{"id":14507,"date":"2012-05-20T12:18:56","date_gmt":"2012-05-20T15:18:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=14507"},"modified":"2023-03-28T23:28:47","modified_gmt":"2023-03-29T02:28:47","slug":"entrevista-tipo-uisque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/20\/entrevista-tipo-uisque\/","title":{"rendered":"Entrevista: Tipo U\u00edsque"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14508\" title=\"tipouisque\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/tipouisque.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/renata_arruda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renata Arruda<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Rio de Janeiro come\u00e7a a dar sinais de mudan\u00e7a. Se antes a cidade investia em bandas presas \u00e0 influ\u00eancia do Los Hermanos e havia pouco espa\u00e7o para o rock e para a m\u00fasica experimental, nos \u00faltimos anos surgiram artistas cariocas que tem conseguido se destacar tanto para a cr\u00edtica especializada como para o p\u00fablico, e cuja caracter\u00edstica em comum est\u00e1 no fato de nenhuma delas se parecer com o estere\u00f3tipo que se convencionou chamar indie carioca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma lista de nome distintos que destaca Dorgas, R. Sigma, Sobre a M\u00e1quina, Colombia Coffee, Medulla e tamb\u00e9m a Tipo U\u00edsque, banda de rock dan\u00e7ante influenciada por artistas como Gossip, Led Zeppelin, Radiohead, Janis Joplin e Beatles (de quem gravaram um cover, \u201cYer Blues\u201d), formada h\u00e1 apenas tr\u00eas anos por Pin B\u00f6ner (vocal), Line Lessa (teclado), Joana Cid (baixo) e Larissa Conforto (bateria) da vontade em comum entre amigas de adolesc\u00eancia em formar uma banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome foi sugerido por acaso por Pin em uma conversa no MSN (\u201cTem que ser algo curto, tipo \u201cu\u00edsque\u201d), e nas letras, versos sobre relacionamentos, atitude, emo\u00e7\u00f5es e juventude, sempre assinados por Line Lessa e Pin B\u00f6ner. Vencedoras da seletiva carioca do festival MADA, e com a oportunidade de gravar seu primeiro \u00e1lbum por um grande selo, convidaram os guitarristas Gabriel Ventura e Gabriel Salazar para integrarem a forma\u00e7\u00e3o definitiva. \u201cPodemos dizer que o Gabriel Ventura tenha trazido uma vibe mais Hendrix (groove) e o Salazar uma vibe mais Pink Floyd (timbres loucos e viajantes)\u201d, comentaram em diversas entrevistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2011, lan\u00e7aram seu primeiro EP pelo selo SLAP, da Som Livre, o eletro-rock \u201cAfague\u201d. Produzido por Fernando Lauria, o \u00e1lbum traz cinco m\u00fasicas encabe\u00e7adas pelo single \u201cFight It\u201d, que integrou a trilha do filme \u201cAlegria\u201d, de Fernando Bragan\u00e7a. Fechando o disco, a clim\u00e1tica balada \u201cIf You Go\u201d, contendo um trecho em homenagem ao amigo Rafael Mascarenhas, falecido em 2010. A repercuss\u00e3o do \u00e1lbum rendeu \u00e0 banda uma indica\u00e7\u00e3o ao Pr\u00eamio Multishow na categoria \u201cExperimente\u201d e uma base leal de f\u00e3s com quem mant\u00e9m um relacionamento pr\u00f3ximo atrav\u00e9s das redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em abril deste ano, tiveram a oportunidade de tocar para o maior p\u00fablico de sua carreira ao participar do festival Lollapaloosa na mesma noite que o Foo Fighters, e lan\u00e7aram seu segundo EP, \u201cHome\u201d, disponibilizado em seu site ao custo de um tweet (<a href=\"http:\/\/tipouisque.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/tipouisque.com\/<\/a>). Gravado em janeiro em uma casa na cidade de Arraial do Cabo, \u201cHome\u201d tem a produ\u00e7\u00e3o assinada por Bruno Giogi e apenas tr\u00eas faixas e um b\u00f4nus, \u201cHow Could You Pretend I Wouldn&#8217;t Notice?\u201d, que ganhou um divertido clipe explorando o potencial dan\u00e7ante da m\u00fasica e cujo refr\u00e3o cativante pode transforma-la em hit.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista realizada por e-mail, Pin B\u00f6ner e Line Lessa falam sobre o novo \u00e1lbum, o estigma de \u201cbanda de meninas\u201d e a falta de infraestrutura e investimento para fortalecer o cen\u00e1rio do rock no Rio de Janeiro: \u201cTemos, sim, excelentes bandas as quais sempre citamos, mas que precisam de uma infra legal para se fortalecer. E o p\u00fablico precisa desse est\u00edmulo\u201d. Confira!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TKZ-NirCX-s\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TKZ-NirCX-s\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 a trajet\u00f3ria da banda at\u00e9 agora?<\/strong><br \/>\nA Tipo U\u00edsque surgiu de maneira totalmente despretensiosa. Come\u00e7ou com a Larissa e a Pin, que se conheceram e decidiram montar uma banda logo depois da Larissa escutar a Pin cantarolando \u201cStarlight\u201d (do Muse).Desde ent\u00e3o a banda j\u00e1 teve algumas forma\u00e7\u00f5es, mas a forma\u00e7\u00e3o atual tem quase dois anos, quando, pouco antes de assinarmos com o Slap (selo de novas apostas da Som Livre), entraram os dois Gabri\u00e9is para comandar as guitarras (e acabar com o estigma de &#8220;banda de menininhas&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 o processo de composi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas? Algum letrista favorito?<\/strong><br \/>\nNormalmente as letras surgem de fontes diversas de inspira\u00e7\u00e3o. O processo de composi\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais espont\u00e2neo poss\u00edvel. Se tentarmos for\u00e7ar alguma coisa, n\u00e3o sai nada. A Line e a Pin t\u00eam uma liga\u00e7\u00e3o muito forte e tudo o que fazem acaba se complementando. Inclusive as letras s\u00e3o uma mistura (bem desordenada) das sensa\u00e7\u00f5es de cada uma. Temos alguns letristas favoritos: Dos gringos: Thom Yorke, Alex Turner (Arctic Monkeys), Emily Haines (Metric)&#8230;E dos nacionais: Caetano, Raul, Chico, a dupla Amarante\/Camelo, Gonzaguinha e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica \u201cFight It\u201d me chamou a aten\u00e7\u00e3o pela letra. Qual a hist\u00f3ria dessa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nO tecladinho de &#8220;Fight it&#8221; era s\u00f3 uma brincadeira que a Line come\u00e7ou a fazer entre uma m\u00fasica e outra (provavelmente alguns covers) enquanto a gente ensaiava. Acontece que a Pin come\u00e7ou a cantar uma melodia em cima. Logo a Line complementou a melodia, elas fecharam a letra, e a m\u00fasica surgiu. &#8220;Fight it&#8221; fala sobre a nossa pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o. Antes mesmo de a banda ter se mostrado, tivemos algumas dificuldades em lidar com as dores de cabe\u00e7a (inevit\u00e1veis) que um casamento entre 5 ou 6 pessoas pode causar. Mas no fundo, o que nos move \u00e9 o amor. O amor que existe entre cada um e o amor de cada um pela m\u00fasica. Sabemos que sem foco \u00e9 sempre mais dif\u00edcil chegar a algum lugar. Ent\u00e3o passamos por cima das nossas diverg\u00eancias e encaramos a m\u00fasica n\u00e3o s\u00f3 como o que ela representa pra gente, mas como um compromisso que precisa ser levado a s\u00e9rio, se \u00e9 isso o que mais importa. Make this an obligation!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00eas decidem quais as m\u00fasicas v\u00e3o entrar no \u00e1lbum? Uma banda com tantos integrantes deve ter algumas diverg\u00eancias.<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 que n\u00e3o rola tanta diverg\u00eancia quanto \u00e0 escolha de m\u00fasicas, n\u00e3o. Na verdade a gente leva em considera\u00e7\u00e3o a m\u00fasica como um todo (letra, harmonia, arranjo) e se ela estiver &#8220;redondinha&#8221;, ela t\u00e1 dentro. Temos algumas m\u00fasicas, j\u00e1 compostas h\u00e1 um tempinho, e que ainda n\u00e3o entraram em nenhum trabalho exatamente por ainda precisarem ser trabalhadas ou &#8220;podadas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com t\u00e3o pouco tempo de carreira, voc\u00eas chegaram ao palco do Lollapalooza. Como foi essa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nFoi uma grande honra receber esse convite da GEO (Eventos, produtora do Lollapalooza Brasil), al\u00e9m de uma baita responsabilidade. Abrigar um festival do porte do Lollapalooza \u00e9 motivo de grande alegria para o Brasil. Al\u00e9m de fortalecer este tipo de cultura por aqui, serve para que o brasileiro valorize os diferentes tipos de m\u00fasica, e conhe\u00e7a novos artistas, vindos de todos os lugares. (Para n\u00f3s) A experi\u00eancia foi incr\u00edvel. Tocar logo depois do show do Rappa, para um p\u00fablico gigantesco, num palco grande, com equipamento de primeira \u00e9 o que qualquer banda nova quer, n\u00e9? Al\u00e9m disso, gra\u00e7as ao Lollapalooza, em maio tocamos num ac\u00fastico na Macy&#8217;s, da Herald Square, em Nova York, com a banda We the Kings, e depois em um evento do WCT de surf, que vai rolar no Vivo Rio. E vamos abrir o show do Band of Horses. Que venham os pr\u00f3ximos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma recente discuss\u00e3o sobre as bandas que fazem sucesso muito cedo e logo chegam ao palco de grandes festivais, mas ainda n\u00e3o tem presen\u00e7a suficiente pra \u201cliderar\u201d um p\u00fablico t\u00e3o grande e misto. Voc\u00eas chegaram a sentir algum receio disso?<\/strong><br \/>\nO receio de encarar uma plateia numerosa sempre rola, mas, pelo menos no nosso caso, vira combust\u00edvel. Nos motiva a fazer um show porradeira, com pegada, bate\u00e7\u00e3o de cabe\u00e7a, ver a galera pulando e dan\u00e7ando&#8230; Liderar e mobilizar um grande p\u00fablico independe da carga de experi\u00eancia que a banda carrega (apesar de ajudar, obviamente), est\u00e1 muito mais relacionado ao poder que a banda tem de coes\u00e3o no palco, de entrosamento, de lide. O p\u00fablico acaba se deixando levar pela vibe da banda e \u00e9 isso que mobiliza. De qualquer forma, as plateias tem sido bem receptivas com a gente e respondido muito bem ao nosso som!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo EP se chama \u201cHome\u201d e voc\u00eas gravaram em uma casa em Arraial do Cabo. Como foram essas grava\u00e7\u00f5es? E qual o sentido de \u201ccasa\u201d no conceito do EP?<\/strong><br \/>\nAs grava\u00e7\u00f5es aconteceram na casa de praia que a Line tem em Arraial do Cabo. Foram tr\u00eas dias intensos, onde gravamos todos os instrumentos em diferentes c\u00f4modos (bateria na cozinha, guitarras nos quartos, etc), para captarmos a ambi\u00eancia de cada canto. O fato de termos optado por fazer um retiro numa casa, pra que todos participassem de cada passo da grava\u00e7\u00e3o e se sentissem \u00e0 vontade pra gravar, ajudou \u2013 \u00e9 claro \u2013 na escolha do nome do EP. Mas &#8220;Home&#8221;, pra gente, significa bem mais do que isso. O amadurecimento da banda, evidente nas composi\u00e7\u00f5es do EP, pediu um t\u00edtulo que mostrasse que n\u00e3o temos medo de mudar conforme crescemos por dentro. Casa \u00e9 onde a gente pode ser quem a gente realmente \u00e9. A nossa casa \u00e9 o reflexo da nossa personalidade, \u00e9 o lugar que muitas vezes testemunhou nosso desenvolvimento. \u00c9 onde a gente encontra conforto, seguran\u00e7a, prote\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de tudo, somos uma fam\u00edlia. Nada mais justo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este novo EP parece mais rock que o anterior. O que mudou?<\/strong><br \/>\nMuitas pessoas nos t\u00eam perguntado sobre isso. Certamente a diferen\u00e7a maior \u00e9 quanto ao amadurecimento da gente, tanto como banda quanto como pessoas. Mas essa mudan\u00e7a n\u00e3o foi proposital, ela aconteceu e vem acontecendo naturalmente e aos poucos. Costumamos dar este exemplo: Quando a Line e a Pin escreveram as m\u00fasicas do &#8220;Afague&#8221;, elas eram bem novas, tinham 16\/18 anos de idade. As m\u00fasicas do &#8220;Home&#8221; acompanham esse crescimento natural, s\u00e3o mais recentes, mas as influ\u00eancias s\u00e3o as mesmas de sempre, desde rock cl\u00e1ssico at\u00e9 m\u00fasica eletr\u00f4nica, passando por rock anos 90 e jazz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Js28Zcz98u0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Js28Zcz98u0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li que no primeiro EP voc\u00eas tiveram alguns contratempos, atrasos com o lan\u00e7amento. O que aconteceu?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s t\u00ednhamos acabado de assinar com o Slap e est\u00e1vamos bastante ansiosos para o lan\u00e7amento do nosso primeiro trabalho. E juntar ansiedade e prazo n\u00e3o d\u00e1 certo, n\u00e9?<br \/>\nAl\u00e9m disso a gente tem uma certa s\u00edndrome de perfeccionismo e quer sempre mexer nas m\u00fasicas at\u00e9 que elas fiquem exatamente (ou bem pr\u00f3ximas) como a gente quer. Por isso rolou esse atraso, mas nada que comprometesse o trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda tem um apelo visual forte e marcante e a Pin chegou a sair no caderno \u201cElla\u201d, devido ao seu visual extravagante. Li numa mat\u00e9ria que este apelo visual \u201cacompanha a m\u00fasica e linguagem visual que acreditam\u201d. Qual o conceito?<\/strong><br \/>\nQuanto \u00e0 linguagem visual a nossa regra \u00e9: sustente seu pr\u00f3prio estilo. Muitas pessoas pensam que usamos as nossas roupas e cabelos para conseguir um marketing maior ou algo do tipo&#8230; ledo engano! Todo mundo j\u00e1 carregava seu estilo (e cor de cabelo) mesmo antes de ser da banda. Certamente todos n\u00f3s temos nossas influ\u00eancias de moda e gostamos de nos vestir bem, mas n\u00e3o fazemos disso um &#8220;big deal&#8221;. Tanto a nossa m\u00fasica quanto o nosso estilo traduzem influ\u00eancias pessoais e diversas que, nessa mistureba toda, d\u00e1 certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro fato que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 ser uma banda onde a presen\u00e7a feminina \u00e9 predominante. S\u00f3 o fato de uma banda de rock com quatro integrantes mulheres ser vista como um diferencial e n\u00e3o com a mesma naturalidade que uma com quatro integrantes homens j\u00e1 demonstra que existe um sexismo ainda e n\u00e3o apenas na m\u00fasica. O que voc\u00eas acham disso?<\/strong><br \/>\nHoje em dia n\u00f3s tentamos lutar contra este estigma que colocam na gente de &#8220;banda de menininhas&#8221; (pobres Gabri\u00e9is!), at\u00e9 porque, normalmente, este estigma vem acompanhado de um vi\u00e9s pejorativo. N\u00f3s somos, sim, uma banda de seis pessoas que tocam rock e o que a gente busca \u00e9 que as pessoas nos julguem pela nossa m\u00fasica e n\u00e3o pelo nosso sexo. Mas, claro, n\u00e3o deixa de ser um ponto positivo para divulga\u00e7\u00e3o e sempre gera pautas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma vez voc\u00eas disseram que fizeram \u201ccompara\u00e7\u00f5es infames\u201d com outras bandas de mulheres.<\/strong><br \/>\nAh, \u00e9 exatamente como disse. Compara\u00e7\u00f5es feitas pelo sexo e n\u00e3o pela m\u00fasica. Comparam muito ao CSS, ao Copacabana Club, ao Ting Tings&#8230; bandas as quais admiramos muito e, inclusive, somos f\u00e3s, mas que n\u00e3o t\u00eam muito a ver conosco sen\u00e3o pelo fato de ter meninas na banda e letras em ingl\u00eas. O som \u00e9 bastante diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguma de voc\u00eas se identifica com o movimento Riot Girl ou ele j\u00e1 est\u00e1 ultrapassado?<\/strong><br \/>\nApesar n\u00e3o fazermos um som pesado, algumas integrantes da banda t\u00eam influ\u00eancia de bandas da cena Riot Grrrl (L7, Le Tigre, etc) sim. Quando come\u00e7amos a tocar, a banda era s\u00f3 de mulheres. Com o tempo, outras coisas (como a pr\u00f3pria sonoridade) se mostraram mais importantes do que passar a mensagem de que mulheres tamb\u00e9m podem tocar rock. Hoje em dia, j\u00e1 existem tantos s\u00edmbolos femininos no rock, que o preconceito (embora ainda exista) n\u00e3o nos atinge mais. Defendemos e muito os direitos das mulheres, mas, digamos, com um pouco menos de rebeldia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a cena no Rio, muitos dizem que \u00e9 o \u201ct\u00famulo do rock\u201d e ainda \u00e9 comum muita gente migrar pra S\u00e3o Paulo. O Alexandre Kumpinski, da Apanhador S\u00f3, me disse que em sua vis\u00e3o o Rio \u00e9 fechado pra cena de rock independente, principalmente para as bandas que vem de fora. Eu soube que voc\u00eas acham que falar em \u201ct\u00famulo do rock\u201d \u00e9 um exagero. Como o cen\u00e1rio carioca tem se fortalecido, na opini\u00e3o de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nCertamente o (cen\u00e1rio do) Rio ainda deve crescer (como j\u00e1 vem crescendo) em rela\u00e7\u00e3o a sustentar uma cena, acompanhar bandas novas, ter um p\u00fablico mais proativo, etc.\u00a0Mas essa &#8220;m\u00e1 fama&#8221; se deve muito mais \u00e0 falta de estrutura e investimento (de boas casas de show de pequeno e m\u00e9dio porte, de produtores que paguem bons cach\u00eas, etc) do que ao desinteresse do p\u00fablico carioca. Temos, sim, excelentes bandas as quais sempre citamos, mas que precisam de uma infra legal para se fortalecer. E o p\u00fablico precisa desse est\u00edmulo. A vinda do Studio RJ foi um \u00f3timo grande passo, por exemplo.Reconhecemos e somos muito gratos ao cen\u00e1rio underground carioca, at\u00e9 porque foi ele que nos deu o pontap\u00e9 inicial, mas sabemos que estamos numa fase de transi\u00e7\u00e3o e ainda h\u00e1 muito que ser feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas ainda n\u00e3o gravaram um \u00e1lbum cheio, mas j\u00e1 tem m\u00fasicas em novela e contrato com um selo importante. Aos poucos a banda inevitavelmente vai perder o status de \u201caposta\u201d e fazer parte do jogo. Isso preocupa voc\u00eas? Como se manter relevante numa \u00e9poca em que aparece muitas novidades o tempo todo?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s n\u00e3o nos preocupamos, pois n\u00e3o nos deslumbramos e nem nos apegamos ao r\u00f3tulo de &#8220;aposta&#8221;. Nossa preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em fazer a nossa m\u00fasica da melhor maneira poss\u00edvel e de criar um bom p\u00fablico. Sabemos dessa &#8220;era de efemeridades&#8221; que rola, mas ao mesmo tempo em que a internet traz e leva muita novidade (com certa falta de filtro, convenhamos), ela \u00e9 nossa aliada (atrav\u00e9s dela o Slap nos conheceu, ora ora). N\u00f3s podemos ser considerados uma &#8220;banda de internet&#8221;, pois estamos sempre produzindo visando as redes sociais. Ali\u00e1s, respondendo a pergunta, de repente esta \u00e9 a nossa receita para &#8220;se manter relevante&#8221;: produzir o m\u00e1ximo de conte\u00fado online poss\u00edvel, criar in\u00fameros virais, estourar nas r\u00e1dios e na TV, ficar famosos e bilion\u00e1rios e conquistar o mundo. Tamo quase l\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas disseram uma vez: \u201cSe estamos conseguindo fazer as pessoas sentirem e compartilharem a mensagem que queremos, estamos satisfeitos\u201d. Como tem sido pra voc\u00eas a resposta do p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nO p\u00fablico tem sido extremamente carinhoso e gentil com a gente. Definitivamente n\u00e3o podemos reclamar. J\u00e1 temos f\u00e3 clube, f\u00e3s n\u00ba 1 (que acabam virando nossos amigos), mobiliza\u00e7\u00e3o de pessoas que curtem o nosso trabalho para divulgar a banda, pessoas cantando nos shows&#8230; Nessa hora a gente pensa que tudo vale a pena. O nosso objetivo \u00e9 fazer com que mais e mais pessoas conhe\u00e7am a Tipo U\u00edsque e espalhem o nosso som por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda tem planos para algum \u00e1lbum cheio em breve?<\/strong><br \/>\nPor ora a gente n\u00e3o pensa em um \u00e1lbum cheio, pois acabamos de lan\u00e7ar um compacto e queremos divulg\u00e1-lo ao m\u00e1ximo. Mas quem sabe? De repente no ano que vem surge um CD por a\u00ed, vamos ver! Mas, por enquanto, a gente quer mesmo \u00e9 mostrar o &#8220;Home&#8221; pra todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ERDI4q3BZvY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ERDI4q3BZvY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Texto por Renata Arruda (<\/span><a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/renata_arruda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@renata_arruda<\/a><span>). jornalista e colaboradora do Scream &amp; Yell, da empresa <\/span><a href=\"http:\/\/www.teialivre.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teia Livre<\/a><span>, da <\/span><a href=\"http:\/\/revistasnovitas.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Cultural Novitas<\/a><span> e respons\u00e1vel pelo blog <\/span><a href=\"http:\/\/escrevedora.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Escrevedora<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Renata Arruda\nPin B\u00f6ner e Line Lessa falam sobre o novo \u00e1lbum, o estigma de \u201cbanda de meninas\u201d e a falta de infra do cen\u00e1rio no Rio de Janeiro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/20\/entrevista-tipo-uisque\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14507"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14507"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14507\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73528,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14507\/revisions\/73528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}