{"id":12913,"date":"2012-02-28T22:06:29","date_gmt":"2012-02-29T01:06:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=12913"},"modified":"2019-11-28T12:03:17","modified_gmt":"2019-11-28T15:03:17","slug":"entrevista-pedro-luis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/28\/entrevista-pedro-luis\/","title":{"rendered":"Entrevista: Pedro Luis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12915\" title=\"pedroluis\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/pedroluis.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/pedroluis.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/pedroluis-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/leovinhas?ref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Quem \u00e9 Pedro Luis para o cen\u00e1rio musical brasileiro? Dif\u00edcil responder: ele nunca esteve associado a um movimento, a um \u201ccoletivo generacional\u201d, a uma turminha \u2013 embora ele n\u00e3o tenha problema nenhum em fazer parte deles. Ele sempre foi um cantautor que habita um estranho limbo entre o popular e o cult. E seu p\u00fablico n\u00e3o ajuda nessa tarefa: entre seus f\u00e3s podem se encontrar tanto a garota de classe m\u00e9dia alta, viajada e educada em col\u00e9gios caros, como um empedernido bo\u00eamio que mendiga cerveja dos amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Por\u00e9m, existe uma pergunta mais interessante a ser respondida: quem \u00e9 Pedro Luis para a m\u00fasica brasileira, essa institui\u00e7\u00e3o gigante, de limites difusos, mas que tem encantos que resistem a detratores e med\u00edocres? Ele \u00e9 o cara que \u00e9 respons\u00e1vel pela Parede, que imodestamente leva seu nome \u00e0 frente; \u00e9 um dos nomes por tr\u00e1s do Monobloco, uma das maiores usinas dan\u00e7antes que ocupa os palcos nacionais. \u00c9 tamb\u00e9m um compositor que dialoga tanto com Lula Queiroga como com Ney Matogrosso, que consegue colocar em seu primeiro disco solo Milton Nascimento e Erasmo Carlos, dentre outros. E finalmente, \u00e9 algu\u00e9m capaz de compor m\u00fasicas que teimam em n\u00e3o largar o ouvinte, que v\u00e3o atravessando os anos e revelando nuances insuspeitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Na entrevista que se segue, realizada em um hotel pouco antes de uma apresenta\u00e7\u00e3o do Monobloco no Citibank Hall (S\u00e3o Paulo), Pedro Luis forneceu as entrelinhas para responder (em parte?) a essas duas perguntas. Falou muito tamb\u00e9m sobre \u201cTempo de Menino\u201d, primeiro \u00e1lbum que assina sozinho e que foi lan\u00e7ado nas \u00faltimas semanas de 2011, antecipou novidades do Monobloco e comentou a \u201cm\u00fasica financiada brasileira\u201d, assunto inescap\u00e1vel dos \u00faltimos tempos. Mas mais que isso, a conversa, solta como sua m\u00fasica, \u00e9 um atestado de que Pedro tem um amor ineg\u00e1vel pela palavra, e encontrou na m\u00fasica o melhor jeito de burilar esse amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">\u201cTempo de Menino\u201d \u00e9 um convite a compartilhar esse amor. Escute-o o disco em streaming <a href=\"http:\/\/www.umw.com.br\/artistas\/pedroluis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>, mas volte para ler a entrevista. Ou fique aqui (ouvindo as can\u00e7\u00f5es entre as respostas) e depois dedique um tempo para este \u00e1lbum. Vale a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hYX_HnXyJY8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hYX_HnXyJY8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Sobre o disco, tem uma coisa que se nota \u2013 e no seu show solo ainda mais \u2013 que \u00e9 o formato rock bem presente. Tem toda uma linguagem de rock, com baixo, guitarra e bateria. Mas o rock n\u00e3o \u00e9 uma linguagem estranha pra voc\u00ea, n\u00e9? Desde o tempo em que voc\u00ea fazia parte da Urge.<\/strong><br \/>\nNa verdade, eu procuro que nada na m\u00fasica seja estranho pra mim. Na minha casa sempre se teve o h\u00e1bito de ouvir m\u00fasica muito variada. A m\u00fasica chegou muito cedo, eu tinha cinco pra seis anos quando ganhei meu viol\u00e3o, que foi batizado de \u201cLobuarque\u201d, em homenagem a Edu Lobo e Chico Buarque (risos) e eu comecei a esbo\u00e7ar os primeiros acordes, observando o que minhas irm\u00e3s faziam. Eu tenho at\u00e9 hoje guardados os compactos originais dos Beatles, eu tinha tanto audi\u00e7\u00e3o de Beatles como de m\u00fasica cl\u00e1ssica, de MPB \u2013 ali\u00e1s, essa sigla estava sendo cunhada ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Os seus compactos dos Beatles ainda eram daqueles que vinham a tradu\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas entre par\u00eanteses?<\/strong><br \/>\nPode ser&#8230; Eu acho que sim. Eram daqueles amarelinhos&#8230;  Todo o tipo de m\u00fasica chegava l\u00e1 em casa, e a rua onde eu morava era muito musical. Tinha dois caras que tocavam MPB muito bem, tinha grupo de rock, tinha uns caras que eram os Brazilian Beatles, que eram cover dos Beatles, o Red Snakes, os Famks \u2013 que viriam a se tornar o Roupa Nova \u2013 eles chegaram a ensaiar na varanda da minha casa&#8230; Todos os universos musicais estavam presentes na minha forma\u00e7\u00e3o durante a inf\u00e2ncia e isso n\u00e3o mudou durante a minha vida. Eu cresci ouvindo Raul Seixas e Cartola. Essas aparentes dist\u00e2ncias j\u00e1 faziam parte da minha forma\u00e7\u00e3o e me acompanham. Posso tanto fazer uma toada quanto uma m\u00fasica mais pesada. Como \u201cInc\u00eandio\u201d, que era do repert\u00f3rio do Urge [N. e que hoje est\u00e1 no setlist dos shows solo], que voc\u00ea pode ver evidentemente que \u00e9 um rock. Tem um samba com o Ricardo Silveira, que \u00e9 \u201cNa Medida do Meu Cora\u00e7\u00e3o\u201d, que tem inspira\u00e7\u00f5es totalmente cl\u00e1ssicas, digamos, de Nelson Cavaquinho&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Mas sinto que o Urge, apesar do bom repert\u00f3rio, tem uma produ\u00e7\u00e3o datada. Voc\u00ea nunca pensou \u2013 al\u00e9m do que fez com \u201cInc\u00eandio\u201d \u2013 em resgatar essas can\u00e7\u00f5es de outra forma?<\/strong><br \/>\nPode ser. Todas as minhas can\u00e7\u00f5es est\u00e3o ali, fazem parte da minha hist\u00f3ria, ent\u00e3o se forem apropriadas para um determinado trabalho, com certeza ser\u00e3o resgatadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>O registro fonogr\u00e1fico \u00e9 um pouco como uma foto, n\u00e9? Nem sempre aquele momento vai fazer sentido para sempre.<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o tenho nada contra recuperar alguma can\u00e7\u00e3o daquelas se ela convier a algum trabalho que eu fizer. Ou se outras pessoas quiserem recuper\u00e1-las, ser\u00e1 uma honra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Tem uma coisa nesse t\u00f3pico que eu sempre notei: tem coisas que voc\u00ea resgata no repert\u00f3rio desse show solo, de v\u00e1rias \u00e9pocas suas. Rola um pouco a inten\u00e7\u00e3o de reivindicar a autoria, de dizer \u201colha, essas coisas s\u00e3o minhas\u201d?<\/strong><br \/>\nNunca tive essa preocupa\u00e7\u00e3o. \u00c9 mais um gosto de querer cantar algumas can\u00e7\u00f5es que eu n\u00e3o cheguei a cantar, ou outras que eu fiz e n\u00e3o cabem na est\u00e9tica sonora dos coletivos aos quais perten\u00e7o, que s\u00e3o A Parede e o Monobloco. A inten\u00e7\u00e3o do \u201cTempo de Menino\u201d \u00e9 atender a uma demanda pessoal minha onde eu queria poder mostrar um pouco coisas de diversas hist\u00f3rias minhas que gosto de cantar, que canto pra mim quando estou no sof\u00e1 de casa. No disco n\u00e3o tem nada da Parede \u2013 porque s\u00e3o coisas que gravei em algo que \u00e9 um trabalho autoral, porque quase tudo da Parede \u00e9 meu. Mas essa viagem do compositor de poder ir pra qualquer lugar, independente de caber na est\u00e9tica de um grupo do qual participo, isso estava guardado e eu quis passear um pouco por essa amplid\u00e3o territorial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>E al\u00e9m dessa inten\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m existe uma coisa de lembrar essa pluralidade musical da sua hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m, tamb\u00e9m! Eu tava at\u00e9 lendo na biografia recolhida do Roberto Carlos uma coisa curiosa, que outros autores de biografia localizam tamb\u00e9m. Acho que nos anos 1960, e muito pela \u00e9poca dos festivais, come\u00e7a a surgir a figura do cantautor, do compositor que come\u00e7a a interpretar suas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es, o que antes era uma coisa muito rara. Os compositores compunham para os int\u00e9rpretes. Acho que desde essa \u00e9poca se forma esse desejo pessoal do autor de cantar tudo o que lhe cabe. Tem gente que tem um aspecto de g\u00eanero e de estilos mais estreitos, que gosta mais de determinada coisa. E tem outros que n\u00e3o, que o leque \u00e9 muito amplo. E o compositor gosta de mostrar tudo o que faz, eu acho. Acho que todos os compositores gostam. Por isso \u00e9 que eles se tornam int\u00e9rpretes da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. E \u00e9 por isso que eu quis passear por territ\u00f3rios bem distintos, uma diversidade imensa que des\u00e1gua em \u201cLusa\u201d, que \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o sobre minha origem lusitana. Eu tava em Portugal vendo uma lua sobre o Tejo e aquilo me inspirou a fazer uma can\u00e7\u00e3o. Eu fa\u00e7o uma letra e ligo pro meu parceiro Antonio Saraiva, que tamb\u00e9m tem uma origem portuguesa, e falo, \u201colha, isso aqui eu fiz pensando em nossa hist\u00f3ria de ascend\u00eancia portuguesa e eu queria que voc\u00ea musicasse\u201d. Ele musicou, tocou piano, e a Carminha, que \u00e9 uma cantora de fado maravilhosa, cantou tamb\u00e9m&#8230; E voc\u00ea pode ouvir o disco e ver esse resultado, um desejo de poder passear por todos esses territ\u00f3rios que fazem parte da minha obra de compositor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rJud9jnui0g\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rJud9jnui0g\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>A sua obra de compositor tem um car\u00e1ter muito colaborativo. N\u00e3o s\u00f3 por trabalhar com dois coletivos, ainda mais um t\u00e3o numeroso como o Monobloco, mas tem muitas composi\u00e7\u00f5es em parceria. \u00c9 algo que voc\u00ea busca, ou as pessoas te buscam? Porque, para quem \u00e9 um compositor muito pessoal, como \u00e9 seu caso, sempre tem que ceder um pouco&#8230;<\/strong><br \/>\nDurante muito tempo eu compus sozinho. No meu primeiro disco da PLAP, que fiz em 1997 (\u201cAstronauta Tupy\u201d), tem uma m\u00fasica que fiz em 1979, que chama-se \u201cNavilouca\u201d. Foi onde eu tava come\u00e7ando a olhar para as can\u00e7\u00f5es que eu fazia e tava come\u00e7ando a considerar que elas prestavam. Depois em 2001 tem uma outra em can\u00e7\u00e3o que \u00e9 s\u00f3 minha, que \u00e9 \u201cParte Cora\u00e7\u00e3o\u201d, do (\u00e1lbum) \u201cZona e Progresso\u201d. Mas teve uma parte em que comecei a saborear esse encontro para trocar id\u00e9ias e esse encontro se deu de muitas maneiras. Muitas vezes eu boto letra nas can\u00e7\u00f5es dos outros. No caso do Z\u00e9 Renato todas as vezes foram letras minhas e melodias dele. Tem uma coisa mais rara que \u00e9 eu dar m\u00fasica para os outros botarem letras, porque \u00e9 dif\u00edcil eu fazer m\u00fasica sem letra. No caso do [Carlos] Renn\u00f3, que \u00e9 um ex\u00edmio buscador da rela\u00e7\u00e3o forma e conte\u00fado, das estruturas, das rimas, voc\u00ea sente como ele \u00e9 preciosista com isso, que existe uma sugest\u00e3o de metrifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 a acentua\u00e7\u00e3o dos versos, se eles s\u00e3o decass\u00edlabos, se eles s\u00e3o heptass\u00edlabos, que \u00e9 onde vai cair a for\u00e7a deles, mas mesmo assim voc\u00ea n\u00e3o tem id\u00e9ia do que passou pela cabe\u00e7a de quem mandou a m\u00fasica ou a letra. Em geral pe\u00e7o para quem me manda melodia pra botar letra um tema sugerido. Gosto de trabalhar com tema sugerido, gosto de trabalhar sob encomenda, gosto da press\u00e3o do prazo&#8230; Muitas coisas na encomenda me estimulam. Tem uma coisa na parceria que \u00e9 muito mais rara, que consigo com [Rodrigo] Cabelo e Beto [Valente], que s\u00e3o meus parceiros em \u201cSal\u00e3o de Beleza\u201d, \u201cJesus\u201d e \u201cCidade em Movimento\u201d, s\u00e3o parceiros com quem consigo compor junto, juntos como estamos eu e voc\u00ea aqui e agora.  Com Lenine, por exemplo, estivemos juntos v\u00e1rias vezes e nunca conseguimos fazer, s\u00f3 nasceram tentativas. A \u00fanica que fizemos juntos foi \u201cQuatro Horizontes\u201d, do (\u00e1lbum) \u201cPonto Enredo\u201d, que foi feito pro filme \u201cDiabo A Quatro\u201d, da Alice de Andrade, do qual eu fiz a dire\u00e7\u00e3o musical e a trilha. Mas a gente n\u00e3o conseguiu compor juntos. Com Lula Queiroga j\u00e1 consegui compor junto, como em \u201cTem Ju\u00edzo Mas N\u00e3o Usa\u201d. E recentemente com a Roberta S\u00e1 consegui compor bastante coisa junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>D\u00e1 para ver pela pr\u00f3pria estrutura de algumas composi\u00e7\u00f5es, principalmente no \u201cAstronauta Tupy\u201d, que a palavra \u00e9 fundamentalmente importante, que tem at\u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o percussiva em alguns momentos, que o ritmo foi ditado a partir da letra.<\/strong><br \/>\n\u00c9, \u201cFazer o Qu\u00ea?\u201d foi feita assim. A palavra tem uma for\u00e7a incr\u00edvel. O que eu acho que tenho mais condi\u00e7\u00f5es de ser razo\u00e1vel \u00e9 poeta. A m\u00fasica acabou atravessando minha vida e acabou virando meu meio de vida. Mas a intimidade com a palavra \u00e9 uma coisa que tamb\u00e9m vem do meio familiar. Meu pai tinha um exerc\u00edcio po\u00e9tico bilaquiano \u2013 amador, mas tinha \u2013 era bastante culto, e minhas irm\u00e3s tinham uma cultura geral incr\u00edvel. A literatura era bastante \u00edntima de n\u00f3s, porque tinha uma coisa curiosa na nossa casa: a gente chegava da escola e depois do almo\u00e7o at\u00e9 \u00e0s quatro horas era hora de leitura. Se tivesse trabalho de casa para fazer, fazia, sen\u00e3o era hora de leitura, na qual s\u00f3 n\u00e3o valia gibi. Era ler jornal, livro&#8230; O h\u00e1bito de leitura era muito cultivado em casa e isso aproximou muito a gente das letras, tanto que s\u00e3o tr\u00eas irm\u00e3s professoras de portugu\u00eas, todas muito ligadas \u00e0 l\u00edngua portuguesa. Sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de falar correto, de ter um texto trabalhado, bem claro, ent\u00e3o as palavras tomaram uma import\u00e2ncia fundamental na minha vida. Comecei a escrever poemas ainda na primeira s\u00e9rie prim\u00e1ria, a professora ficou muito impressionada, falou pros meus pais me incentivarem nesse caminho. J\u00e1 aos 9, 10, comecei a experimentar as primeiras melodias no que eu tava escrevendo. A palavra \u00e9 uma coisa muito tradicional mesmo na m\u00fasica brasileira. Tem acentua\u00e7\u00f5es em Noel, Chico Buarque, Jo\u00e3o Gilberto em que a palavra tem uma coisa percussiva, os Ts, os Ss s\u00e3o pequenas percuss\u00f5es. O repente tem uma hist\u00f3ria assim&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Como que \u00e9 pra um cara que tem essa preocupa\u00e7\u00e3o ver isso aqui [o CD] se tornando cada vez mais acess\u00f3rio para o ouvinte?<\/strong><br \/>\nTem uma sensa\u00e7\u00e3o de tristeza, mas ao mesmo tempo de uma boa expectativa. Porque adoro isso, venho do tempo do LP e do CD, vivi a passagem pra isso. No caso do \u201cTempo de Menino\u201d, acho que o resultado gr\u00e1fico \u00e9 sensacional. Mas no CD a gente sabe que \u00e9 muito dif\u00edcil fazer um trabalho gr\u00e1fico decente. O LP tinha um espa\u00e7o que era quase para quadros. Mas enfim, a m\u00fasica sobreviveu, o CD acabou se transformando num objeto interessante. Gosto do encarte, do manuseio que o disco e o CD t\u00eam, mas tamb\u00e9m n\u00e3o me abato com a possibilidade de encontrar uma outra maneira de encantar, atrair, seduzir, atrav\u00e9s da virtualiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o meios [os eletr\u00f4nicos] que desescravizaram o artista de estar ligado a uma grande estrutura. Isso \u00e9 muito importante. Voc\u00ea poder produzir em casa num home studio com alt\u00edssima qualidade, se voc\u00ea for caprichoso ou se cercar de pessoas que tem dom\u00ednio da tecnologia. \u00c9 fant\u00e1stico porque durante muito tempo voc\u00ea foi preso \u00e0 chance de entrar no esquema industrial que detinha todos os meios de cria\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da obra. Acho que cabe a n\u00f3s, artistas, descobrirmos como \u00e9 a maneira de atrair pra aquele produto., deixa-lo manuse\u00e1vel. Porque \u00e9 manuse\u00e1vel, tem que entrar, brincar ali&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hEzQSq-3vjk\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/hEzQSq-3vjk\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Voc\u00ea falou da possibilidade de produzir de maneira independente, ent\u00e3o vamos falar da maneira de produzir \u201cindependentemente\u201d mas com subs\u00eddios p\u00fablicos, que \u00e9 uma pol\u00eamica atual. Voc\u00ea tem a lei de incentivo, mas esses caras que est\u00e3o fazendo m\u00fasica com esse financiamento n\u00e3o p\u00f5em a m\u00fasica gratuitamente pro p\u00fablico. Voc\u00ea vai pagar pelo show, pelo disco&#8230;<\/strong><br \/>\nAcho que assim como h\u00e1 show gratuito, tem que haver gratuidade de distribui\u00e7\u00e3o em alguns casos. Isso est\u00e1 num territ\u00f3rio confuso, porque se voc\u00ea considerar que tamb\u00e9m se pode baixar \u2013 que \u00e9 o que se faz hoje em dia \u2013 parece que o autor n\u00e3o est\u00e1 trabalhando, n\u00e9? Mas essa quest\u00e3o de ser uma coisa subsidiada e voc\u00ea aferir isso \u00e9 mais complexa. Mas tem que existir produ\u00e7\u00e3o incentivada, o mecenato, o cara que juntou sua grana e vai fazer&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Voc\u00ea nunca fez com financiamento?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Voc\u00ea se v\u00ea buscando isso?<\/strong><br \/>\nEu busco isso. Na verdade, entro em v\u00e1rios editais. Ainda n\u00e3o peguei nenhum, mas entro em v\u00e1rios. Ah, A Parede conseguiu agora o da Caixa Cultural. O show de S\u00e3o Paulo foi de gra\u00e7a, os outros shows s\u00e3o muito baratos&#8230; Tem um esquema de verter aquele dinheiro, de doar, cada edital tem sua forma. Mas \u00e9 uma coisa a se estudar, porque ganhar duas vezes tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 justo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Esse \u00e9 o ponto. \u201cArtista tem que ser Robin Hood\u201d, como j\u00e1 se escreveu uma vez.<\/strong><br \/>\n(risos) Em 500, n\u00e9? \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o em que eu falo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>O duro de quando voc\u00ea escreve as coisas \u00e9 que elas sempre ficam registradas pra algu\u00e9m cobrar depois (risos).<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eu acho bom, acho bom! (rios) N\u00e3o sei cobrar, mas lembrar \u00e9 bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Voc\u00ea falou umas coisas aqui na entrevista que eu queria entender. Chamou A Parede de um trabalho autoral, falou do \u201cAstronauta Tupy\u201d como \u201cmeu primeiro disco\u201d&#8230; Embora A Parede seja uma banda, notadamente no palco&#8230;<\/strong><br \/>\nSim. Nada se tira individualmente ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Mas o que impedia o \u201cTempo de Menino\u201d de ser um disco da Parede?<\/strong><br \/>\nDesejo particular de fazer um disco sem A Parede e sem o Monobloco, assim como fa\u00e7o outros projetos como dire\u00e7\u00e3o musical, trilhas, sempre fiz. Acho que qualquer um de n\u00f3s, que somos seres coletivos \u2013 ou n\u00e3o, somos seres individuais \u2013 acho que sempre vamos estar instigados por outros projetos. Isso \u00e9 alimento. Se eu paro de ter olhos pra outras coisas, s\u00f3 tenho pra uma, meu trabalho vai ficar empobrecido. Digo \u201ceu\u201d, mas falo tamb\u00e9m dos meus parceiros da Parede. Acho que estar alimentados de outros s\u00f3 faz o trabalho se enriquecer, inclusive o trabalho coletivo. Acho que nunca deve parar, sen\u00e3o s\u00f3 resta a alternativa de acabar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Isso \u00e9 s\u00f3 uma curiosidade, n\u00e3o uma cobran\u00e7a. Porque jornalista tamb\u00e9m n\u00e3o escreve em um lugar s\u00f3 (risos).<\/strong><br \/>\nExatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Agora, falando at\u00e9 em jornalistas&#8230; A imprensa tende a criar cenas ou aglutinar pessoas em torno de um conceito. E voc\u00ea \u00e9 um cara que nunca foi colocado no meio de uma turminha&#8230;<\/strong><br \/>\nTentaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Qual foi?<\/strong><br \/>\n(visivelmente incomodado) MPC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>(risos) Que \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nM\u00fasica popular carioca. Me elegeram como l\u00edder sem me perguntar. Acho que isso \u00e9 um pouco perda de tempo. Acho que as articula\u00e7\u00f5es feitas como grupo s\u00e3o muito interessantes, as trocas de id\u00e9ias&#8230; Mas voc\u00ea querer se restringir a isso, dizer que agora o neg\u00f3cio \u00e9 esse, \u00e9 limitador, mais atrapalha que ajuda. Acho que \u00e9 um desejo mais de ser descobridores da p\u00f3lvora que qualquer outra coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FH1N_5MDUYI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FH1N_5MDUYI\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Falando em carioca: voc\u00ea \u00e9 da Tijuca, certo?<\/strong><br \/>\nDa Tijuca. A m\u00fasica \u201cTempo de Menino\u201d eu fiz pro filme \u201cPra\u00e7a Saenz Pe\u00f1a\u201d, do Vinicius Reis, fala disso, tenta passar por essa Tijuca hist\u00f3rica, que foi uma Tijuca aristocr\u00e1tica dos bar\u00f5es do caf\u00e9, depois uma Tijuca fabril, depois uma Tijuca de classe m\u00e9dia onde esses grandes vultos da m\u00fasica se criaram ali na Barra do Divino, como Roberto, Erasmo, Jorge Ben, Aldir Blanc, Ed Motta&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>O Monoboloco est\u00e1 sempre resgatando v\u00e1rias m\u00fasicas, de v\u00e1rios compositores. O que hoje mant\u00e9m o Monobloco, al\u00e9m do fato de se um projeto que d\u00e1 muito certo? Qual \u00e9 o drive de voc\u00eas, o que motiva na hora que est\u00e3o ensaiando a falar \u201cvamos tirar essa, vamos tirar aquela outra\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nA gente faz muitos shows, cerca de 120 por ano. Ent\u00e3o voc\u00ea sabe que a gente est\u00e1 estimulado a tocar. A gente se mant\u00e9m nessa press\u00e3o, a agenda n\u00e3o deixa ser de outra maneira, procura se renovar na medida do poss\u00edvel adaptando can\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas que a gente vai pensando. O Monobloco quer mexer com o desejo do cidad\u00e3o comum de se tornar um batuqueiro. Mas ao mesmo tempo fica pra gente um desejo de renova\u00e7\u00e3o muito forte. A gente tem que abrir a f\u00f3rceps tempo para empreender as novidades e os projetos de renova\u00e7\u00e3o dentro do Monobloco. A gente est\u00e1 bem ligado nisso, de estar buscando novos caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>O primeiro disco tinha mais composi\u00e7\u00f5es suas&#8230;<\/strong><br \/>\nDo Monobloco?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Do Monobloco. Composi\u00e7\u00f5es suas e de compositores pr\u00f3ximos a voc\u00ea&#8230;<\/strong><br \/>\nAh, do primeiro \u201cprimeiro\u201d! (risos) De 2002&#8230; Voc\u00ea foi l\u00e1 atr\u00e1s! O resultado daquele disco \u00e9 t\u00e3o infeliz que a gente nem lembra dele&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Por que voc\u00ea acha o resultado infeliz?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o no musical, mas&#8230; Na verdade, ele teve um problema s\u00e9rio e a gente vai vingar isso agora. \u00c9 uma hist\u00f3ria interessante. Como foi o primeiro disco, o Monobloco tinha come\u00e7ado h\u00e1 muito pouco tempo, a gente ficou um pouco perdido. N\u00e3o chega a ser um samba do crioulo doido, mas o \u201cMonobloco show\u201d era muito recente, estava se descobrindo, engatinhando. \u00c9 mais como se fosse um disco da Parede que se permite um ecletismo, mas que tem uma hist\u00f3ria de banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Realmente, parece um pouco \u201cA Parede com extras\u201d.<\/strong><br \/>\n\u00c9, parece um pouco. Porque s\u00e3o m\u00fasicas que a gente tocava com A Parede. Tem algumas ignor\u00e2ncias de quem estava pescando o que era aquilo. E teve um problema grave porque a mixagem foi feita a toque de caixa. O saudoso Tom Capone morreu com essa atravessada na garganta, porque a mixagem foi feita num tempo rid\u00edculo, de um dia para o outro praticamente. E a gente sabe que ficou muito ruim, porque ele era um cara muito caprichoso, um cara que nos ensinou a gravar discos e mixar. \u201cAstronauta Tupy\u201d eu acho uma obra-prima da produ\u00e7\u00e3o, um disco feito com muito pouco dinheiro, mas uma com muita sabedoria dele, que nos ensinou como transformar nossa sonoridade, que era um forr\u00f3 de beira de cal\u00e7ada, em disco. E que depois fomos aprender e descobrir como fazer n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Admito que quando escutei pela primeira vez \u201c\u00c9 Tudo 1 Real\u201d me incomodou a sonoridade t\u00e3o diferente do anterior, naquela produ\u00e7\u00e3o do Liminha.<\/strong><br \/>\n\u00c9, uma meia produ\u00e7\u00e3o do Liminha, porque a gente brigou com ele e ele nem concluiu o disco, infelizmente pra ele e pra gente. S\u00e3o discos muito semelhantes, o \u201c\u00c9 Tudo 1 Real\u201d e o \u201cMonobloco\u201d de 2002. S\u00e3o discos sem uma cara, eles t\u00eam muitas caras, o que acaba dando nenhuma. Agora a gente est\u00e1 vingando isso, vai sair um box pela Som Livre onde a gente remixou v\u00e1rias faixas de 2002 do jeito que a gente gosta, pra dar de presente pra Tom Capone. \u00c9 o \u201cMonobox\u201d, s\u00e3o tr\u00eas CDs e um DVD do \u201cMonobloco 10\u201d. Isso sai (saiu) agora no Carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12933\" title=\"pedroluis2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/pedroluis2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>&#8211; Leonardo Vinhas<\/strong><span> assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/20\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell e j\u00e1 escreveu sobre o show do Silver Apples (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/20\/silver-apples-um-puta-show\/\">aqui<\/a>) e entrevistou a banda argentina Superh\u00e9roes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/08\/conexao-latina-superheroes\/\">aqui<\/a>)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nQuem \u00e9 Pedro Luis para o cen\u00e1rio musical brasileiro? O Scream &#038; Yell o encontrou em S\u00e3o Paulo para tentar descobrir isso e mais\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/28\/entrevista-pedro-luis\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12913"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12913"}],"version-history":[{"count":30,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53868,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12913\/revisions\/53868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}