{"id":13186,"date":"2012-03-11T06:20:24","date_gmt":"2012-03-11T09:20:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=13186"},"modified":"2021-09-22T20:06:14","modified_gmt":"2021-09-22T23:06:14","slug":"musica-visions-grimes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/11\/musica-visions-grimes\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Visions&#8221;, Grimes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13187\" title=\"visions\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/visions.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tiago Faria<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez n\u00e3o seja necess\u00e1rio (nem recomend\u00e1vel) ouvir este disco por inteiro para entender por que a canadense Claire Boucher \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do ano. As resenhas sobre &#8220;Visions&#8221; (como esta <a href=\"http:\/\/www.cokemachineglow.com\/record_review\/6796\/grimes-visions-2012\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) nos informam que ela \u00e9 um dos s\u00edmbolos proeminentes de uma cena em ascens\u00e3o \u2014 apelidada simplesmente de \u201cweird\u201d \u2014, que atualiza a \u201csensibilidade punk\u201d ao se apropriar de um punhado de refer\u00eancias marginais do pop, chafundrando em dejetos de k-pop, synthpop, shoegazing, ambient, minimal, lo-fi, new age, funk de boate vagabunda e, se n\u00e3o estou enganado, um tiquinho de carimb\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simultaneamente a essas (supostas) peraltices sonoras, Claire tamb\u00e9m desenvolve, segundo o site da gravadora Rough Trade, \u201cas artes do 2D (?), performance, dan\u00e7a, artes pl\u00e1sticas, v\u00eddeo e som\u201d, num set que incorpora influ\u00eancias \u201ct\u00e3o amplas como Enya, TLC e Aphex Twin\u201d. Com uma carta de apresenta\u00e7\u00f5es dessas, imagino que seria simples conseguir, no m\u00ednimo, uma bolsa de estudos na BRIT School for Performing Arts &amp; Technology.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um portif\u00f3lio not\u00e1vel \u2014 que inclui, al\u00e9m de &#8220;Visions&#8221;, mais tr\u00eas discos gravados rapidamente, desde 2010. Ao contr\u00e1rio dos \u00e1lbuns anteriores, que foram tratados como rascunhos para laborat\u00f3rio de Creative Writing, o novo projeto mostra ambi\u00e7\u00f5es de profissionaliza\u00e7\u00e3o. Na 4AD Records, lar do Gang Gang Dance e do Ariel Pink, Claire se comporta como uma rep\u00f3rter iniciante que decidiu trocar as liberdades da pequena imprensa interiorana pelo prest\u00edgio de um \u201cjornal\u00e3o\u201d. Grandes responsabilidades, you see?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Grimes - Oblivion\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JtH68PJIQLE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Visions&#8221; aparece, de fato, como um \u00e1lbum mais \u201capresent\u00e1vel\u201d, que tenta organizar num combo aud\u00edvel as dezenas (centenas?) de inten\u00e7\u00f5es de Claire. Pode ser interpretado como um rito de passagem. Pena que, para quem evita o burburinho das resenhas, a experi\u00eancia pode ser decepcionante: desconectado de um contexto que o engrandece (e do hype, velho hype), deve deixar a impress\u00e3o de que foi programado a partir de uma sele\u00e7\u00e3o de palavras populares em blogs e sites de indie rock \u2014 e n\u00e3o de vis\u00f5es particulares sobre o pop, o indie, o \u201cbedroom pop\u201d ou o que quer que seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse circuito ruidoso de informa\u00e7\u00e3o \u2014 que atua principalmente, diga-se, fora e ao redor do disco \u2014 nos atrapalha quando tentamos identificar as singularidades de Claire. Depois de muitas audi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o consegui encontrar muitas: a sonoridade que ela pratica n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o fren\u00e9tica nem criativa quanto se vende por a\u00ed, e parece apenas uma varia\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria (e pobre de prop\u00f3sito, aparentemente) do pop cut \u2018n\u2019 paste que M.I.A. e Diplo fazem com mais gana e alegria. Claire cria uma redoma estetizante que parece fr\u00e1gil demais, e que se rompe t\u00e3o logo ela tenta encontrar densidade numa arte em 2D (isto \u00e9: a partir da faixa sete, quando o disco vai descendo a ladeira da contemporaneidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ideias de Claire fervilham t\u00e3o intensamente que talvez dever\u00edamos am\u00e1-la (e admirar o disco) apenas por isso: pela teoria, e n\u00e3o pela pr\u00e1tica. Mas &#8220;Visions&#8221; periga ser esmagado pela \u00e2nsia de disparar est\u00edmulos de curta dura\u00e7\u00e3o, fr\u00edvolos e sem subst\u00e2ncia \u2014 por isso mesmo, poucos lan\u00e7amentos recentes representam com tanta fidelidade uma \u00e9poca em que se precisa justificar com estardalha\u00e7o discos que ser\u00e3o rapidamente substitu\u00eddos por outros, t\u00e3o \u201cimportantes\u201d e \u201curgentes\u201d quanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-13189\" title=\"visions1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/visions1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tiago Faria (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@superoito<\/a>) \u00e9 jornalista e escreve no\u00a0<a href=\"http:\/\/superoito.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/superoito.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Faria\nTalvez n\u00e3o seja necess\u00e1rio ouvir este disco inteiro para entender por que a canadense Claire Boucher \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do ano\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/11\/musica-visions-grimes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13186"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13186"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13186\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62374,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13186\/revisions\/62374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}