 14 da Billboard). Custou 105 mil libras (cerca de R$ 340 mil) e rendeu ainda mais dois singles: \u201cAnimal Nitrate\u201d e So Young \u2013 o primeiro atingiria a s\u00e9tima posi\u00e7\u00e3o nas paradas inglesas, sendo o primeiro Top 10 do grupo. \u201cSuede\u201d, o \u00e1lbum, \u00e9 fortemente influenciado pelo glam rock. J\u00e1 come\u00e7a dizendo \u201cI\u2019m so young, I\u2019m so gone, let\u2019s chase the dragon\u201d, te mandando levantar e ir atr\u00e1s do que quer. Tem baladas lindas, como \u201cPantomime Horse\u201d e \u201cSleeping Pills\u201d, e duas m\u00fasicas para tocar air guitar no quarto (\u201cAnimal Nitrate\u201d e \u201cMetal Mickey\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Momento decisivo: em \u201cBreakdown\u201d, Brett n\u00e3o deixa d\u00favidas sobre o que gosta, ao se perguntar \u201chave I gone too far inside my mind?\u201d e se responder, pouco depois, que \u201cyou can only go so far for womankind\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9,5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15490\" title=\"suede22\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede22.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede22.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede22-300x207.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><br \/>\n<strong>Dog Man Star (1994)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um single t\u00e3o lindo quanto pretensioso (\u201cStay Together\u201d) para o Dia dos Namorados de 1994, em julho daquele ano a banda entrou em est\u00fadio para gravar seu segundo LP. Brett havia se trancado em um mosteiro e, tomando de tudo um pouco (ou um muito), escreveu as letras do disco. Depois de um m\u00eas de grava\u00e7\u00f5es, Butler pediu as contas e se desligou da banda. Como ele n\u00e3o havia gravado as guitarras para todas as m\u00fasicas, a banda optou por arranjos mais sofisticados: algumas das faixas foram orquestradas e Brett arriscou uma guitarrinha (embora todos os cr\u00e9ditos de guitarras do disco tenham ido para Butler, \u00e9 o vocalista quem toca em \u201cThe Power\u201d). Mas antes de sair, Bernard deixou para a posteridade trabalhos magn\u00edficos, como \u201cHeroine\u201d, \u201cNew Generation\u201d e \u201cWe Are The Pigs\u201d. \u201cDog Man Star\u201d \u00e9 uma obra-prima que, para alguns, pode ser dif\u00edcil de digerir. \u201cWe Are The Pigs\u201d \u00e9 um chamado, \u201cThis Hollywood Life\u201d \u00e9 um rock\u00e3o neur\u00f3tico sob o efeito de todas as drogas poss\u00edveis. E ainda tem as l\u00edricas \u201cThe Power\u201d e \u201cHeroine\u201d, o del\u00edrio psicod\u00e9lico de \u201cThe Asphalt World\u201d&#8230; fora o final. &#8220;Dog Man Star&#8221; n\u00e3o repetiu o desempenho de vendas do primeiro \u00e1lbum no Reino Unido (parou na terceira posi\u00e7\u00e3o), mas vendeu bastante e teve boa recep\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica, que cansou de trat\u00e1-lo como &#8220;\u00e9pico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Momento decisivo: aos tr\u00eas minutos cravados da orquestrada &#8220;Still Life&#8221;, que fecha o disco, Brett Anderson canta com toda a for\u00e7a que tem: \u201cThis still life is all I ever do \/ but it\u2019s still, still life\u201d. O desespero da dona-de-casa personagem da letra se mistura ao dele pr\u00f3prio, vendo a banda desmoronar ao redor de uma obra-prima que poderia ser o fim. No primeiro verso, \u201cStill Life\u201d tem seu significado comum, \u201cnatureza morta\u201d, como nas pinturas; no segundo, vira \u201cainda \u00e9 vida\u201d, ainda n\u00e3o \u00e9 o fim. \u00c9 de chorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15491\" title=\"suede33\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede33.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede33.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede33-300x207.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Coming Up (1996)<\/strong><br \/>\nCom Bernanrd Butler fora, come\u00e7aram os testes  para recrutar um novo guitarrista. Centenas de candidatos apareceram at\u00e9 que um garoto de 17  anos surgisse no est\u00fadio e os encantasse com seu jeito de tocar.  Richard Oakes sabia todas as m\u00fasicas da banda e era quase dez anos mais  novo que os tr\u00eas membros restantes. Ao inv\u00e9s de mandar uma fita com  vers\u00f5es das m\u00fasicas de Butler, gravou guitarras e teclados como se  fossem demos de novas m\u00fasicas. Depois de autorizado pelos pais a largar a  escola, juntou-se ao grupo para a turn\u00ea de \u201cDog Man  Star\u201d, registrada no v\u00eddeo \u201cIntroducing the Band\u201d. Ironicamente, as  primeiras composi\u00e7\u00f5es da banda com Oakes foram \u201cTogether\u201d e \u201cBentswood  Boys\u201d, lados B do single de&#8230; \u201cNew Generation\u201d. Uma grande expectativa cercava as grava\u00e7\u00f5es do terceiro disco. Como seriam as m\u00fasicas com o novo guitarrista? Perderiam para os riffs rasgantes de Butler? A verdade \u00e9 que Oakes tinha um estilo diferente, com mais uso de distor\u00e7\u00e3o e efeitos, e muitos f\u00e3s antigos ficaram ainda mais desconfiados quando a banda anunciou que gravaria o disco todo com o tecladista convidado Neil Codling. No final das sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o, Codling foi efetivado na banda, que virava um quinteto, e ent\u00e3o surgiu \u201cComing Up\u201d, uma obra-prima injusti\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Injusti\u00e7ada, veja bem, porque se \u201cDog Man Star\u201d era a transcri\u00e7\u00e3o \u00e9pica de algu\u00e9m em frangalhos, \u201cComing Up\u201d era exatamente seu negativo, quase como um Best Of captado pelo duelo entre a guitarra de Richard Oakes, que chega chutando o pau da barraca, e os outros instrumentos. \u201cTrash\u201d exibe mais daquele frescor juvenil hedonista e \u00e9 possivelmente a melhor m\u00fasica da banda, que ainda ataca com o convite ao \u00f3cio e \u00e0 lux\u00faria em \u201cLazy\u201d e \u201cPicnic by the Motorway\u201d, tem a balada neur\u00f3tica de \u201cBy the Sea\u201d (algu\u00e9m mudando de vida, deixando tudo para tr\u00e1s e tendo a tens\u00e3o de dar certo), o hit \u201cBeautiful Ones\u201d e a subestimada \u201cStarcrazy\u201d. \u00c9 um disco tratado como inferior muito por ter saido ap\u00f3s uma obra-prima, \u201cDog Man Star\u201d, o que merece uma pondera\u00e7\u00e3o: entre um cl\u00e1ssico da tristeza e outro da felicidade, qual \u00e9 o melhor? Pessoalmente, acho muito mais dif\u00edcil fazer um disco feliz sem ser idiota do que um \u00e1lbum transformando depress\u00e3o em arte \u2013 e por isso, num hipot\u00e9tico desempate, \u201cComing Up\u201d seria o escolhido.  Foi o disco de maior vendagem nos EUA, mas parte dos f\u00e3s puritanos torceu o nariz. Alheios aos coment\u00e1rios, os cinco rapazes do Suede encararam uma grande turn\u00ea que se estendeu at\u00e9 outubro de 97, quando ainda lan\u00e7aram uma compila\u00e7\u00e3o dupla com 27 lados B de seus singles, intitulada \u201cSci-fi Lullabies\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Momento decisivo: aos 2\u201921 de \u201cTrash\u201d, depois de Brett Anderson dizer tudo aquilo que ele e a banda s\u00e3o, entra o solo de guitarra. Se a letra j\u00e1 era, por si, um cl\u00e1ssico da arrog\u00e2ncia, essa passagem instrumental empina o nariz a um n\u00edvel jamais sonhado. N\u00e3o \u00e9 um solo, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15492\" title=\"suede44\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede44.jpg\" alt=\"\"><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Head Music (1999)<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brett Anderson disse em 1996 que em um ano o sucessor de \u201cComing Up\u201d ganharia as ruas, mas s\u00f3 em fevereiro de 1999 foi que \u201cHead Music\u201d viu a luz do sol. Os f\u00e3s de come\u00e7o de carreira da banda que restaram depois de &#8220;Coming Up&#8221; foram quase todos embora com este disco, que teve suas letras criticadas como &#8220;simples demais&#8221;, al\u00e9m de terem sido percebidos sinais de cansa\u00e7o e estranheza na parte musical, mas a produ\u00e7\u00e3o trabalhou bem o cansa\u00e7o do Suede. O conturbado quarto disco surgiu em meio pouca inspira\u00e7\u00e3o e muita droga (a campanha de lan\u00e7amento trazia uma letra do nome do \u00e1lbum por dia em diversos jornais do Reino Unido, e, ao final do segundo dia, muito f\u00e3s apostavam que o \u00e1lbum se chamaria &#8220;Heroin&#8221;). Sem o produtor Ed Buller, que acompanhava a banda desde o in\u00edcio, o Suede recorreu a Steve Osborne, que havia produzido \u201cWithout You I\u2019m Nothing\u201d, do Placebo. As letras oscilam entre o simples e o pervertido, as texturas eletr\u00f4nicas marcam presen\u00e7a como nunca antes, e em meio a tudo isso ainda surgem algumas grandes can\u00e7\u00f5es: &#8220;Everything Will Flow&#8221;, &#8220;She\u2019s in Fashion&#8221;, &#8220;Asbestos&#8221;, &#8220;He\u2019s Gone&#8221;. \u00c9 o primeiro disco \u201cmundano\u201d do Suede, mas ainda superior a 90% do que era produzido ent\u00e3o. Alcan\u00e7ou novamente o topo da parada brit\u00e2nica e bateu no n\u00famero 25 da Billboard. O sucesso foi coroado com a banda no posto de headliner dos festivais de Roskilde e do V Festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Momento decisivo: aos 2\u201901 de &#8220;She\u2019s in Fashion&#8221;, Brett decreta: \u201ce quando ela te diz que dois \u00e9 um, ent\u00e3o dois \u00e9 um, meu amor\u201d. Ele est\u00e1 no comando, e n\u00e3o \u00e0 toa a m\u00fasica seguinte \u00e9 &#8220;Asbestos&#8221;, um ambient com a libido l\u00e1 em cima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15493\" title=\"suede55\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede55.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede55.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede55-300x207.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A New Morning (2002)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2002, de volta ao est\u00fadio, o Suede gravou com o produtor Tony Hoffer, que havia conquistado fama com o norte-americano Beck. N\u00e3o deu certo, e a banda tentou Dave Eringa, do Manic Street Preachers, antes de deixar &#8220;A New Morning&#8221;, seu quinto disco, nas m\u00e3os de Stephen Street (Smiths, Blur). E mais mudan\u00e7as radicais ocorreram: Brett abandonou os efeitos de est\u00fadio em seu vocal pela primeira vez, as guitarras surgiram acompanhadas por viol\u00f5es, j\u00e1 que a parte eletr\u00f4nica perdia destaque. As letras pararam de falar de glamour e da vida noturna da cidade grande, os personagens saudavam a felicidade de se estar vivo, come\u00e7ando de novo. Culpa, provavelmente, do fim do v\u00edcio em crack que acompanhara Brett Anderson, agora com vontade de acordar cedo e ser uma pessoa saud\u00e1vel. Ao mesmo tempo, o britpop em que o Suede foi criado j\u00e1 estava morto, com a cr\u00edtica interessada no que vinha de Nova Iorque. &#8220;A New Morning&#8221; foi o \u00fanico disco da banda a n\u00e3o estar no top 3 brit\u00e2nico (nem no top 20 entrou) e a fria recep\u00e7\u00e3o levou ao lento fim do Suede (no dia 6 de novembro de 2003). Despida dos efeitos eletr\u00f4nicos, a banda fez seu disco mais injusti\u00e7ado,  tanto pelas vendas miser\u00e1veis quanto pelas cr\u00edticas destruidoras. Azar o  deles: &#8220;Astrogirl&#8221; tem um arranjo lindo, &#8220;Obsessions&#8221; \u00e9 uma bela  justificativa dos excessos de outrora, &#8220;When the Rain Falls&#8221; \u00e9 aquilo que  Brett quer para a vida dele daqui para a frente: sentar ao lado da amada  e ver as crian\u00e7as correndo para casa quando a chuva cair. Mas chamar a  melhor m\u00fasica do disco de &#8220;Untitled&#8221; \u00e9 vacilar demais, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Momento decisivo: em Obsessions, entre uma gaita e outra, a frase que marca o disco: \u201cobsessions it\u2019s like sex, it\u2019s simple and complex\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15494\" title=\"suede6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/suede6.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>B-Sides, demos e raridades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como a banda voltou aos palcos, toda a discografia do Suede retornou \u00e0s lojas em completistas edi\u00e7\u00f5es triplas em 2010 (dois CDs e um DVD com abolutamente tudo que o Suede colocou no mercado e mais raridades de demos). O primeiro \u00e1lbum, &#8220;Suede&#8221;, surgiu acrescido de 21 faixas extras e um DVD com clipes, apari\u00e7\u00f5es no Brit Awards, dois shows da \u00e9poca gravados de forma tosca (Sheffield e Brixton Academy) e uma entrevista com Brett e Butler falando do \u00e1lbum&#8230; em 2011. &#8220;Dog Man Star&#8221; traz 19 faixas extras e o mesmo esquema do DVD do primeiro \u00e1lbum: clipes, dois shows da \u00e9poca e coment\u00e1rios de Brett e Butler. &#8220;Coming Up&#8221; \u00e9 preenchido com 27 faixas a mais e o DVD traz um show no Roundhouse, em Londres, e outro em Paris (al\u00e9m de entrevistas atuais com Brett, Oakes e Codding). &#8220;Head Music&#8221; traz 23 faixas a mais e apenas um show no DVD (mas todos os clipes e algumas curiosidades). &#8220;A New Morning&#8221; limpa o ba\u00fa somando mais 29 faixas extras ao \u00e1lbum al\u00e9m de um show em Singapura e um set na FNAC de Madri, em 2002. Para quem n\u00e3o se dispuser a ir atr\u00e1s destas cinco belezinhas completistas (na Amazon UK cada uma das reedi\u00e7\u00f5es sai por volta de 12 libras mais frete &#8211; aproximadamente R$ 50), vale ficar procurar com carinho &#8220;Sci-fi Lullabies&#8221;, colet\u00e2nea dupla com quase todos os lados B at\u00e9 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro disco de &#8220;Sci-fi Lullabies&#8221;, se n\u00e3o fosse compilado, seria um forte concorrente para \u00e1lbum da d\u00e9cada, e o segundo tem quase tanto brilho quanto. Parece exagero, mas \u00e9 absurdo constatar que tanta m\u00fasica boa n\u00e3o entrou nos \u00e1lbuns de carreira do Suede. Em &#8220;To the Birds&#8221;, Bernard Butler ocupa sozinho na guitarra todo o espa\u00e7o que a orquestra toma em &#8220;A Day in The Life&#8221;, dos Beatles; &#8220;Young Men&#8221; \u00e9 um glam rock e tanto sobre os moleques ingleses; &#8220;This Time&#8221;, uma das melhores baladas do Suede, enquanto &#8220;Europe is our Playground&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma m\u00fasica, \u00e9 puro amor, sem contar a met\u00e1fora do acrobata para os viciados em hero\u00edna de &#8220;The Living Dead&#8221;: \u201cSe eu fosse a esposa de um acrobata \/ ser\u00e1 que eu pareceria uma morta-viva, garoto? \/ voc\u00ea est\u00e1 na corda e n\u00e3o pode voltar (&#8230;) pod\u00edamos ter tido um carro, pod\u00edamos ter tido tudo \/ pod\u00edamos ter andado no c\u00e9u mas paramos no muro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Suede ainda gravou alguns raros covers como para \u201cPoor Little Rich Girl\u201d, do dramaturgo N\u00f6el Coward (1899-1973), de um disco-tributo ao autor, chamado \u201cTwentieth Century Blues\u201d &#8211; lan\u00e7ada originalmente em 1925 (que outras bandas foram t\u00e3o longe na hist\u00f3ria?), a can\u00e7\u00e3o ganhou uma vers\u00e3o eletr\u00f4nica em que Brett Anderson solta seus versos com toda a lux\u00faria que eles merecem (\u201cin lives of leisure \/ the craze for pleasure \/ steadily grows \/ cocktails and laughter \/ but what comes after \/ nobody knows\u201d) &#8211; &#8220;Shipbuilding&#8221;, de Elvis Costello, para a colet\u00e2nea intitulada \u201cHelp!\u201d, e &#8220;Rent&#8221;, dos Pet Shop Boys, gravada ao vivo com Neil Tennant participando da m\u00fasica. Duas colet\u00e2neas mapeiam a hist\u00f3ria da banda: a primeira, &#8220;Singles&#8221;, foi lan\u00e7ada em 2003 e traz 21 hinos do grupo (uma vers\u00e3o especial trazia o set de Singapura que foi realocado na reedi\u00e7\u00e3o de &#8220;A New Morning&#8221;). Perfeita para ne\u00f3fitos \u00e9 a colet\u00e2nea dupla &#8220;Best Of Suede&#8221;, lan\u00e7ada em 2010 com 35 can\u00e7\u00f5es do grupo. No quesito DVDs, a maioria dos registros ao vivo foram excertadas nas reedi\u00e7\u00f5es, mas &#8220;Lost on TV&#8221; (2001) ainda vale o investimento assim como o recente DVD duplo &#8220;Live Royal Albert Hall 2010&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Suede - We Are The Pigs (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fxtIwh1Nz0k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Suede - Europe Is Our Playground\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LGW7JghZ3A8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Suede - Beautiful Ones (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xqovGKdgAXY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Eduardo Palandi, 30, gosta de saber que algumas pessoas conheceram o Suede (e gostaram muito) atrav\u00e9s da primeira vers\u00e3o desse texto, publicada neste mesmo site em 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Alanis Morissette, por Renata Arruda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/13\/discografia-comentada-alanis-morissette\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Pato Fu, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/26\/discografia-comentada-pato-fu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Mogwai, por Elson Barbosa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/09\/discografia-comentada-mogwai\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Wander Wildner, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/06\/discografia-comentada-wander-wildner\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Foo Fighters, por Tomaz de Alvarenga (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/discografia-comentada-foo-fighters\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Morrissey, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/21\/discografia-comentada-morrissey\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Bob Dylan, por Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Paul McCartney, por Wilson Farina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2011\/06\/22\/discografia-comentada-paul-mccartney\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Echo and The Bunnymen, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2009\/06\/11\/discografia-comentada-echo-the-bunnymen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: The Cure, por Samuel Martins (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2010\/09\/20\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Leonard Cohen, por Julio Costello (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/leonardcohen.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/midnightoil_discografia.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Nick Cave, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/nickacvediscografia.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: The Clash, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/clash_discografia.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Eduardo Palandi\nNo momento em que o Suede est\u00e1 prestes a tocar pela primeira vez no Brasil, reeditamos este texto publicado em 2002\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/15\/discografia-comentada-suede\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":125,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15483"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/125"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15483"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85760,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15483\/revisions\/85760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}