{"id":14351,"date":"2012-05-13T21:49:49","date_gmt":"2012-05-14T00:49:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=14351"},"modified":"2012-07-19T01:03:35","modified_gmt":"2012-07-19T04:03:35","slug":"balanco_sonar_sp_2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/13\/balanco_sonar_sp_2012\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o S\u00f3nar S\u00e3o Paulo 2012"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14352\" title=\"sonar11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar11.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Balan\u00e7o S\u00f3nar S\u00e3o Paulo 2012<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cQuando falamos do S\u00f3nar parece que estamos falando de tecnicismos, coisas especializadas e intelectuais, e essa n\u00e3o \u00e9 nossa inten\u00e7\u00e3o. O festival \u00e9 aberto para todo mundo. H\u00e1 uma viv\u00eancia, uma experi\u00eancia em participar do festival que \u00e9 apresentada de uma forma totalmente aberta a todos\u201d<\/em>, Enric Palau em entrevista ao Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse par\u00e1grafo, j\u00e1 no fim do bate papo por telefone de um dos criadores do S\u00f3nar, na Espanha, com o editor do Scream &amp; Yell, acenava uma pequena preocupa\u00e7\u00e3o na forma com que o festival poderia ser recebido pelo p\u00fablico brasileiro. Ser\u00e1 que a veia intelectual do festival iria afastar as pessoas (mesmo com pesos pops como Cee Lo Green e Criolo no line-up)? Qual seria o p\u00fablico que iria bater ponto no evento? Com quem estamos falando? D\u00favidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados os dois dias do S\u00f3nar S\u00e3o Paulo, pode se dizer que o aceno de preocupa\u00e7\u00e3o deu lugar \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o que a edi\u00e7\u00e3o 2012 do festival na capital paulista tenha sido impec\u00e1vel, muito pelo contr\u00e1rio (atrasos constantes e uma sinaliza\u00e7\u00e3o pouco eficiente da localiza\u00e7\u00e3o dos palcos incomodaram muito), mas se os ingressos n\u00e3o esgotaram nas bilheterias, um \u00f3timo p\u00fablico marcou presen\u00e7a credenciando futuras edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fugir da cobertura \u00f3bvia, o Scream &amp; Yell optou por levar ao festival uma equipe de cinco profissionais (quatro rep\u00f3rteres, uma fot\u00f3grafa). Assim como fizemos na cobertura do Planeta Terra 2011, o que nos interessava era mostrar\/chocar a experi\u00eancia destes quatro profissionais no festival (livres para ver o show que quisessem) buscando assim criar um painel mais amplo do que realmente aconteceu no Anhembi nestes dois dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro, n\u00e3o conseguimos ver todos os shows \u2013 e nos sentimos desobrigados disso. A ideia era acompanhar o festival, viver a experi\u00eancia, tentar entender o que estava acontecendo e, no meio disso tudo, assistir aos shows, beber cerveja e descobrir nomes que n\u00e3o conhec\u00edamos. O avan\u00e7ado do hor\u00e1rio (tanto quanto o hor\u00e1rio mais cedo dos primeiros nomes do s\u00e1bado) derrubou alguns nomes que quer\u00edamos ver, mas n\u00e3o vamos chorar sobre o u\u00edsque derramado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 conferir os relatos de <strong>Andrea Fabiana<\/strong> (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/deafabiana\" target=\"_blank\">@deafabiana<\/a>), <strong>Andressa Monteiro<\/strong> (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/monteiroac\" target=\"_blank\">@monteiroac<\/a>), <strong>Leonardo Vinhas<\/strong> (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) e <span style=\"color: #000000;\"><strong>Marcelo Costa<\/strong><\/span> (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) ilustrados pelas fotos de <strong><span style=\"color: #000000;\">Liliane Callegari<\/span><\/strong> (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/licallegari\" target=\"_blank\">@licallegari<\/a>). E a participa\u00e7\u00e3o de <strong>Bruno Capelas<\/strong> (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/noacapelas\" target=\"_blank\">@noacapelas<\/a>), que gostaria de estar no Anhembi, mas acabou optando por outro roteiro. N\u00e3o \u00e9 apenas S\u00f3nar, \u00e9 S\u00e3o Paulo. No fim, o que temos n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um retrato borrado (\u00e0s vezes feliz, outras triste) de um festival, mas um r\u00e1pido reflexo no espelho de uma cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o S\u00f3nar. Essa \u00e9 S\u00e3o Paulo. E esses somos n\u00f3s. Embarque na experi\u00eancia.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong>Festival S\u00f3nar \u2013 Primeiro Dia<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14353\" title=\"sonar2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">18-20h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Andrea Fabiana<\/span><\/strong> \u2013 Deixei o trabalho na Berrini (para quem n\u00e3o \u00e9 de S\u00e3o Paulo: \u00e9 longe pacas) \u00e0s 18h30 com o Mac e perto das 19h15 chegamos a casa dele, perto da Paulista, para encontrar a Andressa, a Liliane e o Leonardo.  R\u00e1pido esquenta (sem \u00e1lcool) ao som de Kraftwerk e El Cuarteto de Nos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro<\/strong> &#8211; Tr\u00e2nsito da Paulista, e no som Stevie Wonder! N\u00e3o tive vontade de escutar nada antes, pois queria saber o que estava por vir. Confesso que a minha impress\u00e3o mudou completamente quando cheguei ao Anhembi&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas<\/strong> &#8211; Sabe aquele dia que voc\u00ea percebe que est\u00e1 todo mundo indo fazer alguma coisa e s\u00f3 voc\u00ea que n\u00e3o? Ent\u00e3o, sexta-feira aconteceu isso comigo: todo mundo na reda\u00e7\u00e3o onde eu trabalho s\u00f3 pensava no S\u00f3nar e no James Blake e no dubstep e no Kraftv\u00e9rqui, enquanto eu me preparava para o show dos Los Hermanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas<\/strong> &#8211; Resolvi abrir a cabe\u00e7a para encarar de esp\u00edrito aberto a primeira maratona de shows, e deixei &#8220;We Built This City&#8221;, do Starship, no repeat em meu MP3 player durante o trajeto da Vila Leopoldina, onde trabalho, at\u00e9 a parte central da Bela Cintra, que \u00e9 onde o Mac mora. A ideia era ficar com uma m\u00fasica t\u00e3o merda na cabe\u00e7a que qualquer coisa que viesse depois seria muito bem recebida. N\u00e3o deu muito certo: logo eu estava cantando o refr\u00e3o entusiasmadamente e me lamentando por n\u00e3o ter um terno colorido e um mullet anos 80. Mea culpa. J\u00e1 na casa do Mac, a esposa dele me salva, deixando \u201cRadioactivity\u201d rolar solto. Que disco lindo! Equipe agrupada, vamos eu, Andressa e Andrea de metr\u00f4 at\u00e9 o Tiet\u00ea, e de l\u00e1, t\u00e1xi. Chegamos r\u00e1pido. Obrigado, Linha Amarela!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa<\/strong> \u2013 Passei boa parte do dia imaginando uma forma r\u00e1pida de driblar o transito e o caos de S\u00e3o Paulo numa sexta-feira. Imposs\u00edvel. O S\u00f3nar S\u00e3o Paulo prometeu abrir os port\u00f5es \u00e0s 19h, mas ningu\u00e9m chega a lugar nenhum em S\u00e3o Paulo \u00e0s 19h de um dia normal, qui\u00e7a de uma sexta-feira. Deixei o trabalho na Berrini um pouco mais cedo e encarei o trem mais cheio do que o normal (a express\u00e3o \u201clata de sardinha\u201d ganha perpetuidade todo dia na capital paulista), e o metr\u00f4 um pouco mais sossegado. Foi poss\u00edvel chegar em casa nos mesmos 45 minutos di\u00e1rios. Detalhe: j\u00e1 tentei pegar taxi Berrini\/Paulista e o m\u00e1ximo que ele consegue fazer \u00e9 em torno de 55 minutos. Linha Amarela &lt;3<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14407\" title=\"sonar24\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar24.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">20-22h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana<\/strong> &#8211; Festival grande em plena sexta-feira p\u00f3s-labuta \u00e9 dif\u00edcil. E como. Alguns m\u00fasculos do p\u00e9 me indicavam que iria ser uma noite complicada. Empolguei-me ao passar pela catraca do credenciamento e receber os \u00f3culos 3D para o show do Kraftwerk. Devo ter soltado um gritinho rid\u00edculo na frente do seguran\u00e7a, que me deu um olhar de desprezo. Passamos pelos stands dos patrocinadores e chegamos \u00e0 porta do Sonar Hall, mas apenas entramos para ver se ach\u00e1vamos algu\u00e9m que nos pudesse indicar a localiza\u00e7\u00e3o da sala de imprensa. Com a vaga ajuda de algumas placas, finalmente conseguimos achar. N\u00e3o pensei duas vezes e fui logo bebendo dois copos cheios de caf\u00e9, pois sabia que seriam necess\u00e1rios.  Encontrei uma amiga, que j\u00e1 soltou sua primeira reclama\u00e7\u00e3o: \u201cEst\u00e3o cobrando R$ 5 reais por dois Twix&#8230; MINI!!\u201d. Dei risada e s\u00f3 consegui dizer \u201cTenso\u201d. Corremos ent\u00e3o para assistir ao DJ set de James Blake no Sonar Club.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro <\/strong>\u2013 Peguei o show do James Blake do meio para o final. Ele conseguiu, de maneira atrativa, casar entretenimento visual com som. As imagens utilizadas tinham uma hist\u00f3ria, um apelo, aquela vontade de ver mais. \u00danico problema: ele acabou tocando mais de duas horas e n\u00e3o foi l\u00e1 muito receptivo com a plateia. Acabou o show e fui circular. O modo com que as pessoas se portavam me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Fiquei imaginando quanto daquelas pessoas realmente conheciam o que estavam ouvindo, ou se apenas estavam presentes por causa do status que o evento representava. Sabe aquela coisa: \u201cAdoro esta banda, mas s\u00f3 conhe\u00e7o uma m\u00fasica que foi trilha daquele filme ou tocou na casa de um amigo?\u201d. Quem j\u00e1 n\u00e3o passou por isso, certo? Eu mesma fui com o intuito de descobrir e me surpreender com coisas novas, mas ao contr\u00e1rio disso, vi pouqu\u00edssima intera\u00e7\u00e3o. Tinha a sensa\u00e7\u00e3o de estar em uma balada, onde as pessoas apareciam para ver e serem vistas. Um desfile de moda, de tend\u00eancias, do high tech, do moderno e do descolado. Se o festival queria ir nessa dire\u00e7\u00e3o e atingir um p\u00fablico-alvo espec\u00edfico, conseguiu cumprir a meta com sucesso. Deixei os pensamentos de lado e fui conferir o SonarCinema. Resolvi passar por l\u00e1 com a minha cervejinha na m\u00e3o e logo o seguran\u00e7a alertou que n\u00e3o seria permitida a entrada com bebidas alco\u00f3licas ou c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas. Perdeu uma espectadora. N\u00e3o me atrevi a perguntar o que mais n\u00e3o podia fazer, com medo de ele puxar uma lista grande de proibi\u00e7\u00f5es. Engra\u00e7ado, n\u00e9? O p\u00fablico consome a bebida no local, mas n\u00e3o pode entrar em certos lugares com o que comprou? Mais uma novidade, s\u00f3 que dessa vez, nem t\u00e3o boa assim. Fui para o Cut Chemist e durante a performance, ouvi um trecho de Beastie Boys sendo tocada. Fiquei feliz com a lembran\u00e7a e homenagem feita ao MC Adam Yauch. Esse fragmento de momento foi o que me deixou mais animada para o resto da noite, que s\u00f3 estava come\u00e7ando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas <\/strong>&#8211; \u201cDo outro lado da cidade\u201d, como cantou Roberto Carlos, e me arrependendo amargamente de n\u00e3o ter sido m\u00e3o de vaca tr\u00eas anos antes e ter pulado o Just a Fest, l\u00e1 estava eu na Barra Funda para ver Amarante, Camelo e companhia bela. No t\u00e1xi &#8211; n\u00e3o peguei o metr\u00f4 porque s\u00f3 tenho amigo enrolado &#8211; e na fila pra entrar no Espa\u00e7o das Am\u00e9ricas, eu tentava entender como \u00e9 que eu tinha chegado ali. Eu sustentava uma rela\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio com os barbudos mais barbudos da cidade: ao mesmo tempo em que algumas de suas can\u00e7\u00f5es faziam meu cora\u00e7\u00e3o pular uma batida (&#8220;O Vento&#8221;, &#8220;Sentimental&#8221;, &#8220;Condicional&#8221;), outras me davam um t\u00e9dio e desgosto tremendo (&#8220;Morena&#8221;, &#8220;Retrato pra Iai\u00e1&#8221;, &#8220;A Outra&#8221;). Al\u00e9m disso, apesar de ter tido tempo para curtir a banda ainda na sua \u00e9poca ativa, s\u00f3 fui mesmo me interessar pelos Loser Manos l\u00e1 para 2007, 2008, por causa de uma ex (\u00e9 sempre assim). Passei batido pelas turn\u00eas de volta da banda, e acho que s\u00f3 fui parar na Barra Funda por for\u00e7a da insist\u00eancia de dois amigos: &#8220;P\u00f4, \u00e9 a banda da nossa gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 o zeitgeist, voc\u00ea n\u00e3o pode deixar o zeitgeist pra tr\u00e1s&#8221;, disse um deles. Fui facilmente convencido, eu sei. Ao entrar, os alto-falantes horr\u00edveis do Espa\u00e7o das Am\u00e9ricas \u2013 desisti de entender porque ainda fazem shows l\u00e1 depois da caixa roufenha em \u201cHow Soon is Now?\u201d, em mar\u00e7o \u2013 tocavam o que identifiquei como &#8220;Wish You Were Here&#8221;. Poucas vezes essa m\u00fasica fez tanto sentido, como se as sete mil camisas xadrezes presentes ali quisessem parar o tempo-espa\u00e7o por pouco mais de duas horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas <\/strong>&#8211; A rapidez da chegada mostra-se ineficaz gra\u00e7as \u00e0 (des)organiza\u00e7\u00e3o do fetsival. A procura pela sala de imprensa \u2013 onde pretend\u00edamos deixar nossas bolsas e mochilas \u2013 demora, j\u00e1 que n\u00e3o havia muita sinaliza\u00e7\u00e3o, e no fim, n\u00e3o tinha onde guarda-las. Um Anhembi semivazio fica alheio \u00e0 nossa busca e&#8230;e o que mesmo? O tal papo de &#8220;m\u00fasica inovadora&#8221; tinha me deixado curioso. Estava crente de que ia encontrar um povo mutcho loco, gente que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea todos os dias. Mas julgando pelo palco S\u00f3nar Village, parecia que eu tinha pego a Linha Verde no sentido Augusta numa noite de sexta. Passam-se alguns minutos, e o panorama muda: j\u00e1 vira um povo meio Vila Madalena. Se voc\u00ea mora em S\u00e3o Paulo, sabe do que estou falando. Se n\u00e3o, nem esquenta que eu resumo: o primeiro povo \u00e9 metido a besta e o segundo \u00e9 coxinha. Cerveja (Miller, R$ 7,00) em m\u00e3os, e j\u00e1 na companhia do Mac, vamos em busca de outros palcos. A desorganiza\u00e7\u00e3o atrapalha mais uma vez: dif\u00edcil identificar o que \u00e9 o que (n\u00e3o tem uma \u00fanica faixa nomeando os palcos). Quando chegamos ao S\u00f3nar Hall, descobrimos que n\u00e3o podemos entrar com cervejas ou m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas nem l\u00e1 nem no Sonar Cinema. Desencanamos de tudo: o Mac vai dar um rol\u00ea, eu e a Andressa ficamos conversando sobre Neil Strauss, sexo t\u00e2ntrico e Jesus. T\u00e1, menti sobre um desses t\u00f3picos. Mas os outros dois s\u00e3o verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Marcelo Costa <\/span><\/strong>&#8211; Brinde de sexta-feira \u00e0 noite: um taxista que n\u00e3o sabe chegar ao Anhembi. E n\u00e3o tem GPS. Sei que voc\u00ea j\u00e1 come\u00e7a a duvidar da credibilidade do tiozinho, mas ele estava na maior boa-f\u00e9, s\u00f3 que perdido \u2013 e me fazendo atrasar mais. Errou o caminho tr\u00eas vezes, deu uma baita volta desnecess\u00e1ria no Samb\u00f3dromo, e quando parou o carro em frente \u00e0 entrada do festival, se desculpou: \u201cN\u00e3o costumo fazer esse trajeto, me desculpa. Vou tirar R$ 10 do pre\u00e7o final pelas entradas erradas\u201d. J\u00e1 dentro do festival, come\u00e7ou um r\u00e1pido cen\u00e1rio de caos de organiza\u00e7\u00e3o. Pessoas que haviam comprado ingressos pela internet formaram uma fila de quase 2 mil almas recebidas por tr\u00eas atendentes. Decis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o: \u201cFala pro James Blake enrolar a galera que vamos atrasar todos os shows\u201d. Ent\u00e3o \u00e9 isso: investe-se em um APP do festival e distribuem-se 10 mil mapas com localiza\u00e7\u00e3o e hor\u00e1rios, mas os hor\u00e1rios deixam de ser cumpridos e todo mundo que se organizou em casa para ver este ou aquele show perde todo o trabalho, o hor\u00e1rio dos shows (tel\u00f5es est\u00e3o ali pra que?), a dire\u00e7\u00e3o dos palcos (com sinaliza\u00e7\u00e3o nula) e ainda tem que aguentar um cara com o m\u00ednimo senso de carisma enrolar numa discotecagem. Mas s\u00e3o coisas de um primeiro dia de um novo festival, e a gente tem que aceitar esperando que no futuro (de prefer\u00eancia, no dia seguinte), tudo volte ao normal.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14355\" title=\"sonar4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">22-00h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana <\/strong>\u2013 O som de James Blake come\u00e7ou devagar e o espa\u00e7o ainda estava relativamente vazio. Coincidiu que, ao acelerar o ritmo de suas m\u00fasicas, o Sonar Club foi enchendo cada vez mais, com as pessoas andando e dan\u00e7ando ao mesmo tempo. Eu, que n\u00e3o alcan\u00e7o os 1,60m de altura, tive que optar pela lateral vazia, pra conseguir enxergar alguma coisa. E eu queria ver de perto! Entre uma m\u00fasica e outra, ouviam-se os coment\u00e1rios \u201cesse cara \u00e9 gato, viu!\u201d. E sim, confesso, eu fazia parte desse grupo. A discotecagem me agradou mesmo quando come\u00e7ou um leve pancad\u00e3o que me fez dan\u00e7ar um pouquinho mais do que apenas mexer o p\u00e9. O momento \u00e1pice foi quando ele apresentou os remixes de \u201cSoldier\u201d, do Destiny&#8217;s Child, e outra do disco solo da Beyonc\u00e9. \u201cHmmm&#8230; Se revelou com essas m\u00fasicas!\u201d, disse algu\u00e9m, mas preferi n\u00e3o pensar sobre o assunto. E n\u00e3o quero at\u00e9 agora. O cara \u00e9 muito gato. Nem me importei com a aus\u00eancia de intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Umas 23h e pouco, ele bateu palmas para os presentes, vestiu o casaco e saiu do palco ao som dos gritos da galera.  Ap\u00f3s uns 20 minutos, j\u00e1 com a maioria usando os \u00f3culos 3D (e teve quem dispensou), entrou Kraftwerk. O show foi aberto com \u201cThe Robots\u201d, que foi cantada de forma empolgada pelo p\u00fablico. Os efeitos 3D s\u00e3o um pobrinhos, mas decidi prestar aten\u00e7\u00e3o no show em si e curti do mesmo jeito. Eu tinha planejado escapar para ver o Criolo, mas bastou tocar \u201cMan Machine\u201d pra eu ficar amarrada no Sonar Club.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro <\/strong>\u2013 Kraftwerk:  um show muito bem planejado e executado, mas n\u00e3o passou disso. Os f\u00e3s pareciam gostar do que viam, mas n\u00e3o sei se posso dizer o mesmo sobre os curiosos \u2013 que estavam l\u00e1 para se familiarizar. A qualidade do som estava boa, mas faltou emo\u00e7\u00e3o. Parecia que os mesmos rob\u00f4s frios e mec\u00e2nicos das imagens exibidas na abertura de \u201cThe Robots\u201d criaram vida e substitu\u00edram os verdadeiros integrantes de carne e osso do grupo. Um amigo disse, e tive que concordar: \u201cSe voc\u00ea tocar o disco em casa, vai soar do mesmo jeito\u201d. Sa\u00ed e fui para o show do Criolo, mas me perdi. A pouca sinaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ajudava. Eram apenas tr\u00eas palcos, com uma estrutura gigantesca, mas eu olhava para o lado e via a express\u00e3o das pessoas, como querendo dizer: \u201cOnde a gente est\u00e1?\u201d. Um cara at\u00e9 parou e disse: \u201cAinda t\u00e1 rolando o show do Kraftwerk? Sabe me dizer onde \u00e9?\u201d. Por sorte, ele teve as indica\u00e7\u00f5es que demorei a conseguir, mas finalmente achei o Sonar Hall, com o palco montado em um teatro, com cadeiras, mas quem quisesse levantar e dan\u00e7ar, tamb\u00e9m tinha toda a liberdade (mas, lembre-se: n\u00e3o podia entrar com cerveja). \u201cN\u00e3o Existe Amor em SP\u201d trouxe imagens mostrando pontos diversos da cidade no tel\u00e3o, e gostei mais das proje\u00e7\u00f5es do que da letra cantada. Havia uma preocupa\u00e7\u00e3o em contar, por meio de fotografias contextualizadas, a hist\u00f3ria e o significado da can\u00e7\u00e3o.  O show seguiu, ele tocou as famosas e animou todo mundo. Era um p\u00fablico diferente, despreocupado, caloroso, que curtia o momento, e parecia mais animado, solto e menos preocupado em \u201canalisar\u201d ou entender a m\u00fasica feita. No meio do show, o n\u00famero de pessoas aumentava. Enquanto uns entravam, outros saiam pulando, felizes e satisfeitos com o que tinham presenciado. O show terminou bonito, com ele agradecendo: \u201cVoc\u00eas poderiam estar em outros lugares, mas escolheram ficar aqui. Muito obrigado!\u201d. Querendo ou n\u00e3o, Criolo tem carisma e soube levar o show com qualidade, sem altos e baixos. A banda que o acompanhava era excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas <\/strong>&#8211; Com quinze minutos protocolares de atraso, Camelo, Amarante, Medina e Barba (e companhia limitada) foram recebidos no palco com uma ova\u00e7\u00e3o inacredit\u00e1vel. Talvez estivesse a\u00ed a grande for\u00e7a desse show: ver a vibra\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Era dif\u00edcil n\u00e3o se arrepiar quando bra\u00e7os se erguiam para berrar refr\u00e3os como \u201ce a banda diz, assim \u00e9 que se faz\u201d ou os \u201colha l\u00e1\u201d de \u201cO Vencedor\u201d, a bem da verdade. Mas, nesse caso, o que \u00e9 virtude tamb\u00e9m \u00e9 problema: n\u00e3o importava se o som estava muito ruim, com guitarras muito altas, pouca equaliza\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de detalhes, chegando \u00e0 plateia como um disforme tijolo sonoro. N\u00e3o importava muito bem tamb\u00e9m se a banda errava um bocado ou se perdia na execu\u00e7\u00e3o em alguns momentos \u2013 por vezes, a bateria bem executada de Barba parecia estar \u00e0 frente ou atr\u00e1s do que os outros m\u00fasicos faziam no palco. O que valia \u00e9 que aquelas can\u00e7\u00f5es \u2013 incluindo os grandes momentos de \u201cO Vento\u201d, \u201cCara Estranho\u201d, \u201cDeixa o Ver\u00e3o\u201d e \u201cAzedume\u201d \u2013 estivessem sendo tocadas ali, quase como se os hermanos investissem em um cover de si mesmos. \u00c9 pouco para a banda brasileira mais influente dos \u00faltimos quinze anos. (Repito: influente. Mais uma vez: influente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas <\/strong>&#8211; Passando pelo Sonar VIllage, vemos no palco&#8230; Danilo Gentili de terno tendo espasmos? N\u00e3o, era o final do DJ set do James Pants. Parecia ter sido animado \u2013 o figura, pelo menos, n\u00e3o parava quieto no palco, e a m\u00fasica parecia bem aud\u00edvel. Mas o p\u00fablico estava mais preocupado em ser visto que ver. N\u00e3o frequento a cena eletr\u00f4nica, mas imagino que \u00e9 de bom tom dan\u00e7ar em um DJ set. Mas n\u00e3o estava rolando. Pena. Parecia ter sido legal. Muitas e muitas pernadas depois (n\u00e3o foi f\u00e1cil achar o SonarClub), Kraftwerk com o show 3D. Meu Deus, eles est\u00e3o abrindo com &#8220;The Robots&#8221;! Nunca a maquiniza\u00e7\u00e3o do homem foi t\u00e3o bem resumida, tampouco emoldurada numa melodia t\u00e3o bela! E olha s\u00f3: est\u00e1 igualzinha \u00e0 vers\u00e3o do disco \u201cThe Mix\u201d! Muito igual&#8230; Hm&#8230; Depois de algumas m\u00fasicas, decido que est\u00e1 tudo MUITO igual MESMO. \u00c9 praticamente o disco em alto e l\u00edmpido volume. Ok, tem as proje\u00e7\u00f5es 3D. Mas a coisa \u00e9 toda meio \u201cAvatar\u201d: muito artif\u00edcio bonito, mas falta a hist\u00f3ria. E o Kraft tem hist\u00f3ria. Mas n\u00e3o estava aparecendo. Incr\u00edvel: o show que eu mais queria ver me desaponta. Tudo executado t\u00e3o perfeito que fica&#8230; &#8220;maqu\u00ednico&#8221;, como diria Gilberto Gil. Pode ser essa a proposta da banda, e provavelmente \u00e9. Mas n\u00e3o era pra mim naquela noite. Mantendo o esp\u00edrito de &#8220;manter a cabe\u00e7a aberta&#8221;, passo ao show do Criolo. Em disco, o rapaz nunca me convenceu, e o hype s\u00f3 fazia piorar as coisas (comparar &#8220;N\u00e3o Existe Amor em SP&#8221; com &#8220;Ronda&#8221; \u00e9 como comparar legendas de fotos do Facebook com versos do Mario Quintana). Me parecia que o maior poder dele era ativar a produ\u00e7\u00e3o de fluidos vaginais nas reda\u00e7\u00f5es de revistas femininas e salas de aula da FAAP. Amigos tinham me dito, entretanto, que ao vivo a coisa fazia sentido musicalmente. E fez. E como fez. Acompanhado de uma banda muito boa, com m\u00fasicos que conhecem de fato seus instrumentos, Criolo manda um groove f\u00e1cil e bonito, mas nada simpl\u00f3rio. Contagiou, conclamou \u00e0 dan\u00e7a e foi, aos poucos, lotando o S\u00f3narHall; as can\u00e7\u00f5es se sucediam e o tempo passava c\u00e9lere (sempre quis usar essa frase). N\u00e3o \u00e9 impec\u00e1vel (tem umas can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o d\u00e3o liga, como um boler\u00e3o brega e um reggaezinho nheco-nheco), mas deu para aproveitar o momento de baixa para ver um pouco do DOOM no SonarVillage (uma barulheira da porra e muita gente dan\u00e7ando, entre eles manos verdadeiros e manos wannabe). De volta ao Criolo, ainda vejo ele fechar o show com humildade e discri\u00e7\u00e3o. Em est\u00fadio ele continua n\u00e3o me convencendo. Por\u00e9m, ao vivo ele me fez ignorar a \u00fanica chance de ver uma banda que escuto desde os oito anos de idade. Bom quebrar os pr\u00f3prios preconceitos, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa <\/strong>\u2013 A ideia era ver um pouquinho do Cut Chemist, mas o atraso vitimou o show na minha agenda pessoal: 22h55 (o show estava marcado para \u00e0s 22h30) parti feliz para o SonarClub, onde o Kraftwerk deveria mostrar sua hist\u00f3ria (agora em vers\u00e3o 3D) a partir das 23h. Deveria. James Blake ainda brincava de DJ quando cheguei ao local, o que possibilitou encher novamente meu copo de cerveja. O show come\u00e7ou exatamente meia hora atrasado (desculpa ae, Cut, deveria ter ficado), mas assim que \u201cThe Robots\u201d deu o start na apresenta\u00e7\u00e3o, a emo\u00e7\u00e3o tomou conta da raz\u00e3o. O 3D tosco, embora funcional, rendeu bons momentos (principalmente para quem estava colado no palco), e uma aula de hist\u00f3ria foi jogada no colo do p\u00fablico (ainda mais sintom\u00e1tico quando um show desses acontece em um festival de m\u00fasica avan\u00e7ada). Eu s\u00f3 conseguia pensar: \u201cImagina esse mesmo show numa sala do MOMA!\u201d.  N\u00e3o que tenha sido perfeito. A dobradinha \u201cTour de France 1983 \/ 2003\u201d soou longa demais, e talvez esse seja um dos raros shows de m\u00fasica que n\u00e3o deveriam passar de uma hora de dura\u00e7\u00e3o (no S\u00f3nar S\u00e3o Paulo foi uma hora e meia), porque acaba tornando-se repetitivo, mas ainda assim (ap\u00f3s 17 m\u00fasicas) deixei o local com um sorriso de orelha a orelha. Baita show. Hist\u00f3ria com H ma\u00edusculo (para os olhos e ouvidos). Ok, assumo: dei uma fugidinha r\u00e1pida no meio do show para olhar a apresenta\u00e7\u00e3o do Criolo. Consegui ficar 1 minuto e 53 segundos e confirmar que a postura s\u00e9ria e maleta do personagem contaminou o tes\u00e3o que eu sentia pelas can\u00e7\u00f5es. Uma pena, mas de boas can\u00e7\u00f5es o inferno (felizmente) est\u00e1 cheio. Music Non Stop.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14356\" title=\"sonar5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar5.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">00-02h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana <\/strong>&#8211; Aquela amarra\u00e7\u00e3o que comentei antes durou pouco. Me deu um momento de ansiedade perto do fim do Kraftwerk e quis dar uma volta. A minha companhia topou e sugeriu irmos para o Sonar Village, onde estavam outros conhecidos. Antes disso, passei no bar e dei gra\u00e7as a Deus pelas filas rapidinhas. De fato, a \u00fanica fila \u201cgrande\u201d que peguei foi a do banheiro, que j\u00e1 foi bom porque n\u00e3o era qu\u00edmico. Dou valor demais a banheiro de verdade, talvez. O clima no Village estava bastante agrad\u00e1vel, com muita gente, mas tranquilo para circular. Cheguei bem no come\u00e7o do set do DJ Zegon com o Sonidos Unidos Sound System, que estava com meia hora de atraso (como quase todos os shows no festival), mas isso acabou sendo positivo pra quem queria ver um pouco dos palcos Club e Village naquele hor\u00e1rio. O  cansa\u00e7o j\u00e1 estava marcando presen\u00e7a, mas foi interrompido quando ouvi os remixes de \u201cHarder, Better, Faster, Stronger\u201d, do Daft Punk, e \u201cSalmon Dance\u201d, do Chemical Brothers, que teve as partes do Fatlip cantada pelo rapper americano, convidado do Zegon. Animei-me para disfar\u00e7ar a dor nos meus p\u00e9s, que gritavam \u201cCadeira, j\u00e1!\u201d h\u00e1 uma hora. Passei 10 minutos na sala de imprensa pra beber mais um caf\u00e9, fazer uma massagenzinha de 20 segundos nos meus p\u00e9s e voltei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro <\/strong>\u2013 Fiquei esperando pelo Emicida. Nesse intervalo, entre uma conversa e outra, mais um problema com a organiza\u00e7\u00e3o. Perguntei para outro colega: \u201cEi, onde voc\u00ea pegou o panfleto com a programa\u00e7\u00e3o de hoje? Estou atr\u00e1s disso desde que eu cheguei!\u201d. Ele me respondeu imediatamente: \u201cAchei jogado no ch\u00e3o! Pura sorte!\u201d. N\u00e3o me choquei tamb\u00e9m com o pre\u00e7o dos alimentos e das bebidas, confirmando a m\u00e9dia cobrada em shows e festivais de grande porte. No entanto, n\u00e3o pude deixar de notar a m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de locais de comida com rela\u00e7\u00e3o aos bares que estavam por toda a parte. Voc\u00ea s\u00f3 encontrava o que comer em uma \u00e1rea espec\u00edfica, perto do palco principal \u2013 e longe dos demais palcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas <\/strong>&#8211; No bis, os Los Hermanos mostraram aquela que \u00e9 a sua melhor can\u00e7\u00e3o. Sim, estou falando de \u201cAnna J\u00falia\u201d, pop at\u00e9 a medula, gravada por George Harrison, cantada por todos os presentes (at\u00e9 os seguran\u00e7as), fazendo valer o pre\u00e7o do ingresso (caro, como sempre). Na sequ\u00eancia, encerram o show com outras duas pauladas do \u00e1lbum de estreia, o disco mais subestimado do grupo, da \u00e9poca que os irm\u00e3os Campelo e Almirante (um abra\u00e7o, Adolar Gangorra) ainda eram filhos da liga\u00e7\u00e3o esquizofr\u00eanica entre hardcore e frevo: \u201cQuem Sabe\u201d e \u201cPierrot\u201d. Findo o show, \u201cvaleu, tchau\u201d, e \u201cMaybe I\u2019m Amazed\u201d nos alto falantes (cortesia de Maur\u00edcio Valladares). Em uma noite normal, eu iria para casa e dormiria tranquilo e sossegado, compensando as poucas horas de sono da noite anterior. Mas como a vida cada vez mais se parece com um desenho animado, acabei indo parar em uma festa na USP \u201ccontra a moral e os bons costumes\u201d (vai vendo), numa continua\u00e7\u00e3o psicod\u00e9lico-bizarra-universit\u00e1ria-liberal do show dos Los Hermanos. No caminho, um amigo que estava no S\u00f3nar liga: \u201cEnt\u00e3o, vou sair daqui, c\u00eas me pegam no Metr\u00f4 Butant\u00e3?\u201d. T\u00e1, n\u00e9. Vale dizer: ele saiu do Anhembi sem ver o show do Kraftwerk \u2013 o \u00fanico da sexta-feira do Sonar que me interessava absurdos. Pensa num cara que estava fazendo as coisas errado&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas <\/strong>\u2013 Pego alguma coisa do DJ Zegon &amp; Unidos Sound System \u2013 e acabo ficando menos tempo do que leva para dizer o nome deles. Um passeio pelo ambiente me coloca em contato com um Anhembi cheio de povo-balada: peruas de salto alto e megaproduzidas, bombadinhos depilados de camisa justa e gordos carecas atr\u00e1s de garotinhas. Como at\u00e9 para quebrar preconceitos tem limite, resolvo ir embora. Afinal, o dia seguinte promete ser mais longo. Antes, d\u00e1 tempo para rever um grande amigo das antigas, o fot\u00f3grafo e jornalista Paulo B\u00f3rgia. Conversamos sobre o finado Alternative Voices (se algu\u00e9m se lembra, escreve a\u00ed nos coment\u00e1rios) e sobre o fato de estarmos com sono. Boa noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa<\/strong> \u2013 Kraftwerk finito, e uma lista divertida de tweets me fazia rir sozinho no caminho entre um palco e outro: \u201cBjork cancela e Sonar chama Kraftwerk, que n\u00e3o libera imagens e MTV passa Criolo. Saudades da Bjork&#8230;\u201d, mandou @AndreBarcinski. \u201c2 ou 3 coisas q \u00f1 mudam nunca: o som do Kraftwerk e perfurme de puta\u201d, comparou @XicoSa. \u201cSem Kraftwerk na MTV, fui de Bastardos Ingl\u00f3rios na TNT. Alem\u00e3o por alem\u00e3o&#8230;\u201d, disse @elson. Havia passado da 1h30 da manh\u00e3, e eu queria muito ver Emicida. Garanti as tr\u00eas primeiras m\u00fasicas, e fiquei com a certeza de que o show seria bom, mas n\u00e3o sensacional. Parti em dire\u00e7\u00e3o a uma pizza de calabresa com coca-cola. Estou esperando a hora que algum festival brasileiro ir\u00e1 investir nos pequenos restaurantes, nas barraquinhas, como os gringos. O primeiro que fizer isso dar\u00e1 um salto enorme de qualidade em rela\u00e7\u00e3o aos outros. Quem aguenta pizza chiclete, macarr\u00e3o em copo e hot-pocket? Brasil, por favor, me surpreenda.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14357\" title=\"sonar6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar6.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar6.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar6-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">02-04h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana <\/strong>&#8211; Ia voltar direto para o Village e assistir Emicida, mas apenas por curiosidade quis passar antes no Sonar Hall. Eram 2h15, ent\u00e3o em teoria o Tahira estava discotecando. Levei uma bela surpresa quando vi que o Little Dragon ainda estava no palco! Cheguei a lamentar o fato de ter perdido o show, mas consegui pegar tr\u00eas m\u00fasicas. O que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o espa\u00e7o em si. Eu achava que o Village estava em um clima relaxado, mas o Hall levou a medalha de ouro. Estava escuro, fresco e muitas cadeiras estavam ocupadas por quem curtia o show tranquilamente, mas tinha um espa\u00e7o na frente do palco cheio de f\u00e3s que queriam dan\u00e7ar ou ficar perto pra interagir com a vocalista da banda sueca. No Village assisti um pouco do show do Emicida, sem muitas novidades pra quem j\u00e1 viu seu show nas casas menores de S\u00e3o Paulo, mas animado da mesma forma. O \u201ct\u00fanel\u201d que levava para o palco principal estava cheio e ent\u00e3o eu e a minha amiga lembramos que o show do Chromeo iria come\u00e7ar. J\u00e1 estava na segunda m\u00fasica quando chegamos, e logo come\u00e7amos a dan\u00e7ar. Ri muito com as dan\u00e7as psicod\u00e9licas de um grupo de amigos do nosso lado e de um cara que segurou um bambol\u00ea no alto o show inteiro. Perto do fim, ficamos com vontade de assistir o DJ Marky vs. DJ Patife e chegando l\u00e1 estavam rolando uns \u201cputz putz\u201d menos interessantes do que a minha cama, que me aguardava quentinha. A vontade de abra\u00e7ar o mundo e assistir tudo era grande, mas o cansa\u00e7o ganhou. T\u00e1xi, cad\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro <\/strong>&#8211; Emicida come\u00e7ou o show um pouco depois das 2h, com um p\u00fablico grande, que ocupava boa parte da pista. Era ele, um guitarrista e um DJ. Simples, curto e direto. M\u00fasicas como \u201cSou Neg\u00e3o\u201d animaram, e o show foi encerrado com \u201cTriunfo\u201d. O videoclipe da m\u00fasica foi passando nos tr\u00eas tel\u00f5es do palco simultaneamente. Nisso, a garoa fina j\u00e1 caia. Voltei para casa pensando se, entre tr\u00eas palcos e dezenas de artistas tocando, conseguia entender o termo \u201cmusica avan\u00e7ada mundial\u201d proposto pela organiza\u00e7\u00e3o. Quando penso em festivais, sempre me vem o sentimento de uni\u00e3o e paix\u00f5es em comum: pelos artistas, pelo dinheiro gasto e t\u00e3o suado que, n\u00f3s jovens, quase n\u00e3o temos, pela dif\u00edcil decis\u00e3o de deixar de ver uma banda para ver outra, j\u00e1 que os hor\u00e1rios entre os shows s\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximos nestas ocasi\u00f5es. Mas, principalmente, pela intera\u00e7\u00e3o tanto do p\u00fablico quanto do artista, independente do g\u00eanero musical. Confesso que senti falta da gritaria, da emo\u00e7\u00e3o ao cantar as letras, da exalta\u00e7\u00e3o, dos pulos e da entrega. Por\u00e9m, a novidade \u2013 que muitas vezes pode ser apenas falta de costume \u2013 \u00e9 a de contemplar, de ouvir com calma e aten\u00e7\u00e3o cada melodia, harmonia e elemento de uma can\u00e7\u00e3o, de abrir a cabe\u00e7a para o que n\u00e3o estamos habituados a escutar. Tamb\u00e9m fica o elogio para a qualidade e variedade de atra\u00e7\u00f5es. Faltou o fator surpresa, mas, no geral, acredito que o S\u00f3nar conseguiu se sair bem nesse primeiro dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas<\/strong> \u2013 Na sexta-feira, mais cedo, um dos assuntos do almo\u00e7o tinha sido a volta da Legi\u00e3o Urbana com Wagner Moura nos vocais. Ali, no \u00faltimo andar da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, tive um vislumbre do futuro: a situa\u00e7\u00e3o por l\u00e1 era t\u00e3o bizarra como imaginar Capit\u00e3o Nascimento ou o Homem do Futuro cantando &#8220;festa estranha, com gente esquisita&#8221;. Eu olhava para um lado e via faixas ecoando o momento pol\u00edtico conturbado da Universidade (\u201cFora PM, Fora Rotas\u201d), olhava para o outro e via dois grandes amigos h\u00e9teros (at\u00e9 onde eu sabia) se beijando.  \u00c0 minha frente, algo que s\u00f3 em S\u00e3o Paulo pra acontecer: uma banda cover de Itamar Assump\u00e7\u00e3o berrava &#8220;Prezad\u00edssimos Ouvintes&#8221;, &#8220;Luzia&#8221; e outros petardos do Nego Dito, cantando a palavra de ordem: \u201ce se chamar a pol\u00edcia, a boca espuma de \u00f3dio\u201d. Andando um pouco mais al\u00e9m, muitas(mas muitas) pessoas peladas, dan\u00e7ando de maneiras pouco ortodoxas, lembrando um pouco a coreografia bisonha de Thom Yorke no clipe de \u201cLotus Flower\u201d \u2013 ali\u00e1s, ecoava quase toda hora na minha cabe\u00e7a o grito desesperado de \u201cwhat the hell am I doing here?\u201d. 97,5% s\u00f3brio, Hunter Thompson \u00e0s avessas, a minha noite s\u00f3 iria terminar l\u00e1 pelas seis da manh\u00e3, na casa de uma amiga, ap\u00f3s muita chuva, muita confus\u00e3o e muitos caminhos errados, ao melhor estilo \u201cHarold e Kumar Go to the White Castle\u201d. \u00c0s vezes acho que estou velho demais pros meus 20 anos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas <\/strong>\u2013 Zzzzzzzzz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa<\/strong> \u2013 Nunca entendi a baba\u00e7\u00e3o de ovo com o Chromeo. Os vi em uma festa de lan\u00e7amento de um carro ano passado (ou retrasado) e foi um dos shows mais chinfrins ever. Ou seja, n\u00e3o queria repetir a dose, mas alimentado (n\u00e3o existe pizza ruim, certo) e decidido a caminhar em dire\u00e7\u00e3o a um taxi, consegui ouvir o come\u00e7o da terceira m\u00fasica do show (as outras duas ouvi ao longe, na pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o, no fundo do palco principal) e s\u00f3 esses r\u00e1pidos segundos valeram muito mais do que aquele show fechado. At\u00e9 fiquei com vontade de ficar para ver qual\u00e9, mas o corpo pedia cama. No dia seguinte conferi os tweets deles: &#8220;Nosso primeiro show verdadeiro no Brasil&#8221;. Respeitei ainda mais e prometo v\u00ea-los com calma numa pr\u00f3xima oportunidade. O bom de sair antes do \u00faltimo show principal \u00e9 que assim que passei a catraca, um taxi j\u00e1 me esperava de porta aberta. E sabia como chegar na Paulista&#8230;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Festival S\u00f3nar \u2013 Segundo Dia<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14358\" title=\"sonar7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar7.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">16-19h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana <\/strong>\u2013 Cheguei ao simp\u00e1tico sal\u00e3o da Rua Carlos Steinen, no Para\u00edso, para assistir os primeiros momentos de Patr\u00edcia Colombo, amiga e colega jornalista, como ruiva. Ela iria estrear o novo \u201cvisu\u201d no Sonar. \u201cSe ficar ruim, vou assim mesmo e paci\u00eancia!\u201d, dizia determinada. Para sua sorte, ficou \u00f3timo. Com mais uma amiga, achamos melhor recarregar energias para conseguir ficar em p\u00e9 pelas pr\u00f3ximas horas. Elas optaram por um lanche e eu um p\u00e3o de mel acompanhado de um copo grande de caf\u00e9, que me d\u00e1 mais efeito que energ\u00e9tico. \u00c0s 19h, chegamos \u00e0 porta do Parque Anhembi, que parecia estar menos movimentada que o dia anterior. Parecia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro <\/strong>\u2013 Na cama recuperando o sono perdido devido \u00e0 noite anterior. Como no segundo dia haviam mais atra\u00e7\u00f5es do meu interesse, resolvi descansar para estar mais bem disposta. Sem m\u00fasicas para aquecer: apenas o som da minha respira\u00e7\u00e3o dormindo, dos pratos e talheres batendo na hora do almo\u00e7o, do chuveiro ligado durante o banho e finalmente dos ru\u00eddos e barulhos de carros, motos, t\u00e1xis e do Metr\u00f4 at\u00e9 o meu destino final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas <\/strong>&#8211; Em casa, depois de escrever o relato da sexta-feira, eu pensava mesmo \u00e9 que o grande show que S\u00e3o Paulo havia recebido nessa \u00faltima semana fora o dos velhinhos Crosby, Stills &amp; Nash. Quando comprei os ingressos para v\u00ea-los no Via Funchal, em fevereiro, eu esperava que fosse ser um show nost\u00e1lgico, com algumas boas can\u00e7\u00f5es e muitas concess\u00f5es \u00e0 idade (e as desventuras) de cada um desses tr\u00eas homens que estiveram na poeira e na lama de Woodstock. Mas foi bem mais que isso: em quase tr\u00eas horas de show (com direito a um intervalo de vinte minutos), o trio mostrou que ainda \u00e9 capaz de fazer muita, mas muita coisa boa em cima de um palco. O \u201chippie sobrevivente\u201d David Crosby e o \u201cgentleman descal\u00e7o\u201d Graham Nash continuam cantando perfeitamente \u2013 se tiver um tempo, procure um v\u00eddeo recente da voz de trov\u00e3o do sobrevivente Crosby em \u201cAlmost Cut My Hair\u201d. J\u00e1 o \u201croqueiro\u201d Stephen Stills, se j\u00e1 n\u00e3o tem a do\u00e7ura da voz de outrora, continua fazendo solos de guitarra inimagin\u00e1veis. Me peguei chorando umas tr\u00eas vezes durante o show, para n\u00e3o falar dos arrepios mil, como no coro de \u201cOur House\u201d, ou na releitura do grupo para \u201cGirl From the North Country\u201d, de Bob Dylan. Da abertura, com \u201cCarry On\u201d, ao bis final, com \u201cSuite: Judy Blue Eyes\u201d, um show irretoc\u00e1vel, de entrar para a galeria dos melhores da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas <\/strong>\u2013 Logo de manh\u00e3 acordo ainda n\u00e3o refeito da noite anterior e dedico um agrad\u00e1vel s\u00e1bado nublado a um relaxamento preparat\u00f3rio para uma jornada que prometia ser bem mais intensa: fazer feita, browsear pornografia, almo\u00e7ar na cantina preferida e aproveitar uma ta\u00e7a de Chardonnay&#8230; Isso, mais umas leituras, me reparam para o que \u2013 espero \u2013 n\u00e3o ser\u00e1 uma reedi\u00e7\u00e3o da noite anterior. A prova anterior do fracasso da sexta n\u00e3o estava na desorganiza\u00e7\u00e3o gritante nem no pouco p\u00fablico. Estava no fato de que acordei ap\u00f3s um festival sem vontade nenhuma de ouvir discos dos artistas cujos shows presenciei. Se um show n\u00e3o te deixa no g\u00e1s para ouvir a m\u00fasica de novo, algo est\u00e1 muito errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observa\u00e7\u00e3o: voc\u00ea sabe que o dia pode ser cheio de surpresas quando vai \u00e0 feira e encontra o Jos\u00e9 Dirceu (aquele) ao volante de um carro no sem\u00e1foro do Viaduto Pedroso, e no mesmo local, um malabarista pessimamente pintado de prateado faz truques ch\u00f4chos com bolas enquanto sexualmente excitado (era inescapavelmente vis\u00edvel). S\u00f3 em SP. Pego a fila do caixa r\u00e1pido do Extra da Brigadeiro quase vazia &#8211; mais um bom sinal. Aproveito que estou por l\u00e1 e vou pelos arredores comprar frutas secas, alugar DVDs (\u201cUp In the Air\u201d e \u201cThe Waking Life\u201d) e buscar a patroa. Depois, mais uma morgada no sof\u00e1&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa <\/strong>\u2013 Meu plano pessoal era chegar cedo para ver Silva e Gang do Eletro, mas falhei miseravelmente. Sacum\u00e9: uma das melhores (sen\u00e3o a melhor depois de alguns shows) coisas que os festivais nos proporcionam \u00e9 reencontrar aquele grande amigo, principalmente em tempos virtuais, em que quase todo mundo conversa todos os dias, mas s\u00e3o raros os momentos poss\u00edveis para um aperto de m\u00e3o sincero. Assim, marquei um almo\u00e7o com Thiago e Breno, do Programa Alto Falante, da Rede Minas, junto ao chapa Tiago Agostini (que estava cumprindo o plant\u00e3o nosso de cada fim de semana) no Boi na Brasa, singela casa de carnes no centro de S\u00e3o Paulo. Na mesa, ap\u00f3s entradas de calabresa, p\u00e3o e cebola, duas cumbucas de arroz, uma de farofa, tr\u00eas de fritas e duas pe\u00e7as de alcatra e uma de maminha para quatro guerreiros. Vou te contar: sobrou. Cheguei em casa por volta das 16h decidido a fabricar uma por\u00e7\u00e3o infinita de zs.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14359\" title=\"sonar8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar8.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">19-22h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana <\/strong>\u2013 Circulamos um pouco pelo local, sem conseguir decidir o que assistir\u00edamos naquele exato momento. O complicado era que j\u00e1 circulava pela boca do povo que haveria atrasos novamente, mas sem saber se eram em todos os palcos. Isso iria bagun\u00e7ar todo o plano que eu havia tra\u00e7ado para o dia, ent\u00e3o achei melhor priorizar os artistas que eu fazia quest\u00e3o de assistir e dar uma volta em cada palco pra sentir o fluxo dos shows e prever os hor\u00e1rios. Ainda era cedo, ent\u00e3o comprei minhas fichinhas (R$35, igual ao dia anterior) e espiei, um por um, os tr\u00eas palcos. N\u00e3o sei se era se era a vida me trollando, mas coincidiu que toda hora que chegava em um, a apresenta\u00e7\u00e3o terminava e o palco era preparado para o pr\u00f3ximo show ou set. Demorou mais que o normal, ent\u00e3o minhas companhias e eu decidimos imitar o pessoal do Village e sentamos um pouco para descansar. Do meu lado, um cara ouvia tranquilamente seu iPod como se estivesse no parque. Por mera curiosidade, perguntei o que ele estava ouvindo e acabei ganhando a hist\u00f3ria do Raoni, estudante de Medicina: \u201cMogwai. Vim de Bel\u00e9m sozinho s\u00f3 pra ver eles. \u00c9 minha banda predileta, mas nenhum dos meus amigos curte tanto assim. Juro que n\u00e3o me importei vir sozinho\u201d. Achei corajoso. Respeitei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro<\/strong> \u2013 Comecei assistindo ao show do artista visual e eletr\u00f4nico Alva Noto com o compositor japon\u00eas Ryuichi Sakamoto. A dupla produz uma fus\u00e3o do eletr\u00f4nico com o ac\u00fastico. As notas musicais s\u00e3o transformadas em imagens por meio de equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas exibidas no tel\u00e3o simultaneamente com a apresenta\u00e7\u00e3o. Tudo \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o, principalmente o espa\u00e7o de tempo e o sil\u00eancio entre uma nota e outra. O piano d\u00e1 o tom de delicadeza e simplicidade \u00e0 performance. Confesso que, no inicio, n\u00e3o vi um prop\u00f3sito final ou dire\u00e7\u00e3o no que estava sendo feito de forma t\u00e3o simples e extraordin\u00e1ria. Puro engano. Novamente: \u00e9 justamente nessas ocasi\u00f5es que precisamos nos abrir e observar o diferente dentro de um contexto geral. Como em uma esp\u00e9cie de \u201cqu\u00edmica po\u00e9tica\u201d, em que os resultados podem ser diversos e variados \u2013 desde uma combust\u00e3o espont\u00e2nea, at\u00e9 o equil\u00edbrio e harmonia entre elementos \u2013, me sentei, fechei os olhos e comecei a prestar verdadeira aten\u00e7\u00e3o, sem pressa ou vontade de ir embora. Dessa forma, acabei dividindo o show em partes, como em cap\u00edtulos de livros ou em atos teatrais. Lembrei-me da \u00e9poca em que abria o Windows Media Player e viajava nos gr\u00e1ficos coloridos que se mostravam na tela do computador, ou ent\u00e3o pensei em indicar o disco de Alva e Sakamoto a uma mulher gr\u00e1vida, com a inten\u00e7\u00e3o de acalentar o seu beb\u00ea, bem protegido, nutrido e confort\u00e1vel dentro do \u00fatero. Em seguida, abri os olhos e me envolvi com as cores quentes e os pontos brancos exibidos no tel\u00e3o, que pareciam estrelas que se esticavam. Depois, me senti em um jogo de videogame, no meio de uma guerra espacial, onde avi\u00f5ezinhos eram alvos de constantes tiros, com distor\u00e7\u00f5es altas, como trilha sonora. O efeito era hipn\u00f3tico, levando a sua imagina\u00e7\u00e3o a qualquer lugar. Ouvi relatos de gente com dor de cabe\u00e7a ou euforia depois do show, ou que ficaram extremamente relaxadas e em transe. O p\u00fablico era grande e todos gostaram bastante do que presenciaram. Fiquei com vontade de assistir ao M.Takara vs. Akin, mas como atrasou, fui correndo para o Cee Lo Green.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas <\/strong>\u2013 Hora de encher a barriga. Fui jantar com meus pais no China in Box local. \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o familiar dos s\u00e1bados \u00e0 noite em que pedir pizza parece um programa muito trivial \u2013 morar no sub\u00farbio tem dessas. Depois de rolinhos primavera e lombo agridoce, fui deixado na esta\u00e7\u00e3o de trem de S\u00e3o Caetano, rumo ao SESC Belenzinho. O motivo? C\u00e9u. N\u00e3o canso de repetir: o SESC Belenzinho aumenta a minha vontade de viver em uns 273% toda vez que vou l\u00e1. \u00c9 lindo demais, fica \u201cperto\u201d de casa, \u00e9 f\u00e1cil de chegar e tem sempre uma agenda bem boa \u2013 pra n\u00e3o falar do glorioso sorvete de iogurte com cobertura de frutas vermelhas (ui). O \u00fanico problema do SESC Belenzinho \u00e9 que eu ainda n\u00e3o entendi o conceito de ver um show em uma \u201ccomedoria\u201d. \u00c9 o tipo de espa\u00e7o que voc\u00ea n\u00e3o sabe se fica em p\u00e9, na frente do palco (e compromete um pouco a vis\u00e3o das pessoas que ficaram l\u00e1 tr\u00e1s), ou sentado em uma mesa, tomando um vinho (ou uma Coca) e comendo os salgados e frios e amendoins que o SESC vende a pre\u00e7os m\u00f3dicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas <\/strong>&#8211; &#8230;p\u00e3o de queijo com geleia caseira, sandu\u00edche, castanha de caju. Pronto: alimentado para encarar o S\u00f3nar. Desencontros no metr\u00f4, e quando vemos, chegamos \u2013 eu e Andressa \u2013 no Anhembi passadas as 20h. Incr\u00edvel como duas horas podem ser resumidas t\u00e3o facilmente. Decido n\u00e3o perder tempo e correr para o SonarHall ver o Ryuichi Sakamto e Alva Noto. Sakamoto s\u00f3 habitava minha cabe\u00e7a em duas refer\u00eancias: como &#8220;o oficial gay de Furyo&#8221; (puta filme, assistam) e &#8220;aquele japa que aparecia na Bizz junto com o Arto Lindsay e outros cabe\u00e7\u00f5es&#8221;. A intui\u00e7\u00e3o dizia que isso justificava minha presen\u00e7a no show. Instalo-me no audit\u00f3rio e me v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a lembran\u00e7as de uma resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. O d\u00e9ja-vu \u00e9 inevit\u00e1vel: o blip constante, os ru\u00eddos graves, a assepsia do ambiente, tudo remete \u00e0 RM. Mas isso n\u00e3o \u00e9 ruim. Eu, pelo menos, quando passei pelo procedimento, sa\u00ed da m\u00e1quina considervelmente alterado \u2013 no sentido doid\u00e3o da coisa. Depois do primeiro instante de reconhecimento, me dou conta que a m\u00fasica me convida a ficar ali. Sabe aquela hist\u00f3ria de m\u00fasica que te desafia? \u00c9 exatamente isso. Foi a primeira vez que vi white noise (&#8220;ru\u00eddo branco&#8221;, ou aquele som de TV fora do ar \u2013 pergunte ao seu pai se voc\u00ea nunca sintonizou uma TV anal\u00f3gica na vida) sendo usado de forma realmente musical. Outros ru\u00eddos industriais ou eletr\u00f4nicos eram sequenciados por Sakamoto (e acompanhados por belas imagens minimalistas) e Noto encontrava o tom deles no piano, criando pequenos temas e fazendo lindas varia\u00e7\u00f5es deles, cheias de espa\u00e7os e sil\u00eancios. Anos atr\u00e1s, eu teria chamado isso de &#8220;embroma\u00e7\u00e3o&#8221;. Ainda bem que a hist\u00f3ria n\u00e3o volta para tr\u00e1s, porque o que eu vi ali foi beleza em um convite \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o. M\u00fasica que te tira do comodismo e te obriga a prestar ante\u00e7\u00e3o \u2013 e odiar ou amar (teve gente pros dois lados). A ideia ainda era ficar por l\u00e1 e ver o DJ set de M. Takara (do Hurtmold), mas o atraso (uma das t\u00f4nicas do dia) de vinte minutos mofou meus planos. Saio quando Takara come\u00e7a, e vou pro SonarClub descobrir que l\u00e1 tamb\u00e9m est\u00e1 tudo atrasado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa <\/strong>\u2013 Quais as chances de, em dois dias em S\u00e3o Paulo, pegar taxistas que n\u00e3o sabem onde fica o Anhembi? Vou te contar: 100%. \u201cSou novo na pra\u00e7a\u201d, ele se desculpa, mas ao menos tem GPS. J\u00e1 descolado da noite anterior, em que o outro taxista teve que dar uma volta no Samb\u00f3dromo porque a Prefeitura da Cidade de S\u00e3o Paulo ainda n\u00e3o desmontou os alambrados usados na prova de F\u00f3rmula Indy de 14 dias atr\u00e1s, o que impossibilita a entrada ao Hotel Holiday Inn (acesso da imprensa ao festival), pe\u00e7o para o piloto acessar uma ruazinha escondida, e c\u00e1 estamos n\u00f3s de novo. Chego na sala de imprensa, cumprimento amigos, e um deles me avisa que o show de Ryuichi Sakamto e Alva Noto atrasou e ainda est\u00e1 rolando. Corro para o audit\u00f3rio, e consigo pegar os \u00faltimos tr\u00eas n\u00fameros e meio. Demoro meia m\u00fasica para absorver o que est\u00e1 acontecendo. Num primeiro momento tudo parece descompassado, desorganizado, sem m\u00e9trica, mas os ouvidos come\u00e7am a buscar um elo de liga\u00e7\u00e3o, e quando encontra possibilita a alma quase dez minutos bel\u00edssimos m\u00fasica constru\u00edda ao acaso. Uma pena n\u00e3o ter pego o show desde o come\u00e7o. Esse, se eu cruzar novamente, n\u00e3o perco.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14360\" title=\"sonar9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar9.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">22-00h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana <\/strong>&#8211; Perto das 22h, achei melhor me aproximar do Sonar Club, onde seria o show do Cee Lo Green. Confesso que j\u00e1 estava nervosa por achar que poderia perder o Mogwai. Essa mania de geminiana que quer tudo e quer agora n\u00e3o d\u00e1 muito certo em festivais com shows simult\u00e2neos, mas optei pelo Cee Lo, de qualquer forma. O corredor que levava ao Club e sua \u00e1rea externa estava bombando. Quem n\u00e3o tinha encontrado algum conhecido, aquele era o lugar e o momento certo \u2013 enquanto muitos curtiam os breakbeats de Nedu Lopes do lado de fora, aguardando. \u00c0s 22h25 entrou Cee Lo Green, abrindo o show com \u201cThe Lady Killer Theme\u201d e \u201cBright Lights, Bigger City\u201d, animando a galera e arriscando umas palavrinhas em portugu\u00eas. A verdade \u00e9 que apesar de gostar das menos conhecidas, eu tamb\u00e9m estava apenas esperando por \u201cFuck You\u201d, pra ent\u00e3o correr pro Mogwai. Uma, duas, tr\u00eas m\u00fasicas e nada. Desisti. Falei pros meus amigos que estava indo pro Hall, caso algu\u00e9m quisesse ir comigo. \u201cQue show chato, me tira daqui\u201d, disse um deles. Chegando l\u00e1, pensei: \u201cQUE ARREPENDIMENTO n\u00e3o ter assistido desde o come\u00e7o\u201d. Apesar do som um pouco estourado, aquela combina\u00e7\u00e3o de luzes acompanhando as guitarras em seus momentos mais fortes foi apenas um dos elementos arrepiantes da apresenta\u00e7\u00e3o, que lotou aa pista central, cadeiras e corredores do audit\u00f3rio. Lindo ver todas as cabe\u00e7as fixas e os olhares hipnotizados com cada m\u00fasica, cada nota e cada movimento corporal dos integrantes, que tamb\u00e9m pareciam desfrutar o show do mesmo jeito que o p\u00fablico. Escolhi mal a divis\u00e3o do meu tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro <\/strong>&#8211; Cee Lo Green come\u00e7ou arrancando gritos de um p\u00fablico que poderia ter sido maior, mas que n\u00e3o foi frio ou distante, dan\u00e7ando todas as m\u00fasicas com empolga\u00e7\u00e3o. Rolou at\u00e9 uma homenagem a David Bowie, com \u201cLet\u2019s Dance\u201d. Por\u00e9m, a minha parte favorita foi quando Cee Lo convidou tr\u00eas rappers de seu antigo grupo de hip-hop Goodie Mob para cantar, deixando as pessoas surpresas, mas nem por isso totalmente desanimadas. Tive que sair no meio porque n\u00e3o queria perder o Mogwai.  Fiquei sabendo depois que sucessos como &#8220;Crazy&#8221;, do Gnarls Barkley, e &#8220;Fuck You&#8221; garantiram os melhores momentos da apresenta\u00e7\u00e3o. O Mogwai, por sua vez, fez um show de arrepiar todos os pelinhos do bra\u00e7o. Emocionante e surpreendente do come\u00e7o ao fim. Tive a sensa\u00e7\u00e3o de estar no espa\u00e7o sideral, contemplando o c\u00e9u, as estrelas e o sistema planet\u00e1rio. Foi um mix de guitarras e distor\u00e7\u00f5es altas, agudas e avassaladoras, com momentos de paz, tranquilidade e delicadeza. No meio do show, estava calma e me deliciando com as melodias cuidadosamente executadas, quando levei um susto agressivo vindo das guitarras, que mais pareciam vozes de monstros gritando de dor e agonia, me acordando do transe. Passado do hor\u00e1rio previsto, os integrantes quebraram as regras e tocaram mais uma, no &#8220;bis&#8221;, com direito \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o por parte da organiza\u00e7\u00e3o do evento. Fiquei querendo ouvir tudo aquilo de novo, mas com fones de ouvido para captar com mais nitidez a riqueza de detalhes. De ouvinte espor\u00e1dica, acabei me tornando grande admiradora do som da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas<\/strong> \u2013 Se Caetano Veloso estivesse no SESC Belenzinho, ele diria que C\u00e9u \u00e9 linda. E \u00e9 mesmo. Mostrando as can\u00e7\u00f5es de \u201cCaravana Sereia Bloom\u201d, seu rec\u00e9m-lan\u00e7ado disco, a cantora paulistana atingiu um ponto \u00f3timo entre do\u00e7ura e sensualidade, com toques de vigor que fazem qualquer homem (e algumas mulheres) suspirarem. O repert\u00f3rio do show foi quase todo calcado em \u201cCaravana\u201d, com destaque para as robertianas \u201cFalta de Ar\u201d e \u201cRetrovisor\u201d, a bonita balada \u201cStreets Bloom\u201d, de Lucas Santtana, e a gra\u00e7a de \u201cYou Won\u2019t Regret It\u201d e \u201cAsfalto e Sal\u201d, mas tamb\u00e9m sobrou espa\u00e7o para novos arranjos de \u201cCangote\u201d e \u201cMalemol\u00eancia\u201d \u2013 que at\u00e9 minha irm\u00e3 sabe cantar, por culpa da r\u00e1dio Eldorado. Quase ao final da apresenta\u00e7\u00e3o, enquanto cantava \u201c\u00c9 Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo\u201d, do mestre Erasmo Carlos, C\u00e9u me fazia imaginar qu\u00e3o absurdo de bom seria um disco seu cantando apenas rock \u2013 \u201cCaravana\u201d \u00e9 bonito, tem boas guitarras, mas, convenhamos, n\u00e3o \u00e9 um disco de rock nem aqui nem na Fran\u00e7a. Em todo caso, se voc\u00ea ainda n\u00e3o se deu o trabalho de ouvi-lo, ou\u00e7a, por favor, nem que seja para lan\u00e7ar pra algu\u00e9m na sua timeline do Twitter a \u201cai se eu te pego\u201d do circuito SESC-Baixo Augusta-Vila Madalena, \u201cChegar em Mim\u201d, que foi ovacionada pelo p\u00fablico presente no Belenzinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas <\/strong>\u2013 Com a equipe quase integralmente reagrupada (faltou o Mac, vagabundo), come\u00e7a a parte &#8220;alegria, alegria&#8221; do festival (at\u00e9 que enfim). Ou melhor, come\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de que estamos, efetivamente, em um festival. P\u00fablico bombando, cerveja quente e todo mundo aguardando uma atra\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Faltou s\u00f3 a lama e os banheiros imundos. Mas Cee-Lo compensa nos dando um show de arena. Nas primeiras m\u00fasicas, numa pegada meio hard-rock farofa dos anos 1980, pude finalmente ver como seria o Van Halen caso eles fossem uma banda legal. Ou, a julgar pelos m\u00e9ritos do gorducho, o Van Halen do soul pop. Cee-lo canta pra cacete e \u00e9 um puta entertainer. A pegada oitentista satisfaz meu esp\u00edrito que tinha sido alimentado com &#8220;We Built This City&#8221; no repeat no dia anterior, e o baterista animalesco apaga de vez da minha cabe\u00e7a a lembran\u00e7a do sujeitinho med\u00edocre que estava no palco com Noel Gallagher na semana anterior. Uma farra linda, com \u00f3timos m\u00fasicos e uma entrega absoluta, mas havia um problema: o Mogwai j\u00e1 tinha subido no palco. Fui para o S\u00f3nar Hall com o mesmo pensamento que tenho sobre o casamento: estava deixando de lado uma excelente oportunidade de me divertir pra caramba (o show do Cee-Lo) para escolher a exclusividade de algo que parece ser belo. E foi. O Mogwai faz uma m\u00fasica bonita, mesmo quando dissonante. E a beleza \u2013 que tinha mostrado uma de suas formas naquele mesmo palco com Sakamoto &amp; Noto \u2013 aparece numa intensidade brusca que \u2013 meu irm\u00e3o, at\u00e9 minha temperatura corporal mudou! Estava sentado apreciando a vibra\u00e7\u00e3o e a m\u00fasica quando comecei a suar e veio uma pancada emocional comunicada exclusivamente pela m\u00fasica. Resultado: chorei, literalmente. S\u00e9rio. Esque\u00e7a as bandas horr\u00edveis que dizem ser influenciadas pelo Mogwai e v\u00e1 a um show deles o quanto antes. A vida precisa dessas coisas. O telefonema de um amigo me tira de l\u00e1 na \u00faltima m\u00fasica, uma explos\u00e3o barulhenta com o som de uma estrela morrendo. Ou seja, sa\u00ed no exato momento em que poderia ficar ensurdecedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa <\/strong>\u2013 Ano passado, no Coachella, vi o melhor show que Cee Lo-Green far\u00e1 em toda a sua vida: ele atrasou 40 MINUTOS para entrar no palco, tocou em sequencia \u201cCrazy\u201d, \u201cFuck You\u201d, uma vers\u00e3o bisonha de \u201cIron Main\u201d, do Black Sabbath, e, na quarta m\u00fasica, a produ\u00e7\u00e3o do festival cortou o som (do tipo: \u201cFoda-se todos os Grammy\u2019s que voc\u00ea tem\u201d). No S\u00f3nar S\u00e2o Paulo, n\u00e3o quis contaminar minha mem\u00f3ria afetiva daquele grande show curto, e parti logo cedo para as primeiras filas do show do Mogwai, na companhia de v\u00e1rios amigos (Luciano Vianna, Elson Barbosa, Victor Pires, Fernando \u201cFlogase\u201d Lopes e o pessoal do Labirinto e do Herod Layne). E o show foi&#8230; encantador (    ), devastador (    ), mel\u00f3dico (    ), barulhento (    ), todos as alternativas anteriores e algumas mais ( X ). No palco do audit\u00f3rio, o Mogwai promoveu um massacre&#8230; mas com muito carinho. Como escreveu certa vez Salman Rushdie: \u201cNossas vidas n\u00e3o s\u00e3o o que merecemos. De muitas dolorosas maneiras elas s\u00e3o, temos de admitir, deficientes. A m\u00fasica as transforma em outra coisa. A m\u00fasica nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se f\u00f4ssemos dignos do mundo&#8221;. \u00c9 isso. Acordamos todos os dias, trabalhamos, sorrimos, vivemos e sobrevivemos, mas temos raros espamos de felicidade real. Ou, sendo mais direto, s\u00e3o raros os momentos que realmente valem a pena serem vividos. Cinco caras escoceses promoveram um destes momentos no S\u00f3nar, viraram a chavinha que faz a alma pensar que, sim, vale a pena estar vivo. Um show com doses certeiras de delicadeza e viol\u00eancia. Para guardar na mem\u00f3ria por vidas.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14361\" title=\"sonar10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar10.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar10.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar10-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">00-02h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana <\/strong>\u2013 Pra n\u00e3o sofrer a mesma frustra\u00e7\u00e3o do Mogwai, fiquei mais ligada nos hor\u00e1rios (e nas prioridades). Queria assistir Justice e James Blake, mas os shows tinham uma mera diferen\u00e7a de 10 minutos de come\u00e7o. Pensei bem e dei prioridade ao Justice, j\u00e1 que curto h\u00e1 mais tempo. Depois de alguns minutos de espera, a cruz branca do palco foi acessa e o p\u00fablico come\u00e7ou a gritar pela dupla francesa, que abriu com \u201cGenesis\u201d. Era provavelmente o show mais aguardado da noite e o mais cheio. A princ\u00edpio me posicionei no meio da pista, mas como mais uma vez a minha altura n\u00e3o ajudou, optei pela extrema lateral, que estava tamb\u00e9m um pouco mais livre para quem queria dan\u00e7ar. Hit ap\u00f3s hit, meus p\u00e9s come\u00e7aram a ficar cansados e a dupla j\u00e1 havia tocado as melhores m\u00fasicas. Ao som de \u201cWe Are Your Friends\u201d, sa\u00ed do Club dan\u00e7ando e tentei ver James Blake, sem muitas esperan\u00e7as. Que bela surpresa levei quando cheguei ao Hall e ele come\u00e7ou a tocar \u201cThe Wilhelm Scream\u201d, a minha predileta dele. E era a \u00faltima! Considerei sorte e um consolo da vida pelo epis\u00f3dio do Mogwai. E ao vivo \u201cThe Wilhelm Scream\u201d \u00e9 mais linda ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro <\/strong>&#8211; Mal tinha acabado o show do Mogwai, corri para ver o Justice. Os caras fizeram um show cheio de efeitos visuais, com uma cruz iluminada \u2013 marca registrada do grupo \u2013 e uma tela com proje\u00e7\u00f5es, que acompanhavam as batidas das m\u00fasicas. Se no dia anterior as pessoas estavam esperando pelo show morno do Kraftwerk, puderam se animar com a dupla francesa. Can\u00e7\u00f5es marcantes e em um volume bem alto foram destinadas a um p\u00fablico que dan\u00e7ou sem parar. Cl\u00e1ssicos como &#8220;Waters of Nazareth&#8221;, \u201cD.A.N.C.E\u201d e \u201cWe Are Friends\u201d foram tocados, deixando todos animad\u00edssimos. O show foi encerrado com o \u00f3rg\u00e3o de &#8220;Phantom&#8221; fechando a noite com chave de ouro e fazendo do Justice um dos principais destaques do festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas<\/strong> \u2013 No mesmo hor\u00e1rio que acontecia o outro show do S\u00f3nar que eu queria-muito-ver-mas-n\u00e3o-pagaria-mais-de-cem-dilmas para estar l\u00e1, o do cantor ingl\u00eas James Blake, eu chegava em casa depois de tr\u00eas linhas de metr\u00f4 (vermelha-azul-verde) e um \u00f4nibus, para finalmente descansar. Ou, utilizando a piada infame que eu pensei antes de fechar \u201cA Visita Cruel do Tempo\u201d, fazer o S\u00f3nar virar sonhar. Boa noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas <\/strong>&#8211; A quest\u00e3o agora era: fazer o que? Depois do Mogwai, seria necess\u00e1rio pausar, respirar, processar a experi\u00eancia. Mas com o festival nesse pique, quem queria ir embora, ainda mais com amigos ligando? Deu tempo de juntar v\u00e1rios conhecidos para aproveitar o simp\u00e1tico DJ set dos niteroienses The Twelves. Pavilh\u00e3o lotado, grande expectativa pelo Justice (de quem eu nunca tinha ouvido uma m\u00edsera nota, que dizer uma m\u00fasica). Eis que&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;NA CASA DO SENHOR N\u00c3O EXISTE SATAN\u00c1S! X\u00d4 SATAN\u00c1S!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah, n\u00e3o \u00e9 isso, n\u00e3o! Era s\u00f3 a Madonna. Ah, n\u00e3o era? E essa cruz a\u00ed no palco? Usar o s\u00edmbolo crist\u00e3o \u00e9 uma sacadinha de marketing muito boa que os franceses tiveram \u2013 e isso os credencia como banda para publicit\u00e1rios, infelizmente. Mas picaretagens visuais \u00e0 parte, a grandiloqu\u00eancia dos caras \u00e9 h\u00e1bil e funciona muito bem. Emitindo sons que parecem trilha para festas populares no bairro industrial do filme \u201cEraserhead\u201d (outro puta filme, mas n\u00e3o veja esse, deprime pacas), o Justice traz aquele clima de &#8220;o mundo acaba amanh\u00e3, ent\u00e3o vamos dan\u00e7ar&#8221;. D\u00e1 certo por um bom tempo, mas sem aditivos qu\u00edmicos, \u00e9 dif\u00edcil aguentar muito tempo. Fica a observa\u00e7\u00e3o de que os caras s\u00e3o, sim, m\u00fasicos: cada faixa do Justice tem come\u00e7o, meio e fim, e nenhuma dessas etapas transcorre de forma \u00f3bvia, mesmo sendo uma m\u00fasica que reprocessa clich\u00eas em algo diferente. Enfim, \u00e9 um Chemical Brothers menos lis\u00e9rgico, e que cai bem em doses homeop\u00e1ticas. Mas a\u00ed o corpo pediu tr\u00e9gua e eu fui me jogar num sof\u00e1 na sala de imprensa, escutando as hist\u00f3rias pat\u00e9ticas da sempre chineleira rela\u00e7\u00e3o entre assessores de imprensa e celebridades frequentadoras da \u00e1rea VIP. Quem me salvou desse papo foi o Mac, que foi capotar no sof\u00e1 tamb\u00e9m. Rememoramos Mogwai e o fato de crescer em Taubat\u00e9, enquanto discutimos que, sim, a segunda noite foi muito melhor que a primeira; sim, poder\u00edamos ter curtido mais as atra\u00e7\u00f5es se tiv\u00e9ssemos ingerido combust\u00edvel qu\u00edmico (o festival todo, ali\u00e1s, parece feito para funcionar sob o efeito de &#8220;dorgas&#8221;). E sim, o corpo pode impedir de fazer certas coisas quando se envelhece, mas a cabe\u00e7a amadurecida permite fazer outras. Como curtir o S\u00f3nar sem radicalismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa<\/strong> \u2013 Assim que o show do Mogwai terminou, um amigo gritou: \u201cVamos beber\u201d. Pedi calma. Precisava processar o show. N\u00e3o dava para sair caminhando pelo festival como se eu houvesse assistido a um showzinho qualquer. Eu precisava sentir um pouco mais a adrenalina. Manter a dose da viagem por mais algum tempo. Estender a felicidade. Mas estamos em um festival, e a noite \u00e9 uma crian\u00e7a (chorando). Ap\u00f3s flutuar at\u00e9 o palco principal, encontre-me novamente frente a frente com o Justice, e rememoro a primeira impress\u00e3o que tive quando os vi pela primeira vez: eles s\u00e3o \u00f3timos, as m\u00fasicas s\u00e3o boas, mas tudo isso j\u00e1 foi feito antes, e de forma ainda melhor. Mas como n\u00e3o se pode ter Daft Punk e Chemical Brothers toda hora, aceitamos o clone e dan\u00e7amos at\u00e9 o amanhecer. Dan\u00e7amos? Fugi para a sala de imprensa para esticar as pernas e ouvir algumas boas hist\u00f3rias de amigos, trocar impress\u00f5es sobre alguns shows (Mogwai campe\u00e3o, Kraftwerk vice e Justice na terceira coloca\u00e7\u00e3o), sobre o festival (o p\u00fablico alvo \u00e9 o de balada, tanto que a \u201ccasa\u201d lotou mesmo, pra valer, \u00e0 1 da madrugada \u2013 e da\u00ed vem a quest\u00e3o: p\u00fablico de balada saca m\u00fasica avan\u00e7ada ou s\u00f3 quer dan\u00e7ar, ver e ser visto?), e dar um tempo enquanto o Modeselektor n\u00e3o entrava em campo.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14362\" title=\"sonar111\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar111.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center; \"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">02-04h<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea Fabiana <\/strong>&#8211; Eu havia conhecido recentemente Modeselektor em alguns sites de m\u00fasica eletr\u00f4nica e bastaram tr\u00eas can\u00e7\u00f5es pra pirar e querer dan\u00e7ar no show ao vivo. A dupla estava prevista para entrar no palco \u00e0s 2h10 e eu sabia que iria demorar de 20 a 40 minutos para de fato  eles entrarem. Como queria ver de perto, cheguei as 2h no Sonar Club pra aguardar. O DJ Munchi, da Holanda, j\u00e1 estava come\u00e7ando seu set. Eu e mais duas amigas gostamos do que ele estava tocando e decidimos esperar o Modeselektor l\u00e1 no meio da galera, dan\u00e7ando e curtindo o som. Munchi \u00e9 uma figura. Cada batida pesada de eletro era misturada com ritmos e acompanhada de movimentos com as m\u00e3os que animavam a audi\u00eancia. Sobre seu enorme cabelo crespo, escondendo partes do rosto, ele exibia seu sorrisinho de moleque travesso. O set estava perfeito, mas cortaram o som. Quando voltou, ele conseguiu encerrar direitinho (mas n\u00e3o sem menos clim\u00e3o). Mais tarde, num bate papo, Munchi contou que nem ele entendeu o que aconteceu e ningu\u00e9m deu explica\u00e7\u00f5es, mas afirmou ter gostado muito da resposta do p\u00fablico, prometendo misturas com funk carioca na pr\u00f3xima vez. Logo em seguida, foi a vez da produ\u00e7\u00e3o montar os tel\u00f5es do Modeselektor, que j\u00e1 entraram animados falando com o p\u00fablico com a ajuda de um microfone que deixava a voz mais grave. Entre uma m\u00fasica e outra, Sebastian Szary interagia ainda mais com os presentes, batendo palmas e incentivando pulos e m\u00e3os pra cima. O melhor momento foi quando desceu do palco com um vulto nos bra\u00e7os, chamou a galera para se aproximar e estourou uma garrafa de champagne, dando um banho nos f\u00e3s, que amaram a surpresa. Podia se ver que a dupla alem\u00e3 sabe dar um show de entretenimento. De come\u00e7o a fim manteve todos empolgados. Ainda tinha Totally Enormous Extinct Dinosaurs, mas sinto muito. Perto das 4h, meus p\u00e9s (que sempre s\u00e3o os que mais sofrem em festivais) gritavam por um descanso. Finalizei a noite tietando o Munchi e gastando minhas \u00faltimas fichinhas. Que erro e que ressaca. Ainda assim sa\u00ed desejando que todos os festivais de S\u00e3o Paulo fossem \u201cperrengue-free\u201d, igual a este.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andressa Monteiro <\/strong>&#8211; As apresenta\u00e7\u00f5es do Mogwai, Alva Noto &amp; Ryuichi Sakamoto, Justice e Cee Loo Green traduziram bem um sentimento de simplicidade, instrospec\u00e7\u00e3o, uni\u00e3o de elementos, temas, sons e imagens com um s\u00f3 prop\u00f3sito: o de entreter.  O p\u00fablico, por sua vez, correspondeu melhor no s\u00e1bado com entusiasmo, variando comportamentos que iam de dan\u00e7as solit\u00e1rias at\u00e9 rodas de amigos se abra\u00e7ando e cantando junto as m\u00fasicas, de transes de olhos fechados at\u00e9 momentos de curiosidade, admira\u00e7\u00e3o e surpresa. Voltei para a casa com a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. O segundo dia teve mais cara de festival bom: gente animada, relaxada, interessante e interessada, disposta e feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas <\/strong>\u2013 Zzzzzzzzzzzzzzz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas<\/strong> &#8211; J\u00e1 deu, n\u00e9? Ou quase: pego um taxista que me conta que funcion\u00e1rios de de um certo Centro de Exposi\u00e7\u00f5es e Conven\u00e7\u00f5es cobram propina de R$ 300 por m\u00eas para taxistas que queiram trabalhar l\u00e1. &#8220;Aproveita que voc\u00ea \u00e9 jornalista e publica essa hist\u00f3ria&#8221;, ele me &#8220;sugere&#8221;. E logo depois, me pergunta se eu quero recibo com valor maior que o da corrida realizada. \u00c9 Brasil!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PS 1: o taxista garantiu que a acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria. Fica a dica pra quem quiser apurar. Eu n\u00e3o vou. T\u00f4 com sono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PS 2: o Scream&amp;Yell n\u00e3o reembolsa as despesas de seus colaboradores. Mas paga em afeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Costa<\/strong> \u2013 Eu queria ver Modeselektor. E tamb\u00e9m Squarepusher. Queria. Pouco depois das 3 da manh\u00e3, o cansa\u00e7o vem de forma arrebatadora me convidando para o sono. As pernas est\u00e3o cansadas, a voz falha um pouco, a camisa parece ter sido esfregada em um cinzeiro, e quatro fichas de R$ 5 ainda repousam no bolso. Ser\u00e1 que encaro a sexta cerveja da noite, ou caminho at\u00e9 o palco principal atr\u00e1s da pizza chiclete? Opto pela segunda op\u00e7\u00e3o, mas quando caio em mim, estou cansado demais para a (longa) caminhada. Decido vender as fichas para um cara que est\u00e1 na fila: \u201cR$ 15\u201d, pe\u00e7o. Ele me paga, e observa que s\u00e3o quatro fichinhas de R$ 5: \u201cMas tem R$ 20 aqui\u201d, ele diz. \u201cUm presente\u201d, respondo e saio em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda de taxi, onde encontro o casal Breno e J\u00e9ssica. Decidimos dividir o taxi at\u00e9 a Paulista, e vamos papeando impress\u00f5es. Tento imaginar que, para uma primeira edi\u00e7\u00e3o, o S\u00f3nar cometeu alguns erros b\u00e1sicos, mas promoveu alguns shows interessant\u00edssimos. Talvez a posi\u00e7\u00e3o dos palcos tenha que ser repensada, o veto \u00e0 cerveja e c\u00e2meras em alguns shows tamb\u00e9m (tudo bem que alguns desses vetos partem dos artistas, mas se estamos em um festival de m\u00fasica avan\u00e7ada, o p\u00fablico precisa ter direito de usar a tecnologia que est\u00e1 \u00e0 m\u00e3o), e, como um todo, o S\u00f3nar talvez precise radicalizar para exibir em S\u00e3o Paulo sua personalidade, que vai (ou pretende ir) muito al\u00e9m de uma \u201cgrande balada\u201d, como pareceu em alguns momentos (embora n\u00e3o podemos culpar o festival pelo p\u00fablico que alavancou assim como n\u00e3o podemos culpar o Los Hermanos pelos f\u00e3s que conquistou \u2013 ou podemos?), muito embora algumas frestas de intelig\u00eancia musical e art\u00edstica marcaram presen\u00e7a aqui e ali. \u00c9 pouco, mas \u00e9 um sinal de que o festival pode e deve crescer muito nos pr\u00f3ximos anos. Ou, no fundo, \u00e9 um sinal de que sou um velho chato tentando racionalizar um festival que cravou dois shows no topo do meu Top 5 pessoal do ano (at\u00e9 agora \u2013 Morrissey acaba de perder o quinto lugar). 2013 est\u00e1 ai, e com ele a esperan\u00e7a de um S\u00f3nar com novos shows antol\u00f3gicos, mais radicaliza\u00e7\u00e3o e menos atrasos. Valeu a experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14402\" title=\"sonar20\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar20.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar20.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar20-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14403\" title=\"sonar22\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar22.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar22.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar22-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14404\" title=\"sonar23\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar23.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar23.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar23-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14405\" title=\"sonar21\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar21.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar21.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar21-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14363\" title=\"sonar12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar12.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar12.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/sonar12-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><br \/>\n<span>&#8211; <\/span><span>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/leovinhas\" target=\"_blank\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yel<\/span><br \/>\n<span>&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 estudante de jornalismo e assina o blog <\/span><a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Pergunte ao Pop<\/a><br \/>\n&#8211; Andressa Monteiro (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/monteiroac\" target=\"_blank\">@monteiroac<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/thegoldfishmemory.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Goldfish Memory <\/a><br \/>\n&#8211; Andrea Fabiana (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/deafabiana\" target=\"_blank\">@deafabiana<\/a>) \u00e9 jornalista e integra o N\u00facleo de Intelig\u00eancia Musical <a href=\"http:\/\/sonora.terra.com.br\/\" target=\"_blank\">Sonora<\/a><br \/>\n&#8211; Liliane Callegari (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/licallegari\" target=\"_blank\">@licallegari<\/a>) \u00e9 arquiteta e fot\u00f3grafa. Veja mais fotos do festival <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157629709601178\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as fotos por Liliane Callegari com  exce\u00e7\u00e3o da foto do Kraftwerk (por Marcelo Costa \/ Scream &amp; Yell) e de Ryuichi Sakamto e Alva Noto (por Robson Bento \/ Getty Images Latam)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista: Enric Palau, um dos criadores do S\u00f3nar, conversa com o Scream &amp; Yell (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/18\/entrevista-enric-palau-sonar\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2011: por Marcelo Costa, Bruno Capelas, Rodrigo Levino e Murilo Basso (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/08\/balancao-planeta-terra-2011\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Equipe Scream &#038; Yell\nMarcelo Costa, Leonardo Vinhas, Andressa Monteiro e Andrea Fabiana contam o que de melhor aconteceu no S\u00f3nar S\u00e3o Paulo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/13\/balanco_sonar_sp_2012\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14351"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14365,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14351\/revisions\/14365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}