{"id":1482,"date":"2009-05-19T01:56:08","date_gmt":"2009-05-19T04:56:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=1482"},"modified":"2009-08-31T17:42:42","modified_gmt":"2009-08-31T20:42:42","slug":"simonal-ninguem-sabe-o-duro-que-dei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/05\/19\/simonal-ninguem-sabe-o-duro-que-dei\/","title":{"rendered":"Simonal &#8211; Ningu\u00e9m Sabe o Duro que Dei"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1949\" title=\"&quot;Simonal, voc\u00ea n\u00e3o sabe o duro que dei&quot;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/simonal_cartaz.jpg\" alt=\"\" width=\"339\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/simonal_cartaz.jpg 339w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/simonal_cartaz-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por v\u00e1rios \u00e2ngulos, &#8220;Simonal &#8211; Ningu\u00e9m Sabe o Duro que Dei&#8221; \u00e9 obrigat\u00f3rio. Seja para o simples apaixonado por m\u00fasica brasileira, ou para interessados nas hist\u00f3rias da repress\u00e3o militar, ou para jovens (e por que n\u00e3o, velhos) jornalistas e, sobretudo, para aqueles que acreditam na justi\u00e7a na Terra, o document\u00e1rio dirigido a seis m\u00e3os por Cl\u00e1udio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal surge como fonte inesgot\u00e1vel de discuss\u00f5es que, por fim, talvez n\u00e3o valorizem devidamente o mais interessado: Wilson Simonal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria toda come\u00e7a em agosto de 1971. Na verdade, a hist\u00f3ria come\u00e7a bem antes, em 1961, quando lan\u00e7ado por Carlos Imperial, Wilson Simonal coloca nas lojas o \u00e1lbum &#8220;Teresinha&#8221;. Em 1964, ap\u00f3s ser apadrinhado por Luiz Carlos Mi\u00e9le e Ronaldo B\u00f4scoli, o cantor j\u00e1 estava fazendo turn\u00ea pelas Am\u00e9ricas do Sul e Central e no final da d\u00e9cada era um dos poucos que rivalizava com o Rei Roberto Carlos. Seu auge aconteceu no final do IV Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, em 1969, com Simonal regendo um coro de 20 (30, 40 ou 50 \u2013 depende de quem conta) mil pessoas no Maracan\u00e3zinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No auge da popularidade, o cantor se envolveu com um drama cujo principal perdedor foi ele mesmo. Segundo apresenta o document\u00e1rio, Simonal pediu a dois policiais que dessem uma &#8220;prensa&#8221; em seu contador, que o estava processando ap\u00f3s ser demitido pelo m\u00fasico. A vers\u00e3o do cantor, por\u00e9m, \u00e9 que ele estava sendo roubado pelo contador, e a &#8220;prensa&#8221; era para que o contador assumisse o roubo. Segundo consta, os policiais a que Simonal teria pedido o servi\u00e7o eram do DOPS (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social), e tudo foi feito seguindo o manual de tortura do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria circulou o Rio de Janeiro, e caiu na boca da imprensa, principalmente na reda\u00e7\u00e3o de O Pasquim, seman\u00e1rio de esquerda e oposi\u00e7\u00e3o ao regime militar. Por\u00e9m, o caso chegou todo desfigurado dando a entender que Wilson Simonal era um agente infiltrado do governo no cen\u00e1rio musical. H\u00e1 uma vers\u00e3o \u2013 n\u00e3o esclarecida pelos documentaristas \u2013 de que o boato da liga\u00e7\u00e3o de Simonal com o DOPS partiu do ent\u00e3o diretor da Central Globo de Comunica\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Carlos Magaldi, que assim como outros atores e diretores da emissora, recebia servi\u00e7os do mesmo contador de Simonal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, de um lado Simonal \u00e9 acusado pelo Estado de espancamento, seq\u00fcestro e pris\u00e3o de seu contador. Do outro, \u00e9 acusado pela imprensa de esquerda como um informante do regime militar, a pior coisa que poderia acontecer a uma pessoa naquela \u00e9poca de guerrilha. Ou seja: o mundo todo estava contra o cantor. O Pasquim, principalmente na figura de Ziraldo e Jaguar, crucifica o cantor em tiras e cartuns. A carreira daquele que foi apontado por muitos como &#8220;o maior cantor do Brasil&#8221; estava aniquilada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Simonal &#8211; Ningu\u00e9m Sabe o Duro que Dei&#8221; \u00e9 um \u00f3timo document\u00e1rio, que mesmo n\u00e3o cutucando o vespeiro da Rede Globo (ser\u00e1 que sa\u00edram de l\u00e1 mesmo os boatos?), se faz necess\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 para que o pa\u00eds abra os olhos (e ouvidos) para o grande artista que foi Wilson Simonal, mas tamb\u00e9m para que a sociedade atual perceba que muitas vezes aquilo que \u00e9 noticiado ou n\u00e3o tem profundidade, ou n\u00e3o foi apurado corretamente ou est\u00e1 respondendo a interesses escusos do meio de comunica\u00e7\u00e3o que o divulga. Como diria Marshall Mcluhan, o meio \u00e9 a mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em certo momento da fita, Artur da T\u00e1vola crava com sobriedade: &#8220;Vivemos em uma imprensa que toma o ind\u00edcio como sintoma, o sintoma como fato, o fato como julgamento, o julgamento como condena\u00e7\u00e3o e a condena\u00e7\u00e3o como linchamento&#8221;. O cartunista Jaguar (que assim como Ziraldo, recebeu uma indeniza\u00e7\u00e3o de mais de R$ 1 milh\u00e3o e uma pens\u00e3o mensal de R$ 4.375,88 referentes \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sofrida durante o regime militar brasileiro 1964-1985), por sua vez, n\u00e3o confirma em nenhum momento se apurou as acusa\u00e7\u00f5es contra o cantor, e brinca: &#8220;Ele morreu de cirrose. Poderia ter sido eu&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trio de diretores n\u00e3o julga e nem absolve o cantor, embora deixe no ar que a &#8220;overdose de ostracismo&#8221; a que Simonal foi condenado pela opini\u00e3o p\u00fablica foi extramamente exagerada. H\u00e1 a id\u00e9ia de que, sim, ele errou, mas n\u00e3o por aquilo que muitos acreditaram, e acabou pagando um pre\u00e7o alto demais \u2013 que inclui o esquecimento da pr\u00f3pria classe art\u00edstica. A figura do contador poderia ser mais bem aproveitada na entrevista, e a op\u00e7\u00e3o por deixar apenas o \u00e1udio de sua esposa falando ao fundo \u00e9 um dos poucos pontos contest\u00e1veis do longa, pois acaba valorizando uma passagem de sentimentalismo (pois mais verdadeira que ela venha a ser), que acaba tirando o foco do depoimento do marido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tirando tudo isso, se &#8220;Simonal &#8211; Ningu\u00e9m Sabe o Duro que Dei&#8221; fosse s\u00f3 a primeira meia-hora, que trata sobre o imenso sucesso do cantor, que acompanhou a sele\u00e7\u00e3o canarinho no M\u00e9xico, em 1970 (e quase foi convocado \u2013 hehe) e estrelou dezenas de comerciais, j\u00e1 valeria a pena. Na verdade, se fosse s\u00f3 por recuperar o dueto com Sarah Vaughan transmitido pela TV Tupi em 1970 (que voc\u00ea pode assistir no youtube <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8Hc0FGmXONk\">aqui<\/a>, mas que se eu fosse voc\u00ea guardava para se emocionar no cinema) j\u00e1 seria de grande valia. Por\u00e9m, o document\u00e1rio vai al\u00e9m. Ele transcende a m\u00fasica, o jornalismo e a Hist\u00f3ria e mostra que somos (eu, voc\u00ea, nossos vizinhos) respons\u00e1veis pelo pa\u00eds em que vivemos, e culpados por muitas das injusti\u00e7as que acontecem nele. Como a que aconteceu com Wilson Simonal. Assista e reflita. Nem vem que n\u00e3o tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Simonal &#8211; Ningu\u00e9m Sabe o Duro que Dei&#8221;, de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal &#8211; Cota\u00e7\u00e3o: 4\/5<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nPor v\u00e1rios \u00e2ngulos, &#8220;Simonal &#8211; Ningu\u00e9m Sabe o Duro que Dei&#8221; \u00e9 obrigat\u00f3rio. 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