{"id":146,"date":"2007-12-07T08:01:00","date_gmt":"2007-12-07T10:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/12\/07\/top-ten-os-meus-dez-melhores-shows-nacionais\/"},"modified":"2023-06-19T02:39:05","modified_gmt":"2023-06-19T05:39:05","slug":"top-ten-os-meus-dez-melhores-shows-nacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/12\/07\/top-ten-os-meus-dez-melhores-shows-nacionais\/","title":{"rendered":"Top Ten &#8211; Os meus dez melhores shows nacionais"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/12\/virada_jardsmacale.jpg\" alt=\"\" \/>Na semana passada publiquei o meu Top Ten pessoal de <a href=\"http:\/\/z001.ig.com.br\/ig\/18\/46\/935086\/blig\/revoluttion\/2007_48.html#post_19013805\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">shows internacionais<\/a>; nesta semana \u00e9 a vez dos shows nacionais mais bacanas que eu presenciei em anos e anos de empurra-empurra, cerveja quente, voz rouca no final da noite e momentos inesquec\u00edveis na mem\u00f3ria. Diferente da sele\u00e7\u00e3o gringa, que aumentou nos \u00faltimos anos, a lista nacional remonta aos anos 80, \u00e9poca em que o rock nacional mudava vidas e as bandas &#8211; no \u00e1pice &#8211; passavam todo ano por Taubat\u00e9, cidade em que eu morava. Com certeza n\u00e3o \u00e9 uma lista dos melhores shows brasileiros de todos os tempos. S\u00e3o os melhores shows que eu vi, \u00e9 bom deixar claro (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2007\/11\/13\/meus-50-shows-inesqueciveis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tem mais 40 aqui<\/a>).<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, fazer uma lista dessas \u00e9 um teste e tanto de mem\u00f3ria que, no meu caso, n\u00e3o anda t\u00e3o bem (esque\u00e7o nome de filmes, artistas, pessoas &#8211; \u00e0s vezes o meu nome mesmo). Com toda certeza, em alguns dos relatos deverei cometer algum erro de data, trocar algo que aconteceu em um show (m\u00fasica, frase) com o que aconteceu em outro (imagina o Ira!, que eu vi mais de 50 vezes ao vivo), mas isso tudo faz parte de uma das coisas mais bacanas da vida: ter hist\u00f3rias para contar. E muitas das hist\u00f3rias da minha vida t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com m\u00fasica, ent\u00e3o, vamos a dez pequenas hist\u00f3rias dos meus dez shows prediletos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) Jards Macal\u00e9 no Theatro Municipal (2007)<\/strong><br \/>\nMacal\u00e9 \u00e9 um caso de paix\u00e3o recente em minha vida. O &#8220;descobri&#8221; apenas em 2001, quando um amigo me deu de presente uma c\u00f3pia em CDR do \u00e1lbum &#8220;Farinha de Desprezo&#8221; (fora de cat\u00e1logo), debute de Macal\u00e9 em 1972 logo ap\u00f3s ele ter produzido, em Londres, o cl\u00e1ssico &#8220;Transa&#8221;, de Caetano Veloso. Por\u00e9m, de 2001 pra c\u00e1 fui compensando a descoberta tardia com v\u00e1rias audi\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum e de outras pepitas de seu excelente repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o a Prefeitura de S\u00e3o Paulo, em uma iniciativa louv\u00e1vel, convocou o maldito para se apresentar \u00e0s 3 da manh\u00e3 no imponente palco do Theatro Municipal da cidade no meio da Virada Cultural que agitou a cidade neste ano tocando &#8220;Farinha de Desprezo&#8221; na integra. Grande not\u00edcia: Jards teria ao seu lado a lenda da Tropic\u00e1lia Lanny Gordin, que gravou todas as guitarras e baixo do \u00e1lbum em 1972. \u00c0s 3 da manh\u00e3 l\u00e1 estava eu na primeira fila do Theatro Municipal frente a frente com a hist\u00f3ria da m\u00fasica (im)popular brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show foi um crescendo incr\u00edvel seguindo o tracking list do \u00e1lbum original, com a faixa t\u00edtulo (que ganhou vers\u00e3o, nos anos 80, do Camisa de V\u00eanus) abrindo e sendo seguida por &#8220;Revendo Amigos&#8221;. Em &#8220;Mal Secreto&#8221; (um dos grandes momentos da madrugada), o teatro lotado seguiu no embalo da can\u00e7\u00e3o comandada pela guitarra de Lanny. &#8220;Movimento dos Barcos&#8221;, &#8220;Farrapo Humano&#8221;, &#8220;Let&#8217;s Play That&#8221;, &#8220;Meu Amor Me Agarra &amp; Geme &amp; Treme &amp; Chora &amp; Mata&#8221; e, no bis, &#8220;Vapor Barato&#8221; fizeram desta noite algo inesquec\u00edvel, dif\u00edcil de traduzir em palavras. Por sorte, l\u00e1 estava eu com minha boa c\u00e2mera digital. O v\u00eddeo que filmei, e que Capitu postou no Youtube, pode ser visto <a href=\"http:\/\/youtube.com\/watch?v=DiaFuNTKarI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>. Ele d\u00e1 uma boa dimens\u00e3o da grandiosidade dessa noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/z001.ig.com.br\/ig\/18\/46\/935086\/blig\/revoluttion\/2007_19.html#post_18843732\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia mais sobre o show e a Virada Culural<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) Legi\u00e3o Urbana no Clube de Regatas em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (1992)<\/strong><br \/>\nForam cinco as vezes que assisti a um show da Legi\u00e3o. Os primeiros (da turn\u00ea do \u00e1lbum &#8220;Dois&#8221;, em 1987, e do &#8220;Quatro Esta\u00e7\u00f5es&#8221;, dobradinha em um 12 e 13 de junho no Taubat\u00e9 Country Club em 1989) foram terr\u00edveis. S\u00f3 dava para ouvir a caixa de bateria do Bonf\u00e1 e a voz do Renato, mais nada. J\u00e1 neste foi tudo diferente. Primeiro devido ao fato da turn\u00ea do \u00e1lbum &#8220;V&#8221; n\u00e3o ter passado por Taubat\u00e9, o que me fez ir com amigos assistir ao show em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (cidade quase vizinha). Tentei pescar na mem\u00f3ria, mas n\u00e3o consegui: n\u00e3o lembro se o show foi no Teatr\u00e3o ou no Clube de Regatas (ou em algum outro lugar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei que, segundos ap\u00f3s a banda ter iniciado a apresenta\u00e7\u00e3o com &#8220;Ser\u00e1&#8221;, a placa que separava o p\u00fablico do palco arrebentou, e alguns f\u00e3s foram parar embaixo das arma\u00e7\u00f5es. Assim que seguran\u00e7as formaram uma nova placa de prote\u00e7\u00e3o, acabei ficando na primeira fileira, quase com os bra\u00e7os apoiados no palco. Foi perfeito. O som, desta vez, estava muito melhor. A ilumina\u00e7\u00e3o era uma das mais belas que eu havia visto at\u00e9 ent\u00e3o. E o trio que acompanhava Renato, Dado e Bonf\u00e1 desde a turn\u00ea do \u00e1lbum anterior j\u00e1 estava bem entrosado, o que deu qualidade a apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o tem jeito: quando se fala em Legi\u00e3o ao vivo, se fala de Renato Russo e seu costumeiro show particular sobre o palco. Neste show ele estava possesso, transformando quase todas as letras novas (do \u00e1lbum &#8220;V&#8221;) em ataques diretos ao ent\u00e3o presidente Fernando Collor, tais como em &#8220;Metal Contra as Nuvens&#8221;: &#8220;Perdi a minha sela e minha princesa \/ Perdi o meu castelo e minha poupan\u00e7a&#8221; ou &#8220;Reconhe\u00e7o o meu pesar \/ Quando tudo \u00e9 trai\u00e7\u00e3o \/ O que venho encontrar \/ \u00c8 o dinheiro em outras m\u00e3os&#8221; ou &#8220;E por honra, se existir verdade \/ Existem os tolos e um presidente ladr\u00e3o&#8221;. Fez mais: simulou um desmaio, cantou o &#8220;Hino Nacional&#8221; (na verdade, &#8220;Carinhoso&#8221;) inteirinho dentro de &#8220;Vento no Litoral&#8221; e, em &#8220;Seren\u00edssima&#8221;, na parte final do show, arremessou o pandeiro &#8211; que o acompanhava desde o in\u00edcio &#8211; com viol\u00eancia ao ch\u00e3o dividindo o instrumento em tr\u00eas partes. Uma delas ilustra o final deste texto. Foi a \u00faltima vez que vi Legi\u00e3o ao vivo, e foi sensacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) Tit\u00e3s no Taubat\u00e9 Country Club (1986)<\/strong><br \/>\nEm 1986 era poss\u00edvel fazer seus pedidos a uma r\u00e1dio FM, e ouvi-los, diferente de hoje, em que o que toca \u00e9 tudo aquilo que est\u00e1 no border\u00f4 designado pela \u00e1rea de marketing das gravadoras. Em 1986 o Tit\u00e3s havia lan\u00e7ado &#8220;Cabe\u00e7a Dinossauro&#8221;, um disco pesado que criticava tr\u00eas grandes institui\u00e7\u00f5es (a pol\u00edcia, a fam\u00edlia e a igreja) ao mesmo tempo que clamava para que os bichos escrotos sa\u00edssem dos esgotos e as zebrinhas listradas fossem &#8220;se foder&#8221;. Houve um boicote inicial por parte das r\u00e1dios, mas a voz do p\u00fablico (que superlotava as apresenta\u00e7\u00f5es) e pedia can\u00e7\u00f5es insistentemente nas r\u00e1dios foi mais forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio de v\u00e1rios grupos que melhoravam ao vivo (como o Ira! e Paralamas) ou pioravam (como a Legi\u00e3o ou o Capital Inicial), o Tit\u00e3s fazia no palco exatamente a mesma coisa que voc\u00ea ouvia no velho vinil, com o acr\u00e9scimo da troca constante de vocalistas e outros destaques visuais. Ou seja: eles eram perfeitos ao vivo. A quadra do Taubat\u00e9 Country Club (clube classe A\/B de Taubat\u00e9) era o local oficial de shows na cidade, e tinha todos os defeitos que se pode esperar de um local adaptado para tal fun\u00e7\u00e3o: p\u00e9ssima ac\u00fastica, ilumina\u00e7\u00e3o sofr\u00edvel e v\u00e1rios outros pontos negativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, no palco, estavam os Tit\u00e3s em sua forma\u00e7\u00e3o completa exalando raiva e testosterona em uma apresenta\u00e7\u00e3o irrepreens\u00edvel. Os shows da turn\u00ea &#8220;Cabe\u00e7a Dinossauro&#8221; eram punk rock para as massas. Lembro de uma frase de um amigo durante a execu\u00e7\u00e3o de &#8220;Porrada&#8221;, cantada por Arnaldo Antunes: &#8220;Tem gente caindo da arquibancada!!!&#8221;. Aquilo era impressionante demais para jovens de 15 anos que n\u00e3o tinham como entender &#8220;A Face do Destruidor&#8221;, mas queriam berrar para toda sociedade ouvir o &#8220;v\u00e3o se foder&#8221; de &#8220;Bichos Escrotos&#8221;, censurada nas r\u00e1dios, mas um hino da galera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) Sepultura no Olympia (1996)<\/strong><br \/>\nO \u00faltimo grande show do Sepultura em terras brasileiras antes da sa\u00edda de Max e do decl\u00ednio criativo. No palco, a banda dividia as honras da casa com o Ratos de Por\u00e3o, que fez um show violento e assustador. O Sepultura estava em alta no mercado. Tinham lan\u00e7ado &#8220;Roots&#8221;, que os havia transformado na banda de metal n\u00famero 1 do mundo. Ao vivo n\u00e3o tinha como discordar. Porradas mais antigas como &#8220;Inner Self&#8221; e &#8220;Troops Of Doom&#8221; conviviam lado a lado com hinos do calibre de &#8220;Dead Embryonic Cells&#8221;, &#8220;Territory&#8221;, &#8220;Refuse\/Resist&#8221; e vers\u00f5es de &#8220;Mon\u00f3logo Ao P\u00e9 Do Ouvido&#8221; (Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi) e Tit\u00e3s (&#8220;Policia&#8221;). Pra fechar a tampa, &#8220;Orgasmatron&#8221;. Ali\u00e1s, essa m\u00fasica me lembra um dos meus grandes momentos em festivais: Hollywood Rock, Pacaembu, \u00faltima m\u00fasica do show do Sepultura, e eles tocam ela. Giro 360 graus e o est\u00e1dio inteiro pulava ao som do cl\u00e1ssico do Motorhead. At\u00e9 hoje acho que o show fraco show do Urge Overkill, que veio na seq\u00fc\u00eancia, foi bundamolice frente a um p\u00fablico &#8211; pra eles &#8211; t\u00e3o metal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) Ira! no Aeroanta (1991)<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 tinha visto dezenas de shows do Ira! at\u00e9 ent\u00e3o, mas eles estavam lan\u00e7ando um bom disco (&#8220;Meninos da Rua Paulo&#8221;) e fecharam uma temporada de tr\u00eas noites no Aeroanta, que ficava Plaza of the Potato (como carinhosamente cham\u00e1vamos o famoso Largo da Batata, em Pinheiros), em S\u00e3o Paulo. Uma coisa era ver o Ira! tocar em Taubat\u00e9 ou Campos do Jord\u00e3o. Outra, totalmente diferente, era v\u00ea-los em S\u00e3o Paulo. A banda tocava muito mais \u00e1 vontade, mais solta. Nasi chegava ao microfone e dizia: &#8220;\u00c9 bom poder vir a p\u00e9 de casa pro show&#8221;. Isso tudo se refletiu nas tr\u00eas noites, com uma banda inspirada tocando cl\u00e1ssicos pr\u00f3prios e covers como &#8220;Stand By Me&#8221; (famosa com Lennon), &#8220;Should I Stay or Should I Go&#8221; (Clash) e &#8220;Foxy Lady&#8221; (Hendrix). Na \u00faltima noite, s\u00e1bado, eles bateram o recorde de p\u00fablico da casa. Em &#8220;N\u00facleo Base&#8221;, Nasi provocou: &#8220;Voc\u00ea pensa que sou louco, mas estou s\u00f3 te olhando \/ Voc\u00ea pensa que sou tolo, mas n\u00e3o sou corintiano&#8221;. Eu e mais uns dois berramos no microfone: &#8220;Tim\u00e3o&#8221;. Ele riu. Bons tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) Graforr\u00e9ia Xilarm\u00f4nica no Upload Festival, Sesc Pomp\u00e9ia (2001)<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s dois discos exemplares de t\u00e3o bons (a estr\u00e9ia, &#8220;Coisa de Louco II&#8221;, de 1995, e &#8220;Chapinhas de Ouro&#8221;, 1998), a Graforr\u00e9ia pendurou as chuteiras no final de 1999. Em novembro de 2001, por\u00e9m, o trio se reagrupou para uma apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica na segunda noite do Upload Festival, e a cena indie nacional estremeceu. O palco do teatro do Sesc Pomp\u00e9ia deixou de existir naquela noite: n\u00e3o havia separa\u00e7\u00e3o entre banda e p\u00fablico. O show foi um coro entoando can\u00e7\u00f5es como &#8220;Amigo Punk&#8221;, &#8220;Eu&#8221;, &#8220;Nunca Diga&#8221;, &#8220;Grito de Tarz\u00e3&#8221;, &#8220;Eu Gostaria de Matar Os Dois&#8221;, &#8220;A Empregada&#8221;. Uma comunh\u00e3o entre banda e p\u00fablico como poucas vezes presenciei na vida que, por si s\u00f3, j\u00e1 bastaria para colocar o show nesta lista pessoal, mas houve &#8220;o momento&#8221;: devido ao limite estourado do hor\u00e1rio, a organiza\u00e7\u00e3o do Sesc Pomp\u00e9ia optou por encerrar o show na for\u00e7a (melhor, na falta de for\u00e7a). Desligando o som, o Sesc acredita que colocou fim \u00e0 noite. Engano: pedindo sil\u00eancio, os tr\u00eas integrantes fazem ainda mais uma m\u00fasica, com os instrumentos desligados. O p\u00fablico cantava em um coro sussurrado e pulava abra\u00e7ado no refr\u00e3o de &#8220;Col\u00e9gio Interno&#8221;. No \u00faltimo acorde, mudo, o p\u00fablico tomou o palco para cumprimentar a banda. De emocionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) RPM no Taubat\u00e9 Country Club (1987)<\/strong><br \/>\nPaulo Ricardo tenta a todo custo denegrir sua pr\u00f3pria imagem o tanto quanto pode (e agora volta a cuspir na escultura com o lan\u00e7amento da biografia de t\u00edtulo infame &#8220;Revela\u00e7\u00f5es Por Minuto&#8221;), mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o baixar a cabe\u00e7a e considerar como marco a turn\u00ea &#8220;R\u00e1dio Pirata ao Vivo&#8221;, que sacudiu o pa\u00eds na segunda metade dos anos 80 rendendo o disco de rock mais vendido de todos os tempos em terras brasilis. Eles tinham passado pela cidade com o bom show da turn\u00ea anterior um ano antes, mas em 1987 eles eram outra banda, outro neg\u00f3cio, algo mais cabe\u00e7a e profissa. O come\u00e7o &#8211; com a introdu\u00e7\u00e3o de tecladeira de &#8220;Revolu\u00e7\u00f5es Por Minuto&#8221; &#8211; \u00e9 claro na mem\u00f3ria at\u00e9 hoje assim como a imagem de meninas chorando compulsivalmente na plat\u00e9ia. Acho que foi o mais pr\u00f3ximo que estive da beatlemania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) Mundo Livre no Sesc Pomp\u00e9ia (2000)<\/strong><br \/>\nEu estava desempregado e desiludido. Tinha chovido, e aquele cheiro de terra molhada estava no ar, me fazendo sentir saudades de casa (eu tinha acabado de me mudar pra S\u00e3o Paulo). O futuro era negro, e resolvi expurgar os dem\u00f4nios assistindo a uma das bandas que eu mais respeitava, a banda que tinha me feito escrever meu texto e montar um fanzine alguns anos antes. Eu nem tinha ouvido o disco que eles estavam lan\u00e7ando, &#8220;Por Pouco&#8221;, e que seria a base do show, mas ser surpreendido era tudo o que eu precisava para levantar a cabe\u00e7a, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Em um rascunho de texto da \u00e9poca escrevi: &#8220;Eu nunca pensei que fosse me culpar por n\u00e3o saber sambar.&#8221;. Do cap\u00edtulo &#8220;shows podem mudar a vida de uma pessoa para sempre&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/mundolivresa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rascunhos de uma resenha perdida<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09) Los Hermanos no Blen Blen (2002)<\/strong><br \/>\nA banda certa no momento certo. Em 2002, o Los Hermanos era o grande nome da m\u00fasica nacional. Eles tinham brigado com a gravadora e lan\u00e7ado um \u00e1lbum fenomenal, &#8220;Bloco do Eu Sozinho&#8221;, que se n\u00e3o repetiu as vendas da estr\u00e9ia (300 mil discos ancorados no sucesso radiof\u00f4nico de &#8220;Anna Julia&#8221;), deu a eles o respeito da cr\u00edtica especializada e de um p\u00fablico que, naquela primeira hora, ainda n\u00e3o os tratava com a devo\u00e7\u00e3o dos anos seguintes, mas j\u00e1 cantava todas as m\u00fasicas. Era um show de apenas dois \u00e1lbuns, ou seja, pouca coisa ficou de fora. E tinha serpentinas em &#8220;Todo Carnaval Tem Seu Fim&#8221;, e tinha a espetacular &#8220;A Flor&#8221;, e tinha a sentimental &#8220;Sentimental&#8221;&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10) Edgard Scandurra no Sesc Consola\u00e7\u00e3o (2002)<\/strong><br \/>\nPara assistir a esse show, eu sai de casa tr\u00eas minutos antes do hor\u00e1rio marcado. Quando cheguei \u00e0 \u00e1rea de conviv\u00eancia do Sesc Consola\u00e7\u00e3o, Edgard estava afinando o viol\u00e3o e um p\u00fablico de aproximadamente 300 pessoas procurava o melhor lugar para ver a apresenta\u00e7\u00e3o. O pequeno show fazia parte do projeto Sons 80, do Sesc SP, que visava trazer um artista significativo mostrando can\u00e7\u00f5es dos anos 80 em formato voz\/viol\u00e3o. Scandurra abriu o projeto com &#8220;Sa\u00edda&#8221; e &#8220;Mudan\u00e7a de Comportamento&#8221;, ambas do primeiro e cl\u00e1ssico disco do Ira! de 1985. Seguiu-se &#8220;Casa de Papel&#8221; e &#8220;XV Anos&#8221; de &#8220;Vivendo e N\u00e3o Aprendendo&#8221;. De &#8220;Meninos da Rua Paulo&#8221; ele retirou &#8220;Amor Imposs\u00edvel&#8221;, &#8220;O Tolo dos Tolos&#8221;, &#8220;N\u00e3o Mataras&#8221; e uma vers\u00e3o arrepiante de &#8220;Pris\u00e3o das Ruas&#8221;. Ali pelo meio, disse: &#8220;Essa eu acho sempre atual. Todas as manh\u00e3s de domingo s\u00e3o assim&#8221;, e mandou uma das grandes can\u00e7\u00f5es de um dos prov\u00e1veis melhores discos de todos os tempos do rock nacional: &#8220;Psicoacustica&#8221;. Inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/scandurraaovivo.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Texto da \u00e9poca para a revista Rock Press<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E voc\u00ea: quais s\u00e3o os seus dez shows nacionais inesquec\u00edveis?<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/12\/fotos025.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por\u00a0Marcelo Costa Na semana passada publiquei o meu Top Ten pessoal de shows internacionais; nesta semana \u00e9 a vez dos shows nacionais mais \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/12\/07\/top-ten-os-meus-dez-melhores-shows-nacionais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75524,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146\/revisions\/75524"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}