{"id":13398,"date":"2012-03-21T08:36:16","date_gmt":"2012-03-21T11:36:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=13398"},"modified":"2016-09-04T14:01:52","modified_gmt":"2016-09-04T17:01:52","slug":"entrevista-rpm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/21\/entrevista-rpm\/","title":{"rendered":"Entrevista: RPM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13401\" title=\"rpm\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/rpm.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/marquinhozp\" target=\"_blank\">Marcos Paulino<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia da entrevista, o celular de Paulo Ricardo, baixista e vocalista do RPM, tinha \u201cViva La Vida\u201d, do Coldplay, como toque. \u201cMinha mulher gosta muito dessa m\u00fasica\u201d, justificou. \u201cMas mudo o toque a cada dois ou tr\u00eas dias. Depende do meu estado de esp\u00edrito\u201d. Naquela tarde, ele parecia bastante tranquilo, apesar de, como contou, ter que entregar at\u00e9 a noite uma mat\u00e9ria sobre os 50 anos de Jon Bon Jovi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u00e9poca de lan\u00e7amento do primeiro disco de in\u00e9ditas da banda em 23 anos, \u201cElektra\u201d, PR responde as perguntas sem pressa, pausadamente, escolhendo as palavras. Lan\u00e7ado pela Building Records, \u201cElektra\u201d chega ao mercado em vers\u00e3o dupla, com o primeiro CD trazendo 12 parcerias in\u00e9ditas de PR com Luiz Schiavon (uma delas, &#8220;Muito Tudo&#8221;, traz tamb\u00e9m a assinatura de P.A.) e o segundo apenas com remixes para sete can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edder de uma das bandas de rock de maior sucesso no Brasil em todos os tempos, Paulo Ricardo hoje, \u00f3bvio, \u00e9 bem diferente do garoto que causava histeria a cada show. Ao lado dos velhos parceiros, o tecladista Luiz Schiavon, o guitarrista Fernando Deluqui e o baterista Paulo P. A. Pagni, PR vem percorrendo o pa\u00eds com a turn\u00ea do novo trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum, fortemente amparado nas bases eletr\u00f4nicas de Schiavon, n\u00e3o faz lembrar muito o tecnopop do RPM dos anos 80, banda que acabou no auge, em 1987, por diverg\u00eancias entre seus integrantes e que, desde ent\u00e3o, voltou a se reunir esporadicamente. Sobre esta nova fase, que considera \u201ca melhor\u201d do grupo, PR conversou com o <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">PLUG<\/a>, parceiro do Scream &amp; Yell. Abaixo o clipe do primeiro single do disco, &#8220;Dois Olhos Verdes&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zXsqe_k4jhA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zXsqe_k4jhA\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fazia 23 anos que o RPM n\u00e3o lan\u00e7ava um disco de in\u00e9ditas com a forma\u00e7\u00e3o original. Como est\u00e1 sendo este recome\u00e7o, pra uma banda que j\u00e1 foi campe\u00e3 de vendas?<\/strong><br \/>\nTem dois aspectos quase que opostos. Por um lado, tem aquele desafio que todo artista enfrenta quando vai lan\u00e7ar um novo trabalho, independentemente do sucesso do anterior. E tivemos todo esse tempo em que ficamos ausentes pra nos atualizar. Por outro lado, estamos nos beneficiando desse entusiasmo de uma banda come\u00e7ando. Uma das vantagens dessa trajet\u00f3ria com grandes hiatos \u00e9 que n\u00e3o enjoamos uns dos outros. Tudo aconteceu de uma maneira muita r\u00e1pida na primeira fase, de 1984 a 1989. No segundo momento, em 2002 e 2003, com o CD da MTV, havia a alegria de estar a bordo de um grande projeto. A banda havia terminado dois anos antes da chegada da MTV ao Brasil. Ent\u00e3o quer\u00edamos mostrar pra garotada o que havia sido o RPM, al\u00e9m de realizar um grande sonho, que foi excursionar com uma pequena orquestra. Mas realmente tivemos uma quest\u00e3o muito grande no momento de conceber um novo projeto de m\u00fasicas in\u00e9ditas. N\u00e3o hesitamos em parar pra pensar, mas indo, sem saber exatamente pra onde. Estamos cientes das dificuldades de um recome\u00e7o, mas ao mesmo tempo estamos muito tranquilos, porque tivemos bastante tempo pra pensar a carreira, a m\u00fasica, a m\u00eddia, e de que maneira a gente se coloca dentro dessa hist\u00f3ria. Estamos no melhor momento do nosso relacionamento pessoal, como artistas e como banda, e nossa m\u00fasica fluiu com muita facilidade. Lotamos as principais casas do Rio e de S\u00e3o Paulo mesmo antes do lan\u00e7amento do disco novo. Ent\u00e3o percebemos que t\u00ednhamos os principais elementos pra ser o combust\u00edvel dessa retomada. Temos um relacionamento, que foi muito conturbado, e est\u00e1 muito bem resolvido. Temos a criatividade, que \u00e9 o ponto chave, porque tivemos esse hiato e este momento \u00e9 de muita flu\u00eancia no vocabul\u00e1rio. E o principal suporte, ainda mais nos dias de hoje, em que a pirataria e os downloads colocaram a venda de CDs em segundo plano, que s\u00e3o os shows, em que fomos muito bem resolvidos. Ficamos felizes em perceber que, ao longo desses anos, mesmo que fora de cena em alguns momentos, quando est\u00e1vamos presentes, sempre fizemos o melhor. As pessoas sabem que num show do RPM vai haver uma grande produ\u00e7\u00e3o, raio laser, cen\u00e1rio, cuidado c\u00eanico. Conseguimos deixar uma imagem de profissionalismo, de compet\u00eancia. Se a gente n\u00e3o est\u00e1 bem pra se apresentar, pra gravar, \u00e9 melhor n\u00e3o fazer, do que fazer coisas s\u00f3 pra preencher o tempo e cuidar da manuten\u00e7\u00e3o da carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O relacionamento na banda, principalmente entre voc\u00ea e o Schiavon, sempre teve idas e vindas, rupturas e reencontros. Depois de todos esses anos, o entrosamento entre voc\u00eas veio pra ficar?<\/strong><br \/>\nNa verdade, fomos vencidos pela constata\u00e7\u00e3o de que estamos longe de conseguir fazer sozinhos o que fazemos juntos. Cada um tem seus projetos, por\u00e9m no fundo fica aquela voz dizendo que est\u00e1 muito legal, mas e se voc\u00eas estivessem trabalhando juntos? Quando a Globo nos ligou pra fazer \u201cPor Toda a Minha Vida\u201d, n\u00e3o est\u00e1vamos numa fase muito pr\u00f3xima, mas tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1vamos brigando. T\u00ednhamos tido uma ruptura, talvez a pior de todas, no final de 2003, porque realmente n\u00e3o houve acordo na quest\u00e3o da identidade do RPM. A banda deveria assumir um som cl\u00e1ssico, de anos 80, de tecnopop, ou deveria manter sua postura de vanguarda, experimental, de ousadia? Acabamos brigando mesmo. Isso durou uns dois ou tr\u00eas anos, ent\u00e3o procurei os outros, menos o P. A., que continuou tocando comigo, e disse que t\u00ednhamos um passado, uma hist\u00f3ria muito interessante. Ent\u00e3o encontrei por acaso um autor, o Marcelo Leite de Moraes, perguntei qual seria seu pr\u00f3ximo projeto e ele prop\u00f4s contar a hist\u00f3ria do RPM. Liguei pros caras e propus colocarmos as diferen\u00e7as de lado. Se n\u00e3o t\u00ednhamos chegado a um acordo sobre o novo, que cuid\u00e1ssemos do antigo. Nos reorganizamos e conseguimos lan\u00e7ar produtos de muita qualidade. Um \u00e9 o livro \u201cRevolu\u00e7\u00f5es Por Minuto\u201d, que dentro dessa onda de biografia \u00e9 o que tem a produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica mais bacana. Outro \u00e9 a caixa com quatro CDs e um DVD com toda nossa produ\u00e7\u00e3o dos anos 80. Por\u00e9m, tivemos outra discuss\u00e3o sobre se far\u00edamos uma turn\u00ea pra lan\u00e7ar esses produtos. O Schiavon estava animado, mas eu, n\u00e3o, porque j\u00e1 t\u00ednhamos feito essa turn\u00ea revisionista em 2002. Eu s\u00f3 me sentiria \u00e0 vontade com nosso p\u00fablico se tiv\u00e9ssemos um novo \u00e1lbum. Quero provar at\u00e9 pra gente mesmo que continuamos criativos. Deixamos aquilo congelado, mas quando a Globo nos procurou para o programa, voltamos a nos falar. A quest\u00e3o era: est\u00e1vamos felizes, mas estar\u00edamos mais felizes se estiv\u00e9ssemos juntos? Ter\u00edamos a mesma facilidade de compor juntos ou essa fonte secou? A resposta est\u00e1 no disco. Compusemos as m\u00fasicas com muita facilidade, ent\u00e3o \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 alguns pontos do meu c\u00e9rebro e do Schiavon que s\u00f3 um pode ativar do outro. Tem letras que eu jamais escreveria sem o est\u00edmulo do som, dos timbres que ele me mandou. E ele consegue arranjar as melodias que fa\u00e7o de um modo que valoriza enormemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EYpLd0lXCWw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EYpLd0lXCWw\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 inevit\u00e1vel que, quando uma grande banda volta a se reunir, surjam coment\u00e1rios de que a principal motiva\u00e7\u00e3o, e talvez \u00fanica, \u00e9 o dinheiro. N\u00e3o foi diferente com o RPM. Como voc\u00ea lida com esse tipo de cr\u00edtica?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 um clich\u00ea. A cr\u00edtica pega quando voc\u00ea est\u00e1 fazendo aquilo por dinheiro, ent\u00e3o voc\u00ea pode se incomodar. Mas o fato \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o precisamos nos submeter, a esta altura da vida, a uma conviv\u00eancia for\u00e7ada. E n\u00e3o h\u00e1 dinheiro que fa\u00e7a brotar boas can\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea pode at\u00e9 colocar os caras no palco pra tocar os velhos sucessos, mas n\u00e3o pode comprar novas can\u00e7\u00f5es, esse tes\u00e3o que gera a nova can\u00e7\u00e3o. Tem que ter a ere\u00e7\u00e3o, tem que penetrar, fecundar pra nascer a crian\u00e7a. Foi por isso que preferi n\u00e3o me engajar numa nova turn\u00ea em 2008. Estar\u00edamos muito expostos a esse tipo de cr\u00edtica e n\u00e3o ter\u00edamos repert\u00f3rio pra responder a isso. Hoje em dia respondo a esse tipo de questionamento com um disco duplo. N\u00e3o tem nada do ba\u00fa, nada foi reciclado, s\u00e3o 12 m\u00fasicas compostas em 2011, e a gente est\u00e1 cheio de tes\u00e3o com um show novo, recursos novos, coisas que a gente vai mudando ao longo da turn\u00ea. Agora, \u00e9 \u00f3bvio que todo mundo trabalha por dinheiro, a menos que voc\u00ea seja um monge tibetano. O dinheiro \u00e9 consequ\u00eancia de um trabalho bem feito. Quando voc\u00ea est\u00e1 num palco, as pessoas farejam a mentira. E palco \u00e9 como se fosse uma grande lente de aumento: se \u00e9 bom, fica muito bom; se \u00e9 ruim, fica muito ruim. At\u00e9 o fato de a gente ter brigado v\u00e1rias vezes em p\u00fablico exp\u00f5e de certa forma a nossa sinceridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No momento de compor este novo disco, voc\u00eas levaram em conta que o p\u00fablico que era adolescente quando voc\u00eas estouraram agora tem idade pra ser pai de adolescentes?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o diria que pensamos no p\u00fablico, mas que a gente vivencia isso como espectador. A gente vivencia Lady Gaga, o que est\u00e1 acontecendo no pop, Bruno Mars, tudo que est\u00e1 acontecendo em nossa volta. A gente se conecta com o que est\u00e1 dentro de n\u00f3s, no sentido de se identificar com alguns daqueles elementos. O tempo de m\u00fasica deu uma volta completa. Hoje, mais do que nunca, os anos 80 est\u00e3o muito presentes, como uma refer\u00eancia consolidada. O Coldplay poderia ser at\u00e9 dos anos 70, por exemplo, o Killers \u00e9 super anos 80. Voltou o teclado, a m\u00fasica eletr\u00f4nica se desenvolveu enormemente e n\u00f3s somos pioneiros nisso no Brasil. Fizemos os primeiros remixes, e por isso estamos lan\u00e7ando um disco duplo, com um CD s\u00f3 de remixes, feitos por um DJ, sem influ\u00eancia nossa. A gente quer dialogar com essa linguagem e estamos muito \u00e0 vontade, porque a hist\u00f3ria deu a volta completa e nos pegou no mesmo lugar. Diferentemente do que aconteceu em 2003, quando est\u00e1vamos em d\u00favida, ou dos anos 90, quando a cena pop rock estava muito pesada, com aquela coisa toda de Seattle, do grunge, do Nirvana, agora est\u00e1 muito tranquilo. Agora a coisa est\u00e1 muito pop, ent\u00e3o pra gente est\u00e1 tranquilo. \u00d3bvio que a gente sabe que h\u00e1 o f\u00e3 dos anos 80 e seu filho de 18 ou 20 anos. Eu tenho uma filha de 24 anos. Por\u00e9m, uma das conquistas destes longos anos de reflex\u00e3o sobre o que a gente faz \u00e9 uma certa leveza de faz\u00ea-lo sem tanta preocupa\u00e7\u00e3o, sem tanta objetividade de busca de resultado. Temos um vocabul\u00e1rio, est\u00e1 no nosso DNA, que \u00e9 resultado de coisas que a gente ouviu a vida inteira, do que a gente fez, estudou e absorveu. Quando a gente senta pra compor, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o premeditado. A\u00ed separamos o joio do trigo. \u00c0s vezes, voc\u00ea est\u00e1 \u00e0 frente de certas coisas, e o tempo \u00e9 seu aliado. Hoje nos sentimos uma banda de rock cl\u00e1ssico brasileiro, mas extremamente contempor\u00e2nea, moderna, e continuamos a ser uma das \u00fanicas que usam sintetizadores e sequenciadores, por incr\u00edvel que pare\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O disco tem duas caracter\u00edsticas bem marcantes: a base eletr\u00f4nica e as letras leves. Voc\u00eas todos estavam de acordo com isso quando pensaram nas composi\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/span><br \/>\nN\u00e3o. N\u00e3o quero parecer pouco rom\u00e2ntico, nem pouco rock\u2019n\u2019roll, mas o nosso processo nunca foi t\u00e3o solit\u00e1rio. A tecnologia hoje permite que voc\u00ea grave um dueto com um artista da China. Eu, por exemplo, n\u00e3o encontrei com o Nando nenhuma vez no est\u00fadio. Ele passava no est\u00fadio do Schiavon, pegava as bases e punha no computador dele. Assim, tinha o tempo todo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, poderia gravar uma guitarra \u00e0s 3 da manh\u00e3. N\u00e3o houve essa reuni\u00e3o, essa grande teoriza\u00e7\u00e3o do conceito. Foi um processo muito pr\u00e1tico: o Schiavon me mandava um tema, eu fazia uma letra, ia para o est\u00fadio e gravava aquela melodia. Ou mandava uma melodia pra ele, que fazia uns arranjos e me mandava de volta. Eu e o Schiavon s\u00f3 nos encontramos mesmo pra resolver quest\u00f5es, como um tom, ou se a m\u00fasica seria mais r\u00e1pida ou mais lenta. O grosso do disco foi composto cada um na sua casa. Agora, \u00e9 claro que aprendemos muitas coisas. O Schiavon veio de uma forma\u00e7\u00e3o erudita, o rock progressivo ainda estava muito presente quando a gente come\u00e7ou. Ele passou sete anos como diretor musical do Faust\u00e3o, ent\u00e3o ele suingou mais, ficou mais popular, mais flex\u00edvel, mais ecl\u00e9tico. Eu amadureci, e n\u00e3o posso imaginar que v\u00e1 escrever uma letra sobre aquela inoc\u00eancia, aquela timidez do garoto de olhar 43, que mal conseguia chegar na garota. Quer\u00edamos soar confort\u00e1veis pra gente hoje, n\u00e3o resgatar alguma coisa do passado. A gente sofre muito pra envelhecer, pra continuar vivo, ent\u00e3o temos que usar isso. Quando as pessoas ouvem um disco, querem absorver, aprender alguma coisa. Com o tempo, voc\u00ea v\u00ea que algumas quest\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o complexas quanto acreditava na adolesc\u00eancia. \u00c0s vezes, ou\u00e7o as can\u00e7\u00f5es daquela \u00e9poca e penso que aquele moleque era muito s\u00e9rio. As letras agora s\u00e3o mais c\u00ednicas, mais ir\u00f4nicas, como sou hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/AFhZotK4QEU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/AFhZotK4QEU\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00eas se re\u00fanem no palco hoje volta aquele tes\u00e3o de antigamente?<\/strong><br \/>\nVolta, e acontece todo show. Hoje temos o privil\u00e9gio de ter muito mais controle sobre tudo, de ter uma das melhores equipes do Brasil. O rock brasileiro foi hegem\u00f4nico nos anos 80, mas nunca mais. Ent\u00e3o os profissionais da m\u00fasica t\u00eam que trabalhar em meios nos quais eles n\u00e3o t\u00eam muito tes\u00e3o. Quando voc\u00ea junta uma turma em torno de uma banda de rock, normalmente s\u00e3o pessoas que gostam de rock e que est\u00e3o muito felizes de estar ali. Depois daqueles tr\u00eas meses de retomada, de reajuste, chegamos num patamar que \u00e9 s\u00f3 alegria. Olhar em volta e ver aqueles tr\u00eas caras \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o muito interessante de tempo, totalmente diferente do tempo linear. Voc\u00ea est\u00e1 no palco, fazendo aquela m\u00fasica, e de repente \u00e9 1985. N\u00e3o mudou nada, est\u00e1 todo mundo em 1985. Ent\u00e3o voc\u00ea toca uma m\u00fasica nova e vai de 1985 a 2012 em tr\u00eas minutos. Isso rejuvenesce. Nada se compara a ter uma grande banda de rock. Nunca tive a inten\u00e7\u00e3o de ser um artista solo. Minha carreira solo aconteceu por necessidade, mas meu sonho de garoto era ter uma banda. Mas voc\u00ea tem que estar feliz, isso tem que dar certo, e nossa rela\u00e7\u00e3o muitas vezes foi muito conturbada. A gente fez sucesso muito r\u00e1pido e n\u00e3o conseguiu administrar uma s\u00e9rie de coisas. Hoje estamos muito felizes porque ainda deu tempo de pensar, de fazer uma autocr\u00edtica, sem estarmos t\u00e3o velhos pra isso. Estamos muito bem de sa\u00fade, todo mundo se cuidando, malhando, querendo dar o melhor de si. \u00c9 o melhor momento da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea lan\u00e7a um trabalho depois de tanto tempo, d\u00e1 vontade de j\u00e1 come\u00e7ar a pensar num pr\u00f3ximo projeto, ou ainda \u00e9 tempo de digerir este?<\/strong><br \/>\nNem uma coisa nem outra. Trabalhamos em etapas. \u00c9 como a gravidez: quando o disco fica pronto, nasceu. E n\u00e3o \u00e9 porque voc\u00ea teve um filho que imediatamente vai querer ter outro. Voc\u00ea tem que pensar na educa\u00e7\u00e3o desse filho, o que espera pra ele. Hoje queremos cuidar deste produto com uma aten\u00e7\u00e3o maior, porque mudou tudo. A parte da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 essencialmente a mesma, com um viol\u00e3o e um caderno voc\u00ea faz uma can\u00e7\u00e3o. Mas tudo em volta dessas can\u00e7\u00f5es mudou. Tem que pensar na quest\u00e3o do remix, se a capa vai caber na g\u00f4ndola, cada pequena decis\u00e3o \u00e9 uma extens\u00e3o do trabalho de cria\u00e7\u00e3o. Depois de gravar e remixar o disco, voc\u00ea n\u00e3o larga ele. Ent\u00e3o come\u00e7a o trabalho de levar essa crian\u00e7a \u00e0s pessoas. Cada can\u00e7\u00e3o vai ocupar um determinado timing no ciclo de vida deste trabalho, que costuma ter no m\u00e1ximo dois anos, incluindo a turn\u00ea que vai percorrer o pa\u00eds todo. Queremos mostrar pelo menos tr\u00eas m\u00fasicas de trabalho e estamos na primeira ainda. Hoje as possibilidades s\u00e3o muito maiores. Antes voc\u00ea tinha um modelo de gravadora multinacional, mas a internet abriu um leque enorme. A gente pode num determinado momento entrar num est\u00fadio, gravar uma m\u00fasica e p\u00f4r na internet. N\u00e3o precisa de todo aquele tempo pra lan\u00e7ar um novo disco. Agora, por exemplo, o \u201cBig Brother\u201d est\u00e1 na 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o e a gente se deu conta de que n\u00e3o tinha gravado o tema da maneira como ele aparece na Globo diariamente. A gente toca nos shows, mas n\u00e3o tinha gravado e lan\u00e7ado ainda. E deve haver uma segunda tiragem do disco que inclua esse tema. Mas eventualmente a gente tem as comich\u00f5es de composi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m tem que conter a ansiedade. N\u00e3o adianta ficar despejando material, mobilizando energia num momento em que a gente precisa consolidar este primeiro trabalho, mostrar uma m\u00fasica de uma maneira clara, para depois pensar numa segunda e s\u00f3 ent\u00e3o pensar num outro disco. Estamos curtindo o fato de este disco ter sa\u00eddo como a gente queria, e isso \u00e9 uma grande vit\u00f3ria. Estamos muito empenhados em mostrar este disco pras pessoas, e talvez a parte mais dura do trabalho seja esta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tpyMijYeb0M\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tpyMijYeb0M\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KueZF5haEkI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KueZF5haEkI\" \/><\/object><\/p>\n<p>*******<\/p>\n<p>Marcos Paulino \u00e9 jornalista e editor do caderno <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com.br\/\" target=\"_blank\">Plug<\/a>, do jornal <a href=\"http:\/\/www.gazetadelimeira.com.br\/\" target=\"_blank\">Gazeta de Limeira<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cRevolu\u00e7\u00e3o! RPM 25 Anos\u201d, uma parte da hist\u00f3ria do rock nacional, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/09\/02\/disco-da-semana-revolucao-rpm-25-anos-rpm\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com o RPM lan\u00e7ando o primeiro disco de in\u00e9ditas em 23 anos com a forma\u00e7\u00e3o original, Paulo Ricardo tem muito o que falar\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/21\/entrevista-rpm\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[970],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13398"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13398"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13398\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39875,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13398\/revisions\/39875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}