{"id":132,"date":"2007-10-29T14:23:10","date_gmt":"2007-10-29T16:23:10","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/10\/29\/bjork-brilha-no-fraco-tim-festival-2007-em-sao-paulo\/"},"modified":"2020-04-25T02:09:41","modified_gmt":"2020-04-25T05:09:41","slug":"bjork-brilha-no-fraco-tim-festival-2007-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/10\/29\/bjork-brilha-no-fraco-tim-festival-2007-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Bj\u00f6rk brilha no fraco Tim Festival 2007 em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/10\/bjork_tim1.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando surgiu, ainda como Free Jazz, o Tim Festival conseguia aliar novidades musicais com a apresenta\u00e7\u00e3o de grandes nomes da m\u00fasica mundial. Aos poucos, o festival que era apontado como melhor do pa\u00eds por muitos cr\u00edticos cresceu de tamanho, mas a qualidade da produ\u00e7\u00e3o intimista e bacana das edi\u00e7\u00f5es menores n\u00e3o acompanhou (em S\u00e3o Paulo) seu crescimento, e assistiu duas edi\u00e7\u00f5es frustrantes em 2005 e 2006 (a primeira com n\u00edtidos problemas de som; a segunda transferida da Arena do Anhembi e encaixotada no Tom Brasil na \u00faltima hora).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A not\u00edcia do retorno para a Arena do Anhembi neste ano foi recebida com frieza, mas a expectativa era de que a produ\u00e7\u00e3o do festival tivesse aprendido com os dois anos anteriores, quando o Tim saltou dos palcos pequeninos, aconchegantes e de som excelente do J\u00f3quei Clube de S\u00e3o Paulo para o palco enorme da Arena do Anhembi. A rigor, os problemas de som foram sanados, mas muitos outros surgiram em seu encal\u00e7o como a superlota\u00e7\u00e3o da \u00e1rea VIP (em si, uma agress\u00e3o a grande maioria do p\u00fablico, que foi &#8220;obrigado&#8221; a assistir aos shows de uma dist\u00e2ncia muito maior do palco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desorganiza\u00e7\u00e3o dos poucos caixas disponibilizados para atender a mais de 20 mil pessoas (al\u00e9m de desinformados &#8211; n\u00e3o sabiam explicar em que lugar a pessoa deveria retirar o que comprou &#8211; eles tinham que lidar com uma estrutura prec\u00e1ria cujo maior exemplo reside no fato do comprador ter que falar sua senha de cart\u00e3o de d\u00e9bito para a vendedora, j\u00e1 que n\u00e3o havia como ela passar a m\u00e1quina de cart\u00e3o por baixo da grade de atendimento), os banheiros que deveriam receber limpeza constante (o que n\u00e3o aconteceu) e a longa espera entre um show e outro &#8211; que culminou num atraso total de tr\u00eas horas e levou o \u00faltimo show a terminar p\u00f3s 5 da manh\u00e3 &#8211; s\u00e3o sintomas de um festival que cresceu em p\u00fablico, mas n\u00e3o em qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pouco antes das 4 da manh\u00e3, no servi\u00e7o de recados que aparecia no tel\u00e3o do palco, algu\u00e9m do p\u00fablico brincava: &#8220;Eu tenho uma vida fora daqui&#8221;. A produ\u00e7\u00e3o se esqueceu disso. Fora a lista de problemas, o line-up deste ano se mostrou confuso e de qualidade question\u00e1vel. Se nenhuma das seis atra\u00e7\u00f5es fez um show ruim, tamb\u00e9m nenhuma impressionou mais do que o esperado. Faltou &#8220;show&#8221; no sentido estrito da palavra em um festival antes caracterizado por apresenta\u00e7\u00f5es antol\u00f3gicas e line-ups atenciosos com o que de melhor estava se fazendo em m\u00fasica no mundo. Se o que se viu na Arena do Anhembi \u00e9 o melhor da m\u00fasica neste momento da hist\u00f3ria estamos, definitivamente, \u00f3rf\u00e3os. E viva a dilui\u00e7\u00e3o. E salve Bj\u00f6rk.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/10\/hotchip_tim.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Hot Chip entrou no palco \u00e0s 20h depois que integrantes do Spank Rock fizeram at\u00e9 stage dive para animar o p\u00fablico. Ao vivo, o electro rock do Hot Chip cresce em impacto, mas perde em detalhes e nuances. O quinteto tem carisma, conta com um s\u00f3sia do Vinny se alternando entre guitarras e teclados, um gordinho com uma camiseta do Flaming Lips fazendo efeitos e vozes, e um outro rapaz com cara de nerd no comando da bagun\u00e7a, mas o show parece que vai virar algo, parece que vai virar algo, parece&#8230; e fica nisso. Com exce\u00e7\u00e3o, claro, do hit &#8220;Over and Over&#8221;, cantado em coro pelo p\u00fablico. Pouco para um show em que at\u00e9 uma cover do New Order (&#8220;Temptation&#8221;) passa totalmente despercebida.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/10\/bjork_tim.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma hora de intervalo foi o tempo que Bj\u00f6rk precisou para encher seu palco de bandeirolas coloridas de tem\u00e1tica animal (sapos, coelhos, peixes) e um naipe island\u00eas de sopro. A demora, no entanto, foi compensada por uma apresenta\u00e7\u00e3o irrepreens\u00edvel. Dan\u00e7ando sem parar, a cantora apresentou seu caleidosc\u00f3pio musical esquizofr\u00eanico em forma de m\u00fasica pop centrando foco em um repert\u00f3rio quase best of: &#8220;Hunter&#8221;, &#8220;Pagan Poetry&#8221;, &#8220;J\u00f3ga&#8221;, &#8220;Army of Me&#8221;, &#8220;Hyper-Ballad&#8221;, &#8220;Pluto&#8221;, entre outras, animaram o p\u00fablico. De vestido colorido e repetindo &#8220;obrigato&#8221; a cada final de can\u00e7\u00e3o com seu sotaque delicado e charmoso, Bj\u00f6rk cativou a audi\u00eancia e fez um grande show. S\u00f3 faltou &#8220;It&#8217;s Oh So Quiet&#8221;&#8230;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/10\/juliette_tim.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de uma hora de espera e surge Juliette Lewis and The Licks para uma apresenta\u00e7\u00e3o de rock&#8217;n&#8217;roll, baby. Por\u00e9m, por mais que a cantora atriz se esforce, e sua banda tente acompanhar, o show \u00e9 uma caricatura dos cacoetes mais engra\u00e7ados do rock: a vocalista que rola no ch\u00e3o dando sangue pela banda, o guitarrista bonitinho que faz pose de homem mau; as can\u00e7\u00f5es sustentadas por riffs atolados em barris de formol. \u00c9 tudo bonitinho, engra\u00e7ado, divertido, mas a gente esquece assim que ela deixa o palco. E n\u00e3o vai se lembrar t\u00e3o cedo.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/10\/arctic_tim.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hype dos \u00faltimos dois anos na Inglaterra, o Arctic Monkeys chegou a S\u00e3o Paulo com a grande vantagem de estar em seu melhor momento: lan\u00e7aram este ano um segundo \u00e1lbum t\u00e3o bom quanto o primeiro, e s\u00e3o novidade fresquinha no movimentado mundo pop. Por\u00e9m, o que \u00e9 a grande vantagem da banda (ser nova, ter apenas dois discos, e j\u00e1 estar tocando no Brasil) tamb\u00e9m funciona contra: falta punch de palco ao quarteto, que n\u00e3o se mexe, n\u00e3o inspira, n\u00e3o comove, a n\u00e3o ser nos poderosos e ultra-pesados hits do primeiro \u00e1lbum. Ali\u00e1s, as can\u00e7\u00f5es do primeiro \u00e1lbum soam muito melhores ao vivo do que as do segundo (exemplo: &#8220;Fake Tales of San Francisco&#8221; ficou arrasadora enquanto a \u00f3tima &#8220;Teddy Picker&#8221; parecia um rascunho). Mesmo assim, ouvir &#8220;I Bet That You Look Good On The Dancefloor&#8221;, um pretendente a cl\u00e1ssico dos anos 00, \u00e9 de encher os olhos e arrepiar a alma.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/10\/killers_tim.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes mesmo de come\u00e7ar o show, o Killers j\u00e1 rendia coment\u00e1rios divertidos via SMS no tel\u00e3o: &#8220;Feliz Natal, por The Killers&#8221;, mandou algu\u00e9m do p\u00fablico, visivelmente inspirado pela overdose de luzes da decora\u00e7\u00e3o do palco inspirada em um casino de Las Vegas. Se o Capit\u00e3o Nascimento estivesse por ali teria dito: &#8220;O senhor \u00e9 um fanfarr\u00e3o, Sr. Brandon Flowers&#8221;. Com toda raz\u00e3o. O Killers regurgita &#8211; sem medo nenhum de ser feliz &#8211; o lado brega dos anos 80 com tudo o que tem direito. E d\u00e1-lhe ramalhetes de flores na bateria, que o vocalista vai atirar ao p\u00fablico &#8211; no melhor estilo Roberto Carlos &#8211; no meio do show. E d\u00e1-lhe m\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o no meio da m\u00fasica, punho fechado quanto um trecho da letra fala de ci\u00fames, e por ai vai. Apesar da demora na montagem do palco, durante as primeiras m\u00fasicas ajudantes ainda levavam plantas para dentro do cen\u00e1rio. A pergunta final era: <em>&#8220;Que horas o Papai Noel ir\u00e1 chegar em &#8220;Sam&#8217;s Town&#8221;<\/em>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o h\u00e1 a m\u00ednima chance de levar o Killers a s\u00e9rio por seu visual e messianismo, a seu favor o fanfarr\u00e3o Brandon Flowers tem um repert\u00f3rio de hits debaixo da manga de causar inveja em muita gente: &#8220;When You Were Young&#8221;, &#8220;Somebody Told Me&#8221;, &#8220;Smile Like You Mean It&#8221;, &#8220;Jenny Was A Friend of Mine&#8221;, &#8220;Mr. Brightside&#8221;, &#8220;Bones&#8221; e &#8220;For Reasons Unknown&#8221; s\u00e3o capazes de chacoalhar uma multid\u00e3o mesmo que o show esteja acontecendo \u00e0s 5 da manh\u00e3 de uma segunda-feira em uma megal\u00f3pole que acorda cedo no come\u00e7o da semana. S\u00f3 o Killers tem mais hits que todo o novo rock junto. Com esse fato, tirando a vers\u00e3o fraqu\u00edssima de &#8220;Shadowplay&#8221;, do Joy Division, o show foi correto e n\u00e3o desandou. Deixo a Arena do Anhembi quatro m\u00fasicas antes do final pensando na frase do Capit\u00e3o Nascimento e na promessa n\u00e3o concretizada da visita de Papai Noel. Da rua ainda consigo ouvir Brandon Flowers cantando. Rio. Se o intuito de um show \u00e9 &#8211; entre outras coisas &#8211; divertir e entreter o espectador, o Killers deixa S\u00e3o Paulo com a d\u00edvida paga. Tudo bem, o pre\u00e7o n\u00e3o era alto, n\u00e3o \u00e9 mesmo Sr. Fanfarr\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O saldo final do festival \u00e9 fraco, um tanto pela desorganiza\u00e7\u00e3o, outro tanto pelo line-up fraco que talvez seja um reflexo do cen\u00e1rio atual da m\u00fasica pop, muito mais preocupado em diluir velhas f\u00f3rmulas do que criar outras novas. Por mais que o Killers tenha feito um show competente, sua escala\u00e7\u00e3o soa deslocada da proposta que o Tim Festival ostentava anos atr\u00e1s. Brandon Flowers e cia mereciam um show s\u00f3 deles em um Credicard Hall ao inv\u00e9s de surgir como banda principal de um festival que se caracterizava por destacar novas tend\u00eancias de uma m\u00fasica sem fronteiras. Pelo panorama exibido na Arena do Anhembi, no domingo, as fronteiras n\u00e3o andam sendo bem exploradas. Uma pena.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando surgiu, ainda como Free Jazz, o Tim Festival conseguia aliar novidades musicais com a apresenta\u00e7\u00e3o de grandes nomes da m\u00fasica mundial. 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