{"id":15074,"date":"2012-07-16T21:03:23","date_gmt":"2012-07-17T00:03:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=15074"},"modified":"2019-07-09T10:43:58","modified_gmt":"2019-07-09T13:43:58","slug":"gravacao-de-dvd-mestre-vieira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/16\/gravacao-de-dvd-mestre-vieira\/","title":{"rendered":"Grava\u00e7\u00e3o de DVD: Mestre Vieira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15075\" title=\"mestre1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mestre1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mestre1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mestre1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>texto por Ismael Machado<br \/>\nfotos de Renato Chalu<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quarta-feira, 10 de julho, 19h30, Bel\u00e9m. A fila em frente ao Teatro da Paz faz uma esp\u00e9cie de L, quase alcan\u00e7ando a Avenida Assis de Vasconcelos. Quinta-feira, 11 de julho, 19h. Pessoas se aglomeram e se espremem em frente ao gradil do teatro. Amea\u00e7am invadir. Um tel\u00e3o \u00e9 colocado na rua para que, minimamente, quem queira possa acompanhar o que se passa no palco do teatro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se havia ainda quem duvidasse do atual poder do guitarrista Mestre Veira em atrair um p\u00fablico diversificado e numeroso, deve ter se convencido rapidamente do contr\u00e1rio. O Teatro da Paz se viu lotado em dois dias de grava\u00e7\u00e3o do show que resultar\u00e1 em um dos bra\u00e7os do projeto de document\u00e1rio da jornalista Luciana Medeiros, tendo o criador da guitarrada como foco principal. Algumas pessoas presentes compartilhavam da mesma experi\u00eancia de Vieira. Era a primeira vez que pisavam num dos principais s\u00edmbolos de uma riqueza produzida em uma Bel\u00e9m de outrora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira noite, a chuva que ainda se mant\u00e9m nas noites de ver\u00e3o da cidade, deu uma tr\u00e9gua. Permitiu, por exemplo, que a caravana vinda de Barcarena, com familiares, amigos e integrantes do f\u00e3-clube de Vieira chegassem sem atropelos. Nos camarins, um misto de nervosismo e expectativa. \u201cQuero que todo mundo saia satisfeito\u201d, resumia o diretor musical F\u00e9lix Robatto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 massa estar aqui. Vieira \u00e9 como um \u00eddolo\u201d, dizia sinteticamente o guitarrista Fernando Catatau, um dos convidados da primeira noite. \u201cDentro do poss\u00edvel estou tranq\u00fcila\u201d, afirmava Iva Rothe, outra convidada. Dez minutos antes da entrada no palco, Robatto passava as \u00faltimas recomenda\u00e7\u00f5es, antes de um \u2018Pai-Nosso\u2019 rezado por toda a banda Din\u00e2micos, base da primeira noite. \u201cPodem ficar descontra\u00eddos, conversar com o p\u00fablico. S\u00f3 n\u00e3o pode falar sacanagem\u201d, brincou F\u00e9lix.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi uma primeira noite sem maiores atropelos, mas com paradoxos. Se a ideia de dar a Vieira um palco que retratasse a import\u00e2ncia singular dele para a m\u00fasica paraense \u00e9 indiscutivelmente necess\u00e1ria e oportuna, o sen\u00e3o fica pela pr\u00f3pria sisudez do teatro. A m\u00fasica de Vieira n\u00e3o \u00e9 feita essencialmente para elocubra\u00e7\u00f5es mentais. \u00c9 m\u00fasica para, como se diz no popular, \u2018resfolegar no cangote\u2019, ou seja, dan\u00e7ar e dan\u00e7ar a noite inteira. Foi isso que alguns mais entusiasmados tentaram fazer. Foram chamados \u00e0 aten\u00e7\u00e3o. O Teatro da Paz n\u00e3o comporta esses arroubos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De certa forma isso acaba sendo um balde de \u00e1gua fria. As palmas n\u00e3o d\u00e3o a dimens\u00e3o que os p\u00e9s gostariam de expressar. Entre os membros superiores e os inferiores, um mundo se abre e se afasta. Alguns convidados acabaram por refletir isso. Entre a simpatia e o carisma at\u00e9 sexual de Iva Rothe e a melhor participa\u00e7\u00e3o da primeira noite, a de Lia Sophia, alguns destoaram. Maestro Pardal e o pr\u00f3prio Catatau n\u00e3o trouxeram &#8211; ou n\u00e3o conseguiram trazer &#8211; novas inflex\u00f5es ao som que lhes era apresentado. Soaram indistintos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15091\" title=\"mestre22\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mestre22.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mestre22.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mestre22-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda noite, a chuva se fez presente. E o p\u00fablico mais ainda. Por pouco, entre pequenos atropelos e decis\u00f5es de \u00faltima hora, n\u00e3o se via uma invas\u00e3o do teatro. Muita gente queria ser testemunha do momento, de certa forma hist\u00f3rico, como ao final da primeira noite, quando Vieira se misturou ao p\u00fablico para fazer o que mais sabe, enfeiti\u00e7ar pessoas com dedilhados de guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais diversa, a segunda noite tamb\u00e9m se mostrou mais complicada tecnicamente. Nada que comprometesse o resultado final, mas servindo para deixar F\u00e9lix Robatto \u00e0 beira de um ataque de nervos. Vieira mostrava-se sereno. De cal\u00e7a branca e camisa florida azul, parecia mais solto que na primeira noite. Os convidados estiveram, quase sempre, \u00e0 altura. Trio Manari, por exemplo, trouxe um dinamismo ainda maior ao som de Vieira. Depois, com Sebasti\u00e3o Tapaj\u00f3s e Paulo Moura, souberam conduzir o p\u00fablico a um caminho mais ameno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe e Manoel Cordeiro, pai e filho, souberam manter o pique. Com Pio Lobato, o baterista Vov\u00f4 e a banda que tem acompanhado Vieira, h\u00e1 um entrosamento genu\u00edno, baseado em respeito e admira\u00e7\u00e3o m\u00fatuos. Gaby Amarantos, lipoaspirada e exibindo um corpo de generosas curvas, entrou com o carisma de sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas foi ao final, com a banda formada por parentes e levando as m\u00fasicas quase sem intervalos, que Vieira foi quebrando o gelo que ainda poderia haver. \u00c0 vontade nos solos e nas performances, o barcarenense mostrou porque \u00e9 chamado de Mestre. P\u00f4s o p\u00fablico onde quis. No colo, nas m\u00e3os, nos ombros. Conduziu-o com carinho e foi por ele conduzido tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o \u00faltimo acorde se fez, o jeito foi ficar de p\u00e9 e aplaudi-lo. \u201cEu mere\u00e7o esse sucesso, n\u00e3o mere\u00e7o?\u201d, dizia o velho guitarrista em mais uma de suas interven\u00e7\u00f5es entre ing\u00eanuas e vaidosas. Ao final, com todos os convidados no palco, Vieira fez um \u00faltimo agradecimento. \u201cAo meu amigo Pio Lobato. Sem ele eu n\u00e3o teria esse sucesso\u201d. S\u00f3 quem n\u00e3o acompanhou a m\u00fasica paraense na \u00faltima d\u00e9cada h\u00e1 de negar o elo entre mestre e pupilo. Criador e criatura.  Vieira mais uma fez soube fazer a pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15077\" title=\"vieira3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/vieira3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ismael Machado \u00e9 rep\u00f3rter especial do Di\u00e1rio do Par\u00e1 e autor do livro \u201cSujando os Sapatos &#8211; O Caminho Di\u00e1rio da Reportagem\u201d. Saiba mais\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/08\/24\/tres-livros-bacanas-dois-em-promocao\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Duas guitarras, um Brasil: Herbert Vianna encontra Mestre Vieira, por Ismael Machado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/07\/herbert-vianna-encontra-mestre-vieira%E2%80%8F\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211;\u00a0<span>Felipe Cordeiro lan\u00e7a um disco conciso com jeit\u00e3o de manifesto, por Elvis Rocha (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/15\/musica-kitsch-pop-cult-felipe-cordeiro\/\">aqui<\/a>)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Ismael Machado\n \u201cEu mere\u00e7o esse sucesso, n\u00e3o mere\u00e7o?\u201d, dizia o velho guitarrista em uma de suas interven\u00e7\u00f5es entre ing\u00eanuas e vaidosas.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/16\/gravacao-de-dvd-mestre-vieira\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":15,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15074"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15074"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15074\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15081,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15074\/revisions\/15081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}