{"id":15148,"date":"2012-07-21T10:05:47","date_gmt":"2012-07-21T13:05:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=15148"},"modified":"2016-08-31T03:30:42","modified_gmt":"2016-08-31T06:30:42","slug":"a-nova-cena-portuguesa-salto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/21\/a-nova-cena-portuguesa-salto\/","title":{"rendered":"A nova cena portuguesa: Salto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15149\" title=\"salto\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/salto.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primos Guilherme Tom\u00e9 Ribeiro (guitarra, vozes, sintetizadores e programa\u00e7\u00f5es) e Lu\u00eds Montenegro (baixo, fender rhodes, sintetizadores, guitarra e programa\u00e7\u00f5es), come\u00e7aram as suas experi\u00eancias musicais aos 12 anos, recriando can\u00e7\u00f5es de seus artistas favoritos. Em 2007, quando iniciavam o processo de composi\u00e7\u00e3o, surgiu uma oportunidade de fazerem a primeira parte do show de outra banda da cidade do Porto, Os Azeitonas, e foram desafiados pelo grupo a criar um nome pr\u00f3prio para se apresentarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a ajuda de um amigo, ligado \u00e0 \u00e1rea musical, escolheram o nome Salto, traduzindo com ele o conceito que pretendiam para o conjunto: rea\u00e7\u00e3o, visualiza\u00e7\u00e3o e uma ideia de pop direta e universal. Durante dois anos, a banda tocou em v\u00e1rios festivais e eventos acad\u00eamicos, construindo gradualmente uma sonoridade revivalista, apoiada no gosto dos seus elementos pela m\u00fasica eletr\u00f4nica dos anos 80, praticando uma organiza\u00e7\u00e3o de ideias diferente e afastando-se de um clone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia posterior, acumulada em espet\u00e1culos, nas principais salas portuguesas, proporcionou ao grupo a edi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum hom\u00f4nimo de estreia. Para al\u00e9m da marca evidente dos shows, e da influ\u00eancia de gente como o New Order ou James Blake, \u201cSalto\u201d revela uma constru\u00e7\u00e3o sensorial e paisag\u00edstica variada. M\u00fasicas como a pop maximalista \u201cDeixar Cair\u201d, \u201cPor Ti Demais\u201d e \u201cO Teu Par\u201d remetem para as pistas de dan\u00e7a, mas o boogie funk de \u201cArcade\u201d e a soul eletr\u00f4nica de \u201cSem 100\u201d s\u00e3o um contraponto interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a concess\u00e3o de \u201cSem 100\u201d, o grupo diz que busca \u201ctraduzir o seu fasc\u00ednio pela cultura do baixo e do som grave\u201d. E \u00e9 poss\u00edvel encontrar nela \u201cuma no\u00e7\u00e3o de m\u00fasica escura e sombria, mas ao mesmo tempo acolhedora e n\u00e3o distante\u201d. De certa forma, a ideia de positividade nunca abandonou os Salto e deles emana uma mensagem otimista, que os levou a construir um disco que concorre, legitimamente, a trilha sonora do Ver\u00e3o portugu\u00eas de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, o grupo incluiu um baterista nas suas apresenta\u00e7\u00f5es, um aspeto que se aproxima do formato mais cl\u00e1ssico. Tal como as v\u00e1rias cores que o disco apresenta, o caminho ser\u00e1 sempre explorat\u00f3rio, mas atento a solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o contrariem a vertente mel\u00f3dica. Nos sites <a href=\"http:\/\/www.saltoedequemouvir.com\/\" target=\"_blank\">www.saltoedequemouvir.com\/<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/saltopt\" target=\"_blank\">www.myspace.com\/saltopt<\/a> h\u00e1 mais informa\u00e7\u00e3o sobre a banda. De Lisboa para o Brasil, os Salto conversaram com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Lx966iSYzaA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Lx966iSYzaA\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica de voc\u00eas resulta de um conjunto variado de influ\u00eancias, mas os anos 80 parecem definir melhor o som do Salto. Concordam?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma pergunta muito interessante. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos apontaram-nos essa marca. A refer\u00eancia aos anos 80 apareceu de uma forma natural e n\u00e3o premeditada, do tipo: \u201cVamos ouvir Pet Shop Boys e New Order e experimentar a ver no que d\u00e1!\u201d. O que n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma coisa boa nem m\u00e1, depende do que se faz. Mas, depois de fazermos as can\u00e7\u00f5es, notamos que esses elementos est\u00e3o presentes. A justifica\u00e7\u00e3o passa pelo fato de muita m\u00fasica contempor\u00e2nea ter recuperado essa sonoridade e as bandas que o fazem influenciam-nos consciente ou inconscientemente. Embora conhe\u00e7amos esse lado dos anos 80, n\u00e3o quisemos nos apoiar s\u00f3 numa \u00e9poca ou g\u00eanero (e isso est\u00e1 patente no disco), e incorporamos componentes dos anos 70 ou 90. Muitas coisas podem ser revividas e reutilizadas atualmente. \u00c9 o caso do two step que n\u00f3s abordamos, do dub step, bem como o UK funky (movimento underground londrino).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque escolheram \u201cDeixar Cair\u201d como primeiro compacto?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um hino \u00e0 festa e \u00e9 uma faixa que mostra que os Salto fazem m\u00fasica para dan\u00e7ar. No entanto, n\u00e3o \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que traduza o modo geral do disco, embora tenha um grau muito direto e convide as pessoas a escutarem o \u00e1lbum. \u201cDeixar Cair\u201d \u00e9 mais simples do que os outros temas do nosso trabalho e a pr\u00f3pria estrutura \u00e9 bastante imediata. Por vezes, a caracter\u00edstica principal de um compacto, quando \u00e9 escutado muitas vezes, \u00e9 de se tornar cansativo, por resultar de uma procura de chegar ao p\u00fablico eficazmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPor Ti Demais\u201d \u00e9 apenas uma can\u00e7\u00e3o dan\u00e7\u00e1vel ou revela uma hist\u00f3ria pessoal?<\/strong><br \/>\nRetrata uma fase da vida pela qual todos passamos. Est\u00e1 relacionada com o excesso de dedica\u00e7\u00e3o, aborda uma ideia de confian\u00e7a total e a procura do futuro pelo indiv\u00edduo. N\u00e3o se trata de uma experi\u00eancia pessoal, mas \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito comum: confiar cegamente. A m\u00fasica mais uma vez \u00e9 direta e tenta desmistificar a ocorr\u00eancia de epis\u00f3dios como esse. Quando escrevemos, por mais que n\u00e3o o queiramos, vamos sempre buscar alguma hist\u00f3ria que nos aconteceu e, por isso, existe algo de biogr\u00e1fico nesse processo. Divertimo-nos muito a fazer esta letra (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sentiram, em algum momento do processo criativo, que as programa\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas e a eletr\u00f4nica adaptadas podiam n\u00e3o agradar ao p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 toc\u00e1vamos ao vivo muitas m\u00fasicas do \u00e1lbum antes de ele ser lan\u00e7ado. E \u00e9 muito engra\u00e7ado fazer um disco em que primeiro interpretamos as can\u00e7\u00f5es e depois gravamo-las, porque podemos ver como o p\u00fablico reage. As programa\u00e7\u00f5es n\u00e3o afetaram as pessoas e elas n\u00e3o se sentiram incomodadas nem enganadas, porque a nossa entrega, ao vivo, era t\u00e3o grande e natural que n\u00e3o parecia estarmos fazendo mais alguma coisa. Foi uma vontade assumida de querer fazer as coisas de uma forma diferente. Desde o in\u00edcio dos shows, as programa\u00e7\u00f5es agradavam-nos (ambos estudam na Escola Superior de M\u00fasica do Porto, em produ\u00e7\u00e3o e tecnologias da m\u00fasica). A tecnologia e a sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica sempre nos fascinaram e criamos uma est\u00e9tica que n\u00e3o confunde o p\u00fablico e \u00e9 muito rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSalto\u201d \u00e9 um trabalho que resulta de uma evolu\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Em que medida os shows realizados pela banda ajudaram \u00e0 sua constru\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nInfluenciaram totalmente. O disco nasce da rodagem que fomos tendo em pequenos concertos. Entre setembro de 2010 e setembro de 2011 fizemos mais de 60 shows. Atrav\u00e9s da rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico percebemos para onde iria a nossa m\u00fasica e o que dever\u00edamos acrescentar \u00e0 atua\u00e7\u00e3o. Colocamos luzes, com barras de leds program\u00e1veis e sincronizadas com o computador. Sent\u00edamos que faltava cor e a m\u00fasica vive disso. O \u00e1lbum tamb\u00e9m o reflete: tocar ao vivo instrumentos que n\u00e3o us\u00e1vamos daquela forma, teclados e sintetizadores. Aprendemos muitas t\u00e9cnicas, experimentando, porque quer\u00edamos apresenta-las ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Quando for feita a hist\u00f3ria da atual cena musical portuguesa, como gostariam de ser lembrados?<\/strong><\/span><br \/>\nPara se ser lembrado tem de existir algo de novo para dizer. Sem querer ser pretensioso, os Salto utilizaram ingredientes distintos, juntaram-nos e deram-lhes um car\u00e1cter muito portugu\u00eas. Isso deu bastante trabalho (o \u00e1lbum foi produzido em um ano), e de certa forma \u00e9 um exerc\u00edcio est\u00e9tico com sustenta\u00e7\u00e3o. O mais importante \u00e9 que tenhamos alguma coisa a dizer \u00e0s pessoas e elas a n\u00f3s. Temos muitas refer\u00eancias, ouvimos muitas m\u00fasicas e n\u00e3o exclu\u00edmos nenhuma. Todas fazem sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CgRgifL6nmo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CgRgifL6nmo\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/nv9WGbi6hSk\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/nv9WGbi6hSk\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/MukhTTDlbL8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/MukhTTDlbL8\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pedro Salgado (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista 2012: Os Pontos Negros: Um dos destaques do novo rock portugu\u00eas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/06\/19\/entrevista-os-pontos-negros-2\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Especial: como anda a nova cena musical portuguesa, por Pedro Salgado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/12\/11\/especial-como-anda-a-cena-portuguesa\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"M\u00fasicas como a pop maximalista &#8220;Deixar Cair&#8221; e &#8220;O Teu Par&#8221; remetem para as pistas de dan\u00e7a, mas o boogie funk de &#8220;Arcade&#8221;&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/21\/a-nova-cena-portuguesa-salto\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15148"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15148"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15148\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39638,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15148\/revisions\/39638"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}