{"id":12947,"date":"2012-02-29T11:52:29","date_gmt":"2012-02-29T14:52:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=12947"},"modified":"2012-03-25T19:09:18","modified_gmt":"2012-03-25T22:09:18","slug":"cnema-o-artista-michel-hazanavicius","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/29\/cnema-o-artista-michel-hazanavicius\/","title":{"rendered":"Cinema: O Artista, Michel Hazanavicius"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12948\" title=\"oartista\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/oartista.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/jeveiga\" target=\"_blank\">Jo\u00e3o Eduardo Veiga<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Oscar pode n\u00e3o significar nada, mas, entre escolhas e omiss\u00f5es, costuma explicar muita coisa. E uma subtrama que vem h\u00e1 d\u00e9cadas se desenrolando a partir das listas de indicados e vencedores \u00e9 a depend\u00eancia da cultura popular em seu pr\u00f3prio passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O western, que at\u00e9 o princ\u00edpio dos anos 90 s\u00f3 existia na hist\u00f3ria da premia\u00e7\u00e3o por conta de um \u00fanico e desbotado registro (\u201cCimarron\u201d foi tido como o melhor filme de 1931), retomou sua gl\u00f3ria cinematogr\u00e1fica \u2014 com \u201cDances With Wolves\u201d \/ \u201cDan\u00e7a com Lobos\u201d (1990) e \u201cUnforgiven\u201d \/ \u201cOs imperdo\u00e1veis\u201d (1992) \u2014 ap\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas dentro de um caix\u00e3o (as obras de Sergio Leone e todas as suas varia\u00e7\u00f5es spaghetti s\u00e3o um caso \u00e0 parte).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do mesmo modo, o musical, principal chamariz de p\u00fablico nos prim\u00f3rdios do cinema sonoro, foi diversas vezes revisto por Hollywood e celebrado pela ind\u00fastria \u2014 tanto em abordagens que de alguma forma incorporavam o zeitgeist (\u201cWest Side Story\u201d\/ \u201cAmor, Sublime Amor\u201d de 1961) como em produ\u00e7\u00f5es essencialmente nost\u00e1lgicas (\u201cChicago\u201d, de 2002). O pr\u00f3prio \u201cSinging in the Rain\u201d \/ \u201cCantando na Chuva\u201d (na certa esnobado pelo Oscar por conta do fato de um outro filme do g\u00eanero, \u201cAn American in Paris\u201d \/ \u201cSinfonia de Paris\u201d, ter sido consagrado no ano anterior) promove, como tempor\u00e3o de uma era dourada, uma releitura precoce de um cinema que, no come\u00e7o dos anos 50, j\u00e1 ensaiava sua decad\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso de \u201cThe Artist\u201d \/ \u201cO Artista\u201d, no entanto, \u00e9 bastante diferente. Ele n\u00e3o marca a retomada de um g\u00eanero espec\u00edfico nem se limita a se apropriar do imagin\u00e1rio de determinado per\u00edodo. A inten\u00e7\u00e3o do diretor Michel Hazanavicius foi prestar uma homenagem ao cinema mudo com um filme que, embora conte com uma trilha sonora gravada e sincronizada, emula em min\u00facias a t\u00e9cnica cinematogr\u00e1fica usual naqueles dias \u2014 da fotografia em preto e branco ao formato de tela (1.33:1, conhecido pelos historiadores como <em>academy ratio<\/em> e pelos compradores de DVD como <em>full screen<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12949\" title=\"oartista1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/oartista1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/oartista1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/oartista1-300x203.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No universo de seus 100 minutos de dura\u00e7\u00e3o, \u201cO Artista\u201d \u00e9 incontestavelmente agrad\u00e1vel. Por\u00e9m uma sensa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda o cerca: a produ\u00e7\u00e3o aclamada como a melhor e mais relevante de 2011 n\u00e3o passa de um simulacro de uma pel\u00edcula da d\u00e9cada de 1920. A aus\u00eancia de di\u00e1logos sonoros e os demais detalhes que remetem a uma tecnologia antiquada n\u00e3o cumprem, durante a maior parte do tempo (a n\u00e3o ser na sequ\u00eancia do sonho do protagonista), qualquer fun\u00e7\u00e3o narrativa. S\u00e3o meros artif\u00edcios, parte integrante do ar retr\u00f4 que faz do filme uma esp\u00e9cie de parque tem\u00e1tico baseado na velha Hollywood. E isso \u00e9 cinefilia de gift shop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma obra que deveria ser encarada da mesma maneira que \u201cDead Men Don&#8217;t Wear Plaid\u201d \/ \u201cCliente Morto N\u00e3o Paga\u201d (1982), pastiche noir no qual Carl Reiner botou Steve Martin para contracenar com imagens de arquivo de Humphrey Bogart, Bette Davis, Barbra Stanwyck, Alan Ladd etc., e a sess\u00e3o dupla \u201cGrindhouse\u201d (2007), na qual, em c\u00f3pias propositalmente (e nostalgicamente) desgastadas, Quentin Tarantino e Robert Rodriguez brincaram com cinema p\u00e9-de-chinelo que sustentou drive-ins mundo afora nos anos 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u201cO Artista\u201d foi levado a s\u00e9rio. Agora, a Academia de Artes Cinematogr\u00e1ficas possui dois filmes mudos em seu hist\u00f3rico de premia\u00e7\u00f5es: um de 1927 (\u201cWings\u201d \/ \u201cAsas\u201d, contemplado na primeira edi\u00e7\u00e3o do Oscar e lan\u00e7ado meses antes de o som se tornar o padr\u00e3o) e outro de 2011. Assim, embora na apar\u00eancia \u201cO Artista\u201d seja anti-3D e anti-CGI, temos em m\u00e3os um bom indicador dos rumos do cinema \u2014 que, na ess\u00eancia, sempre foi marcado pelo artificialismo, mas nunca havia se revelado t\u00e3o fake.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_ISyUA08mfI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_ISyUA08mfI\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Jo\u00e3o Eduardo Veiga, 31, \u00e9 jornalista. Tem escrito no blog <a href=\"http:\/\/www.depoucamonta.com\/\" target=\"_blank\">www.depoucamtonta.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jo\u00e3o Eduardo Veiga\n&#8220;O Artista&#8221; \u00e9 incontestavelmente agrad\u00e1vel, por\u00e9m uma sensa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda cerca o filme: estamos diante de um simulacro&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/29\/cnema-o-artista-michel-hazanavicius\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12947"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12947"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12947\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12956,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12947\/revisions\/12956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}