{"id":13292,"date":"2012-03-17T11:28:17","date_gmt":"2012-03-17T14:28:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=13292"},"modified":"2017-10-18T09:59:27","modified_gmt":"2017-10-18T11:59:27","slug":"entrevista-maglore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/17\/entrevista-maglore\/","title":{"rendered":"Entrevista: Maglore (2012)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13294\" title=\"maglore1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/maglore1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/maglore1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/maglore1-300x238.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/jpbeatles\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Maglore surgiu no cen\u00e1rio musical baiano em 2009, com o EP \u201cCores do Vento\u201d. Fen\u00f4meno de popularidade na internet, a banda trouxe uma sonoridade cativante que equilibrava um pop rock de letras sinceras, como a rancorosa \u201cL\u00e1pis de Carv\u00e3o\u201d, sem deixar de lado uma baianidade palp\u00e1vel em m\u00fasicas como a praiana \u201cPai Mundo\u201d e a singela \u201cDespedida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada por Teago Oliveira, 26 anos, vocal, guitarra e principal compositor; L\u00e9o Brand\u00e3o, 27, teclado e guitarra; Nery Leal, 24, baixo; e Igor Andrade, 24, bateria, a banda lan\u00e7ou em 2011 o CD \u201cVeroz\u201d, \u00e1lbum que re\u00fane as cinco faixas do EP e soma um total de 13 can\u00e7\u00f5es, todas dispon\u00edveis para download no <a href=\"http:\/\/www.maglore.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.maglore.com.br\/<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencedora do Desafio das Bandas de 2009 e terceiro lugar no FUN Music de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m em 2009, a Maglore se prepara para al\u00e7ar voos maiores em uma temporada no sudeste. \u201cA cidade de S\u00e3o Paulo possui um poder de difus\u00e3o muito grande. Quando algo \u00e9 feito l\u00e1, voc\u00ea sabe que a repercuss\u00e3o \u00e9 bem mais expressiva\u201d, diz L\u00e9o Brand\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como diz a letra de \u201cPai Mundo\u201d, uma de suas melhores m\u00fasicas: \u201cToda arte ao n\u00e3o ousar-te v\u00ea se menos\u201d. \u00c9 para mostrar essa arte que eles partem nesse novo desafio. Afinal, em apenas tr\u00eas anos de banda, ousadia foi o que mais se viu na carreira desses jovens. Confira o papo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pANzzFJ_MyE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O som da Maglore n\u00e3o costuma seguir uma f\u00f3rmula ou um r\u00f3tulo muito f\u00e1cil. No entanto, a influ\u00eancia baiana \u00e9 algo bem percept\u00edvel no som de voc\u00eas. Em \u201cT\u00e3o al\u00e9m\u201d, do CD \u201cVeroz\u201d, voc\u00eas cantam sobre um certo \u201capartheid musical\u201d que quem mora aqui em Salvador conhece muito bem, afinal, vivemos na terra do ax\u00e9 e o espa\u00e7o para outros estilos s\u00e3o bem reduzidos. A Maglore visa subverter isso?<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 Eu acho que a palavra n\u00e3o seria nem subvers\u00e3o, porque o momento em que n\u00f3s vivemos j\u00e1 \u00e9 por si s\u00f3 t\u00e3o subversivo que ele j\u00e1 est\u00e1 incorporado a essa ideia de subverter pacificamente o cen\u00e1rio musical. A m\u00fasica brasileira est\u00e1 se transformando de uma forma muito natural, muito org\u00e2nica. Quando escrevi \u201cT\u00e3o Al\u00e9m\u201d, estava escrevendo um pouco sobre isso. Era, na verdade, minha primeira experi\u00eancia enxergando como \u00e9 o mercado. Como funciona esse apartheid musical da ind\u00fastria do ax\u00e9, o mainstream, a decad\u00eancia desse modelo de mercado e o surgimento de outro, mais democr\u00e1tico em todos os seus segmentos. Na letra, h\u00e1 um momento em que eu canto \u201cesse apartheid musical, a gente dobra e finge que nunca existiu\u201d. Esse trecho diz isso justamente porque a gente n\u00e3o tem o que contestar, a gente n\u00e3o tem que brigar. N\u00e3o precisamos ir contra esse mercado. O mercado do ax\u00e9, do sertanejo, s\u00e3o apenas exemplos que souberam se manter de forma eficaz, onde cada vez mais novas bandas sucedem as antigas e isso gera essa continuidade. A ideia n\u00e3o \u00e9 competir, mas fazer tamb\u00e9m. Mostrar que voc\u00ea tamb\u00e9m pode ter acesso ao p\u00fablico. As pessoas podem ouvir seu som de forma natural, sem nenhuma m\u00eddia paga ou algo for\u00e7ado, mas, sim, de forma extremamente org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E essa influ\u00eancia da m\u00fasica baiana reflete no som de voc\u00eas. Sobre \u201cPai Mundo\u201d, por exemplo, o Adriano Melo Costa foi muito feliz em comparar com Dorival Caymmi, afinal \u00e9 um pouco dif\u00edcil n\u00e3o se imaginar em uma rede, na beira da praia, ao ouvir a m\u00fasica. Bem o jeito que o Caymmi adorava compor. Houve essa influ\u00eancia do Caymmi, mesmo?<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 N\u00e3o sei se propriamente do Caymmi, porque, nessa \u00e9poca, quando escrevi, eu escutava muito Jo\u00e3o Gilberto e Ger\u00f4nimo (famoso compositor baiano). Inclusive, no show, a gente cola \u201cPai Mundo\u201d com \u201c\u00c9 d\u00b4Oxum\u201d (uma das m\u00fasicas que melhor representa o ambiente baiano), can\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Ger\u00f4nimo. A influ\u00eancia de \u201cPai Mundo\u201d, posso dizer que veio bem mais dele. No entanto (risos), voc\u00ea n\u00e3o pode falar de Ger\u00f4nimo sem falar de Caymmi, que \u00e9 a matriz de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o \u2013 Pois \u00e9. Caymmi j\u00e1 vinha fazendo esse tipo de som desde a d\u00e9cada de 1950, ent\u00e3o a m\u00fasica baiana sempre teve influ\u00eancia dele.<br \/>\nTeago \u2013 Exato. Seria uma influ\u00eancia, ent\u00e3o, derivada, j\u00e1 que a direta \u00e9 do Ger\u00f4nimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro ponto em rela\u00e7\u00e3o a suas letras \u00e9 que voc\u00eas n\u00e3o falam de separa\u00e7\u00e3o ou de t\u00e9rmino de rela\u00e7\u00f5es somente de forma rancorosa ou somente de forma romantizada. H\u00e1 uma mescla desses dois elementos. Em \u201cL\u00e1pis de Carv\u00e3o\u201d, h\u00e1 bastante rancor. Ela representa uma despedida dolorosa. J\u00e1 em \u201cEnquanto S\u00f3s\u201d e \u201cO Mel e o Fel\u201d, h\u00e1 essa despedida, mas sem rancor, sem m\u00e1goas. Voc\u00ea costuma colocar a sua vida nisso ou \u00e9 somente uma hist\u00f3ria que resolveu criar?<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 No caso do \u201cVeroz\u201d, nosso primeiro disco, cinco dessas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o do EP \u201cCores do Vento\u201d (lan\u00e7ado em 2009). Tr\u00eas m\u00fasicas dele foram escritas para uma pessoa. E, sim, h\u00e1 algo autobiogr\u00e1fico nele. Algo que aconteceu em minha vida e resolvi escrever sobre e, claro, a pessoa sabe que se trata de n\u00f3s. \u00c9 algu\u00e9m que ningu\u00e9m sabe quem \u00e9, mas foi algo bem pessoal. De certa forma, em uma poesia, na forma de escrever e na forma de se expressar, \u00e0s vezes voc\u00ea acaba refletindo a vida de v\u00e1rias pessoas que, como voc\u00ea, est\u00e3o passando por aquele momento. V\u00e1rias pessoas entendem aquela m\u00fasica porque passaram por um momento semelhante ou, simplesmente, porque t\u00eam a sensibilidade de enxergar que aquilo pode acontecer com qualquer individuo. Depois, em outras m\u00fasicas, decidi n\u00e3o colocar tanto minha vida pessoal, preferi escrever sobre inspira\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, crises existenciais e outras coisas rolam na vida de qualquer um. Mas, resumindo, \u201cL\u00e1pis de Carv\u00e3o\u201d e \u201cEnquanto S\u00f3s\u201d acabaram refletindo minha vida pessoal totalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E acabaram por se tornar respostas bem elegantes.<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 Sim. \u00c9 aquela coisa do \u201cn\u00e3o precisa chutar o pau da barraca se voc\u00ea ainda est\u00e1 dentro dela\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(risos) Pois \u00e9. E voc\u00ea citou o \u201cCores do Vento\u201d e lembrei que a capa dele tem uma imagem que remete ao Ren\u00e9 Magritte (pintor belga surrealista). O mesmo pode-se dizer dos p\u00e9s na capa do \u201cVeroz\u201d. \u00c9 uma influ\u00eancia proposital?<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 Sim. Isso \u00e9 algo que vem do Igor Alessandro Andrade, nosso designer. Na \u00e9poca da escolha da capa do disco, a gente estava brigando muito (risos), porque toda a banda queria que a arte fosse algo que dissesse alguma coisa. Como resultado final acabou ficando algo que n\u00e3o diz nada. E o mais doido \u00e9 que acabou dizendo alguma coisa, tamb\u00e9m (mais risos). Aquele terno sem a cabe\u00e7a \u00e9 uma refer\u00eancia cl\u00e1ssica ao pintor. E eu j\u00e1 curtia muito o trabalho do Magritte. Acabou ficando uma coisa bacana com o nome \u201cCores do Vento\u201d e aquelas penas voando. Algo bem conceitual. J\u00e1 o \u201cVeroz\u201d traz uma ideia de acordo com a fase que a gente estava vivendo. Uma vontade de se jogar, sabe? Aquelas pernas pra cima remetem a isso. Foi essa a ideia. A gente estava com uma ideia que remetesse a fotos vintage. Aquelas colagem setentistas. E o encarte acabou ficando com essa atmosfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Jorge Solovera (guitarrista e produtor chileno radicado na Bahia), que produziu o CD, possui uma forma\u00e7\u00e3o com viol\u00e3o cl\u00e1ssico e \u00e9 assumidamente um f\u00e3 de Jazz. Essa influ\u00eancia refletiu de alguma forma na banda?<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 N\u00e3o. A influ\u00eancia jazz\u00edstica dele eu creio que n\u00e3o entrou tanto na Maglore. Solovera \u00e9 um cara que a gente j\u00e1 conhece faz muito tempo. Para mim, ele \u00e9, de fato, um dos melhores guitarristas do mundo. Digo isso porque conhe\u00e7o a obra ele. Poucas pessoas conhecem a obra do Solovera. Ele tem trabalhos lan\u00e7ados em espanhol (um CD triplo), outro CD em ingl\u00eas, al\u00e9m de trabalhos feitos no Brasil. Ele \u00e9 um dos grandes artistas que conheci em minha vida. E produziu nosso disco, mas a influ\u00eancia do jazz que \u00e9 t\u00e3o marcante na sua carreira entrou de forma muito sutil no som da Malgore. Por exemplo, em \u201cPai Mundo\u201d h\u00e1 uma cad\u00eancia influenciada por ele na pr\u00e9 produ\u00e7\u00e3o. Em algumas coisas h\u00e1 esse tra\u00e7o dele, mas n\u00e3o totalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o \u2013 N\u00e3o \u00e9 uma coisa direta, sabe? \u00c9 algo bem mais subjetivo. Claro que esse foi nosso primeiro contato. Nosso primeiro disco. \u00c9 uma experi\u00eancia bem mais crua, mais sentimental de se fazer. Algo feito muito com a garra de se querer gravar um disco. E ter o Solovera como produtor, um guitarrista com essa compet\u00eancia, agregou muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas se apresentam agora em mar\u00e7o em Salvador com uma temporada de despedida antes da ida para S\u00e3o Paulo no intuito de divulgar a banda. Expectativas?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o \u2013 Nossa principal ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que todo artista almeja: viver de m\u00fasica. Hoje a gente n\u00e3o vive, sobrevive dela. Indo para o sudeste, nossa pretens\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ar um p\u00fablico maior que possa proporcionar isso para a gente. \u00c9 fazer o que n\u00f3s fizemos aqui em Salvador e nas nossas breves visitas ao Rio e a S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m. Conquistar o p\u00fablico. \u00c9 o que queremos tentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teago \u2013 Acho que a gente est\u00e1 indo tamb\u00e9m pela vibe de sair de Salvador, de irmos todos juntos, para morarmos juntos e de saber que l\u00e1 iremos pegar a estrada em uma uni\u00e3o. Viver como uma banda. Como uma unidade. Essa experi\u00eancia \u00e9 que vai ser mais interessante: a de fazer acontecer de uma forma isolada, sem o apoio que temos aqui. Em Salvador, n\u00f3s conseguimos criar, do nada, uma estrutura m\u00ednima de suporte e, agora, queremos fazer isso em outros lugares. Se der na telha de irmos de S\u00e3o Paulo para o Rio, a gente se muda e vai. \u00c9 essa experi\u00eancia que queremos. Hoje, S\u00e3o Paulo \u00e9 o lugar ideal para podermos trocar figurinha cultural, sabe? \u00c9 uma cidade que respira e que consome muita cultura e que n\u00e3o vive um per\u00edodo de autoafirma\u00e7\u00e3o. A cultura l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 impregnada apenas em uma coisa. \u00c9 uma cidade diversa. Possui espa\u00e7o para tudo e a forma como voc\u00ea troca informa\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia \u00e9 como outro mundo, outro n\u00edvel. Salvador, pra mim, \u00e9 uma coisa mais singular. \u00c9 at\u00e9 perigoso falar qual lugar voc\u00ea prefere. N\u00e3o \u00e9 que eu prefira Salvador. \u00c9 que essa cidade me convence culturalmente. Aqui, os elementos da m\u00fasica baiana ainda n\u00e3o foram descobertos pelo Brasil inteiro, mas quando isso acontecer, vai fazer vingar um monte de gente que est\u00e1 aqui e nunca p\u00f4de fazer algo l\u00e1 fora. Salvador \u00e9 um celeiro musical. Aqui se cria muita coisa, mas desenvolve-se muito pouco. J\u00e1 em S\u00e3o Paulo, esse desenvolvimento \u00e9 mais pleno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o \u2013 A cidade de S\u00e3o Paulo possui um poder de difus\u00e3o muito grande. Quando algo \u00e9 feito l\u00e1, voc\u00ea sabe que a repercuss\u00e3o \u00e9 bem mais expressiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teago \u2013 Agora, tem um detalhe: S\u00e3o Paulo, apesar de abra\u00e7ar muitos projetos, possui algo perigoso que \u00e9 a possibilidade de voc\u00ea ser tragado caso n\u00e3o trabalhe certo. Voc\u00ea cai facilmente no esquecimento e \u00e9 tragado. Mas, a ambi\u00e7\u00e3o da Maglore \u00e9 outra. N\u00f3s n\u00e3o estamos naquela pira\u00e7\u00e3o do \u201cvai ou n\u00e3o vai dar certo\u201d. N\u00e3o \u00e9 isso. Dessa fase n\u00f3s j\u00e1 passamos. Hoje n\u00f3s buscamos uma inova\u00e7\u00e3o. Novos ares. A ideia \u00e9 aquela que j\u00e1 falei: viver de m\u00fasica, curtir esse momento, produzir e deixar o tempo passar. Dessa forma saberemos quem vai fazer o qu\u00ea. \u00c9 o tempo quem vai escrever a hist\u00f3ria de cada banda, de cada artista. A preocupa\u00e7\u00e3o de se vai estourar ou n\u00e3o \u00e9 inexistente pra mim. A prioridade para mim \u00e9 viver e fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em Salvador, voc\u00eas conseguiram uma proeza na divulga\u00e7\u00e3o da Maglore atrav\u00e9s da internet que foi um verdadeiro fen\u00f4meno de popularidade. Houve outros exemplos, como a Ronei Jorge e os Ladr\u00f5es de Bicicleta, em 2005, mas n\u00e3o de forma t\u00e3o intensa, afinal em cinco anos, ferramentas como o Facebook evolu\u00edram muito nesse \u00e2mbito. E voc\u00eas souberam aproveitar muito bem isso. Como se deu essa estrat\u00e9gia?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o \u2013 Foi algo que foi acontecendo. Um t\u00edpico trabalho de formiguinha na internet (risos). Nas redes sociais, twitter, fomos divulgando e pedindo aos amigos para multiplicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teago \u2013 Eu j\u00e1 acho que n\u00e3o foi tanto assim. Quando a galera ouviu a banda e gostou, l\u00e1 no come\u00e7o, houve aquela divulga\u00e7\u00e3o on line como qualquer outra banda em Salvador. A gente estava no mesmo n\u00edvel de divulga\u00e7\u00e3o de qualquer conjunto daqui. O que aconteceu foi que n\u00f3s come\u00e7amos a tocar muito, a banda fechou a forma\u00e7\u00e3o de hoje com a entrada de L\u00e9o e percebemos que, na internet, n\u00f3s \u00e9ramos bons. Us\u00e1vamos o My Space, o Orkut, e a divulga\u00e7\u00e3o acabou sendo essa. A\u00ed eu pensei: \u201cBom, est\u00e3o dizendo na internet que n\u00f3s somos bons. Ent\u00e3o, vamos aproveitar e divulgar isso\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o \u2013 Houve algumas figuras que fomos encontrando no meio do caminho que contribu\u00edram muito para esse destaque que tivemos. O FCaveira (tamb\u00e9m conhecido como Fl\u00e1vio Carvalho, bastante ativo no twitter na divulga\u00e7\u00e3o de bandas) , no Rio de Janeiro, por exemplo. Alguns f\u00e3s come\u00e7aram a ajudar e divulgar mesmo o trabalho da gente de forma espont\u00e2nea na internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teago \u2013 A virada na nossa carreira foi quando o som vazou de Salvador para o Rio, que foi um dos primeiros lugares fora daqui que as m\u00fasicas chegaram. L\u00e1, como o L\u00e9o falou, contamos com a ajuda do FCaveira. A partir da\u00ed, tudo tomou outra propor\u00e7\u00e3o. Produtoras de fora tomaram conhecimento da gente. Quando percebemos, a coisa come\u00e7ou a descambar para Belo Horizonte. Notamos isso em Minas quando fomos tocar l\u00e1 pelo Coletivo Pegada. Houve um boca a boca forte do pessoal de l\u00e1 que j\u00e1 havia ouvido a gente pela internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi uma reuni\u00e3o de fatores positivos que ajudaram muito a banda, ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 Exato. N\u00f3s surgimos em um momento onde o mercado musical estava mais aberto e democr\u00e1tico. Ironicamente, isso gera um pouco mais de dificuldade quando a banda come\u00e7a a crescer. Definitivamente, o que ajudou a gente foi o fato de termos viajado bastante. Fizemos circuitos nas principais cidades do interior da Bahia. Fizemos uma turn\u00ea pelo nordeste na qual sa\u00edmos de Salvador indo at\u00e9 Natal, no Rio Grande do Norte. Al\u00e9m, claro, de Rio, Sampa, Vale do Parna\u00edba, interior de Minas, enfim, em um intervalo de 12 meses, entre dezembro de 2010 e o final do ano passado, n\u00f3s passamos por boa parte do Brasil. Quase cem shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com essa experi\u00eancia, a intera\u00e7\u00e3o no palco acaba sendo certeira.<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 Pois \u00e9. O legal de ter uma banda \u00e9 esse lance de aprendermos juntos. N\u00f3s recebemos a mesma informa\u00e7\u00e3o e cada um vai assimilando. Ent\u00e3o, com o tempo, n\u00f3s fomos construindo uma identidade est\u00e9tica e sonora. Al\u00e9m disso, constru\u00edmos um ideal de vida e art\u00edstico que ainda est\u00e1 em processo de transforma\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s, ser uma banda \u00e9 isso. \u00c9 voc\u00ea viver e aprender ali com seu camarada o que voc\u00ea tem que fazer para se sentir melhor naquilo que voc\u00ea faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como est\u00e1 o processo de lan\u00e7amento do CD \u201cVeroz\u201d no sudeste?<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 Ainda n\u00e3o tivemos distribui\u00e7\u00e3o do CD por l\u00e1. O que aconteceu foi que assinamos com a Melody Box, uma produtora do Rio, que criou o nosso site. Mas \u00e9 mais um contrato de parceria, um lance bem aberto. Agora, distribui\u00e7\u00e3o no sudeste n\u00f3s ainda n\u00e3o temos. Mas, claro, j\u00e1 fizemos show de lan\u00e7amento por l\u00e1 naquele esquema bem independente de levar os CDs para os shows, vender por l\u00e1 mesmo e contar com a divulga\u00e7\u00e3o nas redes sociais de quem compra. \u00c9 um trabalho gradativo. Degrau por degrau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E, pelo jeito, \u00e9 assim que vale a pena.<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 \u00c9 a forma como eu gosto de fazer, sabe? Para mim n\u00e3o ia ter gra\u00e7a chegar com a parada toda pronta, com gente te dizendo como se vestir, como falar, como tocar, uns vinte mil no bolso por m\u00eas para voc\u00ea ser uma pessoa que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o! (Enf\u00e1tico). Para mim, em qualquer trabalho que voc\u00ea fa\u00e7a, \u00e9 preciso ser voc\u00ea mesmo. N\u00f3s temos experi\u00eancias de amigos e bandas que j\u00e1 passaram por coisas que n\u00e3o d\u00e1. N\u00f3s sabemos como \u00e9 pesado o mundo da m\u00fasica, o mundo do neg\u00f3cio musical. Mas a gente vai aprendendo aos poucos, mas de outra forma n\u00e3o rola. Preferimos aprender naturalmente nem que a gente morra pobre (risos). Mas eu acho que a gente n\u00e3o vai morrer pobre, n\u00e3o. Acho que a gente vai ganhar algum trocado a\u00ed pelo meio do caminho (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E influ\u00eancias? Para uma banda que est\u00e1 despontando agora, \u00e9 inevit\u00e1vel n\u00e3o perguntar sobre outros sons que influenciam a Maglore. Voc\u00eas j\u00e1 falaram de Ger\u00f4nimo, Jo\u00e3o Gilberto, mas eu vi que no show tamb\u00e9m rola Beatles. O que mais toca no som de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 Ah, claro. Beatles \u00e9 influ\u00eancia de todo mundo. N\u00f3s j\u00e1 tocamos \u201cGet Back\u201d, \u201cDrive my Car\u2019. At\u00e9 da carreira solo dos caras n\u00f3s j\u00e1 tocamos&#8230; \u201cStand by Me\u201d, que o John gravou. \u201cGimm Love\u201d, do George, \u201cI Got My Mind Set on You\u201d, dele tamb\u00e9m. Daqui da Brasil, a gente costuma cantar \u201cDr\u00e3o\u201d, do Gil, em uma mescla com \u201cBaby\u201d, m\u00fasica do Caetano que os Mutantes gravaram. Caetano, recentemente, apareceu em um show da gente, algo que enlouqueceu a galera presente e nos deixou muito felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e9o \u2013 A gente acabou de gravar uma faixa para o Musicoteca, em uma colet\u00e2nea que eles est\u00e3o fazendo em homenagem aos quinze anos dos Los Hermanos (projeto que re\u00fane artistas como Wado, Velhas Virgens, Banda Gentileza, entre outros).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teago \u2013 Los Hermanos reinventou a roda do rock brasileiro. Depois deles, depois do \u201cBloco do Eu Sozinho\u201d, houve um insight na m\u00fasica brasileira. Hoje eu n\u00e3o consigo n\u00e3o ver Los Hermanos em nada que \u00e9 feito no pop rock nacional. Tudo o que \u00e9 feito hoje nesse cen\u00e1rio tem alguma coisa deles. Eles influenciaram mesmo. Claro que tem a galera do contra, que torce o nariz dizendo que isso ou aquilo \u00e9 Los Hermanos, como se fosse um defeito. Para mim, as pessoas t\u00eam que se preocupar \u00e9 com o artista e n\u00e3o com as influ\u00eancias dele. Acho que as pessoas precisam esperar o tempo passar um pouco. Um artista ser julgado por ser parecido com outro \u00e9 algo precipitado. N\u00f3s j\u00e1 fomos julgados por sermos parecidos com eles. Chegamos a ouvir frases do tipo \u201cAh, mas voc\u00eas copiam Los Hermanos\u201d. Pelo amor de Deus! A gente n\u00e3o copia Los Hermanos. Assim como n\u00e3o copiamos Beatles, mas \u00e9 inevit\u00e1vel que voc\u00ea coloque alguma coisa l\u00e1 porque voc\u00ea cresceu ouvindo aquilo, ent\u00e3o voc\u00ea reproduz alguns pontos. Se eu passasse a minha vida ouvindo Iron Maiden, talvez eu tocasse alguma coisa que tivesse a ver com eles. Mas o processo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 outro. Quem entende disso sabe que voc\u00ea n\u00e3o vai pegar um peda\u00e7o de uma can\u00e7\u00e3o dos Beatles, um peda\u00e7o de uma can\u00e7\u00e3o dos Los Hermanos, costurar e fazer uma letra por cima. Isso n\u00e3o \u00e9 fazer m\u00fasica. Isso \u00e9 fazer cover. N\u00e3o \u00e9 produzir. O trabalho de um artista \u00e9 o tempo que define. Deixa passar uns quatro ou cinco anos e vai ver o trabalho do cara. O fazer \u00e9 o mais importante. E a galera fica louca quando surge uma nova banda talvez por medo de acontecer de novo um frenesi. Mas j\u00e1 rolou. Los Hermanos j\u00e1 fizeram a parada e foi muito bem feita. N\u00f3s fomos muito bem servidos. \u00c9 uma banda da qual eu gosto muito. N\u00e3o foi a banda que mais escutei em minha vida, mas foi uma que teve um papel decisivo. Assim como o Nirvana, o Pearl Jam. Tem sempre algu\u00e9m que fala que no nosso som tem algo de Pearl Jam. N\u00e3o sei. Talvez seja aquele grave (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O grave de sua voz, realmente, tem algo que lembra a de Eddie Vedder.<\/strong><br \/>\nTeago \u2013 N\u00e3o sei. Acho que foram as circunstancias da grava\u00e7\u00e3o desse CD. Naquele momento, eu estava imerso na carreira solo do Eddie Vedder e na trilha do \u201cInto the Wild\u201d (filme dirigido por Sean Penn com can\u00e7\u00f5es do l\u00edder do Pearl Jam) e as coisas foram fluindo (risos). Uma vez eu estava lendo uma entrevista do Paulinho Moska, na qual o rep\u00f3rter perguntou sobre as influ\u00eancias do disco que ele estava fazendo. E ele respondeu que estava ouvindo muito Chris Cornell. Ent\u00e3o fui ouvir o disco e fiquei surpreso ao ver como o som do Cornell estava presente naquele trabalho do Moska e eu n\u00e3o estava percebendo isso. Para mim, isso que \u00e9 bacana. Essa soma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E, pra fechar, como t\u00e1 o pr\u00f3ximo disco?<\/strong><br \/>\nL\u00e9o \u2013 N\u00f3s estamos na vibe de lan\u00e7\u00e1-lo esse ano ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teago \u2013 Sim. Estamos com esperan\u00e7a de que ele saia esse ano. N\u00f3s queremos passar por um processo de grava\u00e7\u00e3o mais natural, sabe? Menos computador e mais instrumento. Mais musicalidade na coisa. A gente n\u00e3o est\u00e1 mais nessa onda de produ\u00e7\u00e3o convencional, aquela coisa radiof\u00f4nica, aquela compress\u00e3o na voz, sabe? Aquele som de bateria igual ao de todas as bandas. Nada contra, mas n\u00f3s j\u00e1 tivemos isso no primeiro CD, esse processo de mixagem radiof\u00f4nica, mas a gente quer fazer uma coisa diferente em rela\u00e7\u00e3o a isso no segundo. Afinal, n\u00f3s estamos aprendendo a produzir o disco da gente, algo que \u00e9 muito importante. Voc\u00ea tem um produtor, mas saber como o processo funciona \u00e9 muito importante. Ent\u00e3o, hoje, n\u00f3s estamos correndo atr\u00e1s de uma verba, batalhando para fazer isso acontecer e trazer esse novo disco ainda em 2012.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_WhCwf_ZkdI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Paulo Barreto \u00e9 apaixonado por m\u00fasica e cinema. Escreve no <a href=\"http:\/\/www.coisadecinema.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coisa de Cinema<\/a> e no <a href=\"http:\/\/www.coisadecinema.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pel\u00edcula Virtual<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Maglore: m\u00fasica pop com melodias doces e letras para decorar, por Adriano Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/13\/gustavo-telles-joseph-tourton-maglore\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fen\u00f4meno de popularidade na internet, a Maglore pratica um pop rock de letras sinceras sem deixar de lado sua baianidade\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/17\/entrevista-maglore\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[188],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13292"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13292"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44719,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13292\/revisions\/44719"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}