{"id":13887,"date":"2012-04-17T00:58:22","date_gmt":"2012-04-17T03:58:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=13887"},"modified":"2023-06-30T01:02:11","modified_gmt":"2023-06-30T04:02:11","slug":"entrevista-letuce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/17\/entrevista-letuce\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Assim como n\u00f3s somos um casal que toca muito viol\u00e3o, n\u00f3s tamb\u00e9m fazemos muito sexo&#8221;, diz o duo Letuce"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><br \/>\nFotos por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Liliane Callegari<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casais que criam e cantam juntos n\u00e3o s\u00e3o exatamente uma novidade na hist\u00f3ria da m\u00fasica popular. Em uma lista extensa que vem desde o Trio de Ouro de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins at\u00e9 Fleetwood Mac, passando pelos Mutantes, Pato Fu e White Stripes, o duo carioca Letuce, formado por Let\u00edcia Novaes e Lucas Vasconcellos, reclama desde fevereiro, com o lan\u00e7amento de seu segundo disco, \u201cManja Perene\u201d, um lugar nessa galeria interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de ser um casal, Lucas e Let\u00edcia tamb\u00e9m se aproveitam da condi\u00e7\u00e3o em palco e em disco, criando uma esfera de intimidade e sensualidade muito atraente para o ouvinte. \u201c\u00c9 maravilhoso ser um casal\u201d, justifica Let\u00edcia. \u201cA gente fala muita besteira no palco. Tem v\u00e1rios casais que fazem m\u00fasica juntos e s\u00e3o mais low profile, mas do nosso jeito era assim ou n\u00e3o era. N\u00e3o tinha como n\u00e3o assumir. Minha vida \u00e9 aberta, falo de tudo o que eu quero\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco foi gravado com recursos obtidos em um crowdfunding no final do ano passado \u2013 a banda pediu R$16 mil, mas acabou arrecadando quase R$19 mil. Para Let\u00edcia, a experi\u00eancia valeu a pena \u2013 e ressaltou uma mudan\u00e7a no sistema de relacionamento entre artista e p\u00fablico: \u201cFoi \u00f3timo, deu pra gravar o disco num est\u00fadio foda. Acho que o mais bacana do crowdfunding \u00e9 que o f\u00e3 tamb\u00e9m n\u00e3o se torna bem um f\u00e3 mais, ele investe, ele colabora. No nosso caso, foram 133 pessoas que pagaram dinheiro por um disco sem ele existir ainda, para compartilhar desse processo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa com Bruno Capelas, o casal confessa uma predile\u00e7\u00e3o especial por \u201cm\u00fasicas de churrascaria e de motel\u201d \u2013 uma amostra desse gosto pode ser conferida no EP \u201cCouves\u201d, lan\u00e7ado em 2010, com releituras para petardos de S\u00f3 Para Contrariar e da cantora nigeriana Sade Adu \u2013 e disse que n\u00e3o se v\u00ea fazendo m\u00fasica um sem o outro. \u201cM\u00fasica \u00e9 algo que eu tenho certeza que vai ser pra sempre na minha vida. Com a Let\u00edcia \u00e9 a mesma coisa. Hoje, essa ideia n\u00e3o bate com a minha vida, ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 pra responder\u201d, explicou Lucas. Caro leitor, prepare-se para penetrar na intimidade de um casal. Na pauta, al\u00e9m de \u201cManja Perene\u201d, Let\u00edcia e Lucas tamb\u00e9m falaram sobre intimidade, sexo, Twitter e cantar em outras l\u00ednguas.Com voc\u00ea, Letuce.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Manja Perene\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_l3Soqh3WVPc0wMfLTczZZ74pAZMkrxkAQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta meio Mar\u00edlia Gabriela: quem \u00e9 Letuce?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Era um apelido meu. Na verdade, era o nome do meu fotolog, onde eu colocava muita poesia, textos meus, e fotos loucas. Nosso primeiro contato foi pelo fotolog.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: A gente era vintage na internet&#8230; (ri)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: As pessoas me chamavam de Letuce. Quando eu e o Lucas nos apaixonamos, j\u00e1 sab\u00edamos que os dois especulavam sobre o mundo da m\u00fasica. Quer dizer&#8230; eu especulava, ele tinha uma carreira, j\u00e1 era um profissional. Foi uma coisa meio natural chamar esse projeto de Letuce: era meu apelido, e j\u00e1 era um nome que tinha for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Todo mundo que conhecia a Let\u00edcia chamava ela de Letuce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Era um apelido mesmo. O Lucas escrevia assim nos e-mails que me mandava: &#8220;Oi, Letuce&#8221;. Depois que a gente chamou a banda de Letuce ele parou. Mas acho que era isso, apesar dessa desculpa ser totalmente liter\u00e1ria&#8230; faz um tempo que voc\u00ea falou uma coisa bonita&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Mais filosoficamente, acho que esse projeto \u00e9 o di\u00e1rio da Let\u00edcia que caiu na minha vida com a m\u00fasica, no meu caldeir\u00e3o de coisas. As composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o assim tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas s\u00e3o um casal antes de ser uma banda?<\/strong><br \/>\nLucas: Somos, teoricamente, mas foi algo quase simult\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Como eu sabia que ele pirava com m\u00fasica, foi algo espont\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Se voc\u00ea considerar que ter uma banda \u00e9 compor uma m\u00fasica juntos, sem fazer shows, mas pensar que um dia voc\u00ea pode vir a faz\u00ea-los, ent\u00e3o acho que a gente foi uma banda primeiro. Uma hora a gente percebeu que a gente estava apaixonado e assumiu, e uma hora a gente percebeu que tinha vinte m\u00fasicas (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso foi quando?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Isso tem cinco ver\u00f5es&#8230; no final de 2007, come\u00e7o de 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas, al\u00e9m de ser um casal, tamb\u00e9m funcionam como um casal. Pelo menos em disco&#8230;<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: A gente funciona, mas tamb\u00e9m briga muito&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Por mais que a gente tenha o mesmo trabalho e sinta um orgulho do outro, rola tamb\u00e9m muita tens\u00e3o pela coisa de ser aprovado pelo outro, de fazer que o outro goste das coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Eu sou capricorniana, ele \u00e9 taurino&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Quando o show d\u00e1 certo, a m\u00fasica ficou boa, a produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, \u00e9 sensacional ver que foi com a minha mulher que isso tudo aconteceu. Vai voltar pra minha casa tudo junto, e \u00e9 bonito. Mas quando estamos criando alguma coisa \u00e9 sempre dif\u00edcil. Por outro lado, como nos conhecemos h\u00e1 mais tempo, gongar o outro j\u00e1 \u00e9 mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: No come\u00e7o \u00e9 diferente, n\u00e9? Fica aquela coisa de voc\u00ea ficar fazendo mise-en-sc\u00e8ne com a pessoa: &#8220;ah, gostei, mas podia ser melhor aqui, sabe?&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: \u00c9. Hoje, quando um dos dois n\u00e3o gosta, \u00e0s vezes nem precisa explicar o porqu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Acho que a parte mais chata de lidar \u00e9 a quest\u00e3o burocr\u00e1tica mesmo. O dia-a-dia de e-mails, shows, produ\u00e7\u00e3o, de ter cuidados&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: N\u00e3o \u00e9 o nosso m\u00e9tier, n\u00e3o tem muito a ver com criatividade, tem mais a ver com log\u00edstica&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Mas ao mesmo tempo, tamb\u00e9m quero saber de tudo. Imagina: n\u00e3o d\u00e1 pra voc\u00ea ser uma diva, ficar l\u00e1 rindo e pensando na vida. Esse lugar n\u00e3o existe mais. O pr\u00f3prio artista, mesmo tendo seus parceiros, produtores e assessores, precisa saber do que est\u00e1 acontecendo para sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: E n\u00e3o \u00e9 sobreviver apenas em termos de dinheiro, \u00e9 sobreviver em termos de poder ser interessante ainda. No mundo de hoje, voc\u00ea n\u00e3o pode fingir que voc\u00ea \u00e9 inacess\u00edvel. N\u00e3o gostamos de fazer esse jogo, que \u00e9 mais uma emula\u00e7\u00e3o de &#8220;ah, eu tenho compromisso demais, n\u00e3o posso nem responder esse e-mail, fa\u00e7o mil coisas&#8221;. Na maioria das vezes nem \u00e9: a pessoa quer parecer ocupada, d\u00e1 s\u00f3 uma sumida pra fingir, mas que na real est\u00e1 vendo o assessor atender o telefone e ver ele acertando os detalhes, porque acha que isso vende uma imagem pras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13896\" title=\"letuce3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E em palco, como \u00e9 ser um casal?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: \u00c9 \u00f3timo. \u00c9 maravilhoso porque ele me d\u00e1 toda a seguran\u00e7a que eu preciso. Tenho um cara do meu lado que \u00e9 talentoso, que me d\u00e1 seguran\u00e7a, que toca fodasticamente bem. Ele cria todo o espa\u00e7o pra que eu me encontre, pra que eu me situe enquanto cantora. Nem sei se sou t\u00e3o cantora assim. Nunca estudei m\u00fasica, ainda estou aprendendo bastante. Ent\u00e3o o fato dele ser fod\u00e3o me ajuda muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Obrigado (ri).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Porque est\u00e1 tudo pronto. \u00c9 um conforto. \u00c9 muito bom. A gente fala muita besteira no palco. E por qu\u00ea n\u00e3o? Tem v\u00e1rios casais que fazem m\u00fasica juntos, que s\u00e3o mais low profile, mas do nosso jeito era assim ou n\u00e3o era, porque s\u00f3 tinha esse jeito. N\u00e3o tinha como n\u00e3o assumir que a gente \u00e9 um casal, n\u00e3o falar da nossa vida pessoal em palco, porque eu n\u00e3o sou assim na vida. Minha vida \u00e9 aberta. Falo de tudo o que eu quero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma coisa que se percebe pelo seu Twitter&#8230;<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: \u00c9. Claro que de vez em quando voc\u00ea tem de criar um tipo de m\u00e1scara social, se n\u00e3o voc\u00ea fica maluca tamb\u00e9m. Imagina, um monte de gente te elogiando depois do show. Tem que saber segurar a onda. Mas tem um lugar da espontaneidade que me agrada muito. Eu nunca poderia ser uma gatinha mist\u00e9rio. N\u00e3o nasci pra isso, n\u00e3o tenho essa voca\u00e7\u00e3o, pra ser fatal ou nada do g\u00eanero. Sou mais realmente mais palha\u00e7a, mais espont\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Palha\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: \u00c9. Mas tamb\u00e9m inclui aquele significado da palha\u00e7a meio triste. Eu sou meio triste, \u00e0s vezes. Palha\u00e7o d\u00e1 medo, eu dou medo. Talvez eu devesse ter feito um clown na minha carreira, ficou faltando essa mat\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco novo de voc\u00eas, \u201cManja Perene\u201d, tem uma esfera de intimidade muito bacana. Por que isso? Tem a ver com a maneira que voc\u00eas gravaram?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: N\u00e3o gravamos em casa, o que deixaria o disco bem \u00edntimo. Com o crowdfunding, que foi \u00f3timo, deu pra gravar num est\u00fadio foda. Mas gravar num est\u00fadio foda \u00e0s vezes tem o problema de voc\u00ea fazer um disco gelado, distante, que n\u00e3o tem tanto a ver com o nosso som quente, pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Legal voc\u00ea falar que o disco \u00e9 pr\u00f3ximo. Foi uma coisa meio projetada pela produ\u00e7\u00e3o. &#8220;P\u00f4, vamos gravar um disco num est\u00fadio bom, mas que se pare\u00e7a com o clima do show&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem uma coisa dos cacos de voc\u00eas falando, cantando&#8230;<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Quando a gente estava fechando o disco, o Bernardo, que \u00e9 o dono do nosso selo, mostrou pra gente algumas das conversas que a gente tinha tido no est\u00fadio. Nem me lembrava delas, porque foram quinhentas mil conversas. A que acabou entrando no disco foi a que mais nos surpreendeu porque pegou um momento natural, do pagodinho do Exaltasamba&#8230; \u201cdeixa acontecer naturalmente&#8230;\u201d (cantarola). Deu uma aquecida no clima ali, e acho que as pessoas sentem isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13897\" title=\"letuce4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas o fato de colocar isso no disco n\u00e3o deixa essa intimidade meio proposital?<\/strong><br \/>\nLucas: Deixa, porque foi o que a gente quis mostrar. Um Big Brother de uma sess\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o. O disco n\u00e3o tem nem 0,0001% do que aconteceu, mas a gente queria aquela atmosfera. Fizemos dez takes de cada m\u00fasica. Falamos quil\u00f4metros de merdas ali. Acabamos pegando um take de cada m\u00fasica e um pedacinho do que era divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Tem muita gente que at\u00e9 tem no\u00e7\u00e3o de como \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de est\u00fadio. Mas tamb\u00e9m tem gente que \u00e9 f\u00e3 e que n\u00e3o sabe como \u00e9 essa rotina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Est\u00e1vamos conversando com uns amigos da Let\u00edcia sobre o fato da gente explorar a situa\u00e7\u00e3o da gente ser casado, de ter uma rotina, uma vida em comum e perguntamos a eles o que eles achariam se a gente tirasse esse elemento do trabalho. Eles responderam: &#8220;Imagina, mas isso \u00e9 indissoci\u00e1vel de voc\u00eas, mesmo pra quem n\u00e3o conhece voc\u00eas pessoalmente&#8221;. Ent\u00e3o se fazemos uma m\u00fasica sem essa intimidade \u00e9 um corte meio fora da nossa natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tamb\u00e9m tem uma pegada bem sexy, muitas m\u00fasicas falam de suti\u00e3, de calcinha, de sexo.<\/strong><br \/>\nLucas: Algumas pessoas acharam pornogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Um cr\u00edtico chegou a dizer que a gente tinha usado palavras &#8220;despudoradas&#8221;, mas ele tem um cora\u00e7\u00e3o de 130 anos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas como voc\u00eas encaram essa fronteira entre o sensual e o porn\u00f4?<\/strong><br \/>\nLucas: \u00c9 parte da nossa intimidade fazer sexo e gostar disso. O disco tem esse lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Assim como n\u00f3s somos um casal que toca muito viol\u00e3o, n\u00f3s tamb\u00e9m fazemos muito sexo. Somos casados, por que isso tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser um ingrediente da nossa m\u00fasica? Acho a palavra &#8220;bacurinha&#8221; por si s\u00f3 uma poesia. Que palavra mastig\u00e1vel, deliciosa, sonora&#8230; eu falo essa palavra, no Rio dos anos 80 e 90 falava-se muito em bacurinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: O Jorge Mautner fala uma coisa incr\u00edvel sobre isso. Ele fala que quando voc\u00ea pensa, pensa aquilo \u00e9 que \u00e9 a verdade. A primeira coisa \u00e9 a verdade, o resto ficou no funil e se voc\u00ea tampar aquilo, voc\u00ea vai criar um c\u00e2ncer de emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foram desalojadas. Temos a liberdade de falar do que a gente quiser. Se eu quiser falar de sacanagem, tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: \u00c9 melhor eu ter feito uma m\u00fasica que eu falo &#8220;cucurucu&#8221; e &#8220;bacurinha&#8221; do que n\u00e3o ter feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Se quiserem achar pornogr\u00e1fico tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3timo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que mudou do primeiro disco pro EP que voc\u00eas lan\u00e7aram em 2010 pra esse disco?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: No primeiro disco, n\u00f3s \u00e9ramos desconhecidos. As pessoas diziam: &#8220;Mas quem \u00e9 Let\u00edcia, da Tijuca?&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Era um primeiro disco bem autoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Mas tinha duas releituras: uma reinterpreta\u00e7\u00e3o em franc\u00eas de &#8220;Caso S\u00e9rio&#8221;, da Rita Lee, porque a minha m\u00e3e \u00e9 professora de franc\u00eas, e achei uma homenagem bonita que eu tinha de fazer pras duas; e a Marina Lima, porque eu a amo, e essa m\u00fasica &#8220;Acontecimentos&#8221; tem uma import\u00e2ncia enorme na nossa hist\u00f3ria&#8230; J\u00e1 a hist\u00f3ria do EP \u201cCouves\u201d \u00e9 um pouco diferente. Na noite em que nos conhecemos, tocamos viol\u00e3o at\u00e9 \u00e0s sete da manh\u00e3. Fiquei impressionada porque ele sabia todos os pagodes dos anos 90 &#8211; e ele ficou impressionado porque eu sabia todas as letras. Sou tijucana, e o pagode era muito forte na Tijuca. Isso \u00e9 uma coisa que a gente fez porque faz parte da nossa vida. N\u00e3o era pra fazer tipo, pra causar, para parecer diferente. Depois do lan\u00e7amento do primeiro disco, fizemos uma temporada de shows no Rio, num lugar chamado Cinemath\u00e8que, que chamava &#8220;Churrasquinho Sunset&#8221;. A ideia era que as pessoas fossem pro show depois da praia, tinha churrasquinho durante o show, e s\u00f3 toc\u00e1vamos m\u00fasica de churrascaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13898\" title=\"letuce8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce8.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce8.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce8-300x189.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas o que \u00e9 m\u00fasica de churrascaria?<\/strong><br \/>\nLucas: Ah, pagode, m\u00fasica que tocava no r\u00e1dio nos anos 90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Mas a maioria era pagode. Tinha um ou outro samba, m\u00fasica de motel, Sade, essas coisas&#8230; Mas n\u00e3o eram exatamente covers, eram releituras&#8230; E as pessoas gostavam, e falavam &#8220;Poxa, mas eu quero ouvir a vers\u00e3o de voc\u00eas para essa m\u00fasica do Ra\u00e7a Negra, n\u00e3o a original&#8230;&#8221;, e a\u00ed fizemos o EP, mas n\u00e3o lan\u00e7ou fisicamente. No EP tem uma in\u00e9dita nossa, que \u00e9 &#8220;Baliza&#8221;, que aproveitamos pra gravar junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bacana voc\u00ea ter falado das releituras. Quando ouvi o EP, pensei: \u201ct\u00e1, tem uma vers\u00e3o de Sade, outra de uma m\u00fasica que eu sempre ou\u00e7o, mas n\u00e3o sei quem canta [\u201cYou Gotta Be\u201d] e tr\u00eas m\u00fasicas originais deles\u201d. Quem n\u00e3o conhece as grava\u00e7\u00f5es originais pode pensar muito bem que as m\u00fasicas do EP s\u00e3o de voc\u00eas, como \u201cO Que Se Chama Amor\u201d, por exemplo&#8230;<\/strong><br \/>\nLucas: Meu sonho era ter feito uma letra que nem essa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu s\u00f3 fui descobrir quando entrevistei o Giancarlo Rufatto, e ele comentou de voc\u00eas quando falou da proposta que ele tinha ao fazer covers.<br \/>\nLet\u00edcia: Ele tamb\u00e9m tem essa pegada&#8230; Tem uma cover dele maravilhosa, com um viol\u00e3oz\u00e3o gostoso&#8230; (pensa por um tempo&#8230;) \u00c9 Roxette! Lembrei! (cantarola &#8220;It must have been love&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a m\u00fasica de motel, aparece de onde?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: M\u00fasica de motel \u00e9 Sade. Sempre pensei: &#8220;Nossa, Sade, baita mulher\u00e3o, com aquela voz&#8221; (cantarola &#8220;Smooth Operator&#8221;). Fomos ver o show dela no Rio, ano passado. Era meio cafona, mas sabe aquele cafona maravilhoso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Ca\u00edram umas cortinas umas cinco vezes durante o show&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Mas ela fazia umas coisas que ningu\u00e9m faz mais, com arranjo de big band e tudo mais. D\u00e1 pra ver que os m\u00fasicos s\u00e3o amigos, tocam juntos h\u00e1 15 anos, eles eram completamente entrosados. Foda. Mas acho que a m\u00fasica de motel \u00e9 porque \u00edamos muito pra motel. Eu ainda morava com os meus pais, a gente ia pra l\u00e1 ouvindo r\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Gosto mesmo de ouvir r\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas ouvem r\u00e1dio?<\/strong><br \/>\nLucas: Toda vez que a gente sai de S\u00e3o Paulo e do Rio, temos que colocar na r\u00e1dio local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>E o que voc\u00eas destacam do que andaram ouvindo nas r\u00e1dios?<\/strong><\/span><br \/>\nLucas: Na \u00faltima viagem que fizemos para a Bahia, com o Lucas Santanna, o taxista colocou no r\u00e1dio um cara sensacional chamado Augusto Calheiros. Deu pra ouvir o disco inteiro desse cara, que nunca chegou a sair direito por aqui. Ele era um dos mil &#8220;Roberto Carlos&#8221; que aconteceram. Todo Estado queria ter o seu Roberto Carlos e n\u00e3o podia ter, ent\u00e3o foram criando gen\u00e9ricos de Roberto Carlos, e esse cara \u00e9 um deles. Descubro muito pouca m\u00fasica, prefiro ouvir m\u00fasica que chega at\u00e9 mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13899\" title=\"letuce7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce7.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"395\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Normalmente eu que mando m\u00fasica pra ele, ou amigos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: Fico vulner\u00e1vel \u00e0 m\u00fasica, mas n\u00e3o sou a pessoa que vai atr\u00e1s dela, que fica buscando aquele disco rar\u00edssimo, absolutamente n\u00e3o sou. Gosto de estar sujeito \u00e0s m\u00fasicas que acontecem. A Let\u00edcia \u00e9 mais pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Desde que a gente se conhece, todo e-mail que eu mando pra ele tem uma m\u00fasica junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi fazer o crowdfunding? Demorou pra acontecer? Voc\u00eas ficaram com medo de n\u00e3o conseguir?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: A ideia foi do nosso selo, que \u00e9 a Bolacha Discos. Eles falaram que l\u00e1 fora essa ideia andava rolando, e pensamos em fazer aqui. Fiquei com o maior caga\u00e7o, achei que n\u00e3o ia dar certo. Mas ent\u00e3o me convenceram, e depois que me convenceram dei a maior for\u00e7a. Nos primeiros dias rola uma euforia. Depois, ficou num hiato. Nessa \u00e9poca, eu tinha certeza que ia dar merda, mas depois acabou dando certo. Lembro do dia que a gente fechou, parecia final de Copa do Mundo quando liguei pro Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o valor?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Pedimos R$16 mil, mas conseguimos arrecadar R$19 mil. Deu 20% a mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Lembro que tinham algumas propostas do tipo&#8230; &#8220;pague por um jantar na sua casa com a banda&#8221;. Rolou isso?<\/span><\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Um grupo de f\u00e3s que s\u00e3o muito queridos comprou o jantar, que foi na casa de um deles. Cozinhamos, brindamos, bebemos juntos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas cozinharam?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Macarr\u00e3o com shitake e camar\u00e3o.<br \/>\nE como foi essa experi\u00eancia de &#8220;jantar com o f\u00e3&#8221;? Tem aqueles f\u00e3s que voc\u00ea at\u00e9 conhece, de conversar depois do show, mas n\u00e3o \u00e9 aquela rela\u00e7\u00e3o de proximidade, de se passar muito tempo junto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Com esse f\u00e3, eu j\u00e1 tinha conversado algumas vezes depois do show, tinha trocado uns twits, ent\u00e3o sabia alguma coisa da vida dele, mas nada demais. Mas conversar, ficar b\u00eabado junto de algu\u00e9m \u00e9 uma coisa muito \u00edntima&#8230; Voc\u00ea se exp\u00f5e, e foda-se, \u00e9 maravilhoso. Foi bem legal, at\u00e9 pra eles n\u00e3o ficarem achando, &#8220;ah, artista \u00e9 diferente&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso tamb\u00e9m faz parte do artista que n\u00e3o quer ficar l\u00e1 feito uma diva&#8230;<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: J\u00e1 disse, n\u00e3o sou gatinha mist\u00e9rio, n\u00e3o tenho talento pra esse tipo de coisa. Fizemos tamb\u00e9m um piquenique. Ainda n\u00e3o rolou, mas vai rolar. Acho que o mais bacana do crowdfunding \u00e9 que o f\u00e3 tamb\u00e9m n\u00e3o se torna bem um f\u00e3 mais, ele investe, ele colabora. N\u00e3o \u00e9 aquela rela\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica. Foram 133 pessoas, que juntaram um dinheiro e queriam um disco. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o artista-p\u00fablico, mas n\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o de fanatismo da palavra. S\u00e3o pessoas interessadas que pagam por um disco sem ele existir, que pagam por um jantar para compartilhar desse processo. A conversa acaba ganhando um tom de entrevista, perguntam bastante sobre a gente. A Lulina t\u00e1 fazendo uma parada chamada Minimecenas, \u00e9 mais uma alternativa interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas teve algum patroc\u00ednio de empresas?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: A Cant\u00e3o, que \u00e9 uma loja de roupas femininas, e a Oi. E vendemos tamb\u00e9m um pocket show para o Multishow. Eles filmaram e v\u00e3o transmitir no canal HD. Mas n\u00e3o \u00e9 com qualquer empresa que eu faria: j\u00e1 tenho uma hist\u00f3ria antiga com a Cant\u00e3o, j\u00e1 fiz show pra eles, \u00e9 uma loja bacana. N\u00e3o era uma coisa &#8220;s\u00f3 queremos colocar a marca a\u00ed&#8221;. Assim como o f\u00e3 n\u00e3o \u00e9 f\u00e3, o patrocinador tamb\u00e9m deixa um pouco de ser um patrocinador. Ele vira um apoiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13900\" title=\"letuce6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce6.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 cantar em ingl\u00eas e em franc\u00eas &#8211; a releitura de &#8220;Caso S\u00e9rio&#8221;, da Rita Lee, que virou &#8220;S\u00e9rieuse Affair&#8221;?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Eu adoro. Minha m\u00e3e \u00e9 professora de l\u00ednguas, e ela sempre me estimulou a falar em franc\u00eas, em ingl\u00eas, em espanhol. Ela me levava para ver filmes franceses, (e espanh\u00f3is, para ver) Almod\u00f3var. Lembro de ler uma minibiografia do Elvis em ingl\u00eas. Minha m\u00e3e j\u00e1 pensava que o mundo ia ser globalizado e que pessoas que falassem outras l\u00ednguas iam se dar bem. Acho muito legal voc\u00ea ir pra Fran\u00e7a e n\u00e3o falar ingl\u00eas, mas falar franc\u00eas mesmo. Cantar em outra l\u00edngua \u00e9 uma possibilidade de atingir mais pessoas, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Dentro de mim, \u00e0s vezes penso em franc\u00eas ou em ingl\u00eas, por exemplo. E muitas vezes no ambiente familiar eu falo em outras l\u00ednguas \u2013 meu irm\u00e3o mora na Inglaterra, minha sobrinha tem tr\u00eas anos e eu falo em ingl\u00eas com ela. \u00c9 natural&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 teve alguma resposta de f\u00e3s do exterior?<\/span><\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Hoje mesmo uma menina da It\u00e1lia me mandou um e-mail em ingl\u00eas &#8211; eu n\u00e3o falo italiano, e acho que ela n\u00e3o fala portugu\u00eas &#8211; falando para saber mais da banda. Sei que a gente tem f\u00e3s em Portugal &#8211; parece que estavam tentando organizar da gente ir para l\u00e1 &#8211; e na Argentina tamb\u00e9m. At\u00e9 demos entrevistas para uma revista e v\u00e1rios blogs de m\u00fasica Hermanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Isso que voc\u00ea falou que vai contra aquele papo de \u201cah, estou cantando em ingl\u00eas e ningu\u00e9m t\u00e1 me entendendo\u201d. Tem o outro lado da moeda, de poder expandir os horizontes. Rola um preconceito por cantar em outras l\u00ednguas?<\/span><\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Rola. Muita gente comenta. Mas n\u00e3o vou conseguir fugir disso &#8211; \u00e9 algo meu, cresci com isso. Faz parte de mim, n\u00e3o quero deixar isso de lado. Minha casa era muito diferente &#8211; minha m\u00e3e sempre deixava recadinhos na geladeira em franc\u00eas, avisando se tinha comida pro jantar, ou n\u00e3o sei o qu\u00ea. Ela faz ingl\u00eas at\u00e9 hoje &#8211; n\u00e3o quer perder a pr\u00e1tica com a l\u00edngua se precisar viajar. Meu pai, por sua vez, s\u00f3 fala &#8220;beer&#8221;, &#8220;toilet&#8221;, o que ele acha necess\u00e1rio. Viajar \u00e9 muito bom, saber uma l\u00edngua pra poder se expressar \u00e9 melhor ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra experi\u00eancia tua \u00e9 ter feito teatro. Como isso influi na artista que voc\u00ea \u00e9? Tem at\u00e9 uma m\u00fasica que voc\u00ea canta algo sobre isso, n\u00e3o tem?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: &#8220;Sempre Tive Perna&#8221;. Eu falo: &#8220;n\u00e3o tenho ouvido pra afina\u00e7\u00e3o\/eu estudei Teatro&#8221;. \u00c9 claro que estou melhorando bastante a cada dia, porque o Lucas me exige muito, com voz, com postura. Ele me p\u00f5e pra estudar muito. Se eu ouvir a primeira grava\u00e7\u00e3o que eu fiz, de 2008, eu arranho a minha cara. O Antonio Midani, engenheiro de som do nosso disco, foi ver um show agora e me disse ao final: \u201cVoc\u00ea t\u00e1 cantando muito\u201d. Isso pra mim valeu a vida, porque ele foi a pessoa que mais deve ter suado para corrigir os meus erros na grava\u00e7\u00e3o. Ele me abra\u00e7ou e me disse aquilo, e eu respeitei aquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Quanto tempo voc\u00ea fez teatro?<\/span><\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Me formei na CAL (Casa de Artes de Laranjeiras), que \u00e9 o curso de teatro mais famoso do Rio, junto com o Tablado. Engra\u00e7ado: a primeira coisa que eu fiz no curso foi cantar. A primeira aula, do primeiro dia, era M\u00fasica. Cheguei atrasada, porque eu morava longe, e o professor me escolheu pra cantar uma m\u00fasica na hora. Pensei comigo: \u201csou t\u00edmida, mas a timidez tamb\u00e9m me d\u00e1 uma loucura&#8230; \u00e9 melhor eu gritar\u201d. Ent\u00e3o cantei &#8220;Mercedes Benz&#8221;, da Janis Joplin, com aquele vozeir\u00e3o de &#8220;Oh Lord&#8230;&#8221;. Os meus amigos que ficaram daquela \u00e9poca sempre comentam dessa aula. \u00c9 muito louco. Na CAL, eu compunha muito e tocava viol\u00e3o. Fazia umas m\u00fasicas mais engra\u00e7adinhas, as pessoas gostavam, n\u00e3o tinha tanta melodia. Eram coisas mais faladas, falando mal de homem&#8230; Minha primeira m\u00fasica chama &#8220;Love Sucks&#8221;. Quem diria que eu hoje cantaria m\u00fasicas de amor? As coisas sempre se misturaram pra mim. Sinto muito prazer em ver uma pe\u00e7a ainda, tem algumas montagens no Rio que me deixam impressionada, com pessoas da minha idade fazendo trabalhos autorais sensacionais. Fico feliz de ter andado e crescido com essas pessoas. Na banda, eu me sinto mais espont\u00e2nea, porque teatro tem muito a ver com roteiro, acho que eu me sentiria meio presa. Mas com certeza, devo ter aprendido alguma loucura esquizofr\u00eanica na CAL. Foram tr\u00eas, quatro anos muito intensos da minha vida. Com certeza algo ficou.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13901\" title=\"letuce2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/letuce2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Uma pergunta que \u00e9 mais s\u00e9ria e meio cabe\u00e7uda&#8230; queria saber o que voc\u00ea acha da cena carioca. De 2008 at\u00e9 agora, que \u00e9 quando voc\u00ea esteve inserida nessa cena, como \u00e9 que voc\u00ea enxerga esse lugar? Ela \u00e9 ruim, ela existe, ela \u00e9 boa?<\/span><\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: S\u00f3 posso falar das pessoas que conhe\u00e7o e que frequento. Por exemplo: teve uma mat\u00e9ria no Segundo Caderno d&#8217;O Globo, que fala de alguns m\u00fasicos que tocam mais na Lapa. Eles falaram uma frase super pol\u00eamica: &#8220;entre R\u00f4mulo Fr\u00f3es e Michel Tel\u00f3, fico com o Michel Tel\u00f3&#8221;. Amo o R\u00f4mulo Fr\u00f3es. Na \u00e9poca dessa mat\u00e9ria, ele escreveu no Facebook dele: &#8220;Voc\u00ea sabe que est\u00e1 ficando famoso quando te comparam ao Michel Tel\u00f3&#8221;. Que coisa louca. Eu nem poderia falar sobre esses caras da Lapa. O Rio tem uma segrega\u00e7\u00e3o forte. Tem a galera do samba, tem a galera do hip hop, tem a galera considerada indie, que \u00e9 a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00eas trafegam por v\u00e1rias influ\u00eancias&#8230;<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Sim, mas tem a segrega\u00e7\u00e3o. A galera do samba n\u00e3o vai no meu show. E eu tamb\u00e9m n\u00e3o vou no show deles, porque n\u00e3o sou tanto de samba. Gosto, j\u00e1 chorei rios num show do Paulinho da Viola, mas n\u00e3o poderia falar pela cena por completo. Mas n\u00e3o acho que o Rio morreu, que ele \u00e9 o t\u00famulo da m\u00fasica ou do rock. Pelo contr\u00e1rio, sinto cada vez mais nomes fortes acontecendo. Claro que eles ainda n\u00e3o t\u00eam incentivo suficiente, ou o status para que tudo isso possa criar p\u00fablico. A gente teve muita sorte quando a gente come\u00e7ou porque o Cinemath\u00e8que, uma casa de shows do Rio, deu pra gente uma temporada de um m\u00eas. Isso foi determinante: uma galera ia num domingo, e no domingo seguinte levavam seus amigos. E no domingo seguinte esses amigos levavam seus amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de um m\u00eas voc\u00eas dobraram de p\u00fablico&#8230;<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Foi um momento de sorte ali. Tem v\u00e1rios nomes no Rio que eu adoro, mas n\u00e3o sei se as pessoas conhecem tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cita alguns deles ent\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Tem a Ava Rocha, filha do Glauber Rocha, acabou de lan\u00e7ar um disco, &#8220;Diurno&#8221;. As pessoas n\u00e3o est\u00e3o falando tanto dele, mas \u00e9 uma maravilha, bel\u00edssimo. Tem o namorado dela, que \u00e9 o Negro L\u00e9o, uma voz maravilhosa. Tem Alice Caymmi, uma menina nova, neta de Dorival Caymmi, que tem um trabalho muito diferente. Ela tem 21 anos e tem uma m\u00fasica s\u00f3 dela, chamada &#8220;Rev\u00e9s&#8221;. Com 21 anos de idade n\u00e3o conseguiria ter feito aquilo. Tem tamb\u00e9m uma banda de rock experimental louc\u00e3o, chama Dorgas, uns meninos pirando, gritando, mandando ver. Tem tamb\u00e9m Botica, cantor de uma banda chamada Os Outros, que acabou de lan\u00e7ar um projeto solo lindo, dedicado, diferente. S\u00e3o nomes diferentes, que me emocionam, que eu fico com vontade de mostrar pra quem virar pra mim e falar que n\u00e3o tem nada acontecendo no Rio. Tem tamb\u00e9m todos os outros que j\u00e1 existem h\u00e1 um tempo, como a Nina Becker. Amo a voz dela, &#8220;Azul&#8221; e &#8220;Vermelho&#8221; s\u00e3o duas obras-primas. O Do Amor \u00e9 maravilhoso. E eu preciso falar do Qinho, um cantor amigo nosso, que tamb\u00e9m \u00e9 maravilhoso. D\u00e1 at\u00e9 nervos de ouvir gente falando assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos planos da Letuce? Dominar o mundo?<\/strong><br \/>\nLet\u00edcia: Queria muito fazer shows no Nordeste&#8230; meu av\u00f4 era pernambucano, passei f\u00e9rias maravilhosas no Recife, sei que temos muitos f\u00e3s l\u00e1. Quase rolou, mas tem sempre aquele problema da passagem. Estou quase bancando do meu bolso, de tanto que as pessoas pedem para irmos pra l\u00e1. Fortaleza e Recife, a gente t\u00e1 chegando. Aguentem que vai rolar. Os planos n\u00e3o s\u00e3o muito mirabolantes n\u00e3o, \u00e9 importante um passinho de cada vez. Nordeste ia ser muito importante pra mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica de voc\u00eas est\u00e1 muito ligada a voc\u00eas serem um casal. N\u00e3o querendo dar azar no romance, mas voc\u00eas se veem algum dia n\u00e3o sendo mais um casal e continuando a fazer m\u00fasica juntos?<\/strong><br \/>\nLucas: Eu n\u00e3o gosto de imaginar minha vida sem a Let\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Let\u00edcia: Eu tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas: M\u00fasica \u00e9 algo que eu tenho certeza que vai ser pra sempre na minha vida. A m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 uma parte de mim, a m\u00fasica sou eu. Eu n\u00e3o escolho. Com a Let\u00edcia \u00e9 a mesma coisa. Hoje, essa ideia n\u00e3o bate com a minha vida, ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 pra responder.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Letuce - Poderosa\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D1WR8SDC9rs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"letuce - serieuse affaire\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WfeBawxxpN0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LETUCE - Ballet da Centop\u00e9ia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zTf5hfzU8Pg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"letuce - areia fina\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N-Sg9Qo_r7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"letuce - medo de baleia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/U1Tq7JbXRHg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde maio de 2010\u00a0 e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pergunte ao Pop<\/a>.<br \/>\n&#8211; Liliane Callegari (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@licallegari<\/a>) \u00e9 arquiteta e fot\u00f3grafa. Site oficial: <a href=\"http:\/\/lilianecallegari.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/lilianecallegari.com.br\/<\/a><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><br \/>\n<strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/span><br \/>\n&#8211; Ao vivo em S\u00e3o Paulo: Letuce e Marcelo Jeneci, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/16\/ao-vivo-letuce-e-marcelo-jeneci\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Giancarlo Ruffato faz piada sobre o sentimentalismo masculino, por Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/03\/entrevista-com-giancarlo-rufatto\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Al\u00e9m de ser um casal, Lucas e Let\u00edcia se aproveitam da condi\u00e7\u00e3o em palco e em disco, criando uma esfera de sensualidade&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/17\/entrevista-letuce\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":75760,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2907,933,1506],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13887"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13887"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75761,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13887\/revisions\/75761"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}