{"id":14693,"date":"2012-06-18T06:44:29","date_gmt":"2012-06-18T09:44:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=14693"},"modified":"2017-06-22T18:07:45","modified_gmt":"2017-06-22T21:07:45","slug":"entrevista-el-cuarteto-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/06\/18\/entrevista-el-cuarteto-de-nos\/","title":{"rendered":"Entrevista: El Cuarteto de Nos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14694\" title=\"cuarteto\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/cuarteto.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/cuarteto.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/cuarteto-300x178.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi f\u00e1cil encontrar um espa\u00e7o na agenda do El Cuarteto de Nos para entrevista-los. Explica-se: h\u00e1 muito (desde 2006, para ser exato) que a banda deixou de ser um cap\u00edtulo cult na hist\u00f3ria do pop uruguaio para se tornar uma das bandas mais populares da Am\u00e9rica do Sul, com direito a status de megastars na Argentina, na Venezuela e em seu pa\u00eds natal (e possuir relativo sucesso em outros pa\u00edses de hablaespana). O lan\u00e7amento de seu 13\u00ba disco de est\u00fadio, \u201cPorfiado\u201d, no final de abril desse ano, foi um per\u00edodo cercado de expectativa, ass\u00e9dio da imprensa, coment\u00e1rios disparados em redes sociais, ensaios e apari\u00e7\u00f5es televisivas para divulgar o disco&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de muitas trocas de e-mails com a empres\u00e1ria do grupo, e mais de dois meses de conversas, finalmente conseguimos uma entrevista por e-mail. Estava longe de ser o ideal, j\u00e1 que a habilidade com as palavras do frontman e principal compositor do Cuarteto, Roberto Musso, n\u00e3o se restringe \u00e0s letras de suas can\u00e7\u00f5es. Assim, fica f\u00e1cil para Musso se esquivar dos temas mais espinhosos (a sa\u00edda de seu irm\u00e3o Riki da banda, em 2009; a rela\u00e7\u00e3o conflituosa da banda com os f\u00e3s que vazaram o disco \u201cBipolar\u201d na rede em 2009, meses antes de seu lan\u00e7amento) e responder de forma polida e contida. Mesmo assim, seu discurso permite entrever sua personalidade e dados curiosos de seu nada usual talento compositivo \u2013 respons\u00e1vel por uma fileira de hits que s\u00f3 aumenta a cada disco, e que chega at\u00e9 a pa\u00edses onde a banda nunca teve discos lan\u00e7ados, como o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, a banda tocou no pa\u00eds em 2011, em Porto Alegre (RS), Bel\u00e9m (PA) e Niter\u00f3i (RJ). Inclusive, na capital paraense foram um dos destaques do festival Se Rasgum, no qual tamb\u00e9m tocaram Lob\u00e3o, Marcelo Jeneci, Eddie e De Falla. Mas esses shows \u2013 e outros na Am\u00e9rica do Sul, M\u00e9xico e Espanha \u2013 s\u00e3o encaixados no meio da agenda profissional dos m\u00fasicos, que mesmo com o sucesso massivo n\u00e3o se atrevem a abandonar seus empregos regulares (Roberto Musso \u00e9 engenheiro de sistemas, o baixista e vocalista Santiago Tavella dirige um museu e o baterista Alvin Pintos administra um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o). Consideram o mercado musical vol\u00e1til demais para se fiarem nele, e n\u00e3o esquecem que levaram mais de 20 anos de carreira para obter sucesso comercial de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento que parece marcar a transi\u00e7\u00e3o do grupo para uma massividade da qual talvez n\u00e3o se conhe\u00e7a retorno a n\u00e3o ser seu extremo oposto (o ostracismo), Roberto Musso fala com o Scream &amp; Yell como um m\u00fasico ainda n\u00e3o deslumbrado pelo sucesso: sempre se refere \u00e0 banda como uma entidade distingu\u00edvel (ao contr\u00e1rio de Riki, que sempre fazia quest\u00e3o de dizer que \u201cEl Cuarteto de Nos n\u00e3o existe como uma unidade, s\u00e3o quatro posi\u00e7\u00f5es individuais\u201d), mostra gratid\u00e3o com o crescimento de seu p\u00fablico (mesmo que esse tenha ocorrido por conta de downloads ilegais) e escolhe as palavras ao dizer que a banda j\u00e1 \u00e9 algo bem mais rent\u00e1vel do que costumava ser. \u201cPorfiado\u201d certamente lan\u00e7ar\u00e1 a banda a um n\u00edvel comercial mais elevado \u2013 \u201cCuando Sea Grande\u201d j\u00e1 \u00e9 hit em r\u00e1dios tradicionais, onlines e nos canais musicais da TV a cabo. \u00c9 esperar para ver o impacto que isso ter\u00e1 nas personalidades que criam essa m\u00fasica t\u00e3o rara.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BqkBwNm1l34?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Havia uma grande expectativa dos f\u00e3s em rela\u00e7\u00e3o a \u201cPorfiado\u201d. Agora que o disco j\u00e1 est\u00e1 nos ouvidos dos f\u00e3s, sentem que a expectativa foi atendida?<\/strong><br \/>\nSim, e com ganhos. O primeiro p\u00fablico a quem sempre chega o material novo \u00e9 a imprensa e os mais fan\u00e1ticos, que est\u00e3o \u00e0 espera das prim\u00edcias. Este \u00e9 talvez o grupo de pessoas mais cr\u00edtico e ao que \u00e9 necess\u00e1rio tentar surpreender com alguma novidade, e pelo que vimos das resenhas do disco e dos coment\u00e1rios deste p\u00fablico, a recep\u00e7\u00e3o de \u201cPorfiado\u201d tem sido excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando de sua m\u00fasica \u201cestar nos ouvidos\u201d do p\u00fablico: \u00e9 muito prov\u00e1vel que esteja em um formato que foi ilegalmente descarregado. Em \u201cBipolar\u201d isso foi toda uma pol\u00eamica, com uma vers\u00e3o incompleta do disco saindo na web. Como cuidaram para que isso n\u00e3o acontecesse novamente? E o quanto lhes incomoda esse abuso da m\u00fasica digital?<\/strong><br \/>\nNos cuidamos um pouco mais que em \u201cBipolar\u201d, controlando as c\u00f3pias das mixagens que sa\u00edam do est\u00fadio, e vendo a quem mand\u00e1vamos as pr\u00e9vias para serem escutadas. Com rela\u00e7\u00e3o a baixar nossas m\u00fasicas pela internet, existem pa\u00edses em que a banda se tornou conhecida apenas por esse meio, porque os discos n\u00e3o estavam editados (n. Brasil inclu\u00eddo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Musical e tematicamente, \u201cPorfiado\u201d soa como um encontro dos discos mais recintes (\u201cRaro\u201d e \u201cBipolar\u201d) e as coisas mais soltas do passado, principalmente com um senso de humor menos \u00e1cido. Tem a ver?<\/strong><br \/>\nAcho que tem alguma coisa do esp\u00edrito dos trabalhos anteriores, mas com mais \u201cmodernidade\u201d, por assim dizer. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras, talvez n\u00e3o tenha tantas can\u00e7\u00f5es escritas em tom humor\u00edstico, mas a ironia e o sarcasmo continuam presentes. Tamb\u00e9m existem can\u00e7\u00f5es escritas a partir de um lado mais emocional, como \u201cCuando Sea Grande\u201d, que era uma veia inexplorada at\u00e9 agora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m sobressai a influ\u00eancia do hip-hop, que sempre esteve presente, mas nunca de uma forma t\u00e3o expl\u00edcita. Inclusive com um tom nada old school \u2013 ao contr\u00e1rio, tem a pegada do hip-hop moderno.<\/strong><br \/>\nDe fato, de um tempo para c\u00e1 tenho encontrado no hip-hop de hoje as coisas mais interessantes da m\u00fasica atual, e ele tamb\u00e9m me d\u00e1 a oportunidade de desenvolver historias e descri\u00e7\u00f5es de personagens, que em outro formato me seriam mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cuarteto esteve no Brasil para shows em Porto Alegre, Niter\u00f3i e Bel\u00e9m. Por que escolheram essas cidades?<\/strong><br \/>\nForam tr\u00eas experi\u00eancias maravilhosas, mas n\u00e3o foram escolhidas por n\u00f3s, e sim pelas pr\u00f3prias cidades, que nos escolheram e nos chamaram para tocar l\u00e1. Em Bel\u00e9m era um festival com outras bandas, e os organizadores j\u00e1 nos conheciam por nos ter visto tocar no Uruguai, e em Niter\u00f3i fomos como representantes em um evento de m\u00fasicos latino-americanos. Tomara que nos chamem para Rio e S\u00e3o Paulo, adorar\u00edamos ir!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com estes shows, j\u00e1 identificou se existe uma caracter\u00edstica comum aos brasileiros que curtem a banda?<\/strong><br \/>\nSim. Apesar de n\u00e3o entender 100% das letras, decodificam imediatamente a ess\u00eancia da banda, e curtem tamb\u00e9m a partir da perspectiva majoritariamente musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Brasil sempre esteve no imagin\u00e1rio do Cuarteto, n\u00e3o s\u00f3 com men\u00e7\u00f5es diretas em can\u00e7\u00f5es como \u201cUruguay 1 x Brasil 1\u201d mas tamb\u00e9m fazendo parte das influ\u00eancias musicais da banda, n\u00e3o? (Musso j\u00e1 se declarou f\u00e3 de Tit\u00e3s e Legi\u00e3o Urbana, dentre outros)<\/strong>.<br \/>\n\u00c9 que a proximidade geogr\u00e1fica incide muito, e, al\u00e9m disso, eu viajei ao Brasil de f\u00e9rias uma infinidade de vezes, principalmente ao Nordeste, e gosto muito do povo e de seus costumes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D_bpJ3UD1DU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras t\u00eam uma m\u00e9trica incomum: as palavras e a melodia nem sempre est\u00e3o nas mesmas propor\u00e7\u00f5es, por\u00e9m sempre se adequam. Como faz para consegui-lo, j\u00e1 que \u00e9 algo t\u00e3o dif\u00edcil quanto perigoso, at\u00e9.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o existe uma f\u00f3rmula estrita que eu siga; enquanto eu goste de como soa e se entenda aquilo que digo, me serve (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A prop\u00f3sito: parece, desde o come\u00e7o da banda, que as letras s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto a m\u00fasica para o Cuarteto. Para voc\u00ea, com certeza. Mas e para o resto da banda? Foi algo com o qual eles tiveram que se acostumar?<\/strong><br \/>\nCreio que para todos n\u00f3s as letras sempre foram importantes, sobre o que falar, o que dizer, o que transmitir. No caso do Cuarteto, a letra \u00e9 fundamental para o conceito art\u00edstico do grupo em si. Somos amantes dos jogos de linguagem e das rimas desde sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que aparece pouco s\u00e3o letras em terceira pessoa. Voc\u00ea acha que o uso da primeira pessoa \u00e9 importante para ajudar o p\u00fablico a se identificar com as can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n\u00c9 prov\u00e1vel que sim. Sempre esclare\u00e7o que se est\u00e3o escritas muitas na primeira pessoa, nenhuma delas me identifica ou descreve minha pessoa em 100%, nem mesmo \u201cBreve Descripci\u00f3n de Mi Persona\u201d. H\u00e1 peda\u00e7os do Roberto disseminados em todas as can\u00e7\u00f5es, Mas depois geralmente gosto de exagerar o personagem. Outra coisa curiosa que acontece \u00e9 que, por mais que sejam em primeira pessoa, as pessoas se lembram mais do \u201cDami\u00e1n\u201d ou do \u201cHernandez\u201d ou do \u201cBenito\u201d que do \u201ceu\u201d (N. Roberto se refere a tr\u00eas can\u00e7\u00f5es do Cuarteto: \u201cYendo a la Casa de Dami\u00e1n\u201d, \u201cEl Hijo de Hernandez\u201d e \u201cBuen D\u00eda, Benito\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Um assunto mais dif\u00edcil, e que n\u00e3o foi de todo explicado, \u00e9 o que aconteceu com Riki.<\/strong><\/span><br \/>\nForam muitas as causas do distanciamento de Riki, e j\u00e1 faz tr\u00eas anos que estamos com a nova forma\u00e7\u00e3o da banda. O importante \u00e9 que est\u00e1 tudo bem num n\u00edvel pessoal com ele e houve respeito de todas as partes por sua decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma vez voc\u00ea declarou \u00e0 Rolling Stone argentina que as \u00fanicas bandas que foram capazes de viver de m\u00fasica no Uruguai eram La Vela Puerca e No Te Va Gustar, e que eles \u201cquebraram a cara por isso\u201d. Continua assim? Hoje El Cuarteto n\u00e3o \u00e9 uma banda capaz de viver de sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nO coment\u00e1rio era pela raz\u00e3o de que o Uruguai \u00e9 um mercado muito pequeno para poder subsistir economicamente apenas com a banda. Hoje, com a proje\u00e7\u00e3o internacional que o Cuarteto vem tendo, a situa\u00e7\u00e3o tem mudado bastante e podemos \u201cviver\u201d de m\u00fasica, esclarecendo que o termo \u201cviver\u201d \u00e9 muito subjetivo e cada um vai interpret\u00e1-lo segundo sua forma de viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14698\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"porfiado\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/porfiado.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Porfiado&#8221;, El Cuarteto de Nos (Warner)<br \/>\npor Leonardo Vinhas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o baixista Santiago Tavella, \u201cPorfiado\u201d fecha uma trilogia da qual participam seus antecessores, \u201cRaro\u201d (2006) e \u201cBipolar\u201d (2009). Procede: s\u00e3o os discos de um Cuarteto de Nos renovado, que deixou de ter os gracejos e as historinhas de humor negro semi-surreal como prioridade e passou a se concentrar na m\u00fasica em primeiro lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa mudan\u00e7a, na verdade, j\u00e1 havia come\u00e7ado com \u201cEl Cuarteto de Nos\u201d, disco de 2004 em que regravaram can\u00e7\u00f5es dos discos anteriores com arranjos mais roqueiros e diretos (e inclu\u00edram a in\u00e9dita \u201cHay Que Comer\u201d). Foi a\u00ed que entrou Juan Campod\u00f3nico, ex-baixista da banda Peyote Asesino e um dos v\u00e9rticos do Bajofondo (junto com Gustavo Santaolalla e Luciano Supervielle). Como Musso e Tavella sempre reconheceram, faltava \u00e0 banda algu\u00e9m que realmente exercesse o papel de produtor, limando os absurdos e excessos, e polindo (ou endurecendo) as boas ideias musicais que \u00e0s vezes ficavam escondidas em meio \u00e0 autoindulg\u00eancia ou inexperi\u00eancia. Campod\u00f3nico cumpriu esse requisito com louvor, e ajudou a levar a banda onde eles sempre quiseram chegar, tanto musical quanto comercialmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o amadurecimento teve um processo: a sa\u00edda do exc\u00eantrico guitarrista (e eventual compositor) Riki Musso. Em seu lugar, entraram Gustavo Antu\u00f1a (guitarra) e Santiago Marrero (teclado), ainda com status de m\u00fasicos acompanhantes. De qualquer forma, \u201cPorfiado\u201d \u00e9 o primeiro disco com El Cuarteto transformado em quinteto, e isso parece ter impactado no resultado final: as can\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais coesas, mais focadas no desempenho da banda, com menos interven\u00e7\u00f5es de programa\u00e7\u00f5es e outros instrumentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se isso ajuda na intensidade e volume das composi\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m tira um pouquinho do charme multicolorido que era constru\u00eddo gra\u00e7as ao detalhismo de \u201cBipolar\u201d, ainda o melhor disco da banda. Por\u00e9m, os caminhos abertos no disco de 2009 continuam sendo trilhados em \u201cPorfiado\u201d, seja rap \u00e0 Coolio de \u201cBuen D\u00eda, Benito\u201d, seja na melodia beatle que pontua a hip-hoppice de \u201cSolo Estoy Sobreviviendo\u201d \u2013 n\u00e3o \u00e0 toa, duas das melhores faixas do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses caminhos tamb\u00e9m tornam poss\u00edvel uma can\u00e7\u00e3o da cepa de \u201cCuando Sea Grande\u201d, uma letra simples e poderosa com a qual \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se identificar em algum momento, uma esp\u00e9cie de \u201cI Don\u2019t Want to Grow Up\u201d com po\u00e9tica mais elaborada. E ainda que seja uma can\u00e7\u00e3o realmente emotiva, a banda tem cara-de-pau suficiente para meter um Autotune \u00e0 la Cher no refr\u00e3o, como que satirizando a pr\u00f3pria emotividade. E sem esses caminhos abertos por \u201cBipolar\u201d, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que a banda se arriscasse a fazer coisas como o solo rock\u2019n\u2019roll na suingada \u201cEl Balc\u00f3n de Paul\u201d ou os efeitos eletr\u00f4nicos no rockinho \u201cNo Te Invit\u00e9 a Mi Cumplea\u00f1os\u201d, faixa que, junto com \u201cEl Lado Soleado de la Calle\u201d, revisita a est\u00e9tica dos primeiros discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, alguns dos maus h\u00e1bitos da banda tamb\u00e9m se repetem: a obrigat\u00f3ria cumbiazinha boba de Santiago Tavella (\u201cEnamorado Tuyo\u201d), o groove clich\u00ea de \u201cVida Ingrata\u201d. Essas duas, mais \u201cTodos Pasan Por Mi Rancho\u201d (uma senhora chupa\u00e7\u00e3o das \u201cmurgas-rock\u201d da Bersuit Vergarabat), comp\u00f5em aquele quarto do \u00e1lbum que nem a banda nem Campod\u00f3nico salvam (que tamb\u00e9m aparecia, de certa forma, nos dois discos anteriores), mas n\u00e3o chega a comprometer o resultado final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, &#8220;Porfiado&#8221; \u00e9 um disco maduro, excepcionalmente bem-produzido e com destino ao sucesso. Eu sei, s\u00e3o tr\u00eas caracter\u00edsticas que, quando colocadas em conjunto, prenunciam inevit\u00e1vel decad\u00eancia \u2013 aquela sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdaqui pra frente, tudo vai ser meio profissional demais\u201d. Mas enfim, \u00e9 empolgante o suficiente para ser curtido agora e por muito tempo. Aproveitemos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_s2fNpg0aVE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma das bandas mais populares da Am\u00e9rica do Sul, lan\u00e7ando seu 13\u00ba \u00e1lbum de est\u00fadio, ainda n\u00e3o vive apenas de m\u00fasica&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/06\/18\/entrevista-el-cuarteto-de-nos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14693"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14693"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43289,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14693\/revisions\/43289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}