{"id":138,"date":"2007-11-19T13:35:13","date_gmt":"2007-11-19T15:35:13","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/11\/19\/disco-da-semana-white-chalk-de-polly-jean-harvey\/"},"modified":"2016-07-31T12:26:16","modified_gmt":"2016-07-31T15:26:16","slug":"disco-da-semana-white-chalk-de-polly-jean-harvey","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/19\/disco-da-semana-white-chalk-de-polly-jean-harvey\/","title":{"rendered":"&#8220;White Chalk&#8221;, de Polly Jean Harvey"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-33644 aligncenter\" title=\"pj_white\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pj_white.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande maioria das pessoas odeia mudan\u00e7as em seu dia-a-dia. Est\u00e3o de certa forma atoladas na rotina di\u00e1ria que se algu\u00e9m tirar o cinzeiro do lugar de costume e colocar no lugar um copo de gasolina, \u00e9 capaz que ele jogue as cinzas de cigarro no mesmo lugar sem notar nenhuma mudan\u00e7a. E depois beber o l\u00edquido &#8211; se ele j\u00e1 n\u00e3o estiver jogado tudo pelos ares &#8211; sem saber o que aquele copo estava fazendo ali. Na m\u00fasica pop, a palavra mudar \u00e9 quase uma ofensa. Por mais contradit\u00f3rio que pare\u00e7a ser, f\u00e3s n\u00e3o pagam para que o artista seja criativo, mas sim para que ele n\u00e3o ouse sair um mil\u00edmetro que seja daquilo que eles aprenderam a admirar. O culto ao mais do mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu oitavo disco numa carreira marcada pela atemporalidade, Polly Jean Harvey coloca o rock e os sons de guitarra distorcida &#8211; t\u00e3o caracter\u00edsticos de sua persona pop &#8211; em uma redoma de vidro para voltar no tempo, mais precisamente 1861, ano em que o pintor James Abbott McNeill Whistler desenhou o quadro &#8220;The White Girl&#8221;, inspira\u00e7\u00e3o da capa deste &#8220;White Chalk&#8221;. Com esse retorno, PJ deixa no futuro os sons de guitarra, baixo e bateria trocando os por harpa, banjo e gaita, mas quem comanda a usina de melodias do \u00e1lbum \u00e9 o piano (ali\u00e1s, tema de outro quadro de Whistler, &#8220;At The Piano&#8221;, em que uma mulher de roupas negras toca uma can\u00e7\u00e3o para uma garotinha toda de branco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca de PJ Harvey pelo isolamento no passado \u00e9 explicitada em diversas letras de &#8220;White Chalk&#8221; que valorizam a solid\u00e3o e o sil\u00eancio (ao contr\u00e1rio de <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/polly_jean_harvey_uhhhh.html\" target=\"_blank\">&#8220;Uh Uhu Her&#8221;<\/a>, em que ela dava sinais de esperar o ver\u00e3o). Em &#8220;Dear Darkness&#8221; (com backings de John Parish, um dos produtores do \u00e1lbum ao lado de Flood e PJ) ela faz uma declara\u00e7\u00e3o de amor para a escurid\u00e3o: <em>&#8220;Cara escurid\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai me cobrir novamente? Fui sua amiga durante anos, voc\u00ea n\u00e3o vai fazer isso para mim, car\u00edssima escurid\u00e3o, proteger-me do sol?&#8221;<\/em>. Em &#8220;Before Departure&#8221; ela escreve uma carta de despedida: <em>&#8220;Adeus meus caros amigos, perdoem a minha franqueza e lembrem-se de mim na primavera&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na volta ao passado PJ encontra sua m\u00e3e, e pede em &#8220;Grow Grow Grow&#8221;: <em>&#8220;M\u00e3e, me ensine a crescer&#8221;<\/em>; em &#8220;&#8221;To Talk To You&#8221; ela tenta falar com o av\u00f4; em &#8220;Silence&#8221; ela se liberta da fam\u00edlia, do trabalho e de si mesma; em &#8220;The Piano&#8221; diz que ningu\u00e9m a escuta enquanto repete que se perdeu de Deus; em &#8220;Devil&#8221; avisa que o Diabo est\u00e1 divagando em sua alma; &#8220;When Under Eter&#8221;, primeiro single do disco, \u00e9 sobre uma pessoa em coma: <em>&#8220;a mente est\u00e1 viva, mas sem consci\u00eancia de nada, ela quer sobreviver&#8221;<\/em>; em &#8220;Mountain&#8221; ela j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 sentindo nada em sua alma, e faz uma pequena profecia: <em>&#8220;A primeira \u00e1rvore n\u00e3o ir\u00e1 dar flores \/ A segunda n\u00e3o ir\u00e1 crescer \/ A terceira quase cair\u00e1 \/ Uma vez que voc\u00ea me traiu&#8230; assim&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atmosfera do disco \u00e9 densa, sombria, renascentista. Polly Jean Harvey canta muito, mas rasga a voz em poucas passagens. A bateria tamb\u00e9m \u00e9 rara em um \u00e1lbum que n\u00e3o deve e nem pode ser consumido como se fosse um produto fast-pop-food (como acontece com grande parte do Novo Rock, que satisfaz o desejo por alguns mil\u00e9simos de segundo at\u00e9 serem descartados e trocados por algo mais novo&#8230; e praticamente igual), mas requer aten\u00e7\u00e3o e calma. &#8220;Broken Harp&#8221; soa como um resumo da obra com PJ cantando a capella nos primeiros segundos: <em>&#8220;Por favor, n\u00e3o me censure \/ Minha vida tornou-se vazia \/ Eu n\u00e3o sei realmente o que aconteceu \/ Prestei aten\u00e7\u00e3o a sua decep\u00e7\u00e3o \/ E estou sendo mal interpretada \/ Mas vos perd\u00f4o&#8221;<\/em>. As almas pequenas &#8211; que passam a vida a remoer pequenas certezas &#8211; podem dormir em paz. A deusa Polly Jean Harvey os perdoa. Am\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;White Chalk&#8221;, de PJ Harvey<\/strong> (Universal)<br \/>\nLan\u00e7amento nacional: R$ 25 (em media)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rquA9GKn9aM\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rquA9GKn9aM\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a Calmantes com Champagne<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nA grande maioria das pessoas odeia mudan\u00e7as em seu dia-a-dia. 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