{"id":14540,"date":"2012-05-21T03:25:03","date_gmt":"2012-05-21T06:25:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=14540"},"modified":"2016-09-09T17:36:11","modified_gmt":"2016-09-09T20:36:11","slug":"cds-lanegan-weller-e-ranaldo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/21\/cds-lanegan-weller-e-ranaldo\/","title":{"rendered":"CDs: Mark Lanegan, Paul Weller e Lee Ranaldo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Adriano Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14541 aligncenter\" title=\"lanegan1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/lanegan1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Blues Funeral&#8221;, Mark Lanegan Band (LAB 344)<\/strong><br \/>\nNos sete minutos e sete segundos da faixa que encerra \u201cBlues Funeral\u201d, Mark Lanegan apresenta ang\u00fastia e um leve desespero nos versos que conduz sobre uma base quebrada e de clima carregado. Ele rasga revistas e livros, mant\u00eam a m\u00e1goa por perto e tenta extrair alguma verdade dos fatos em sua volta. \u00c9 dif\u00edcil para ele assumir o que quer que tenha feito, apesar de saber que n\u00e3o tem mais volta. \u201cTiny Grain Of Truth\u201d \u00e9 a \u00faltima dose servida em uma noite repleta de incertezas. \u201cBlues Funeral\u201d, s\u00e9timo disco solo do ex-Screaming Trees, exibe no conte\u00fado a mesma carga intensa que permeou n\u00e3o somente os tempos com a \u00f3tima banda de Seattle, como tamb\u00e9m os projetos com o QOTSA, Isobel Campbell, Soulsavers e Gutter Twins, mas desta vez Lanegan esquece os viol\u00f5es e resume as guitarras a coadjuvantes (ainda que fundamentais), deixando a linha de frente ocupada por sintetizadores e programa\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas, rememorando assim a m\u00fasica mais soturna que o p\u00f3s-punk dos anos 80 produziu (Joy Division e afins). \u201cThe Gravedigger&#8217;s Song\u201d usa ingl\u00eas e franc\u00eas para falar de um amor que serve como al\u00edvio enquanto \u201cBleeding Muddy Waters\u201d homenageia o bluesman e faz Lanegan sentir e sangrar. \u201cSt. Louis Elegy\u201d emerge com morte e religi\u00e3o e \u201cRiot In My House\u201d, um dos raros rocks do disco (o outro \u00e9 \u201cQuiver Syndrome\u201d), traz guitarras gritando ao fundo do caos e tumulto citados na letra. \u201cPhantasmagoria Blues\u201d se assemelha mais com as coisas antigas. Esse novo registro \u2013 produzido por Alain Johannes (Them Crooked Vultures) e com participa\u00e7\u00f5es de Jack Irons, Greg Dulli e Josh Homme \u2013 mostra um artista que ainda se mostra interessado em confrontar-se. Pode-se at\u00e9 dizer que os assuntos s\u00e3o repetitivos, por\u00e9m a vida sempre ser\u00e1 rica em dores, sofrimentos e afli\u00e7\u00e3o. Da sua gera\u00e7\u00e3o, Mark Lanegan \u00e9 aquele que mais sabe criar em cima desses temas. Essa habilidade (boa ou m\u00e1, quem saber\u00e1 dizer?) continua a gerar uma obra que foge da obviedade e serve como ferramenta para acalmar as pr\u00f3prias inquietudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pre\u00e7o em m\u00e9dia: R$ 24 (nacional)<br \/>\nNota: 7,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Enfim, S\u00e3o Paulo sente na pele como \u00e9 um show de Mark Lanegan, por Carlos Messias (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/20\/mark-lanegan-ao-vivo-em-sao-paulo-2\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cIt\u2019s Not How Far You Fall\u201d, Soulsavers: guitarras estridentes, teclados clim\u00e1ticos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/20\/2007\/12\/03\/disco-da-semana-soulsavers-e-mark-lanegan\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14542 aligncenter\" title=\"weeler\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/weeler.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Sonik Kicks&#8221;, Paul Weller (Island)<\/strong><br \/>\nNa sucess\u00e3o de bons registros gerados nas \u00faltimas temporadas (como \u201c22 Dreams\u201d, de 2008, e \u201cWake Up Nation\u201d, de 2010), Paul Weller provoca uma nova incurs\u00e3o pela miscel\u00e2nea de influ\u00eancias e ritmos que aprecia utilizar, partindo do rock ingl\u00eas mais puro para depois percorrer eletr\u00f4nica, jazz, instrumental, reggae e pop. &#8220;Sonik Kicks&#8221; abre com a dan\u00e7ante e barulhenta \u201cGreen\u201d, faixa carregada por palavras soltas e frases curtas, e pode ser dividido em pequenos blocos. \u201cSleep Of The Serene\u201d e \u201cTwilight\u201d habitam o campo dos breves interl\u00fadios instrumentais. \u201cThe Attic\u201d e \u201cAround The Lake\u201d s\u00e3o curtas, com teor pop camuflado, mas ao mesmo tempo urgentes e ca\u00f3ticas. No lado mais experimental temos a fus\u00e3o de jazz com reggae na clim\u00e1tica \u201cStudy In Blue\u201d e o psicodelismo que pede passagem em meio \u00e0s percuss\u00f5es de \u201cDrifters\u201d. A categoria das baladas comparece com \u201cBy The Waters\u201d e a bonita (por\u00e9m, piegas) \u201cBe Happy Children\u201d. J\u00e1 a devo\u00e7\u00e3o pelo rock ingl\u00eas (que ele ajudou a criar, diga-se de passagem) surge em \u201cThe Dangerous Age\u201d, \u201cWhen Your Garden\u2019s Overgrown\u201d e \u201cPaperchase\u201d, que mostram um pouco da base usada (e cultuada) por todo o britpop. N\u00e3o \u00e9 a toa que Graham Coxon (Blur) e Noel Gallagher (Oasis) colaborem em algumas faixas \u2013 \u201cDrifters\u201d traz Steve Craddock, do Ocean Colour Scene, como parceiro de composi\u00e7\u00e3o. No contexto geral, pode-se afirmar que o ponto mais significativo de \u201cSonik Kicks\u201d se situa na decis\u00e3o de Paul Weller em continuar produzindo discos frescos e contempor\u00e2neos, sem remoer gl\u00f3rias passadas nem deitar sobre a fama. As boas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o filhas diretas desse posicionamento e isso vindo de um artista que tem p\u00e9rolas na carreira como \u201cAll Mod Cons\u201d (com o Jam em 1978) e \u201cWild Wood\u201d (solo em 1993) \u00e9 um grande m\u00e9rito. Mesmo em uma idade perigosa, como cita em uma das faixas, ele prefere n\u00e3o se acomodar. A m\u00fasica agradece. Existe uma vers\u00e3o deluxe do disco que traz outras boas faixas como \u201cStarlite\u201d e \u201cDevotion\u201d. Em se tratando de Paul Weller, sempre vale conferir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pre\u00e7o em m\u00e9dia: R$ 45 (importado)<br \/>\nNota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Paul Weller ao vivo em uma festa de interior&#8230; da B\u00e9lgica, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/12\/uma-festa-do-interior-na-belgica\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cWake Up The Nation\u201d, um disco urgente e inspirado de Paul Weller, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/28\/teenage-fanclub-mark-mulcahy-paul-weller\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14543 aligncenter\" title=\"ranaldo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/ranaldo.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBetween The Times And The Tides\u201d, Lee Ranaldo (Matador)<\/strong><br \/>\nDurante mais de 30 anos, Lee Ranaldo ficou sob a sombra do brilho do casal Thurston Moore e Kim Gordon (de modo compreens\u00edvel), mesmo sendo respons\u00e1vel por can\u00e7\u00f5es como \u201cEric\u2019s Trip\u201d e \u201cHey Joni\u201d (do \u00e1lbum \u201cDaydream Nation\u201d, de 1987) e \u201cWish Fulfillment&#8221; (do \u201cDirty\u201d, de 1992), ambos cl\u00e1ssicos na discografia do Sonic Youth, e tendo uma carreira solo que j\u00e1 contempla nove \u00e1lbuns experimentais (seu primeiro \u00e1lbum, &#8220;From Here to Infinity&#8221;, tem 13 &#8216;m\u00fasicas&#8217; em 12 minutos!) conhecidos apenas por f\u00e3s \u2013 e olhe l\u00e1. O momento atual, de separa\u00e7\u00e3o do casal Moore\/Gordon e pausa da banda, surge como a chance ideal para que o guitarrista brilhar mais, e ele n\u00e3o desperdi\u00e7a. \u201cBetween The Times And The Tides\u201d come\u00e7ou a ser imaginado em 2010, quando o m\u00fasico foi convidado para um show ac\u00fastico na Fran\u00e7a. Depois foi lapidado devagarzinho at\u00e9 chegar \u00e0s m\u00e3os do produtor John Agnello (Sonic Youth, The Hold Steady e Dinosaur Jr.), que fez um excelente trabalho com as dez can\u00e7\u00f5es executadas por amigos como Nels Cline (Wilco), John Medeski (Medeski, Martin &amp; Wood), Alan Licht (Run On), Irwin Menken, Jim O&#8217;Rourke e o velho companheiro Steve Shelley. O resultado \u00e9 um trabalho que, mesmo quando viaja por rumos \u00e0s vezes distintos, mant\u00eam a unidade e o conjunto. Ao contr\u00e1rio de Thurston, que optou por uma viagem ac\u00fastica, Lee Ranaldo prefere explorar as guitarras e as encharca com influ\u00eancias que v\u00e3o desde os anos 60, passam pelo power pop e pela lisergia e desembarcam em reflexos das amadas distor\u00e7\u00f5es do seu grupo. Seu registro vocal mais l\u00edmpido satisfaz mesmo sem ser soberbo em faixas como \u201cOff The Wall\u201d e \u201cAngles\u201d, que exp\u00f5em um interessante apelo pop, enquanto \u201cFire Island (Phases)\u201d, \u201cLost\u201d e \u201cTomorrow Never Comes\u201d embaralham melodia com barulho. J\u00e1 \u201cShouts\u201d \u00e9 um calmo p\u00f3s-rock e a dobradinha \u201cHammer Blows\u201d e \u201cStranded\u201d s\u00e3o as \u00fanicas realmente ac\u00fasticas do \u00e1lbum. Falando sobre coisas b\u00e1sicas como vida e amor, Lee Ranaldo lan\u00e7a um belo disco, que igual a um navio seguro serve para superar as incertezas do tempo e das mar\u00e9s que o rodeiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pre\u00e7o em m\u00e9dia: R$ 45 (importado)<br \/>\nNota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cSonic Youth: Sleeping Nights Awake\u201d, document\u00e1rio do Projeto Moonshine (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/21\/titas-e-sonic-youth-nas-telonas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Thurston Moore em S\u00e3o Paulo: \u201cVoc\u00eas est\u00e3o sentindo o gosto do inferno? (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/15\/shows-kurt-thurston-carl-e-ian\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zP5GWYXp4d0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zP5GWYXp4d0\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/mrJCv8EG7W8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/mrJCv8EG7W8\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/eJ3jzjh4oEM\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/eJ3jzjh4oEM\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">****<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Adriano Mello Costa (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\">@coisapop<\/a>) assina o blog de cultura <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Coisa Pop<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As dores, sofrimentos e afli\u00e7\u00f5es de Mark Lanegan; mais um grande disco de Paul Weller; a hora de Lee Ranaldo brilhar\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/21\/cds-lanegan-weller-e-ranaldo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1185,344,1186],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14540"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14540"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40128,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14540\/revisions\/40128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}