{"id":13523,"date":"2012-03-31T10:51:15","date_gmt":"2012-03-31T13:51:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=13523"},"modified":"2023-03-28T23:29:46","modified_gmt":"2023-03-29T02:29:46","slug":"entrevista-ruidomm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/31\/entrevista-ruidomm\/","title":{"rendered":"Entrevista: ru\u00eddo\/mm"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13524\" title=\"ruido1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/ruido1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/felipegollnick\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Felipe Gollnick<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ru\u00eddo\/mm (l\u00ea-se \u201cru\u00eddo por mil\u00edmetro\u201d) \u00e9 uma banda barulhenta de Curitiba. Ser\u00e1 que isso ainda diz alguma coisa? Sem vocais, o som da banda est\u00e1 em algum lugar entre o shoegaze, o p\u00f3s-rock e o art-rock. Novamente barulho. E dos bons. No segundo semestre de 2011, o grupo lan\u00e7ou seu terceiro registro de est\u00fadio: a \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cortina do S\u00f3t\u00e3o\u201d, 12\u00ba melhor disco do ano passado segundo os votantes do Pr\u00eamio Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cortina do S\u00f3t\u00e3o\u201d \u00e9 sucessor de \u201cA Praia\u201d, elogiado lan\u00e7amento de 2008 com o qual a banda figurou em diversas listas de final de ano: entre elas, um s\u00e9timo lugar no top 10 da daquele ano na Trama Virtual; uma primeira apari\u00e7\u00e3o entre os 50 discos mais votados neste Scream &amp; Yell; e um dos 100 melhores discos da d\u00e9cada segundo Alexandre Matias, do blog Trabalho Sujo. \u201cA Praia\u201d ainda conseguiu o feito de ser mencionado em uma entrevista do Pitchfork com David Byrne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Menos barulhento e mais ensolarado do que o disco que consagrou\/apresentou o ru\u00eddo\/mm, \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cortina do S\u00f3t\u00e3o\u201d (lan\u00e7ado e liberado para download pelo selo Sinewave. Baixe <a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/2011\/09\/ruidomm-introducao-a-cortina-do-sotao-2011\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) fez um pouco menos estardalha\u00e7o pela internet, mas ainda assim demonstrou um n\u00edtido amadurecimento do grupo, que, entre um lan\u00e7amento e outro, passou por diversas mudan\u00e7as em sua forma\u00e7\u00e3o e sofreu um processo natural que resultou em m\u00fasicas menos urgentes e mais sossegadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado por Andr\u00e9 Ramiro (guitarra), Pill (guitarra), Giva (bateria), Alexandre Liblik (piano) e Rafael Panke (baixo), desde o come\u00e7o de 2011 o grupo lida com o fato de Ramiro morar no Rio de Janeiro e o resto da banda em Curitiba. Em uma entrevista realizada ap\u00f3s um jogo do Corinthians, os integrantes da banda deixaram as id\u00e9ias correrem sozinhas. Da hist\u00f3ria da velhinha italiana ao tempo de cria\u00e7\u00e3o (\u201cSe voc\u00ea tem um rel\u00f3gio no teu rabo voc\u00ea n\u00e3o vai ter tempo pra amadurecer as coisas\u201d), um pouco de tudo foi comentado. Divirta-se<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"100\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/v=2\/album=1231053765\/size=venti\/bgcol=EED5B7\/linkcol=9b631c\/\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"100\" src=\"http:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/v=2\/album=1231053765\/size=venti\/bgcol=EED5B7\/linkcol=9b631c\/\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u00e9 a cortina do s\u00f3t\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPill: O disco se chama \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cortina do S\u00f3t\u00e3o\u201d porque ele n\u00e3o \u00e9 exatamente um disco sobre o s\u00f3t\u00e3o. Eu acho que \u00e9 um disco que mostra um pouquinho dessa faceta, uma coisa um pouco mais ensolarada, entende? Mas ainda assim amb\u00edgua. Na nossa representa\u00e7\u00e3o, o s\u00f3t\u00e3o \u00e9 bem mais light que o por\u00e3o. O por\u00e3o \u00e9 um lugar bem mais pesado, sempre, e o s\u00f3t\u00e3o j\u00e1 \u00e9 um lugar que pode ser mais de filosofia, de devaneio. Mas \u00e0s vezes ele pode ser lugar pesado tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: O s\u00f3t\u00e3o est\u00e1 mais para Baudelaire, e o por\u00e3o est\u00e1 mais para Edgar Allan Poe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 ao s\u00f3t\u00e3o ou \u00e0 cortina do s\u00f3t\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPanke: A cortina \u00e9 o que revela o s\u00f3t\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: A cortina \u00e9 a parte que revela tanto a parte de fora como a de dentro. Ela \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o: voc\u00ea a fecha e voc\u00ea est\u00e1 na penumbra. Acho que \u00e9 mais ou menos por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a cortina fica apenas em um canto do s\u00f3t\u00e3o&#8230;<\/strong><br \/>\nLiblik: \u00c9 que a cortina tem mais um sentido de desvelar, ela serve de anteparo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: \u00c9 uma cortina, um v\u00e9u. Aquela coisa de que a noiva revela o rosto para o marido&#8230; tinha essa coisa da noiva tirar o v\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Panke: Gosto daquela hist\u00f3ria da velhinha italiana com um ba\u00fa cheio de coisas do marido morto, e ela guarda tudo isso no s\u00f3t\u00e3o. E quando ela vai fazer a limpeza, ela puxa a cortina para o lado e vem aquele primeiro raio de luz com a poeira flutuando no ar. N\u00e3o \u00e9 tanto pela hist\u00f3ria, mas \u00e9 mais pela sensa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: Mas faz diferen\u00e7a abrir ou fechar a cortina. Se voc\u00ea est\u00e1 no seu quarto, voc\u00ea s\u00f3 v\u00ea as poeirinhas flutuando se estiver fazendo sol. Se n\u00e3o tem luz, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea. \u00c9 por a\u00ed: a gente saiu um pouco da penumbra d\u2019\u201dA Praia\u201d, que \u00e9 uma praia, mas ningu\u00e9m que ouve aquele disco pensa que essa praia \u00e9 Copacabana num dia de sol. Acho que o sol \u00e9 mais ou menos por a\u00ed. A cortina \u00e9 uma parte muito importante do s\u00f3t\u00e3o. Ao contr\u00e1rio do por\u00e3o, que n\u00e3o tem cortina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O quanto da vida pessoal de voc\u00eas est\u00e1 nas m\u00fasicas do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nLiblik: Esse disco \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, velho. At\u00e9 porque \u00e9 um disco em que todos n\u00f3s estamos mais resolvidos. Se voc\u00ea for ver, o Ramiro e o Pill est\u00e3o numa fase boa, o Giva sempre est\u00e1 numa fase boa, o Panke foi um achado maravilhoso para a banda&#8230; P\u00f4, eu tamb\u00e9m, \u00e9 meu primeiro disco com o ru\u00eddo e estou numa fase boa agora. Dentro da nossa possibilidade de sermos menos pessimistas, esse \u00e9 um disco alegre. Agora, n\u00e3o d\u00e1 pra deixar de ser um pouquinho pessimista. O mundo \u00e9 uma merda, enfim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: Em 2008 a gente estava com o disco \u201cA Praia\u201d quase pronto. Est\u00e1vamos prontos para fazer os shows. Mas alguns integrantes sa\u00edram e entrou um monte de gente nova na banda. Ent\u00e3o tivemos conflitos pra caralho, e a \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d foi uma resolu\u00e7\u00e3o desse conflito, no sentido de \u201cok, n\u00f3s somos uma banda de volta.\u201d Agora a gente voltou a ser uma unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cortina do S\u00f3t\u00e3o\u201d estava prometido desde 2009. Por que demorou tanto para ele sair?<\/strong><br \/>\nPill: Somos uma banda de volta e agora queremos ser uma unidade, onde as pessoas se entendem. E, desde \u201cA Praia\u201d, a gente passou por um per\u00edodo ca\u00f3tico pra caralho. Se o Giva sair da banda n\u00e3o tem quem toque bateria. Vai ter que chamar o cara profissional pra tirar as linhas e n\u00e3o perdermos dois anos ensaiando bateria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: N\u00f3s n\u00e3o somos profissionais, entendeu? O Giva n\u00e3o tem um substituto, o<br \/>\nPill e o Panke n\u00e3o t\u00eam substitutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: Voc\u00ea entende? A gente queria ter lan\u00e7ado o disco antes, s\u00f3 que o conjunto n\u00e3o estava batendo. Por uma pessoa ter sa\u00eddo da banda, botamos outras tr\u00eas. Por isso que acho que ser profissional \u00e9 mais dif\u00edcil, porque ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o tem muito tempo pra balela, entendeu? Se voc\u00ea chegar l\u00e1 na banda da Amy Winehouse, n\u00e3o interessa se o cara estava mal, aquele era o emprego do cara. E a gente n\u00e3o tem essa pira de emprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: Essa \u00e9 a diferen\u00e7a da arte para a m\u00fasica em geral. A arte n\u00e3o tem o tempo do tempo, ela acontece quando tem que acontecer. Com toda a pretens\u00e3o que a gente possa dizer, o nosso tempo n\u00e3o \u00e9 o tempo do hype. \u00c9 o tempo que tem que rolar. Pode demorar um ano ou dez anos, mas vai rolar na hora que tiver que rolar. Quando rola, rola, e a gente est\u00e1 desapegado do rel\u00f3gio. Pau no cu do rel\u00f3gio. E esse \u00e9 o problema do mundo atual: t\u00e1 todo mundo preocupado com o rel\u00f3gio, preocupado em apresentar alguma coisa. Isso n\u00e3o adianta nada: se voc\u00ea tem um rel\u00f3gio no teu rabo voc\u00ea n\u00e3o vai ter tempo pra amadurecer as coisas. O amadurecimento s\u00f3 acontece sem o cron\u00f4metro apitando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Panke: As coisas acontecem muito r\u00e1pido no mundo da m\u00fasica. \u00c9 muita informa\u00e7\u00e3o e a crista da onda passa muito r\u00e1pido. Mas se a gente se preocupar com isso, n\u00f3s n\u00e3o vamos fazer o som do jeito que a gente acha que tem que ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/8wmm113Ip_A\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/8wmm113Ip_A\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas enfrentaram v\u00e1rios problemas pelo caminho, como essas mudan\u00e7as seguidas na forma\u00e7\u00e3o. Isso teve influ\u00eancia no resultado final das m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nPanke: Assim como cada problema pode ser uma tempestade representada em algum trecho de alguma m\u00fasica, quando rolam essas coisas do tipo o Ramiro ter que se mudar para o Rio, isso se manifesta tamb\u00e9m \u00e0 medida em que isso traz um pouco de lucidez ao trabalho. Porque tem esse per\u00edodo de loucura, de cria\u00e7\u00e3o, e as coisas surgem. Mas quando surge um obst\u00e1culo desses, e tomamos aquele choque de realidade, isso acaba interferindo na maneira como a banda vai agir e como as coisas v\u00e3o sair. Se a gente n\u00e3o tivesse sentido esse choque de realidade [da mudan\u00e7a do Ramiro para o Rio], esse disco n\u00e3o teria sa\u00eddo. Mesmo saindo atrasado, a gente poderia dizer que o disco nasceu precoce. Mas essas coisas acabam influenciando e ajudando a formar o resultado final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: Acho at\u00e9 que a gente est\u00e1 tentando aprender a fazer o neg\u00f3cio de uma forma mais r\u00e1pida, mas n\u00e3o no sentido de acelerar o processo e sim de desperdi\u00e7ar menos tempo. \u00c0s vezes acho que a dist\u00e2ncia do Ramiro fez a gente valorizar o tempo. Se existe alguma coisa que a gente possa fazer antes de entrar no est\u00fadio para n\u00e3o ficar l\u00e1 pirando, vamos fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Panke: Acho que \u00e9 at\u00e9 bom, porque se n\u00e3o rolasse essas coisas n\u00e3o ter\u00edamos lucidez nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Giva: O Ramiro est\u00e1 no Rio. Ele est\u00e1 longe, mas est\u00e1 perto. A gente troca e-mail todo dia. E ele sempre vem pra c\u00e1, a gente ensaia, e ele continua fazendo os contatos que sempre fez. Eu, pessoalmente, achei que essa mudan\u00e7a ia foder tudo. Mas ele falou: \u201cvoc\u00eas n\u00e3o podem acabar a banda, eu ainda t\u00f4 aqui!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: Confesso que pensei que ia ser&#8230; n\u00e3o achei que o Ramiro ia ter tanta&#8230; eu sei que ele \u00e9 viciado, que ele gosta, mas n\u00e3o achei que ela ia ter tanto saco de vir para Curitiba s\u00f3 para ensaiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: Para o cara morar no Rio e passar o feriado em Curitiba, com quatro dias chovendo, o cara tem que gostar de rock mesmo. Porque puta que o pariu, quatro dias em Curitiba \u00e9 um tiro na cabe\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas fazem para ensaiar sem ele?<\/strong><br \/>\nLiblik: Ah, a gente s\u00f3 faz barulho mesmo!<br \/>\nPill: A gente deixa o espa\u00e7o dele ali. \u00c0s vezes ponho um delay a mais s\u00f3 para fingir que o cara t\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: De vez em quando eu come\u00e7o a fazer as partes dele no teclado e levo uns xing\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: \u00c9 que ele quer substituir o Ramiro nos ensaios, e eu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Giva: Um exemplo de que isso n\u00e3o \u00e9 um problema foi o nosso show no John Bull Pub [em outubro de 2011], para o qual a gente ensaiou sem o Ramiro, e foi um show do caralho. Um dos [nossos] melhores do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13530\" title=\"ruido2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/ruido2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/ruido2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/ruido2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o impacto do piano na banda?<\/strong><br \/>\nPill: Cara&#8230; se a gente cortasse uns tr\u00eas dedos do Liblik n\u00f3s ter\u00edamos menos problemas. [risos] Mas acho que cada vez mais isso est\u00e1 no nosso esp\u00edrito. \u00c9 um parto para sair cada m\u00fasica porque cada um quer uma coisa diferente. Mas de certa forma a gente tinha que ter um piano na banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O piano ajudou a deixar as m\u00fasicas mais ensolaradas?<\/strong><br \/>\nGiva: Ajudou, ele deu um brilho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Panke: [imitando Liblik] Faz uns acordes maiores!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: Se fosse sem piano, iria ser mais ensolarado do mesmo jeito. S\u00f3 que \u00e9 dif\u00edcil falar assim. O piano tem uma express\u00e3o totalmente diferente do que uma guitarra. H\u00e1 um tempo atr\u00e1s, a gente queria fazer um neg\u00f3cio em que n\u00e3o precis\u00e1ssemos nos matar de fazer noise. O piano entrou em um momento que a gente tava pronto para caminhar nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: Algu\u00e9m me falou esses dias que estraguei o ru\u00eddo, que a banda n\u00e3o est\u00e1 mais dissonante&#8230; V\u00e3o tudo se foder! Pra mim tem tudo que ter disson\u00e2ncia e tocar tudo errado mesmo. Essa hist\u00f3ria de que o piano \u00e9 bonitinho&#8230; bonitinho \u00e9 o meu pau. [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pill: Infelizmente, a culpa da disson\u00e2ncia acho que \u00e9 mais minha do que do Liblik.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: N\u00e3o nenho nada de contra a disson\u00e2ncia, pelo contr\u00e1rio. \u00c9 ru\u00eddo por mil\u00edmetro, caralho. Se tem piano, tem que ser ruidoso do mesmo jeito, nem que eu tenha que tocar com o cotovelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Panke: Piano pegando fogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: Exatamente, Jerry Lee Lewis total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas parecem conseguir representar par\u00e1bolas da vida nas m\u00fasicas da \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d. Existem as fases mais complicadas, em que surgem muitos problemas e nas quais parece que voc\u00ea s\u00f3 se d\u00e1 mal. Mas depois isso tudo passa, de repente o sol aparece e tudo fica mais tranquilo.<\/strong><br \/>\nPill: \u00c9 por isso que eu n\u00e3o gosto que o ru\u00eddo seja chamado de banda instrumental.<br \/>\nEu acho que voc\u00ea n\u00e3o deve chamar ningu\u00e9m de banda instrumental. At\u00e9 entendo que voc\u00ea precisa classificar nossas m\u00fasicas como instrumentais, mas voc\u00ea n\u00e3o precisa falar que m\u00fasica erudita \u00e9 instrumental. \u00c9 a m\u00fasica do Fulano e pronto. O jazz tamb\u00e9m, voc\u00ea n\u00e3o fala que vai ouvir um jazz instrumental. Voc\u00ea vai ouvir o Miles Davis, e acho que \u00e9 por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liblik: N\u00f3s somos contadores de hist\u00f3rias. Ademais, a gente h\u00e1 de concordar: vivemos num mundo de excesso de imagens, do excesso de palavras, do excesso de tudo. Tem que vir algu\u00e9m e cortar um pouquinho isso a\u00ed. O som do ru\u00eddo \u00e9 para fazer voc\u00ea parar, desligar um pouquinho as palavras, as imagens e fechar um pouquinho seus olhos. Mas \u00e9 s\u00f3 isso que a gente quer. Se fosse pra cantar uma can\u00e7\u00e3o bonitinha ou mostrar uma imagem bonitinha, j\u00e1 existem um milh\u00e3o de pessoas que fazem isso melhor do que a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/lI9TlsYTG0Y\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/lI9TlsYTG0Y\"><\/embed><\/object><br \/>\n***<br \/>\n&#8211; Felipe Gollnick (siga <a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/felipegollnick\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@felipegollnick<\/a>) \u00e9 estudante de Jornalismo e um dos respons\u00e1veis pelo blog <a href=\"http:\/\/www.defenestrando.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Defenestrando<\/a>. As fotos que ilustram o texto s\u00e3o de Mariana Zarpellon (veja mais <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/40340101@N08\/sets\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) e o \u00e1lbum \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Cortina do S\u00f3t\u00e3o\u201d pode ser baixado gratuitamente na Sinewave (<a href=\"http:\/\/sinewave.com.br\/2011\/09\/ruidomm-introducao-a-cortina-do-sotao-2011\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Pr\u00eamio Scream &amp; Yell: Os 50 Melhores Discos Nacionais e Internacionais de 2011 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/22\/os-50-discos-mais-votados-em-2011\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Felipe Gollnick\nO ru\u00eddo\/mm (l\u00ea-se \u201cru\u00eddo por mil\u00edmetro\u201d) \u00e9 uma banda barulhenta de Curitiba. Ser\u00e1 que isso ainda diz alguma coisa? Descubra\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/31\/entrevista-ruidomm\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13523"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13523"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13523\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73531,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13523\/revisions\/73531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}