{"id":15247,"date":"2012-07-31T09:08:35","date_gmt":"2012-07-31T12:08:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=15247"},"modified":"2020-11-17T03:43:54","modified_gmt":"2020-11-17T06:43:54","slug":"esse-voce-precisa-ouvir-jeff-lynne-e-elo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/31\/esse-voce-precisa-ouvir-jeff-lynne-e-elo\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ouvir: Jeff Lynne e ELO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15248\" title=\"elo1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/elo1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A Orquestra Da Luz El\u00e9trica no \u00daltimo Trem Pra Londres &#8211; Jeff Lynne e ELO<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/celeolimite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carlos Eduardo Lima<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que voc\u00ea acharia se uma banda surgisse hoje e dissesse que sua proposta musical \u00e9 retomar o que os Beatles fizeram em &#8220;I Am The Walrus&#8221; e, a partir da\u00ed, fazer novas coisas? Soaria atrevido, prepotente, descabido ou motivo de celebra\u00e7\u00e3o? E se essa mesma gente maluca quisesse fazer isso ao mesmo tempo em que incorpora elementos de orquestra na m\u00fasica pop, inclusive, instrumentos como cello, violino, viola, basicamente uma sess\u00e3o de cordas cl\u00e1ssica? Ent\u00e3o seria f\u00e1cil perceber que esse tipo de bravata n\u00e3o tem mais lugar nos dias de hoje, quando qualquer som pode ser incorporado a uma can\u00e7\u00e3o, via tecnologia de ponta. Pois bem, para Jeff Lynne e Roy Wood, dois sujeitos estranhos de Birmingham, a cerca de duas horas de trem de Londres, m\u00fasica pop significava seguir essa receita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lynne e Wood eram m\u00fasicos da cena de Birminghan na segunda metade dos anos 60. O primeiro era guitarrista do semi-obscuro Idle Race e o segundo atuava no mais conhecido The Move. Ambas as bandas tinham em comum o decalque sonoro dos Beatles, algo relativamente normal para a \u00e9poca, pois quase todas as bandas brit\u00e2nicas que faziam sucesso nas paradas ostentavam a identidade beatle em algum elemento. Com The Move era assim: o sucesso existia dentro da Inglaterra, mas n\u00e3o conseguiu atravessar o Atl\u00e2ntico, o que significava pouco est\u00edmulo para continuar. O Idle Race era uma banda local, com relativo sucesso, mas nada que fosse realmente importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CxXl4oS9wss\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CxXl4oS9wss\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de 1971, Lynne integrou as fileiras do The Move e contribuiu com dois belos discos obscuros, &#8220;Looking On&#8221; (1971) e &#8220;Message From The Country&#8221; (1972). O som da banda mudou, o sucesso na Inglaterra continuou, mas ningu\u00e9m na terra do Tio Sam parecia se importar com uma banda que se banhava desavergonhadamente em \u00e1guas beatles. Enquanto isso, Lynne e Wood experimentavam mais e mais os elementos da fus\u00e3o entre rock e m\u00fasica cl\u00e1ssica, atingindo um ponto que ultrapassava as fronteiras do pr\u00f3prio escopo musical do Move. Era a hora de mudar e assumir a nova persona que haviam criado. Nascia a Electric Light Orchestra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que havia ent\u00e3o? Glam e Progressivo estourados na Inglaterra. Os Estados Unidos come\u00e7ando a curtir uma mar\u00e9 de revisionismo rock, com direito a revival de Beach Boys. Rolling Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple fazendo shows gigantescos ao redor do mundo. Era um cen\u00e1rio que parecia hostil \u00e0queles sujeitos malucos, que se equilibravam em cima de um muro est\u00e9tico que parecia intranspon\u00edvel. Al\u00e9m disso, as pessoas n\u00e3o pareciam muito dispostas a ouvir misturas de rock com m\u00fasica cl\u00e1ssica. A presen\u00e7a de Wood na ELO durou apenas um disco, o primeiro, &#8220;No Answer&#8221;, de 1973. Ele sairia para formar o Wizzard, n\u00e3o sem antes notar que o primeiro single do grupo, &#8220;10538 Overture&#8221;, tornara-se um hit massivo na Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cV4ZJm7dh7g\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cV4ZJm7dh7g\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partida de Wood deixava Jeff Lynne com os vocais e o controle criativo total da ELO. Com seu registro muito pr\u00f3ximo do pr\u00f3prio John Lennon e a chegada de gente importante, como o tecladista Richard Tandy, al\u00e9m da presen\u00e7a do baterista Bev Bevan, a banda seguiu com o lan\u00e7amento de &#8220;Electric Light Orchestra 2&#8221;, no fim do mesmo ano. Ali j\u00e1 estava o primeiro hit transatl\u00e2ntico, uma vers\u00e3o exagerada de &#8220;Roll Over Beethoven&#8221;, que misturava passagens da Quinta Sinfonia do velho Ludwig com o cl\u00e1ssico de Chuck Berry. Enquanto acertava o arranjo e iniciava as grava\u00e7\u00f5es, Lynne recebeu a visita de George Martin, que produzia &#8220;Live And Let Die&#8221;, com Paul McCartney, no mesmo Air Studios, mais exatamente, na sala ao lado. O velho produtor dos Beatles assistiu a alguns takes e concordou com toda a concep\u00e7\u00e3o. A can\u00e7\u00e3o fez muito sucesso e abriu as portas da Am\u00e9rica para a ELO. A longa dura\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas em &#8220;ELO 2&#8221; impediu que o disco galgasse as paradas mais e mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a ELO s\u00f3 atingiu seu m\u00e1ximo potencial de sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica quando lan\u00e7ou &#8220;New World Record&#8221;, em 1976. At\u00e9 l\u00e1, eles lan\u00e7ariam &#8220;On The Third Day&#8221; (dezembro de 1973), que teve em &#8220;Ma-Ma-Ma Belle&#8221; (com participa\u00e7\u00e3o de Marc Bolan na guitarra) um grande hit, &#8220;Eldorado&#8221; (1974), este \u00faltimo um disco conceitual inspirado em &#8220;O M\u00e1gico de Oz&#8221;, marcando a primeira vez em que a ELO contou com uma orquestra de fato no est\u00fadio. At\u00e9 ent\u00e3o as concep\u00e7\u00f5es orquestrais vinham de instrumentos esparsos, nunca uma orquestra completa. Jeff Lynne conta que s\u00f3 teve o respeito de seu pai quando ele ouviu &#8220;Eldorado&#8221; e reconheceu ali v\u00e1rios elementos realmente pertencentes \u00e0 abordagens de m\u00fasica cl\u00e1ssica. Este disco tamb\u00e9m rendeu um grande hit, &#8220;Can&#8217;t Get It Out Of My Head&#8221;, que estourou nos USA e na Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Q2Cb0sFDuv0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Q2Cb0sFDuv0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1975 veio &#8220;Face The Music&#8221;. A banda dava in\u00edcio a uma sutil mudan\u00e7a no conceito musical, o que significava um &#8220;downsizing&#8221; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opul\u00eancia de &#8220;Eldorado&#8221;. Em meio ao approach orquestral, can\u00e7\u00f5es mais enxutas, calcadas no rock sessentista viam a luz do dia e faziam sucesso, caso de &#8220;Evil Woman&#8221; e &#8220;Strange Magic&#8221;. A espa\u00e7onave &#8211; s\u00edmbolo perene da banda &#8211; s\u00f3 aterrisou em 1976. J\u00e1 aparecia estampada na capa de &#8220;New World Record&#8221;, que seria lan\u00e7ado em novembro. Al\u00e9m disso, Lynne estava se tornando um verdadeiro artes\u00e3o do est\u00fadio, cada vez mais fluente em t\u00e9cnicas e timbres, conferindo sonoridades cristalinas e top de linha em termos tecnol\u00f3gicos. N\u00e3o fosse o bastante, a ourivesaria pop que ele empreendia em m\u00fasicas como &#8220;Livin&#8217; Thing&#8221; e &#8220;Shangri-La&#8221; era not\u00e1vel. Duas outras can\u00e7\u00f5es merecem destaque: &#8220;Telephone Line&#8221;, uma balada dilacerada, que n\u00e3o faria feio no repert\u00f3rio de Paul McCartney, e &#8220;Rockaria&#8221;, que \u00e9 o que seu t\u00edtulo indica: uma mistura de rock glam com uma \u00e1ria oper\u00edstica. O que \u00e9 interessante notar \u00e9 que, a partir desse momento, a ELO j\u00e1 soava como ELO e n\u00e3o como um mero imitador ou reprodutor de tiques musicais dos Beatles em vers\u00e3o cl\u00e1ssica. Seus detratores, ou seja, a maioria da cr\u00edtica especializada da \u00e9poca, nunca reconheceu essa evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sucesso avassalador continuou com o disco seguinte, &#8220;Out Of The Blue&#8221;, lan\u00e7ado em 1977, cujo maior sucesso, &#8220;Mr. Blue Sky&#8221;, arrombou a banca e as paradas de sucesso ao redor do mundo. Muita gente conhece a can\u00e7\u00e3o por ela ter feito parte da trilha sonora de &#8220;Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembran\u00e7as&#8221;, o que \u00e9 uma injusti\u00e7a. Talvez seja o grande momento da ELO no est\u00fadio em todos os tempos, uma verdadeira overdose de elementos beatle enfileirados, com sons escondidos, falsos finais, mudan\u00e7as de andamento, virtuosismo, cordas, sinos e vocoders, um exagero barroco que poderia soar como uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o ao nascente movimento punk, que pregava a est\u00e9tica oposta, na qual o &#8220;fa\u00e7a voc\u00ea mesmo&#8221; e o &#8220;menos \u00e9 mais&#8221; imperavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/bjPqsDU0j2I\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/bjPqsDU0j2I\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa \u00e9poca &#8211; 1977\/79 &#8211; o cen\u00e1rio pop n\u00e3o deixava alternativas. Ou voc\u00ea se assumia punk ou ia para a discoteca. Quem n\u00e3o fazia nenhuma das duas coisas, ficava automaticamente fora dos ouvidos dos formadores de opini\u00e3o. A grande verdade \u00e9 que o punk rock n\u00e3o se revoltou contra o progressivo, como diz a lenda. O que gente como Clash e Jam queriam era uma volta \u00e0s ra\u00edzes do rock, algo como a redescoberta das influ\u00eancias, da quest\u00e3o do inconformismo, da n\u00e3o-aliena\u00e7\u00e3o. O oposto disso estava nas paradas de sucesso e na disco music. Hoje em dia, o estado das coisas nos faz questionar esse movimento punk e pesar na balan\u00e7a o que ele deixou como legado para a m\u00fasica pop. Mas isso \u00e9 outro papo. A verdade \u00e9 que o rock tradicional tamb\u00e9m n\u00e3o tinha muito espa\u00e7o nesses tempos e o radicalismo tomou conta. Muitas bandas e artistas veteranos deram uma guinada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 disco music, de Bee Gees e Beach Boys, passando pelo pr\u00f3prio Paul McCartney. A ELO tamb\u00e9m usou esse jeito de corpo e lan\u00e7ou &#8220;Discovery&#8221; em 1979. O tecladista Richard Tandy, meio irritado com a &#8220;onda disco&#8221; acabou chamando o novo \u00e1lbum de &#8220;Disco-very&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Injusti\u00e7a com uma obra que hoje revolucionaria o pop. Digo isso sem medo de errar porque &#8220;Discovery&#8221; \u00e9 a mais bem sucedida fus\u00e3o de rock com disco music j\u00e1 feita, algo que pode conquistar gente moderninha f\u00e3 do Rapture. O som barroco, cheio de efeitos eletr\u00f4nicos &#8211; hoje classificados como vintage mas, na \u00e9poca, high tech &#8211; se adaptam ao som mais grooveado e com menos cordas. Vocais assumem uma faceta mais pr\u00f3xima dos Bee Gees, sobretudo nos hits mundiais &#8220;Don&#8217;t Bring Me Down&#8221;, &#8220;Last Train To London&#8221; e &#8220;Shine A Little Love&#8221;, que abusam das levadas de baixo e sintetizador imitando som de baixo, conferindo um balan\u00e7o in\u00e9dito. ELO nunca foi t\u00e3o dan\u00e7ante sem deixar, no entanto, as refer\u00eancias beatle de lado. L\u00e1 est\u00e1 &#8220;The Diary Of Horace Wimp&#8221;, com levada psicod\u00e9lica que poderia ter sa\u00eddo de &#8220;Magical Mystery Tour&#8221;, contando a saga de um sujeito atrapalhado e sem sorte com as mulheres. Tamb\u00e9m est\u00e3o presentes baladas dilaceradas de veia mccartneyana como &#8220;Need Her Love&#8221; e &#8220;Midnight Blue&#8221;. A vers\u00e3o remasterizada, lan\u00e7ada em 2001, traz ainda uma cover de &#8220;Little Town Flirt&#8221;, de Del Shannon, na qual Jeff Lynne toca todos os instrumentos e faz os vocais, em homenagem a um dos seus her\u00f3is musicais de sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/8mOFay9Rhac\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/8mOFay9Rhac\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conta do sucesso de &#8220;Discovery&#8221;, a ELO embarcou naquele que \u00e9 o momento mais exc\u00eantrico de sua carreira, a trilha sonora de &#8220;Xanadu&#8221;, filme-musical que trazia Olivia Newton-John e Gene Kelly em pleno 1980. A l\u00f3gica de hoje detectaria uma atitude &#8220;cool&#8221;, mas, naquela \u00e9poca, isso era colocar em xeque toda a carreira. Se a can\u00e7\u00e3o t\u00edtulo, na voz de Olivia, foi sucesso mundial, junto com &#8220;All Over The World&#8221;, o tom, digamos, fabuloso ao extremo que o filme tinha &#8211; uma historieta de amor suspenso no tempo sobre patins &#8211; fez com que a hero\u00edna fosse cruelmente chamada de Olivia Neutron Bomb. O filme fez sucesso, a trilha idem mas, este foi o \u00faltimo momento realmente glorioso da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhando as tend\u00eancias de 1981, a ELO sofreu nova muta\u00e7\u00e3o. Saiu a fus\u00e3o gloriosa de disco e rock e veio a persegui\u00e7\u00e3o a um som mais eletr\u00f4nico e futurista, no sentido Atari do termo. Era o som que as bandas progressivas estavam buscando, priorizando teclados com timbres orquestrais e \u00e9picos, como o que daria fama e fortuna ao Asia no ano seguinte, com o hit &#8220;Only Time Will Tell&#8221;. Com a ELO ainda funcionou em can\u00e7\u00f5es como &#8220;Twilight&#8221; e &#8220;Ticket To The Moon&#8221;, mas a aura de disco conceitual sobre o futuro e o uso abusivo de vocoders e outros bichos n\u00e3o chegaram a convencer como novos elementos est\u00e9ticos. Ainda havia a habilidade de compositor pop e produtor de Jeff Lynne mas tais predicados n\u00e3o haviam sido suficientes dessa vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/WT_E07VdKiU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/WT_E07VdKiU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos depois, a ELO voltaria com &#8220;Secret Messages&#8221;, concebido como um \u00e1lbum duplo, mas lan\u00e7ado como disco simples, ap\u00f3s Lynne ser &#8220;convencido&#8221; pela gravadora. \u00c9 um trabalho melhor que &#8220;Time&#8221;, com can\u00e7\u00f5es como &#8220;Bluebird&#8221; e a faixa-t\u00edtulo, que retomam um pouco do som cl\u00e1ssico dos anos 70 mas ainda abarrotadas por teclados e sintetizadores, que eram a paix\u00e3o de Richard Tandy. O baterista Bev Bevan se dividiu entre a banda e sua empreitada no Black Sabbath, onde assumiu as baquetas para a turn\u00ea de &#8220;Born Again&#8221;, que ainda trazia Ian Gillan (do Deep Purple) nos vocais. Ele retornaria a ELO em 1986 para a grava\u00e7\u00e3o do \u00faltimo disco da banda, &#8220;Balance Of Power&#8221;. A pomarola azedara completamente e a banda praticamente cumpriu uma obriga\u00e7\u00e3o contratual. O disco, no entanto, ainda tem momentos interessantes, sobretudo em &#8220;Calling America&#8221;, mas o esp\u00edrito original da banda j\u00e1 n\u00e3o existia mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, nessa \u00e9poca come\u00e7ou uma esp\u00e9cie de renascimento para Jeff Lynne, dessa vez como produtor. Ningu\u00e9m menos que George Harrison faria um convite para que ele assumisse a cadeira de produtor de seu novo disco, &#8220;Cloud Nine&#8221;, que seria lan\u00e7ado em novembro de 1987. Nesse \u00e1lbum, que marcava seu retorno ap\u00f3s cinco anos de aus\u00eancia, Harrison retomaria uma sonoridade cl\u00e1ssica, avessa a qualquer eletr\u00f4nica, calcada no rock da virada dos anos 50\/60. A produ\u00e7\u00e3o de Lynne, que poderia seguir o padr\u00e3o recente dos discos da ELO, trabalha a favor disso, conseguindo uma sonoridade seca e despojada, ideal para as expectativas de Harrison. Os grandes hits desse disco, &#8220;Got My Mind Set On You&#8221; e &#8220;When We Was Fab&#8221;, conseguem ser saudosos e modernos, tamanho \u00e9 o brilhantismo da produ\u00e7\u00e3o de Lynne. O melhor, no entanto, estaria por vir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6GdeU0ww4zY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6GdeU0ww4zY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A volta de Harrison trouxe \u00e2nimo para um monte de veteranos que ficaram \u00e0 margem da ind\u00fastria musical por muito tempo. Roy Orbison, por exemplo, fonte de inspira\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios Beatles, amargava um ostracismo longo demais, foi salvo por Lynne, que assumiu a produ\u00e7\u00e3o de seu bel\u00edssimo disco &#8220;Mystery Girl&#8221;, no qual can\u00e7\u00f5es como &#8220;You Got It&#8221; e &#8220;(All I Can Do) Is Dream You&#8221; levaram o veteran\u00edssimo bar\u00edtono de volta \u00e0s paradas. Ao mesmo tempo em que produzia o disco de Roy e que essa turma se animava, veio a id\u00e9ia de George Harrison de formar um supergrupo. Nascia o Travelling Wilburys, um dos maiores momentos musicais dos anos 80. Lan\u00e7aram dois maravilhosos discos, nada nost\u00e1lgicos, um em 1988 e outro em 1990. Eram apenas George Harrison, Tom Petty, Bob Dylan, Roy Orbison e Jeff Lynne, juntos, num est\u00fadio, fazendo m\u00fasica com a tranq\u00fcilidade de velhos camaradas. E o resultado, &#8220;Vol.1&#8221;, \u00e9 uma pepita de ouro, a come\u00e7ar pela soberba &#8220;Handle With Care&#8221;, seguindo adiante por todo o disco, como alguns dos melhores momentos de Dylan na d\u00e9cada, em &#8220;Congratulations&#8221; e no balan\u00e7o de &#8220;Dirty World&#8221;, al\u00e9m do clima &#8220;killer&#8221; em &#8220;Rattled&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imitador dos Beatles era agora o produtor deles e de seus maiores contempor\u00e2neos e her\u00f3is. Tom Petty aproveitou o embalo e recrutou Lynne para produzir seu soberbo &#8220;Full Moon Fever&#8221; em 1989, cujo maior sucesso, &#8220;Free Fallin'&#8221;, apresentou Petty para toda uma nova gera\u00e7\u00e3o de f\u00e3s. Haveria tempo tamb\u00e9m para Lynne entrar no est\u00fadio e compor todo um disco solo, chamado &#8220;Armchair Theater&#8221;, um dos mais bem guardados segredos de 1990, uma vez que permanece fora de cat\u00e1logo h\u00e1 um bom tempo. 1991 seria o ano da produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Rock On&#8221;, disco de retorno de Del Shannon, famoso nos anos 60 por um grande sucesso, &#8220;Runaway&#8221;, que confiara a Lynne a miss\u00e3o de dar-lhe um upgrade. O resultado \u00e9 emocionante e a regrava\u00e7\u00e3o de outro grande sucesso da carreira de Del, &#8220;I Go To Pieces&#8221;, supera o registro original em muitos quil\u00f4metros. O segundo disco dos Travelling Wilburys viria a seguir, novamente produzido por Lynne, traria Shannon substituindo Roy Orbison, que morrera vitimado por um ataque card\u00edaco. Mas Del, que tinha problemas pessoais e depress\u00e3o, cometeu suic\u00eddio, deixando o disco dos Wilburys desfalcado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/L8s9dmuAKvU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/L8s9dmuAKvU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lynne adentrava os anos 90 como um produtor muito requisitado e sempre lembrado pelo trabalho que fizera ao longo dos anos 70, fornecendo sua vis\u00e3o pessoal das sonoridades beatle. Em 1992 ele produziria grande parte das can\u00e7\u00f5es de &#8220;Time Takes Time&#8221;, disco que marcava o retorno de Ringo Starr ap\u00f3s 11 anos ausente. N\u00e3o \u00e9 de se espantar que os tr\u00eas integrantes do Fab Four tenham pensado nele e o recrutado para produzir sua can\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, a primeira em 24 anos, que seria a ponta de lan\u00e7a da s\u00e9rie &#8220;Anthology&#8221; em 1994. O trabalho que Lynne fez, ajudado por Paul, George, Ringo e o pr\u00f3prio George Martin na recupera\u00e7\u00e3o das fitas originais de &#8220;Free As A Bird&#8221;, feitas por John Lennon em algum momento dos anos 70, \u00e9 admir\u00e1vel. Toda uma nova parte havia sido composta por Paul, lembrando muito a din\u00e2mica de &#8220;A Day In The Life&#8221;, que, na verdade, \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o de duas can\u00e7\u00f5es distintas. O solo de Harrison, a bateria marcial e pesada de Ringo conferem uma beleza \u00edmpar \u00e0 can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado, por mais imposs\u00edvel que pudesse parecer, n\u00e3o deu a &#8220;Free As A Bird&#8221; um prov\u00e1vel status de &#8220;patinho feio&#8221; em meio \u00e0 discografia da banda e foi comparada na \u00e9poca de seu lan\u00e7amento a algo que poderia estar no lado A de Abbey Road &#8211; \u00faltimo disco de est\u00fadio dos Beatles. N\u00e3o poderia haver maior elogio para uma can\u00e7\u00e3o em toda a d\u00e9cada de 1990. Ele tamb\u00e9m produziria a outra can\u00e7\u00e3o &#8220;in\u00e9dita&#8221; trazida pelo projeto Anthology, &#8220;Real Love&#8221;, igualmente feita por Lennon nos anos 70 e encorpada pela presen\u00e7a do trio remanescente. Em 1997 seria a vez de Lynne assumir a cadeira de produtor para um disco de Paul McCartney e ele fez de &#8220;Flaming Pie&#8221;, um trabalho assumidamente revisionista e voltado para as origens em Liverpool, um dos melhores lan\u00e7amentos de Macca em muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0vrnwu_yl4k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0vrnwu_yl4k\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lynne terminaria a d\u00e9cada e iniciaria o mil\u00eanio assinando um novo disco de in\u00e9ditas da ELO, chamado &#8220;Zoom&#8221;, lan\u00e7ado no in\u00edcio de 2001. Tudo o que ele aprendera em termos de uso do est\u00fadio, sua nova sonoridade despojada, suas reminisc\u00eancias dos anos 70, sua perene fixa\u00e7\u00e3o pelas harmonias beatle e as presen\u00e7as de George Harrison e Ringo Starr definem o que \u00e9 este disco tardio. Mais que alguma necessidade de faturar dinheiro f\u00e1cil com o nome de sua ex-banda, &#8220;Zoom&#8221; \u00e9 uma beleza do in\u00edcio ao fim, com destaque para a cortante &#8220;One Day In Paradise&#8221;, que conta com Harrison, Ringo e Lynne, algo que \u00e9 sin\u00f4nimo de beleza e ourivesaria pop. A tristeza maior viria no fim do ano quando Harrison finalmente perdia sua batalha contra o c\u00e2ncer. O quiet Beatle havia permanecido ativo ao longo da d\u00e9cada de 1990, tanto no projeto &#8220;Anthology&#8221; quando em grava\u00e7\u00f5es caseiras e elas foram terminadas por Lynne e pelo filho de George, Dhani, resultando no disco p\u00f3stumo &#8220;Brainwashed&#8221;, lan\u00e7ado em 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que o clima de tristeza poderia sugerir, o disco \u00e9 lindo, cheio de momentos emocionantes e reflex\u00f5es sobre o mundo, a doen\u00e7a e a antevis\u00e3o da morte, sob a \u00f3tica de um cara espiritualizado, como era Harrison. O sucesso veio com &#8220;Between The Devil And The Deep Blue Sea&#8221;, um standard da can\u00e7\u00e3o americana tradicional de 1932, mas devidamente revista por George. Tudo isso levou o milh\u00e3o de amigos que Harrison fez em sua vida ao Royal Albert Hall, no &#8220;Concert For George&#8221;, realizado em 29 de novembro de 2002, no primeiro anivers\u00e1rio de sua morte. Em meio a cl\u00e1ssicos dos Beatles e da carreira solo (dentre os quais, &#8220;Give me Love&#8221;, cantada por Lynne), estavam &#8220;Handle With Care&#8221;, dos Traveling Wilburys, levada pelos integrantes remanescentes, Tom Petty (\u00e0 frente de sua banda, os Heartbreakers) e Jeff Lynne. A produ\u00e7\u00e3o do evento, que ainda trouxe Ringo Starr, Paul McCartney, Billy Preston, Jim Capaldi, entre tantos, ficou a cargo dos melhores amigos que George no fim da vida, justamente Eric Clapton e Jeff Lynne. Talvez seja o mais belo concerto em homenagem a um artista morto, com a reprodu\u00e7\u00e3o mais fiel das sonoridades originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6ruu5JBzKcE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6ruu5JBzKcE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeff Lynne produziu em 2009 can\u00e7\u00f5es do disco de Regina Spektor, &#8220;Far&#8221;. Neste trabalho, Spektor dividiu seu \u00e1lbum em tr\u00eas, deixando quatro m\u00fasicas para tr\u00eas produtores. Al\u00e9m de Lynne, Mike Elizondo e Jacknife Lee tamb\u00e9m foram recrutados. O trabalho mais recente do homem \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o no excelente novo disco de Joe Walsh, &#8220;Analog Man&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ELO \u00e9 raramente lembrada pelo senso comum seletivo da cr\u00edtica musical contempor\u00e2nea. O trabalho de Lynne como compositor e produtor tamb\u00e9m n\u00e3o recebeu o reconhecimento que deveria. Fico imaginando se \u00e9 por total desconhecimento, o que seria imperdo\u00e1vel, uma vez que os sujeito enfileiraram hits ou se \u00e9 por preconceito em rela\u00e7\u00e3o ao som do grupo ou por resist\u00eancia a tudo o que pode soar &#8220;velho&#8221;, sem a esperteza de ser &#8220;vintage&#8221; ou &#8220;retr\u00f4&#8221;. Talvez seja a hora de reavaliar tudo o que fizeram e reconhecer a beleza e a engenhosidade desse cap\u00edtulo dourado, barroco e glorioso da m\u00fasica pop. Sem exagero.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15262\" title=\"elo2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/elo2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"749\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/elo2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/elo2-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Carlos Eduardo Lima (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/celeolimite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@celeolimite<\/a>) \u00e9 jornalista e assina a coluna <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/sob_o_ceu\/\">Sob o CEL<\/a> no Scream &amp; Yell<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Carlos Eduardo Lima\nO que voc\u00ea acharia se uma banda dissesse que sua proposta musical \u00e9 retomar o que os Beatles fizeram em \u201cI Am The Walrus\u201d?\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/31\/esse-voce-precisa-ouvir-jeff-lynne-e-elo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4782,4854],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15247"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15247"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15247\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57866,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15247\/revisions\/57866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}