{"id":14281,"date":"2012-05-09T09:12:33","date_gmt":"2012-05-09T12:12:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=14281"},"modified":"2016-10-13T10:20:23","modified_gmt":"2016-10-13T13:20:23","slug":"dvd-50-guiado-pela-franqueza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/09\/dvd-50-guiado-pela-franqueza\/","title":{"rendered":"DVD: 50%, guiado pela franqueza"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14282\" title=\"50\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/50.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano.\" target=\"_blank\">Gabriel Innocentin?i<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esque\u00e7a &#8220;Drive&#8221;, filme em que Ryan Gosling \u00e9 promovido a astro por ser um her\u00f3i sem libido. Esque\u00e7a &#8220;Shame&#8221;, em que Michael Fassbender n\u00e3o sabe como lidar com a libido. &#8220;50%&#8221; faz com que o espectador se importe com os personagens ao final, ao contr\u00e1rio dos personagens dos filmes dirigidos por Nicolas Winding Refn e Steve McQueen, condenados ao esquecimento e \u00e0 solid\u00e3o. Jonathan Levine tem a coragem e a ousadia de permitir a possibilidade do encontro com o outro. (Numa \u00e9poca em que imperam o cinismo e o individualismo, \u00e9 previs\u00edvel que &#8220;Al\u00e9m da Vida&#8221;, de Clint Eastwood, tenha tido julgamento negativo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece deslocado defender um filme cuja principal qualidade \u00e9 a franqueza quando filmes afetados e artificiosos como &#8220;Drive&#8221; e &#8220;Shame&#8221; s\u00e3o incensados como \u00e1pices da arte cinematogr\u00e1fica. O enredo de &#8220;50%&#8221; \u00e9 simples: Adam (Joseph Gordon-Levitt) descobre que tem um c\u00e2ncer cuja chance de cura \u00e9 de 50%. Numa interpreta\u00e7\u00e3o pessimista: a chance de morrer \u00e9 de 50%. A m\u00e3e (Angelica Houston) \u00e9 superprotetora, o pai tem Alzhaimer. Adam est\u00e1 passando por uma fase estranha no namoro com Rachel (Bryce Dallas Howard). Seu melhor amigo \u00e9 o fanfarr\u00e3o Kyle (Seth Rogen em papel t\u00edpico de Seth Rogen). De brinde, ainda h\u00e1 a bela Anna Hendrick no papel de terapeuta iniciante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;50%&#8221; tem todos os ingredientes de um filme independente: ator principal carism\u00e1tico, fam\u00edlia disfuncional, altern\u00e2ncia entre drama e com\u00e9dia, trilha sonora esperta (Radiohead, Roy Orbison, Pearl Jam). Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio da m\u00e9dia dessas produ\u00e7\u00f5es, n\u00e3o vem com li\u00e7\u00e3o de moral embutida no final. Lidar com o c\u00e2ncer \u00e9 um problema n\u00e3o somente para o doente, mas para os amigos, os familiares, a namorada e at\u00e9 mesmo a terapeuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos s\u00e3o pessoas normais: a m\u00e3e que sufoca o filho, o amigo buf\u00e3o que n\u00e3o sabe lidar com a situa\u00e7\u00e3o, a psic\u00f3loga novata com dificuldade em manter a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao paciente, a namorada vacilante. O roteirista estreante Will Reiser, que teve c\u00e2ncer na espinha como Adam, vai bem ao tratar o tema sem eleger vil\u00f5es nem criar her\u00f3is, criando espa\u00e7os para essas rela\u00e7\u00f5es se desenvolverem. \u00c9 essa ambival\u00eancia que torna os personagens mais pr\u00f3ximos do espectador. Imposs\u00edvel condenar sumariamente qualquer um deles, pois o que far\u00edamos em seus lugares? Tais quest\u00f5es s\u00e3o imposs\u00edveis ou in\u00fateis em &#8220;Drive&#8221; e &#8220;Shame&#8221;. Indiferen\u00e7a \u00e9 o que esses filmes provocam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14283\" title=\"50_1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/50_1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonathan Levine est\u00e1 interessado em fazer a hist\u00f3ria avan\u00e7ar sem chamar aten\u00e7\u00e3o para A S\u00e9tima Arte. O que salva &#8220;50%&#8221; de ser um dramalh\u00e3o ou uma produ\u00e7\u00e3o esvaziada como &#8220;Drive&#8221; e &#8220;Shame&#8221; \u00e9 sua absoluta franqueza, sua fragilidade deliberada. Em vez da opacidade, a transpar\u00eancia; do artif\u00edcio, a simplicidade; da afeta\u00e7\u00e3o, a autenticidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do mais, Levine \u00e9 inteligente o bastante para presentear o espectador com a aus\u00eancia de Carey Mulligan, t\u00e3o atraente quanto um sem\u00e1foro. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o quer reabilitar, em pleno 2012, os sintetizadores da d\u00e9cada musical mais famigerada da hist\u00f3ria, nem resgatar (a s\u00e9rio, em 2012) um subg\u00eanero, o do justiceiro solit\u00e1rio, como Nicolas Winding Refn em &#8220;Drive&#8221;. Muito menos quer esfregar no nariz do espectador a solid\u00e3o dos grandes centros urbanos como Steve McQueen em &#8220;Shame&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que as escolhas de Levine n\u00e3o est\u00e3o 100% livres de deslizes, mas o objetivo principal \u00e9 investigar qu\u00e3o dif\u00edcil se torna a vida das pessoas afetadas pela doen\u00e7a. O roteiro guarda os trunfos para o final, quando as revela\u00e7\u00f5es (fatos simples, at\u00e9 mesmo convencionais) criam espa\u00e7o para detonar a emo\u00e7\u00e3o, reprimida na maior parte do tempo, num cl\u00edmax cat\u00e1rtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;50%&#8221; n\u00e3o vai mudar o mundo, nem ser\u00e1 arquivado sob as tags de radical, cinema autoral, e outras express\u00f5es pomposas que n\u00e3o dizem nada. Mas encontrar\u00e1 seu caminho ao lado de pequenas j\u00f3ias como &#8220;Lula e a Baleia&#8221;, &#8220;Garotos Incr\u00edveis&#8221; e &#8220;Sideways&#8221;. E se Rob Fleming quiser fazer uma lista de filmes que terminam ao som de grandes can\u00e7\u00f5es, como &#8220;Clube da Luta&#8221; (&#8220;Where Is My Mind&#8221;) e &#8220;A Rede Social&#8221; (&#8220;Baby, You&#8217;re a Rich Man&#8221;), &#8220;50%&#8221; pode entrar na disputa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/vyEmMbhbIT0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/vyEmMbhbIT0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Gabriel Innocentini (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\">@eduardomarciano<\/a>) \u00e9 jornalista e j\u00e1 escreveu para o Scream &amp; Yell sobre Tom Waits (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/14\/2011\/12\/22\/a-urgencia-de-tom-waits\/\">aqui<\/a>), Thomas Pynchon (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/14\/2011\/10\/29\/livvro-vicio-inerente-de-thomas-pynchon\/\">aqui<\/a>), Jorge Ben (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/14\/2011\/04\/05\/a-alegria-segundo-jorge-ben\/\">aqui<\/a>) e Jennifer Egan (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/02\/a-visita-cruel-do-tempo-jennifer-egan\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cDrive\u201d: um filme econ\u00f4mico que tem muito a oferecer (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/23\/cinema-drive-nicolas-winding-refn\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Sideways&#8221;: Alexander Payne continua contando piadas sem gra\u00e7a (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/sideways.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Clube da Luta&#8221;: Se essa \u00e9 a sua primeira vez, recomendo: assista duas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinema\/clube.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Gabriel Innocentin?i\nSe Rob Fleming quiser fazer uma lista de filmes que terminam ao som de grandes can\u00e7\u00f5es, &#8220;50%&#8221; pode entrar na disputa\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/09\/dvd-50-guiado-pela-franqueza\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":32,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14281"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14281"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14285,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14281\/revisions\/14285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}