{"id":14760,"date":"2012-06-21T09:14:56","date_gmt":"2012-06-21T12:14:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=14760"},"modified":"2017-12-11T10:57:15","modified_gmt":"2017-12-11T12:57:15","slug":"the-beach-boys-pos-smile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/06\/21\/the-beach-boys-pos-smile\/","title":{"rendered":"The Beach Boys P\u00f3s-Smile"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14762\" title=\"beach1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beach1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Sob O CEL 17<br \/>\nPequenas Cagadas e a Eternidade dos Beach Boys<br \/>\npor Carlos Eduardo Lima<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das evid\u00eancias fort\u00edssimas e do consequente degringolar de a\u00e7\u00f5es, n\u00e3o d\u00e1 pra algu\u00e9m chegar e simplesmente dizer que tudo deu errado na carreira dos Beach Boys a partir de 1967. Foi neste fat\u00eddico ano, reza a lenda, que Brian Wilson, ent\u00e3o em plena produ\u00e7\u00e3o do novo disco da banda, \u201cSmile\u201d, literalmente queimou sua mufa. Surtou, abriu o bico, ficou lel\u00e9 e perdeu sua capacidade criativa. Nem \u00e9 preciso dizer que Brian era o mastermind dos Beach Boys, o sujeito que trocara a praia, os amores de ver\u00e3o, os carr\u00f5es e o surf por temas consideravelmente mais intrincados e &#8220;dif\u00edceis&#8221;. Al\u00e9m disso, Brian era um enlouquecido perfeccionista, um \u00e1s do est\u00fadio, capaz de explorar possibilidades e partir para territ\u00f3rios sonoros inexplorados, mesmo por sua maior fonte inspiradora, Phil Spector e sua t\u00e9cnica do &#8220;wall of sound&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14764\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"sunflower\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sunflower.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sunflower.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sunflower-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/sunflower-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, Brian sairia de cena a partir desse ano e deixaria o resto da banda, a saber, seus irm\u00e3os mais novos Dennis e Carl Wilson, Mike Love, Al Jardine e Bruce Johnstone, completamente perdidos. Mesmo que fossem talentosos o bastante, at\u00e9 mesmo sem a presen\u00e7a de Brian, os beach boys remanescentes nunca concordaram em termos de dire\u00e7\u00e3o musical e tinham rivalidades internas fortes. Love sempre teve uma vis\u00e3o mais comercial da coisa toda, procurando \u2013 e conseguindo \u2013 perceber o que passava nos cora\u00e7\u00f5es e mentes dos f\u00e3s. Ficou evidente que prosseguir pela vereda aberta pelos experimentos de Brian era imposs\u00edvel. Tampouco seria conveniente retornar aos tempos dourados do in\u00edcio da carreira, afinal de contas, o mundo havia mudado, as pessoas n\u00e3o eram mais as mesmas e seria pouco prov\u00e1vel que houvesse algu\u00e9m interessado em can\u00e7\u00f5es como &#8220;Little Deuce Coupe&#8221; ou &#8220;All Summer Long&#8221;, que pareciam ter mil anos de idade naquele fim de d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-14767 aligncenter\" title=\"surfup\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/surfup.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/surfup.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/surfup-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/surfup-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda seguiu viva, \u00e9 fato. Lan\u00e7ou discos belos (\u201cSunflower\u201d, 1971), interessantes (\u201cSurf&#8217;s Up\u201d, 1971 e \u201cCarl And The Passions\u201d, 1972) e legais (\u201cWild Honey\u201d, 1968 e \u201cHolland\u201d, 1973) mas que nunca foram capazes de repetir o grau de brilhantismo de outrora. Brian Wilson participava esporadicamente dessas grava\u00e7\u00f5es, em intensidades diferentes, mas estivera envolvido com problemas s\u00e9rios trazidos pelo alcoolismo, ganho de peso e fumo, al\u00e9m de ainda apresentar os transtornos emocionais que o tiraram do comando criativo da banda. A Hist\u00f3ria, entretanto, mostra que o mundo d\u00e1 voltas e, ap\u00f3s levar um ineg\u00e1vel passa-fora na Guerra do Vietn\u00e3 em 1974, os americanos entraram numa onde de &#8220;volta \u00e0s ra\u00edzes&#8221; e ao que era &#8220;realmente americano&#8221;. Era o que preconizava a pol\u00edtica do presidente Gerald Ford, vice de Richard Nixon, que renunciara ao posto por conta do esc\u00e2ndalo de Watergate. Tempos dif\u00edceis, sem d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-14768 aligncenter\" title=\"cars\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/cars.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/cars.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/cars-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/cars-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como que por encanto, todos os arroubos por modernidade e liberdade, que caracterizaram aquela virada dos anos 60\/70 e sua consequente falha em estabelecer algo realmente novo no mundo, gerou um movimento de retra\u00e7\u00e3o art\u00edstico e o maior exemplo disso \u00e9 o surgimento de g\u00eaneros como o bittersweet americano (ou &#8220;agridoce&#8221;, com gente como Crosby, Stills And Nash, James Taylor, Carly Simon, Carole King, portando a voz dos ex-hippies, aceitando que a vida talvez se resumisse a ter uma casa no sub\u00farbio e criar seus filhos com amor para que eles fossem pessoas de bem) e o glam ingl\u00eas, cujo mote era resgatar o que o rock&#8217;n&#8217;roll tinha em sua ess\u00eancia: a esb\u00f3rnia. Fora com letras pol\u00edticas e vivas a putaria, o sexo desenfreado e o &#8220;glamour&#8221; dos cantores e artistas como Roxy Music, David Bowie e T.Rex. Nada mais natural, certo? Nos USA, entretanto, talvez fosse mais careta achar que o certo era entrar numa onda de retorno aos anos 50, de ingenuidade, amor colegial e milk-shakes na porta dos drive-ins, mas foi exatamente o que teve mais espa\u00e7o. Essa tend\u00eancia j\u00e1 era detectada em 1973, quando um certo George Lucas lan\u00e7ou seu segundo longa-metragem, \u201cAmerican Graffiti\u201d, chamado em terras tupis de &#8220;Loucuras de Ver\u00e3o&#8221;. Era um comp\u00eandio das melhores can\u00e7\u00f5es americanas dos anos 50 e in\u00edcio dos anos 60 como trilha sonora para as descobertas empreendidas por Richard Dreyfuss, Harrison Ford e Ron Howard (sim, o futuro diretor de filmes como \u201cApollo XIII\u201d) nos misteriosos terrenos do amor. Entre as can\u00e7\u00f5es da trilha sonora, como se fossem sinais brilhantes na noite escura, l\u00e1 estavam &#8220;Surfin&#8217; Safari&#8221; e &#8220;All Summer Long&#8221;, hits primevos dos rapazes da praia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14771 aligncenter\" title=\"wildhonwy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/wildhonwy.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Capitol Records, gravadora dos sujeitos at\u00e9 1969, aproveitou essa onda e, ap\u00f3s consultar o g\u00eanio dos neg\u00f3cios, Mike Love, editou uma colet\u00e2nea com os maiores sucessos dos Beach Boys entre 1961 e 1966. O disco se chamou \u201cEndless Summer\u201d e chegou ao primeiro lugar na parada da Revista Billboard. Nessa nova \u2013 velha onda, os Beach Boys embarcaram de cabe\u00e7a. Fizeram shows nos USA e na Inglaterra, indo e vindo, com o repert\u00f3rio cada vez mais centrado nas can\u00e7\u00f5es mais antigas, deixando as recentes cria\u00e7\u00f5es de lado. Em 1974 foram eleitos pela Rolling Stone como &#8220;a banda do ano&#8221;, sem ter um disco de in\u00e9ditas no mercado, mas contando com o bom desempenho junto \u00e0 cr\u00edtica de \u201cHolland\u201d, seu \u00e1lbum de 1973, postulante ao status de disco do ano. N\u00e3o podia ser melhor, certo? Errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14773 aligncenter\" title=\"holland\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/holland.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Capitol lan\u00e7aria em 1975 outra compila\u00e7\u00e3o de hits, \u201cSpirit Of America\u201d, que chegou ao s\u00e9timo lugar nas paradas ianques. Os shows dos Beach Boys, que j\u00e1 enfatizavam as can\u00e7\u00f5es antigas, passaram a quase se restringir a esse repert\u00f3rio, algo que irritava os irm\u00e3os Wilson, mas que garantia a popularidade da banda. Love e Jardine n\u00e3o pareciam se importar com essa nova inje\u00e7\u00e3o de fama, tanto que a demanda finalmente acenou para as grava\u00e7\u00f5es de um novo disco. Para a surpresa de todos, Brian Wilson encontrava-se forte o suficiente para ocupar a cadeira de produtor para este que seria o vig\u00e9simo disco de est\u00fadio, celebrando os quinze anos de carreira dos Beach Boys. O que seria mais adequado? Seguir a mar\u00e9 revivalista ou se aventurar por novas composi\u00e7\u00f5es. O resultado, ainda que pendendo para a primeira op\u00e7\u00e3o, foi d\u00fabio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-14774 aligncenter\" title=\"bigones\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/bigones.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/bigones.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/bigones-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/bigones-300x297.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c15 Big Ones\u201d, o nome escolhido para a nova bolacha, n\u00e3o s\u00f3 acenava para o tempo de carreira da banda, como marcava o n\u00famero de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas que os Beach Boys davam ao seu confuso p\u00fablico. Era uma mistureba de standards dos \u00e1ureos tempos do rock com novas m\u00fasicas pr\u00f3prias. Mais que isso, havia efetiva participa\u00e7\u00e3o vocal de Brian e, dentre as can\u00e7\u00f5es mais antigas, duas escolhas pessoais dele: &#8220;Chapel Of Love&#8221;, hit de 1964 das Dixie Cups, produzido por Phil Spector e a soberba &#8220;Just Once In My Life&#8221;, sucesso rom\u00e2ntico dos Righteous Brothers composto por Carole King e seu marido Gerry Goffin, que tamb\u00e9m teve pilotagem e arranjos de Spector. Brian tamb\u00e9m aproveitava para mandar um recado para os f\u00e3s na literal &#8220;It&#8217;s OK&#8221;, cantada por Dennis Wilson e Al Jardine. Mike Love se esbaldou na vers\u00e3o para &#8220;Rock&#8217;n&#8217;Roll Music&#8221;, cl\u00e1ssico de Chuck Berry e viu o prest\u00edgio da banda aumentar ainda mais, embarcando em comemora\u00e7\u00f5es do Bicenten\u00e1rio dos Estados Unidos e das Olimp\u00edadas de Montreal. A campanha do &#8220;Brian Is Back&#8221;, que ele orquestrara diante da melhora do mais velho dos irm\u00e3os Wilson, acabou por n\u00e3o corresponder totalmente \u00e0 realidade. Brian esteve presente em \u201c15 Big Ones\u201d, mas o que viria depois seria algo realmente inesperado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-14775 aligncenter\" title=\"beachlove\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachlove.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachlove.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachlove-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachlove-299x300.jpg 299w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre novembro de 1976 e mar\u00e7o de 1977, a banda lan\u00e7aria um novo disco, chamado \u201cThe Beach Boys Love You\u201d. Era um \u00e1lbum quase inteiramente composto por can\u00e7\u00f5es e com vocais de Brian, al\u00e9m dos instrumentos serem igualmente tocados por ele. A rea\u00e7\u00e3o diante de \u201cLove You\u201d n\u00e3o encontrou meio-termo: despertou \u00f3dio nos f\u00e3s, que tiveram certeza de que a sanidade de Brian havia se perdido para todo o sempre, bem como sua capacidade de cantar como antes, sendo marcado por um novo registro meio rouco, resultante da combina\u00e7\u00e3o fumo + gor\u00f3 + drogas. A outra metade de f\u00e3s entendeu que este era um disco revolucion\u00e1rio, que resgatava Wilson de seu limbo esquizofr\u00eanico e o recolocava no mapa de compositores e artistas relevantes do rock&#8217;n&#8217;roll. A verdade \u00e9 que entender o esp\u00edrito de \u201cLove You\u201d \u00e9 uma tarefa que exige certa prepara\u00e7\u00e3o por parte do ouvinte. \u00c9 um trabalho em que can\u00e7\u00f5es com nomes como &#8220;Roller Skating Child&#8221;, &#8220;Solar System&#8221;, &#8220;Airplane&#8221; ou &#8220;Love Is A Woman&#8221; (interpretada por Brian em novembro de 1976 no Saturday Night Live de forma lament\u00e1vel) mostram que a mente de Brian Wilson estava, para ser bem camarada, diferente. \u201cLove You\u201d ganhou o status de cult entre os f\u00e3s e abriu caminho para a real derrocada dos Beach Boys na segunda metade da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14776 aligncenter\" title=\"endless\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/endless.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era um tempo engra\u00e7ado. \u201cGuerra Nas Estrelas\u201d e \u201cSuperman\u201d no cinema. \u201cPlaneta dos Macacos\u201d no formato de s\u00e9rie de TV. \u201cO Homem de Seis Milh\u00f5es de D\u00f3lares\u201d, \u201cHulk\u201d, novelas globais, discoteca, black rio, Jimmy Carter e Ernesto Geisel \u2013 depois Jo\u00e3o Figueiredo no poder, in\u00edcio da abertura &#8220;lenta, segura e gradual&#8221;, anistia, fim de ditadura, Brasil garfado na Copa de 1978, disputada ao lado de uma pris\u00e3o ativa da ditadura argentina. Tempos estranhos, n\u00e3o engra\u00e7ados. Os Beach Boys tamb\u00e9m estavam &#8220;confusos&#8221;, para dizer o m\u00ednimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-14777 aligncenter\" title=\"miu\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/miu.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/miu.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/miu-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/miu-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco que sucedeu \u201cLove You\u201d chamou-se \u201cM.I.U.\u201d, siglas de \u201cMaharishi International University\u201d. A mudan\u00e7a do trabalho anterior para este j\u00e1 d\u00e1 a entender o tanto de desaven\u00e7as no comando criativo da banda. Mike Love, f\u00e3 da medita\u00e7\u00e3o transcedental do guru indiano Maharishi Manesh, achou por bem que o novo trabalho falasse sobre isso. Brian, que capitaneara instintivamente \u201cLove You\u201d um ano e meio antes, regrediu em sua condi\u00e7\u00e3o e novamente estava fora de qualquer participa\u00e7\u00e3o decisiva nos rumos da banda. Dennis Wilson estava ocupado gravando seu disco solo, \u201cPacific Ocean Blue\u201d, Carl Wilson n\u00e3o parecia concordar com os rumos adotados e n\u00e3o participou efetivamente das grava\u00e7\u00f5es. Desse jeito, podemos dizer que \u201cM.I.U.\u201d foi um disco eminentemente de Mike Love e Al Jardine e que colocou em risco muito do que os Beach Boys haviam constru\u00eddo at\u00e9 ent\u00e3o. E por que? Simples. \u201cM.I.U.\u201d \u00e9 um disco bem fraco e irregular. Pouco traz da ingenuidade inicial ou do arrojo sonoro dos anos 60. Tampouco mostra o desejo de encontrar novo rumo musical, tra\u00e7o marcante das obras do in\u00edcio dos anos 70. \u00c9 um disco de &#8220;yacht rock&#8221;, com alguns momentos geniais em meio a um modelo de can\u00e7\u00e3o bem desleixado. Exemplo desses lampejos aparecem na boa cover de &#8220;Come Go With Me&#8221;, dos Del Vikings, e nas brejeiras &#8220;Matchpoint Of Our Love&#8221; e &#8220;Kona Coast&#8221;, mas \u00e9 muito pouco para uma banda como os Beach Boys.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-14778 aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"light\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/light.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/light.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/light-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/light-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sucessor de \u201cM.I.U.\u201d conseguiu ser menos pior. Na verdade, \u201cLight Album\u201d, chamado pela banda e pelos f\u00e3s de \u201cLA\u201d, trazia o retorno do &#8220;sexto Beach Boy&#8221; Bruce Johnstone, afastado desde o in\u00edcio da d\u00e9cada. Ainda sem Brian, \u201cLA\u201d j\u00e1 dava sinais de brilho logo na abertura, com a beleza dourada de &#8220;Good Timin'&#8221;, que encheu os f\u00e3s de esperan\u00e7a, pelo menos durante os pouco mais de dois minutos da can\u00e7\u00e3o. Na verdade, &#8220;Good Timin'&#8221; era de outros tempos, mais precisamente das sess\u00f5es para o disco \u201cHoland\u201d. N\u00e3o se sabe por que n\u00e3o foi lan\u00e7ada na \u00e9poca, mas, nada parecido habitava o decadente mix de medita\u00e7\u00e3o, \u201cCalifornia 78\u201d, ressaca, meia idade e falta de iniciativa musical. Em meio a esse panorama est\u00e9ril, espanta que &#8220;Lady Lynda&#8221;, can\u00e7\u00e3o de Al Jardine que se apropria sem pudores da melodia de &#8220;Jesus Alegria Dos Homens&#8221;, de um tal de Johann Sebastian Bach, tenha se tornado um hit na Inglaterra. Ela n\u00e3o \u00e9 nada perto dos momentos mais estranhos de \u201cLA\u201d. Eles aparecem em &#8220;Sumahama&#8221;, cantada por Mike Love em ingl\u00eas e japon\u00eas e na vers\u00e3o hard disco de &#8220;Here Comes The Night&#8221;, lan\u00e7ada em \u201cWild Honey\u201d, onze anos antes, agora sob a forma de 10 minutos e 52 segundos de desvairio baixo-bateria, algo que sepultou qualquer tra\u00e7o de boa vontade por parte dos f\u00e3s mais dedicados. A can\u00e7\u00e3o chegou a ser banida para sempre dos shows da banda, somente passando por um processo de reavalia\u00e7\u00e3o recente, o que n\u00e3o mudou muita coisa. No entanto, havia luz no fim de \u201cLA\u201d e ela vinha na beleza comovente de &#8220;Baby Blue&#8221;, faixa cantada com pendor por Dennis, na verdade, um outtake de seu segundo e abortado disco solo, \u201cBambu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14779 aligncenter\" title=\"beachsummer\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachsummer.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda ainda lan\u00e7ou dois discos posteriormente, \u201cKeeping The Summer Alive\u201d (1980) e \u201cBeach Boys\u201c (1985), este o primeiro ap\u00f3s a morte de Dennis por afogamento em 1983. Pouco se salva desses trabalhos, mas vale destacar que a banda tocou junta no Knebworth Festival de 1980, coincidentemente com todos os integrantes originais reunidos pela \u00faltima vez no palco. Para o \u00e1lbum hom\u00f4nimo de 1985 foi recrutado o produtor Steve Levine, que havia chefiado trabalhos de bandas como Culture Club, mas o resultado n\u00e3o conseguiu atualizar os Beach Boys em rela\u00e7\u00e3o ao som dos anos 80. Um bom exemplo dessa tentativa est\u00e1 em &#8220;Getcha Back&#8221;, faixa que abre o disco, cheia de programa\u00e7\u00f5es de bateria, mas dona de uma melodia pra l\u00e1 de simp\u00e1tica e clipe idem, mas que quase sai pela tangente numa apropria\u00e7\u00e3o quase literal de elementos de &#8220;Hungry Heart&#8221;, can\u00e7\u00e3o de Bruce Springsteen contida em \u201cThe River\u201d (1980).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-14780 aligncenter\" title=\"beachboys\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachboys.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachboys.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachboys-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachboys-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devo confessar que sou f\u00e3 dos Beach Boys. Mesmo nesses discos menores da banda, \u00e9 poss\u00edvel achar pequenas pepitas de pop dourado, capazes de expressar toda a confus\u00e3o e conflito presentes no grupo. O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o nessa hist\u00f3ria \u00e9 a total falta de sincronia em rela\u00e7\u00e3o ao que era feito pelo chamado &#8220;senso comum&#8221;. Se a m\u00fasica era varrida pelo movimento punk, l\u00e1 estavam os Beach Boys fazendo disco sobre medita\u00e7\u00e3o e gravando vers\u00e3o de 11 minutos de disco music. Se o certo era viajar em conceitos dist\u00f3picos, l\u00e1 estavam eles regravando hits dos anos 60 ou fazendo discos descuidados, mas geniais em sua g\u00eanese. O pr\u00f3prio Brian Wilson j\u00e1 dizia em 1966 que &#8220;n\u00e3o era feito para aqueles tempos&#8221;, t\u00edtulo de uma de suas mais belas composi\u00e7\u00f5es, presente em \u201cPet Sounds\u201d. Logo ele, em reclus\u00e3o pela maior parte das d\u00e9cadas de 70, 80 e 90, foi testemunha involunt\u00e1ria dessa confus\u00e3o, t\u00e3o ou maior do que provavelmente seria se ele estivesse mais envolvido na banda. O que importa \u00e9 que os Beach Boys merecem seu lugar entre os gigantes do rock de todos os tempos e sempre ser\u00e3o sin\u00f4nimo de harmonia, beleza, praia, sol e aquele ver\u00e3o que nunca termina, o qual eles est\u00e3o vivendo aqui e l\u00e1 em cima, h\u00e1 cinquenta anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pequeno Garimpo CEL<\/strong><br \/>\nGente, mesmo que esses discos, gravados a partir de 1976, n\u00e3o sejam essa Coca-Cola toda, h\u00e1 muita coisa pra ouvir e amar. Aqui v\u00e3o pequenas dicas para montar uma improv\u00e1vel colet\u00e2nea BB dessa fase t\u00e3o &#8230; estranha da carreira da banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KrbzTBosjA4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;15 Big Ones&#8221;<\/strong><br \/>\n&#8211; Just Once In My Life<br \/>\n&#8211; Chapel Of Love<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N5yWU95Sp4g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>&#8220;Love You&#8221;<\/strong><\/span><br \/>\n&#8211; Mona<br \/>\n&#8211; Solar System<br \/>\n&#8211; Airplane<br \/>\n&#8211; The Night Was So Young<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1RX5jbXGbuI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;M.I.U Album&#8221;<\/strong><br \/>\n&#8211; Come Go With Me<br \/>\n&#8211; Kona Coast<br \/>\n&#8211; Matchpoint Of Our Love<br \/>\n&#8211; Winds Of Change<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l6Fddgh-WS0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;LA&#8221;<\/strong><br \/>\n&#8211; Good Timin&#8217;<br \/>\n&#8211; Lady Lynda<br \/>\n&#8211; Baby Blue<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9IeECunaeNI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Keeping The Summer Alive&#8221;<\/strong><br \/>\n&#8211; School Day<br \/>\n&#8211; Santa Ana Winds<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LxSun4LwYMI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Beach Boys&#8221;<\/strong><br \/>\n&#8211; Getcha Back<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tRokS74dbuA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bonus Track<\/strong><br \/>\n&#8211; California Dreamin&#8217; (vers\u00e3o do sucesso dos Mamas And Papas gravada na colet\u00e2nea de sucessos Made In USA, lan\u00e7ada em 1986).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14794\" title=\"beachboyws\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachboyws.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachboyws.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/beachboyws-300x185.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CEL \u00e9 Carlos Eduardo Lima (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/celeolimite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@celeolimite<\/a>), historiador, jornalista e f\u00e3 de m\u00fasica. Conhece Marcelo Costa por carta desde o fim dos anos 90, quando o Scream &amp; Yell era um fanzine escrito por ele e amigos, l\u00e1 em sua natal Taubat\u00e9. J\u00e1 escreveu no S&amp;Y por um bom tempo, em idas e vindas. Hoje tem certeza de que o mundo como o conhec\u00edamos acabou l\u00e1 por volta de 1994\/95 mas n\u00e3o est\u00e1 conformado com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/sob_o_ceu\/\"><strong>LEIA OUTRAS COLUNAS DE CARLOS EDUARDO LIMA NO SCREAM &amp; YELL<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sob O CEL #17\nN\u00e3o d\u00e1 pra algu\u00e9m chegar e simplesmente dizer que tudo deu errado na carreira dos Beach Boys a partir de 1967&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/06\/21\/the-beach-boys-pos-smile\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[384,46],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14760"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14760"}],"version-history":[{"count":30,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14760\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45330,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14760\/revisions\/45330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}