{"id":13536,"date":"2012-03-31T11:31:09","date_gmt":"2012-03-31T14:31:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=13536"},"modified":"2012-04-24T08:30:11","modified_gmt":"2012-04-24T11:30:11","slug":"musica-port-of-morrow-the-shins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/31\/musica-port-of-morrow-the-shins\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Port of Morrow, The Shins"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13537\" title=\"shins\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/shins.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\">Tiago Faria<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando voc\u00ea ouvir pela primeira vez este \u00e1lbum do Shins, possivelmente vai concluir que \u201cPort of Morrow\u201d \u00e9 todo ele uma superf\u00edcie polida e tranquila. Vai ficar, imagino, a impress\u00e3o de que voc\u00ea j\u00e1 desvendou \u2014 antes, h\u00e1 muito tempo, numa outra \u00e9poca \u2014 todos os mist\u00e9rios deste disco, mesmo que ainda n\u00e3o tenha se aproximado da faixa 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o de conforto deve se tornar ainda expl\u00edcita ao perceber que James Mercer, o mentor do quinteto, est\u00e1 regularmente nos avisando que ele \u00e9 um \u201chomem simples\u201d (em \u201cBait and Switch\u201d) e que estas can\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o, bem, muito complicadas (vide \u201cSimple Song\u201d, o primeiro single).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia um tempo, por volta de 2002-2003, em que Mercer comentava que o Shins era apenas uma desculpa que encontrou para criar varia\u00e7\u00f5es inesperadas dentro dos limites de can\u00e7\u00f5es pop de tr\u00eas minutos de dura\u00e7\u00e3o. O plano ainda parece fazer sentido, j\u00e1 que quase todas as faixas de \u201cPort of Morrow\u201d s\u00e3o can\u00e7\u00f5es convencionais, ainda que com uma ou duas (ou tr\u00eas) arestas aparentes \u2014 um efeito fofo de sintetizador, um corinho com eco, a bateria repetitiva de um hit do Phoenix.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso de ter resistido \u00e0 monotonia generalizada, pode ser que voc\u00ea encontre um ind\u00edcio de que as coisas podem n\u00e3o ser t\u00e3o unidimensionais como parecem. \u201c\u00c9 tudo muito simples, e terrivelmente complexo\u201d, alerta Mercer, l\u00e1 quase no fim do \u00e1lbum (em \u201c40 Mark Strasse\u201d). O que provoca a pergunta inevit\u00e1vel: onde est\u00e1 a complexidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez ela tenha se escondido nos versos de Mercer. \u00c9 sabido que seus versos sempre representaram por volta de 80% daquilo que voc\u00ea considerava encantador nesta banda. Quando Natalie Portman, no draminha indie \u201cHora de Voltar\u201d, comentou que o Shins mudaria nossas vidas, h\u00e1 boas chances de que estivesse falando sobre o teor deliciosamente liter\u00e1rio de m\u00fasicas como \u201cThe Past and Pending\u201d e \u201cNew Slang\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ler as can\u00e7\u00f5es, neste caso, ser\u00e1 uma pista importante para que voc\u00ea encontre a segunda dimens\u00e3o do disco: \u201cPort of Morrow\u201d, ent\u00e3o, vai se abrir graciosamente num \u00e1lbum menos sereno e c\u00f4modo, com rasteirices que versam sobre envelhecimento, morte, dores de cotovelo e que, volta e meia, tentam materializar um sentimento que n\u00e3o se descreve com facilidade \u2014 um mal estar que acomete alguns adultos bem sucedidos, bons pais e maridos (Mercer, 41 anos, \u00e9 casado e tem dois filhos), mas ainda assombrados por um tipo adolescente de inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/RoLTPcD1S4Q\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/RoLTPcD1S4Q\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa t\u00edtulo resume essa crise discreta. Depois de narrar uma cena que demonstra \u201ca mec\u00e2nica amarga da vida\u201d (um animal devorando outro), ele descreve, com um falsete soul, o asco que a gente sente ao ver fotos de guerras. Como informar \u00e0s crian\u00e7as sobre todo esse horror? Os respons\u00e1veis por esses conflitos lament\u00e1veis s\u00e3o \u201cpalha\u00e7os diab\u00f3licos\u201d, o compositor conclui. Mas, em seguida, rompe o discurso inocente com uma constata\u00e7\u00e3o mais dura: \u201cLogo notamos, caro ouvinte, que eu e voc\u00ea tamb\u00e9m estivemos l\u00e1\u201d. L\u00e1 onde? Nas guerras e trag\u00e9dias? Estar\u00edamos, eu e voc\u00ea e Mercer, todos inseridos no Grande Esquema Medonho das Coisas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terrivelmente complexo, indeed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante desse contraste entre letra &amp; m\u00fasica, h\u00e1 o perigo de que voc\u00ea lamente a falta de valentia de Mercer, que se deu por satisfeito ap\u00f3s gravar somente a metade de um conceito: um \u00e1lbum que se l\u00ea com prazer e se ouve com certo t\u00e9dio. Entender que este \u00e9 o primeiro produto do selo de Mercer, o Aural Apothecary (via Columbia Records), esclarece o porqu\u00ea de escolhas t\u00e3o \u00f3bvias: antes de criar um disco novo do Shins, o m\u00fasico\/microempres\u00e1rio parece ter se sentido na obriga\u00e7\u00e3o de escrever mais um disco (t\u00edpico, agrad\u00e1vel, acess\u00edvel) da banda. \u201cIt\u2019s Only Life\u201d, por exemplo, poderia ser uma balada edificante de Noel Gallagher. E \u201cSeptember\u201d, o lado B de \u201cRed Rabbits\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao cruzar essas duas informa\u00e7\u00f5es (a art\u00edstica e a comercial), voc\u00ea vai perceber que Mercer sente uma falta tremenda do tempo em que o Shins era uma banda pequena e sem tantos compromissos, inventada dentro do c\u00f4modo pequeno de um apartamento. \u201cA partir do momento em que voc\u00ea come\u00e7a a jogar o jogo de tentar ser grande, voc\u00ea sempre perde\u201d, ele comentou, numa entrevista. Mas, desde \u201cWincing the Night Away\u201d, n\u00e3o \u00e9 exatamente isso (ser maior; ao menos musicalmente mais ambicioso) que tenta fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPort of Morrow\u201d, voc\u00ea haver\u00e1 de concordar comigo, sofre de um complexo semelhante ao que contaminou pelo menos 50% daquele disco de 2007: o desejo por crescimento (e profissionaliza\u00e7\u00e3o madura) neutraliza a qualidade mais not\u00e1vel da banda. A saber, a simula\u00e7\u00e3o de um pop simultaneamente modesto (na atitude, na produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica) e arrojado (na composi\u00e7\u00e3o engenhosa dos versos, nos esquemas mel\u00f3dicos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao fim do disco, voc\u00ea pode se pegar perguntando se ainda seria poss\u00edvel tratar o Shins como uma banda incomum. A pergunta, que se faz de simples, termina se mostrando n\u00e3o terrivelmente complexa \u2014 mas um tantinho enganadora, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Fz4fM1TFX2I\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Fz4fM1TFX2I\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zom_u-_h8z8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zom_u-_h8z8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/aHAST0tcfx4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/aHAST0tcfx4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tiago Faria (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\">@superoito<\/a>) \u00e9 jornalista e escreve no\u00a0<a href=\"http:\/\/superoito.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/superoito.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Faria\nFalta valentia para James Mercer  em um \u00e1lbum que valoriza metade do conceito: se l\u00ea com prazer e se ouve com certo t\u00e9dio\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/31\/musica-port-of-morrow-the-shins\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13536"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13536"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13536\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13539,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13536\/revisions\/13539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}